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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #1682  
  21/04 a 23/04/2020  
     
 
Efemérides

Dia 21/04: 112.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAP RTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de planetas extrasolares pelo astrónomos Alexander Wolszczan e Dale Frail. Descobiram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO,
TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de CMEs (ejeção de massa coronal).

Observações: Saturno na sua quadratura oeste, pelas 07:43.
Esta noite e amanhã Vénus atravessa a linha que vai de Aldebarã (em baixo à esquerda) a Capella (ao dobro da distância entre o planeta e a primeira estrela, para cima e para a direita).

Dia 22/04: 113.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegava pela primeira vez ao Brasil, numa viagem épica em que o Oceano era o equivalente atual do Espaço.
Em 1891, nascia Harold Jeffreys, astrogeofísico e o primeiro a teorizar o núcleo líquido da Terra. Jeffreys também fez contribuições para o nosso conhecimento da fricção de marés, nutação, estrutura planetária geral e da origem do Sistema Solar. 
Em 1904, nascia Robert Oppenheimer, físico americano mais conhecido pelo seu papel como diretor científico do Projeto Manhattan.

É por isso lembrado como o "Pai da Bomba Atómica". 
Em 1970 comemorava-se pela primeira vez o Dia da Terra.
Observações: A chuva de meteoros das Lirídeas, um pouco imprevisível, deverá estar no seu pico nas primeiras horas desta quarta e de quinta-feira. O céu não terá Lua. Sob excelentes condições, pouco antes do amanhecer, poderá ver até 10 meteoros por hora.
Logo após o cair da noite, a "foice" de Leão apoia-se na vertical alta a sul. A sua estrela de baixo, Régulo, é também a estrela mais brilhante da constelação de Leão. A figura do animal está a andar horizontalmente para oeste. A "foice" forma a sua pata dianteira, peito, juba e parte da sua cabeça.

Dia 23/04: 114.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792, nascia John Thomas Romney Robinson, astrónomo irlandês que compilou o catálogo estelar Armagh, fez trabalhos sobre a construção de instrumentos astronómicos e foi também provavelmente o inventor de um aparelho que media a velocidade do vento, o anemómetro de Robinson. A cratera Robinson na Lua tem o seu nome.
Em 1858, nascia Max Planck, físico alemão considerado o fundador da teoria quântica, pela qual recebeu o Prémio Nobel da Física em 1918.

Em 1967, era lançada a missão Soyuz 1 com o Coronel Valentim Komarov a bordo, que viria a morrer no dia seguinte quando a nave se despenhou contra o solo na reentrada.
Em 2009, a explosão de raios-gama GRB 090423 é observada durante 10 segundos, classificada à data como o segundo objeto mais distante e antigo do Universo conhecido.
Observações: Lua Nova, pelas 03:26.
Arcturo sobe alta a este por estas noites. A igualmente brilhante Capella está a descer, também alta, mas a noroeste, para cima e para a direita de Vénus. Arcturo e Capella estão praticamente à mesma altura acima do horizonte algures entre as 21:30 e as 22:00, dependendo de quão para este oeste se encontra no fuso horário.
Arcturo é a estrela mais brilhante de Boieiro. É o fim do asterismo de papagaio-de-papel formado pelas estrelas mais brilhantes da constelação. O papagaio-de-papel, um tanto ou quanto estreito, situa-se de momento de lado para a esquerda de Arcturo. A sua cabeça, muito para a esquerda, está ligeiramente dobrada para cima. O papagaio-de-papel mede 23º: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.

 
     
 
Curiosidades


Nos dias 22 e 23 de abril, a New Horizons capturará imagens de duas das estrelas mais próximas, Proxima Centauri e Wolf 359. Quando combinadas com imagens, obtidas da Terra e nas mesmas datas, o resultado será uma medição recorde da paralaxe, produzindo imagens 3D destas estrelas que "saltam" à vista no seu campo estelar que o projeto New Horizons partilhará com o público. A equipa da missão está a coordenar a utilização de observatórios astronómicos e uma campanha pública de observação para fotografar as mesmas estrelas, no mesmo dia, para demonstrar o efeito de paralaxe. Se tiver um telescópio de bom tamanho e uma câmara digital poderá juntar-se a esta iniciativa. Mais informações aqui.

 
 
   
VLT observa estrela a "dançar" em torno de buraco negro supermassivo, provando uma vez mais que Einstein tinha razão
 
Esta imagem artística ilustra a precessão da órbita da estrela S2 em torno do buraco negro no centro da Via Láctea, com o efeito exagerado para melhor compreensão.
Crédito: ESO/L. Calçada
 

Observações levadas a cabo com o VLT (Very Large Telescope) revelaram pela primeira vez que uma das estrelas em órbita do buraco negro supermassivo situado no centro da Via Láctea se desloca tal como previsto pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein. A sua órbita apresenta a forma de uma roseta e não a de uma elipse como previsto pela Teoria da Gravitação de Newton. Este resultado, procurado há muito tempo, foi possível graças a medições cada vez mais precisas executadas durante 30 anos, que permitiram aos cientistas desvendar os mistérios do monstro que se esconde no coração da nossa Galáxia.

"A Relatividade Geral de Einstein prevê que as órbitas ligadas de um objeto em torno de outro não são fechadas, como descrito na Gravitação Newtoniana, mas que precessam na direção do plano do movimento. Este efeito famoso — observado pela primeira vez na órbita que o planeta Mercúrio descreve em torno do Sol — tratou-se da primeira evidência a favor da Relatividade Geral. Detetámos agora, um século mais tarde, este mesmo efeito no movimento de uma das estrelas que orbita a fonte rádio compacta Sagitário A*, situada no centro da Via Láctea. Esta descoberta observacional fortalece a evidência que aponta para Sagitário A* ser um buraco negro supermassivo com 4 milhões de massas solares," diz Reinhard Genzel, Diretor do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre em Garching, Alemanha, e o cientista por detrás do programa de 30 anos que deu origem a este resultado.

Situado a 26.000 anos-luz de distância do Sol, Sagitário A* e o enxame estelar denso que o rodeia fornecem-nos um laboratório único para testar a Física num regime de gravidade extrema, que, se assim não fosse, permaneceria inexplorado. Uma destas estrelas, S2, desloca-se em direção ao buraco negro atingindo uma proximidade de 20 mil milhões de km (o que corresponde a cento e vinte vezes a distância entre o Sol e a Terra), sendo assim uma das estrelas mais próximas encontradas em órbita do gigante massivo. Na sua máxima aproximação ao buraco negro, S2 desloca-se pelo espaço a uma velocidade de quase 3% da velocidade da luz, completando uma órbita a cada 16 anos. "Depois de seguirmos a estrela na sua órbita durante mais de duas décadas e meia, as nossas medições extremamente precisas detetam de forma robusta a precessão de Schwarzschild no percurso de S2 em torno de Sagitário A*," explica Stefan Gillessen do MPE, que liderou a análise das medições publicada na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

A maioria das estrelas e planetas têm uma órbita não circular e por isso o seu deslocamento afasta-as e aproxima-as do objeto que orbitam. A órbita de S2 precessa, o que significa que a localização do ponto mais próximo do buraco negro supermassivo muda a cada órbita, de tal modo que a órbita seguinte se encontra rodada relativamente à anterior, fazendo assim com que o seu percurso siga a forma de uma roseta. A Relatividade Geral dá-nos uma previsão precisa de quanto é que a órbita muda e as medições mais recentes correspondem exatamente à teoria. Este efeito, chamado precessão de Schwarzchild, nunca tinha sido medido anteriormente numa estrela em órbita de um buraco negro supermassivo.

 
Esta simulação mostra as órbitas das estrelas muito próximas do buraco negro supermassivo situado no coração da Via Láctea. Uma destas estrelas, chamada S2, orbita este objeto a cada 16 anos e passou muito próximo do buraco negro em maio de 2018. Este é o laboratório perfeito para testar a física gravitacional e especificamente a teoria da relatividade geral de Einstein.
Crédito: ESO/L. Calçada/spaceengine.org
 

Este estudo levado a cabo com o auxílio do VLT do ESO ajuda também os cientistas a compreender melhor o que se passa na vizinhança do buraco negro supermassivo situado no centro da nossa Galáxia. "Uma vez que as medições de S2 seguem tão bem a Relatividade Geral, podemos colocar limites rigorosos na quantidade de matéria invisível — tal como matéria escura distribuída ou buracos negros mais pequenos — que rodeia Sagitário A*. Isto é importante para percebermos a formação e evolução dos buracos negros supermassivos," dizem Guy Perrin e Karine Perrault, os cientistas líderes do projeto em França.

Este resultado trata-se do culminar de 27 anos de observações da estrela S2, usando, na maior parte do tempo, uma frota de instrumentos instalados no VLT do ESO, situado no deserto chileno do Atacama. O número de dados que marcam a posição e velocidade da estrela atesta bem a exaustividade e precisão deste novo trabalho de investigação: a equipa efetuou mais de 330 medições no total, usando os instrumentos GRAVITY, SINFONI e NACO. Uma vez que a estrela leva vários anos a completar uma órbita em torno do buraco negro, foi crucial seguir a estrela durante quase três décadas para que pudessem ser reveladas as complexidades do seu movimento orbital.

Este trabalho foi levado a cabo por uma equipa internacional liderada por Frank Eisenhauer do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre com colaboradores de França, Portugal, Alemanha e do ESO. Esta equipa compõe a colaboração GRAVITY, nome retirado do instrumento desenvolvido para o Interferómetro do VLT, o qual combina a radiação recolhida pelos quatro Telescópios Principais de 8 metros do VLT, transformando-os num super-telescópio com uma resolução equivalente a um telescópio de 130 metros de diâmetro. Em 2018, esta mesma equipa revelou outro efeito previsto pela Relatividade Geral, ao observar a radiação emitida por S2 a ser esticada no sentido dos comprimentos de onda maiores, na altura em que esta estrela passou perto de Sagitário A*. "O nosso resultado anterior mostrou que a radiação emitida pela estrela sofre os efeitos da Relatividade Geral. Agora mostrámos que também a própria estrela sente o efeito da Relatividade Geral," disse Paulo Garcia, investigador no Centro de Astrofísica e Gravitação, no Porto, e um dos cientistas que lidera o projeto GRAVITY.

Com o futuro Extremely Large Telescope (ELT) do ESO, a equipa acredita poder observar estrelas muito mais ténues em órbitas ainda mais próximas do buraco negro supermassivo. "Com o ELT talvez possamos capturar estrelas suficientemente próximas do buraco negro para sentirem efetivamente a rotação deste objeto supermassivo," disse Andreas Eckart da Universidade de Colónia, Alemanha, outro dos cientistas que lidera o projeto. Se tal acontecer, os astrónomos poderão medir as duas características, rotação e massa, que caracterizam Sagitário A* e definir o espaço-tempo que o rodeia. "Isto corresponderia, uma vez mais, a testar a Relatividade mas a um nível completamente diferente," conclui Eckart.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Física Extraterrestre (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)
// ESOcast 219: dança estelar em torno de buraco negro supermassivo (ESO via YouTube)
// Viajando até ao centro da Via Láctea (ESO via YouTube)
// Entrevista com Reinhard Genzel (ESO via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
02/11/2018 - As observações mais detalhadas de matéria a orbitar perto de um buraco negro
27/07/2018 - Primeiro teste bem sucedido da relatividade geral de Einstein realizado perto de buraco negro supermassivo
15/08/2017 - Indicações de efeitos relativistas em estrelas que orbitam o buraco negro supermassivo situado no centro da Galáxia
10/12/2008 - Estudo sem precedentes segue estrelas em órbita do buraco negro supermassivo da Via Láctea

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S2:
Wikipedia

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Teoria da Relatividade Geral:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Cientistas descobrem supernova que supera todas as outras
 
Impressão de artista de uma supernova.
Crédito: Aaron Geller (Universidade Northwestern)
 

Uma supernova pelo menos duas vezes mais brilhante e energética, e provavelmente muito mais massiva do que qualquer outra já registada, foi identificada por uma equipa internacional de astrónomos liderada pela Universidade de Birmingham.

A equipa, que incluiu especialistas de Harvard, da Universidade Northwestern e da Universidade do Ohio, pensa que a supernova, apelidada SN2016aps, pode ser o exemplo de uma supernova extremamente rara por "instabilidade de pares pulsantes", possivelmente formada por duas estrelas massivas que se fundiram antes da explosão. Os seus achados foram publicados na revista Nature Astronomy.

Até agora, um evento deste tipo só existia na teoria e nunca tinha sido confirmado através de observações astronómicas.

O Dr. Matt Nicholl, da Escola de Física e Astronomia e do Instituto de Astronomia de Ondas Gravitacional da Universidade de Birmingham, é o principal autor do estudo. Ele explica: "Podemos medir supernovas usando duas escalas - a energia total da explosão e a quantidade dessa energia que é emitida como luz observável ou radiação.

"Numa supernova típica, a radiação é inferior a 1% da energia total. Mas em SN2016aps, descobrimos que a radiação era cinco vezes a energia da explosão de uma supernova de tamanho normal. Esta é a maior quantidade de luz que já vimos emitida por uma supernova."

Para se tornar tão brilhante, a explosão deve ter sido muito mais energética do que o habitual. Ao examinar o espectro de luz, a equipa conseguiu mostrar que a explosão foi provocada por uma colisão entre a supernova e uma concha massiva de gás, lançada pela estrela nos anos anteriores à explosão.

"Apesar de muitas supernovas serem descobertas todas as noites, a maioria encontra-se em galáxias massivas," disse o Dr. Peter Blanchard, da Universidade Norhtwestern e coautor do estudo. "Esta imediatamente destacou-se para mais observações porque parecia estar no meio do nada. Só conseguimos ver a galáxia onde esta estrela nasceu depois da supernova ter desvanecido."

A equipa observou a explosão durante dois anos, até que diminuiu para 1% do seu brilho máximo. Usando estas medições, calcularam que a massa da supernova era entre 50 e 100 vezes a massa do Sol (massas solares). Normalmente, as supernovas têm massas entre 8 e 15 massas solares.

"Estrelas com massas extremamente grandes sofrem pulsações violentas antes de morrerem, libertando uma gigantesca concha de gás. Isto pode ser alimentado por um processo chamado instabilidade de par, que tem sido um tópico de especulação para os físicos ao longo dos últimos 50 anos," diz o Dr. Nicholl. "Se a supernova acertar no momento certo, pode alcançar esta concha e libertar uma enorme quantidade de energia na colisão. Achamos que este é um dos candidatos mais convincentes já observado para este processo e provavelmente o mais massivo."

"SN2016aps também continha outro puzzle," acrescentou o Dr. Nicholl. "O gás que detetámos era na maioria hidrogénio - mas uma estrela tão grande normalmente teria perdido todo o seu hidrogénio via ventos estelares muito antes de começar a pulsar. Uma explicação é que duas estrelas ligeiramente menos massivas, digamos 60 massas solares, se fundiram antes da explosão. As estrelas de baixa massa mantêm o seu hidrogénio por mais tempo, enquanto a sua massa combinada é alta o suficiente para desencadear a instabilidade de par."

De acordo com o professor Edo Berger, coautor da Universidade de Harvard, "a descoberta desta supernova extraordinária não podia ter chegado num momento melhor. Agora que sabemos que tais explosões energéticas ocorrem na natureza, o Telescópio Espacial James Webb da NASA será capaz de ver eventos semelhantes tão distantes que podemos voltar no tempo até à morte das primeiras estrelas do Universo."

A supernova 2016aps foi detetada pela primeira vez em dados do Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System), um programa astronómico em larga escala. A equipa também usou dados do Telescópio Espacial Hubble, dos observatórios Keck e Gemini, no Hawaii, e dos Observatórios MDM e MMT no estado norte-americano do Arizona. Outras instituições colaboradoras incluem a Universidade de Estocolmo, a Universidade de Copenhaga, o Instituto de Tecnologia da Califórnia e o STScI (Space Telescope Science Institute).

// Universidade de Birmingham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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SN2016aps:
The Open Supernova Catalogue
Wikipedia

Supernova por instabilidade de pares pulsantes:
Wikipedia

Pan-STARRS:
STScI
Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Gemini:
Página principal
Wikipedia

Observatório MDM:
Página principal
Wikipedia

Observatório MMT:
Página principal
Universidade do Arizona
Wikipedia

 
   
Cheops observa os seus primeiros exoplanetas e está pronto para a ciência
 
Impressão de artista da estrela HD 93396 e do seu Júpiter quente, KELT-11b.
HD 93396 é uma estrela amarela subgigante localizada a 320 anos-luz de distância, um pouco mais fria e três vezes maior do que o nosso Sol. Hospeda um planeta gasoso inchado, KELT-11b, cerca de 30% maior que Júpiter, numa órbita muito mais próxima da estrela do que Mercúrio se encontra do Sol.
Durante o seu comissionamento em órbita, a missão Cheops da ESA observou um trânsito de KELT-11b em frente da sua estrela-mãe. A curva de luz desta estrela mostra um declive claro causado pelo trânsito de oito horas de KELT-11b, que permitiu com que os cientistas determinasem com precisão o diâmetro do planeta: 181.600 km - com uma incerteza pouco abaixo de 4300 km.
Crédito: ESA
 

Cheops, a nova missão de exoplanetas da ESA, completou com sucesso os seus quase três meses de comissionamento em órbita, superando as expetativas do seu desempenho. O satélite, que iniciará operações científicas de rotina até ao final de abril, já obteve observações promissoras de estrelas conhecidas que albergam exoplanetas, com muitas descobertas empolgantes ainda por vir.

"A fase de comissionamento em órbita foi um período emocionante e estamos satisfeitos por termos conseguido atender a todos os requisitos," diz Nicola Rando, diretor do projeto Cheops na ESA. "A plataforma e o instrumento do satélite tiveram um desempenho notável, e os Centros de Operações de Missão e Ciência apoiaram as operações de maneira impecável.

Lançado em dezembro de 2019, o Cheops (Characterising Exoplanet Satellite) abriu os olhos para o Universo no final de janeiro e logo depois tirou as suas primeiras imagens, intencionalmente desfocadas, de estrelas. A desfocagem deliberada está no centro da estratégia de observação da missão, que melhora a precisão da medição, espalhando a luz vinda de estrelas distantes por muitos pixéis do seu detetor.

A precisão é fundamental na atual pesquisa de exoplanetas. Sabe-se que mais de 4000 planetas - e a somar - são estrelas em órbita que não o Sol. Uma sequência importante é começar a caracterizar esses planetas, fornecendo restrições à sua estrutura, formação e evolução.

Tomar as medidas para caracterizar exoplanetas através da medição precisa dos seus tamanhos - em particular os de planetas menores - é exatamente a missão do Cheops. Antes de ser declarado pronto para a tarefa, no entanto, o pequeno satélite de 1,5m teve de passar por um grande número de testes.

Desempenho excecional

 
Imagem da estrela conhecida como HD 88111, obtida pelo Cheops da ESA durante o seu comissionamento em órbita no início de 2020. A estrela está localizada na direção da constelação de Hidra, a cerca de 175 anos-luz da Terra, e desconhece-se se alberga planetas em órbita. Para demonstrar a estabilidade do satélite e do instrumento, o Cheops capturou uma imagem desta estrela a cada 30 segundos durante 47 horas consecutivas.
As imagens obtidas pelo Cheops são intencionalmente desfocadas: esta desfocagem deliberada está no centro da estratégia de observação da missão, que melhora a precisão da medição, espalhando a luz vinda de estrelas distantes por muitos pixéis do seu detetor.
Crédito: ESA/Airbus/Consórcio da Missão CHEOPS
 

Com a primeira série de testes em voo, realizada entre janeiro e fevereiro, os especialistas da missão começaram a analisar a resposta do satélite e, em particular, do telescópio e detetor, no ambiente espacial real. A partir de março, Cheops concentrou-se em estrelas bem estudadas.

"Para medir o desempenho do Cheops, primeiro é necessário observar estrelas cujas propriedades são bem conhecidas, estrelas que são bem-comportadas - escolhidas a dedo por serem muito estáveis, sem sinais de atividade," diz Kate Isaak, cientista do projeto Cheops da ESA.

Esta abordagem permitiu às equipas da ESA, do consórcio de missão e da Airbus Espanha - a principal contratante - verificar se o satélite é tão preciso e estável quanto necessário para atingir os seus ambiciosos objetivos.

"A indicação é extremamente estável: isto significa que enquanto o telescópio observa uma estrela durante horas à medida que a nave espacial se move ao longo da sua órbita, a imagem da estrela permanece sempre dentro do mesmo grupo de pixéis no detetor," explica Carlos Corral van Damme, Engenheiro Principal de Sistemas da ESA para Cheops.

"Uma estabilidade tão grande é uma combinação do excelente desempenho do equipamento e dos algoritmos de apontamento sob medida, e será especialmente importante para cumprir os objetivos científicos da missão. A estabilidade térmica do telescópio e do detetor também provou ser ainda melhor do que o necessário," acrescenta Carlos.

O período de comissionamento demonstrou que o Cheops alcança a precisão fotométrica necessária e, o que é mais importante, também mostrou que o satélite pode ser comandado pela equipa do segmento terrestre, conforme necessário, para executar as suas observações científicas.

"Ficámos emocionados quando percebemos que todos os sistemas funcionavam como esperado ou até melhor do que o esperado," diz Andrea Fortier, cientista dos instrumentos do Cheops, que liderou a equipa de comissionamento do consórcio da Universidade de Berna, na Suíça.

Hora dos exoplanetas

 
Durante a sua fase de comissionamento, a missão Cheops da ESA observou o trânsito de KELT-11b em frente da sua estrela hospedeira.
HD 93396 é uma estrela amarela subgigante localizada a 320 anos-luz de distância, um pouco mais fria e três vezes maior do que o nosso Sol. Hospeda um planeta gasoso inchado, KELT-11b, cerca de 30% maior que Júpiter, numa órbita muito mais próxima da estrela do que Mercúrio se encontra do Sol.
Durante o seu comissionamento em órbita, a missão Cheops da ESA observou um trânsito de KELT-11b em frente da sua estrela-mãe. A curva de luz desta estrela mostra um declive claro causado pelo trânsito de oito horas de KELT-11b, que permitiu com que os cientistas determinasem com precisão o diâmetro do planeta: 181.600 km - com uma incerteza pouco abaixo de 4300 km. As medições feitas pelo Cheops são cinco vezes mais precisas do que aquelas realizadas a partir da Terra, fornecendo uma amostra do que podemos alcançar com o Cheops.
Neste gráfico, o Sol é visto em termos de comparação, juntamente com o diâmetro da Terra e de Júpiter (calculado a partir da média do seu raio volumétrico).
Crédito: ESA/Airbus/Consórcio da Missão CHEOPS
 

Durante as duas últimas semanas de comissionamento em órbita, o Cheops observou duas estrelas hospedeiras de exoplanetas enquanto os planetas "transitavam" na frente da sua estrela hospedeira e bloqueavam uma fração da luz estelar. Observar trânsitos de exoplanetas conhecidos é o objetivo da missão - medir tamanhos de planetas com precisão e exatidão sem precedentes e determinar as suas densidades, combinando-os com medições independentes das suas massas.

Um dos alvos era HD 93396, uma estrela amarela subgigante localizada a 320 anos-luz de distância, um pouco mais fria e três vezes maior do que o nosso Sol. O foco das observações foi KELT-11b, um planeta gasoso inchado, cerca de 30% maior que Júpiter, numa órbita muito mais próxima da estrela do que Mercúrio se encontra do Sol.

A curva de luz desta estrela mostra um declive claro causado pelo trânsito de oito horas do KELT-11b. A partir desses dados, os cientistas determinaram com precisão o diâmetro do planeta: 181.600 km - com uma incerteza pouco abaixo de 4300 km.

"As medições feitas pelo Cheops são cinco vezes mais precisas do que aquelas realizadas a partir da Terra. Isto dá-nos uma amostra do que podemos alcançar com o Cheops nos próximos meses e anos," disse Willy Benz, investigador principal do consórcio da missão Cheops e professor de astrofísica da Universidade de Berna.

Uma revisão formal do desempenho do satélite e das operações do segmento terrestre foi realizada no dia 25 de março e o Cheops passou com distinção. Com isso, a ESA passou a responsabilidade pela operação da missão ao consórcio liderado por Willy Benz.

Felizmente, as atividades de comissionamento não foram muito afetadas pela emergência resultante da pandemia de coronavírus, que resultou em medidas de distanciamento social e restrições ao movimento na Europa para impedir a propagação do vírus.

"O segmento terrestre tem funcionado muito bem desde o início, o que nos permitiu automatizar completamente a maioria das operações para comandar o satélite e reduzir os dados já nas primeiras semanas após o lançamento," explica Carlos. "Quando a crise surgiu em março, com as novas regras e regulamentos adjudicados, os sistemas automatizados significavam que o impacto na missão era mínimo."

O Cheops está atualmente em transição para operações científicas de rotina, que devem começar antes do final de abril. Os cientistas começaram a observar alguns dos "primeiros alvos da ciência" - uma seleção de estrelas e sistemas planetários escolhidos para mostrar exemplos do que a missão pode alcançar: incluem um planeta "super-Terra quente" conhecido como 55 Cancri e, que se encontra coberto por um oceano de lava, bem como o "Neptuno quente" GJ 436b, que está a perder a sua atmosfera devido ao brilho da estrela hospedeira. Outra estrela na lista das próximas observações do Cheops é uma anã branca, o primeiro alvo do Programa de Observadores Convidados da ESA, que fornece aos cientistas de fora do consórcio da missão a oportunidade de usar a missão e capitalizar as suas capacidades de observação.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Cheops: a missão começa (ESA via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
20/12/2019 - Missão Cheops da ESA levanta voo

Notícias relacionadas:
ScienceDaily
SpaceRef
BBC News

Cheops:
ESA
ESA - 2
"Media Kit" sobre o lançamento do Cheops (PDF)
Wikipedia

KELT-11b:
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia

55 Cancri e:
NASA
Exoplanet.eu 
Wikipedia

GJ 436b:
NASA
Wikipedia
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
   
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  "Diabos de poeira" podem vaguear pelas dunas de hidrocarbonetos da lua de Saturno, Titã (via União Geofísica Americana)
De acordo com uma nova investigação publicada na revista Geophysical Research Letters, as condições meteorológicas na maior lua de Saturno, Titã, o mundo distante e estranho que pode ser o mais parecido com a Terra no Sistema Solar, parecem propícias à formação de diabos de poeira. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias - IC 2944: A Nebulosa da Galinha Fugitiva
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Juan Filas
 
Para alguns, parece uma galinha gigante a correr pelo céu. Para outros, parece uma nebulosa gasosa onde ocorre formação estelar. Catalogada como IC 2944, a Nebulosa da Galinha Fugitiva abrange cerca de 100 anos-luz e fica a cerca de 6000 anos-luz de distância na direção da constelação de Centauro. A imagem em destaque, vista em cores atribuídas cientificamente, foi capturada recentemente numa exposição de 12 horas. O enxame de estrelas Collinder 249 é visível embebido no gás brilhante da nebulosa. Embora seja difícil discernir aqui, podem ser encontradas, dentro da nebulosa, várias nuvens moleculares escuras com formas distintas.
 
   
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