Dia 29/05: 150.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1794, nascia Johann Heinrich von Mädler, astrónomo alemão.
Produziu os primeiros mapas verdadeiros de Marte, fez determinações preliminares do período de rotação de Marte com apenas poucos segundos de erro, e produziu o primeiro mapa exato da Lua.
Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos (Arthur Eddington e Andrew Crommelin), tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1929, nascia Peter Higgs, físico teórico britânico, famoso pelo seu mecanismo Higgs, que prevê a existência do bosão de Higgs.
Em 1974 era lançada a Luna 22 (USSR).
Em 1999, o vaivém Discovery completa a sua primeira atracagem com a Estação Espacial Internacional. Observações: Diga adeus a Vénus, a apenas cinco dias da sua conjunção solar. Mas daqui a menos de um mês "salta" para o céu do amanhecer a este.
À medida que as estrelas começam a aparecer, a Lua está alta a sudoeste, para baixo da barriga da figura da constelação de Leão.
A Lua forma um triângulo quase equilátero com Régulo para baixo e para a sua direita e Gamma Leonis (Algieba), ligeiramente mais ténue, mais diretamente para a direita do nosso satélite natural, dependendo da localização do observador.
Dia 30/05: 151.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1966, lançamento da Surveyor 1, a primeira sonda sonda americana a aterrar em segurança noutro corpo planetário (neste caso, a Lua).
Em 1971 era lançada a Mariner 9. A 13 de novembro alcança a órbita de Marte. Envia 6.900 imagens, que corresponderam a 70% da superfície do planeta. Estudou também as mudanças temporais na atmosfera e à superfície. Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 04:30.
Dia 31/05: 152.º dia do calendário gregoriano. História: Em 2001, a sonda Cassini completa o veu voo rasante por Júpiter e dirige-se para Saturno.
Imagens de despedida de um eclipse de Io mostram atividade auroral na atmosfera ioniana.
Em 2013, o asteroide 1998 QE2 e a sua lua fazem a maior aproximação da Terra dos próximos dois séculos. Observações: Capella põe-se a noroeste depois do anoitecer por estas noites (dependendo da latitude do observador). Isso deixa Vega e Arcturo como as estrelas mais brilhantes no céu noturno. Vega brilha a este-nordeste. Arcturo está muito alta a sul.
A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega, procure o semicírculo de Coroa Boreal e a sua estrela Alphecca, de magnitude 2, a única moderadamente brilhante.
A dois-terços entre Arcturo e Vega está a constelação de Hércules, agora quase nivelada. Use binóculos ou um telescópio para observar a sua fronteira superior. A um-terço do percurso da fronteira esquerda, para a direita, está M13, de sexta magnitude, um dos dois grandes enxames globulares de Hércules. Um telescópio com 4 ou 6 polegadas começa a resolver parte do seu aspeto difuso. Localizado a 22.000 anos-luz de distância, bem acima do plano da Via Láctea, M13 contém várias centenas de milhares de estrelas num enxame com aproximadamente 140 anos-luz de diâmetro.
Dia 01/06: 153.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1633 nascia Geminiano Montanari, astrónomo italiano, fabricante de lentes e proponente da abordagem experimental na Ciência.
É mais conhecido pela sua observação, por volta de 1667, de que a segunda estrela mais brilhante de Perseu, Algol, variava em brilho.
Em 2011, o vaivém espacial Endeavour faz a sua aterragem final, após 25 voos. Observações: Conhece o asterismo do Diamante de Virgem? Mede cerca de 50º de altura e abrange cinco constelações. Encontra-se atualmente na vertical, a sul, depois do nascer das estrelas. Comece com Espiga, a sua parte mais baixa. Para cima e para a esquerda está a brilhante Arcturo. Quase à mesma distância, para cima e para a direita de Arcturo (se se voltar para sul) está a mais ténue Cor Caroli, de terceira magnitude, quase por cima das nossas cabeças. À mesma distância, mas para baixo e para a direita, está Denébola, a ponta da cauda de Leão, com magnitude 2. E finalmente voltamos a Espiga. As três estrelas mais baixas, que são também as mais brilhantes, forma um triângulo equilátero quase perfeito. Talvez devêssemos chamar-lhes de "Triângulo da Primavera", em paralelo com o de verão e o de inverno?
Se tiver acesso a um céu escuro ou binóculos, olhe para o ponto médio entre Cor Caroli e Denébola para avistar o grande e disperso enxame estelar de Cabeleira de Berenice. Abrange 4º, mais ou menos do tamanho de uma bola de ping-ping à distância do braço esticado.
Curiosidades
O eixo de rotação de Úrano tem uma inclinação de 97,77º, pelo que tem quase a direção do plano da sua órbita.
Astrónomos descobrem nova classe de explosões cósmicas
Impressão de artista que ilustra as diferenças nos fenómenos que resultam de uma típica explosão de supernova de colapso do núcleo, uma explosão que cria GRBs e uma explosão que cria FBOTs.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
Os astrónomos descobriram dois objetos que, somados a um objeto estranho descoberto em 2018, constituem uma nova classe de explosões cósmicas. O novo tipo de explosão partilha algumas características com as explosões de supernova de estrelas massivas e com as explosões que geram GRBs (explosões de raios-gama, "gamma-ray bursts"), mas ainda com algumas diferenças distintas.
A saga começou em junho de 2018 quando os astrónomos viram uma explosão cósmica com características e comportamento surpreendentes. O objeto, apelidado AT2018cow ("A Vaca"), atraiu a atenção de cientistas de todo o mundo e foi estudado extensivamente. Embora partilhe algumas características com as explosões de supernova, diferia em aspetos importantes, particularmente o seu brilho inicial invulgar e na rapidez com que aumentou e diminui de brilho em apenas alguns dias.
Entretanto, duas explosões adicionais - uma em 2016 e outra em 2018 - também mostraram características invulgares e foram observadas e analisadas. As duas novas explosões têm o nome CSS161010 (abreviação de CRTS CSS161010 J045834-081803), numa galáxia situada a aproximadamente 500 milhões de anos-luz da Terra, e ZTF18abvkwla ("O Coala"), numa galáxia a cerca de 3,4 mil milhões de anos-luz de distância. Ambas foram descobertas por levantamentos automatizados do céu (CRTS - Catalina Real-time Transient Survey, ASAS-SN - All-Sky Automated Survey for Supernovae e ZTF - Zwicky Transient Facility) usando telescópios óticos para varrer grandes áreas do céu noturno.
Duas equipas de astrónomos acompanharam estas descobertas observando os objetos com o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation). As duas equipas também usaram o GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope) na Índia e a equipa que estudava CSS161010 usou o Observatório de raios-X Chandra da NASA. Ambos os objetos surpreenderam os observadores.
Anna Ho, do Caltech, autora principal do estudo sobre ZTF18abvkwla, notou imediatamente que a emissão de rádio do objeto era tão brilhante quanto a de uma explosão de raios-gama. "Quando reduzi os dados, pensei que tinha cometido um erro," disse.
Deanne Coppejans, da Northwestern University, liderou o estudo sobre CSS161010, que descobriu que o objeto havia lançado uma quantidade "inesperada" de material para o espaço interestelar a mais de metade da velocidade da luz. A sua coautora Raffaella Margutti, da mesma universidade, disse: "Demorámos quase dois anos para descobrir o que estávamos a ver, porque era tão invulgar."
Em ambos os casos, as observações de acompanhamento indicaram que os objetos partilhavam características em comum com AT2018cow. Os cientistas concluíram que estes eventos, chamados FBOTs (Fast Blue Optical Transients), representam, juntamente com AT2018cow, um tipo de explosão estelar significativamente diferente das outras. Os cientistas relataram as suas descobertas em artigos publicados na revista The Astrophysical Journal Letters e na revista The Astrophysical Journal.
Impressão de artista que ilustra o fenómeno que compõe a nova classe de explosões cósmicas chamadas FBOTs (Fast Blue Optical Transients).
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF
As FBOTs provavelmente começam, dizem os astrónomos, da mesma forma que certas supernovas e GRBs - quando uma estrela muito mais massiva do que o Sol explode no final da sua vida "normal" alimentada a fusão atómica. As diferenças aparecem após a explosão inicial.
Na supernova "comum" deste tipo, chamada supernova de colapso do núcleo, a explosão envia uma onda de choque para o espaço interestelar. Se, além disso, um disco giratório de material se formar brevemente em torno da estrela de neutrões ou buraco negro formados após a explosão e impulsionar jatos estreitos de material quase à velocidade da luz em direções opostas, estes jatos podem produzir feixes estreitos de raios-gama, despoletando uma GRB.
O disco giratório, chamado disco de acreção, e os jatos que produz, são chamados de "motor" pelos astrónomos.
Os astrónomos concluíram que as FBOTs também têm esse mecanismo de motor. No seu caso, ao contrário das explosões de raios-gama, está envolto por material espesso. Esse material provavelmente foi derramado pela estrela pouco antes de explodir e pode ter sido retirado de lá por uma companheira binária.
Quando o material espesso próximo da estrela é atingido pela onda de choque da explosão, faz com que o surto de luz, visível logo após a explosão que inicialmente produziu estes objetos, pareça tão invulgar. Esta explosão brilhante também é o motivo pelo qual os astrónomos chamam a estas explosões FBOTs (Fast Blue Optical Transients). Esta é uma das características que as distinguiu das supernovas mais comuns.
À medida que a onda de choque da explosão colide com o material em torno da estrela, enquanto viaja para longe, produz emissão de rádio. Esta emissão muito brilhante foi a pista importante que provou que a explosão foi desencadeada por um motor.
O invólucro de material denso "significa que a estrela progenitora é diferente daquelas que levam a explosões de raios-gama," disse Ho. Os astrónomos realçam que, na "Vaca" e em CSS161010, o material denso incluía hidrogénio, algo nunca visto nas explosões de raios-gama.
Usando o Observatório W. M. Keck, os astrónomos descobriram que CSS 161010 e ZTF18abvkwla, tal como "A Vaca", estão situadas em pequenas galáxias anãs. Coppejans disse que as propriedades das galáxias anãs "podem permitir alguns caminhos evolutivos muito raros das estrelas", que levam a estas explosões distintas.
Embora um elemento comum das FBOTs seja o facto de todas as três terem um "motor central", os astrónomos alertam que o motor também pode ser o resultado de estrelas serem destruídas por buracos negros, embora considerem as explosões do tipo supernova o candidato mais provável.
"Mais observações das FBOTs e dos seus ambientes podem responder a esta pergunta," disse Margutti.
Para tal, os cientistas dizem que vão precisar de usar telescópios que cobrem uma ampla gama de comprimentos de onda, como fizeram com os três primeiros objetos. "Embora as FBOTs se tenham mostrado mais raras e mais difíceis de encontrar do que alguns de nós esperávamos, na banda do rádio são também muito mais luminosas do que imaginávamos, permitindo-nos obter dados compreensivos mesmo de eventos muito distantes," disse Daniel Perley, da Universidade John Moores em Liverpool.
Colisão galáctica pode ter desencadeado a formação do Sistema Solar
A galáxia anã de Sagitário orbita a Via Láctea há milhares de milhões de anos. À medida que o seu percurso em torno da 10.000 vezes mais massiva Via Láctea gradualmente ficava mais pequeno, começou a colidir com o disco da nossa Galáxia. As três colisões conhecidas entre Sagitário e a Via Láctea podem, segundo um novo estudo, ter desencadeado episódios de intensa formação estelar, um dos quais pode ter dado origem ao Sistema Solar.
Crédito: ESA
A formação do Sol, o Sistema Solar e o subsequente surgimento de vida na Terra podem ser uma consequência de uma colisão entre a nossa Galáxia, a Via Láctea, e uma galáxia menor chamada Sagitário, descoberta na década de 1990, que orbita o nosso lar galáctico.
Os astrónomos sabem que Sagitário colide, repetidamente, com o disco da Via Láctea, enquanto a sua órbita ao redor do núcleo da galáxia se aperta como resultado de forças gravitacionais. Estudos anteriores sugeriram que Sagitário, a chamada galáxia anã, teve um efeito profundo sobre como as estrelas se movem na Via Láctea. Alguns até afirmam que a estrutura espiral da marca registada da Via Láctea, que é 10.000 vezes mais massiva, pode ser o resultado de pelo menos três acidentes conhecidos com Sagitário nos últimos seis mil milhões de anos.
Um novo estudo, baseado em dados recolhidos pelo telescópio de mapeamento Galáctico da ESA, Gaia, revelou, pela primeira vez, que a influência de Sagitário na Via Láctea pode ser ainda mais substancial. As ondulações causadas pelas colisões parecem ter desencadeado grandes episódios de formação estelar, um dos quais coincidiu, aproximadamente, com o tempo da formação do Sol, há 4,7 mil milhões de anos atrás.
"Sabe-se, a partir de modelos existentes, que Sagitário caiu na Via Láctea três vezes - primeiro há cerca de cinco ou seis mil milhões de anos atrás, depois há cerca de dois mil milhões de anos atrás e, finalmente, há mil milhões de anos atrás," diz Tomás Ruiz-Lara, investigador em Astrofísica no Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) em Tenerife, Espanha, e autor principal do novo estudo publicado na revista Nature Astronomy.
"Quando analisámos os dados do Gaia sobre a Via Láctea, encontrámos três períodos de maior formação estelar que atingiram o pico há 5,7 mil milhões de anos atrás, 1,9 mil milhões de anos atrás e mil milhões de anos atrás, correspondendo ao período em que se pensa que Sagitário tenha atravessado o disco da Via Láctea."
A galáxia anã de Sagitário orbita a Via Láctea há milhares de milhões de anos. À medida que o seu percurso em torno da 10.000 vezes mais massiva Via Láctea gradualmente ficava mais pequeno, começou a colidir com o disco da nossa Galáxia. As três colisões conhecidas entre Sagitário e a Via Láctea podem, segundo um novo estudo, ter desencadeado episódios de intensa formação estelar, um dos quais pode ter dado origem ao Sistema Solar.
Crédito: ESA
Os investigadores analisaram as luminosidades, distâncias e cores das estrelas numa esfera de cerca de 6500 anos-luz ao redor do Sol e compararam os dados com os modelos de evolução estelar existentes. Segundo Tomás, a noção de que a galáxia anã pode ter tido esse efeito faz muito sentido.
"No começo temos uma galáxia, a Via Láctea, que é relativamente silenciosa," diz Tomás. "Após uma época violenta inicial de formação de estrelas, parcialmente desencadeada por uma fusão anterior, como descrito num estudo anterior, a Via Láctea alcançou um estado equilibrado em que as estrelas se formavam constantemente. De repente, temos Sagitário a cair e a atrapalhar o equilíbrio, fazendo com que todo o gás e poeira, anteriormente calmos dentro da galáxia maior, se espalhem como ondas na água."
Nalgumas áreas da Via Láctea, essas ondulações levariam a maiores concentrações de poeira e gás, enquanto esvaziavam outras. A alta densidade de material nessas áreas desencadearia a formação de novas estrelas.
"Parece que Sagitário não só moldou a estrutura e influenciou a dinâmica de como as estrelas se estão a mover na Via Láctea, mas também levou à construção da Via Láctea,” diz Carme Gallart, coautora do papel, também do IAC. "Parece que uma parte importante da massa estelar da Via Láctea foi formada devido às interações com Sagitário e não existiria de outra forma."
De facto, parece possível que nem mesmo o Sol e os seus planetas existissem se a anã Sagitário não tivesse sido presa pela força gravitacional da Via Láctea e, eventualmente, colidido com o seu disco.
"O Sol formou-se no momento em que as estrelas estavam a formar-se na Via Láctea por causa da primeira passagem de Sagitário," diz Carme. "Não sabemos se a nuvem específica de gás e poeira que se transformou no Sol entrou em colapso por causa dos efeitos de Sagitário ou não. Mas é um cenário possível porque a idade do Sol é consistente com uma estrela formada como resultado do efeito Sagitário."
Cada colisão com Sagitário removeu parte do seu gás e poeira, deixando a galáxia menor após cada passagem. Os dados existentes sugerem que Sagitário pode ter passado pelo disco da Via Láctea novamente há relativamente pouco tempo, nos últimos cem milhões de anos, e, atualmente, encontra-se muito próxima. De fato, o novo estudo constatou uma recente explosão de formação estelar, sugerindo uma possível nova e contínua onda de nascimento estelar.
De acordo com o cientista do projeto Gaia da ESA, Timo Prusti, estas informações detalhadas sobre a história da formação estelar da Via Láctea não seriam possíveis antes do Gaia, o telescópio de mapeamento de estrelas lançado no final de 2013, cujos dois lançamentos de dados em 2016 e 2018 revolucionaram o estudo da Via Láctea.
"Algumas determinações da história da formação de estrelas na Via Láctea já existiam antes, com base em dados da missão Hipparcos da ESA, no início dos anos 90," diz Timo. "Mas essas observações foram focadas na vizinhança imediata do Sol. Não era realmente representativo e, portanto, não foi possível descobrir essas explosões em formação de estrelas que vemos agora.
"Esta é realmente a primeira vez que vemos uma história detalhada da formação estelar da Via Láctea. É uma prova do poder científico de Gaia que temos visto se manifestar repetidamente em inúmeros estudos inovadores num período de apenas alguns anos."
Como visto nesta impressão de artista, o instrumento SHERLOC está localizado no fim do braço robótico do rover marciano Perseverance da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Marte está muito longe da famosa 221 Baker Street, mas um dos detetives mais conhecidos da ficção estará representado no Planeta Vermelho quando o rover Perseverance da NASA pousar no dia 18 de fevereiro de 2021. SHERLOC, um instrumento na ponta do braço robótico do rover, vai procurar pistas do tamanho de grãos de areia nas rochas marcianas enquanto trabalha em conjunto com a WATSON, uma câmara que vai capturar fotos de texturas de rochas. Juntos, vão estudar as superfícies rochosas, mapeando a presença de certos minerais e moléculas orgânicas, que são os blocos de construção da vida baseada em carbono cá na Terra.
O SHERLOC foi construído no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, que lidera a missão do Perseverance; a WATSON foi construída no MSSS (Malin Space Science Systems) em San Diego. Para as rochas mais promissoras, a equipa do Perseverance comandará o rover para recolher amostras com meia polegada de largura, armazená-las, selá-las em tubos de metal e depositá-las na superfície de Marte para que uma missão futura possa entregá-las à Terra a fim de um estudo mais detalhado.
O SHERLOC vai trabalhar com outros seis instrumentos a bordo do Perseverance para nos dar uma compreensão mais clara de Marte. Está até a ajudar o esforço de criar fatos espaciais resistentes ao ambiente marciano para quando os humanos pisarem o Planeta Vermelho. Aqui ficam mais informações.
Um modelo de engenharia do SHERLOC, um dos instrumentos a bordo do rover marciano Perseverance da NASA. Localizado no fim do braço robótico do rover, o SHERLOC vai ajudar a determinar quais as amostras a recolher para que possam ser seladas em tubos de metais e deixados à superfície de Marte para futuro envio à Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
O poder do efeito Raman
O nome completo do instrumento SHERLOC é: Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals. "Raman" refere-se à espectroscopia Raman, uma técnica cujo nome homenageia o físico indiano C.V. Raman, que descobriu o efeito de dispersão da luz na década de 1920.
"Enquanto viajava de barco, tentava descobrir porque é que o mar era azul," disse Luther Beegle do JPL, investigador principal do SHERLOC. "Ele percebeu que se apontássemos um feixe de luz a uma superfície, podíamos mudar o comprimento de onda da luz dispersa, dependendo dos materiais nessa superfície."
Este efeito é chamado de dispersão ou efeito Raman. Os cientistas podem identificar diferentes moléculas com base na distinta "impressão digital" espectral visível na luz emitida. Um laser ultravioleta que faz parte do SHERLOC permitirá à equipa classificar materiais orgânicos e minerais presentes numa rocha e entender o ambiente no qual a rocha se formou. A água salgada, por exemplo, pode resultar na formação de minerais diferentes daqueles em água doce. A equipa também vai procurar pistas de astrobiologia na forma de moléculas orgânicas que, entre outras coisas, servem como potenciais bioassinaturas, demonstrando a presença de antiga vida passada em Marte.
"A vida agrupa-se," disse Beegle. "Se virmos substâncias orgânicas agrupadas numa parte de uma rocha, pode ser um sinal de que os micróbios aí prosperaram no passado."
Os processos não biológicos também podem formar compostos orgânicos, de modo que a deteção destes compostos não é um sinal claro de que a vida se formou em Marte. Mas os produtos orgânicos são cruciais para entender se o ambiente antigo pode ter suportado vida.
Nesta imagem de teste pelo SHERLOC, um instrumento a bordo do rover Perseverance da NASA; cada cor representa um mineral diferente detetado à superfície de uma rocha.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Uma lupa marciana
Quando Beegle e a sua equipa avistarem uma rocha interessante, digitalizam uma área com o tamanho de uma moeda com o laser do SHERLOC para descobrir a composição mineral e a presença de compostos orgânicos. Em seguida, a WATSON (Wide Angle Topographic Sensor for Operations and eNgineering) capturará ampliações da amostra. Também pode fotografar imagens do rover Perseverance, assim como o rover Curiosity da NASA usa a mesma câmara - chamada MAHLI (Mars Hand Lens Imager) nesse veículo - para ciência e para tirar selfies.
Mas, quando combinada com o SHERLOCK, a WATSON pode fazer ainda mais: a equipa pode mapear com precisão as descobertas do SHERLOC sobre as imagens da WATSON a fim de ajudar a revelar como as diferentes camadas minerais se formam e se sobrepõem. Também podem combinar os mapas minerais com dados de outros instrumentos - entre eles, o PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry) no braço robótico do Perseverance - para ver se uma rocha pode conter sinais de vida microbiana fossilizada.
Meteoritos e fatos espaciais
Qualquer instrumento científico exposto ao ambiente marciano por tempo suficiente está sujeito a mudanças, seja pelas variações extremas de temperatura, seja pela radiação do Sol e dos raios cósmicos. Os cientistas ocasionalmente têm que calibrar estes instrumentos, que fazem medindo as suas leituras em relação a alvos de calibração - essencialmente, objetos com propriedades conhecidas selecionados previamente para fins de verificação cruzada (por exemplo, o rover Curiosity utiliza uma moeda como alvo de calibração). Como os cientistas e engenheiros sabem com antecedência quais devem ser as leituras quando um instrumento está a funcionar corretamente, podem fazer os ajustes necessários.
Com mais ou menos o tamanho de um smartphone, o alvo de calibração do SHERLOC inclui 10 objetos, incluindo uma amostra de um meteorito marciano que viajou até à Terra e foi encontrado em 1999 no deserto de Omã. O estudo de como este fragmento de meteorito muda ao longo da missão ajudará os cientistas a entender as interações químicas entre a superfície do planeta e a sua atmosfera. A SuperCam, outro instrumento a bordo do Perseverance, também tem um pedaço de meteorito marciano como alvo de calibração.
Enquanto os cientistas enviam fragmentos de Marte novamente até à superfície do Planeta Vermelho para continuar os seus estudos, contam com o Perseverance para recolher dezenas de amostras de rocha e solo para futuro envio à Terra. As amostras que o veículo espacial recolher serão exaustivamente estudadas, com dados da paisagem onde se formaram, e vão incluir tipos de rochas diferentes dos meteoritos.
Ao lado do meteorito marciano estão cinco amostras de tecido de fatos espaciais e de material de capacete desenvolvido pelo Centro Espacial Johnson da NASA. O SHERLOC fará leituras destes materiais à medida que são afetados pela paisagem e pelo clima marciano ao longo do tempo, dando aos designers dos fatos uma melhor ideia de como se degradam. Quando os primeiros astronautas pisarem Marte, poderão muito bem ter que agradecer ao SHERLOC pelos fatos que os mantêm seguros.
O rover Perseverance pesa 1025 kg. A sua missão é procurar sinais de vida microbiana passada. Independentemente do dia de lançamento, cuja janela vai de 17 julho a 11 de agosto, aterrará na Cratera Jezero no dia 18 de fevereiro de 2021.
ESPRESSO confirma ExoTerra mais próxima (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Num estudo aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics, uma equipa internacional, que conta com a participação de vários investigadores do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), confirmou a existência do exoplaneta Proxima b, graças a dados do espectrógrafo ESPRESSO. Ler fonte
MAVEN mapeia correntes elétricas em torno de Marte que são fundamentais para a perda atmosférica (via NASA)
Cinco anos após a sonda MAVEN da NASA ter entrado em órbita de Marte, dados da missão levaram à criação de um mapa dos sistemas de correntes elétricas na atmosfera marciana. Ler fonte
Álbum de fotografias - A Terra e a Lua Através dos Anéis de Saturno
O que são aqueles pontos entre os anéis de Saturno? A nossa Terra e a Lua. Há pouco mais de três anos, dado que o Sol foi temporariamente bloqueado pelo corpo de Saturno, a sonda robótica Cassini conseguiu observar diretamente o Sistema Solar interior. Aí, avistou a nossa Terra e a Lua - apenas pontos de luz a cerca de 1,4 mil milhões de quilómetros de distância. À direita da imagem em destaque está o anelA de Saturno, com a ampla Divisão de Encke à direita e a mais estreita Divisão de Keeler mais para o centro. À esquerda está o anel F de Saturno, em constante mudança. Desta perspetiva, a luz vista dos anéis de Saturno foi dispersa principalmente para a frente e, portanto, parecia iluminado de trás. Depois de mais de uma década de exploração e descoberta, a sonda Cassini ficou sem combustível em 2017 e foi direcionada para entrar na atmosfera de Saturno, onde certamente foi desintegrada.
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