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  Astroboletim #1678  
  07/04 a 09/04/2020  
     
 
Efemérides

Dia 07/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem o primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione.
Observações: Bem acima de Ursa Maior, tarde, por estas noites, e quase cruzando o zénite, estão três pares de ténues estrelas visíveis a olho nu, todas de magnitude 3 ou 4, que marcam os pés da Grande Ursa. São também conhecidas como os Três Grandes Saltos da Gazela na antiga mitologia árabe. Formam uma linha longa mais ou menos a meio entre a "frigideira" da Ursa Maior e a "foice" de Leão. De acordo com a história árabe, a gazela estava a beber numo pequeno charco - o grande mas ténue enxame estelar de Cabeleira de Berenice - e fugiu quando alertada pela cauda de Leão, Denébola. Leão, no entanto, parece não notar; está a olhar para o outro lado.

Dia 08/04: 99.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.

A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3,5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objetivos primários e secundários foram atingidos.
Em 2008, Yi So-Yeon torna-se a primeira coreana e a segunda mulher asiática a ir ao espaço.
Observações: Lua Cheia, pelas 03:35. É uma "Super Lua", o que significa que aparece um pouco maior do que o habitual; a Lua esteve no perigeu há menos de um dia atrás.

Dia 09/04: 100.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a NASA anuncia a seleção dos primeiros sete astronautas dos Estados Unidos, a quem a comunicação social rapidamente apelida de "Mercury Seven".

Em 1994, lançamento da missão STS-59 do vaivém Endeavour.
Observações: Esta é a altura do ano em que, ao anoitecer, a "frigideira" da pequena Ursa Menor estende-se para a direita da Polar. Bem acima estão as estrelas da extremidade "frigideira" da Ursa Maior.

 
     
 
Curiosidades


A BepiColombo é apenas a terceira missão a visitar Mercúrio e a segunda a entrar em órbita. A primeira foi a Mariner 10 da NASA, que passou três vezes pelo planeta entre 1974 e 1975; a segunda foi a Messenger da NASA, que orbitou o planeta entre 2011 e 2015.

 
 
   
BepiColombo vai fazer um "flyby" pela Terra
 
Elementos da nave BepiColombo.
Crédito: ESA
 

A equipa do centro de controlo de missões da ESA está a preparar uma assistência gravitacional do explorador europeu-japonês de Mercúrio, BepiColombo. A manobra, que verá a missão ajustar a sua trajetória, aproveitando a atração gravitacional da Terra à medida que passa pelo planeta, será realizada durante as restrições que a ESA implementou em resposta à pandemia de coronavírus.

BepiColombo, lançada em outubro de 2018, está atualmente a orbitar o Sol a uma distância semelhante à da Terra. No dia 10 de abril, por volta das 05:25 (hora portuguesa), a nave vai passar pela Terra a uma distância de apenas 12.700 km, menos de metade da altitude dos satélites europeus de navegação Galileo. A manobra desacelerará a nave BepiColombo e curvará a sua trajetória em direção ao centro do Sistema Solar, apertando a sua órbita em torno do Sol.

"Esta é a última vez que veremos a BepiColombo da Terra," diz Joe Zender, cientista adjunto do projeto na ESA. "Depois, dirigir-se-á para o Sistema Solar interior."

Os cientistas da missão planeiam usar o "flyby" para testar alguns dos 11 instrumentos a bordo do MPO (Mercury Planetary Orbiter) da ESA, um dos componentes europeus da missão, que viaja para o planeta mais próximo do Sol juntamente com o Mio (Mercury Magnetospheric Orbiter) da JAXA (agência espacial japonesa). Os dois orbitadores científicos estão ligados ao MTM (Mercury Tranfer Module), construído pela ESA, com o Mio sentado no topo, escondido por trás de um escudo solar protetor. O módulo de transferência obscurece a visão de alguns dos instrumentos do MPO, mas os cientistas esperam obter dados de oito das 11 cargas científicas. A visão do Mio é bloqueada quase totalmente pelo escudo solar, mas alguns dos seus sensores também serão ativados durante a passagem rasante.

A operação, no entanto, será realizada com pessoal limitado no Centro Europeu de Operações Espaciais da ESA em Darmstadt, Alemanha, onde os engenheiros terão que cumprir as regras de distanciamento social atualmente em vigor por toda a Europa como resposta à pandemia de coronavírus.

"O 'flyby' pela Terra é uma fase onde precisamos de contactar diariamente com a nave," diz Elsa Montagnon, gerente de operações da nave BepiColombo da ESA. "Isto é algo que não podemos adiar. A nave vai, em qualquer caso, passar pela Terra."

A ameaça de coronavírus força a equipa a trabalhar com o mínimo de interação cara a cara, garantindo que todas as etapas do processo são adequadamente cobertas.

"Durante as duas semanas críticas anteriores à maior aproximação, precisamos de fazer o upload de comandos de segurança para preparar a sonda para problemas inesperados," diz Christopher Steiger, vice-gerente de operações da BepiColombo. "Por exemplo, precisamos de preparar o módulo de transferência para o eclipse de 34 minutos em que os seus painéis solares não estarão expostos à luz solar para impedir a descarga da bateria."

As operações ainda podem ser conduzidas conforme o planeado, acrescenta, mas exigirão mais esforço e atenção do que numa situação normal.

 
A Terra e a Lua, vistas por uma das câmaras "selfie" a bordo do explorador europeu-japonês de Mercúrio, BepiColombo, no início de março de 2020. A câmara M-CAM 3 obteve as imagens a partir de uma distância de mais ou menos 14 milhões de quilómetros, durante a aproximação da nave ao seu planeta-mãe antes da assistência gravitacional planeada de 10 de abril.
Durante o "flyby", a BepiColombo passará a 12.700 km da superfície da Terra, mais perto do que a altitude orbital dos satélites europeus de navegação Galileo. As câmaras vão continuar a obter imagens durante toda a manobra, que irá ajustar a trajetória da BepiColombo e enviá-la para o centro do Sistema Solar.
Crédito: ESA/BepiColombo/MTM
 

Johannes Benkhoff, cientista do projeto BepiColombo da ESA, espera que, apesar das circunstâncias desafiadoras, as equipas científicas sejam capazes de ligar os instrumentos do MPO para testá-los e calibrá-los.

"Por exemplo, o espectroscópio PHEBUS vai usar a Lua como alvo de calibração para produzir melhores dados uma vez em Mercúrio," diz Johannes. "Também queremos fazer algumas medições do vento solar e da sua interação com o campo magnético da Terra. O principal objetivo de ter os instrumentos nesta etapa, no entanto, é o teste e a calibração. Se pudermos usar os dados para alguma investigação científica, será um bónus."

O orbitador BepiColombo transporta três câmaras "selfie" estilo GoPro, acopladas no módulo de transferência, que vão tirar fotografias à medida que a nave se aproxima da Terra. Os cientistas ativaram as câmaras no início de março e captaram algumas fotos do sistema Terra-Lua, visto pelo BepiColombo, da sua posição em direção à Terra.

"Veremos a Terra a aproximar-se e a ficar cada vez maior," diz Joe. "Quando chegar ao ponto mais próximo, tiraremos algumas imagens e, de seguida, planeamos capturar uma sequência inteira de fotografias ao longo de várias horas, observando o sistema Terra-Lua, à medida que se torna cada vez mais pequeno, até o perdermos completamente."

Frank Budnik, gerente da Dinâmica de Voo da missão BepiColombo da ESA, acrescenta: "Enquanto todos os membros da equipa estiverem saudáveis e a nave continuar a funcionar normalmente, tudo poderá correr conforme planeado."

 
A BepiColombo foi lançada a bordo de um foguetão Ariane 5 de Kourou, Guiana Francesa. Vai usar a gravidade da Terra, de Vénus e de Mercúrio em combinação com o impulso elétrico de motores, para alcançar Mercúrio. Este gráfico ilustra o calendário de "flybys" e factos associados com a viagem.
Crédito: ESA
 

O "flyby" pela Terra de 10 de abril é apenas o primeiro de nove manobras de assistência gravitacional que aguardam o BepiColombo durante a sua viagem de 7 anos até Mercúrio. Em outubro, a sonda irá realizar o primeiro de dois "flybys" por Vénus. As seis manobras finais de "aperto" orbital usarão a gravidade do destino da BepiColombo, Mercúrio.

A sonda BepiColombo alcançará Mercúrio no final de 2025. A missão científica começará três meses depois, após os orbitadores Mio e MPO se separarem do módulo de transferência e entrarem nas suas respetivas órbitas. Juntos, os orbitadores vão ajudar os cientistas a lançar luz sobre a evolução do planeta Mercúrio, o menos explorado dos quatro planetas rochosos do Sistema Solar e o mais próximo do Sol.

Aprender mais sobre a composição de Mercúrio, sobre os processos geológicos da sua superfície e sobre o ambiente em seu redor ajudará os cientistas a responder a algumas perguntas fundamentais não apenas sobre Mercúrio, mas também sobre a formação e evolução de todo o Sistema Solar.

Os astrónomos amadores equipados com pequenos telescópios poderão observar a nave BepiColombo durante a passagem rasante, caso localizados a latitudes sul. Os observadores no sul da Europa podem ser capazes de localizar a sonda brevemente. A melhor vista, no entanto, só será possível no hemisfério sul.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Viagem da BepiColombo até Mercúrio (ESA via YouTube)

 


Saiba mais

Cobertura da missão BepiColombo pelo CCVAlg - Astronomia:
23/10/2018 - BepiColombo descola para investigar os mistérios de Mercúrio
12/10/2018 - Conheça a missão europeia BepiColombo

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Astronomy Now
Spaceflight Now
Space Daily
PHYSORG
Forbes
ZAP.aeiou

BepiColombo:
ESA
JAXA
Wikipedia

Mercúrio:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
Sobre a origem das estrelas massivas
 
Esta imagem mostra uma região do espaço chamada LHA 120-N 150. É uma subestrutura da gigantesca Nebulosa da Tarântula. Esta última é o maior berçário estelar conhecido do Universo Local. A nebulosa está situada a mais de 160.000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã irregular vizinha que orbita a Via Láctea.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, I. Stephens
 

Esta cena de criação estelar, capturada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, fica perto dos arredores da famosa Nebulosa da Tarântula. Esta nuvem de gás e poeira, assim como as muitas estrelas jovens e massivas que a rodeiam, é o laboratório perfeito para estudar a origem das estrelas massivas.

A nuvem rosa brilhante e as jovens estrelas que a circundam nesta imagem captada com o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA têm o nome pouco inspirador LHA 120-N 150. Esta região do espaço está localizada nos arredores da Nebulosa da Tarântula, que é o maior berçário estelar conhecido do Universo local. A nebulosa está situada a mais de 160.000 anos-luz de distância na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia anã irregular vizinha que orbita a Via Láctea.

A Grande Nuvem de Magalhães teve um ou mais encontros próximos no passado, possivelmente com a Pequena Nuvem de Magalhães. Estas interações desencadearam um episódio de energética formação estelar na nossa pequena vizinha - parte do qual é visível como a Nebulosa da Tarântula.

Também conhecida como 30 Dourado ou NGC 2070, a Nebulosa da Tarântula deve o seu nome ao arranjo de manchas brilhantes que se assemelham às pernas de uma tarântula. Mede quase 1000 anos-luz de diâmetro. A sua proximidade, a inclinação favorável da Grande Nuvem de Magalhães e a ausência de poeira interveniente tornam a Nebulosa da Tarântula um dos melhores laboratórios para estudar a formação estelar, em particular estrelas massivas. Esta nebulosa tem uma concentração excecionalmente alta de estrelas massivas, geralmente chamados de superenxames de estrelas.

 
Esta imagem terrestre da Nebulosa da Tarântula mostra o objeto em todo o seu esplendor. É a região de formação estelar mais brilhante do Universo local. O campo de visão do Hubble cobre apenas uma pequena região no quadrante superior direito desta imagem, embora revele aí detalhes invisíveis, incluindo um remanescente de supernova.
Crédito: NASA, ESA, Digitized Sky Survey 2; reconhecimento: Davide De Martin
 

Os astrónomos estudaram LHA 120-N 150 para aprender mais sobre o ambiente no qual as estrelas massivas se formam. Os modelos teóricos da formação das estrelas massivas sugerem que se formam em aglomerados de estrelas; mas as observações indicam que até dez por cento delas também se formam isoladamente. A gigantesca Nebulosa da Tarântula, com as suas numerosas subestruturas, é o laboratório perfeito para resolver este puzzle, pois podem ser aí encontradas estrelas massivas tanto como membros de enxames como isoladamente.

Com a ajuda do Hubble, os astrónomos tentam descobrir se as estrelas isoladas visíveis na nebulosa realmente se formaram sozinhas ou simplesmente se afastaram das suas irmãs estelares. No entanto, este estudo não é uma tarefa fácil; estrelas jovens, antes de serem totalmente formadas - especialmente as massivas - parecem muito semelhantes a densos nós de poeira.

LHA 120-N 150 contém várias dúzias destes objetos. São uma mistura de fontes não classificadas - provavelmente alguns objetos estelares jovens e provavelmente outros amontoados de poeira. Somente as análises e observações detalhadas vão revelar a sua verdadeira natureza e isso ajudará a finalmente resolver a questão ainda sem resposta da origem das estrelas massivas.

O Hubble já observou a Nebulosa da Tarântula e as suas subestruturas no passado - sempre se interessando pela formação e evolução das estrelas.

// Hubble/ESA (comunicado de imprensa)
// Um zoom a LHA 120-N 150 (HubbleESA via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
Astronomy
COSMOS
Astronomy Now
ScienceDaily
PHYSORG
spaceref

Formação estelar:
Wikipedia

30 Doradus (Nebulosa da Tarântula):
Wikipedia
SEDS

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
Álbum de fotografias - Tráfego em Touro
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Lionel Majzik
 
Tem havido ultimamente um congestionamento na constelação de Touro. No dia 1 de abril, esta paisagem celeste a partir de céus ligeiramente encobertos sobre Tapiobicske, Húngria, registou um agrupamento impressionante na direção da constelação zodiacal de Touro e do plano eclíptico do Sistema Solar. "Riscando" o céu da direita para a esquerda, a Estação Espacial Internacional acelera na parte inferior deste campo telescópico. Vagueando o mais longe possível do Sol nos céus do planeta Terra, o planeta Vénus é brilhante e aproxima-se muito mais devagar, superexposto à direita. Perto do canto superior esquerdo encontram-se as estrelas irmãs das Plêiades. Felizmente, ninguém foi ferido neste encontro próximo, porque na verdade não é próximo. Ocupada continuamente desde novembro de 2000, a estação espacial orbita cerca de 400 km acima da superfície do nosso planeta. Vénus, atualmente a "estrela da tarde", está quase a 2/3 de uma unidade astronómica. Um residente mais permanente de Touro, o enxame de estrelas das Plêiades fica a cerca de 400 anos-luz de distância.
 
   
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