Dia 13/09: 256.º dia do calendário gregoriano. Observações: A Lua nasce a este pouco depois do pôr-do-Sol, uma vista bem bonita ao lusco-fusco. Depois do anoitecer, olhe para cima e para a esquerda da Lua em busca do Grande Quadrado de Pégaso, apoiado num canto. O Quadrado é composto por estrelas de segunda e terceira magnitudes.
Observe depois o nascimento de Fomalhaut, de magnitude 1, para baixo e para a direita da Lua, a cerca de dois punhos à distância do braço esticado. A que horas consegue observá-la? Quanto mais para sul estiver, mais alto e mais fácil será de ver.
Trânsito de Io, entre as 21:27 e as 23:43.
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:44 e as 00:58 (já de dia 14).
Dia 14/09: 257.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1915 nascia John Dobson. Fundador do "Sidewalk Astronomers" e inventor do telescópio dobsoniano.
Ensinou muitos a construir telescópios modestos e a usá-los: "Temos a responsabilidade de mostrar aos outros como é o nosso Universo a partir de um telescópio - e explicar o que estão a ver."
Em 1959, a sonda soviética Luna 2 colide com a Lua, tornando-se no primeiro objeto feito pelo Homem a lá chegar.
Em 2015, o LIGO faz a primeira observação direta de ondas gravitacionais com um instrumento na Terra, usando os interferómetros gémeos localizados em Livingston, Louisiana e em Hanford, Washington. O programa anunciou ou seus achados no dia 11 de fevereiro de 2016. Observações: Lua Cheia, pelas 05:33.
Ocultação de Io, entre as 18:34 e as 20:53.
Eclipse de Io, entre as 19:51 e as 22:10.
Ao final do anoitecer, a Lua está baixa a este. A dois punhos à distância do braço esticado, para cima e para a esquerda do nosso satélite natural, encontra-se o Grande Quadrado de Pégaso, apoiado num canto. O lado inferior esquerdo do Quadrado aponta diagonalmente para a Lua.
Dia 15/09: 258.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1968, lançamento da soviética Zond 5, tornando-se a primeira sonda a dar uma volta à Lua e a re-entrar na atmosfera da Terra.
Em 2017, termina a missão da sonda Cassini em Saturno, fragmentando-se na atmosfera do planeta. Observações: Aproveite a noite para observar telescopicamente Júpiter e Saturno, a sul-sudoeste e a sul, respetivamente, pouco depois do pôr-do-Sol. Júpiter, para cima da constelação de Escorpião, e Saturno, junto ao "Bule de Chá" de Sagitário, vão dentro em breve dizer adeus aos observadores, à medida que o verão transita para outono.
Dia 16/09: 259.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1996, lançamento da missão STS-79 do vaivém Atlantis. Observações: À medida que o dia se torna noite, Arcturo pisca a oeste. Vai ficando cada vez mais baixa a cada semana que passa. E para a sua direita está Ursa Maior, cada vez mais nivelada.
Eclipse de Ganimedes, entre as 22:18 e as 01:19 (já de dia 17).
Curiosidades
A sonda Cassini transmitiu, ao todo, 635 gigabytes de dados. Quantidade incrível, tendo em conta que só tinha 512 kilobytes de armazenamento.
Hubble encontra, pela primeira vez, vapor de água num exoplaneta na zona habitável da sua estrela
Esta impressão de artista mostra o planeta K2-18b, a sua estrela-mãe e um outro planeta no sistema. K2-18b é agora a única super-Terra que se sabe albergar água e temperaturas que podem suportar vida. Os investigadores da UCL usaram dados de arquivo do Hubble de 2016 e 2017 e desenvolveram algoritmos de código aberto para analisar a luz da estrela hospedeira filtrada através da atmosfera de K2-18b. Os resultados revelaram a assinatura molecular do vapor de água, também indicando a presença de hidrogénio e hélio na atmosfera do planeta.
Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser
O seu tamanho e gravidade à superfície são muito maiores do que os da Terra, e o seu ambiente de radiação pode ser hostil, mas um planeta distante chamado K2-18b conquistou o interesse de cientistas de todo o mundo. Pela primeira vez, os investigadores detetaram a assinatura de vapor de água na atmosfera de um planeta para lá do nosso Sistema Solar, que reside na "zona habitável", a região em torno de uma estrela na qual a água líquida pode potencialmente acumular-se à superfície de um planeta rochoso.
Astrónomos do CSED (Center for Space Exochemistry Data) da University College London, no Reino Unido, usaram dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA para encontrar vapor de água na atmosfera de K2-18b, um exoplaneta em torno de uma pequena estrela anã vermelha a cerca de 110 anos-luz de distância na direção da constelação de Leão. Se confirmado por estudos adicionais, este será o único exoplaneta conhecido por ter água na atmosfera e temperaturas que podem sustentar água líquida numa superfície rochosa. A água líquida só seria possível se o planeta fosse de natureza terrestre, em vez de se assemelhar a uma versão pequena de Neptuno.
Dado o elevado nível de atividade da sua anã vermelha, K2-18b pode ser mais hostil à vida como a conhecemos do que a Terra, pois é provável que seja exposto a mais radiação altamente energética. O planeta, descoberto pelo Telescópio Espacial Kepler da NASA em 2015, também possui uma massa oito vezes maior que a da Terra. Isto significa que a gravidade à superfície deste planeta seria significativamente maior do que a do nosso planeta.
A equipa usou dados de arquivo de 2016 e 2017 captados pelo Hubble e desenvolveu algoritmos de código aberto para analisar a luz da estrela hospedeira filtrada através da atmosfera de K2-18b. Os resultados revelaram a assinatura molecular do vapor de água e também sugerem a presença de hidrogénio e hélio na atmosfera do planeta.
Os autores do artigo, publicado na revista Nature Astronomy, pensam que outras moléculas, incluindo azoto e metano, podem estar presentes, mas permanecem indetetáveis com as observações atuais. São necessários mais estudos para estimar a cobertura de nuvens e a percentagem de água atmosférica presente. Um artigo de uma equipa diferente, usando observações do Hubble, foi submetido à revista The Astronomical Journal.
K2-18b é uma das centenas de "super-Terras" - exoplanetas com massas entre a da Terra e Neptuno - encontradas pelo Kepler. Espera-se que a missão TESS da NASA detete outras centenas de super-Terras nos próximos anos. A próxima geração de telescópios espaciais, incluindo o Telescópio Espacial James Webb, será capaz de caracterizar a atmosfera de exoplanetas em mais detalhe.
Flashes periódicos e inesperados podem lançar luz sobre a acreção de buracos negros
Uma visão de raios-X do buraco negro ativo no núcleo da galáxia distante GSN 069, a cerca de 250 milhões de anos-luz de distância, com base em dados do observatório de raios-X XMM-Newton da ESA. A parte superior da animação mostra as observações reais e o gráfico na parte inferior mostra variações no brilho dos raios-X da fonte em relação ao seu nível "inativo".
Esta animação é baseada em quase 40 horas de observações desta fonte, que passa por erupções nunca antes vistas - de nome "erupções quase periódicas", ou EQPs - a cada nove horas. A sequência foi acelerada para fins de ilustração; cada quadro corresponde a cerca de 3 minutos de tempo real de exposição do XMM-Newton.
Estas erupções foram detetadas pela primeira vez no dia 24 de dezembro de 2018, quando a fonte aumentou repentinamente de brilho por um fator de 100, e depois voltou aos seus níveis normais numa hora, só para "reacender" novamente nove horas depois.
Embora nunca antes observados, os cientistas pensam que erupções quase periódicas como estas podem ser na realidade comuns no Universo.
Crédito: ESA/XMM-Newton; G. Miniutti & M. Giustini (CAB, CSIC-INTA, Espanha)
O telescópio espacial de raios-X da ESA, XMM-Newton, detetou explosões periódicas nunca antes vistas de radiação de raios-X provenientes de uma galáxia distante que poderão ajudar a explicar alguns comportamentos enigmáticos de buracos negros ativos.
O XMM-Newton, o mais poderoso observatório de raios-X, descobriu alguns flashes misteriosos do buraco negro ativo no núcleo da galáxia GSN 069, a cerca de 250 milhões de anos-luz de distância. No dia 24 de dezembro de 2018, a fonte aumentou repentinamente de brilho por um fator de 100, e depois voltou aos seus níveis normais numa hora, só para "reacender" novamente nove horas depois.
"Foi completamente inesperado," diz Giovanni Miniutti, do Centro de Astrobiologia de Madrid, Espanha, autor principal de um novo artigo publicado anteontem na revista Nature.
"Os buracos negros gigantes piscam regularmente como uma vela, mas as mudanças rápidas e repetidas observadas em GSN 069 a partir do mês de dezembro são algo completamente novo."
Outras observações, realizadas com o XMM-Newton bem como com o Observatório de raios-X Chandra da NASA nos meses seguintes, confirmaram que o buraco negro distante ainda mantinha o ritmo, emitindo rajadas quase periódicas de raios-X a cada nove horas. Os investigadores estão a chamar o novo fenómeno de "erupções quase periódicas," ou EQPs.
"A emissão de raios-X vem de material que está a ser acretado no buraco negro e aquecido no processo," explica Giovanni.
O painel principal deste gráfico é uma imagem no visível obtida pelo DSS em torno da galáxia conhecida como GSN 069. A inserção fornece uma animação dos dados obtidos pelo observatório de raios-X Chandra da NASA durante um período de cerca de 20 horas nos dias 14 e 15 de fevereiro de 2019. A sequência é repetida novamente para mostrar como o brilho dos raios-X da fonte no núcleo de GSN 069 muda regularmente e drasticamente durante este período.
O observatório espacial de raios-X XMM-Newton da ESA foi o primeiro a detetar este fenómeno, detetando duas explosões separadas por nove horas no dia 24 de dezembro de 2018. Os cientistas então acompanharam com mais observações do XMM-Newton nos dias 16 e 17 de janeiro, encontrando cinco explosões, e com o Chandra menos de um mês depois, revelando mais três surtos.
Embora nunca antes observados, os cientistas pensam que erupções quase periódicas como estas podem ser na realidade comuns no Universo.
Crédito: raios-X - NASA/CXO/CSIC-INTA/G. Miniutti et al.; ótico - DSS
"Existem vários mecanismos no disco de acreção que podem dar origem a este tipo de sinal quase periódico, potencialmente ligado a instabilidades no fluxo de acreção próximo do buraco negro central.
"Alternativamente, as erupções podem ser devidas à interação do material do disco com um segundo corpo - outro buraco negro ou talvez o remanescente de uma estrela anteriormente perturbada pelo buraco negro."
Embora nunca antes observados, Giovanni e colegas pensam que surtos periódicos como estes podem ser na realidade comuns no Universo.
É possível que o fenómeno não tenha sido identificado antes, porque a maioria dos buracos negros nos núcleos de galáxias distantes, com massas de milhões a milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol, são muito maiores do que o buraco negro em GSN 069, que é apenas cerca de 400.000 vezes mais massivo do que o nosso Sol.
Quanto maior e mais massivo o buraco negro, mais lentas as flutuações de brilho que pode exibir, de modo que um típico buraco negro supermassivo entra em erupção não a cada nove horas, mas a cada poucos meses ou anos. Isto tornaria a deteção improvável, pois as observações raramente abrangem períodos de tempo tão longos.
E mais: as EQPs como as encontradas em GSN 069 podem fornecer uma estrutura natural para interpretar alguns padrões intrigantes observados numa fração significativa de buracos negros ativos, cujo brilho parecer variar demasiado depressa para ser facilmente explicado pelos modelos teóricos atuais.
"Conhecemos muitos buracos negros massivos cujo brilho aumenta ou diminui por fatores muito elevados em dias ou meses, enquanto esperamos que variem num ritmo muito mais lento," explica Giovanni.
"Mas se parte desta variabilidade corresponder às fases de subida ou descida de erupções semelhantes às descobertas em GSN 069, então a rápida variabilidade destes sistemas, que parece atualmente inviável, pode ser explicada naturalmente. Novos dados e novos estudos dirão se esta analogia realmente se aplica."
As erupções quase periódicas avistadas em GSN 069 também podem explicar outra propriedade intrigante observada na emissão de raios-X de quase todos os buracos negros supermassivos brilhantes com acreção: o chamado "excesso suave".
Variações no brilho de raios-X do buraco negro ativo no núcleo da galáxia distante GSN 069, a cerca de 250 milhões de anos-luz de distância, conforme registado pelo observatório de raios-X XMM-Newton da ESA (azul) e pelo observatório de raios-X Chandra da NASA (vermelho). O gráfico mostra o brilho dos raios-X da fonte em relação ao seu nível "inativo".
Os flashes da fonte foram observados pela primeira vez no dia 24 de dezembro de 2018, quando o seu brilho aumentou repentinamente por um fator de 100, e depois voltou aos seus níveis normais numa hora, só para "reacender" novamente nove horas depois. Outras observações realizadas durante um período de 54 dias confirmaram este comportamento, com "erupções quase periódicas" ou EQPs detetadas a cada nove horas.
Embora nunca antes observados, os cientistas pensam que erupções quase periódicas como estas podem ser na realidade comuns no Universo.
Crédito: ESA/XMM-Newton; NASA/CXC: G. Miniutti (CAB, CSIC-INTA, Espanha)
Consiste na emissão aprimorada a baixas energias de raios-X, e ainda não há consenso sobre o que a provoca, a teoria principal invocando uma nuvem de eletrões aquecidos perto do disco de acreção.
Tal como buracos negros semelhantes, o de GSN 069 exibe um excesso de raios-X tão suave durante as explosões, mas não entre as erupções.
"Podemos estar a testemunhar a formação do excesso suave em tempo real, o que poderá esclarecer a sua origem física," diz o coautor Richard Saxton da equipa de operações do XMM-Newton no centro de astronomia da ESA na Espanha.
"De momento, não se sabe como a nuvem de eletrões é criada, mas estamos a tentar identificar o mecanismo estudando as mudanças no espetro de raios-X de GSN 069 durante as erupções."
A equipa já está a tentar identificar as propriedades que definem GSN 069, no momento em que as erupções periódicas foram detetadas pela primeira vez, a fim de procurar mais casos de estudo.
"Um dos nossos objetivos imediatos é procurar erupções quase periódicas de raios-X noutras galáxias, para melhor entender a origem física deste novo fenómeno," acrescenta a coautora Margherita Giustini do Centro de Astrobiologia de Madrid.
"GSN 069 é uma fonte extremamente fascinante, com potencial para se tornar numa referência no campo da acreção de buracos negros," diz Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.
A descoberta não teria sido possível sem as capacidades do XMM-Newton.
"Estas explosões acontecem na parte menos energética da banda de raios-X, onde o XMM-Newton é imbatível. Certamente precisaremos de usar o observatório novamente se quisermos encontrar mais destes tipos de eventos no futuro," conclui Norbert.
Novos modelos sugerem que lagos de Titã são crateras de explosão
Esta impressão de artista de um lago no polo norte da lua de Saturno, Titã, ilustra orlas elevadas e parecidas a muralhas como aquelas vistas pela sonda Cassini da NASA em torno de Winnipeg Lacus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Usando dados de radar da sonda Cassini da NASA, investigações publicadas recentemente apresentam um novo cenário que explica porque alguns lagos cheios de metano na lua de Saturno, Titã, estão cercados por orlas íngremes que atingem centenas de metros de altura. Os modelos sugerem que explosões de azoto aquecido criaram bacias na crosta da lua.
Titã é o único corpo planetário no nosso Sistema Solar, além da Terra, que possui líquidos estáveis à sua superfície. Mas, em vez de chover água das nuvens e de encher lagos e mares como na Terra, em Titã é o metano e o etano - hidrocarbonetos que consideramos gases, mas que se comportam como líquidos no clima gelado de Titã.
A maioria dos modelos existentes que expõem a origem dos lagos de Titã mostra o metano líquido a dissolver o leito de rocha e de compostos orgânicos sólidos da lua, escavando reservatórios que se enchem com líquido. Esta pode ser a origem de um tipo de lago em Titã que possui fronteiras íngremes. Na Terra, os corpos de água que se formam da mesma maneira, dissolvendo o calcário circundante, são conhecidos como lagos cársicos [ou cársticos].
Os novos modelos alternativos para alguns dos lagos mais pequenos (dezenas de quilómetros em comprimento) viram essa teoria de cabeça para baixo: propõem bolsas de azoto líquido na crosta aquecida de Titã, transformando-se em gás que explode para formar crateras, crateras estas que depois se enchem de metano líquido. A nova teoria explica porque alguns dos lagos mais pequenos próximos do polo norte de Titã, como Winnipeg Lacus, parecem nas imagens de radar ter orlas muito íngremes que se elevam acima do nível do mar - bordas difíceis de explicar com o modelo cársico.
Os dados de radar foram recolhidos pelo orbitador Cassini - uma missão gerida pelo JPL da NASA em Pasadena, Califórnia - durante a sua última passagem por Titã, enquanto a sonda se preparava para o seu mergulho final na atmosfera de Saturno há dois anos. Uma equipa internacional de cientistas liderada por Giuseppe Mitri da Universidade G. d'Annunzio, na Itália, ficou convencida de que o modelo cársico não estava de acordo com o que viam nestas novas imagens.
"A orla sobe e o processo cársico funciona da maneira oposta," disse Mitri. "Não estávamos a encontrar qualquer explicação que se encaixasse com uma bacia de lago cársico. Na realidade, a morfologia era mais consistente com uma cratera de explosão, onde a borda é formada por material ejetado do interior da cratera. É um processo totalmente diferente."
O trabalho, publicado dia 9 de setembro na revista Nature Geosciences, entrelaça-se com outros modelos climáticos de Titã para mostrar que a lua pode estar quente em comparação com o que era nas "eras glaciais" anteriores de Titã.
Ao longo dos últimos 500 milhões a mil milhões de anos em Titã, o metano na sua atmosfera atuou como um gás de efeito estufa, mantendo a lua relativamente quente - embora ainda fria pelos padrões da Terra. Os cientistas há muito que pensam que a lua passou por épocas de arrefecimento e aquecimento, já que o metano é esgotado pela química solar e depois reabastecido.
Nos períodos mais frios, o azoto dominava a atmosfera, chovendo e percorrendo a crosta gelada para se acumular em lagos logo abaixo da superfície, disse o cientista da Cassini e coautor do estudo Jonathan Lunine da Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova Iorque.
"Estes lagos com orlas íngremes, muralhas e bordas elevadas seriam um sinal de períodos da história de Titã em que havia azoto líquido à superfície e na crosta," observou. Até o aquecimento localizado seria suficiente para transformar o azoto líquido em vapor, fazendo com que se expandisse rapidamente e explodindo para criar uma cratera.
"Esta é uma explicação completamente diferente para as bordas íngremes em redor destes pequenos lagos, que têm sido um tremendo quebra-cabeças," disse Linda Spilker, cientista do projeto Cassini no JPL. "À medida que os cientistas continuam a explorar o tesouro de dados da Cassini, vamos continuar a juntar cada vez mais peças do puzzle. Durante as próximas décadas, entenderemos cada vez mais o sistema de Saturno."
Buraco negro de massa intermédia lança estrela pela Via Láctea
Uma equipa internacional de astrónomos identificou a origem de uma estrela em fuga a alta velocidade de nome PG 1610+062 e determinou que foi provavelmente ejetada do seu enxame onde nasceu com a ajuda de um buraco negro de massa intermédia.
Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics.
A fim de restringir a velocidade de rotação projetada de PG 1610+062, a sua velocidade radial, bem como medir com precisão a sua composição química, a equipa precisou de dados espectrais da estrela, mas a sua distância e posição no espaço tornaram o instrumento ESI (Echellette Spectrograph and Imager) do Observatório W. M. Keck a única ferramenta para o trabalho.
"No hemisfério norte, apenas a combinação do Observatório Keck e do ESI nos deu o que precisávamos. A área de recolha do Keck permitiu-nos reunir fotões suficientes para o nosso objeto e o ESI tem exatamente a resolução correta, que é alta o suficiente para resolver todas as características espectrais," diz o coautor Thomas Kupfer, pós-doutorado do Instituto Kavli para Física Teórica na Universidade da Califórnia em Santa Barbara.
Estrelas jovens e massivas como PG1610+062, no halo galáctico da Via Láctea, vivem longe das regiões de formação estelar da nossa Galáxia. Os astrónomos estão a tentar entender como é que estas "estrelas fugitivas" foram forçadas a sair do seu local de nascimento. Novas observações de PG1610+062 sugerem que um buraco negro de massa intermédia, na Via Láctea, pode ser responsável por expulsar a estrela do seu enxame natal.
Crédito: A. Irrgang, FAU
Embora anteriormente considerada uma estrela antiga com metade da massa do Sol, típica do halo galáctico, os dados do Observatório Keck revelaram que PG 1610+062 é na verdade uma estrela surpreendentemente jovem, dez vezes mais massiva, expelida do Disco Galáctico a quase à velocidade de escape da Via Láctea.
Também existem estrelas ainda mais velozes, chamadas estrelas de hipervelocidade - as primeiras três foram descobertas em 2005. Entre elas está a estrela ímpar US 708, encontrada em observações com o LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do telescópio Keck I; estava a viajar tão depressa que escapou à atração gravitacional da Via Láctea. Para atingir estas velocidades, é necessário um evento de expulsão extremamente dramático.
Simulações realizadas em 1988 sugeriram que um buraco negro gigante com 4 milhões de vezes a massa do Sol era capaz de o fazer. Ao interromper um sistema estelar binário, ou seja, engolindo uma estrela e deixando a sua parceira estelar com toda a energia do sistema, ejetando-a muito além da velocidade de escape da Via Láctea. À falta de outras explicações plausíveis para a formação das estrelas de hipervelocidade, este cenário foi prontamente aceite como o mecanismo padrão de expulsão, em particular depois que as evidências observacionais da existência de um buraco negro supermassivo no Centro Galáctico se tornaram avassaladoras no início da década de 2000.
Usando as medições de precisão astrométrica da missão Gaia da ESA, PG1610+062 foi rastreada, não para perto do Centro Galáctico, mas para o braço espiral de Sagitário da nossa Galáxia, descartando a ideia de que o buraco negro supermassivo do Centro Galáctico tivesse expelido a estrela.
Ainda mais interessante é a extrema aceleração derivada para PG1610+062, que exclui provavelmente todos os outros cenários alternativos, exceto a interação com um buraco negro de massa intermédia. Prevê-se que tais objetos existam em enxames estelares jovens nos braços espirais da Via Láctea, mas nenhum foi efetivamente confirmado até ao momento.
"PG1610+062 pode fornecer evidências de que os buracos negros de massa intermédia realmente existem na nossa Galáxia. A 'corrida' para os encontrar está em andamento," diz o autor principal Andreas Irrgang da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga, Alemanha.
Há muito mais para aprender sobre esta estrela e sobre o seu local de origem. À medida que a missão Gaia prossegue, a precisão vai melhorar e o local de origem será reduzido ainda mais, possivelmente permitindo que os astrónomos procurem o enxame estelar e, finalmente, o buraco negro.
A equipa, que inclui Felix Fürst do Centro Europeu de Astronomia Espacial na Espanha, Stephan Geier do Instituto de Física e Astronomia da Universidade de Potsdam, na Alemanha, e Ulrich Heber da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga, está atualmente a pesquisar candidatas adicionais semelhantes a PG1610+062 usando o Gaia e outros telescópios. As mais brilhantes e mais próximas podem ser adequadas para rastrear os núcleos dos enxames estelares, o que poderá fornecer evidências de buracos negros de massa intermédia nos seus centros.
Uma zona "perfeita" para planetas de vários tamanhos (via The Harvard Gazette)
Num artigo recente, investigadores da Universidade de Harvard descreveram um novo tipo de limite inferior de tamanho para os planetas manterem água líquida à superfície por longos períodos de tempo, estendendo a chamada "zona habitável" para planetas pequenos e de baixa gravidade. A pesquisa expande a área de busca pela vida no Universo e lança luz sobre o importante processo de evolução atmosférica em planetas pequenos. Ler fonte
Álbum de fotografias - A Nebulosa da Íris num Campo de Poeira
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Markus Bauer
Estas nuvens cósmicas de poeira vagueiam a cerca de 1300 anos-luz de distância nos férteis campos estelares da constelação de Cefeu. A maravilhosa Nebulosa da Íris, também conhecida como NGC 7023, floresce para cima e para a esquerda. Com mais ou menos 6 anos-luz de diâmetro, a bonita forma simétrica da nebulosa não é única no que toca a evocar imagens de flores. A cor azul dominante desta nebulosa é característica dos grãos de poeira difundidos que refletem a luz de uma estrela azulada e quente nas proximidades. Mas as nuvens mais escuras de poeira cobrem a maior parte do campo de visão com quase 4 graus de largura. À direita está o complexo LDN 1147/1158 de Nebulosas Escuras de Lynd. Aí, estão a formar-se estrelas, ainda escondidas dentro dos núcleos das nuvens escuras. Uma análise da imagem nítida poderá realçar objetos Herbig-Hargo, jatos de gás brilhante e chocado emanando de estrelas recentemente formadas.
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