É o título da próxima atividade do AstroClube do CCVAlg. Júpiter e o conjunto de fenómenos que o rodeia reflectem até nós (ou não) luz do Sol que lá chega. Que luz é essa e o que podemos descobrir nela?
O AstroClube tem por objetivo desenvolver uma componente didática mais importante que durante as observações das apresentações às estrelas, que são mais lúdicas.
Pretende-se que o AstroClube funcione como um "laboratório experimental" temático de astronomia. Assim, enquadram-se nesta filosofia uma cerca replicação do processo científico de descobertas na Astronomia, ou de exploração prática e "Hands-On" dos conceitos de astronomia.
Data: 15 ou 17 de outubro Hora: 20:00 horas
Público-alvo: Jovens e Adultos Preço: 30€ (5 sessões)
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 16/10: 290.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2012, é descoberto o exoplanetaAlpha Centauri Bb.
Em outubro de 2015, astrónomos publicaram um artigo científico que refuta a existência do planeta. Isto levou o autor principal do artigo original a voltar atrás no anúncio. Observações: Lua Nova, pelas 20:31.
Esta é a altura do ano em que a constelação em forma de "W", Cassiopeia, está razoavelmente alta no céu a nordeste, apoiada num dos seus lados - e quando, para a sua esquerda a norte, a pequena Ursa Menor estende-se para a esquerda da Polar.
Dia 17/10: 291.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1604, o astrónomo Johannes Kepler observa uma supernova na constelação de Ofíuco. Observações: Trânsito da sombra de Calisto, entre as 20:03 e as 00:56 (já de dia 18).
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:25 e as 00:44 (já de dia 18).
Dia 18/10: 292.º dia do calendário gregoriano. História: Em 320, Pappus de Alexandria, um filósofo grego, observa um eclipse do Sol e escreve um comentário no Almagest.
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus e torna-se na primeira a medir a atmosfera de outro planeta.
Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objetos gelados, conhecida como centauros, que reside no Sistema Solar exterior.
Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Em 2019, as astronautas da NASA Jessica Meir e Christina Koch fazem o primeiro passeio espacial totalmente realizado por mulheres, quando se aventuram fora da Estação Espacial Internacional para substituir um
controlador de energia. Observações: Saturno na sua quadratura este, pelas 14:42.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 15:30 e as 19:13.
Ocultação de Io, entre as 18:13 e as 20:35.
Eclipse de Io, entre as 19:32 e as 21:54.
Voltando novamente à constelação de Cassiopeia. O terceiro segmento do "W", contando a partir de cima, aponta quase diretamente para baixo. Estenda esse segmento duas vezes para baixo e encontrará o Enxame Duplo de Perseu. Este par de aglomerados de estrelas é fraco quando visto a olho nu sob um céu escuro (convém usar visão periférica), mas visível a partir de qualquer lado com binóculos. É esplêndido através de telescópios.
Dia 19/10: 293.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1900, Max Planck descobre uma nova teoria quântica (lei de Planck).
A sua teoria revoluciona a ciência.
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reações nucleares e da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Em 2014, o cometa Siding Spring passa a 140.000 km de Marte. Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 16:55 e as 19:14.
A fina Lua Crescente encontra-se muito baixa a sudoeste ao lusco-fusco. Observe Antares a tornar-se visível, um pouco para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural.
Curiosidades
Para fugir à atração gravitacional da Terra, um veículo precisa, teoricamente, de atingir uma velocidade de escape de 11,2 km/s.
Os picos montanhosos de Plutão, feitos de metano, são o inverso do processo cá na Terra
As montanhas descobertas em Plutão durante o "flyby" da nave New Horizons pelo planeta anão em 2015 estão cobertas por um manto de metano gelado, criando depósitos brilhantes impressionantemente parecidos aos das cadeias de montanhas cobertas de neve encontradas na Terra.
Plutão, visto a partir de dados obtidos pela sonda New Horizons em 2015, quando passou pelo planeta anão, e uma ampliação da cadeia montanhosa Pigafetta Montes. A colorização à direita indica as concentrações do metano gelado, com as concentrações mais altas a elevações mais altas a vermelho, diminuindo encosta abaixo até às concentrações mais baixas a azul.
Crédito: NASA/JHUAPL/SwRI e Centro de Pesquisa Ames/Daniel Rutter
Uma nova investigação conduzida por uma equipa internacional de cientistas, incluindo investigadores do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, no estado norte-americano da Califórnia, analisou dados da atmosfera e da superfície de Plutão obtidos pela New Horizons, usando simulações numéricas do clima do planeta anão a fim de revelar que estes picos gelados são formados por meio de um processo totalmente diferente do da Terra.
"É particularmente notável ver que duas paisagens muito semelhantes na Terra e em Plutão podem ser formadas por dois processos muito diferentes," disse Tanguy Bertrand, investigador pós-doutorado em Ames e autor principal do artigo científico que descreve estes resultados, publicado na revista Nature Communications. "Embora teoricamente objetos como a lua de Neptuno, Tritão, possam ter um processo semelhante, nenhum outro lugar no nosso Sistema Solar tem montanhas cobertas de gelo como estas além da Terra."
No nosso planeta, as temperaturas atmosféricas diminuem com a altitude, principalmente devido ao arrefecimento induzido pela expansão do ar em movimentos ascendentes. A atmosfera fria, por sua vez, arrefece as temperaturas à superfície. Quando um vento húmido se aproxima de uma montanha na Terra, o seu vapor de água arrefece e condensa-se, formando nuvens e, em seguida, a neve vista no topo das montanhas. Mas em Plutão acontece o oposto. A atmosfera do planeta anão na verdade fica mais quente à medida que a altitude aumenta, porque o gás metano que está mais concentrado a maior altitude absorve radiação solar. No entanto, a atmosfera é demasiado fina para impactar as temperaturas da superfície, que permanecem constantes. E, ao contrário dos ventos ascendentes da Terra, em Plutão dominam os ventos que viajam pelas encostas das montanhas abaixo.
Para entender como é que a mesma paisagem pode ser produzida com diferentes materiais e sob diferentes condições, os investigadores desenvolveram um modelo 3D do clima de Plutão no Laboratório de Meteorologia de Paris, França, simulando a atmosfera e a superfície ao longo do tempo. Eles descobriram que a atmosfera de Plutão tem mais metano gasoso a altitudes mais altas e mais quentes, permitindo que este gás sature, condense e congele diretamente nos picos das montanhas, sem formação de nuvens. A altitudes mais baixas, não há geada de metano porque existe menos metano gasoso, tornando impossível a condensação.
Este processo não só cria os picos gelados das montanhas de Plutão, como também características parecidas nas orlas das crateras. O misterioso terreno laminado que pode ser encontrado na região Tartarus Dorsa, ao redor do equador de Plutão, também é explicado por este ciclo.
"Plutão é realmente um dos melhores laboratórios naturais que temos para explorar os processos físicos e dinâmicos envolvidos quando compostos que regularmente fazem a transição entre os estados sólido e gasoso interagem com uma superfície planetária," disse Bertrand. "O 'flyby' da New Horizons revelou surpreendentes paisagens glaciais com as quais continuamos a aprender."
Planetas parecidos com a Terra costumam ter "guarda-costas"
Um grupo internacional de astrónomos, liderado por Martin Schlecker do Instituto Max Planck para Astronomia, descobriu que o arranjo de planetas rochosos, gasosos e gelados nos sistemas planetários aparentemente não é aleatório e depende apenas de algumas condições iniciais. O estudo, a ser publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, é baseado numa nova simulação que acompanha a evolução dos sistemas planetários ao longo de vários milhares de milhões de anos. Os sistemas planetários em torno de estrelas parecidas com o Sol, que produzem nas suas regiões interiores super-Terras com baixo teor de água e gás, formam-se muitas vezes com um planeta comparável ao nosso Júpiter numa órbita exterior. Estes planetas ajudam a manter objetos potencialmente perigosos longe das regiões internas.
Impressão artística de um sistema planetário com duas super-Terras e um Júpiter em órbita de uma estrela parecida com o Sol. As simulações mostram que os discos protoplanetários massivos, além de super-Terras com pequenas quantidades de gelo e gás, frequentemente formam um Júpiter frio nas regiões exteriores dos sistemas planetários.
Crédito: Departamento gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia
Os cientistas suspeitam que o planeta Júpiter desempenhou um papel importante no desenvolvimento da vida na Terra, porque a sua gravidade frequentemente desvia asteroides e cometas potencialmente perigosos das suas órbitas em direção à zona dos planetas rochosos de tal forma que reduz o número de colisões catastróficas. Esta circunstância, portanto, levanta repetidamente a questão de saber se tal combinação de planetas é bastante aleatória, ou se é um resultado comum da formação de sistemas planetários.
Super-Terras secas e Júpiteres frios
Cientistas do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha, da Universidade de Berna e da Universidade do Arizona encontraram fortes evidências de que os planetas rochosos semelhantes à Terra ocorrem visivelmente com frequência em conjunto com um planeta semelhante a Júpiter que está numa órbita mais larga. "Chamamos a estes gigantes gasosos Júpiteres frios. Crescem longe da estrela central, onde a água existe sob a forma de gelo," explica Martin Schlecker, estudante de doutoramento no Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, que liderou o estudo. Os planetas semelhantes à Terra estudados são os chamados super-Terras secas, isto é, planetas rochosos maiores e mais massivos do que a Terra, que têm apenas uma fina atmosfera e quase nenhuma água ou gelo. Povoam o interior, ou seja, a zona temperada dos sistemas planetários e são muito parecidos com a Terra, à exceção do seu tamanho. "Além disso, a Terra, apesar dos enormes oceanos e das regiões polares, tem uma fração de volume de água de apenas 0,12% do total, sendo um planeta seco", destaca Schlecker.
Encontrar um Júpiter frio juntamente com uma super-Terra rica em gelo na região interior é, portanto, quase impossível. Além disso, invólucros extensos e densos de gás são encontrados principalmente em super-Terras massivas.
Simulações fornecem informações sobre processos que são difíceis de medir
Estas conclusões são baseadas numa avaliação estatística de novas simulações de 1000 sistemas planetários que estão a evoluir num disco protoplanetário em torno de uma estrela semelhante ao Sol. Estas simulações são a mais recente conquista de uma colaboração de longa data entre a Universidade de Berna e o Instituto Max Planck para Astronomia com o objetivo de estudar as origens dos planetas segundo uma perspetiva teórica. Partindo de condições iniciais aleatórias, por exemplo as massas de gás e matéria sólida, o tamanho do disco e as posições das células-semente de novos planetas, os cientistas acompanharam o ciclo de vida destes sistemas ao longo de vários milhares de milhões de anos. "Durante as simulações, os embriões planetários recolheram material, cresceram para planetas, mudaram as suas órbitas, colidiram ou foram ejetados do sistema," descreve Christoph Mordasini, da Universidade de Berna e coautor do artigo científico, acerca dos processos simulados. Os sistemas planetários simulados eventualmente tinham planetas de diferentes tamanhos, massas e composições em diferentes órbitas em torno da estrela central.
Hubert Klahr, chefe do grupo de trabalho sobre a teoria de formação planetária do Instituto Max Planck para Astronomia, explica: "Estas simulações apoiam a investigação de sistemas exoplanetários, já que planetas como os Júpiteres frios requerem muito tempo para orbitar a sua estrela-mãe em órbitas largas". Isto torna difícil encontrá-los por meio de observação, de modo que a busca por exoplanetas não reflete de forma realista a composição real dos sistemas planetários. É mais provável que os astrónomos encontrem planetas de grande massa em órbitas próximas em torno de estrelas de baixa massa. "As simulações, por outro lado, são, em princípio, independentes destas limitações," acrescenta Klahr.
Observações e simulações não correspondem
"Nós queríamos verificar uma descoberta surpreendente após as observações feitas nos últimos anos de que os sistemas planetários com um Júpiter frio quase sempre contêm uma super-Terra", diz Schlecker. Por outro lado, cerca de 30% de todos os sistemas planetários nos quais as super-Terras se formam também parecem ter um Júpiter frio. Seria plausível esperar que os planetas massivos são mais propensos a perturbar os sistemas planetários durante a sua formação de tal forma que a formação de outros planetas saia prejudicada. No entanto, estes Júpiteres frios parecem estar suficientemente distantes do interior, de modo que a sua influência no desenvolvimento parece ser bastante pequena.
No entanto, a avaliação dos sistemas planetários simulados não pôde confirmar esta tendência. Apenas um-terço de todos os Júpiteres frios estava acompanhado por pelo menos uma super-Terra. Em adição, os astrónomos encontraram um Júpiter frio em apenas 10% de todos os sistemas planetários sintéticos com super-Terras. Assim, as simulações mostram que as super-Terras e os Júpiteres frios são apenas um pouco mais prováveis de ocorrerem juntos num sistema planetário do que se aparecessem sozinhos. Os cientistas atribuem este resultado a vários motivos.
Uma explicação tem a ver com o ritmo a que os planetas gasosos gradualmente migram para dentro. A teoria da formação planetária parece prever ritmos mais altos do que o observado, levando a uma maior acumulação de gigantes gasosos nas órbitas intermédias de distância. Nas simulações, estes "Júpiteres amenos" interferem com as órbitas interiores e fazem com que mais super-Terras sejam ejetadas ou mesmo colidam em colisões gigantescas. Com uma tendência um pouco inferior à dos planetas gasosos simulados migrarem, permaneceriam mais das super-Terras, o que seria mais compatível com as observações.
Simulações preveem descobertas futuras
Atualmente, as observações apenas distinguem aproximadamente entre os diferentes tipos de super-Terras, porque a sua caracterização exata exigiria medições precisas que dificilmente são possíveis com os instrumentos de hoje. No entanto, nas simulações do grupo de Berna-Heidelberg, isto é alcançado traçando o caminho de um planeta dentro do disco protoplanetário e dos seus encontros com outros planetas. "Descobrimos um excesso significativo de sistemas planetários contendo um Júpiter frio e pelo menos uma super-Terra seca, isto é, com pouca água ou gelo, e no máximo uma fina atmosfera," observa Schlecker. Uma comparação com dados observacionais é difícil, porque dos aproximadamente 3200 sistemas planetários conhecidos até à data, apenas 24 foram comprovados como comparáveis a tal constelação (termo utilizado no sentido figurado). No entanto, os resultados disponíveis estão de acordo. Por outro lado, dificilmente existem sistemas planetários onde super-Terras com uma alta proporção de gelo e um Júpiter frio podem ser encontrados simultaneamente.
Diagrama esquemático dos cenários de como, segundo as simulações analisadas, as super-Terras geladas (a) ou as super-Terras rochosas (pobres em gelo) se formam juntamente com um Júpiter frio (b). A massa do disco protoplanetário determina o resultado.
Crédito: Schlecker et al./Instituto Max Planck para Astronomia
Com base nestes achados, os astrónomos deste estudo desenvolveram um cenário que poderia explicar a formação destes tipos bastante diferentes de sistemas planetários. Como as simulações mostram, a constelação final é determinada principalmente pela massa do disco protoplanetário, ou seja, a quantidade de material disponível para a acreção de planetas.
Em discos com massa média, não há material suficiente para a região interior, mais quente, produzir super-Terras. Ao mesmo tempo, a quantidade é também muito pequena nas regiões exteriores para lá da "linha de neve", onde a água está presente na forma gelada e a proporção de pedaços de gelo é bastante grande, para formar planetas massivos como Júpiter. Em vez disso, o material aí condensa-se em super-Terras com uma alta proporção de gelo e com um invólucro gasoso possivelmente estendido. Estas super-Terras gradualmente migram para dentro. Em contraste, há material suficiente nos discos massivos para formar planetas rochosos semelhantes à Terra a distâncias moderadas da estrela central e para formar planetas gigantes frios para lá da "linha de neve". Estes planetas rochosos são pobres em gelo e gás. Fora da órbita do Júpiter frio, podem formar-se super-Terras ricas em gelo, mas a sua migração na direção radial é limitada pela influência do gigante gasoso. Portanto, não podem entrar na zona interior quente.
A verificação da previsão só será possível dentro de alguns anos
No entanto, só será possível verificar este conceito com telescópios poderosos como o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO ou com o JWST (James Webb Space Telescope). Espera-se que ambos estejam operacionais nesta década. "As previsões teóricas devem ser capazes de falhar diante da experiência empírica," exige Schlecker. "Com os instrumentos de próxima geração, que serão implantados, seremos capazes de testar se o nosso modelo aguenta ou se temos que voltar atrás."
Em princípio, este resultado também pode aplicar-se a planetas rochosos secos, que têm mais ou menos o tamanho e a massa da Terra. Portanto, pode não ser uma coincidência que o Sistema Solar contenha um planeta como Júpiter e também a Terra. No entanto, os dispositivos de medição disponíveis hoje não são sensíveis o suficiente para detetar de forma eficaz gémeos da Terra em grande número por meio de observações. Por esta razão, os astrónomos atualmente ainda devem limitar-se ao estudo dos homólogos massivos da Terra. Somente com o ELT e com o JWST podemos esperar progressos nesta direção.
Astrónomos encontram raios-X que perduram anos após colisão de estrelas de neutrões
Já se passaram três anos desde a deteção histórica de ondas gravitacionais oriundas da fusão de duas estrelas de neutrões. E desde aquele dia que uma equipa internacional de investigadores, incluindo o astrofísico Bing Zhang da Universidade do Nevada, Las Vegas, EUA, tem vindo a monitorizar continuamente as emissões subsequentes de radiação a fim de fornecer a imagem mais completa de tal evento.
A sua análise fornece explicações possíveis para os raios-X que continuaram a irradiar da colisão muito depois do que os modelos previam que parasse. O estudo também revela que os modelos atuais de estrelas de neutrões carecem de informações importantes. O artigo, no qual Zhang foi um teórico colaborador e coautor, foi publicado dia 12 de outubro na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
Os investigadores continuaram a monitorizar cuidadosamente a radiação emanada do primeiro (e até agora único) evento cósmico detetado tanto em ondas gravitacionais como no espectro eletromagnético. A colisão das duas estrelas de neutrões, detetada no dia 17 de agosto de 2017, está nesta imagem e situa-se na galáxia NGC 4993. Uma nova análise fornece explicações possíveis para os raios-X que continuaram a irradiar da colisão muito depois de outros tipos de radiação terem desvanecido, e também muito depois do que os modelos anteriores previram.
Crédito: E. Troja
"Estamos a entrar numa nova fase da nossa compreensão das estrelas de neutrões," disse Eleonora Troja, cientista associada da Universidade de Maryland e autora principal do artigo. "Não sabemos realmente o que esperar deste ponto em diante, porque todos os nossos modelos não previam nenhuns raios-X e ficámos surpresos ao vê-los 1000 dias após a deteção do evento de colisão. Podem ser necessários anos para descobrir a resposta ao que está a acontecer, mas a nossa investigação abre a porta a muitas possibilidades."
A fusão de estrelas de neutrões que a equipa estudou - GW170817 - foi identificada pela primeira vez graças a ondas gravitacionais detetadas no dia 17 de agosto de 2017. Em poucas horas, telescópios de todo o mundo começaram a observar no espectro eletromagnético, incluindo raios-gama e luz emitida pela explosão. Foi a primeira e única vez que os astrónomos foram capazes de observar a radiação associada às ondas gravitacionais, embora já soubessem há muito que essa radiação existe. Todas as outras ondas gravitacionais observadas até à data tiveram origem em eventos que estão demasiado distantes ou que não emitem radiação eletromagnética brilhante o suficiente para ser detetada da Terra.
Segundos após a deteção de GW170817, os cientistas registaram o jato inicial de energia, conhecido como GRB ("gamma-ray burst", explosão de raios-gama em português), depois uma quilonova mais lenta, uma nuvem de gás que explodiu depois do jato inicial. A luz da quilonova durou cerca de três semanas e depois desvaneceu. Entretanto, nove dias depois da deteção da primeira onda gravitacional, os telescópios observaram algo que nunca tinham observado antes: raios-X.
Os modelos científicos baseados na astrofísica conhecida previram que, à medida que o jato inicial de uma colisão de estrelas de neutrões se move através do espaço interestelar, este cria a sua própria onda de choque, que emite raios-X, ondas de rádio e luz. Isto é conhecido como brilho residual. Observou-se que esta pós-luminescência aumentou no início, atingiu o seu pico cerca de 160 dias após a deteção das ondas gravitacionais e depois diminuiu rapidamente. Depois de três anos, as ondas rádio e a luz desapareceram, mas os raios-X permanecem. Foram observados pela última vez pelo Observatório de raios-X Chandra dois anos e meio depois da deteção inicial de GW170817
O artigo científico sugere algumas explicações possíveis para as emissões de raios-X de longa duração. Uma possibilidade é que estes raios-X representam uma característica completamente nova do pós-brilho de uma colisão, e que a dinâmica de uma explosão de raios-gama é talvez, de alguma forma, diferente do esperado. Outra possibilidade é que a quilonova e a nuvem de gás em expansão, por trás do jato inicial de radiação, possam ter criado a sua própria onda de choque que demorou mais para chegar à Terra. Uma terceira possibilidade é que algo pode ter sido deixado para trás após a colisão, talvez o remanescente de uma massiva estrela de neutrões que emite raios-X.
"Esta terceira possibilidade é intrigante, porque colocará uma restrição importante na equação pouco conhecida do estado da matéria nuclear," disse Zhang. "O monitoramento a longo prazo da radiação eletromagnética, desta e de outras futuras fusões de estrelas de neutrões binárias, ajudará a resolver este problema fundamental da física."
São necessárias muitas mais análises antes que os investigadores possam confirmar exatamente de onde vieram os raios-X remanescentes. Algumas respostas podem já chegar em dezembro, quando o telescópio Chandra observar novamente a fonte de GW170817.
"Este pode ser o último suspiro de uma fonte histórica ou o início de uma nova história, na qual o sinal se ilumina novamente no futuro e poderá permanecer visível durante décadas ou mesmo séculos," disse Troja. "Aconteça o que acontecer, este evento está a mudar o que sabemos sobre as fusões das estrelas de neutrões e a reescrever os nossos modelos".
Descoberta nova corrente estelar em M92 (via CFHT)
Uma equipa de astrónomos, usando o CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope), descobriu uma nova corrente estelar emanando do enxame globular M92. Esta nova corrente sugere que M92 está a ser ativamente perturbado por forças de maré provocadas pela Via Láctea. A descoberta de uma corrente estelar em torno de M92 levanta a questão da origem do enxame e pode ser usada no futuro para estudar a região mais interna da nossa Galáxia. A equipa estima que a corrente estelar tem aproximadamente o equivalente a 10% da massa de todo o enxame M92. Ler fonte
No olho de um ciclone estelar (via Universidade de Sydney)
Uma em cada cem milhões de
estrelas da Via Láctea é uma estrela Wolf-Rayet. Quando presentes num sistema binário, podem fazer as mais impressionantes estruturas em forma de fita conhecidas da astronomia. Enquanto em quarentena da pandemia de COVID, o estudante Yinuo Han modelou precisamente o sistema Apep. Ler fonte
Álbum de fotografias - As Nuvens Coloridas de Rho Ophiuchi
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Amir H. Abolfath
As muitas espetaculares cores das nuvens de Rho Ophiuchi realçam os processos que aí ocorrem. As regiões azuis brilham principalmente devido à luz refletida. A luz azul do sistema estelar Rho Ophiuchi e das suas vizinhas é refletida de forma mais eficiente nesta parte da nebulosa do que a luz vermelha. O céu diurno da Terra aparece azul pelo mesmo motivo. As regiões vermelhas e amarelas brilham devido à emissão do gás atómico e molecular da nebulosa. A luz das estrelas azuis próximas - mais energéticas do que a brilhante estrela Antares - afasta os eletrões dos gases, que depois brilham quando os eletrões se recombinam com o gás. As regiões castanhas escuras são provocadas por grãos de poeira - nascidos em jovens atmosferas estelares - que bloqueiam efetivamente a luz emitida por trás. As nuvens estelares de Rho Ophiuchi, bem em frente do enxameglobularM4, visível aqui à direita, são até mais coloridas do que o olho humano pode ver - as nuvens emitem luz em todos os comprimentos de onda, desde o rádio até aos raios-gama.
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