Dia 09/06: 161.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1812 nascia Johann Gottfried Galle, astrónomo alemão, que foi o primeiro a observar Neptuno sabendo do que se tratava.
Galle é também conhecido por ter sido assistente de Encke e foi um dos poucos astrónomos a observar o cometa Halley duas vezes - morrendo dois meses depois do cometa ter passado o periélio em 1910. Observações: Após o anoitecer, Vega domina o céu a este. Um pouco para baixo e para a esquerda está Epsilon Lyrae, de 4.ª magnitude, o famoso Duplo Duplo. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, praticamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado.
Uns binóculos facilmente resolvem Epsilon. E um telescópio de 4 polegadas com uma ampliação de 100x ou mais deverá resolver cada das componentes de Epsilon num par íntimo.
Zeta Lyrae também é uma estrela dupla binocular; muito mais próxima e difícil, mas
observável com telescópio.
E Delta Lyrae, por baixo de Zeta, é um par mais largo e fácil de observar.
Dia 10/06: 162.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1973, lançamento do Explorer 49, que foi colocado em órbita lunar e tinha o objetivo de recolher medições dos planetas, do Sol e da Galáxia no rádio.
Em 2003 era lançado o rover Spirit, começando a missão Mars Exploration Rover da NASA. Em Marte, operou durante largos anos, até que deixou de contactar com a Terra em março de 2010. Observações: Arcturo, de magnitude zero - a mesma que Vega - brilha com um pálido tom amarelo-alaranjado bem alto a sul. A forma de "papagaio-de-papel" da sua constelação, Boieiro, extende-se para cima de Arcturo. O papagaio-de-papel é estreito, um pouco dobrado, e com 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.
Para este (esquerda) de Boieiro está Coroa Boreal. Só tem uma estrela de brilho modesto, Alphecca, de magnitude 2: é a jóia da Coroa.
Dia 11/06: 163.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.
Em 1867, nascia Charles Fabry, físico francês que se especializou em ótica e interferometria. Em 1913, demonstrou que o ozono na atmosfera superior é responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol.
Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe.
Em 2008, lançamento do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi.
Em 2013, lançamento do Shenzhou 10, a quinta missão tripulada da China e a segunda e última até ao laboratório espacial Tiangong-1, com 3 taikonautas a bordo e duração de 15 dias. Observações: Neptuno na sua quadratura oeste, pelas 10:20.
A Ursa Maior está alta a noroeste depois do anoitecer. As estrelas-guia, atualmente as suas estrelas mais baixas, apontam para baixo e para a direita em direção à Estrela Polar. Para cima da Polar está Kochab, muito parecida,
correspondente à extremidade da "frigideira" da Ursa Menor.
Kochab está precisamente por cima da Estrela Polar. Consegue determinar a hora deste evento, talvez usando o lado vertical de um edifício? A cada dia ocorre 4 minutos mais cedo, como tudo o que diz respeito às estrelas.
Kochab
Curiosidades
O Telescópio Green Bank é o maior radiotelescópio dirigível e a maior estrutura terrestre móvel do mundo.
Uma "Terra" e um "Sol" vistos ao espelho
Entre os mais de 4000 exoplanetas conhecidos, KOI-456.04 é um tanto ou quanto especial: com pouco menos do dobro do tamanho da Terra, orbita uma estrela parecida com o Sol. E fá-lo a uma distância que pode permitir temperaturas planetárias à superfície favoráveis à vida. O objeto foi descoberto por uma equipa liderada pelo Instituto Max Planck para Investigação do Sistema Solar em Gotinga, Alemanha.
Telescópios espaciais como CoRoT, Kepler e TESS permitiram aos cientistas a descoberta de cerca de 4000 exoplanetas (planetas em torno de estrelas distantes) nos últimos 14 anos. A maioria destes planetas é do tamanho do gigante gasoso Neptuno, com aproximadamente quatro vezes o tamanho da Terra, e em órbitas relativamente próximas das suas estrelas hospedeiras. Mas os cientistas também descobriram alguns exoplanetas tão pequenos quanto a Terra que podem, potencialmente, ser rochosos. E um punhado desses pequenos planetas também estão à distância certa da estrela-mãe para potencialmente terem temperaturas superficiais moderadas para a presença de água líquida - o ingrediente essencial para a vida na Terra. "A imagem completa da habitabilidade, no entanto, envolve também uma análise das qualidades da estrela", explica o Dr. René Heller, cientista do Instituto Max Planck e autor principal do novo estudo. Até agora, quase todos os exoplanetas com menos do dobro do tamanho da Terra e com potencial para temperaturas superficiais moderadas estão em órbita de anãs vermelhas.
Mundos distantes: os típicos exoplanetas que orbitam estrelas parecidas com o Sol têm o tamanho de Neptuno e encontram-se na zona habitável (terceira imagem). Quase todos os exoplanetas do tamanho da Terra, que se sabe terem superfícies potencialmente tipo-Terra, estão em órbita de anãs vermelhas (quarta imagem). A Terra está à distância ideal do Sol para as suas temperaturas permitirem água líquida à superfície. O recém-descoberto candidato a planeta, KOI-456.04, e a sua estrela Kepler-160 (segunda imagem), têm características muito parecidas com a Terra e com o Sol.
Crédito: MPS/René Heller
As estrelas anãs vermelhas são conhecidas por terem vidas extremamente longas. A vida num exoplaneta em órbita de uma estrela anã vermelha velha pode ter tido o dobro do tempo que a vida na Terra para se formar e evoluir. Mas a radiação de uma anã vermelha é principalmente infravermelha, em de luz visível. Muitas anãs vermelhas são também notórias por emitir explosões altamente energéticas e por "fritar" os seus planetas, que mais tarde se tornariam habitáveis. Além disso, o seu brilho mais fraco requer que um planeta habitável esteja tão perto da estrela que a gravidade estelar começa a deformar substancialmente o planeta. O aquecimento de marés resultante pode provocar um vulcanismo global fatal. Tudo combinado, a habitabilidade dos planetas em torno de anãs vermelhas é muito debatida na comunidade científica.
No seu novo artigo científico, a equipa de cientistas do Instituto Max Planck, do Observatório Sonneberg, da Universidade de Gotinga, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e da NASA relata agora a descoberta um candidato a planeta com menos do dobro do tamanho da Terra e com uma iluminação moderada de uma estrela parecida com o Sol. A uma distância de pouco mais de 3000 anos-luz do Sistema Solar, a estrela Kepler-160 estava localizada no campo de visão da missão principal do Kepler e foi observada continuamente de 2009 a 2013. Com 1,1 raios solares, a sua temperatura superficial de 5200º (menos 300º que o Sol), e a sua luminosidade estelar muito parecida com a do Sol fazem dela um retrato astrofísico da nossa própria estrela-mãe.
Sabemos que Kepler-160 alberga planetas há cerca de seis anos, Kepler-160 b e Kepler-160 c. Ambos os planetas são substancialmente maiores que a Terra e em órbitas relativamente próximas da sua estrela. As suas temperaturas superficiais certamente os tornariam mais quentes que um forno e tudo menos hospitaleiros para a vida como a conhecemos. Mas pequenas variações no período orbital do planeta Kepler-160c deram aos cientistas a assinatura de um terceiro planeta que ainda não havia sido confirmado.
A equipa de cientistas alemães e norte-americanos regressou agora aos dados de arquivo de Kepler-160 recolhidos pelo telescópio Kepler para procurar planetas adicionais em redor daquela estrela e verificar a origem planetária do objeto que perturbava a órbita de Kepler-160 c. Heller e colegas haviam conseguido encontrar um total de 18 exoplanetas em dados antigos do Kepler.
Na caça exoplanetária, os cientistas geralmente procuram variações repetidas no brilho estelar. Estas diminuições temporárias, geralmente apenas 1% ou menos em relação ao brilho estelar aparente, podem ser provocadas por planetas que, da perspetiva da Terra, transitam os discos das suas estrelas hospedeiras. A ideia principal de Michael Hippke, coautor do novo trabalho, e de Heller, era usar um modelo físico detalhado da variação do brilho estelar em vez de procurar uma queda de brilho e posterior aumento de volta ao normal em curvas de luz estelares. Esta aproximação foi a técnica de pesquisa padrão durante quase duas décadas. "A nossa melhoria é particularmente importante na procura de pequenos planetas do tamanho da Terra," explica Heller. "O sinal planetário é tão fraco que está quase totalmente oculto no ruído dos dados. A nossa nova máscara de investigação é um pouco melhor a separar um verdadeiro sinal exoplanetário do ruído nos casos mais críticos," acrescenta Heller.
O seu novo algoritmo de busca foi crucial para a descoberta do novo candidato a planeta em trânsito, KOI-456.04. "A nossa análise sugere que Kepler-160 é orbitado não por dois, mas por um total de quatro planetas," resume Heller no seu novo estudo. Um dos dois planetas que Heller e colegas encontraram é Kepler-160 d, o planeta anteriormente suspeito, responsável pela órbita distorcida de Kepler-160c. Kepler-160d não mostra nenhum trânsito na cuva de luz da estrela e, portanto, foi confirmado indiretamente. O outro planeta, formalmente um candidato a planeta, é KOI-456.04, provavelmente um planeta em trânsito com 1,9 vezes o raio da Terra e um período orbital de 378 dias. Dada a sua estrela-mãe parecida com o Sol, o período orbital muito parecido ao da Terra resulta numa insolação muito parecida à da Terra - tanto em termos da quantidade de luz recebida quanto da cor da luz. Assim sendo, KOI-456.04 está situado na zona habitável da estrela - a gama de distâncias em torno de uma estrela que permite água líquida à superfície de um planeta parecido com a Terra - que é comparável à posição da Terra em redor do Sol.
"KOI-456.04 é relativamente grande quando comparado com muitos outros planetas considerados potencialmente habitáveis. Mas é a combinação deste tamanho inferior ao dobro do planeta Terra e a sua estrela hospedeira do tipo solar que o torna tão especial e familiar," clarifica Heller. Como consequência, as condições à superfície de KOI-456.04 podem ser semelhantes às conhecidas na Terra, desde que a sua atmosfera não seja muito espessa e não muito diferente da da Terra. Se KOI-456.04 tiver uma atmosfera quase inerte com um efeito de estufa semelhante ao da Terra, então a sua temperatura superficial será em média de 5º C, cerca de dez graus abaixo da temperatura global média da Terra.
Atualmente, não se pode descartar completamente que KOI-456.04 é um acaso estatístico ou um erro sistemático de medição, em vez de um planeta genuíno. A equipa estima que as chances de natureza planetária de KOI-456.04 rondem os 85% pró-planeta. A classificação definitiva como planeta requer 99%. Embora alguns dos telescópios terrestres mais poderosos da Terra possam validar este candidato com observações de um dos seus próximos trânsitos, também tem boas hipóteses que a missão espacial PLATO da ESA seja capaz de uma confirmação. O lançamento do PLATO está previsto para 2026 e um dos seus objetivos científicos principais é a descoberta de planetas do tamanho da Terra em torno de estrelas semelhantes ao Sol. Se o PLATO estiver orientado de forma a observar novamente o campo de visão da missão principal do Kepler, KOI-456.04 poderá ser confirmado e estudado com ainda mais detalhe.
Astrónomos encontram agulha cósmica "enterrada" durante duas décadas; descoberta lança luz sobre o famoso anel de Einstein
Determinados a encontrar uma agulha num "palheiro cósmico", dois astrónomos "viajaram no tempo" através de arquivos de dados do Observatório W. M. Keck em Mauna Kea, Hawaii, e dados antigos do Observatório de raios-X Chandra da NASA para desvendar um mistério em torno de um quasar brilhante, mas muito obscurecido, que sofre efeito de lente gravitacional.
Este objeto celeste, uma galáxia ativa que emite enormes quantidades de energia devido a um buraco negro que devora material, é excitante. Encontrar um que sofre o efeito de lente gravitacional, fazendo com que pareça maior e mais brilhante, é ainda mais excitante. Embora sejam conhecidos pouco mais de 200 quasares que sofrem efeitos de lentes gravitacionais, o número de quasares obscurecidos e que sofrem efeitos de lentes gravitacionais ainda é inferior a 10. Isto porque o buraco negro ativo agita gás e poeira, encobrindo o quasar e dificultando a deteção em levantamentos óticos.
Os cientistas não somente encontraram um quasar deste tipo, como também chegaram à conclusão que o objeto é o primeiro anel de Einstein descoberto, chamado MG 1131+0456, observado em 1987 com o VLA (Very Large Array) no estado norte-americano do Novo México. Notavelmente, embora amplamente estudado, a distância ou desvio para o vermelho do quasar permanecia por descobrir.
Imagem rádio de MG 1131+0456, o primeiro anel de Einstein conhecido observado em 1987 usando o VLA (Very Large Array).
Crédito: VLA
"À medida que estudámos o objeto, ficámos surpresos por uma fonte tão famosa e brilhante nunca ter tido a sua distância medida," disse Daniel Stern, cientista sénior do JPL da NASA e autor do estudo. "A distância é um primeiro passo necessário para todos os tipos de estudos adicionais, como por exemplo usar a lente como ferramenta para medir a história da expansão do Universo e como sonda para a matéria escura."
Stern e o coautor Dominic Walton, do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge (Reino Unido), são os primeiros a calcular a distância do quasar, que está a 10 mil milhões de anos-luz (ou um desvio para o vermelho de z=1,849).
O resultado foi publicado na edição de 1 junho da revista The Astrophysical Journal Letters.
"Todo este trabalho foi um pouco nostálgico para mim, fazendo com que me debruçasse nos artigos do início da minha carreira, quando ainda era estudante. O Muro de Berlim ainda estava em pé quando este anel de Einstein foi descoberto, e todos os dados apresentados no nosso artigo são do milénio passado," disse Stern.
Metodologia
Na altura da sua investigação, os telescópios de todo o mundo estavam encerrados devido à pandemia de coronavírus (o Observatório Keck reabriu a 16 de maio); Stern e Walton aproveitaram o seu tempo em casa para continuar a fazer ciência de modo criativo, vasculhando os dados do WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA para procurar quasares muito obscurecidos e que sofriam efeitos de lentes gravitacionais. Embora a poeira oculte as galáxias mais ativas em levantamentos óticos, essa poeira obscurante torna as fontes muito brilhantes em levantamentos infravermelhos, como os fornecidos pelo WISE.
Embora os quasares geralmente estejam muito distantes, os astrónomos podem detetá-los através de lentes gravitacionais, um fenómeno que atua como uma lupa natural. Isto ocorre quando uma galáxia mais próxima da Terra age como lente e faz o quasar por trás dela parecer mais brilhante. O campo gravitacional da galáxia mais próxima distorce o próprio espaço, dobrando e amplificando a luz do quasar de fundo. Se o alinhamento for perfeito, isto cria um círculo de luz chamado anel de Einstein, previsto por Albert Einstein em 1936. Mais tipicamente, as lentes gravitacionais produzem várias imagens do objeto de fundo em torno do objeto de primeiro plano.
Exemplos de lentes gravitacionais, especificamente do tipo anel de Einstein, fotografadas com o Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: NASA/ESA/equipa do Levantamento SLACS: A. Bolton (Harvard/Smithsonian), S. Burles (MIT), L. Koopmans (Kapteyn), T. Treu (UCSB), L. Moustakas (JPL/Caltech)
Assim que Stern e Walton redescobriram MG 1131+0456 com o WISE e se aperceberam que a distância permanecia um mistério, vasculharam meticulosamente os dados antigos do Arquivo do Observatório Keck e descobriram que o Observatório observou o quasar sete vezes entre 1997 e 2007 usando o instrumento LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do telescópio Keck I, bem como com o NIRSPEC (Near-Infrared Spectrograph) e com o ESI (Echellette Spectrograph and Imager) do telescópio Keck II.
"Conseguimos extrair a distância do conjunto de dados mais antigo do Keck, obtido em março de 1997, durante os primeiros anos do observatório," disse Walton. "Estamos gratos pelos esforços colaborativos do Keck e da NASA, de disponibilizar publicamente mais de 25 anos de dados do Keck. O nosso artigo científico não teria sido possível sem isso."
A equipa também analisou dados de arquivo do Observatório de raios-X Chandra da NASA obtidos no ano 2000, no primeiro ano após o lançamento da missão.
Os próximos passos
Agora com a distância conhecida de MG 1131+0456, Walton e Stern foram capazes de determinar a massa da galáxia que sofre efeito de lente gravitacional com precisão requintada e de usar os dados do Chandra para confirmar com robustez a natureza obscurecida do quasar, determinando com precisão a quantidade de gás que existe entre nós e as suas regiões centrais luminosas.
"Podemos agora descrever completamente a geometria única e fortuita deste anel de Einstein," disse Stern. "Isto permite-nos elaborar estudos de acompanhamento, por exemplo com o Telescópio Espacial James Webb, para estudar as propriedades da matéria escura da galáxia que atua como lente."
"O nosso próximo passo é encontrar quasares que sofrem efeito de lente gravitacional ainda mais obscurecidos do que MG 1131+0456," disse Walton. "Encontrar estas 'agulhas' será ainda mais difícil, mas estão lá fora, à espera de serem descobertas. Estas joias cósmicas podem dar-nos uma compreensão mais profunda do Universo, incluindo mais informações sobre como os buracos negros supermassivos crescem e influenciam os seus arredores," diz Walton.
Primeiras medições óticas das Bolhas de Fermi sondam a sua origem
Astrónomos usaram o telescópio WHAM para medir fluxos enormes de gás que se estendem do centro da Via Láctea, fluxos estes conhecidos como Bolhas de Fermi. Foram capazes de medir a velocidade, densidade e a pressão do gás pela primeira vez, confirmando e estendendo medições anteriores feitas usando um quasar distante como fonte de luz para observar através e medir o gás.
Crédito: Dhanesh Krishnarao e NASA
Usando o telescópio WHAM (Wisconsin H-Alpha Mapper), astrónomos mediram pela primeira vez as bolhas de Fermi no espetro de luz visível. As Bolhas de Fermi são dois enormes fluxos de gás altamente energético que emanam da Via Láctea e a descoberta refina a nossa compreensão das propriedades destas bolhas misteriosas.
A equipa de investigação da Universidade de Wisconsin-Madison, da Universidade de Wisconsin-Whitewater e da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle mediu a emissão de luz do hidrogénio e do azoto nas Bolhas de Fermi na mesma posição que as recentes medições de absorção ultravioleta feitas pelo Telescópio Hubble.
"Combinámos estas duas medições de emissão e absorção para estimar a densidade, pressão e temperatura do gás ionizado, e isso permite-nos entender melhor de onde vem este gás," diz Dhanesh Krishnarao, autor principal do novo estudo e estudante de astronomia na Universidade de Wisconsin-Madison.
Os investigadores anunciaram os seus achados no passado dia 3 de junho durante a 236.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, realizada online pela primeira vez desde 1899 em resposta à pandemia de COVID-19. O trabalho foi financiado pela NSF (National Science Foundation).
Estendendo-se 25.000 anos-luz acima e abaixo do centro da Via Láctea, as Bolhas de Fermi foram descobertas em 2010 pelo Telescópio de Raios-Gama Fermi. Estes fluxos ténues, mas altamente energéticos de gás estão a fugir do centro da Via Láctea a milhões de quilómetros por hora. Mas enquanto o fenómeno foi inferido como tendo origem há vários milhões de anos, os eventos que produziram as bolhas permanecem um mistério.
Agora, com novas medições da densidade e da pressão do gás ionizado, os cientistas podem testar modelos das Bolhas de Fermi contra observações.
"A outra coisa importante é que agora temos a possibilidade de medir a densidade, a pressão e a estrutura de velocidade em muitos locais," com o telescópio WHAM, diz Bob Benjamin, professor de astronomia da Universidade de Wisconsing-Whitwater e coautor do estudo. "Podemos fazer um extenso esforço de mapeamento através das Bolhas de Fermi acima e abaixo do plano da Via Láctea para ver se os modelos desenvolvidos correspondem à realidade. Porque, ao contrário dos dados ultravioletas, não estamos limitados apenas a linhas de visão específicas."
Matt Haffner, professor de física e astronomia da Universidade Aeronáutica Embry-Riddle e coautor do artigo científico, diz que o trabalho demonstra a utilidade do telescópio WHAM, desenvolvido na Universidade de Wisconsin-Madison, para nos contar mais sobre o funcionamento da Via Láctea. A região central da nossa Galáxia tem sido difícil de estudar por causa do gás que bloqueia a nossa visão, mas o WHAM forneceu novas oportunidades para reunir o tipo de informação que temos para galáxias distantes.
"Existem regiões da galáxia que podemos observar com instrumentos muito sensíveis como o WHAM para obter este tipo de informação nova para o centro que anteriormente só conseguíamos fazer no infravermelho e no rádio," diz Haffner. "Podemos comparar com outras galáxias, fazendo o mesmo tipo de medição em direção ao centro da Via Láctea."
Astrónomos descobrem alvo elusivo escondido por trás de poeira (via NRAO)
Astrónomos, agindo sobre um pressentimento, provavelmente resolveram um mistério sobre estrelas jovens ainda em formação e sobre regiões ricas em moléculas orgânicas que rodeiam intimamente algumas delas. Usaram o VLA para revelar uma dessas regiões que anteriormente havia escapado à deteção, e essa revelação respondeu a uma pergunta de longa data. Ler fonte
Cientistas dizem que chance de encontrar jovens planetas parecidos com a Terra é mais alta do que se pensava (via Universidade de Sheffield)
Uma investigação da Universidade de Sheffield descobriu que a probabilidade de encontrar planetas parecidos com a Terra, nos seus estágios iniciais de formação, é muito mais alta do que se pensava anteriormente. Os investigadores, que estudaram estes jovens planetas tipo-Terra chamados planetas de oceanos de magma, dizem que a sua investigação será vital para compreender como é que planetas habitáveis como a Terra se formam. Ler fonte
Porque é que Vénus está rodeado por um anel brilhante? Às vezes chamado anel de fogo, este anel raro é provocado pela luz do Sol que é visível em torno de um objeto. Geralmente visto em redor da Lua durante um eclipse solar anular, o anel de fogo também é visível quando Vénus ou Mercúriocruzam a face do nosso Sol. Nesta foto, tirada na semana passada, Vénus não passou diretamente em frente do Sol - o anel atmosférico completo foi provocado por luz solar refratada pela atmosfera espessa de Vénus. Vénus passou a 1º do Sol durante a sua conjunção inferior, enquanto se movia do céu noturno para o céu diurno. O brilho extremo do Sol dificultou a captura dessa imagem - a imagem em destaque só foi possível usando um filtro temporário para bloquear a luz solar direta. A imagem foi capturada a partir de Thorton, Leicestershire, Reino Unido. O brilho penetrante do céu azul indica que a imagem foi na verdade obtida durante o dia.
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