Dia 21/01: 21.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1908, nascia Bengt Strömgren, astrónomo e astrofísico dinamarquês, famoso por desenvolver a teorias das nebulosas difusas (regiões H II) como as nebulosa Trífida e de Orionte.
Em 1960, a nave Mercury, Little Joe 1B, levantava voo a partir de Wallops Island, com Miss Sam, uma fêmea de macaco a bordo.
Em 2004, a NASA "perdia" contato com o rover Spirit, um problema de gestão de memória "flash" que viria a ser resolvido remotamente a partir da Terra a 6 de fevereiro.
Em 2018, o Electron da Rocket Lab torna-se o primeiro foguetão a alcançar órbita terrestre usando um motor alimentado a eletricidade e lança três CubeSats. Observações: Sirius brilha a sudeste, para baixo de Orionte, depois da hora de jantar. Por volta das 21 horas, dependendo da posição do observador, Sirius brilha precisamente para baixo de Betelgeuse, no ombro de Orionte. Consegue determinar a hora exata deste evento, talvez recorrendo à parede vertical de um edifício? Das duas estrelas, Sirius "ganha a corrida" ao início da noite; Betelgeuse "ganha" mais tarde.
Dia 22/01: 22.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1968, a Apollo 5 levantava voo transportando o primeiro módulo lunar para o espaço.
Em 1992, Roberta Bondar tornava-se a primeira mulher canadiana no espaço a bordo da STS-42. Observações: Ao amanhecer, aviste a fina Lua, quase Nova, baixa a sudeste. A sua curvatura aponta para baixo e para a esquerda, para o ainda mais baixo planeta Júpiter, a 8º de distância.
Os Gémeos encontram-se de lado, para a esquerda de Orionte, durante as noites de janeiro. As estrelas que representam as suas cabeças, Castor e Pollux, estão o mais distante de Orionte. Castor é a estrela de topo. Os pés da figura de Castor estão logo para a esquerda da "moca" muito ténue de Orionte.
Dia 23/01: 23.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1840 nascia Ernst Abbe, físico e optometrista alemão que, juntamente com Otto Schott e Carl Zeiss, lançou as bases da ótica moderna. Abbe também desenvolveu instrumentos óticos, e foi coproprietário da Carl Zeiss AG, fabricante alemã de telescópios, planetários e outros sistemas ópticos.
Em 1999, astrónomos lutam contra o tempo para obter as primeiras imagens óticas de uma das mais podersosas explosões do Universo - GRB 990123, uma explosão de raios-gama. Uma típica explosão de raios-gama é um milhão de vezes mais brilhante do que uma supernova normal.
Em 2003 tinham lugar as últimas comunicações com a Pioneer 10. Observações: Úrano na sua quadratura este, pelas 06:37.
Capella, de magnitude zero, bem alta, e a igualmente brilhante Rigel no pé de Orionte, estão quase à mesma ascensão reta. Isto significa que atravessam o meridiano do céu quase à mesma hora: por volta das 21:40. Capella passa a menos de 10º do zénite. Assim sendo, quando Capella está na sua altura máxima, Rigel marca sempre o sul verdadeiro no céu, e vice-versa.
Curiosidades
O projeto Breakthrough Starshot tem o objetivo de desenvolver tecnologias para uma frota de naves a "velas solares", capazes de viajar até ao sistema estelar Alfa Centauri a 4,37 anos-luz de distância. A 15-20% da velocidade da luz, a frota demoraria entre 20 e 30 anos a completar a viagem, e aproximadamente 4 anos para o sinal de retorno chegar à Terra.
Pode ter sido descoberto um segundo exoplaneta em torno de Proxima Centauri
Impressão de artista do sistema planetário em torno de Proxima Centauri.
Crédito: Lorenzo Santinelli
Cientistas descobriram o que pensam ser um segundo planeta em órbita da estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, Proxima Centauri, que ficou famosa em 2016 com a descoberta de um planeta "semelhante à Terra" em órbita, Proxima b.
Novas observações de Proxima Centauri tornaram possível revelar a presença do que está a ser descrito como um planeta candidato de baixa massa (pelo menos 5,8 vezes a massa da Terra), aproximadamente com metade do tamanho de Neptuno, em órbita da estrela. Poderá ser uma super-Terra rochosa ou um "mini-Neptuno" gasoso. Com uma órbita de 5,2 anos, provavelmente tem temperaturas na ordem dos -230º C, sendo demasiado frio para ser habitável.
A descoberta, publicada na revista Science Advances, foi feita por uma equipa internacional de investigadores da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra, do INAF-Observatório Astrofísico de Turim, Itália, da Universidade de Creta e do Instituto de Astrofísica FORTH, Grécia.
Proxima Centauri é uma estrela anã vermelha cerca de 8 vezes mais pequena que o Sol. É a estrela mais próxima do Sistema Solar, a uma distância de 4,2 anos-luz. Os cientistas esperam que a descoberta possa eventualmente ajudar a nossa compreensão da composição de diferentes planetas e de como o Universo funciona.
Hugh Jones, professor de astrofísica na Universidade de Hertfordshire, comenta: "Graças à proximidade do planeta e à sua órbita a uma distância relativamente grande da sua estrela (1,5 UA), esta é uma das melhores chances possíveis de observação direta que permitirá a compreensão detalhada de outro exoplaneta. No futuro, Proxima c poderá tornar-se um possível alvo para um estudo mais direto do projeto Breakthrough StarShot, que será a primeira tentativa da humanidade de viajar para outro sistema estelar." O professor Jones, juntamente com Paul Bulter, da Instituição Carnegie para Ciência, foram responsáveis por produzir o conjunto de dados mais precisos para o projeto usando dados do espectrógrafo UVES acoplado ao VLT do ESO.
O professor Jones, que também fez parte da descoberta do planeta "tipo-Terra", Proxima b, explicou o processo: "Primeiro submetemos um artigo sobre a existência de Proxima b em fevereiro de 2013, embora só tenhamos obtido evidências suficientes para apoiar conclusivamente uma descoberta tão importante em 2016. As nossas observações contínuas e um melhor processamento de dados permitiram-nos discernir o sinal de Proxima c. Esperamos ansiosamente confirmar o sinal com novas instalações e descobrir quão semelhante ou diferente dos planetas do nosso Sistema Solar Proxima c realmente é."
A descoberta segue os recentes anúncios de um "Neptuno frio" e de dois planetas potencialmente habitáveis encontrados em órbita de estrelas próximas, publicados na revista The Astrophysical Journal. A mesma técnica de espectrografia com o UVES também foi usada neste projeto.
XMM-Newton descobre gás escaldante no halo da Via Láctea
Esta animação mostra a via Láctea (a pequena galáxia no centro da imagem) e o seu halo (a região gasosa estendida).
Ilustra o halo em três tons diferentes - esmeralda, amarelo e verde. Todos estes se misturam ao longo do halo, e cada um representa gás de uma temperatura diferente.
Aparecem pontos por todo o halo; estes representam elementos e a suas abundâncias relativas, conforme detetado pelo observatório de raios-X XMM-Newton da ESA: azoto (preto, 41 pontos), néon (laranja/amarelo, 39 pontos), oxigénio (azul claro, 7 pontos) e ferro (vermelho, 1 ponto).
Crédito:
ESA
O XMM-Newton da ESA descobriu que o gás escondido no halo da Via Láctea atinge temperaturas muito mais quentes do que se pensava anteriormente e que tem uma composição química diferente da prevista, desafiando a nossa compreensão do nosso lar galáctico.
Um halo é uma vasta região de gás, estrelas e matéria escura invisível em redor de uma galáxia. É um componente-chave de uma galáxia, ligando-a a um espaço intergaláctico mais amplo e, portanto, pensa-se que desempenhe um papel importante na evolução galáctica.
Até agora, pensava-se que o halo de uma galáxia contivesse gás quente a uma única temperatura, com a temperatura exata deste gás dependente da massa da galáxia.
No entanto, um novo estudo usando o observatório espacial de raios-X XMM-Newton da ESA mostra agora que o halo da Via Láctea contém não apenas um, mas três componentes diferentes de gás quente, o mais quente destes sendo dez vezes mais quente do que se pensava anteriormente. É a primeira vez que múltiplos componentes de gás, estruturados desta maneira, são descobertos não apenas na Via Láctea, mas em qualquer galáxia.
"Pensávamos que as temperaturas do gás nos halos galácticos variavam entre 10.000 e um milhão de graus - mas parece que parte do gás no halo da Via Láctea pode atingir 10 milhões de graus," disse Sanskriti Das, estudante na Universidade Estatal do Ohio, EUA, autor principal do novo estudo.
"Embora pensemos que o gás é aquecido a cerca de um milhão de graus quando uma galáxia se forma inicialmente, não temos a certeza de como este componente ficou tão quente. Pode ser devido aos ventos que emanam do disco de estrelas da Via Láctea."
O estudo usou uma combinação de dois instrumentos a bordo do XMM-Newton: o RGS (Reflection Grating Spectrometer) e o EPIC (European Photon Imaging Camera). O EPIC foi usado para estudar a luz emitida pelo halo e o RGS para estudar como o halo afeta e absorve luz que passa por ele.
Para estudar o halo da Via Láctea no que toca à sua absorção, Sanskriti e colegas observaram um objeto conhecido como blazar: o núcleo energético e muito ativo de uma galáxia distante que emite feixes intensos de luz.
Tendo viajado quase cinco mil milhões de anos-luz através do cosmos, a luz de raios-X deste blazar também passou pelo halo da nossa Galáxia antes de atingir os detetores do XMM-Newton e, portanto, contém pistas sobre as propriedades desta região gasosa.
Ao contrário dos estudos anteriores do halo da Via Láctea em raios-X, que normalmente duram um ou dois dias, a equipa realizou observações durante um período de três semanas, permitindo a deteção de sinais que geralmente são demasiado fracos para serem vistos.
"Nós analisámos a luz do blazar e concentrámo-nos nas suas assinaturas espectrais individuais: as características da luz que nos podem dizer mais sobre o material pelo qual passou a caminho de nós," disse a coautora Smita Mahur, também da Universidade Estatal do Ohio e orientadora de Sanskriti.
"Há assinaturas específicas que existem apenas em temperaturas específicas, de modo que fomos capazes de determinar o quão quente o halo gasoso deve ter estado para afetar a luz do blazar da maneira como afetou."
O halo quente da Via Láctea também tem quantidades significativas de elementos mais pesados que o hélio, que geralmente são produzidos nas fases posteriores da vida de uma estrela. Isto indica que o halo recebeu material fabricado por certas estrelas durante as suas vidas e estágios finais, e que foi lançado para o espaço quando morreram.
"Até agora, os cientistas procuravam principalmente oxigénio, pois é abundante e, portanto, mais fácil de encontrar do que outros elementos," acrescentou Sanskriti. "O nosso estudo foi mais detalhado: analisámos não apenas o oxigénio, mas também o azoto, o néon e o ferro, e encontrámos alguns resultados extremamente interessantes."
Os cientistas esperam que o halo contenha elementos em proporções semelhantes às vistas no Sol. No entanto, Sanskriti e colegas notaram menos ferro no halo do que o esperado, indicando que o halo foi enriquecido por estrelas moribundas massivas, e também menos oxigénio, provavelmente devido a esse elemento ser absorvido por partículas poeirentas no halo. "Isto é realmente emocionante - foi completamente inesperado e diz-nos que temos muito a aprender sobre como a Via Láctea evoluiu para a Galáxia que é hoje," acrescentou Sanskriti.
O recém-descoberto componente de gás quente também tem implicações mais amplas que afetam a nossa compreensão geral do cosmos. A nossa Galáxia contém muito menos massa do que esperávamos: isto é conhecido como o "problema da matéria em falta", pois o que observamos não corresponde às previsões teóricas.
A partir do mapeamento a longo prazo do cosmos, a sonda Planck da ESA previu que pouco menos de 5% da massa do Universo deveria existir na forma de matéria "normal" - o tipo que compõe estrelas, galáxias, planetas e assim por diante.
"No entanto, quando somamos tudo o que vemos, o nosso valor não chega nem perto desta previsão," salientou o coautor Fabrizio Nicastro do Observatório Astronómico de Roma - INAF, Itália, e do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, EUA. "Então, onde está o resto? Há quem sugira que pode estar escondido nos halos extensos e massivos que rodeiam as galáxias, tornando a nossa descoberta realmente excitante."
Dado que este componente quente do halo da Via Láctea nunca tinha sido visto antes, pode ter sido negligenciado em análises anteriores - e, portanto, pode conter uma grande quantidade desta matéria "em falta".
"Estas observações fornecem novas ideias sobre a história térmica e química da Via Láctea e do seu halo e desafiam o nosso conhecimento de como as galáxias se formam e evoluem," disse Norbert Schartel, cientista do projeto XMM da ESA.
"O estudo analisou o halo ao longo de uma linha de visão - aquela em direção ao blazar -, de modo que será extremamente empolgante ver investigações futuras expandirem esta descoberta."
TESS determina idade de antiga colisão com a Via Láctea
Impressão de artista do TESS.
Crédito: NASA
Uma única estrela brilhante na constelação de Índio, visível no hemisfério sul, revelou novas informações sobre uma antiga colisão que a nossa Via Láctea sofreu com outra galáxia mais pequena chamada Gaia-Encélado, no início da sua história.
Uma equipa internacional de cientistas liderada pela Universidade de Birmingham adotou a nova abordagem de aplicar a caracterização forense de uma única estrela antiga e brilhante chamada v Indi como uma sonda da história da Via Láctea. As estrelas contêm "registos fósseis" das suas histórias e, portanto, dos ambientes em que se formam. A equipa usou dados de satélites e de telescópios terrestres para desbloquear estas informações de v Indi. Os seus resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.
Foi determinada a idade da estrela - cerca de 11 mil milhões de anos - usando as suas oscilações naturais (sismologia estelar), detetadas em dados recolhidos pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. Lançado em 2018, o TESS está a estudar estrelas por todo o céu e a procurar planetas em órbita. Quando combinados com dados da missão Gaia da ESA, a história de detetive revelou que esta estrela antiga nasceu cedo na vida da Via Láctea, mas a colisão Gaia-Encélado alterou o seu movimento pela Galáxia.
Bill Chaplin, professor de astrofísica na Universidade de Birmingham e autor principal do estudo, disse: "Tendo em conta que o movimento de v Indi foi afetado pela colisão de Gaia-Encélado, esta deve ter ocorrido depois da formação da estrela. Foi assim que conseguimos usar a idade determinada asterossismicamente para estabelecer novos limites de quando o evento Gaia-Encélado ocorreu."
Imagens, pelo TESS, de parte do céu do hemisfério sul que mostram a posição da estrela v Indi (círculo azul), o plano da Via Láctea (em baixo e à esquerda) e do polo sul da eclíptica (topo). Estes instantâneos vêm de dados recolhidos nos sectores 1, 12 e 13 do TESS.
Crédito: J. T. Mackereth
Se dermos "tempo ao tempo" para a fusão se propagar pela Galáxia, isto significa que a colisão deverá ter tido início há 11,6-13,2 mil milhões de anos (68% e 95% de confiança, respetivamente).
O coautor Ted Mackereth, também de Birmingham, salientou: "Dado que vemos tantas estrelas de Gaia-Encélado, pensamos que deve ter tido um grande impacto na evolução da nossa Galáxia. Compreender isso é agora um tópico muito relevante na astronomia e este estudo é um passo importante para entender quando essa colisão ocorreu."
Bill Chaplin acrescentou: "Este estudo demonstra o potencial da asterossismologia com o TESS e o que é possível quando temos uma variedade de dados de ponta disponíveis para uma única estrela brilhante."
A investigação mostra claramente o forte potencial do programa TESS para reunir novas e ricas ideias sobre as estrelas mais próximas do Sol na Via Láctea.
Primeira observação de gás quente "revolvido" em enxame de galáxias (via ESA)
O observatório de raios-X XMM-Newton da ESA espiou gás quente revolvido dentro de um enxame de galáxias - um comportamento nunca antes visto que pode ser provocado por turbulentos eventos de fusão. Ler fonte
Novo instrumento astronómico à caça de exoplanetas (via Universidade Estatal da Pensilvânia)
Instalado no Telescópio WIYN (Wisconsin-Indiana-Yale-NOAO) de 3,5 metros, o NEID pode medir mudanças no movimento de estrelas próximas com alta precisão. Este instrumento topo-de-gama está agora à caça de exoplanetas e será capaz de detetar, medir e caracterizar novos planetas com uma precisão sem precedentes. Ler fonte
Álbum de fotografias - NGC 602 e Além
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: raios-X: Chandra: NASA/CXC/Univ. Potsdam/L.Oskinova et al; Ótico: Hubble: NASA/STScI; Infravermelho: Spitzer: NASA/JPL-Caltech
Perto dos arredores da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite a cerca de 200 mil anos-luz de distância, está situado o jovem enxame estelar NGC 602, com apenas 5 milhões de anos. Rodeado por gás e poeira natal, NGC 602 é apresentado nesta impressionante imagem obtida pelo Hubble, melhorada com imagens em raios-X pelo Chandra e no infravermelho pelo Spitzer. Cristas fantásticas e formas "penteadas para trás" sugerem fortemente que a radiação energética e as ondas de choque das massivas e jovens estrelas de NGC 602 provocaram a erosão do material poeirento e despoletaram uma progressão da formação estelar que se move para fora do centro do enxame. À distância estimada da Pequena Nuvem de Magalhães, a imagem cobre cerca de 200 anos-luz, mas também são aqui visíveis muitas outras galáxias de fundo nesta imagem nítida e colorida. Estas galáxias de fundo estão a centenas de milhões de anos-luz, ou mais, por trás de NGC 602.
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