06/11/20 - Noites Astronómicas em Tavira
No dia 6 de novembro realiza-se mais uma sessão das Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato pelas 19:30. Nesta noite de observação vamos realizar o reconhecimento das constelações e de astros que se encontram no céu. A inscrição é gratuita mas obrigatória e o número de participantes é limitado. É necessário o uso de equipamento de proteção individual (máscara ou viseira) durante o decorrer da atividade. Data: 6 de novembro, 19:30 Local: Forte do Rato Coordenadas GPS: 37.121965 N , -7.620994 O Público-alvo: Público em geral.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes Informações e inscrições: 281 326 231; 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
Efemérides
Dia 30/10: 304.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1981, lançamento da soviética Venera 13. A Venera 13 transmitiu fotografias e dados de Vénus até março de 1983.
Em 1985, o vaivém espacial Challenger é lançado na STS-61-A, a sua última missão bem sucedida. Observações: Vega é a estrela mais brilhante muito alta a oeste por estas noites. A sua constelação, Lira, estende-se para a esquerda, apontando como sempre para Altair, atualmente a estrel mais brilhante alta a sudoeste. As três principais estrelas de Lira, depois de Vega, são binários interessantes. Logo acima de Vega está Epsilon Lyrae, de 4.ª magnitude, o famoso Duplo Duplo. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, praticamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado. Uns binóculos facilmente resolvem Epsilon. E um telescópio de 4 polegadas com uma ampliação de 100x ou mais deverá resolver cada das componentes de Epsilon num par íntimo. Zeta Lyrae também é uma estrela dupla binocular; muito mais próxima e difícil, mas observável com telescópio. E Delta Lyrae, a uma distância parecida para cima e para a esquerda de Zeta, é um par mais largo e fácil de observar.
Dia 31/10: 305.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1992, o Vaticano (Papa João Paulo II) anuncia que a Igreja Católica errou em condenar Galileu, que afirmava que a Terra não era o centro do Universo.
Em 2000, lançamento da Soyuz TM-31, transportando a primeira tripulação residente da Estação Espacial Internacional. A ISS permanece tripulada continuamente desde aí.
Em 2014, durante um voo de testes da VSS Enterprise, um veículo espacial da Virgin Galactic fragmenta-se catastroficamente e despenha-se no Deserto do Mojave, Califórnia. Observações: Lua Cheia durante o Halloween (pelas 14:49).
Úrano em oposição, pelas 15:30.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 17:43 e as 20:41.
A Lua nasce pouco depois do pôr-do-Sol. É a segunda Lua Cheia de outubro.
O ponto brilhante para cima e para a direita é o planeta Marte.
Depois do anoitecer, encontrará as modestas estrelas da constelação de Carneiro para cima da Lua a cerca de punho e meio à distância do braço esticado, se é que as consiga distinguir entre o luar.
Para cima de Carneiro, mais ou menos a mesma distância, está a linha muito mais longa de estrelas que perfaz a constelação de Andrómeda, mais ou menos na horizontal e dois ou três punhos à distância do braço esticado de ponta a ponta.
Entretanto, a oeste-sudoeste poderá encontrar Júpiter e, para cima e para a esquerda de Júpiter meio-punho, o planeta Saturno.
Dia 01/11: 306.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1962, lançamento da Mars 1. No dia 21 de março de 1963, quando a sonda estava a 106.760.000 km da Terra, as comunicações falham. Orbita agora o Sol.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico.
Foi o maior radiotelescópio já construído até julho de 2016, quando o chinês FAST tomou o seu lugar. Observações: Trânsito de Ganimedes, entre as 17:30 e as 21:07.
Aviste a brilhante Altair, alta a sudoeste pouco depois do cair da noite. Para cima estão duas pequenas constelações distintas: Golfinho, a pouco mais de um punho à distância do braço esticado para cima e para a esquerda de Altair, e a mais fraca Sagitta (Seta ou Flecha), menos distante mas agora para cima e para a direita de Altair.
A Lua brilha para a direita das Plêiades.
Dia 02/11: 307.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelas, enxames e do centro da Via Láctea.
Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi diretor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí. Observações: Trânsito de Io, entre as 18:29 e as 20:51.
Trânsito da sombra de Io, entre as 19:44 e as 22:03.
O nosso satélite natural está hoje
entre a linha vertical que liga as Plêiades e as Híades. M45 está para cima, Aldebarã um pouco mais perto, mas para baixo.
Curiosidades
No passado dia 27 de outubro, a cápsula que transporta a bordo o rover Perseverance da NASA completou 235,4 milhões de quilómetros da sua viagem até Marte. Este valor é exatamente a mesma distância que ainda tem que percorrer antes de entrar pela atmosfera marciana no dia 18 de fevereiro de 2021. Ou seja, está a meio do caminho.
Novo levantamento descobre que um único surto de formação estelar criou o bojo central da Via Láctea
A nossa Via Láctea tem um bojo central situado no meio de um extenso disco de estrelas. Embora esta seja uma característica comum entre as inúmeras galáxias espirais, os astrónomos passaram décadas a tentar descobrir como e quando é que a protuberância central da Via Láctea podia ter sido formada. Será que as estrelas dentro da protuberância nasceram no início da história da nossa Galáxia, há 10 a 12 mil milhões de anos? Ou será que o bojo cresceu ao longo do tempo por meio de vários episódios de formação estelar?
Esta composição mostra uma secção do Bojo Galáctico, com 250 milhões de estrelas, obtida pelo BDBS (Blanco DECam Bulge Survey). Este excerto com 4x2 graus pode ser explorado na totalidade de 50.000x25.000 pixeis nesta versão ampliável.
Na imagem, poeira e gás interestelar parecem agir como um "filtro" vermelho em frente das estrelas de fundo, dispersando a luz azul. Tendo em conta que estamos rodeados por poeira e gás na Via Láctea, este efeito de dispersão é importante para muitas partes da astronomia e é conhecido como "avermelhamento".
Crédito: CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA; Reconhecimento - Processamento de Imagem: W. Clarkson (UM-Dearborn), C. Johnson (STScI) e M. Rich (UCLA), Travis Rector (Universidade do Alaska em Anchorage), Mahdi Zamani & Davide de Martin
Alguns estudos encontraram evidências de pelo menos dois surtos de formação estelar, levando a populações estelares com até 10 mil milhões de anos ou tão jovens quanto 3 mil milhões de anos. Agora, um novo levantamento compreensivo de milhões de estrelas descobriu que a maioria das estrelas nos 1000 anos-luz centrais da Via Láctea foram formadas quando esta se alimentou vorazmente de gás em queda há mais de 10 mil milhões de anos. Este processo pode ter sido desencadeado pela simples acreção de material primordial, ou algo mais dramático como a fusão com outra galáxia jovem.
"Muitas outras galáxias espirais parecem-se com a Via Láctea e têm protuberâncias semelhantes, de modo que se pudermos entender como a Via Láctea formou o seu bojo, teremos uma boa ideia de como as outras galáxias também o fizeram," disse o coinvestigador principal Christian Johnson, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland.
"Este levantamento dá-nos uma visão geral do bojo de uma forma que muitos levantamentos anteriores não conseguiram fazer," acrescentou a coautora Caty Pilachowski, da Universidade do Indiana em Bloomington, EUA.
Parecendo mais jovem do que a sua idade
Para chegar a esta conclusão, a equipa estudou as composições químicas das estrelas. Tal como muitas estrelas de Hollywood, as estrelas no Bojo Galáctico parecem ter passado por um "tratamento de Botox" cósmico - parecem mais jovens do que realmente são. Isto porque contêm aproximadamente a mesma quantidade de elementos pesados (elementos mais pesados do que hidrogénio e hélio) que o Sol - o que os astrónomos chamam de metais. Isto é surpreendente porque os metais levam tempo para se acumular. São formados por gerações anteriores de estrelas, expelidos por ventos estelares ou supernovas, e depois incorporados nas gerações posteriores.
Esta imagem de uma região perto do centro da Via Láctea cobre 0,5 por 0,25 graus no céu (uma área com aproximadamente o dobro do diâmetro da Lua Cheia) e contém mais de 180.000 estrelas. A imagem captura uma porção da nossa Galáxia com mais ou menos 220 por 110 anos-luz. Foi obtida pela DECam (Dark Energy Camera) acoplada ao Telescópio Victor M. Blanco de 4 metros situado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile, um programa do NOIRLab da NSF.
Através do estudo do brilho destas estrelas, em diferentes comprimentos de onda, os astrónomos foram capazes de determinar o seu conteúdo metálico, que está relacionado com a sua história de formação.
Crédito: CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA/STScI, W. Clarkson (UM-Dearborn), C. Johnson (STScI) e M. Rich (UCLA)
O nosso Sol, com 4,5 mil milhões de anos, é relativamente jovem, de modo que faz sentido que esteja repleto de metais. Em contraste, a maioria das estrelas antigas da nossa Galáxia carecem de elementos pesados. E ainda assim as estrelas do bojo são enriquecidas com metais, apesar da sua idade avançada.
"Aconteceu algo diferente no bojo. Aí, os metais acumularam-se muito, muito depressa, possivelmente nos primeiros 500 milhões de anos da sua existência," disse o coinvestigador principal Michael Rich da Universidade da Califórnia, em Los Angeles.
A equipa usou o brilho medido de estrelas em diferentes comprimentos de onda, particularmente no ultravioleta, para determinar o seu conteúdo de metal. Espera-se que estrelas formadas a diferentes alturas tenham metalicidades diferentes, em média. Em vez disso, descobriram que as estrelas até 1000 anos-luz do Centro Galáctico exigiam uma distribuição de metais agrupados em torno de uma única média. Se as estrelas fossem estudantes e as metalicidades fossem notas, as estrelas do bojo receberiam uma média de "10", em vez de um grupo de estudantes com "15" ou "5". Isto sugere que estas estrelas se formaram numa breve tempestade de nascimento estelar.
Esta imagem mostra uma imagem de campo largo do centro da Via Láctea com uma ampliação obtida pela DECam acoplada ao Telescópio Victor M. Blanco de 4 metros situado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile, um programa do NOIRLab a NSF. A imagem da DECAm cobre cerca de 4x2 graus (uma área com mais ou menos 8 vezes o diâmetro da Lua Cheia).
Crédito: CTIO/NOIRLab/DOE/NSF/AURA/STScI, W. Clarkson (UM-Dearborn), C. Johnson (STScI) e M. Rich (UCLA)/E.Slawik
Imagens grandes, dados grandes
A equipa examinou uma parte do céu que cobre mais de 200 graus quadrados - uma área aproximadamente equivalente a 1000 Luas Cheias. Usaram a DECam (Dark Energy Camera) acoplada ao Telescópio Victor M. Blanco de 4 metros situado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile, um programa do NOIRLab da NSF. Esta câmara de campo amplo é capaz de capturar 3 graus quadrados do céu numa única exposição.
A equipa recolheu mais de 450.000 fotografias individuais que lhes permitiram determinar com precisão as composições químicas de milhões de estrelas. Uma subamostra de 70.000 estrelas foi analisada para este estudo.
"O nosso levantamento é único porque fomos capazes de estudar uma secção contínua do bojo em comprimentos de onda do ultravioleta, passando pelo visível, ao infravermelho próximo. Isto permite-nos obter uma compreensão clara de quais são os vários componentes do bojo e de como encaixam juntos," disse Johnson.
A riqueza de dados recolhidos por esta investigação irá alimentar pesquisas científicas adicionais. Por exemplos, os investigadores estão a estudar a possibilidade de medir distâncias estelares para fazer um mapa 3D mais preciso do bojo. Também planeiam procurar correlações entre as suas medições da metalicidade e as órbitas estelares. Essa investigação pode localizar "bandos" de estrelas com órbitas semelhantes, que podem ser os restos de galáxias anãs perturbadas, ou identificar sinais de acreção como estrelas que orbitam no sentido oposto à da rotação da Galáxia.
Será que a história da formação do bojo da Via Láctea é única ou comum na evolução galáctica? Para responder a esta pergunta, os astrónomos terão que olhar para a montagem galáctica no Universo distante e jovem - uma tarefa para a qual o Telescópio Espacial James Webb da NASA foi especificamente projetado. "Com o Webb, teremos lugar de destaque para observar a formação de galáxias como a nossa Via Láctea," disse Rich.
O BDBS (Blanco DECam Bulge Survey) tem o nome de Victor e Betty Blanco. Victor Blanco foi o primeiro Diretor do Observatório Interamericano de Cerro Tololo; ele e Betty Blanco também foram pioneiros no estudo do Bojo Galáctico e das Nuvens de Magalhães usando o telescópio de 4 metros do observatório.
Estes resultados estão relatados em dois artigos científicos aceites para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.
A DECam (Dark Energy Camera) está acoplada ao Telescópio Victor M. Blanco de 4 metros situado no Observatório Interamericano de Cerro Tololo no Chile. A construção do telescópio começou em 1969 com o fabrico do espelho e a montagem final em 1974. Na altura, era o terceiro maior telescópio do mundo, atrás do Telescópio Hale de 200 polegadas no Observatório Palomar e do BTA-6 no sul da Rússia, e o maior do hemisfério sul (um título que manteve durante 22 anos). Renomeado em 1995 em honra ao Víctor M. Blanco, astrónomo porto-riquenho e antigo diretor do observatório.
Crédito: DOE/LBNL/DECam/R. Hahn/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA
Observatório Interamericano de Cerro Tololo: NOAO Wikipedia
Galáxias no Universo jovem eram surpreendentemente maduras
As galáxias massivas já eram muito mais maduras no início do Universo do que o esperado. Isto foi mostrado por uma equipa internacional de astrónomos que estudou 118 galáxias distantes com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array).
A maioria das galáxias formou-se quando o Universo ainda era muito jovem. A nossa própria Galáxia, por exemplo, provavelmente começou a formar-se há 13,6 mil milhões de anos, no nosso Universo com 13,8 mil milhões de anos. Quando o Universo tinha apenas 10% da sua idade atual (1-1,5 mil milhões de anos depois do Big Bang), a maioria das galáxias sofreu um "surto de crescimento". Durante este tempo, fabricaram a maior parte da sua massa estelar e outras propriedades, como poeira, conteúdo de elementos pesados e formas de disco em espiral, que vemos nas galáxias de hoje. Portanto, se quisermos aprender como as galáxias como a nossa Via Láctea se formaram, é importante estudar esta época.
Impressão de artista de uma galáxia no início do Universo que é muito poeirenta e que mostra os primeiros sinais de um disco giratório. Na imagem, o vermelho representa gás, e o azul/castanho representa poeira vista no rádio com o ALMA. No plano de fundo são vistas muitas outras galáxias, com base em dados óticos do VLT e do Subaru.
Crédito: B. Saxton NRAO/AUI/NSF, ESO, NASA/STScI; NAOJ/Subaru
Num levantamento chamado ALPINE (ALMA Large Program to Investigate C+ at Early Times), uma equipa internacional de astrónomos estudou 118 galáxias que passaram por este "surto de crescimento" no início do Universo. "Para nossa surpresa, muitas delas eram mais maduras do que esperávamos," disse Andreas Faisst, do IPAC (Infrared Processing and Analysis Center) no Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia).
As galáxias são consideradas mais "maduras" do que "primordiais" quando contêm uma quantidade significativa de poeira e elementos pesados. "Não esperávamos ver tanta poeira e elementos pesados nestas galáxias distantes," disse Faisst. A poeira e os elementos pesados (definidos pelos astrónomos como todos os elementos mais pesados do que o hidrogénio e hélio) são considerados um subproduto das estrelas moribundas. Mas as galáxias no início do Universo ainda não tiveram muito tempo para construir estrelas, de modo que os astrónomos não esperavam ver também lá muita poeira ou elementos pesados.
"A partir de estudos anteriores, entendemos que estas galáxias jovens são pobres em poeira," disse Daniel Schaerer, da Universidade de Genebra, na Suíça. "No entanto, descobrimos que cerca de 20% das galáxias 'montadas' durante esta época inicial já tinham muita poeira e uma fração significativa da luz ultravioleta de estrelas recém-nascidas já está oculta por esta poeira," acrescentou.
Muitas das galáxias também foram consideradas relativamente adultas porque mostraram diversidade nas suas estruturas, incluindo os primeiros sinais de discos com suporte rotacional - o que pode mais tarde levar a galáxias com uma estrutura espiral, como é observado em galáxias como a nossa Via Láctea. Os astrónomos geralmente esperam que as galáxias no início do Universo se pareçam com "desastres" cósmicos porque colidem frequentemente. "Vemos muitas galáxias a colidir, mas também várias delas a girar de maneira ordeira, sem sinais de colisões," disse John Silverman do Insituto Kavli para Física e Matemática do Universo no Japão.
O ALMA já avistou galáxias muito distantes, como MAMBO-9 (uma galáxia muito empoeirada) e Wolfe Disk (uma galáxia com um disco giratório). Mas era difícil dizer se estas descobertas eram únicas, ou se haviam mais galáxias como elas por aí. O ALPINE é o primeiro levantamento que permitiu aos astrónomos estudar um número significativo de galáxias no Universo primitivo e mostra que podem evoluir mais depressa do que o esperado. Mas os cientistas ainda não entendem como estas galáxias cresceram tão rapidamente e porque é que algumas delas já têm discos giratórios.
Estas são duas das galáxias no início do Universo que o ALMA observou no rádio. As galáxias são consideradas mais "maduras" do que "primordiais" porque contêm grandes quantidades de poeira (a amarelo). O ALMA também revelou o gás (vermelho), que é usado para medir formação estelar obscurecida e os movimentos nas galáxias.
Crédito: B. Saxton NRAO/AUI/NSF, ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), equipa ALPINE
As observações do ALMA foram cruciais para esta investigação porque o radiotelescópio pode ver a formação estelar que está escondida pela poeira e rastrear o movimento do gás emitido pelas regiões de formação estelar. Os levantamentos de galáxias no início do Universo geralmente usam telescópios óticos e infravermelhos. Estes permitem a medição da formação estelar não obstruída e das massas estelares. No entanto, estes telescópios têm dificuldade em medir regiões obscurecidas por poeira, onde as estrelas se formam, ou os movimentos do gás nestas galáxias. E por vezes nem vêm uma galáxia. "Com o ALMA descobrimos algumas galáxias distantes pela primeira vez. Chamamo-las de "Hubble-dark", pois não puderam ser detetadas nem mesmo como o telescópio Hubble," disse Lin Yan do Caltech.
Para aprender mais sobre galáxias distantes, os astrónomos querem apontar o ALMA para galáxias individuais por mais tempo. "Queremos ver exatamente onde está a poeira e como o gás se move. Também queremos comparar as galáxias empoeiradas com outras à mesma distância e descobrir se pode haver algo especial nos seus ambientes," acrescentou Paolo Cassata, da Universidade de Pádua, na Itália, anteriormente na Universidade de Valparaíso no Chile.
O ALPINE é o primeiro e o maior levantamento galáctico em vários comprimentos de onda no início do Universo. Para uma grande amostra de galáxias, a equipa recolheu medições no ótico (incluindo com o Subaru, VISTA, Hubble, Keck e VLT), no infravermelho (Spitzer) e no rádio (ALMA). Os estudos em vários comprimentos de onda são necessários para obter uma imagem completa de como as galáxias são construídas. "Um levantamento tão grande e complexo só é possível graças à colaboração entre vários institutos de todo o mundo," disse Matthieu Béthermin do Laboratório de Astrofísica de Marselha, na França.
Descoberta molécula "estranha" na atmosfera de Titã
Estas imagens infravermelhas da lua de Saturno, Titã, representam algumas das imagens globais mais claras da superfície da lua gelada. As vistas foram criadas usando 13 anos de dados obtidos pelo instrumento VIMS (Visual and Infrared Mapping Spectrometer) a bordo da sonda Cassini da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Nantes/Universidade do Arizona
Cientistas da NASA identificaram uma molécula na atmosfera de Titã que nunca tinha sido detetada em qualquer outra atmosfera. Na verdade, muitos químicos provavelmente mal ouviram falar ou sabem como pronunciá-la: ciclopropenilideno, ou C3H2. Os cientistas dizem que esta molécula simples baseada em carbono pode ser um precursor de compostos mais complexos que poderiam formar ou alimentar uma possível forma de vida em Titã.
Os investigadores encontraram C3H2 usando um radiotelescópio no norte do Chile, conhecido como ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). Notaram a molécula C3H2, que é feita de carbono e hidrogénio, enquanto examinavam um espectro de assinaturas de luz únicas recolhido pelo telescópio; estas revelaram a composição química da atmosfera de Titã pela energia que as suas moléculas emitiam ou absorviam.
"Quando percebi que estava a olhar para o ciclopropenilideno, o meu primeiro pensamento foi: 'Bem, isto é realmente inesperado,'" disse Conor Nixon, cientista planetário do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que liderou a busca com o ALMA. Os achados da sua equipa foram publicados na edição de 15 de outubro da revista The Astronomical Journal.
Embora os cientistas tenham encontrado C3H2 em regiões espalhadas pela Galáxia, encontrá-la numa atmosfera foi uma surpresa. Isto porque a molécula ciclopropenilideno pode reagir facilmente com outras moléculas com as quais entra em contacto e formar espécies diferentes. Os astrónomos até agora encontraram C3H2 apenas em nuvens de gás e poeira que flutuam entre sistemas estelares - por outras palavras, em regiões demasiado frias e difusas para facilitar muitas reações químicas.
Mas atmosferas densas como a de Titã são "colmeias" de atividade química. Essa é uma das razões principais pelas quais os cientistas estão interessados nesta lua, que é o destino da futura missão Dragonfly da NASA. A equipa de Nixon foi capaz de identificar pequenas quantidades de C3H2 em Titã provavelmente porque estavam a observar as camadas superiores da atmosfera da lua, onde há menos gases para interagir com C3H2. Os cientistas ainda não sabem porque é que o composto químico ciclopropenilideno apareceria na atmosfera de Titã, mas em nenhuma outra atmosfera. "Titã é única no nosso Sistema Solar," disse Nixon. "Provou ser um tesouro de novas moléculas."
A maior das 62 luas de Saturno, Titã é um mundo intrigante que, de certa forma, é o mais semelhante à Terra que já encontrámos. Ao contrário de qualquer outra lua no Sistema Solar - existem mais de 200 - Titã tem uma atmosfera densa que é quatro vezes mais densa que a da Terra, além de nuvens, chuva, lagos e rios, e até mesmo um oceano subterrâneo de água salgada.
A atmosfera de Titã é composta principalmente por azoto, como a da Terra, com uma pitada de metano. Quando as moléculas de metano e azoto se separam sob o brilho do Sol, os seus átomos componentes desencadeiam uma complexa teia de química orgânica que cativou os cientistas e colocou esta lua no topo da lista dos alvos mais importantes na busca da NASA por vida passada ou presente no Sistema Solar.
"Estamos a tentar descobrir se Titã é habitável," disse Rosaly Lopes, investigadora sénior e especialista em Titã no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "De modo que queremos saber quais os elementos químicos da atmosfera que chegam à superfície e, aí, se esse material pode passar pela crosta de gelo até ao oceano por baixo, porque pensamos que é no oceano que estão as condições habitáveis."
Os tipos de moléculas que podem estar à superfície de Titã podem ser os mesmos que formaram os blocos de construção da vida na Terra. No início da sua história, há 3,8-2,5 mil milhões de anos, quando o metano enchia o ar da Terra em vez de oxigénio, as condições aqui podiam ser semelhantes às de Titã hoje, suspeitam os cientistas.
"Pensamos em Titã como um laboratório da vida real, onde podemos ver uma química semelhante à da Terra primitiva, quando a vida estava o tomar o seu lugar de destaque," disse Melissa Trainer, astrobióloga de Goddard da NASA. Trainer é a investigadora principal adjunta da missão Dragonfly e líder de um instrumento no drone Dragonfly que irá analisar a composição da superfície de Titã.
"Estaremos à procura de moléculas maiores do que C3H2," disse Trainer, "mas precisamos de saber o que está a ocorrer na atmosfera para entender as reações químicas que levam moléculas orgânicas complexas a se formarem e a choverem para a superfície".
A molécula ciclopropenilideno é a única outra molécula "cíclica", ou de circuito fechado, além do benzeno, que foi encontrada na atmosfera de Titã até agora. Embora o composto C3H2 não seja conhecido pela sua utilização em reações biológicas modernas, as moléculas de circuito fechado são importantes porque formam os anéis para as nucleobases do ADN, a estrutura química complexa que transporta o código genético da vida, e do ARN, outro composto crítico para as funções da vida. "A sua natureza cíclica abre este ramo extra da química que permite construir estas moléculas biologicamente importantes," disse Alexander Thelen, astrobiólogo de Goddard que trabalhou com Nixon para encontrar C3H2.
Cientistas como Thelen e Nixon estão a usar telescópios terrestres, grandes e altamente sensíveis, para procurar as moléculas de carbono mais simples, relacionadas com a vida, que podem encontrar na atmosfera de Titã. O benzeno era considerado a unidade mais pequena de moléculas anulares e complexas de hidrocarbonetos encontrada em qualquer atmosfera planetária. Mas agora, o C3H2, com metade dos átomos de carbono do benzeno, parece ter tomado o seu lugar.
A equipa de Nixon usou o observatório ALMA para observar Titã em 2016. Ficaram surpresos ao encontrar uma impressão digital química estranha, que Nixon identificou como ciclopropenilideno pesquisando numa base de dados de todas as assinaturas moleculares de luz conhecidas.
Até agora, o ciclopropenilideno só tinha sido detetado em nuvens moleculares de gás e poeira, como a Nuvem Molecular de Touro, que é um berçário estelar na constelação de Touro a mais de 400 anos-luz de distância. Recentemente, o cientista Conor Nixon de Goddard da NASA, juntamente com a sua equipa, encontrou esta molécula única na atmosfera de Titã; a primeira vez que foi detetada fora de uma nuvem molecular. O ciclopropenilideno é a única outra molécula de ciclo fechado, além do benzeno, que foi detetada em Titã. As moléculas de circuito fechado são importantes porque formam os anéis para as nucleobases do ADN, a estrutura química complexa que transporta o código genético da vida, e do ARN, outro composto crítico para as funções da vida.
Crédito: Conor Nixon/Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
Para verificar se os investigadores estavam realmente a ver esta substância invulgar, Nixon examinou artigos científicos publicados a partir de análises de dados da sonda Cassini da NASA, que fez 127 "flybys" por Titã entre 2004 e 2017. Ele queria ver se um instrumento na nave espacial que "farejou" os compostos químicos em torno de Saturno e Titã podia confirmar o seu novo resultado (o instrumento - um espectrómetro de massa - detetou indícios de muitas moléculas misteriosas em Titã que os cientistas ainda estão a tentar identificar). De facto, a Cassini avistou evidências de uma versão eletricamente carregada da mesma molécula, C3H3+.
Tendo em conta que é um achado raro, os cientistas estão a tentar aprender mais sobre o ciclopropenilideno e como pode interagir com os gases na atmosfera de Titã.
"É uma pequena molécula muito estranha, de modo que não se aprende sobre ela na química do secundário ou até mesmo no ensino superior," disse Michael Malaska, cientista planetário do JPL que trabalhou na indústria farmacêutica antes de se apaixonar por Titã e de mudar de carreira para a estudar. "Aqui na Terra, não é algo que se encontra."
Mas, disse Malaska, encontrar moléculas como C3H2 é realmente importante para ter uma visão geral de Titã: "Cada peça e parte pequena que podemos descobrir ajuda a montar o enorme quebra-cabeças de todas as coisas que por lá acontecem."
O segundo local de pouso de Philae descoberto num cume "topo de crânio" (via ESA)
Depois de anos de trabalho de detetive, o segundo local de pouso do módulo de pouso Philae da Rosetta foi localizado no Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko num local que lembra o formato de um crânio. Philae deixou a sua marca no gelo de milhares de milhões de anos, revelando que o interior gelado do cometa é mais macio do que a espuma de um cappuccino. Ler fonte
"Retrato de família" de buracos negros é o mais detalhado até à data (via Universidade Northwestern)
Uma colaboração internacional produziu o mais detalhado retrato de família de buracos negros até ao momento, fornecendo novas pistas sobre como os buracos negros se formam. Uma análise intensa dos dados de ondas gravitacionais disponíveis mais recentes levou ao rico retrato, bem como a vários testes da teorial da relatividade geral de Einstein (a teoria passou em cada teste). Ler fonte
GTC descobre buraco negro mais distante que pertence a família rara de galáxias (via Instituto de Astrofísica das Canárias)
Uma equipa internacional de astrónomos identificou uma das classes mais raras de galáxias emissoras de raios-gama, chamada BL Lacertae, nos primeiros 2 mil milhões de anos do Universo. A equipa utilizou o Gran Telescopio Canarias. Ler fonte
Inspirado no Halloween, este retrato telescópico captura uma nuvem cósmica com um aspeto assustador. A cena interestelar encontra-se dentro da expansão empoeirada da nebulosa de reflexão IC 2118 na direção da constelação de Orionte. IC 2118 fica a cerca de 800 anos-luz, perto da brilhante estrela azulada Rigel, nos pés de Orionte. É frequentemente identificada como a Nebulosa da Cabeça da Bruxa devido à sua aparência num campo de visão mais amplo. Com estrelas pontiagudas no lugar dos olhos, a aparição macabra identificada aqui parece estender um braço em direção à estrela supergigante e quente de Orionte. A fonte de iluminação para IC 2118, Rigel, está logo além desta imagem para o canto superior esquerdo.
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