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  Astroboletim #1697  
  12/06 a 15/06/2020  
     
 
Efemérides

Dia 12/06: 164.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1843, nascia David Gill, astrónomo escocês, famoso pela sua medição de distâncias astronómicas. Redeterminou a distância ao Sol com um grau de precisão tão elevado que o valor foi usado em almanaques até 1968.
Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra. 

Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos.
Observações: Mercúrio permanece para baixo de Pollux e Castor ao lusco-fusco, mas desceu agora para magnitude 1,3. Corresponde a menos de metade do brilho de Procyon, magnitude 0,4.

Dia 13/06: 165.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).

Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteroide 25143 Itokawa, regressa à Terra.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 07:24. Se observar o céu antes do amanhecer, poderá ver o nosso satélite natural acompanhado do planeta Marte (o ponto brilhante acima) a sudeste. Mais para a direita a sul-sudoeste, o planeta Saturno e o planeta Júpiter formam um grupo razoavelmente íntimo entre Capricórnio e Sagitário.

Dia 14/06: 166.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1627, nascia Johann Abraham Ihle, astrónomo amador alemão que descobriu o primeiro enxame globular, M22, no dia 26 de agosto de 1665, enquanto observava Saturno em Sagitário.
Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency). 
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de outubro de 1967).
Em 1975, lançamento da Venera 10, uma sonda soviética com destino Vénus.

Chegou ao planeta no dia 25 de outubro de 1975. O módulo de aterragem transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana. 
Em 2002, o asteroide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua.
Em 2015, a supernova ASASSN-15lh é vista por dois telescópios operados pelo ASASSN (All Sky Automated Survey for SuperNovae) e torna-se o caso mais extremo, até agora, de uma supernova superluminosa.
Observações: À medida que contamos os últimos dias de primavera, o grande Triângulo de Verão brilha alto e imponente a este após o cair da noite. A sua estrela de topo é Vega. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega, a 2 ou 3 punhos à distância do braço esticado. Procure Altair a uma maior distância mas para baixo e para a direita de Vega. Se tiver acesso a um céu escuro o suficiente, a Via Láctea atravessa a parte inferior do Triângulo.

Dia 15/06: 167.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 763 AC, os assírios registam um eclipse solar que é mais tarde usado para corrigir a cronologia da história da Mesopotâmia.
Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço.

A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona.
Observações: Será que consegue observar o grande enxame estelar de Cabeleira de Berenice? Será que é a poluição luminosa que o esconde, ou não sabe exatamente onde procurar? Está atualmente a oeste depois do anoitecer; procure a cerca de 40% do caminho entre Denébola (cauda de Leão) e o fim da "pega" da "frigideira" de Ursa Maior. Os seus membros mais brilhantes formam um Y invertido. O enxame mede mais ou menos 5º em largura - um brilho grande mas ténue que pode ser observado, no mínimo, com um céu moderadamente escuro. As suas estrelas dispersas preenchem quase um campo de visão binocular.

 
     
 
Curiosidades


Todos os anos 40.000 toneladas de matéria do espaço é acrescentada à massa do planeta Terra. Esta matéria vem do espaço sobre a forma de asteroides, meteoróides, poeira interplanetária e detritos cometários.

 
 
   
Titã afasta-se de Saturno mais depressa do que se pensava
 
Maior do que o planeta Mercúrio, a lua Titã é aqui vista enquanto orbita Saturno. Por baixo de Titã encontram-se as sombras dos anéis de Saturno. Esta composição a cores naturais foi criada combinando seis imagens obtidas pela sonda Cassini da NASA no dia 6 de maio de 2012.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SSI
 

Assim como a nossa própria Lua afasta-se da Terra um pouco mais a cada ano, outras luas também o fazem com os seus planetas hospedeiros. À medida que uma lua orbita, a sua gravidade puxa o planeta, provocando uma protuberância temporária no planeta à medida que passa.

Com o tempo, a energia criada pelo abaulamento e diminuição é transferida do planeta para a lua, empurrando-a para cada vez mais longe. A nossa Lua afasta-se da Terra cerca de 3,8 centímetros por ano.

Os cientistas pensavam que sabiam a velocidade com que a lua gigante Titã se afastava de Saturno, mas recentemente fizeram uma descoberta surpreendente: usando dados da sonda Cassini da NASA, descobriram que Titã afasta-se cem vezes mais depressa - 11 centímetros por ano.

Os resultados podem ajudar a resolver uma questão antiga. Embora os cientistas saibam que Saturno se formou há 4,6 mil milhões de anos, nos primeiros dias do Sistema Solar, há mais incerteza sobre quando os anéis do planeta e o seu sistema de mais de 80 luas se formaram. Titã está atualmente a 1,2 milhões de quilómetros de Saturno. O ritmo revisto da sua deriva sugere que a lua começou muito mais perto de Saturno, o que significaria que todo o sistema se expandiu mais depressa do que se pensava anteriormente.

"Este resultado traz com ele uma nova e importante peça do quebra-cabeças que é a altamente debatida idade do sistema de Saturno e da formação das suas luas," disse Valery Lainey, autor principal do trabalho publicado dia 8 de junho na revista Nature Astronomy. Ele levou a cabo a sua investigação como cientista no JPL da NASA, no sul da Califórnia, antes de ingressar no Observatório de Paris da Universidade de Ciências e Letras de Paris.

Compreendendo a migração da lua

As descobertas sobre o ritmo de afastamento de Titã também são importantes para a confirmação de uma nova teoria que explica e prevê como os planetas afetam as órbitas das suas luas.

Ao longo dos últimos 50 anos, os cientistas têm aplicado as mesmas fórmulas para estimar a rapidez com que uma luz se afasta do seu planeta, um ritmo que também pode ser usado para determinar a idade da lua. Estas fórmulas e as teorias clássicas nas quais se baseiam foram aplicadas a luas grandes e pequenas por todo o Sistema Solar. As teorias assumiam que em sistemas como o de Saturno, com dúzias de luas, as luas mais exteriores, como Titã, migravam para fora mais lentamente do que luas mais próximas porque estão mais afastadas da gravidade do planeta hospedeiro.

Há quatro anos, o astrofísico teórico Jim Fuller, agora no Caltech, publicou uma investigação que derrubou essas teorias. A teoria de Fuller previa que as luas exteriores podem migrar para fora a um ritmo idêntico ao das luas interiores porque ficam presas num tipo diferente de padrão orbital que se liga à oscilação específica de um planeta e as lança para fora.

"As novas medições implicam que este tipo de interação planeta-lua pode ser mais proeminente do que as expetativas anteriores e podem ser aplicadas a muitos sistemas, como outros sistemas planetários com luas, exoplanetas - aqueles para lá do Sistema Solar - e até sistemas estelares binários, onde as estrelas se orbitam uma à outra," disse Fuller, coautor do novo artigo.

Para alcançar os seus resultados, os autores mapearam estrelas no plano de fundo de imagens da Cassini e rastrearam a posição de Titã. Para confirmar os seus achados, compararam-nos com um conjunto de dados independente: dados de ciência rádio obtidos pela Cassini. Durante dez voos rasantes entre 2006 e 2016, o orbitador enviou ondas de rádio para a Terra. Os cientistas estudaram como a frequência do sinal foi alterada pelas suas interações com o ambiente em seu redor a fim de estimar a evolução da órbita de Titã.

"Usando dois conjuntos de dados completamente diferentes, obtivemos resultados que estão totalmente de acordo e também de acordo com a teoria de Jim Fuller," que previa uma migração muito mais rápida de Titã," disse o coautor Paolo Tortora, da Universidade de Bolonha, na Itália. Tortora é um membro da equipa de Ciência Rádio da Cassini e trabalhou na investigação com o apoio da Agência Espacial Italiana.

A Cassini foi uma sonda que observou Saturno durante mais de 13 anos de esgotar o seu combustível. A missão mergulhou na atmosfera do planeta em setembro de 2017, em parte para proteger a lua Encélado, que a Cassini descobriu poder albergar condições adequadas para a vida.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Queen Mary University of London (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

 


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Saturno:
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Imagem revela protobinário no processo de formação
 

Ampliação da nuvem molecular de Ofíuco, realçando o sistema de formação estelar IRAS 16293-2422 com a protoestrela B no canto superior direito e agora as claramente identificadas protoestrelas A1 e A2 em baixo e à esquerda. O sistema binário também tem a sua própria ampliação.
Crédito: Instituto Max Planck; fundo - ESO/DSS2; Davide De Martin

 

Observações de alta resolução de um jovem sistema estelar ainda em formação revelam claramente um par de protoestrelas nos seus estágios iniciais de evolução profundamente enraizados na fonte IRAS 16293-2422 na nuvem molecular de Ofíuco. A equipa, liderada pelo Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, usou o interferómetro ALMA não apenas para determinar a configuração da fonte, mas também para medir a cinemática do gás e das estrelas, determinando a massa do jovem binário. As duas protoestrelas são um pouco mais massivas do que se pensava anteriormente e giram em torno uma da outra mais ou menos a cada 400 anos.

O sistema chamado IRAS 16293-2422 é uma das regiões de formação estelar mais brilhantes da nossa vizinhança cósmica. Está localizado na nuvem molecular de Ofíuco, a uma distância de aproximadamente 460 anos-luz e tem sido amplamente estudada, também porque mostra uma forte emissão de várias moléculas orgânicas complexas, constituindo os blocos de construção de espécies pré-bióticas. No entanto, até agora a configuração detalhada da região não era bem clara, com observações em vários comprimentos de onda mostrando várias fontes compactas em localizações ligeiramente diferentes. Esta confusão ocorreu devido à grande quantidade de material em frente das protoestrelas, como esperado nestes estágios iniciais de formação.

Uma equipa internacional de astrónomos liderada pelo Instituto Max Planck para Física Extraterrestre obteve agora observações rádio de alta resolução com o interferómetro ALMA, que revelam claramente duas fontes compactas A1 e A2 além da conhecida protoestrela B. "As nossas observações confirmam a localização das duas protoestrelas íntimas e revelam que cada uma é rodeada por um disco muito pequeno de poeira. Ambas, por sua vez, estão embebidas numa grande quantidade de material que mostra padrões complexos", comenta Maria José Maureira, autora principal do estudo.

A fonte A1 tem uma massa um pouco inferior a 1 massa solar e está embutida num pequeno disco de poeira do tamanho da cintura de asteroides; a fonte A2 tem uma massa de aproximadamente 1,4 sóis e está embutida num disco um pouco maior. Curiosamente, este disco em torno de A2 também aparece em ângulo em comparação com a orientação geral da estrutura maior da nuvem, enquanto o disco em torno da fonte B - a uma distância muito maior - é visto de frente, indicando uma história de formação bastante caótica.

 
Vista detalhada do sistema protoestelar binário com em comparação com o nosso Sistema Solar. A separação entre as fontes A1 e A2 é aproximadamente equivalente ao diâmetro da órbita de Plutão. O tamanho do disco em torno de A1 (não resolvido) é aproximadamente o tamanho da cintura de asteroides. O tamanho do disco de A2 corresponde mais ou menos ao diâmetro da órbita de Saturno.
Crédito: Instituto Max Planck
 

Além da observação direta da emissão de poeira, a equipa também obteve informações sobre o movimento do gás em torno das estrelas por meio de observações de linhas espectrais de moléculas orgânicas, que traçam bem a região de alta densidade em torno do sistema binário descoberto. Isto permitiu-lhes obter uma medição de massa independente e confirmar que A1 e A2 formam um par ligado.

Combinando as suas observações mais recentes com dados recolhidos nos últimos 30 anos, a equipa descobriu que as duas estrelas se orbitam uma à outra uma vez a cada 360 anos, a uma distância semelhante à órbita de Plutão, onde a órbita está inclinada cerca de 60º. "Esta é a primeira vez que conseguimos derivar os parâmetros orbitais completos de um sistema binário neste estágio tão inicial da sua formação," realça Jaime Peneda, também do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre, que contribuiu para a modelagem.

 
Movimento relativo de A1 (azul) em relação a A2 (vermelho) sobreposto na observação do ALMA. A impressão visual que A1 orbita em torno de A2 é confirmada através de uma análise detalhada do movimento das protoestrelas ao longo de quase 30 anos.
Crédito: Instituto Max Planck
 

"Com estes resultados, finalmente somos capazes de mergulhar num dos sistemas protoestelares mais jovens e incorporados, revelando a sua estrutura dinâmica e morfologia complexa, onde vemos claramente o material filamentar ligando os discos circunstelares à região circundante e, provavelmente, ao disco circumbinário. Os pequenos discos provavelmente ainda estão a ser alimentados e a crescer!" enfatiza Paola Caselli, diretora do Instituto Max Planck para Física Extraterrestre e líder do Centro para Estudos Astroquímicos. "Isto só foi possível graças à grande sensibilidade do ALMA e às observações de moléculas que traçam essas regiões densas. As moléculas enviam-nos sinais em frequências muito específicas e, após as alterações dessas frequências por toda a região (devido a movimentos internos), é possível reconstruir a cinemática complexa do sistema. É este o poder da astroquímica."

// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
09/06/2017 - ALMA descobre ingrediente da vida em torno de estrelas bebé do tipo solar
03/10/2017 - ALMA e Rosetta detetam freon-40 no espaço

IRAS 16293-2422:
Simbad
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Nuvem Molecular Rho Ophiuchi:
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
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ESO:
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Astrofísicos confirmam pedra angular da Teoria da Relatividade Geral de Einstein

Uma colaboração internacional de cientistas registou a confirmação mais precisa, até ao momento, de uma das pedras angulares da teoria da relatividade geral de Einstein, "a universalidade da queda livre".

A nova investigação mostra que a teoria é válida para objetos fortemente autogravitantes, como estrelas de neutrões. Usando um radiotelescópio, os cientistas podem observar com muita precisão o sinal produzido pelos pulsares, um tipo de estrela de neutrões e testar a validade da teoria da gravidade de Einstein para estes objetos extremos. Em particular, a equipa analisou os sinais de um pulsar chamado PSR J0337+1715 registados pelo grande radiotelescópio de Nançay, localizado no coração de Sologne (França).

 
Impressão de artista do pulsar e da sua companheira anã branca mais próxima com as suas órbitas e a segunda companheira no plano de fundo. O sistema não está à escala.
Crédito: Guillaume Voisin
 

A universalidade do princípio de queda livre afirma que dois corpos a caírem num campo gravitacional sofrem a mesma aceleração independentemente da sua composição. Isto foi demonstrado pela primeira vez por Galileu, que teria largado objetos de diferentes massas do topo da Torre de Pisa para verificar se ambos alcançavam o chão simultaneamente.

Este princípio também está no cerne da teoria da relatividade geral de Einstein. No entanto, algumas dicas, como a inconsistência entre a mecânica quântica e a relatividade geral, ou o enigma do domínio da matéria escura e da energia escura na composição do Universo, levaram muitos físicos a pensar que a relatividade geral pode não ser, afinal, a teoria final da gravidade.

As observações do Pulsar J0337+1715, que é uma estrela de neutrões com um núcleo estelar que tem 1,44 vezes a massa do Sol e que colapsou numa esfera com apenas 25 km de diâmetro, mostra que orbita duas anãs brancas que são muito mais fracas em termos de campo gravitacional. As descobertas, publicadas na revista Astronomy & Astrophysics, demonstra que a universalidade do princípio da queda livre está correta.

O Dr. Guillaume Voisin, da Universidade de Manchester, que liderou o estudo, disse: "O pulsar emite um feixe de ondas de rádio que varre o espaço. A cada volta, cria um flash de rádio que é registado com alta precisão pelo radiotelescópio de Nançay. À medida que o pulsar se move na sua órbita, o tempo de chegada da luz à Terra muda. É a medição precisa e a modelagem matemática, com uma precisão de nanossegundos, desses tempos de chegada, que permite aos cientistas inferir com precisão requintada o movimento da estrela de neutrões.

"Acima de tudo, é a configuração única desse sistema, semelhante ao sistema Terra-Lua-Sol, com a presença de uma segunda companheira (a desempenhar o papel do Sol) em direção à qual as duas outras estrelas "caem" (orbitam), que permitiu executar uma versão estelar da famosa experiência de Galileu na torre de Pisa. Dois corpos de composições diferentes caem com a mesma aceleração no campo gravitacional de um terceiro corpo."

 
PSR J0337+1715: ilustração do pulsar triplo de milissegundo com as suas duas anãs brancas companheiras. A "rede" verde ilustra a curvatura do espaço-tempo provocada por massas diferentes. O tamanho e as distâncias dos três componentes não estão à escala.
Crédito: Michael Kramer/Instituto Max Planck para Radioastronomia
 

As medições foram obtidas por uma equipa colaborativa da Universidade de Manchester, do Observatório de Paris, do CNRS Francês (Centre national de la recherche scientifique), do LPC2E (Laboratoire de Physique et de Chimie de l'Environnement et de l'Espace, Orleães, França), e do Instituto Max Planck para Radioastronomia. O pulsar orbita duas anãs brancas, uma das quais orbita o pulsar em apenas 1,6 dias a uma distância cerca de 10 vezes inferior à distância Mercúrio-Sol. Este sistema binário, um pouco como a Terra e a Lua no Sistema Solar, orbita uma terceira estrela, uma anã branca com 40% da massa do Sol, localizada pouco mais da distância que separa o sistema Terra-Lua do Sol.

No Sistema Solar, a Lunar-laser ranging experiment permitiu verificar que a Lua e a Terra são identicamente afetadas pelo campo de gravidade do Sol, conforme previsto pela universalidade da queda livre (o movimento orbital é uma forma de queda livre). No entanto, sabe-se que alguns desvios à universalidade podem ocorrer apenas para corpos fortemente autogravitantes, como estrelas de neutrões, que são objetos cuja massa é composta significativamente da sua própria energia gravitacional graças à famosa relação E=mc^2 de Einstein. A nova experiência de pulsar realizada pela equipa preenche a lacuna deixada pelos testes do Sistema Solar, onde nenhum objeto é fortemente autogravitante, nem mesmo o Sol.

A equipa demonstrou que o campo gravitacional extremo do pulsar não pode diferir em mais de 1,8 partes por milhão (com um nível de confiança de 95%) da previsão da relatividade geral. Este resultado é a confirmação mais precisa de que a universalidade da queda livre é válida mesmo na presença de um objeto cuja massa é em grande parte devida ao seu próprio campo de gravidade, apoiando assim a teoria da relatividade geral de Einstein.

// Universidade de Manchester (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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06/07/2018 - Até estrelas de neutrões fenomenalmente densas caem como uma pena

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Queda livre na relatividade geral (Wikipedia)

PSR J0337+1715:
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Estrelas de neutrões:
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Universidade de Maryland
Catálogo ATNF de Pulsares

Anãs brancas:
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NASA

Radiotelescópio de Nançay:
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Álbum de fotografias - Galáxia Espiral Barrada NGC 1300
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa do Legado HubbleESANASA
 
A enorme, linda, galáxia espiral barrada NGC 1300 situa-se a uns 70 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Erídano. Esta composição, pelo Telescópio Espacial Hubble, do espantoso universo-ilha é uma das maiores que o Hubble já fez de uma galáxia completa. NGC 1300 estende-se por mais de 100.000 anos-luz e a imagem revela espetaculares detalhes da barra central dominante da galáxia e dos seus majestosos braços espirais. De facto, com uma inspeção mais detalhada do núcleo desta espiral barrada clássica, pode-se observar uma impecável região de estruturas espirais com cerca de 3000 anos-luz de diâmetro. Tal como outras galáxias espirais, incluindo a nossa própria Via Láctea, pensa-se que NGC 1300 tenha no seu centro um buraco negro supermassivo.
 
   
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