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  Astroboletim #1647  
  20/12 a 23/12/2019  
     
 
Efemérides

Dia 20/12: 354.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson
Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador de Astronomia da História.
Em 1999, lançamento da missão STS-103 do vaivém Discovery, a terceira missão de serviço ao Telescópio Hubble.

Observações: Já alguma vez observou o nascer de Sirius? Encontre um horizonte com céu desimpedido a este-sudeste e veja Sirius a subir a cerca de dois punhos à distância do braço esticado por baixo da cintura de Orionte. Dependendo da posição do observador, isto ocorre pelas 20:15.

Dia 21/12: 355.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8William A. AndersJames A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a sair da órbita da Terra.

Esta missão teve como objetivo alcançar a órbita da Lua, observar a sua superfície e o seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos. 
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Em 2015, a SpaceX faz história, tornando-se na primeira companhia a fazer regressar, com sucesso, o estágio de um veículo de lançamento orbital à Terra para uma aterragem propulsiva numa plataforma de aterragem terrestre. 
Observações: Esta é a altura do ano em que M31, a Galáxia de Andrómeda, passa perto do zénite pouco depois do anoitecer (se viver a latitudes médias norte). A hora exata depende da sua longitude. Uns binóculos mostram M31 logo ao lado do joelho da figura da constelação de Andrómeda.
Hoje é a noite mais longa do ano para o Hemisfério Norte; a mais curta para o Hemisfério Sul.

Dia 22/12: 356.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, o asteroide 323 Brucia torna-se no primeiro asteroide descoberto usando astrofotografia.
Em 2015, a SpaceX aterra o primeiro estágio de um foguetão Falcon 9 no solo, depois de alcançar baixa órbita terrestre às 01:40 UTC pela primeira vez na história.

Observações: Solstício de inverno, pelas 04:19. Começa a nova estação de inverno. O Sol dá início à sua viagem de seis meses para norte no céu da Terra.

Dia 23/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de SaturnoReia

Observações: Com a chegada do inverno, o Grande Quadrado de Pégaso está novamente apoiado sob um canto depois da hora de jantar, agora descendo para o lado ocidental do céu. A linha principal de estrelas de Andrómeda prolonga-se desde o seu canto de topo.

 
     
 
Curiosidades


Os astronautas da ISS têm que dormir perto de um ventilador, ligado, ou arriscam-se a acordar subitamente (resposta involuntária) com falta de ar e com uma grande dor de cabeça. Isto devido à deprivação de oxigénio numa área sem mistura de ar e à formação de uma "bolha" do seu próprio dióxido de carbono expirado.

 
 
   
Centenas de milhares de pessoas de 112 países selecionam nomes de exoplanetas e respetivas estrelas; Portugal escolheu "Viriato", que orbita "Lusitânia"
 
Os 112 países que participaram na campanha IAU100 NameExoWorlds.
Crédito: UAI
 

No dia 17 de dezembro de 2019, numa conferência de imprensa em Paris, foram anunciados os nomes de 112 exoplanetas e das suas estrelas hospedeiras da campanha NameExoWorlds da UAI (União Astronómica Internacional). No âmbito das comemorações dos 100 anos da UAI, 112 países organizaram campanhas nacionais que estimularam a participação direta de mais de 780.000 pessoas de todo o mundo, que propuseram e selecionaram nomes para cada exoplaneta e para a sua estrela hospedeira.

O projeto NameExoWorlds da UAI teve uma participação massiva e generalizada. O público aderiu a esta empolgante oportunidade de sugerir nomes únicos, importantes e criativos para os sistemas exoplanetários de cada dos respetivos países. Esta é apenas a segunda vez na história que uma campanha levou à nomenclatura de estrelas e exoplanetas. No total, foram recebidas mais de 360.000 propostas para nomes entre 112 países. O Comité Nacional de cada país reduziu as suas propostas a uma lista restrita de candidatos, que foram apresentados ao público para votação. Um total de 420.000 pessoas votaram nos seus candidatos favoritos. A lista completa de nomes aprovados pelo Comité Gestor da Campanha IAU100 NameExoWorlds pode ser consultada na secção de links. Este projeto terá um impacto duradouro, pois os nomes vencedores serão usados em paralelo com a nomenclatura científica existente, creditada à pessoa, grupo ou instituição que os sugeriu.

"As observações astronómicas ao longo da última geração descobriram agora mais de 4000 planetas em órbita de outras estrelas - chamados exoplanetas. O número de descoberto continua a duplicar a cada 2 anos e meio, revelando novas populações notáveis de planetas e colocando a nossa própria Terra e o Sistema Solar em perspetiva. Estatisticamente, é provável que a maioria das estrelas no céu tenha planetas em órbita - estão por toda a parte," disse Eric Mamajek, copresidente do Comité Gestor da Campanha NameExoWorlds. "Os astrónomos catalogam as suas novas descobertas usando designações semelhantes a números de telefone e tem havido um interesse crescente entre os astrónomos e o público em também atribuir-lhes nomes próprios, como os corpos do Sistema Solar," continuou Mamajek.

O projeto global IAU100 NameExoWorlds foi concebido para dar a conhecer o nosso lugar no Universo e para refletir sobre como a Terra seria potencialmente compreendida por uma civilização de outro planeta. Dado que a UAI é a autoridade responsável por atribuir designações e nomes oficiais aos corpos celestes, as celebrações da campanha IAU100 em 2019 foram usadas como uma ocasião especial para oferecer a todos os países uma oportunidade de dar nome a um sistema planetário, incluindo um exoplaneta e a sua estrela hospedeira. Eduardo Monfardini Penteado, gerente do projeto IAU100, salientou: "A campanha IAU100 NameExoWorlds proporcionou ao público a empolgante oportunidade de ajudar a dar nomes a mais de 100 novos mundos e correspondentes estrelas e a ajudar a UAI a estabelecer um tema profundo para a nomenclatura de descobertas futuras nesses sistemas."

A estrela atribuída a cada nação é visível desse país e brilhante o suficiente para ser observada através de pequenos telescópios. Os respetivos Comités Nacionais, seguindo a metodologia e diretrizes estabelecidas pelo Comité Gestor IAU100 NameExoWorlds, foram os órgãos responsáveis por estabelecer as condições para a participação do público, divulgar o projeto no país e desenvolver um sistema de votação.

Os exoplanetas recém-nomeados provavelmente são grandes gigantes de gás e todos foram descobertos através de um de dois métodos: o método de trânsito - no qual se observam planetas a passar em frente das suas estrela, bloqueando parte da luz estelar; e o método de velocidade radial - onde a medição cuidadosa do espectro estelar revela que está a oscilar para a frente e para trás sob a influência da gravidade dos seus planetas.

O sistema atribuído a Portugal é HD 45652 - uma anã laranja na direção da constelação de Unicórnio. O seu planeta é o gigante gasoso HD 45652 b. Como resultado da votação a nível nacional, à estrela foi atribuído o nome "Lusitânia", designação da região oeste da Península Ibérica onde o povo Lusitano viveu e que em grande parte corresponde ao Portugal dos tempos modernos. O exoplaneta recebeu o nome "Viriato", o lendário líder dos Lusitanos, pastor e caçador que liderou a resistência contra os invasores Romanos em meados do século II a.C.

 
 

Em reconhecimento do Ano Internacional das Línguas Indígenas da ONU, os falantes de línguas indígenas foram incentivados a propor nomes dessas línguas, e algumas dúzias dos nomes selecionados são de etimologia indígena. Na Argentina, a proposta vencedora foi submetida por um professor e líder da comunidade indígena Moqoit. Os novos nomes para o planeta HD 48265 b (Naqaya) e para a estrela HD 48265 (Nosaxa) significam irmão-família-parente (referindo-se a todos os seres humanos como irmãos) e primavera (literalmente, ano novo), respetivamente, na língua Moqoit.

"A UAI está encantada por ver o amplo interesse internacional que esta campanha NameExoWorlds gerou," observou Debra Elmegreen. "É gratificante que tantas pessoas em todo o mundo tenham ajudado a criar um nome para um sistema planetário que seja significativo para a sua cultura e herança. Este esforço ajuda à nossa união na exploração do Universo."

O projeto NameExoWorlds foi organizado no âmbito do 100.º aniversário da União Astronómica Internacional em 2019. Com mais de 5000 atividades em 140 países, milhões de pessoas em todo o mundo comemoram os avanços astronómicos que moldaram a ciência, a tecnologia e a cultura ao longo do século passado, bem como destacam a importância da astronomia como ferramenta para a educação, desenvolvimento e diplomacia.

"Ao longo do ano, envolvemo-nos com o público em várias atividades astronómicas para o 100.º aniversário da UAI. O Projeto Global NameExoWorlds foi a iniciativa perfeita para fechar um ano cheio de projetos que colaboram com a sociedade. Certamente terá um impacto duradouro durante anos," conclui Ewine van Dishoeck, presidente da UAI.

// UAI (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Lista completa aprovada pelo Comité da UAI

 


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Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
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Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Lusitânia (HD 45652):
Wikipedia

Viriato (HD 45652 b):
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia

União Astronómica Internacional:
Página oficial

 
   
Missão Cheops da ESA levanta voo
 
A missão Cheops da ESA levanta voo a bordo de um foguetão Soyuz-Fregat.
Crédito: ESA - S. Corvaja
 

A missão Cheops da ESA levantou voo a partir de um foguetão Soyuz-Fregat a partir do Porto Espacial Europeu em Kourou, Guiana Francesa, às 09:54:20 CET de dia 18 de dezembro, na sua emocionante missão de caracterizar planetas em órbitas de outras estrelas que não o Sol.

Os sinais da nave, recebidos no centro de controle da missão no INTA, Torrejón de Ardoz, Madrid, via estação de rastreamento Troll às 12:43 CET, confirmaram que o lançamento foi bem-sucedido.

O satélite Cheops (Characterising Exoplanet Satellite) é uma parceria entre a ESA e a Suíça, com importantes contribuições de 10 outros países membros da Agência Espacial Europeia. A primeira missão da ESA dedicada aos exoplanetas, vai investigar planetas conhecidos para lá do nosso Sistema Solar e fornecer informações importantes sobre a natureza desses mundos alienígenas distantes.

Os cientistas especulavam há muito tempo a existência de exoplanetas até à descoberta de 51 Pegasi b, o primeiro planeta descoberto em torno de uma estrela parecida com o Sol, anunciada em 1995. Os descobridores, Didier Queloz e Michel Mayor, partilharam o Prémio Nobel da Física de 2019 pela descoberta inovadora, que marcou o início de uma nova era de investigação e transformou a investigação exoplanetária numa das áreas de mais rápido crescimento da astronomia.

Nos últimos 25 anos, astrónomos usando telescópios na Terra e no espaço descobriram mais de 4000 exoplanetas em torno de estrelas próximas e distantes, a maioria dos quais não possui homólogos no Sistema Solar. Esta variedade amplamente diversificada estende-se de mundos gasosos maiores que Júpiter a planetas rochosos e pequenos cobertos de lava, o tipo de exoplaneta mais abundante estando entre o tamanho da Terra e o de Neptuno.

"O Cheops levará a ciência exoplanetária a um nível totalmente novo," diz Günther Hasinger, Diretor Científico da ESA.

 
O Cheops da ESA faz parte de um conjunto de três missões espaciais exoplanetárias desenhadas para enfrentar diferentes aspetos deste ramo da astronomia. Esta impressão de artista mostra alguns dos diferentes tipos de exoplanetas e estrelas que serão estudados pelo Cheops.
Na próxima década será lançado o Plato (PLAnetary Transits and Oscillations), um caçador que vai procurar exoplanetas rochosos na zona habitável de estrelas parecidas com o Sol. Também vai investigar a atividade sísmica das estrelas, o que permitirá uma caracterização precisa da estrela-mãe do planeta.
Também com lançamento previsto para a próxima década, o Ariel (Atmospheric Remote-sensing Infrared Exoplanet Large-survey) vai dar um passo em frente na caracterização dos exoplanetas, realizando um censo químico de uma grande e diversificada amostra de exoplanetas através da análise das suas atmosferas. Isto permitirá o estudo mais detalhado de exoplanetas tanto como objetos individuais, mas também, igualmente importante, como populações.
Crédito: ESA
 

"Depois da descoberta de milhares de planetas, a busca pode agora virar-se para a caracterização, investigando as propriedades físicas e químicas de muitos exoplanetas para realmente conhecer do que são feitos e como se formaram. O Cheops também abrirá caminho para as nossas futuras missões exoplanetárias, desde o internacional Telescópio James Webb até aos satélites Plato e Ariel da ESA, mantendo a ciência europeia na vanguarda da investigação sobre exoplanetas."

O Cheops não vai concentrar-se na procura de novos planetas. Em vez disso, acompanhará centenas de planetas conhecidos que foram descobertos por outros métodos. A missão vai observar estes planetas exatamente quando passam em frente da sua estrela hospedeira e bloqueiam uma fração da sua luz, para medir os seus tamanhos e com uma precisão e exatidão sem precedentes.

As medições dos tamanhos dos exoplanetas serão combinadas com informações existentes sobre as suas massas para derivar a densidade do planeta. Este é um fator chave para estudar a estrutura interna e a composição de planetas e para determinar se são gasosos como Júpiter ou rochosos como a Terra, se estão envoltos numa atmosfera ou cobertos por oceanos.

"Estamos muito empolgados por ver o satélite ser lançado para o espaço," diz Kate Isaak, cientista do projeto Cheops da ESA.

"Existem muitos exoplanetas interessantes e iremos acompanhar várias centenas, concentrando-nos em particular nos planetas mais pequenos de tamanho entre a Terra e Neptuno. Parecem ser os planetas mais comuns da Via Láctea, mas ainda não sabemos muitos sobre eles. O Cheops vai ajudar-nos a revelar os mistérios destes mundos fascinantes e levar-nos mais perto de responder a uma das perguntas mais profundas que os humanos ponderam: estamos sozinhos no Universo?"

Para alguns planetas, o Cheops vai conseguir revelar detalhes sobre a sua atmosfera, incluindo a presença de nuvens e possivelmente até pistas da sua composição. A missão também tem a capacidade de descobrir planetas anteriormente desconhecidos, medindo pequenas variações no tempo de trânsito de um planeta conhecido, que também podem ser usadas para procurar luas ou anéis em torno de alguns planetas.

 
Impressão de artista do Cheops (Characterising Exoplanet Satellite), com um sistema exoplanetário no plano de fundo. Na realidade, o Cheops estará em órbita da Terra.
Crédito: ESA/ATG medialab
 

O Cheops é a primeira missão de classe 'Pequena' implementada no programa Cosmic Vision 2015-25, o atual ciclo de planeamento de missões de ciências espaciais da ESA e a primeira missão do programa a ser lançada. Como missão de classe-Pequena com um desenvolvimento relativamente curto - apenas cinco anos - do início ao lançamento do projeto, envolveu vários desafios, tornando necessária a utilização de tecnologias e aspetos de design de satélites já testados no espaço.

"Tanto o instrumento Cheops como a nave estão construídos para serem extremamente estáveis, de modo a medir as variações incrivelmente pequenas na luz de estrelas distantes à medida que os planetas passam em frente," diz Nicola Rando, gestor do projeto Cheops da ESA.

"Para um planeta como a Terra, isto equivale a observar o Sol a partir de uma estrela distante e a medir a diminuição da sua luz por uma pequena fração de um por cento.

"Agora, estamos ansiosos pela primeira parte das atividades operacionais, garantindo que o satélite e o instrumento funcionam conforme esperado e que estão prontos para os cientistas realizarem a sua ciência de classe mundial."

O Cheops partilhou a sua viagem para o espaço com o satélite de segunda geração Cosmo-Skymed da Agência Espacial Italiana, que se separou 23 minutos após levantar voo.

O Cheops é uma missão da ESA implementada em parceria com a Suíça, com importantes contribuições da Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Hungria, Itália, Portugal, Espanha, Suécia e Reino Unido.

// ESA (comunicado de imprensa)
// "Media Kit" sobre o lançamento do Cheops (PDF)
// Lançamento do Cheops (ESA via YouTube)

 


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Cheops:
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Galáxias distantes revelam história da formação estelar do Universo
 
Composição de uma observação que mostra milhares de galáxias no rádio e o radiotelescópio MeerKAT no semiderserto do Karoo na África do Sul. Os pontos mais brilhantes são galáxias rádio luminosas alimentadas por buracos negros supermassivos. A míriade de pontos fracos são galáxias distantes como a nossa própria Via Láctea, demasiado ténues para serem detetadas até agora. Dado que as ondas rádio viajam à velocidade da luz, esta imagem é uma máquina do tempo que "amostra" a história da formação estelar do Universo.
Crédito: SARAO; NRAO/AUI/NSF
 

Esta nova imagem rádio está repleta de pontos, cada um dos quais é uma galáxia distante! Os pontos mais brilhantes são galáxias alimentadas por buracos negros supermassivos. Mas o que torna esta imagem especial são os inúmeros pontos fracos que enchem o céu. São galáxias distantes como a nossa que nunca foram antes observadas no rádio.

Para aprender mais sobre a história de formação estelar do Universo, precisamos de olhar para trás no tempo. As galáxias por todo o Universo têm formado estrelas ao longo dos últimos 13 mil milhões de anos. Mas a maioria das estrelas nasceram há 8-11 mil milhões de anos, durante uma era chamada "meio-dia cósmico".

Tem sido um desafio para os astrónomos o estudo da luz fraca oriunda desta época. Os telescópios óticos podem ver galáxias muito distantes, mas as estrelas novas estão em grande parte escondidas dentro de nuvens de gás e poeira. Os radiotelescópios podem ver através da poeira e observar as raras e brilhantes galáxias de formação estelar explosiva, mas até agora não eram sensíveis o suficiente para detetar os sinais de galáxias muito longe da Via Láctea, responsáveis pela maior parte da formação estelar no Universo.

Uma equipa internacional de astrónomos usando o telescópio MeeKAT do SARAO (South African Radio Astronomy Observatory) recentemente fez a primeira observação rádio sensível o suficiente para revelar estas galáxias. "Para fazer esta imagem, selecionámos uma área do céu do hemisfério sul que não contém fortes fontes de rádio cujo brilho possa ofuscar uma observação sensível," disse Tom Mauch do SARAO na Cidade do Cabo, África do Sul, que liderou a equipa cujos resultados foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal.

A equipa usou as 64 antenas do MeerKAT para observar esta área durante um total de 130 horas. A imagem resultante mostra uma região do céu comparável em área a cinco Luas Cheias, contendo dezenas de milhares de galáxias.

"Tendo em conta que as ondas de rádio viajam à velocidade da luz, esta imagem é uma máquina do tempo que 'amostra' formação estelar nestas galáxias distantes ao longo de milhares de milhões de anos," explicou o coautor James Condon do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) em Charlottesville, no estado norte-americano da Virgínia. "Dado que apenas estrelas de vida curta com menos de 30 milhões de anos libertam ondas de rádio, sabemos que a imagem não é contaminada por estrelas antigas. A 'luz' rádio que vemos de cada galáxia é, portanto, proporcional à sua taxa de formação estelar naquele momento."

Os astrónomos querem usar esta imagem para aprender mais sobre a formação estelar em todo o Universo. "Estes primeiros resultados indicam que a taxa de formação estelar perto do meio-dia cósmico é ainda maior do que originalmente se esperava," disse Allison Matthews, estudante da Universidade da Virgínia e doutoranda no NRAO. "Imagens anteriores só conseguiam detetar a ponta do iceberg, as galáxias raras e luminosas que produziram apenas uma pequena fração das estrelas no Universo. O que vemos agora é a imagem completa: estes pontos ténues são as galáxias que formaram a maioria das estrelas no Universo."

"Somente nos últimos anos se desenvolveu a tecnologia para construir telescópios magníficos como o MeerKAT na África do Sul, o poder de computação para criar imagens como esta e obter uma compreensão real de como o Universo veio a ser como é," acrescentou o astrónomo William Cotton do NRAO. "As próximas gerações de instrumentos, com o SKA (Square Kilometer Array) e a próxima geração do VLA (Very Large Array) devem ser ainda mais espetaculares."

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Formação estelar:
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VLT observa região central da Via Láctea e descobre formação estelar primordial muito intensa
 
Obtida com o instrumento HAWK-I montado noVLT do ESO, no deserto chileno do Atacama, esta imagem mostra a região central da Via Láctea com uma resolução angular de 0,2 segundos de arco, o que significa que o nível de detalhe obtido pelo HAWK-I corresponde, aproximadamente, a estar em Lisboa e conseguir ver um campo de futebol no Porto. A imagem combina observações em três bandas diferentes de comprimentos de onda. A equipa utilizou os filtros de banda larga J (centrado a 1250 nanómetros, no azul), H (centrado a 1635 nanómetros, no verde) e K (centrado a 2150 nanómetros, no vermelho), para cobrir a região do infravermelho próximo do espectro electromagnético. Ao observar nesta região de comprimentos de onda, o instrumento HAWK-I vê para lá da poeira, conseguindo observar determinadas estrelas na região central da Galáxia que, de outro modo, seriam invisíveis.
Crédito: ESO/Nogueras-Lara et al.
 

O VLT (Very Large Telescope) do ESO observou a região central da Via Láctea com uma resolução extraordinária e revelou novos detalhes sobre a história da formação estelar na nossa Galáxia. Graças a estas novas observações, os astrónomos descobriram evidências de um evento dramático na vida da Via Láctea: um episódio de formação estelar tão intenso que resultou em mais de uma centena de milhar de explosões de supernovas.

"O rastreio que efetuámos a uma enorme região do Centro Galáctico deu-nos informações sobre o processo de formação estelar nessa região da Via Láctea," disse Rainer Schödel do Instituto de Astrofísica de Andalusia, em Granada, Espanha, que liderou as observações. "Contrariamente ao que se pensava até agora, descobrimos que a formação de estrelas não ocorreu de forma contínua," acrescenta Francisco Nogueras-Lara, que liderou dois novos estudos da região central da Via Láctea quando esteve a trabalhar no mesmo instituto em Granada.

No estudo, publicado na revista Nature Astronomy, a equipa descobriu que cerca de 80% das estrelas situadas na região central da Via Láctea se formaram nos anos mais primordiais da nossa Galáxia, há cerca de 8—13,5 mil milhões de anos atrás. A este período inicial de formação estelar seguiram-se cerca de 6 mil milhões de anos durante os quais nasceram muito poucas estrelas. Esta fase terminou com um episódio muito intenso de formação estelar que ocorreu há cerca de mil milhões de anos quando se formaram nesta região central, durante um período de menos de 100 milhões de anos, estrelas com a massa combinada de, provavelmente, algumas dezenas de milhões de sóis.

"As condições na região estudada durante a altura desta intensa atividade deve ter-se assemelhado àquelas que vemos em galáxias com 'formação explosiva de estrelas', as quais formam estrelas a taxas superiores a 100 massas solares por ano", explica Nogueras-Lara, que se encontra agora a trabalhar no Instituto Max Planck de Astronomia, em Heidelberg, Alemanha. Atualmente, toda a Via Láctea forma estrelas a uma taxa de cerca de uma ou duas massas solares por ano.

 
Obtida com o instrumento HAWK-I montado no Very Large Telescope do ESO, esta imagem da região central da Via Láctea mostra detalhes interessantes desta parte da Galáxia. Mesmo ao centro, destacamos o Enxame Estelar Nuclear (Nuclear Star Cluster — NSC). Vemos também o Enxames Arches, que se trata do enxame de estrelas mais denso da Via Láctea. Outros destaques vão para o Enxame do Quintupleto, com cinco estrelas proeminentes, e uma região de hidrogénio gasoso ionizado (região HII).
Crédito: ESO/Nogueras-Lara et al.
 

"Esta intensa atividade, que deve ter resultado na explosão de mais de uma centena de milhar de supernovas, foi provavelmente um dos eventos mais energéticos em toda a história da Via Láctea," acrescenta Nogueras-Lara. Durante esta intensa atividade de formação estelar, formaram-se muitas estrelas massivas; uma vez que o tempo de vida destas estrelas é menor que o das estrelas de pequena massa, as suas vidas chegaram ao fim muito mais depressa, terminando em violentas explosões de supernova.

Este trabalho de investigação foi possível graças a observações da região central galáctica obtidas com o instrumento HAWK-I montado no VLT do ESO, no deserto chileno do Atacama. Esta câmara infravermelha observou para lá da poeira, dando-nos uma imagem extremamente detalhada da região central da Via Láctea, a qual foi publicada em outubro na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics por Noguera-Lara e uma equipa de astrónomos de Espanha, Estados Unidos, Japão e Alemanha. A imagem mostra a região mais densa da Galáxia, repleta de estrelas, gás e poeira, onde existe ainda um buraco negro supermassivo. Esta imagem tem uma resolução angular de 0,2 segundos de arco, o que significa que o nível de detalhe obtido pelo HAWK-I corresponde, aproximadamente, a estar em Lisboa e conseguir ver um campo de futebol no Porto.

Esta é a primeira imagem divulgada no âmbito do rastreio GALACTICNUCLEUS. O programa tirou partido do grande campo e elevada resolução angular do instrumento HAWK-I para produzir imagens extremamente nítidas da região central da nossa Galáxia. O rastreio estudou mais de 3 milhões de estrelas, cobrindo uma área correspondente a mais de 60.000 anos-luz quadrados à distância do Centro Galáctico (um ano-luz corresponde a cerca de 9,5 biliões de km).

// ESO (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #1 (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (Nature Astronomy)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
// ESOcast 213: Estrelas incríveis na região central da Via Láctea (ESO via YouTube)
// Zoom da região central da Via Láctea (ESO via YouTube)
// A região central da Via Láctea no visível e no infravermelho próximo (ESO via YouTube)

 


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Álbum de fotografias - Decorando o Céu
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Leonardo Julio (Astronomia Pampeana)
 
Estrelas brilhantes, nuvens de poeira e nebulosas decoram esta cena cósmica, uma paisagem estelar logo a norte da Cintura de Orionte. Perto do plano da nossa Via Láctea, esta imagem de campo largo cobre cerca de 5,5 graus. A esplêndida e azulada M78, uma nebulosa de reflexão, está à direita. O tom de M78 é devido à poeira preferencialmente refletir a luz azul de estrelas jovens e quentes. Em contraste, as cores avermelhadas vêm do hidrogénio gasoso que atravessa o centro e faz parte da ténue mas grande nebulosa de emissão conhecida como Loop de Barnard. Em baixo à esquerda, uma nuvem de poeira escura forma uma silhueta proeminente catalogada como LDN 1622. Enquanto M78 e o complexo do Loop de Barnard estão a aproximadamente 1500 anos-luz de distância, LDN 1622 está provavelmente muito mais perto, a apenas 500 anos-luz do nosso planeta Terra.
 
   
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