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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1651  
  03/01 a 06/01/2020  
     
 

10/01/20 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 10 de janeiro realiza-se a primeira sessão do ano das Noites Astronómicas em Tavira na Praça da República. Vamos aproveitar esta noite para observar o primeiro eclipse lunar penumbral do ano. Durante este eclipse lunar penumbral, a sombra principal da Terra não cobre a Lua sendo por vezes difícil observar a diferença pois a parte sombreada é apenas um pouco mais escura que o resto da Lua. Mas estaremos na Praça da República para registar este fenómeno em que o nosso planeta fica entre o Sol e a Lua. Será também possível fazer um registo fotográfico da Lua e das suas crateras através de um telescópio. Esta atividade é gratuita.
Data: 10 de janeiro, 19:00 - 21:00
Local: Praça da República
Público-alvo: Público em geral
(A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas).
Telefones: 281 326 231; 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 03/01: 3.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1888, é usado pela primeira vez o telescópio refrator do Observatório Lick, com 91 cm em diâmetro. Era o maior telescópio do mundo na altura.
Em 1986, Stephen Synott (da equipa da Voyager 2) descobria as luas de ÚranoJulieta e Pórcia
Em 1999, lançamento da sonda Mars Polar Lander e da Deep Space 2.
Em 2000, "flyby" da sonda Galileu pela lua de JúpiterEuropa.

A sonda passou a uma altitude de 351 km.
O veículo chinês Chang'e 4 faz o primeiro pouso no lado oculto da Lua, implantando o rover lunar Yutu-2.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 04:45.

Dia 04/01: 4.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, os dias entre 4 e 15 de janeiro foram possivelmente os mais importantes da história da Astronomia.

Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.
Em 1958, o Sputnik 1 cai para a Terra a partir de órbita.
Em 1959, a Luna 1 torna-se na primeira sonda a chegar à vizinhança da Lua.
Em 2004, o rover Spirit da NASA aterra com sucesso em Marte.
Observações: Já estamos em janeiro, e o Triângulo de Verão ainda é visível - se observar ao início da noite. Vega é a estrela mais brilhante baixa a noroeste. A estrela brilhante por cima, e um pouco para a esquerda, é Deneb. Procure Altair para a esquerda de Vega, um pouco mais baixa.

Dia 05/01: 5.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da sonda soviética Venera 5.

Chega a Vénus no dia 16 de maio de 1969. Antes de se fragmentar na atmosfera, a cápsula foi suspensa por um pára-quedas durante 53 minutos enquanto recolhia dados da atmosfera venusiana. A sonda também transportava um medalhão com os símbolos da antiga União Soviética.
Em 2005, Éris, o mais massivo planeta anão conhecido do Sistema Solar, é descoberto pela equipa científica de Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz, usando imagens obtidas originalmente a 21 de outubro de 2003, no Observatório Palomar.
Observações: Terra no periélio, a sua posição mais próxima do Sol, pelas 08:00. Esta semana estaremos 3,3% mais perto do Sol do que no afélio em julho.
Por coincidência, o dia 5 de janeiro também possui o nascer-do-Sol mais tardio do ano, caso viva perto da latitude 40º N.
Olhe para cima da Lua depois do cair da noite à procura das duas, possivelmente três, estrelas mais brilhantes da constelação de Carneiro.

Dia 06/01: 6.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1912, o geofísico alemão Alfred Wegener apresenta pela primeira vez a sua teoria da deriva continental.

Observações: Aldebarã brilha para a esquerda e um pouco para baixo da Lua esta noite. Para cima de Aldebarã, aviste as Plêiades por entre o luar.
Nesta altura mais fria do ano, a pequena Ursa Menor fica apoiada por baixo da Polar depois da hora de jantar, como se fosse um prego na parede do céu noturno.
A Ursa Maior, entretanto, está a subir a norte-nordeste. A sua "pega" continua a subir acima do horizonte.

 
     
 
Curiosidades


Dois investigadores usaram o mais recente conjunto de dados do Gaia para calcular que as Pioneer 10 e 11 e as Voyager 1 e 2 vão passar perto de aproximadamente 60 estrelas ao longo de 1 milhão de anos - e vão passar até 2 parsecs (6,52 anos-luz) de aproximadamente 10. Também descobriram que a passagem mais próxima será a da Pioneer 10, pela anã K8 de nome HIP 117795 - situada na constelação de Cassiopeia. Os seus cálculos mostram que este veículo espacial vai passar a 0,231 parsecs da estrela daqui a mais ou menos 90.000 anos, com uma velocidade relativa de 291 km/s. Também descobriram que todas as quatro sondas vão viajar durante muito tempo antes de colidirem ou serem capturadas por um sistema estelar - na ordem dos 1020 anos.

 
 
   
Pistas para a água perdida de Marte
 
Imagem de uma encosta inclinada obtida pelo rover Curiosity e uma ilustração de moléculas de água pesada, chamada HDO em vez de H2O porque um dos seus átomos de hidrogénio possui uma partícula neutra extra. Observações no infravermelho podem estudar estas partículas que traçam a história da água líquida, porque as moléculas mais pesadas tendem a permanecer mais tempo do que a água líquida normal. As observações do SOFIA revelam que este indicador de água líquida não varia entre as estações marcianas, aproximando os cientistas da quantidade de água líquida que Marte já teve.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/SOFIA
 

Marte pode ser um planeta rochoso, mas não é um mundo hospitaleiro como a Terra. É frio e seco, com uma fina atmosfera que possui significativamente menos oxigénio que a da Terra. Mas Marte provavelmente já teve água líquida, um ingrediente essencial para a vida. O estudo da história da água pode ajudar a descobrir como o Planeta Vermelho perdeu água e quanta água já teve.

"Nós já sabíamos que Marte já foi um lugar húmido," disse Curtis DeWitt, cientista do Centro de Ciências SOFIA da USRA (Universities Space Research Association). "Mas apenas estudando como a água atual é perdida podemos entender quanto existia no passado distante."

Parte desta investigação pode ser realizada sem sair da Terra usando o SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy). O maior observatório voador do mundo pode encontrar moléculas e átomos no espaço profundo e em planetas - como análise forense astronómica - porque voa acima de 99% do vapor de água da Terra que bloqueia a radiação infravermelha. Para aprender mais sobre como Marte perdeu a sua água e como o vapor de água moderno pode variar sazonalmente, o SOFIA estudou como o vapor de água evapora de maneira diferente durante duas estações marcianas.

A água também é conhecida pelo seu nome químico H2O porque é composta por dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio. Mas com instrumentos especiais, os cientistas podem detetar dois tipos: água normal, H2O, e água pesada (ou deuterada), HDO, que possui uma partícula neutra extra chamada neutrão num dos dois átomos de hidrogénio, tornando-a mais pesada. A água deuterada evapora menos eficientemente do que a água comum, de modo que permanece em mais quantidade à medida que a água líquida evapora. Portanto, o estudo da proporção de água pesada em relação à água normal, que os cientistas chamam de rácio D/H, no vapor de água existente, pode refazer a história da evaporação da água líquida - mesmo que já não exista à superfície. Mas não está claro se esta proporção é afetada por mudanças sazonais no Planeta Vermelho.

Marte tem calotes de gelo nos seus polos. São compostas por gelo de dióxido de carbono e neve e expandem-se e encolhem com as estações marcianas. À medida que o hemisfério norte do planeta se aproxima do seu solstício de verão, a calote polar diminui com a temperatura quente - fazendo com que parte do gelo evapore e exponha água gelada. A calote polar sul, no entanto, está coberta com dióxido de carbono gelado mesmo durante o verão. Os cientistas não tinham a certeza se essas mudanças sazonais podiam afetar a proporção entre água pesada e a água normal na atmosfera marciana.

As medições anteriores da proporção da água D/H usaram instrumentos diferentes, resultando em medições ligeiramente diferentes ao longo de estações e locais marcianos. Os investigadores usaram o mesmo instrumento do SOFIA, o EXES (Echelon-Cross- Echelle Spectrograph), para obter medições consistentes ao longo de duas estações e locais: o verão no hemisfério norte do planeta e o verão no seu hemisfério sul. Até agora, depois de compararem observações entre os dois hemisférios, não encontraram nenhuma variação sazonal na proporção da água em Marte entre estações e locais. Isto está a ajudar os cientistas a rastrear com mais precisão a história da água em Marte.

"Se pudermos eliminar a dependência sazonal como um fator neste rácio, estaremos um passo mais perto de obter uma resposta sobre a quantidade de água originalmente presente em Marte," disse DeWitt.

Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics. Estão em andamento outras observações para monitorizar diferentes estações marcianas. A análise da história e geologia de Marte é importante, pois a NASA está a avançar com planetas para enviar novamente seres humanos à Lua, com o objetivo final de missões tripuladas a Marte.

O SOFIA é um jato Boeing 747SP modificado para transportar um telescópio de 106 polegadas. É um projeto conjunto da NASA e do Centro Aeroespacial Alemão, DLR.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

 


Saiba mais

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

SOFIA:
NASA
USRA
DLR
Wikipedia

 
   
Telescópio Webb vai procurar anãs castanhas e planetas "fugitivos"
 
Os cientistas vão usar o Webb para investigar o berçário estelar próximo NGC 1333 em busca dos seus residentes mais pequenos e ténues. É um local ideal para procurar objetos "fugitivos" e muito fracos, incluindo aqueles com massas planetárias.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. A. Gutermuth (Harvard-Smithsonian CfA)
 

Quão pequenos são os objetos celestes mais pequenos que se formam como estrelas, mas que não produzem a sua própria luz? Quão comuns são em comparação com estrelas de pleno direito? E que dizer dos "planetas fugitivos", que se formam em torno de estrelas antes de serem lançados para o espaço interestelar? Quando o Telescópio Espacial James Webb da NASA for lançado em 2021, lançará luz sobre estas questões.

A sua resposta vai definir um limite entre objetos que se formam como estrelas, que nascem de nuvens de gás e poeira em colapso gravitacional e aqueles que se formam como planetas, criados quando o gás e a poeira se aglomeram num disco em torno de uma estrela jovem. Também vai distinguir, entre ideias concorrentes, as origens das anãs castanhas, objetos com massas entre 1% e 8% a massa do Sol que não conseguem sustentar a fusão de hidrogénio nos seus núcleos.

Num estudo liderado por Aleks Scholz da Universidade de St. Andrews no Reino Unido, investigadores vão usar o Webb para descobrir os residentes mais pequenos e ténues de um berçário estelar próximo chamado NGC 1333. Localizado a cerca de 1000 anos-luz de distância na direção da constelação de Perseu, o enxame NGC 1333 está relativamente perto em termos astronómicos. Também é muito compacto e contém muitas estrelas jovens. Estes três fatores tornam-no no local ideal para estudar a formação estelar em ação, particularmente para aqueles interessados em objetos muito fracos e flutuantes.

"As anãs castanhas menos massivas identificadas até agora têm apenas cinco a dez vezes a massa do planeta Júpiter," explicou Scholz. "Ainda não sabemos se objetos ainda mais leves se formam nos berçários estelares. Com o Webb, esperamos identificar pela primeira vez membros do enxame tão pequenos quanto Júpiter. Os seus números, em relação às mais massivas anãs castanhas e estrelas, vão lançar luz sobre as suas origens e também fornecer pistas importantes sobre o processo mais amplo de formação estelar."

Um limite difuso

Objetos de massa muito baixa são frios, o que significa que emitem a maior parte da sua luz em comprimentos de onda infravermelhos. A observação da radiação infravermelha com telescópios terrestres é complexa por causa da interferência da atmosfera da Terra. Devido ao seu tamanho e à capacidade de ver a radiação infravermelha com uma sensibilidade sem precedentes, o Webb é ideal para encontrar e caracterizar objetos fugitivos (ou flutuantes) com massas inferiores a cinco vezes a massa de Júpiter.

A distinção entre as anãs castanhas e os planetas gigantes é imprecisa.

"Existem alguns objetos com massas abaixo da marca dos 10 Júpiteres que flutuam livremente pelo enxame. Dado que não orbitam nenhuma estrela em particular, podemos chamá-los de anãs castanhas, ou objetos de massa planetária, pois não os conhecemos melhor," disse Koraljka Muzic da Universidade de Lisboa em Portugal. "Por outro lado, alguns planetas gigantes e massivos podem ter reações de fusão. E algumas anãs castanhas podem formar-se num disco."

Há também a questão dos planetas "fugitivos" - objetos que se formam como planetas e mais tarde são expelidos dos seus sistemas solares. Estes corpos flutuantes estão condenados a vaguear para sempre entre as estrelas.

Dúzias de uma só vez

A equipa irá usar o instrumento NIRISS (Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph) do Webb para estudar estes vários objetos de baixa massa. Um espectrógrafo divide a luz de uma única fonte nas suas cores componentes, da mesma maneira que um prisma divide a luz branca num arco-íris. Esta luz transporta impressões digitais produzidas quando o material emite ou interage com a luz. Os espectrógrafos permitem que os investigadores analisem essas impressões digitais e descubram propriedades como a temperatura e composição.

O NIRISS vai fornecer à equipa informações simultâneas para dúzias de objetos. "Isto é fundamental. Para uma confirmação inequívoca de uma anã castanha ou de um planeta flutuante, precisamos de ver as assinaturas de absorção de moléculas - água ou metano, principalmente - no espectro," explicou o membro da equipa Ray Jayawardhana da Universidade de Cornell. "A espectroscopia é demorada, e ser capaz de observar muitos objetos simultaneamente ajuda muito. A alternativa é capturar imagens primeiro, medir cores, selecionar candidatos e, em seguida, recolher espectros, o que leva muito mais tempo e baseia-se em suposições."

O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório científico espacial do mundo quando for lançado em 2021. Vai resolver mistérios do nosso Sistema Solar, olhar para mundos distantes em torno de outras estrelas e investigar as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um projeto internacional liderado pela NASA e pelos seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Planetas flutuantes:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Betelgeuse
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESOL. Calcada
 
Porque é que Betelgeuse está a desaparecer? Ninguém sabe. Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes e mais reconhecidas do céu noturno, tem apenas metade do brilho que costumava ter há apenas cinco meses atrás. Esta variabilidade provavelmente é apenas um comportamento normal para esta supergigante famosa e variável, mas o escurecimento recente reacendeu a discussão sobre quanto tempo pode demorar até Betelgeuse se tornar supernova. Conhecida pela sua cor vermelha, Betelgeuse é uma das poucas estrelas a serem resolvidas pelos telescópios modernos, embora apenas por pouco. A ilustração de artista em destaque mostra como Betelgeuse pode parecer de perto. Pensa-se que Betelgeuse tenha uma superfície complexa e tumultuosa que lança frequentemente proeminências impressionantes. Se substituísse o Sol (não recomendado), a sua superfície estender-se-ia até perto da órbita de Júpiter, enquanto plumas de gás borbulhavam para lá de Neptuno. Tendo em conta que Betelgeuse está a cerca de 700 anos-luz de distância, a sua eventual supernova não colocará em risco a vida na Terra, embora o seu brilho possa rivalizar com o de uma Lua Cheia. Os astrónomos - tanto amadores como profissionais - vão certamente continuar a monitorizar Betelgeuse ao longo desta nova década.
 
   
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