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  Astroboletim #1602  
  16/07 a 18/07/2019  
     
     
 
Efemérides

Dia 16/07: 197.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1969, a Apollo 11 era lançada do cabo Kennedy.

Pousou na superfície lunar no dia 20 de julho de 1969, num local chamado Mar da Tranquilidade. Neil Armstrong (comandante do voo) e Edwin E. "Buzz" Aldrin (piloto do Módulo Lunar, chamado nesta missão de Eagle - Águia em inglês) tornaram-se os primeiros homens a caminhar no solo lunar. Michael Collins (piloto do Módulo de Comando, chamado nesta missão de Columbia) permaneceu em órbita no Módulo de Comando.
Em 1994, o cometa Shoemaker-Levy 9 colide com Júpiter. Os impactos continuam até dia 22 de julho.
Observações: Eclipse lunar parcial, entre as 19:46 e as 01:17 (já de dia 17). A Lua nasce pelas 20:48, pelo que quando se tornar visível, já o eclipse [penumbral] teve início. O pico do eclipse lunar parcial tem lugar às 22:30.
Lua Cheia, pelas 22:38.

Dia 17/07: 198.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1850, primeira fotografia de uma estrela (Vega) que não o Sol, captada pelo Observatório de Harvard.
Em 1894, nascia Georges Lemaître, padre, astrónomo e professor belga.

Foi o primeiro a propôr, academicamente, a teoria da expansão do Universo, largamente mal atribuída a Edwin Hubble. Foi também o primeiro a derivar o que é agora a Lei de Hubble e fez a primeira estimativa do que agora se chama a constante de Hubble, que publicou em 1927, dois anos antes do artigo de Hubble. Lemaître também propôs o que veio a ser conhecido como a teoria do Big Bang para a origem do Universo, que ele chamou de "hipótese do átomo primitivo" ou "Ovo Cósmico".
Em 1975, os módulos Apollo e Soyuz efetuam o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Os comandantes das missões dão o primeiro aperto de mão internacional no espaço.
Em 2007, descoberta do objeto trans-neptuniano 2007 OR10.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 00:28 e as 03:03.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 02:05 e as 04:42.
Trânsito de Ganimedes, entre as 20:59 e as 23:40.
Alta a noroeste depois do anoitecer, a Ursa Maior já começou a sua longa e lenta descida para a direita. Entretanto, mais baixa a norte-nordeste, a constelação de Cassiopeia começa a inclinar-se e a subir.

Dia 18/07: 199.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1921, nascia John Glenn, que em 1962 se tornou no primeiro americano a orbitar a Terra (3 órbitas). Em 1998, tornou-se na pessoa mais velha a voar no espaço (77 anos), como membro da tripulação do vaivém Discovery.
Em 1965, lançamento do satélite russo Zond 3.
Em 1966, lançamento da Gemini 10 numa missão de 70 horas que inclui o acoplamento com um veículo de alvo Agena
Em 1969, a Apollo 11 prepara-se para aterrar na Lua.

Em 1997, a sonda Galileo descobre uma ténue atmosfera em Europa, o mundo oceânico de Júpiter.
Observações: Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 00:16 e as 03:07.
Ocultação de Europa, entre as 19:35 e as 22:09.
Eclipse de Europa, entre as 21:14 e as 23:51.
Semana a semana, a brilhante Arcturo vai perdendo alguma da sua altura a oeste depois do cair da noite. Procure Espiga para baixo e para a esquerda de Arcturo, separadas por aproximadamente 3 punhos à distância do braço esticado. Para baixo e para a direita de Arcturo, à mesma distância, está Denébola, a cauda de Leão. Estas três estrelas formam um triângulo quase perfeitamente equilátero.

 
     
 
Curiosidades


Depois de voltarem à Terra, os três astronautas da Apollo 11 foram transportados para uma instalação de quarentena onde permaneceram durante 21 dias. A razão por trás desta decisão estranha era a de prevenir contaminação de qualquer microorganismo lunar transportado pela tripulação, já que os astronautas tinham regressado de território desconhecido. Ninguém no programa espacial tinha a certeza se a superfície lunar era estéril. Claro, estudos posteriores confirmaram que a Lua não possui qualquer forma de vida.

 
 
   
Hubble descobre misterioso disco de buraco negro
 
Impressão de artista do peculiar disco fino de material que rodeia um buraco negro supermassivo no coração da galáxia espiral NGC 3147, localizada a 130 milhões de anos-luz de distância.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
 

Graças ao Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, os astrónomos observaram um disco fino e inesperado de material envolvendo um buraco negro supermassivo no coração da galáxia espiral NGC 3147, localizada a 130 milhões de anos-luz de distância.

A presença do disco do buraco negro, numa galáxia ativa de tão baixa luminosidade, deixou os astrónomos surpresos. Considera-se que os buracos negros em certos tipos de galáxias, como NGC 3147, estão a passar fome, já que não há suficiente material capturado gravitacionalmente para os alimentar regularmente. É, portanto, intrigante que haja um disco fino rodeando um buraco negro faminto que imita os discos muito maiores encontrados em galáxias extremamente ativas.

De particular interesse, este disco de material que circula o buraco negro fornece uma oportunidade única para testar as teorias da relatividade de Albert Einstein. O disco está tão profundamente incrustado no campo gravitacional intenso do buraco negro que a luz do disco de gás é alterada, de acordo com estas teorias, dando aos astrónomos uma visão única dos processos dinâmicos próximos de um buraco negro.

 
Impressão artística que observa, de cima, o peculiar disco fino de material que rodeia um buraco negro supermassivo no coração da galáxia espiral NGC 3147, localizada a 130 milhões de anos-luz de distância.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
 

"Nunca vimos os efeitos da relatividade geral e especial na luz visível com tanta clareza," disse o membro da equipa Marco Chiaberge da AURA para a ESA, STScI e da Universidade Johns Hopkins.

O material do disco foi medido pelo Hubble e está a girar em torno do buraco negro a mais de 10% da velocidade da luz. A estas velocidades extremas, o gás parece aumentar de brilho enquanto viaja na direção da Terra num lado e diminuir de brilho à medida que se afasta do nosso planeta. Este efeito é conhecido como irradiação relativística. As observações do Hubble também mostram que o gás está tão profundamente enterrado num poço gravitacional que a luz está a lutar para escapar e, portanto, parece esticada para comprimentos de onda mais vermelhos. A massa do buraco negro é equivalente a cerca de 250 milhões de massas solares.

"Esta é uma espiadela intrigante de um disco muito perto de um buraco negro, tão perto que as velocidades e a intensidade da atração gravitacional estão a afetar a forma como vemos os fotões de luz," explicou o primeiro autor do estudo, Stefano Bianchi Università degli Studi Roma Tre em Itália.

A fim de estudar a matéria situada nas profundezas deste disco, os investigadores usaram o instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Telescópio Espacial Hubble. Esta ferramenta de diagnóstico divide a luz de um objeto nos seus comprimentos de onda individuais para determinar a velocidade, a temperatura e outras características do objeto com uma precisão muito alta. O STIS foi essencial para observar eficazmente a região de baixa luminosidade em redor do buraco negro, bloqueando a luz brilhante da galáxia.

 
Imagem da galáxia NGC 3147 pelo Hubble, ao lado de uma impressão de artista do buraco negro supermassivo que reside no seu núcleo. A imagem do Hubble mostra os seus grandes braços espirais, repletos de jovens estrelas azuis, nebulosas rosadas e poeira em silhueta. No entanto, no brilhante núcleo de NGC 3147 esconde-se um buraco negro monstruoso com mais ou menos 250 milhões de vezes a massa do nosso Sol. As observações do buraco negro, pelo Hubble, demonstram duas das teorias da relatividade de Einstein. O buraco negro está profundamente embebido dentro do seu campo gravitacional, visto pela grelha verde que ilustra a deformação do espaço. O campo gravitacional é tão forte que a luz luta para escapar, um princípio descrito na teoria da relatividade geral de Einstein. O material também está a girar tão depressa em torno do buraco negro que aumenta de brilho quando se dirige em direção à Terra, num lado do disco, e diminui de brilho quando se desloca na direção oposta. Este efeito, chamado irradiação relativística, foi previsto pela teoria da relatividade especial de Einstein. NGC 3147 está localizada a 130 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação circumpolar norte de Dragão.
Crédito: imagem Hubble - NASA, ESA, S. Bianchi (Università degli Studi Roma Tre, Itália), A. Laor (Instituto de Tecnologia Technion de Israel) e M. Chiaberge (ESA, STScI e JHU); ilustração - NASA, ESA e A. Feild e L. Hustak (STScI)
 

Os astrónomos inicialmente selecionaram esta galáxia para validar modelos aceites sobre galáxias ativas de baixa luminosidade: aquelas com buracos negros desnutridos. Estes modelos preveem que discos de material devem formar-se quando grandes quantidades de gás são capturadas pela forte força gravitacional de um buraco negro, emitindo subsequentemente muita luz e produzindo um farol brilhante chamado quasar.

"O tipo de disco que vemos é um quasar reduzido que não esperávamos existir," explicou Bianchi. "É o mesmo tipo de disco que vemos em objetos que são 1000 ou até 100.000 vezes mais luminosos. As previsões dos modelos atuais para galáxias ativas muito fracas falharam claramente."

A equipa espera usar o Hubble para procurar outros discos muito compactos em torno de buracos negros de baixa luminosidade em galáxias ativas semelhantes.

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// INAF (comunicado de imprensa)
// Impressão de artista do disco do buraco negro de NGC 3147 (HubbleESA via YouTube)
// Impressão de artista do disco do buraco negro de NGC 3147, visto de cima (HubbleESA via YouTube)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
Futurism
METRO

NGC 3147:
Wikipedia

Quasar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Irradiação relativística:
Wikipedia

Teoria Geral da Relatividade:
Wikipedia

Teoria Especial da Relatividade:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
Descoberto um disco circumplanetário, "formador de luas", em torno de jovem planeta
 
Imagem ALMA da poeira em PDS 70, um sistema localizado a aproximadamente 370 anos-luz da Terra. Duas manchas ténues na região interior do disco estão associadas com planetas recém-formados. Uma dessas concentrações de poeira é um disco circumplanetário, o primeiro já detetado em torno de uma estrela distante.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO); A. Isella
 

Recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos fizeram as primeiras observações de um disco circumplanetário, a cintura planetária de poeira e gás que os astrónomos fortemente teorizam controlar a formação de planetas e que dá origem a todo um sistema de luas, como o encontrado em redor de Júpiter.

Este jovem sistema estelar, PDS 70, está localizado a aproximadamente 370 anos-luz da Terra. Recentemente, os astrónomos confirmaram a presença de dois planetas massivos, semelhantes a Júpiter, em órbita da estrela. Esta descoberta foi feita com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, que detetou o brilho quente naturalmente emitido pelo hidrogénio gasoso que se acumula nos planetas.

As novas observações do ALMA, ao invés, mostram as fracas ondas de rádio emitidas pelas partículas minúsculas (com cerca de um-décimo de milímetro) de poeira em redor da estrela.

Os dados do ALMA, combinados com as observações anteriores do VLT no ótico e no infravermelho, fornecem evidências convincentes de que um disco empoeirado capaz de formar múltiplas luas rodeia o planeta mais exterior conhecido do sistema.

 
Composição de PDS 70. Ao compararem novos dados do ALMA com observações anteriores pelo VLT, os astrónomos determinaram que o jovem planeta designado PDS 70 c tem um disco circumplanetário, uma característica fortemente teorizada como o local de nascimento de luas.
Crédito: ALMA (ESO/NOAJ/NRAO); A. Isella; ESO
 

"Pela primeira vez, podemos ver conclusivamente os sinais reveladores de um disco circumplanetário, que ajuda a suportar muitas das atuais teorias de formação planetária," disse Andrea Isella, astrónomo da Universidade Rice em Houston, no estado norte-americano do Texas, autor principal de um artigo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

"Ao compararmos as nossas observações com imagens infravermelhas e óticas de alta-resolução, podemos ver que uma concentração de minúsculas partículas de poeira, de outro modo enigmática, é um disco planetário de poeira, o primeiro do seu género já observado conclusivamente," disse. De acordo com os investigadores, esta é a primeira vez que um planeta é visto nestas três bandas distintas de luz (visível, infravermelho e rádio).

Ao contrário dos gelados anéis de Saturno, que provavelmente se formaram pela colisão de cometas e corpos rochosos há relativamente pouco tempo na história do nosso Sistema Solar, o disco circumplanetário é o remanescente do processo de formação do planeta.

Os dados do ALMA também revelaram duas diferenças distintas entre os dois planetas recém-descobertos. O mais próximo dos dois, PDS 70 b, que está mais ou menos à mesma distância da sua estrela do que Úrano do Sol, tem uma massa de poeira atrás dele, lembrando uma cauda. "O que isto é, e o que significa para este sistema planetário, ainda não é conhecido," disse Isella. "A única coisa conclusiva que podemos dizer é que está longe o suficiente do planeta para ser uma característica independente."

 
Impressão de artista do disco circumplanetário descoberto recentemente em torno de um jovem planeta no sistema PDS 70.
Crédito: NRAO/AUI/NSF/, S. Dagnello
 

O segundo planeta, PDS 70 c, reside no mesmo local que um nó claro de poeira visto nos dados do ALMA. Dado que este planeta brilha tão intensamente nas bandas do infravermelho e do hidrogénio, os astrónomos podem dizer de maneira convincente que um planeta totalmente formado já está em órbita e que o gás próximo continua a ser sugado para a superfície do planeta, terminando o seu surto de crescimento adolescente.

Este planeta exterior está localizado a mais ou menos 5,3 mil milhões de quilómetros da estrela hospedeira, aproximadamente à mesma distância que Neptuno está do Sol. Os astrónomos estimam que este planeta tenha entre 1 e 10 vezes a massa de Júpiter. "Se o planeta estiver do lado mais massivo dessa estimativa, é bem possível que existam luas do tamanho de um planeta formando-se em redor," observou Isella.

Os dados do ALMA também acrescentam outro elemento importante a estas observações.

Os estudos óticos de sistemas planetários são notoriamente complexos. Dado que a estrela é muito mais brilhante do que os planetas, é difícil filtrar o brilho, tal como tentar avistar um pirilampo ao lado de um holofote. No entanto, as observações do ALMA não têm essa limitação, já que as estrelas emitem comparativamente pouca luz em comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos.

"Isto significa que podemos voltar a este sistema a diferentes períodos e mapear com mais facilidade a órbita dos planetas e a concentração de poeira no sistema," concluiu Isella. "Isto dar-nos-á uma visão única das propriedades orbitais dos sistemas solares nos seus primeiros estágios de desenvolvimento."

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Universidade Rice (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
07/06/2019 - Dois planetas observados diretamente a crescer em torno de uma jovem estrela
03/07/2018 - VLT obtém a primeira imagem confirmada de um planeta recém-nascido 
13/11/2012 - Descoberta de gigante abertura em disco de estrela tipo-Sol pode indicar múltiplas planetas

Notícias relacionadas:
COSMOS
PHYSORG
National Geographic
CNN
Gizmodo

PDS 70:
PDS 70 (Wikipedia)
PDS 70 b (Exoplanet.eu)
PDS 70 c (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

VLT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Descobrindo exoplanetas com ondas gravitacionais

Num artigo publicado recentemente na revista Nature Astronomy, investigadores do Instituto Max Planck para Física Gravitacional (Instituto Albert Einstein) em Potsdam, Alemanha, e da Comissão de Energias Alternativas e Energia Atómica em Saclay, Paris, sugerem como o futuro observatório espacial de ondas gravitacionais LISA poderá detetar exoplanetas em órbita de anãs brancas binárias em toda a nossa Via Láctea e nas vizinhas Nuvens de Magalhães. Este novo método irá superar certas limitações das técnicas atuais de deteção eletromagnética e poderá permitir que o LISA detete planetas com massas iguais ou superiores a 50 vezes a da Terra.

Nas últimas duas décadas, o nosso conhecimento sobre exoplanetas cresceu significativamente e já foram descobertos mais de 4000 planetas em órbita de uma grande variedade de estrelas. Até agora, as técnicas usadas para encontrar e caracterizar esses sistemas têm por base a radiação eletromagnética e estão limitadas à vizinhança solar e a algumas partes da nossa Galáxia.

 
Representação artística de ondas gravitacionais produzidas por um sistema binário composto por anãs brancas e com um companheiro planetário de massa joviana.
Crédito: Simonluca Definis
 

No artigo científico, o Dr. Nicola Tamanini, investigador do Instituto Albert Einstein em Potsdam e a sua colega, a Dra. Camilla Danielski, investigadora da Comissão de Energias Alternativas e Energia Atómica em Saclay (Paris), mostram como estas limitações podem ser ultrapassadas pela astronomia de ondas gravitacionais. "Propomos um método que utiliza ondas gravitacionais para encontrar exoplanetas que orbitam anãs brancas binárias," disse Nicola Tamanini. As anãs brancas são remanescentes muito antigos e pequenos de estrelas uma vez semelhantes ao nosso Sol. "O LISA medirá ondas gravitacionais de milhares de anãs brancas binárias. Quando um planeta orbita um par de anãs brancas, o padrão observado de onda gravitacional será diferente do de um binário sem planetas. Essa mudança característica nas formas das ondas gravitacionais permitir-nos-á descobrir exoplanetas."

O novo método explora a modulação do desvio Doppler do sinal de onda gravitacional provocado pela atração gravitacional do planeta sob o par de anãs brancas. Esta técnica é análoga à do método de velocidade radial, uma técnica bem conhecida usada para encontrar exoplanetas com telescópios eletromagnéticos. No entanto, a vantagem das ondas gravitacionais é que não são afetadas pela atividade estelar, o que pode dificultar as descobertas eletromagnéticas.

No seu artigo, Tamanini e Danielski mostram que a próxima missão da ESA, LISA (Laser Interferometer Space Antenna), com lançamento previsto para 2034, pode detetar exoplanetas com a massa de Júpiter em torno de anãs brancas binárias em toda a nossa Galáxia, superando as limitações de distância dos telescópios eletromagnéticos. Além disso, salientam que o LISA terá o potencial de também detetar esses exoplanetas em galáxias vizinhas, possivelmente levando à descoberta do primeiro exoplaneta extragaláctico.

"O LISA vai ter como alvo uma população exoplanetária ainda completamente desprovida de resultados," explica Tamanini. "De uma perspetiva teórica, nada impede a presença de exoplanetas em torno de anãs brancas binárias compactas." Se estes sistemas existirem e forem encontrados pelo LISA, os cientistas vão obter novos dados para desenvolver ainda mais a teoria da evolução planetária. Vão melhor entender as condições sob as quais um planeta sobreviver à(s) fase(s) de gigante(s) vermelha(s) e também testar a existência de uma segunda geração de planetas, ou seja, planetas que se formam após a fase de gigante vermelha. Por outro lado, se o LISA não detetar exoplanetas em órbita de anãs brancas binárias, os cientistas serão capazes de estabelecer restrições no estágio final da evolução planetária na Via Láctea.

// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// LISA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
Scientific American
PHYSORG
ars technica

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

LISA:
Página oficial
ESA
NASA
Wikipedia

 
   
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  HiRISE avista rover Curiosity em "Woodland Bay" (via NASA)
A imagem, obtida no dia 31 de maio de 2019 pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, mostra o rover Curiosity a examinar um local chamado "Woodland Bay". É apenas uma das muitas paragens que o rover efetuou numa área denominada "unidade argilosa" no lado do Monte Sharp, uma montanha com 5 km de altura no interior da Cratera Gale. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - ISS Cruza Um Sol Sem Manchas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rainee Colacurcio
 
Aquilo não é uma mancha solar. É a Estação Espacial Internacional (ISS) capturada passando em frente do Sol. As manchas solares, individualmente, têm uma umbra central escura, uma penumbra mais clara ao redor e nenhum painel solar. Por outro lado, a ISS é um mecanismo complexo e multifacetado, uma das maiores e mais sofisticadas máquinas já criadas pela humanidade. Além disso, as manchas solares ocorrem no Sol, enquanto a ISS orbita a Terra. O trânsito pelo Sol não é muito invulgar para a ISS, que orbita a Terra a cada 90 minutos, mas é raro obter o tempo e o equipamento certo para uma imagem espetacular. Estranhamente, além desta mancha falsa, nesta composição de duas exposições o Sol não apresentava quaisquer manchas solares. A imagem em destaque combina duas imagens - uma que captura a estação espacial quando transita pelo Sol - e outra consecutiva que capta detalhes da superfície do Sol. Desde o início do atual Mínimo Solar que as manchas solares são raras no Sol, um período de baixa atividade solar. Por razões ainda não totalmente compreendidas, o número de manchas solares durante o mínimo solar atual e também durante o anterior tem sido excecionalmente baixo.
 
   
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