Com o outono a terminar, a noite reserva-nos todos os planetas mais lentos que a Terra.
Realizadas mensalmente, estas sessões tentam focar num tema de relevância à data da atividade, devido a algum acontecimento astronómico ou oportunidade de observação, ou alguma notícia recente de astronomia que motive a atividade. A observação noturna está obviamente sempre dependente do hemisfério celeste observável, bem como das condições meteorológicas ou ambientais disponíveis.
Data: 10 de dezembro Hora: 20:30 horas
Local:Centro Ciência Viva do Algarve
Público-alvo: Jovens e Adultos Preço: 2€ Adultos / 1€ Jovens (Lotação máxima de 5 pessoas. Grátis para membros do AstroClube)
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 20/11: 325.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1889 nasce Edwin Hubble, astrónomo americano.
Foi o primeiro a identificar cefeidas em M31, provando a natureza extragaláctica das nebulosas espirais (galáxias). Apoiando-se sobre o trabalho de Carl Wirtz, e com os desvios de Slipher, Hubble estabelece a relação distância-velocidade das galáxias (Lei de Hubble) que demonstra a expansão do Universo.
Em 1984, é fundado o Instituto SETI.
Em 1998, é lançado o primeiro módulo da Estação Espacial Internacional (ISS), o Zarya. Observações: Sempre que Fomalhaut estiver no meridiano a sul (atualmente ronda as 19:30), as primeiras estrelas de Orionte estão prestes a nascer a este caso o observador viva a latitudes médias norte. E a esta altura as estrelas-guia da Ursa Maior estão na vertical a norte, apontando diretamente para baixo até à Polar.
Dia 21/11: 326.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1905, é publicado o artigo de Einstein que revela a relação entre a energia e a massa. Isto leva à fórmula da equivalência massa-energia, E=mc^2.
Em 1998, estudantes do Liceu Northfield Mount Hermon descobrem Kuiper 72. Observações: A "frigideira" de Ursa Menor desce durante esta altura do ano, para a esquerda ou para baixo da Polar. Por volta das 23 horas encontra-se mesmo por baixo da Estrela Polar.
Dia 22/11: 327.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1973 nasce Chad Trujillo, codescobridor do planeta anão Éris. Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 04:45.
À hora de jantar, a própria Lua pode ajudar a encontrar Fomalhaut, estrela esta agora situada 15º para baixo da Lua em Quarto Crescente.
Dia 23/11: 328.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros.
Em 1924, é publicada num jornal a descoberta, por Edwin Hubble, de que Andrómeda, que se pensava ser uma nebulosa dentro da nossa Galáxia, é na realidade outra galáxia, e que a Via Láctea é apenas uma de muitas galáxias no Universo.
Em 1972, a União Soviética faz a sua tentativa final de lançar com sucesso o foguetão N1.
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).
Em 2015, o veículo espacial New Shepard da Blue Origin torna-se no primeiro foguetão a ser lançado com sucesso para o espaço e a regressar à Terra, numa aterragem controlada e vertical. Observações: Ao amanhecer, Mercúrio ainda está visível a este-sudeste. Procure o planeta para baixo e um pouco para a esquerda de Vénus. Nos próximos dias vai acabar por desaparecer detrás do horizonte.
Curiosidades
A Nebulosa do Anel Azul encontra-se a 6300 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Hércules.
Resolvido mistério cósmico com 16 anos, revelando elo perdido estelar
A Nebulosa do Anel Azul, que deixou os cientistas perplexos durante mais de uma década, parece ser o exemplo mais jovem conhecido de duas estrelas que se fundiram numa.
Em 2004, os cientistas do GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA avistaram um objeto diferente de qualquer outro que já haviam visto na nossa Galáxia, a Via Láctea: uma grande e ténue bolha de gás com uma estrela no centro (estrela esta que tem o nome TYC 2597-735-1). Nas imagens do GALEX, a bolha parecia azul - embora na verdade não emita luz visível ao olho humano - e observações subsequentes revelaram uma estrutura anular espessa no seu interior. Portanto, a equipa apelidou-o de Nebulosa do Anel Azul. Nos 16 anos seguintes, estudaram o objeto com vários telescópios terrestres e espaciais, mas quanto mais aprendiam, mais misterioso parecia.
A Nebulosa do Anel Azul consiste de dois cones gasosos em expansão, expelidos para o espaço por uma fusão estelar. À medida que o gás arrefece, forma moléculas de hidrogénio que colidem com partículas no espaço interestelar, fazendo com que irradiam luz ultravioleta distante. Invisível ao olho humano, é aqui mostrada a azul.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/M. Seibert (Instituto Carnegie para Ciência)/K. Hoadley (Caltech)/Equipa GALEX
Um novo estudo publicado online no dia 18 de novembro na revista Nature pode ter desvendado o caso. Aplicando modelos teóricos de ponta à grande quantidade de dados recolhidos deste objeto, os autores postulam que a nebulosa - uma nuvem de gás no espaço - é provavelmente composta por fragmentos de duas estrelas que colidiram e se fundiram numa única estrela.
Embora se pense que a fusão de sistemas estelares seja bastante comum, são quase impossíveis de estudar imediatamente depois da formação, porque estão obscurecidos pelos detritos que a colisão produz. Assim que estes detritos desaparecem - pelo menos centenas de milhares de anos mais tarde - são difíceis de identificar porque se assemelham a estrelas não fundidas. A Nebulosa do Anel Azul parece ser o elo perdido: os astrónomos estão a ver o sistema estelar apenas alguns milhares de anos após a fusão, quando as evidências da união ainda são abundantes. Parece ser o primeiro exemplo conhecido de um sistema estelar fundido neste estágio.
Operado entre 2003 e 2013 e gerido pelo JPL da NASA em Pasadena, no sul da Califórnia, o GALEX foi projetado para ajudar a estudar a história da formação estelar na maior parte do Universo, fazendo um censo das populações de estrelas jovens noutras galáxias. Para tal, a missão observou a luz ultravioleta próxima (comprimentos de onda ligeiramente mais curtos do que a luz visível) e ultravioleta distante. A maioria dos objetos vistos pelo GALEX irradiava no ultravioleta próximo (representado como amarelo nas imagens do GALEX) e no ultravioleta (representado como azul), mas a Nebulosa do Anel Azul destacou-se porque só emitia radiação UV distante.
O tamanho do objeto era semelhante ao de um remanescente de supernova, que se forma quando uma estrela massiva fica sem combustível e explode, ou uma nebulosa planetária, os remanescentes inchados de uma estrela do tamanho do nosso Sol. Mas a Nebulosa do Anel Azul tinha uma estrela viva no seu centro. Além do mais, os remanescentes de supernova e as nebulosas planetárias irradiam em vários comprimentos de onda fora da gama UV, enquanto outras investigações mostraram que a Nebulosa do Anel Azul não o faz.
Planeta fantasma
Em 2006, a equipa do GALEX observou a nebulosa com o telescópio Hale de 200 polegadas (5,1 metros), situado no Observatório Palomar em San Diego, Califórnia, e depois com os telescópios ainda mais poderosos de 10 metros do Observatório W. M. Keck no Hawaii. Descobriram evidências de uma onda de choque na nebulosa, sugerindo que o gás que compõe a Nebulosa do Anel Azul foi de facto expelido por algum tipo de evento violento em torno da estrela central. Os dados do Keck também sugeriram que a estrela estava a puxar uma grande quantidade de material para a sua superfície. Mas de onde vinha este material?
"Durante muito tempo pensámos que talvez existisse um planeta com várias vezes a massa de Júpiter a ser dilacerado pela estrela e que estivesse a libertar todo este gás para fora do sistema," disse Mark Seibert, astrofísico do Instituto Carnegie para Ciência e membro da equipa do GALEX no Caltech, que gere o JPL.
Mas a equipa queria mais dados. Em 2012, usando o primeiro levantamento de todo o céu do WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, um telescópio espacial que estudou o céu no infravermelho, a equipa do GALEX identificou um disco de poeira em íntima órbita da estrela (o WISE foi reativado em 2013 como a missão de caça aos asteroides NEOWISE). Os dados de arquivo de três outros observatórios infravermelhos, incluindo o Telescópio Espacial Spitzer da NASA, também avistaram o disco. A descoberta não descartou a possibilidade de um planeta em órbita da estrela, mas eventualmente a equipa mostrou que o disco e o material expelido para o espaço vinham de algo maior do que até mesmo um planeta gigante. Então, em 2017, o instrumento HPF (Habitable Zone Planet Finder) acoplado ao Telescópio Hobby-Eberley no estado norte-americano do Texas confirmou que não havia nenhum objeto compacto orbitando a estrela.
Mais de uma década depois de descobrir a Nebulosa do Anel Azul, a equipa havia reunido dados do sistema com quatro telescópios espaciais, quatro telescópios terrestres, observações históricas da estrela datando até 1895 (a fim de procurar mudanças no seu brilho ao longo do tempo) e com a ajuda de cientistas cidadãos por meio da AAVSO (American Association of Variable Star Observers). Mas uma explicação para o que havia formado a nebulosa ainda os escapava.
Investigação estelar
Quando Keri Hoadley começou a trabalhar com a equipa científica do GALEX em 2017, "o grupo como que tinha atingido uma barreira" com a Nebulosa do Anel Azul, disse. Mas Hoadley, astrofísica do Caltech, ficou fascinada com o objeto e com as suas características bizarras e aceitou o desafio de tentar resolver o mistério. Parecia provável que a solução não viria de mais observações do sistema, mas de teorias de ponta que poderiam dar sentido aos dados existentes. Assim, Chris Martin, investigador principal do GALEX no Caltech, pediu ajuda a Brian Metzger da Universidade de Columbia.
Como astrofísico teórico, Metzger faz modelos matemáticos e computacionais de fenómenos astrofísicos, que podem ser usados para prever o aspeto e comportamento destes fenómenos. Ele é especialista em fusões cósmicas - colisões entre uma variedade de objetos, sejam eles planetas e estrelas ou dois buracos negros. Com Metzger a bordo e Hoadley conduzindo o trabalho, as coisas progrediram rapidamente.
"Não era só que Brian pudesse explicar os dados que estávamos a ver; ele estava essencialmente a prever o que observámos antes de o observar," disse Hoadley. "Ele dizia, 'Se isto é uma fusão estelar, então deveríamos ver X,' e então 'Sim! Vemos isso!'"
A equipa concluiu que a nebulosa era o produto de uma fusão estelar relativamente recente que provavelmente ocorreu entre uma estrela semelhante ao nosso Sol e outra estrela com apenas um-décimo desse tamanho (ou cerca de 100 vezes a massa de Júpiter). Perto do fim da sua vida, a estrela parecida com o Sol começou a inchar, "rastejando" para mais perto da sua companheira. Eventualmente, a estrela mais pequena espiralou em direção à companheira maior. Ao longo do caminho, a estrela maior rasgou a estrela mais pequena, envolvendo-se num anel de detritos antes de a engolir por inteiro.
Este foi o evento violento que levou à formação da Nebulosa do Anel Azul. A fusão lançou uma nuvem de detritos quentes para o espaço que foi dividida em dois pelo disco de gás. Isto criou duas nuvens de detritos em forma de cone, as suas bases afastando-se da estrela em direções opostas e ficando mais largas à medida que viajam para longe. A base de um cone está vindo quase diretamente na direção da Terra e o outro quase na direção oposta. São demasiado fracos para serem vistos sozinhos, mas a área onde os cones se sobrepõem (a partir do posto de vista da Terra) forma o anel azul central que o GALEX observou.
Esta animação mostra a geometria da Nebulosa do Anel Azul, que se pensa ser o produto da fusão de duas estrelas numa única estrela. A colisão dos corpos ejetou uma nuvem de detritos quentes para o espaço. Um disco de gás em órbita da estrela maior cortou a nuvem ao meio, criando dois cones que se afastam da estrela em direções opostas. A base de um cone move-se quase na direção da Terra, enquanto o outro se move quase na direção oposta. Algumas pessoas observam uma ilusão de ótica nesta animação, na qual os cones transparentes parecem afastar-se um do outro e depois aproximando-se, quando na realidade os cones estão fixos e a animação mostra o aspeto da nebulosa se pudéssemos viajar em seu redor.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (IPAC)
Passaram-se milénios. A nuvem de detritos em expansão arrefeceu e formou moléculas e poeira, incluindo moléculas de hidrogénio que colidiram com o meio interestelar, a coleção esparsa de átomos e partículas energéticas que preenchem o espaço entre as estrelas. As colisões excitaram as moléculas de hidrogénio, fazendo-as irradiar num comprimento de onda específico de luz ultravioleta distante. Com o tempo, o brilho tornou-se forte o suficiente para o GALEX o observar.
As fusões estelares podem ocorrer uma vez a cada 10 anos na nossa Via Láctea, o que significa que é possível que uma população considerável de estrelas que vemos no céu já tenham sido, de facto, duas estrelas.
"Vemos muitos sistemas binários que poderão um dia fundir-se, e pensamos que identificámos estrelas que talvez se fundiram há milhões de anos. Mas não temos quase dados nenhuns sobre o que acontece no meio," disse Metzger. "Achamos que provavelmente existem muitos vestígios jovens de fusões estelares na nossa Galáxia, e a Nebulosa do Anel Azul pode mostrar-nos o seu aspeto para que possamos identificar mais."
Embora esta seja provavelmente a conclusão de um mistério com 16 anos, também pode ser o início de um novo capítulo no estudo das fusões estelares.
"É incrível que o GALEX tenha conseguido encontrar este objeto realmente ténue que não estávamos à procura, mas que acabou por ser algo realmente interessante para os astrónomos," disse Seibert. "Isto apenas reitera que quando olhamos para o Universo num novo comprimento de onda ou de uma nova maneira, podemos encontrar coisas que nunca imaginámos encontrar."
Lentes gravitacionais podem ser a chave para melhores estimativas da expansão do Universo
O Universo está a expandir-se, mas os astrofísicos não têm a certeza de quão rápida essa expansão está a acontecer - não porque não existem respostas, mas porque as respostas que podem dar não concordam.
Agora, Simon Birrer, pós-doutorado da Universidade de Stanford e do Instituto Kavli para Física de Partículas e Astrofísica do Laboratório Nacional do Acelerador SLAC pertencente ao Departamento de Energia dos EUA, e uma equipa internacional de investigadores têm uma nova resposta que pode, uma vez aprimorada com mais dados, ajudar a resolver o debate.
Esta nova resposta é o resultado de revisitar um método com décadas chamado cosmografia de atraso de tempo com novas suposições e dados adicionais para derivar uma nova estimativa da constante de Hubble, uma medida da expansão do Universo. Birrer e colegas publicaram os seus resultados na edição de 20 de novembro da revista Astronomy & Astrophysics.
"É uma continuação de um grande e bem-sucedido esforço de uma década de uma enorme equipa, com uma redefinição em certos aspetos-chave da nossa análise," disse Birrer, e o relembrar de que "devemos sempre reconsiderar as nossas suposições. O nosso trabalho recente segue exatamente este espírito."
Distância, velocidade e som
Os cosmólogos sabem há quase um século que o cosmos está a expandir-se e, durante esse tempo, estabeleceram duas formas principais de medir essa expansão. Um método é a escada de distâncias cósmicas, uma série de etapas que ajudam a estimar a distância até supernovas distantes. Ao examinar o espectro de luz destas supernovas, os cientistas podem calcular a rapidez com que se estão a afastar de nós e, em seguida, dividir pela distância para estimar a constante de Hubble. (A constante de Hubble é geralmente medida em quilómetros por segundo por megaparsec, refletindo o facto de que o próprio espaço está a crescer, de modo que objetos mais distantes se afastam de nós mais depressa do que objetos mais próximos.)
Se tudo alinhar corretamente, a atração gravitacional de uma galáxia pode curvar a luz de um quasar distante em quatro imagens separadas. E se a luz que forma essas imagens tiver chegado até nós por percursos de comprimentos ligeiramente diferentes, os investigadores podem medir os atrasos de tempo entre os percursos e inferir distâncias até à galáxia e ao quasar distante.
Crédito: Martin Millon/Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne; Imagem do quasar e galáxia: Telescópio Espacial Hubble/NASA
Os astrofísicos também podem estimar a constante a partir de ondulações na radiação cósmica de fundo em micro-ondas, ou CMB ("cosmic microwave background radiation"). Estas ondulações resultam de ondas sonoras que viajam pelo plasma no início do Universo. Ao medir o tamanho das ondulações, podem inferir há quanto tempo e a que distância esta CMB que vemos hoje foi criada. Baseando-se numa teoria cosmológica bem estabelecida, os investigadores podem estimar a velocidade de expansão do Universo.
No entanto, ambas as abordagens têm desvantagens. Os métodos de ondas sonoras dependem muito de como o som viajou no início do Universo, o que depende por sua vez da mistura particular de tipos de matéria na altura, de quanto tempo as ondas sonoras viajaram antes de deixar a sua marca na CMB e em suposições sobre a expansão do Universo desde aquela época. Entretanto, os métodos de escada de distâncias cósmicas encadeiam uma série de estimativas, começando com estimativas de radar da distância ao Sol e estimativas de paralaxe da distância até estrelas pulsantes chamadas cefeidas. Isto introduz uma cadeia de calibrações e medições, cada uma das quais necessita de ser precisa e sensível o suficiente para garantir uma estimativa confiável da constante de Hubble.
Uma lente do passado
Mas existe uma maneira de medir distâncias mais diretamente, com base no que chamamos de lentes gravitacionais fortes. A gravidade curva o próprio espaço-tempo e, com ele, o percurso que a luz faz através do cosmos. Um caso especial é quando um objeto muito massivo, como uma galáxia, curva a luz de um objeto muito distante de forma que a luz nos alcance por vários percursos diferentes, criando efetivamente várias imagens do mesmo objeto de fundo. Um exemplo particularmente bonito é quando o objeto distante varia ao longo do tempo - por exemplo, como ocorre com buracos negros supermassivos que acretam matéria, conhecidos como quasares. Dado que a luz viaja por períodos de tempo ligeiramente diferentes ao longo de cada percurso em torno da galáxia que atua como lente, o resultado são várias imagens ligeiramente fora de sincronia da mesma tremulação.
(Topo) A atração gravitacional de uma galáxia massiva (objeto central) curva a luz de um quasar distante em quatro percursos, resultando em quatro imagens do mesmo quasar (A-D). Como cada percurso tem um comprimento ligeiramente diferente, a luz demora períodos diferentes de tempo para chegar até nós, de modo que as imagens parecem piscar levemente fora de sincronia umas com as outras.
(Baixo) Um gráfico da magnitude, ou brilho, das quatro imagens do quasar ao longo tempo.
Crédito: M. Millon e F. Courbin/Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne
Este fenómeno é mais do que apenas bonito. Na década de 1960, os estudantes da teoria da gravidade de Einstein, relatividade geral, mostraram que podiam usar lentes gravitacionais fortes e a luz que curvam para medir mais diretamente as distâncias cósmicas - se pudessem medir o tempo relativo ao longo de cada caminho com precisão suficiente e se soubessem como a matéria na galáxia "lente" era distribuída.
Ao longo da última década, disse Birrer, as medições tornaram-se precisas o suficiente para levar este método, cosmografia de atraso de tempo, da ideia à realidade. Medições sucessivas e um esforço dedicado pelas equipas H0LiCOW, COSMOGRAIL, STRIDES e SHARP, agora sob a alçada conjunta da organização TDCOSMOS, culminaram numa medição da constante de Hubble que ronda os 73 km/s/MPc com uma precisão de 2%. Isto está de acordo com as estimativas feitas com o método local de escada de distâncias cósmicas, mas em tensão com as medições da radiação cósmica de fundo em micro-ondas sob as suposições do modelo cosmológico padrão.
Suposições de distribuição de massa galáctica
Mas Birrer não se sentia confortável com algo: os modelos da estrutura galáctica, nos quais os estudos anteriores se basearam, podem não ter sido precisos o suficiente para concluir que a constante de Hubble era diferente das estimativas baseadas na radiação cósmica de fundo. "Dirigi-me aos meus colegas e disse: 'Quero realizar um estudo que não se baseie nessas premissas,'" disse Birrer.
Em seu lugar, Birrer propôs investigar uma gama de lentes gravitacionais adicionais para fazer uma estimativa mais baseada na observação da massa e estrutura das galáxias "lente" para substituir as suposições anteriores. O novo percurso que Birrer e a equipa TDCOSMO estavam a tomar foi deliberadamente mantido cego - ou seja, toda a análise foi levada a cabo sem saber o resultado da constante de Hubble - para evitar vieses, um procedimento já estabelecido nas análises anteriores da equipa e parte integrante no caminho a seguir, explicou Birrer.
Com base nesta nova análise, com significativamente menos suposições aplicadas às sete galáxias "lente" com atraso de tempo que a equipa analisou em estudos anteriores, os cientistas chegaram a um valor mais alto da constante de Hubble, cerca de 74 km/s/MPc, mas com uma maior incerteza - o suficiente para que o seu valor fosse consistente com as estimativas altas e baixas da constante de Hubble.
No entanto, quando Birrer e a TDCOSMO adicionaram 33 lentes adicionais com propriedades semelhantes - mas sem uma fonte variável para trabalhar diretamente a cosmografia de atraso de tempo - usadas para estimar a estrutura galáctica, a estimativa da constante de Hubble caiu para cerca de 67 quilómetros por segundo por megaparsec, com 5% de incerteza, em boa concordância com as estimativas das ondas sonoras como as da CMB, mas também estatisticamente consistente com as determinações anteriores, dadas as incertezas.
Esta mudança substancial não significa que o debate sobre o valor da constante de Hubble acabou - longe disso, exclama Birrer. Por um lado, o seu método introduz uma nova incerteza na estimativa associada às 33 lentes adicionadas na análise, e a TDCOSMO precisará de mais dados para confirmar os seus resultados, embora estes dados possam não demorar muito a chegar. Birrer: "Embora a nossa nova análise não invalide estatisticamente as suposições do perfil de massa do nosso trabalho anterior, demonstra a importância de se compreender a distribuição da massa dentro das galáxias," realçou.
"Estamos a recolher agora os dados que nos permitirão recuperar a maior parte da precisão que alcançámos anteriormente com base em suposições mais sólidas. Olhando mais adiante, também teremos imagens de bastantes mais galáxias "lente" com o LSST (Legacy Survey of Space and Time) do Observatório Vera Rubin para melhorar as nossas estimativas. A nossa análise atual é apenas a primeira etapa e abre o caminho para a utilização destes próximos conjuntos de dados para fornecer uma conclusão definitiva sobre o problema remanescente."
Blocos de construção da vida podem formar-se muito antes das estrelas
Uma equipa internacional de cientistas mostrou que a glicina, o aminoácido mais simples e um importante bloco de construção da vida, pode formar-se sob as condições adversas que governam a química no espaço.
Os resultados, publicados na revista Nature Astronomy, sugerem que a glicina, e muito provavelmente outros aminoácidos, formam-se em densas nuvens interestelares muito antes destas se transformarem em novas estrelas e planetas.
Os cometas são o material mais puro no nosso Sistema Solar e refletem a composição molecular presente na época em que o nosso Sol e os planetas estavam prestes a se formar. A deteção de glicina na cabeleira do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko e em amostras trazidas para a Terra pela missão Stardust sugerem que os aminoácidos, como a glicina, se formam muito antes das estrelas. No entanto, até recentemente, pensava-se que a formação exigia energia, estabelecendo restrições claras ao ambiente em que pode ser formada.
Impressão de artista da molécula glicina juntamente com nuvens interestelares escuras no laboratório.
Crédito: Harold Linnartz
No novo estudo, uma equipa internacional de astrofísicos e modeladores astroquímicos baseados principalmente no Laboratório de Astrofísica do Observatório de Leiden, nos Países Baixos, mostrou que é possível que a glicina se forme na superfície de grãos de poeira gelada, na ausência de energia, através da "química escura". Os achados contradizem estudos anteriores que sugeriram que a radiação UV era necessária para produzir esta molécula.
O Dr. Sergio Ioppolo, da Universidade Queen Mary de Londres e autor principal do artigo, disse: "A química escura refere-se à química sem a necessidade de radiação energética. No laboratório, fomos capazes de simular as condições em nuvens interestelares escuras, onde partículas frias de poeira são cobertas por finas camadas de gelo e subsequentemente processadas pelo impacto de átomos, provocando a fragmentação de espécies precursoras e recombinação de intermediários reativos."
Precursores de outras moléculas complexas
Os cientistas primeiro mostraram que a metilamina, a espécie precursora da glicina que foi detetada na cabeleira do cometa 67P, podia formar-se. Então, usando uma configuração única de vácuo ultra-alto, equipada com uma série de linhas de feixe atómico e ferramentas de diagnóstico precisas, foram capazes de confirmar que a glicina também poderia ser formada e que a presença de água gelada era essencial neste processo.
Uma investigação mais aprofundada usando modelos astroquímicos confirmou os resultados experimentais e permitiu aos investigadores extrapolar os dados obtidos numa escala de tempo laboratorial de apenas um dia para as condições interestelares, ligando milhões de anos. "A partir daqui, descobrimos que quantidades pequenas mas substanciais de glicina podem ser formadas no espaço com o tempo," disse a professora Herma Cuppen, da Universidade Radboud, em Nijmegen, que foi responsável por alguns dos estudos de modelagem do artigo.
"A conclusão importante deste trabalho é que as moléculas consideradas blocos de construção da vida já se formam num estágio muito anterior ao início da formação das estrelas e planetas," disse Harold Linnartz, diretor do Laboratório de Astrofísica do Observatório de Leiden. "Esta formação precoce da glicina, na evolução das regiões de formação estelar, implica que este aminoácido pode ser formado de uma forma mais ubíqua no espaço e está preservado na maior parte do gelo antes da inclusão em cometas e planetesimais que compõem o material a partir do qual os planetas são feitos."
"Uma vez formada, a glicina também pode tornar-se um precursor de outras moléculas complexas", concluiu o Dr. Ioppolo. "Seguindo o mesmo mecanismo, em princípio, outros grupos funcionais podem ser adicionados à 'espinha dorsal' da glicina, resultando na formação de outros aminoácidos, como a alanina e a serina nas nuvens escuras no espaço. No final, este inventário molecular orgânico enriquecido é incluído nos corpos celestes, como cometas, e entregue a planetas jovens, como aconteceu com a nossa Terra e a muitos outros planetas."
Radiotelescópio de Arecibo será desativado após falhas de cabos (via NSF)
Após 57 anos de investigação de ponta, o icónico radiotelescópio de Arecibo chegou ao fim da sua vida. Devido a duas falhas de cabos ao longo dos últimos três meses, empresas de engenharia, externas ao Observatório, concluíram que o radiotelescópio não pode ser reparado - sem, pelo menos, arriscar o colapso total da plataforma de receção de 900 toneladas na antena abaixo, a vida dos trabalhadores e mais danos a edifícios existentes no local. Como resultado a NSF (National Science Foundation) dos EUA, proprietária da instalação, vai desativar o radiotelescópio de Arecibo, anunciou a organização ontem. Ler fonte
Levantamento do VLA revela jatos recém-nascidos em galáxias distantes (via NRAO)
Usando dados do VLASS (VLA Sky Survey), atualmente em andamento, os astrónomos encontraram várias galáxias distantes com buracos negros supermassivos nos seus núcleos que lançaram poderosos jatos de material, emissores de rádio, ao longo de mais ou menos as últimas duas décadas. Os cientistas compararam os dados do VLASS com dados de outro levantamento anterior que também usou o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) para chegar à sua conclusão. Ler fonte
Álbum de fotografias - Um Enxame Duplo em Perseu
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Greg Polanski
A maioria dos enxames de estrelas é singularmente impressionante. Os enxames abertos NGC 869 e NGC 884, no entanto, podem ser considerados duplamente impressionantes. Também conhecido como "h e chi Persei", este invulgar enxame duplo, na imagem em destaque, é brilhante o suficiente para ser visto de um local escuro mesmo sem binóculos. Embora a sua descoberta certamente anteceda a história registada, foi o astrónomo grego Hiparco que catalogou o enxame duplo. Os enxames estão a mais de 7000 anos-luz de distância na direção da constelação de Perseu, mas separados por apenas centenas de anos-luz. Além de estarem fisicamente próximos, as idades dos enxames, com base nas suas estrelas individuais, são semelhantes - evidência de que ambos os aglomerados são provavelmente um produto da mesma região de formação estelar.
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