Dia 15/05: 136.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618, Johannes Kepler confirma a sua descoberta, previamente rejeitada, da terceira lei do movimento planetário (descobriu-a primeiro a 8 de março mas rejeitou a ideia após ter feito alguns cálculos iniciais).
Em 1836, Francis Baily, um explorador e corretor de bolsa Britânico virado para a Astronomia aos 50 anos, observa na Escócia um eclipse total do Sol, no qual explica o fenómeno que ocorre no princípio e no fim da totalidade, agora conhecido como Contas de Baily. Baily ajudou a fundar a Real Sociedade de Astronomia em Londres, reviu catálogos estelares e estudou meteorologia. Morreu a 30 de agosto de 1844.
Em 1857, nascia Williamina Fleming, astrónoma escocesa que ajudou a desenvolver uma designação comum para as estrelas e catalogou milhares de estrelas e outros fenómenos astronómicos.
É especialmente famosa pela sua descoberta da Nebulosa Cabeça de Cavalo em 1888.
Em 1859, nascia Pierre Curie, físico francês, pioneiro na cristalografia, magnetismo, piezoelectricidade e radioatividade. Em 1903, recebeu o Prémio Nobel da Física, juntamente com a sua mulher (Marie Curie) e Henri Becquerel.
Em 1958, lançamento do Sputnik 3.
Em 1960, a União Soviética lança o Sputnik 4.
Em 1963, lançamento da última missão do programa Mercury, o Mercury-Atlas 9 com o astronauta L. Gordon Cooper a bordo. Torna-se no primeiro americano a ficar mais de um dia no espaço.
Em 1997, o vaivém espacial Atlantis é lançado na msisão STS-84 para atracar com a estação espacial russa, Mir. Observações: Aproveite o cair da noite para observar o planeta Vénus, baixo a oeste-noroeste.
Dia 16/05: 137.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1925, nascia Nancy Roman, astrónoma americana. Ao longo da sua carreira, foi oradora pública, educadora e defensora das mulheres nas ciências. É tida como a "mãe" do Telescópio Hubble.
Em 1969, a sonda soviética, Venera 5, aterra em Vénus.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour aterra em segurança após o seu voo inaugural.
Em 1997, a STS-84 atraca com a MIR para a sexta missão STS-MIR.
É o 122.º dia de Jerry Linenger como membro da tripulação da MIR.
No mesmo ano, imagens de todo o mundo do Cometa Halle-Bopp são colocadas online.
Em 2011, a STS-134 (sequência ULF6 da construção da ISS) é lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, o 25.º e último voo do vaivém Endeavour. Observações: Durante estas noites de primavera, a longa mas ténue serpente marinha, Hidra, desliza pelo céu a sul. Encontre a sua cabeça, um asterismo bem fraco com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado, a sudoeste. Está para cima e para a direita de Procyon, a estrela mais brilhante a oeste, a cerca de punho e meio à distância do braço esticado. A estrela mais brilhante de Hidra é Alphard, o seu coração alaranjado de segunda magnitude, a punho e meio da sua cabeça. A cauda de Hidra estica-se até Balança a sudeste. A ténue constelação de Taça e a mais brilhante constelação de Corvo "cavalgam" às suas costas. O padrão estelar de Hidra, desde a cabeça até à ponta da cauda, mede 95º, mais longa do que qualquer outra constelação.
Dia 17/05: 138.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espectrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891.
Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 foi descoberto um cometa em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Em 1969, a soviética Venera 6 começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão. Observações: Vega é a estrela mais brilhante a este-nordeste após o anoitecer. Cerca de 14º (punho e meio à distância do braço esticado) para cima e para a esquerda de Vega está Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. Mais perto e para cima e para a esquerda de Eltanin está Lozenge, o asterismo composto por três estrelas que representa a cabeça do animal mítico. Dragão aponta sempre o seu nariz para Vega.
Dia 18/05: 139.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1048, nascia Omar Khayyám, astrónomo, matemático, filósofo e poeta persa. Foi um dos grandes astrónomos da época medieval, que contribuiu muito para a reforma do calendário e que por vezes é tido como proponente da teoria heliocêntrica.
Em 1711, nascia Ruder Josip Boscovic, físico, astrónomo, matemático, filósofo, diplomata, poeta, teólogo e padre jesuita, da república de Ragusa (atualmente Croácia). Produziu um percursor da teoria atómica e fez muitas contribuições para a astronomia, incluindo o primeiro procedimento geométrico para a determinação do equador de um planeta em rotação e da computação da órbita de um planeta. Em 1753, descobriu a ausência de atmosfera na Lua.
Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua.
A Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39.896 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de maio de 1969.
Em 2005, uma segunda foto do Hubble confirmava que Plutão tinha mais duas luas: Nix e Hidra. Atualmente, conhecem-se cinco no total. Observações: Antes do amanhecer, olhe para sul-sudeste. Os dois pontos mais brilhantes nesta direção, alinhados quase na horizontal, são os planetas Saturno (esquerda) e Júpiter (direita). A sudeste temos o planeta Marte.
Curiosidades
Um planeta anão é um corpo que orbita em torno do Sol com gravidade suficiente para ter uma geometria quase esférica, mas que é incapaz de limpar a sua órbita de outros objetos de tamanho quase idêntico e/ou maior e que não é um satélite (ex: Ceres, Plutão, Eris e Makemake).
No dia 16 de maio, Dia Nacional dos Cientistas, a Ciência vai ao encontro de todos os portugueses para celebrar o trabalho da comunidade científica. São três horas de emissão com sprintalks com investigadores, quizzes, actividades, demonstrações e muitas surpresas. Uma iniciativa dedicada à ciência e aos cientistas.
Uma organização da Ciência Viva e da Rede Nacional de Centros Ciência Viva, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
- Pode ligar-se também diretamente no YouTube para assistir à transmissão em direto do Festival de Ciência Online.
SOFIA encontra pistas escondidas na neblina de Plutão
Instantâneo de uma animação que mostra Plutão a passar em frente de uma estrela durante um evento parecido a um eclipse conhecido como ocultação. O SOFIA observou o planeta anão enquanto estava momentaneamente retroiluminado por uma estrela no dia 29 de junho de 2015 a fim de analisar a sua atmosfera.
Crédito: NASA
Quando a sonda New Horizons passou por Plutão em 2015, uma das muitas características fascinantes que as suas imagens revelaram foi que esse mundo pequeno e gelado no Sistema Solar distante tem uma atmosfera nublada. Agora, novos dados ajudam a explicar como a neblina de Plutão é formada a partir da fraca luz do Sol, a cerca de 6 mil milhões de quilómetros de distância, enquanto se move numa órbita invulgar.
Observações remotas de Plutão pelo telescópio aéreo da NASA, SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), mostram que a fina neblina que envolve Plutão é feita de partículas muito pequenas que permanecem na atmosfera por longos períodos de tempo, em vez de caírem imediatamente para a superfície. Os dados do SOFIA esclarecem que estas partículas estão a ser ativamente reabastecidas - uma descoberta que está a corrigir previsões sobre o destino da atmosfera de Plutão, à medida que se move para áreas ainda mais frias do espaço na sua órbita de 248 anos terrestres em torno do Sol. Os resultados foram publicados na revista científica Icarus.
"Plutão é um objeto misterioso que nos surpreende constantemente," disse Michael Person, autor principal do artigo e diretor do Observatório Astrofísico Wallace do MIT (Massachusetts Institute of Technology). "Havia pistas, em observações remotas anteriores, da existência de neblinas, mas não tínhamos evidências fortes para confirmar que realmente existia até aos dados do SOFIA. Agora estamos a querer saber se a atmosfera de Plutão vai colapsar nos próximos anos - pode ser mais resiliente do que pensávamos."
O SOFIA estudou Plutão apenas duas semanas antes do voo rasante da New Horizons por Plutão em julho de 2015. O Boeing 747 modificado sobrevoou o Oceano Pacífico e apontou o seu telescópio de 2,7 metros para Plutão durante uma ocultação, um evento parecido a um eclipse no qual Plutão projetou uma sombra fraca na superfície da Terra enquanto passava em frente de uma estrela distante.
O SOFIA observou as camadas intermédias da atmosfera de Plutão no infravermelho e no visível e, pouco depois, a sonda New Horizons analisou as suas camadas superior e inferior usando ondas de rádio e radiação ultravioleta. Estas observações combinadas, obtidas temporalmente tão perto umas das outras, forneceram a imagem mais completa da atmosfera de Plutão.
Atmosfera azul e nublada
Criada à medida que o gelo da superfície vaporiza sob a luz distante do Sol, a atmosfera de Plutão é predominantemente azoto, juntamente com pequenas quantidades de metano e monóxido de carbono. As partículas de neblina formam-se no alto da atmosfera, a mais de 32 quilómetros acima da superfície, à medida que o metano e outros gases reagem à luz solar, antes de precipitarem lentamente até à superfície gelada.
A New Horizons encontrou evidências destas partículas quando transmitiu imagens que mostravam uma névoa azulada na atmosfera de Plutão. Agora, os dados do SOFIA preenchem ainda mais detalhes ao descobrir que as partículas são extremamente pequenas, com apenas 0,06-0,10 micrómetros de espessura, ou cerca de 1000 vezes mais pequenas do que a espessura de um cabelo humano. Devido ao seu tamanho pequeno, espalham a luz azul mais do que outras cores, enquanto flutuam em direção à superfície, criando a tonalidade azul.
Imagem de alta resolução e a cores das camadas de neblinas na atmosfera de Plutão, obtida pela sonda New Horizons no dia 14 de julho de 2015.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI
Com estas novas informações, os cientistas estão a reavaliar as suas previsões sobre o destino da atmosfera de Plutão. Muitas previsões indicaram que, à medida que os planetas anões se afastam do Sol, menos gelo à superfície seja vaporizado - criando menos gases atmosféricos enquanto as perdas para o espaço continuavam - eventualmente levando ao colapso atmosférico. Mas, em vez de entrar em colapso, a atmosfera parece mudar num padrão cíclico mais curto.
Aplicando o que aprenderam com o SOFIA para reanalisar observações anteriores, incluindo as do antecessor do SOFIA, o Observatório Aerotransportado Kuiper, mostram que a neblina se espessa e desaparece num ciclo que dura apenas alguns anos. Isto indica que as pequenas partículas são criadas relativamente depressa. Os investigadores sugerem que a órbita invulgar de Plutão está a provocar as mudanças na neblina e, portanto, pode ser mais importante na regulação da sua atmosfera do que a distância ao Sol.
Plutão orbita o Sol numa forma oval longa, chamada órbita elíptica, e em ângulo, chamada órbita inclinada. Também gira de lado. Isto faz com que algumas áreas do planeta anão sejam expostas a mais luz solar em diferentes pontos da órbita. Quando regiões ricas em gelo são expostas à luz solar, a atmosfera pode expandir-se e criar mais partículas de neblina, mas como essas áreas recebem menos luz solar, pode encolher e tornar-se mais limpa. Este ciclo continuou mesmo com o aumento da distância de Plutão ao Sol, embora não esteja claro se esse padrão vai continuar.
"Ainda há muito que não entendemos, mas agora somos forçados a reconsiderar previsões anteriores," disse Person. "A atmosfera de Plutão pode entrar em colapso mais lentamente do que o previsto anteriormente, ou talvez nem colapsar. Temos que continuar a monitorizar para descobrir."
Perseguindo a sombra de Plutão
O SOFIA estava posicionado de maneira única para estudar Plutão de longe, aproveitando um momento raro em que Plutão passou à frente de uma estrela distante, lançando uma sombra fraca na superfície da Terra. Momentaneamente iluminada pela estrela, a atmosfera de Plutão pôde ser analisada.
Viajando a mais 85.000 km/h, esperava-se que a sombra de Plutão aparecesse por dois breves minutos sobre o Oceano Pacífico perto da Nova Zelândia. O SOFIA traçou o seu curso para a intercetar, mas duas horas antes da ocultação, uma previsão atualizada colocou a sombra a 320 km para norte.
"A captura dessa sombra foi um bocado atribulada. O SOFIA tem o benefício de ser móvel, mas o plano de voo revisto teve que ser aceite pelo controlo de tráfego aéreo," disse William Reach, diretor associado de operações científicas do SOFIA. "Houveram alguns momentos tensos, mas a equipa trabalhou em conjunto e conseguimos autorização. Chegámos à sombra de Plutão exatamente à hora certa e ficámos muito felizes por ter conseguido!"
Observações remotas como estas permitem que os cientistas monitorizem corpos planetários entre "flybys" de sondas espaciais, que geralmente podem ser separados por muitos anos. O acordo entre os dados recolhidos remotamente pelo SOFIA e da passagem rasante da New Horizons suporta que as observações de ocultação da Terra podem fornecer dados de alta qualidade entre missões de naves espaciais.
Experiências cá na Terra com ligas de ferro-enxofre, que se pensa compreenderem o núcleo de Marte, revelam pela primeira vez detalhes sobre as propriedades químicas do planeta. Esta informação será comparada com observações futuras feitas por orbitadores marcianos no futuro próximo. Caso os resultados das experiências coincidam, ou não, com as observações, tal confirmará as teorias existentes sobre a composição de Marte ou colocará em questão a história da sua origem.
Marte é um dos nossos vizinhos terrestres mais próximos, mas ainda está muito longe - entre 55 e 400 milhões de quilómetros, dependendo da posição da Terra e de Marte em relação ao Sol. Aquando da redação deste texto, Marte estava a cerca de 200 milhões de quilómetros e, de qualquer forma, é extremamente difícil, caro e perigoso lá chegar. Por estas razões, às vezes é mais sensato investigar o Planeta Vermelho através de simulações cá na Terra do que enviar uma sonda espacial cara ou, talvez um dia, pessoas.
Medições da velocidade do som. Ondas pulsadas propagam-se através de amostras à velocidade do som.
Crédito: Nishida et al.
Keisuke Nishida, na altura deste estudo professor assistente do Departamento de Ciências da Terra e Planetárias da Universidade de Tóquio, e a sua equipa estão empenhados em investigar o funcionamento interno de Marte. Eles analisam dados sísmicos e da composição que dizem aos investigadores não apenas mais sobre o estado atual do planeta, mas também sobre o seu passado, incluindo as suas origens.
"A exploração dos interiores profundos da Terra, de Marte e de outros planetas é uma das grandes fronteiras da ciência," disse Nishida. "É fascinante em parte por causa das escalas assustadoras envolvidas, mas também por causa de como os investigamos com segurança a partir da superfície da Terra."
Durante muito tempo, teorizou-se que o núcleo de Marte provavelmente consiste de uma liga de ferro-enxofre. Mas, considerando o quão inacessível o núcleo da Terra é para nós, as observações diretas do núcleo de Marte provavelmente terão que esperar algum tempo. É por isso que os detalhes sísmicos são tão importantes, pois as ondas sísmicas, semelhantes às ondas sonoras extremamente poderosas, podem viajar através de um planeta e fornecer um vislumbre do interior, embora com algumas ressalvas.
"O módulo InSight da NASA já está em Marte a recolher leituras sísmicas," disse Nishida. "No entanto, mesmo com os dados sísmicos, havia uma importante informação em falta sem a qual os dados não podiam ser interpretados. Precisávamos de conhecer as propriedades sísmicas da liga ferro-enxofre que se pensa formar o núcleo de Marte."
Nishida e a sua equipa mediram agora a velocidade do que é conhecido como ondas P (um dos dois tipos de ondas sísmicas, o outro sendo ondas S) em ligas de ferro-enxofre fundidas.
Multibigornas do tipo Kawai instaladas no complexo SPring-8 (esquerda) e no KEK-PF (direita).
Crédito: Nishida et al.
"Devido a obstáculos técnicos, foram necessários mais de três anos para que pudéssemos recolher os dados ultrassónicos que precisávamos, por isso estou muito satisfeito por termos os dados agora," disse Nishida. "A amostra é extremamente pequena, o que pode surpreender algumas pessoas, dada a enorme escala do planeta que estamos efetivamente a simular. Mas as experiências de alta pressão em microescala ajudam a explorar estruturas em macroescala e longas histórias evolutivas de planetas."
Uma liga de ferro-enxofre logo acima do seu ponto de fusão de 1500º C e sujeita a 13 gigapascais de pressão tem uma velocidade das ondas P de 4680 metros por segundo; isto é 13 vezes superior à velocidade do som no ar, que é de 343 metros por segundo. Os cientistas usaram um dispositivo chamado multibigorna do tipo Kawai para comprimir a amostra a estas pressões. Usaram feixes de raios-X de duas instalações de sincrotrão, KEK-PF e SPring-8, para ajudá-los a criar imagens das amostras, a fim de calcular os valores das ondas P.
"Com os nossos resultados em mão, os investigadores que leem dados sísmicos marcianos poderão agora dizer se o núcleo é principalmente uma liga de ferro-enxofre ou não," disse Nishida. "Se não for, isso dir-nos-á algo sobre as origens de Marte. Por exemplo, se o núcleo de Marte incluir silício e oxigénio, isso sugere que, tal como a Terra, Marte sofreu um grande evento de impacto durante a sua formação. Então, qual a composição de Marte e como foi formado? Penso que estamos prestes a descobrir."
Composição de imagens do sistema Abell 2384, que compreende dois enxames de galáxias localizadas a 1,2 mil milhões de anos-luz da Terra.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/SAO/V.Parekh, et al. & ESA/XMM; rádio: NCRA/GMRT
Um novo estudo, baseado em dados dos observatórios de raios-X XMM-Newton da ESA e Chandra da NASA, lança uma nova luz sobre uma ponte de gás quente com três milhões de anos-luz que liga dois enxames de galáxias, cuja forma está a ser dobrada pela poderosa atividade de um buraco negro supermassivo próximo.
Os aglomerados de galáxias são os maiores objetos do Universo, mantidos juntos pela gravidade. Contêm centenas ou milhares de galáxias, grandes quantidades de gás de vários milhões de graus que brilham intensamente em raios-X e enormes reservatórios de matéria escura invisível.
O sistema retratado nestas imagens, denominado Abell 2384, está localizado a 1,2 mil milhões de anos-luz da Terra e compreende uma massa total de mais de 260 biliões de vezes a massa do Sol. Neste caso, os dois enxames galácticos colidiram e passaram um pelo outro, libertando uma inundação de gás quente de cada aglomerado que formava uma ponte incomum entre os dois objetos.
A visualização de raios-X do XMM-Newton e do Chandra é mostrada em azul, juntamente com observações em ondas de rádio realizadas com o GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope) na Índia (mostradas a vermelho) e dados óticos do DSS (Digitized Sky Survey; mostrada a amarelo). A nova visão de vários comprimentos de onda revela os efeitos de um jato a disparar para longe de um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia num dos aglomerados.
Composição legendada de imagens do sistema Abell 2384, que compreende dois enxames de galáxias localizadas a 1,2 mil milhões de anos-luz da Terra.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/SAO/V.Parekh, et al. & ESA/XMM; rádio: NCRA/GMRT
O jato é tão poderoso que está a dobrar a forma da ponte de gás, que tem uma massa equivalente a cerca de seis biliões de sóis. No local da colisão, onde o jato está a empurrar o gás quente na ponte, os astrónomos encontraram evidências de uma frente de choque, semelhante a uma explosão sónica de uma aeronave supersónica, que pode manter o gás quente e impedir que arrefeça para formar novas estrelas.
Objetos como Abell 2384 são importantes para os astrónomos entenderem o crescimento de aglomerados de galáxias.
Simulações em computador indicam que, após tal colisão, os aglomerados de galáxias oscilam como um pêndulo e passam um pelo outro várias vezes antes de se fundirem para formar um aglomerado maior. Com base nestas simulações, os astrónomos pensam que os dois grupos neste sistema acabarão por se fundir.
O estudo que descreve este trabalho, liderado por Viral Parekh, do Observatório de Radioastronomia da África do Sul e Universidade de Rhodes, na África do Sul, foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society em janeiro.
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA, ESA, Hubble, HLA; Reprocessamento e Direitos de Autor: Raul Villaverde
O que está a acontecer a esta galáxia espiral? Há apenas algumas centenas de milhões de anos, NGC 2936, a galáxia mais acima das duas aqui vistas, era provavelmente uma galáxia espiral normal - girando, formando estrelas - e metendo-se na sua própria vida. Mas aproximou-se demasiado da gigantesca galáxia elíptica NGC 2937 em baixo e deu um mergulho. A galáxia parece-se com os golfinhos do Amazonas, os botos. NGC 2936 não está apenas a ser desviada do seu caminho, também está a ser distorcida pela interação gravitacional. Um surto de pequenas estrelas azuis forma o nariz do boto para a direita da galáxia de cima, enquanto o centro da espiral parece um olho. Alternativamente, o par galáctico, conhecidos no seu todo como Arp 142, parece-se com um pinguim que protege um ovo. De qualquer modo, faixas de poeira escura e correntes brilhantes de estrelas azuis traçam a galáxia conturbada para baixo e para a direita. A imagem recentemente reprocessada mostra Arp 142 em detalhes sem precedentes e foi obtida pelo Telescópio Espacial Hubble o ano passado. Arp 142 encontra-se a 300 milhões de anos-luz de distância, por coincidência, na direção da constelação de Hidra (a serpente marinha). Daqui a mais ou menos mil milhões de anos as duas galáxias irão provavelmente fundir-se e criar uma galáxia maior.
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