Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1669  
  06/03 a 09/03/2020  
     
 

20/03/20 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 20 de março realiza-se a sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato pelas 20:00. Neste dia teremos o equinócio de Primavera e como tal vamos abordar este tema e como altera as horas diurnas e noturnas. Será feita observação a estrelas e Vénus através de um telescópio e identificaremos algumas constelações presentes nesta noite.
Data: 20 de março, 20:00
Local: Forte do Rato
Público-alvo: Público em geral
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas).
Telefones: 281 326 231; 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 

21/03/20 - Eratóstenes e o Equinócio
12:00-14:00 - Atividade para membros do AstroClube do Centro Ciência Viva do Algarve (> 15 anos)
Preço: 30€ (o valor refere-se ao pagamento de 5 sessões do Astroclube)
Venha fazer parte do nosso Clube de Astronomia!
Inscrições para membros do AstroClube: info@ccvalg.pt
Contacte-nos para mais informações e adesões ao AstroClube. Mais informações

 
     
 
Efemérides

Dia 06/03: 66.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres.

Observações: A primavera só começa daqui a 13 dias, mas a Estrela da Primavera, Arcturo, parece ansiosa por ser vista. Sobe acima do horizonte a este-sudeste depois da hora de jantar, dependendo da latitude do observador.
Para onde deve olhar? Encontre a Ursa Maior assim que as estrelas se tornem visíveis; está alta a nordeste. Siga a curva da sua "frigideira" para baixo e para a direita, durante pouco mais do seu comprimento. Esse é o sítio no horizonte onde ficar atento(a).

Dia 07/03: 67.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792 nascia John Herschel, astrónomo, matemático, químico e inventor/fotógrafo experimental, que deu nome a sete luas de Saturno e a quatro de Úrano.
Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.
Em 1958 nascia Alan Hale, astrónomo americano, codescobridor do Cometa Hale-Bopp
Em 2009, é lançado o observatório espacial Kepler, desenhado para descobrir planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas.

Em 2012, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) captura imagens do local de aterragem da Apollo 11. São visíveis as experiências, o equipamento e as pegadas de Buzz Aldrin e de Neil Armstrong
Observações: Régulo brilha para baixo da Lua, quase Cheia, pouco depois do cair da noite. Consegue discernir o resto da "foice" de Leão, por entre o luar? Binóculos ajudam.

Dia 08/03: 68.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618, Johannes Kepler descobre a terceira lei do movimento planetário.
Em 1977, eram descobertos os anéis de Úrano durante observações aéreas de ocultações da NASA.

Em 1999, começa a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor.
Em 2002, o asteroide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450.000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de março.
Observações: Neptuno em conjunção com o Sol, pelas 12:00.
Esta noite a Lua encontra-se entre as estrelas da constelação de Leão. Régulo está para a sua direita, Algieba para cima, e Zosma e Denébola para a sua esquerda.

Dia 09/03: 69.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1564 nascia David Fabricius, descobridor da primeira estrela variável (Mira, ou Omicron Ceti).
Em 1934, nascimento de Yuri Gagarin, cosmonauta soviético, o primeiro humano no espaço.

Em 1955, Walt Disney apresenta pessoalmente o primeiro programa televisivo de "Man in Space", no canal norte-americano ABC. Wernher von Braun, o engenheiro aeroespacial e Walt Dinsey, o artista, usaram este novo meio de comunicação que era a televisão para mostrar que os humanos podiam ir à Lua e além com base em tecnologias futuras e no desejo de exploração e descoberta. 
Em 1961, é lançado com sucesso o Sputnik 9, que transporta um boneco humano com a alcunha de Ivan Ivanovich e demonstra que a União Soviética está pronta para os voos espaciais tripulados.
Em 1974, voo rasante da sonda soviética Mars 7 por Marte.
Em 1997, observadores na China, Mongólia e partes da Sibéria têm a rara oportunidade de ver um espetáculo duplo: um eclipse permite ver o cometa Hale-Bopp durante o dia.
Em 2011, o vaivém Discovery faz a sua aterragem final após 39 voos.
Observações: Lua Cheia, pelas 17:48.
A Lua continua a sua viagem mensal pelo céu. Esta noite já está para baixo da constelação de Leão.

 
     
 
Curiosidades


Vénus é o único planeta que, quando observado do seu polo norte, roda no sentido dos ponteiros do relógio, dizendo-se por isso que o seu sentido é retrógrado. O sentido normal da rotação dos planetas, que por isso se chama direto, é o sentido oposto ao dos ponteiros do relógio.

 
 
   
Estudo descobre que moléculas orgânicas, encontradas pelo rover Curiosity, são consistentes com vida precoce em Marte
 
Impressão de artista de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Compostos orgânicos chamados tiofenos podem ser encontrados na Terra em carvão, no crude e, curiosamente, em trufas brancas, o cogumelo amado por epicuristas e porcos selvagens.

Os tiofenos também foram recentemente descobertos em Marte, e o astrobiólogo Dirk Schulze-Makuch da Universidade Estatal de Washington acha que a sua presença seria consistente com a presença de vida precoce em Marte.

Schulze-Makuch e Jacob Heinz, da Universidade Técnica de Berlim, exploram algumas das possíveis origens dos tiofenos no Planeta Vermelho num novo artigo publicado na revista Astrobiology. O seu trabalho sugere que um processo biológico, provavelmente envolvendo bactérias e não uma trufa, pode ter desempenhado um papel na existência do composto orgânico no solo marciano.

"Nós identificámos vários vias biológicas para os tiofenos que parecem mais prováveis do que algumas químicas, mas ainda precisamos de provas," disse Dirk Dirk Schulze-Makuch. "Se encontrarmos tiofenos na Terra, vamos pensar que são biológicos, mas em Marte, claro, o patamar para provar tal coisa precisa de ser um pouco mais elevado."

As moléculas de tiofeno têm quatro átomos de carbono e um átomo de enxofre dispostas num anel, e tanto o carbono quanto o enxofre são elementos bio-essenciais. No entanto, Schulze-Makuch e Heinz não puderam excluir processos não biológicos que levaram à existência destes compostos em Marte.

Os impactos de meteoros parecem fornecer uma possível explicação abiótica. Os tiofenos também podem ser criados através de redução termoquímica de sulfato, um processo que envolve um conjunto de compostos que são aquecidos a 120º c ou mais.

No cenário biológico, as bactérias, que podem ter existido há mais de 3 mil milhões de anos atrás, quando Marte estava mais quente e húmido, poderiam facilitar um processo de redução de sulfato que resulta em tiofenos. Existem também outras vias em que os tiofenos são decompostos por bactérias.

Embora o rover Curiosity tenha fornecido muitas pistas, usa técnicas que quebram moléculas maiores nos seus componentes, para que os cientistas possam apenas olhar para os fragmentos resultantes.

Poderão surgir mais evidências do próximo rover, Rosalind Franklin, com lançamento previsto para julho de 2020. Transportará o instrumento MOMA (Mars Organic Molecule Analyzer), que usa um método de análise menos destrutivo e que permitirá a recolha de moléculas maiores.

Schulze-Makuch e Heinz recomendam o uso dos dados recolhidos pelo próximo rover marciano para examinar os isótopos de carbono e enxofre. Os isótopos são variações dos elementos químicos que possuem números diferentes de neutrões que a forma típica, resultando em diferenças de massa.

"Os organismos são 'preguiçosos'. Preferem usar variações isotópicas leves do elemento porque isso custa-lhes menos energia," disse.

Os organismos alteram as proporções de isótopos pesados e leves nos compostos que produzem, que são substancialmente diferentes dos rácios encontrados nos seus blocos de construção, que Schulze-Makuch chama de "um sinal revelador de vida."

No entanto, mesmo que o próximo rover descubra evidências isotópicas, ainda não serão suficientes para provar definitivamente que existe ou já existiu vida em Marte.

"Como Carl Sagan disse, 'afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias," realçou Schulze-Makuch. "Acho que a prova realmente vai exigir o envio de pessoas a Marte, e um astronauta observar através de um microscópio e ver um micróbio em movimento."

// Universidade Estatal de Washington (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astrobiology)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
PHYSORG

Tiofeno:
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
NASA - 2 
Facebook
Twitter
Wikipedia

Rover Rosalind Franklin (ExoMars 2020):
ESA
Wikipedia

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
Gaia sugere que distorção da Via Láctea foi provocada por colisão galáctica
 
O disco galáctico da Via Láctea, a nossa Galáxia, não é achatado mas distorcido para cima num lado e para baixo no outro. Dados do satélite de mapeamento estelar da ESA, Gaia, fornecem novas informações sobre o comportamento da distorção e das suas possíveis origens.
As duas galáxias mais pequenas perto do canto inferior direito são as Nuvens de Magalhães, duas galáxias satélite da Via Láctea.
Crédito: Stefan Payne-Wardenaar; Nuvens de Magalhães: Robert Gendler/ESO
 

Os astrónomos ponderam há anos porque é que a nossa Galáxia, a Via Láctea, é distorcida. Dados do satélite de mapeamento estelar da ESA, Gaia, sugerem que a distorção pode ser provocada por uma colisão, em curso, com outra galáxia mais pequena, que envia ondulações através do disco galáctico como uma rocha atirada para a água.

Os astrónomos sabem desde o final da década de 1950 que o disco da Via Láctea - onde reside a maioria das centenas de milhares de milhões de estrelas - não é plano, mas um pouco curvo para cima num lado e para baixo no outro. Durante anos, debateram o que está a provocar esta distorção. Propuseram várias teorias, incluindo a influência do campo magnético intergaláctico ou os efeitos de um halo de matéria escura, uma grande quantidade de matéria invisível que se pensa rodear as galáxias. Se tal halo tivesse uma forma irregular, a sua força gravitacional podia dobrar o disco galáctico.

Mais depressa do que o esperado

Com o seu levantamento único de mais de mil milhões de estrelas na nossa Galáxia, o Gaia pode ser a chave para resolver este mistério. Uma equipa de cientistas que utiliza dados do segundo lançamento do Gaia confirmou agora pistas anteriores de que esta distorção não é estática, mas que muda a sua orientação ao longo do tempo. Os astrónomos chamam a este fenómeno precessão e pode ser comparado à oscilação de um pião à medida que o seu eixo gira.

Além disso, a velocidade com que a distorção precede é muito superior ao esperado - mais rápida do que o campo magnético intergaláctico ou do que o halo de matéria escura podiam permitir. Isto sugere que a distorção deve ser provocada por outra coisa. Algo mais poderoso - como uma colisão com outra galáxia.

"Nós medimos a velocidade da distorção comparando os dados com os nossos modelos. Com base na velocidade obtida, a distorção completaria uma rotação em torno do centro da Via Láctea em 600 a 700 milhões de anos," diz Eloisa Poggio, do Observatório Astrofísico de Turim, na Itália, autora principal do estudo, publicado na revista Nature. "Isto é muito mais depressa do que esperávamos, com base em previsões de outros modelos, como aqueles que observam os efeitos do halo não esférico."

O poder estelar do Gaia

A velocidade da distorção é, no entanto, inferior à velocidade a que as estrelas propriamente ditas orbitam o centro galáctico. O Sol, por exemplo, completa uma rotação em cerca de 220 milhões de anos.

Estas informações só foram possíveis graças à capacidade sem precedentes da missão Gaia em mapear a nossa Galáxia, a Via Láctea, em 3D, determinando com precisão as posições de mais de mil milhões de estrelas no céu e estimando a sua distância. O telescópio parecido com um disco voador também mede as velocidades nas quais as estrelas individuais se movem no céu, permitindo que os astrónomos "vejam o filme" da história da Via Láctea para trás e para a frente no tempo, ao longo de milhões de anos.

"É como ter um carro e tentar medir a velocidade e a direção da viagem deste carro ao longo de um período muito curto e, com base nesses valores, tentar modelar a trajetória passada e futuro do carro," diz Ronald Drimmel, investigador do Observatório Astrofísico de Turim e coautor do artigo. "Se fizermos essas medições para muitos carros, podemos modelar o fluxo de tráfego. Da mesma forma, medindo os movimentos aparentes de milhões de estrelas no céu, podemos modelar processos em larga escala, como o movimento da distorção."

Sagitário?

 
A galáxia anã de Sagitário, uma pequena galáxia satélite da Via Láctea que está a deixar para trás um rastro de estrelas como efeito da atração gravitacional da nossa Galáxia, é visível como uma característica alongada para baixo do Centro Galáctico e apontando para baixo neste mapa de todo o céu da densidade de estrelas observadas pela missão Gaia da ESA entre julho de 2014 e maio de 2016.
Os cientistas que analisam a segunda versão dos dados do Gaia mostraram que a nossa Via Láctea ainda sofre os efeitos de uma quase colisão que fez com que milhões de estrelas se movessem como ondulações num lago. O encontro próximo provavelmente ocorreu há 300-900 milhões de anos, e o culpado pode ser a galáxia anã de Sagitário.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
 

Os astrónomos ainda não sabem qual é a galáxia que pode estar a provocar a ondulação nem quando a colisão começou. Um dos candidatos é Sagitário, uma galáxia anã que orbita a Via Láctea, que se pensa ter atravessado o disco galáctico da Via Láctea várias vezes no passado. Os astrónomos pensam que Sagitário será gradualmente absorvida pela Via Láctea, um processo que já está em andamento.

"Com o Gaia, pela primeira vez, temos uma grande quantidade de dados sobre uma grande quantidade de estrelas, cujo movimento é medido com precisão para que possamos tentar entender os movimentos em larga escala da galáxia e modelar a sua história de formação," diz Jos de Bruijne, vice-cientista do projeto Gaia da ESA. "Isto é algo único. Esta é realmente a revolução do Gaia."

Por mais impressionantes que a distorção e a sua precessão pareçam ser à escala galáctica, os cientistas asseguram que não tem efeitos visíveis na vida no nosso planeta.

Distante o suficiente

 
A estrutura da nossa Galáxia, a Via Láctea, com o seu disco galáctico distorcido, onde a maioria das centenas de milhares de milhões de estrelas residem. Dados do observatório estelar da ESA, Gaia, provaram recentemente que o disco distorcido está em precessão, essencialmente movendo-se como um pião quase a parar. A velocidade da rotação da distorção é tão alta que deve ter sido provocada por um evento poderoso, pensam os astrónomos, talvez uma colisão ainda em curso com outra galáxia, mais pequena, que envia ondulações através do disco como uma rocha atirada para um lago.
Crédito: Stefan Payne-Wardenaar; inserção - NASA/JPL-Caltech; esboço: ESA
 

"O Sol está a uma distância de 26.000 anos-luz do centro galáctico, onde a amplitude da distorção é muito pequena," diz Eloisa. "As nossas medições foram dedicadas principalmente às partes externas do disco galáctico, a 52.000 anos-luz do centro galáctico e além."

O Gaia já tinha descoberto anteriormente evidências de colisões entre a Via Láctea e outras galáxias no passado recente e distante, que ainda podem ser observadas nos padrões de movimento de grandes grupos de estrelas milhares de milhões de anos após os eventos terem ocorrido.

Entretanto, o satélite, atualmente no seu sexto ano de missão, continua a estudar o céu e um consórcio europeu está ocupado a processar e a analisar os dados que continuam a ser transmitidos para a Terra. Os astrónomos de todo o mundo estão ansiosos pelos próximos dois lançamentos de dados do Gaia, planeados para o final de 2020 e para a segunda metade de 2021, respetivamente, para continuar a enfrentar os mistérios da galáxia a que chamamos casa.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// O disco galáctico distorcido da Via Láctea gira como um pião (ESA via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
25/09/2018 - Gaia faz alusão à vida turbulenta da nossa Galáxia

Notícias relacionadas:
Universe Today
science alert
PHYSORG
Futurism
Forbes
Newsweek
METRO

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS
Lista de correntes estelares da Via Láctea (Wikipedia)

Anã de Sagitário:
SolStation.com
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
   
E se os misteriosos planetas de "algodão doce" tiverem na realidade anéis?
 
Impressão de artista do modelo de Piro e Vissapragada de um anel com anéis a transitar em frente da sua estrela hospedeira. Os cientistas usaram estes modelos para restringir quais dos planetas superinchados conhecidos podem ser explicados por anéis.
Crédito: Robin Dienel e cortesia do Instituto Carnegie para Ciência
 

De acordo com uma nova investigação publicada na revista The Astronomical Journal, por Anthony Piro do Instituto Carnegie para Ciência e Shreyas Vissapragada do Caltech, alguns dos exoplanetas de densidade extremamente baixa, chamados planetas de "algodão doce", podem na realidade ter anéis.

Estes planetas superinchados são conhecidos por terem raios extremamente grandes para as suas massas - o que lhes daria densidades aparentemente incrivelmente baixas. Os corpos com este nome adorável têm confundido os cientistas desde que foram descobertos, porque são diferentes de quaisquer planetas no nosso Sistema Solar e desafiam as nossas ideias do aspeto dos planetas distantes.

"Começámos a pensar, e se estes planetas não forem como algodão doce," disse Piro. "E se estes planetas superinchados só parecem muito grandes porque estão na verdade cercados por anéis?"

No nosso próprio Sistema Solar, todos os planetas gigantes de gás e gelo têm anéis, o exemplo mais conhecido sendo os majestosos anéis de Saturno. Mas tem sido difícil para os astrónomos descobrir planetas com anéis em órbita de estrelas distantes.

Os raios dos exoplanetas são medidos durante o trânsito - quando o exoplaneta cruza a frente da sua estrela hospedeira, provocando uma queda na luz estelar. Quanto maior a diminuição de brilho, maior o exoplaneta.

"Começámos a pensar: se olhássemos para o Sistema Solar, a partir de um mundo distante, será que conseguíamos reconhecer Saturno como um planeta com anéis, ou pareceria um planeta inchado para um astrónomo alienígena," perguntou Vissapragada.

Para testar esta hipótese, Piro e Vissapragada simularam o aspeto de um exoplaneta com anéis para um astrónomo com instrumentos de alta precisão que observava o seu trânsito em frente da estrela-mãe. Também investigaram os tipos de materiais no anel que poderiam explicar as observações de superinchados.

O seu trabalho demonstrou que os anéis podem explicar alguns, mas não todos, os planetas superinchados que a missão Kepler da NASA descobriu até agora.

"Estes planetas tendem a orbitar em íntima proximidade as suas estrelas hospedeiras, o que significa que os anéis teriam que ser rochosos e não gelados," explicou Piro. "Mas os raios dos anéis rochosos só podem ter um determinado tamanho, a não ser que as rochas sejam muito porosas, de modo que nem todos os superinchados encaixariam nestas restrições."

Segundo Piro e Vissapragada, três superinchados são candidatos especialmente bons para anéis - Kepler-87c e 177c, assim como HIP 41378f.

As observações de acompanhamento para confirmar o seu trabalho só serão possíveis depois do lançamento do Telescópio Espacial James Webb da NASA, previsto para o ano que vem, porque os atuais telescópios terrestres e espaciais não têm a precisão necessária para confirmar a presença de anéis em redor destes mundos distantes.

Se alguns dos superinchados forem confirmados como planetas com anéis, isto melhoraria a compreensão dos astrónomos de como estes sistemas planetários se formaram e evoluíram em torno das suas estrelas hospedeiras.

// Instituto Carnegie para Ciência (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
science alert
Universe Today
PHYSORG
SciTechDaily
Forbes
CNN

Kepler-87c:
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia

Kepler-177c:
NASA
Exoplanet.eu

HIP 41378f:
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Rover 2020 da NASA recebe o nome "Perseverance" (via NASA)
O nome foi anunciado por Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA, numa celebração na escola Secundária de Lake Braddock, no estado norte-americano da Virgínia, em que também congratulou o aluno do 7.º ano Alexander Mather, por ter submetido este nome durante um concurso da agência espacial com este propósito. Ler fonte
     
  Enxame globular ao vento magnético (via Instituto Max Planck)
O campo magnético Galáctico desempenha um papel importante na evolução da Via Láctea, mas o seu comportamento a pequena escala não é ainda bem compreendido. Também não se sabe se permeia o halo da nossa Galáxia. Uma equipa encontrou um campo magnético inesperadamente forte na direção do enxame globular 47 Tucanae. A orientação do campo magnético é devida à interação com o vento galáctico - um fluxo magnetizado do disco galáctico para o halo em redor. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - A Luz, a Escuridão e a Poeira
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Casey Good
 
Esta colorida paisagem celeste estende-se por cerca de quatro Luas Cheias ao longo dos campos estelares, ricos em nebulosas, do plano da nossa Via Láctea, na direção da constelação de Cefeu. Perto da fronteira da gigante nuvem molecular, a uns 2400 anos-luz de distância, situa-se a brilhante e avermelhada região de emissão Sharpless (Sh) 155, para a esquerda do centro, também conhecida como Nebulosa da Gruta. Com cerca de 10 anos-luz de diâmetro, os limites brilhantes do gás da caverna cósmica são ionizados pela radiação ultravioleta de estrelas jovens e quentes. Também podem ser vistas nebulosas azuis de reflexão no retrato interestelar, como vdB 155 para baixo e para a direita, e nuvens escuras de poeira também abundam nesta paisagem interestelar. As explorações astronómicas revelaram outros sinais dramáticos de formação estelar, incluindo a mancha vermelha e brilhante do objeto Herbig-Haro (HH) 168. Na imagem, por baixo do centro, a emissão do objeto Herbig-Haro é criada por jatos energéticos de uma estrela recém-nascida.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2020 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt