Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1628  
  15/10 a 17/10/2019  
     
 
Efemérides

Dia 15/10: 288.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1582, o papa Gregório XIII implementava o calendário gregoriano. O dia 4 de outubro deste ano é seguido diretamente pelo 15 de outubro.
Em 1608 nascia Evangelista Torricelli, físico italiano famoso por ter inventado o barómetro. 
Em 1829 nascia Asaph Hall, astrónomo americano famoso por ter descoberto as luas de Marte, Fobos e Deimos.

Determinou também as órbitas de satélites de outros planetas e de estrelas duplas, a rotação de Saturno e a massa de Marte.
Em 1997, era lançada a sonda Cassini para Saturno a partir de Cabo Canaveral. 
Em 2001, a sonda Galileu da NASA passa a 181 km da lua de Júpiter, Io
Em 2003, a China lança a Shenzhou 5, a sua primeira missão espacial tripulada.
Observações: Eclipse de Europa, entre as 17:37 e as 20:20.
Trânsito da sombra de Io, entre as 19:20 e as 21:36.
Agora que estamos a meio de outubro, Deneb substituiu Vega como a estrela brilhante mais perto do zénite após o anoitecer (para observadores a latitudes médias norte). Assim sendo, a ténue constelação de Capricórnio substituiu Sagitário como a constelação zodiacal baixa a sul.
Assim que a Lua se encontre razoavelmente alta a este, olhe para a sua esquerda cerca de punho e meio à distância do braço esticado em busca do pequeno enxame das Plêiades brilhante através do luar.

Dia 16/10: 289.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2012, é descoberto o exoplaneta Alpha Centauri Bb.

Em outubro de 2015, astrónomos publicaram um artigo científico que refuta a existência do planeta. Isto levou o autor principal do artigo original a voltar atrás no anúncio.
Observações: Procure hoje as Plêiades para cima e para a esquerda da Lua e Aldebarã para baixo e para a esquerda da Lua.

Dia 17/10: 290.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604, o astrónomo Johannes Kepler observa uma supernova na constelação de Ofíuco.

Observações: A Lua nasce quase duas horas e meia depois do pôr-do-Sol, acompanhada da estrela laranja Aldebarã 4 ou 5 graus para a sua direita. As Plêiades estão para cima.

 
     
 
Curiosidades


Um grupo de estrelas referido como as "Sete Irmãs" (M45 ou Plêiades), é na realidade um conjunto de mais de 1000 membros confirmados estatisticamente (excluíndo binários não visíveis). Até 14 conseguem ser avistadas a olho nu, dependendo das condições do local de observação.

 
 
   
Via Láctea invade "contas bancárias" intergalácticas

A nossa Via Láctea é uma galáxia frugal. As supernovas e os violentos ventos estelares sopram gás para fora do disco galáctico, mas esse gás cai de volta para a Galáxia para formar novas gerações de estrelas. Num ambicioso esforço para determinar todo este processo de reciclagem, os astrónomos ficaram surpresos ao encontrar um excesso de gás recebido.

"Esperávamos encontrar um equilíbrio nas 'contas' da Via Láctea, um valor idêntico de entrada e de saída de gás, mas 10 anos de dados ultravioleta do Hubble mostraram que há mais coisas a entrar do que a sair," disse o astrónomo Andrew Fox, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do estudo a ser publicado na revista The Astrophysical Journal.

Fox disse que, por enquanto, a fonte do excesso de gás de entrada permanece um mistério.

 
Esta ilustração mostra a reciclagem de gás da Via Láctea acima e por baixo do disco estelar. O Hubble observa as nuvens invisíveis de gás que sobem e descem com o seu instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph). A assinatura espectroscópica da luz de quasares de fundo que brilham através das nuvens fornece informações sobre o seu movimento. A luz do quasar tem um desvio para o vermelho em nuvens que se afastam do plano galáctico, enquanto a luz dos quasares que passa por gás que entra parece desviar-se para o azul. Esta diferenciação permite que o Hubble realize uma auditoria precisa do fluxo de entrada e do fluxo de saída do gás no halo da Via Láctea - revelando um excesso inesperado e até agora inexplicado de gás de entrada.
Crédito: NASA, ESA e D. Player (STScI)
 

Uma explicação possível é que o gás novo poderá estar a vir do meio intergaláctico. Mas Fox suspeita que a Via Láctea também esteja a "invadir" as "contas bancárias" do gás das suas pequenas galáxias satélites, usando a sua consideravelmente maior força gravitacional para desviar os seus recursos. Além disso, esta investigação, embora em toda a Galáxia, analisou apenas gás frio e o gás mais quente também poderá ter algum papel.

O novo estudo relata as melhores medições, até agora, da velocidade de entrada e saída de gás da Via Láctea. Antes deste estudo, os astrónomos sabiam que as reservas galácticas de gás são reabastecidas pelo fluxo de entrada e esgotadas pelo fluxo de saída, mas não sabiam as quantidades relativas do gás que entra em comparação com o gás que sai. O balanço entre estes dois processos é importante porque regula a formação de novas gerações de estrelas e planetas.

Os astrónomos realizaram esta investigação recolhendo observações de arquivo do COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, que foi instalado no telescópio pelos astronautas em 2009 durante a sua última missão de manutenção. Os investigadores vasculharam os arquivos do Hubble, analisando 200 observações ultravioletas do halo difuso que rodeia o disco da nossa Galáxia. Os dados ultravioleta ao longo de uma década forneceram uma visão sem precedentes do fluxo de gás na Galáxia e permitiram o primeiro inventário a nível galáctico. As nuvens de gás do halo galáctico só são detetáveis no ultravioleta e o Hubble é especializado em recolher dados detalhados sobre o Universo ultravioleta.

"As observações originais do COS do Hubble foram obtidas para estudar o Universo muito além da nossa Galáxia, mas debruçámo-nos sobre eles e analisámos o gás da Via Láctea em primeiro plano. Temos que dar crédito ao arquivo do Hubble, pois podemos usar as mesmas observações tanto para o Universo próximo como para o Universo mais distante. A resolução do Hubble permite-nos estudar simultaneamente objetos celestes locais e remotos," observou Rongmon Bordoloi, da Universidade Estatal da Carolina do Norte em Raleigh, coautor do artigo científico.

Como as nuvens de gás são invisíveis, a equipa de Fox usou luz dos quasares de fundo para detetar estas nuvens e os seus movimentos. Os quasares, os núcleos de galáxias ativas alimentadas por buracos negros famintos, brilham como faróis brilhantes a milhares de milhões de anos-luz. Quando a luz do quasar chega à Via Láctea, passa através das nuvens invisíveis.

O gás nas nuvens absorve certas frequências da luz, deixando impressões digitais reveladoras no espectro do quasar. Fox destacou a impressão digital do silício e usou-a para rastrear o gás em redor da Via Láctea. As nuvens de gás de saída e de entrada foram distinguidas graças ao efeito Doppler da luz que passava por elas - as nuvens que se aproximam são mais azuis e as nuvens que se afastam são mais vermelhas.

Atualmente, a Via Láctea é a única galáxia para a qual temos dados suficientes para fornecer uma contabilidade tão completa das entradas e saídas de gás.

"O estudo da nossa própria Galáxia, em detalhe, fornece a base para a compreensão de galáxias por todo o Universo, e percebemos que a nossa Galáxia é mais complicada do que imaginávamos," disse Philipp Richter, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, também coautor do estudo.

Os estudos futuros vão explorar a fonte do excedente de gás de entrada, bem como se outras galáxias grandes se comportam do mesmo modo. Fox observou que agora existem observações suficientes pelo COS para realizar uma auditoria da galáxia de Andrómeda (M31), a galáxia grande mais próxima da Via Láctea.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
SPACE.com
EurekAlert!
PHYSORG
Gizmodo

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
Para planetas recém-nascidos, os sistemas solares são naturalmente "à prova de bebés"

Simulações numéricas de um grupo de astrónomos liderado por Mario Flock do Instituto Max Planck para Astronomia, mostraram que os sistemas planetários jovens são naturalmente "à prova de bebés": os mecanismos físicos combinam-se para impedir os jovens planetas nas regiões interiores de darem um mergulho fatal para a estrela. Processos similares também permitem que os planetas nasçam perto das estrelas - a partir de detritos presos numa região próxima da estrela. A investigação, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, explica descobertas pelo Telescópio Espacial Kepler que mostram um grande número de super-Terras em órbita íntima das suas estrelas, nos limites da região à prova de bebé.

 
Um jovem planeta num sistema à prova de bebé: os novos resultados mostram como um limite dentro do disco em torno de jovem estrela parecida com o Sol atua como uma barreira que impede que os planetas mergulhem na estrela.
Crédito: Departamento Gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia
 

Quando uma criança nasce, os pais certificam-se que a sua casa é à prova de bebé, estabelecendo barreiras de segurança que mantêm a criança longe de áreas particularmente perigosas. Novas investigações sobre a formação planetária mostram que algo muito semelhante ocorre nos jovens sistemas planetários.

Os planetas formam-se em torno de uma jovem estrela, cercada por um disco de gás e poeira. Dentro deste disco protoplanetário, os grãos de poeira unem-se, ficando cada vez maiores. Após alguns milhões de anos, atingem alguns quilómetros em diâmetro. Neste ponto, a gravidade é forte o suficiente para unir estes objetos e assim formar planetas, objetos redondos, sólidos ou com um núcleo sólido, com diâmetros de alguns milhares de quilómetros ou mais.

Uma curiosa multidão no limite interior

Assim como crianças, os objetos sólidos num sistema planetário tão jovem tendem a mover-se em todas as direções - não apenas em órbita da estrela, mas flutuando para fora e para dentro. Isto pode ser potencialmente fatal para planetas que já se encontrem relativamente próximos da estrela central.

Perto da estrela, encontraremos apenas planetas rochosos, com superfícies sólidas, semelhantes à nossa Terra. Os núcleos planetários só podem capturar e manter quantidades significativas de gás para se transformarem em gigantes gasosos muito mais longe da estrela quente. Mas o tipo mais simples de cálculo para o movimento de um planeta perto da estrela, no gás de um disco protoplanetário, mostra que um planeta deste tipo deverá flutuar continuamente para dentro, mergulhando na estrela numa escala de tempo inferior a um milhão de anos, muito menos do que a vida útil do disco.

Se fosse este o cenário completo, seria surpreendente que o satélite Kepler da NASA, que examinou estrelas parecidas com o Sol (dos tipos espectrais F, G e K), encontrasse algo completamente diferente: inúmeras estrelas têm as chamadas super-Terras em órbita íntima, planetas rochosos mais massivos do que a nossa própria Terra. Particularmente comuns são planetas com períodos de aproximadamente 12 dias, até períodos tão baixos quanto 10 dias. Para o nosso Sol, isso corresponderia a raios orbitais de mais ou menos 0,1 UA, apenas cerca de um-quarto do raio orbital de Mercúrio, o planeta mais próximo do nosso Sol.

Foi este o quebra-cabeças que Mario Flock, líder de grupo do Instituto Max Planck para Astronomia, decidiu resolver juntamente com colegas do JPL, da Universidade de Chicago e da Queen Mary University em Londres. Os investigadores envolvidos são especialistas em simular o ambiente complexo em que os planetas nascem, modelando os fluxos e as interações de gás, poeira, campos magnéticos e planetas nos seus vários estágios percursores. Dianto do aparente paradoxo das super-Terras íntimas vistas pelo Kepler, propuseram-se a simular em detalhe a formação planetária perto de estrelas parecidas com o Sol.

Um Sistema Solar à prova de bebés

Os seus resultados foram inequívocos e sugerem duas possíveis razões por trás da ocorrência comum de planetas em íntima órbita. A primeira é que, pelo menos para planetas rochosos com até 10 vezes a massa da Terra ("super-Terras" ou "mini-Neptunos"), estes sistemas estelares jovens são à prova de bebés.

A barreira de segurança que mantém os planetas jovens fora da zona de perigo funciona da seguinte maneira. Quanto mais perto estivermos da estrela, mais intensa a sua radiação estelar. Dentro do limite chamado frente de sublimação, a temperatura do disco sobe acima dos 1200 K e as partículas de poeira (silicatos) transformam-se em gás. O gás extremamente quente dentro dessa região torna-se muito turbulento. Esta turbulência transporta o gás em direção à estrela a alta velocidade, adelgaçando no processo a região interna do disco.

À medida que uma jovem super-Terra viaja através do gás, é normalmente acompanhada por gás que também gira com o planeta num percurso orbital semelhante a uma ferradura. À medida que o planeta se move para dentro e atinge a frente de sublimação dos silicatos, as partículas de gás que se deslocam do gás mais fino para o gás mais denso fora dos limites dão um pequeno chuto ao planeta. Nesta situação, o gás exercerá uma influência (em termos físicos: um momento) ao planeta viajante e, crucialmente, devido ao salto na densidade, radialmente para fora. Desta forma, a fronteira serve como uma barreira de segurança, impedindo que os jovens planetas mergulhem na estrela. E a localização do limite para uma estrela tipo-Sol, conforme previsto pela simulação, corresponde ao limite inferior para períodos orbitais descobertos pelo Kepler. Como Mario Flock diz: "porque é que existem tantas super-Terras em órbita próxima, como o Kepler nos mostrou? Porque os jovens sistemas planetários têm uma barreira à prova de bebés integrada!"

Construção planetária na fronteira

Existe uma possibilidade alternativa: ao rastrear o movimento de objetos mais pequenos, com alguns milímetros ou centímetros de tamanho, os cientistas descobriram que estes seixos tendem a acumular-se bem atrás da frente de sublimação dos silicatos. Para que a pressão se equilibre diretamente na fronteira, o gás fino na região de transição precisa de girar mais depressa do que o normal (já que deve haver um equilíbrio entre pressão e força centrífuga). Esta rotação do gás é mais rápida do que a velocidade orbital "Kepleriana" de uma partícula isolada em órbita da estrela por conta própria. Um seixo que entra nesta região de transição é forçado para este movimento superior à velocidade Kepleriana e é imediatamente ejetado novamente à medida que as forças centrífugas correspondentes o empurram para fora, como uma pequena criança num carrossel. Isto também contribui para a frequência de super-Terras em órbita próxima. As super-Terras formadas não são as únicas com uma barreira de segurança à prova de bebés. O facto de que objetos muito mais pequenos também têm fornece condições ideais para a formação de super-Terras naquele local!

Os resultados não foram uma surpresa completa para os investigadores. De facto, encontraram uma "armadilha" semelhante em modelos de estrelas muito mais massivas ("estrelas Herbig"), embora a uma distância muito maior. Os novos resultados estendem-se para estrelas parecidas com o Sol e acrescentam o mecanismo à prova de bebés para planetas recém-nascidos. Além disso, o novo artigo científico é o primeiro que fornece uma comparação com os dados estatísticos do telescópio espacial Kepler, tendo em cuidada consideração que o Kepler só poderia ver certos tipos de sistema (principalmente aqueles com o plano orbital visto quase de lado).

E o nosso próprio Sistema Solar?

Curiosamente, por estes critérios, o nosso próprio Sistema Solar também poderia ter abrigado um planeta semelhante à Terra mais perto do Sol do que o atual planeta mais interior, Mercúrio. Será o facto de não existir um planeta desse tipo um acaso estatístico, ou será que esse planeta realmente existiu, mas foi expulso do Sistema Solar? Esta é uma pergunta interessante para investigações adicionais. Mario Flock salienta: "O Sistema Solar não só era à prova de bebés, como é possível que o bebé assim protegido tenha 'voado do ninho'!"

// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
PHYSORG
CNN

Formação estelar:
Wikipedia

Discos protoplanetários:
Wikipedia

Super-Terra:
Wikipedia

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Wikipedia

 
   
Revelada explosão violenta no coração de um sistema que alberga um buraco negro
 
Ilustração do buraco negro MAXI J1820+070.
Crédito: John Paice
 

Uma equipa internacional de astrónomos, liderada pela Universidade de Southampton, usou câmaras de última geração para criar um filme com alta taxa de quadros de um sistema com um buraco negro em crescimento e a um nível de detalhe nunca antes visto. No processo, descobriram novas pistas para a compreensão dos arredores imediatos destes objetos enigmáticos. Os cientistas publicaram o seu trabalho num novo artigo da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os buracos negros podem alimentar-se de uma estrela próxima e criar vastos discos de acreção de material. Aqui, o efeito da forte gravidade do buraco negro e o próprio campo magnético do material pode emitir níveis de radiação em rápida mudança do sistema como um todo.

Esta radiação foi detetada no visível pelo instrumento HiPERCAM acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) em La Palma, Ilhas Canárias, e em raios-X pelo observatório NICER da NASA a bordo da Estação Espacial Internacional.

O buraco negro estudado tem o nome MAXI J1820+070 e foi descoberto no início de 2018. Fica a apenas 10.000 anos-luz de distância, na nossa própria Via Láctea. Tem uma massa equivalente a mais ou menos 7 sóis, que colapsou numa região do espaço inferior à cidade de Londres.

O estudo destes sistemas geralmente é muito difícil, pois as suas distâncias tornam-nos demasiado ténues e pequenos para serem observados - nem mesmo com o EHT (Event Horizon Telescope), que recentemente obteve a primeira fotografia do buraco negro no centro da galáxia M87. Os instrumentos HiPERCAM e NICER, no entanto, permitem que os investigadores registem "filmes" da luz do sistema a mais de 300 fps ("frames per second", quadros por segundo), capturando "crepitações" violentas e "surtos" de luz visível e raios-X.

John Paice, estudante na Universidade de Southampton e do Centro Interuniversitário de Astronomia e Astrofísica, na Índia, foi o autor principal do estudo que apresentou estes resultados e também o artista que criou o filme. Ele explicou o trabalho da seguinte forma: "O filme foi feito usando dados reais, mas diminui para 1/10 da velocidade real para permitir que os surtos mais rápidos fossem discernidos pelo olho humano. Podemos ver que o material em redor do buraco negro é tão brilhante que ofusca a estrela que está a consumir, e as oscilações mais rápidas duram apenas alguns milissegundos - é o 'output' de mais de cem sóis emitido num piscar de olhos."

Os cientistas também descobriram que quedas nos níveis de raios-X são acompanhadas por um aumento da luz visível (e vice-versa). E que os flashes mais rápidos no visível emergiram uma fração de segundo após os raios-X. Tais padrões revelam indiretamente a presença de plasma distinto, material extremamente quente onde os eletrões são despojados dos átomos, em estruturas profundas no abraço da gravidade do buraco negro, de outra forma pequenas demais para serem resolvidas.

Não é a primeira vez que isto é encontrado; uma diferença de fração de segundo entre a luz raios-X e visível já foi observada noutros dois sistemas que hospedam buracos negros, mas nunca com este nível de detalhe. Os membros dessa equipa internacional estiveram na vanguarda deste campo ao longo da última década. O Dr. Poshak Gandhi, igualmente de Southampton, também encontrou as mesmas assinaturas temporárias nos dois sistemas anteriores.

Ele comentou acerca da importância destas descobertas: "O facto de vermos isto agora em três sistemas reforça a ideia de que é uma característica unificadora de tais buracos negros em crescimento. A ser verdade, deve estar a dizer-nos algo fundamental sobre como o fluxo de plasma em torno dos buracos negro opera.

"As nossas melhores ideias invocam uma ligação profunda entre os fluxos de plasma, para dentro e para fora. Mas estas são condições físicas extremas que não podemos replicar nos laboratórios da Terra e não entendemos como a natureza gere isto. Estes dados serão cruciais para acertar na teoria correta."

// Universidade de Southampton (comunicado de imprensa)
// Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Surto violento de um buraco negro (Sotonpressarchive via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
01/02/2019 - NICER mapeia "ecos de luz" de buraco negro recém-descoberto

Buracos negros:
Wikipedia

GTC (Gran Telescopio Canarias):
Página principal
Wikipedia

NICER:
NASA
Wikipedia

Estação Espacial Internacional (ISS):
ESA 
NASA
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Relíquia de rio espiada pela Mars Express (via ESA)
Marte pode parecer um mundo alienígena, mas muitas das suas características parecem estranhamente familiares - como este antigo sistema fluvial seco que se estende por quase 700 quilómetros da superfície, tornando-o uma das maiores redes de vales do planeta. Ler fonte
     
  Alta pressão na orla do Sistema Solar (via NASA)
Nos limites do nosso Sistema Solar, a pressão é alta. Essa pressão, a força do plasma, os campos magnéticos e as partículas, como iões, raios cósmicos e eletrões que exercem uns sobre os outros quando fluem e colidem, foi recentemente medida por cientistas, pela primeira vez, na sua totalidade - e é mais alta do que o esperado. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - Uma Caixa de Joias Estelares: Enxame Aberto NGC 290
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubble; ReconhecimentoE. Olzewski (U. Arizona)
 
As joias não brilham tanto assim - apenas as estrelas. Como pedras preciosas numa caixa de joias, as estrelas do enxame aberto NGC 290 resplandecem numa bonita exibição de brilho e cor. O aglomerado fotogénico, na imagem em destaque, foi fotografado em 2006 pelo Telescópio Espacial Hubble. Os enxames abertos são jovens, contêm poucas estrelas e contêm uma fração muito maior de estrelas azuis do que os enxames globulares. NGC 290 situa-se a cerca de 200.000 anos-luz de distância numa galáxia vizinha chamada Pequena Nuvem de Magalhães. O enxame aberto contém centenas de estrelas e abrange cerca de 65 anos-luz em diâmetro. NGC 290 e outros enxames abertos são bons laboratórios para estudar como as estrelas de diferentes massas evoluem, uma vez que todas as estrelas do enxame aberto nasceram aproximadamente ao mesmo tempo.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2019 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt