O início da noite nesta semana tem vários astros no céu; Júpiter e Saturno tentam competir pelo lugar mais próximo da Lua, mas não são os únicos! Tentaremos "caçá-los" a todos, fotograficamente.
O AstroClube tem por objetivo desenvolver uma componente didática mais importante que durante as observações das apresentações às estrelas, que são mais lúdicas. Pretende-se que o AstroClube funcione como um "laboratório experimental" temático de astronomia. Assim, enquadra-se nesta filosofia uma certa replicação do processo científico de descobertas na Astronomia, ou de exploração prática e "Hands-On" dos conceitos de astronomia.
Data: 17 ou 21 de dezembro Hora: 18:00 horas
Local:Centro Ciência Viva do Algarve
Público-alvo: Jovens e Adultos Preço: 30€ (5 sessões)
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 11/12: 346.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1863, nascimento de Annie Jump Cannon, pioneira americana na classificação do espectro estelar.
Em 1972, a Apollo 17 faz a sua alunagem. Observações: Ao amanhecer, encontre a Lua a sudeste. O ponto brilhante para baixo e um pouco para a esquerda, perto do horizonte, é o planeta Vénus.
Dia 12/12: 347.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1901, Marconi envia o primeiro sinal transatlântico de rádio (a letra "S" em código Morse), percursor da telecomunicações que hoje se utilizam no espaço.
Em 1970, lançamento do satélite Uhuru, o primeiro desenhado especificamente com o propósito de fazer astronomia em raios-X.
A missão terminou em março de 1973. Levou a cabo o primeiro estudo intensivo de todo o céu em busca de fontes raios-X, com uma sensibilidade de aproximadamente 0,001 vezes a intensidade da Nebulosa do Caranguejo.
Em 2012, a Coreia do Norte lança com sucesso o seu primeiro satélite, a Unidade 2 do Kwangmyŏngsŏng-3, usando um foguetão Unha-3. Observações: Repita a mesma observação de ontem. Conseguirá verificar que a Lua está hoje mais perto de Vénus, ambos baixos a sudeste ao amanhecer.
Dia 13/12: 348.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1867, nascia Kristian Birkeland, cientista norueguês, conhecido por ter sido o primeiro a elucidar a natureza da Aurora Boreal.
Em 1920, era medido o primeiro diâmetro estelar (Betelgeuse), por Francis Pease com um interferómetro no Mt. Wilson.
Em 1962, lançamento do Relay 1 da NASA, primeiro satélite de comunicações em órbita.
Em 1972, Eugene Cernan e Harrison Schmitt fazem o seu terceiro e último passeio lunar com o rover, durante a missão Apollo 17. Observações: Orionte começa a ficar visível baixo a este depois da hora de jantar, para baixo das Plêiades e de Aldebarã. Isto significa que Gémeos também está a aparecer para a sua esquerda (para observadores a latitudes médias norte). As estrelas das cabeças dos gémeos, Castor e Pollux, estão no lado esquerdo da constelação - uma por cima da outra, com Castor no topo.
Pico da chuva de meteoros das Geminídeas.
Dia 14/12: 349.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1546 nascia Tycho Brahe.
Nascido em Knudstrup, o astrónomo dinamarquês estabeleceu o primeiro observatório moderno e alterou muitas teorias Copernianas. Deu a Kepler o seu primeiro trabalho de campo.
Em 1782, o primeiro balão dos irmãos Montgolfier levanta voo no seu primeiro teste.
Em 1962, a sonda americana Mariner 2 encontra Vénus e torna-se na primeira sonda interplanetária bem-sucedida.
Em 1972, Eugene Cernan torna-se na última pessoa a pisar a Lua, após ele e Harrison Schmidt completarem o terceiro e último EVA (atividade extra-veicular) da missão Apollo 17. Observações: Lua Nova, pelas 16:17; eclipse solar total visível na América do Sul.
O "mau tempo" espacial pode impossibilitar vida em Proxima Centauri b
Se olhar para o céu do hemisfério sul poderá ver as estrelas "guia" que apontam para a constelação do Cruzeiro do Sul. Uma destas guias é Alpha Centauri, que é na verdade um par de estrelas parecidas com o Sol que estão demasiado próximas uma da outra para serem distinguíveis à vista desarmada.
Cinco das 36 antenas do ASKAP com uma vista da Via Láctea. O Cruzeiro do Sul e as estrelas guia são visíveis logo acima da antena central da imagem.
Crédito: CSIRO/Alex Cherney
O sistema Alpha Centauri também tem um terceiro membro estelar: Proxima Centauri, que orbita as duas estrelas centrais num percurso muito largo. Esta é a vizinha mais próxima do Sol, a uma distância de apenas 4,2 anos-luz.
É possível que um dos planetas de Proxima Centauri seja adequado para a vida. No entanto, recentemente foi detetada em Proxima Centauri a assinatura de um clima espacial violento, o que implica que um planeta em órbita pode ser atingido por perigosas partículas e campos magnéticos.
A nossa vizinha não é como o Sol
O nosso Sol é uma estrela anã amarela relativamente vulgar, hospedando o único planeta com vida conhecido no Universo: a nossa Terra.
Proxima Centauri é muito diferente. É uma estrela anã vermelha, com um apenas 15% do diâmetro do Sol, e uma temperatura à superfície de 3000 K, muito mais fria do que os 6000 K do Sol.
Dado que Proxima Centauri é relativamente fria, a sua zona habitável - onde a temperatura é ideal para a existência de água líquida à superfície de um planeta rochoso - corresponde a cerca de 1/20 da distância Terra-Sol. Existe um grande interesse em planetas na zona habitável de uma estrela porque a água líquida é necessária para a vida como a conhecemos.
Sabemos que Proxima Centauri tem pelo menos dois planetas: Proxima Centauri b, uma "super-Terra" rochosa localizada no meio da zona habitável, e Proxima Centauri c, um "sub-Neptuno" localizado mais longe.
Durante anos, os astrónomos suspeitaram que planetas como Proxima Centauri b pudessem ser um lugar perigoso para a vida porque estão demasiado perto das suas estrelas hospedeiras. Muitas anãs vermelhas produzem erupções frequentes e poderosas - surtos intensos de radiação que viajam para o espaço. Caso planetas como Proxima Centauri b não tenham características protetoras, como uma densa atmosfera ou um forte campo magnético, são expostos a níveis perigosos de radiação.
Mas como é o clima em torno destas estrelas?
O "clima espacial" das anãs vermelhas é outro fator importante para determinar o quão hospitaleiras são para a vida. Embora as proeminências envolvam intensas explosões de luz, os eventos do clima espacial significam que o campo magnético e as partículas carregadas da estrela podem interagir diretamente com os planetas.
Os eventos mais energéticos do clima espacial são conhecidos como ejeções de massa coronal (ou EMCs). Estas erupções massivas escapam da atmosfera de uma estrela e viajam pelo espaço a milhões de quilómetros por hora.
Se as condições do clima espacial forem suficientemente extremas, a atmosfera planetária pode ser destruída e o seu campo magnético empurrado para trás, deixando a superfície exposta a uma mortal radiação estelar.
Desde a década de 1970 que são detetadas EMCs em torno do Sol, mas a deteção de eventos do clima espacial em torno de estrelas distantes é muito mais difícil.
Uma sequência de poderosas ejeções de massa coronal do Sol, observadas pela SOHO (Solar and Heliospheric Observatory) da ESA/NASA. O Sol está localizado por trás do círculo central.
Crédito: ESA/NASA/SOHO
Para atualizações sobre o clima, sintonize o rádio
As EMCs do Sol produzem surtos característicos de ruído no rádio, como rajadas do "tipo II" e "tipo IV". Ao detetarmos assinaturas semelhantes noutras estrelas, podemos identificar indiretamente EMCs estelares.
No início de 2019, uma equipa da Universidade de Sydney apontou os seus telescópios a Proxima Centauri durante 11 noites. Usaram o novo radiotelescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), bem como o Telescópio Zadko, o Telescópio ANU de 2,3 metros e o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA.
O seu objetivo era detetar a assinatura de uma EMC.
Na noite de 2 de maio de 2019, observaram uma grande proeminência ótica com uma produção total de energia estimada em 16 quadriliões de joules. No Sol, erupções assim tão grandes ocorrem apenas uma vez a cada 10 ou 20 anos. Mas em Proxima Centauri, ocorrem a cada poucas semanas.
Usando o ASKAP, os cientistas observaram uma sequência espetacular de intensos surtos de rádio.
Com os detalhes surpreendentes revelados com o ASKAP, puderam ver que haviam detetado até agora o melhor exemplo de uma explosão parecida à do tipo solar IV, noutra estrela.
Esta rajada de ondas rádio indica que o clima espacial em torno de Proxima Centauri é bastante violento.
Dados óticos e no rádio obtidos na noite de 2 de maio de 2019. O painel do topo mostra o "espectro dinâmico" do ASKAP, que mostra como a intensidade varia com a frequência de rádio e com o tempo. O painel de baixo mostra dados de telescópios óticos, revelando uma poderosa explosão de radiação. Quando combinados, a ocorrência de poderosos surtos rádio associados a atividades de proeminências torna-se clara.
Crédito: Andrew Zic/Universidade de Sydney/CSIRO
"Uma só andorinha não faz o verão"
Em 1859, os astrónomos britânicos Richard Carrington e Richard Hodgson fizeram as primeiras observações de uma proeminência solar, que foi seguida por uma enorme tempestade espacial chamada "Evento Carrington". Sabemos agora que a tempestade foi provocada por uma grande ejeção de massa coronal que atingiu a Terra.
Carrington notou a coincidência entre estes eventos extraordinários, mas foi cauteloso ao fazer qualquer ligação entre eles, famosamente afirmando que "uma só andorinha não faz o verão". Os investigadores encontram-se agora numa situação idêntica à de Carrington.
Observaram uma assinatura de um surto de rádio que implica uma EMC de Proxima Centauri. Mas para confirmar a relação destes surtos estelares de rádio com as EMCs, precisam de obter informações noutros comprimentos de onda. Assim que o puderem fazer, saberemos exatamente quão perigoso é viver ao lado de uma estrela como Proxima Centauri.
Novo Ciclo Solar poderá ser um dos mais fortes registados
Esquerda: bandas magnéticas com carga oposta, representadas a vermelho e azul, marcham em direção ao equador ao longo de um período de 22 anos. Quando se encontram no equador, aniquilam-se umas às outras.
Direita: A animação do topo mostra o número total de manchas solares (a preto) e as contribuições dos hemisfério norte (vermelho) e sul (azul). O gráfico de baixo mostra a posição das manchas.
Em contradição direta com a previsão oficial, uma equipa de cientistas liderada pelo NCAR (National Center for Atmospheric Research) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado, está a prever que o ciclo de manchas solares que começou este outono pode ser um dos mais fortes desde o início dos registos.
Num novo artigo publicado na revista Solar Physics, a equipa de investigação prevê que o Ciclo Solar 25 atingirá o pico com um número máximo de manchas solares algures entre 210 e 260, o que colocaria o novo ciclo na companhia dos mais ativos já observados.
O ciclo que acabou de terminar, o Ciclo Solar 24, atingiu o pico com um número de manchas solares de 116, e a previsão consensual de um painel de especialistas convocado pela NASA e pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) está a prever que o Ciclo Solar 25 será igualmente fraco. O painel prevê um número máximo de 115 manchas solares.
Se a nova previsão do NCAR for confirmada, dará suporte à teoria inconvencional da equipa de investigação - detalhada numa série de artigos científicos publicados ao longo da última década - de que o Sol tem ciclos magnéticos de 22 anos sobrepostos que interagem para produzir o bem conhecido ciclo de manchas solares com mais ou menos 11 anos, mas como subproduto. Os ciclos de 22 anos repetem-se como um relógio e podem ser a chave para finalmente fazer previsões precisas do tempo e da natureza dos ciclos de manchas solares, bem como muitos dos efeitos que produzem, dizem os autores do estudo.
"Os cientistas têm-se esforçado para prever a duração e a força dos ciclos solares porque não temos uma compreensão fundamental do mecanismo que impulsiona o ciclo," disse o vice-diretor do NCAR, Scott McIntosh, físico solar que liderou o estudo. "Se a nossa previsão estiver correta, teremos evidências de que a nossa estrutura para compreender a máquina magnética interna do Sol está no caminho certo."
A nova investigação foi financiada pela NSF (National Science Foundation), que é patrocinadora do NCAR, e pelo programa "Living With a Star" da NASA.
Ciclo Solar 25 começa com um "bang"; o que se seguirá?
No trabalho anterior de McIntosh, ele e colegas esboçaram os contornos de um ciclo solar estendido de 22 anos usando observações de brilhantes pontos coronais, lampejos efémeros de luz ultravioleta extrema na atmosfera solar. Estes pontos brilhantes podem ser vistos a marchar a partir das altas latitudes do Sol até ao equador ao longo de aproximadamente 20 anos. Conforme cruzam as latitudes médias, os pontos brilhantes coincidem com o surgimento da atividade de manchas solares.
McIntosh pensa que os pontos brilhantes assinalam a viagem das bandas do campo magnético, que envolvem o Sol. Quando as bandas dos hemisfério norte e sul - que têm campos magnéticos de carga oposta - se encontram no equador, aniquilam-se mutuamente, levando a um evento "terminador". Estes terminadores são marcadores cruciais do relógio de 22 anos do Sol, diz McIntosh, porque sinalizam o fim de um ciclo magnético, juntamente com o seu ciclo de manchas correspondente, - e agem como um gatilho para o início do ciclo magnético seguinte.
Enquanto um conjunto de bandas de carga oposta está a mais ou menos metade da sua migração em direção ao encontro equatorial, um segundo conjunto aparece a altas latitudes e começa a sua própria migração. Embora estas faixas apareçam em altas latitudes a um ritmo relativamente consistente - a cada 11 anos -, às vezes diminuem de velocidade ao cruzar as latitudes médias, o que parece enfraquecer a força do ciclo solar seguinte.
Isto acontece porque a desaceleração age para aumentar o tempo em que os conjuntos de bandas com cargas opostas se sobrepõem e interferem umas com as outras dentro do Sol. A desaceleração estende o ciclo solar atual, empurrando o evento terminador para fora do tempo suposto. A deslocação do terminador no tempo tem o efeito de corroer a produtividade de manchas do próximo ciclo.
"Quando olhamos para o registo observacional de 270 anos de eventos terminadores, vemos que quanto maior o tempo entre os terminadores, mais fraco é o próximo ciclo", disse o coautor Bob Leamon, investigador da Universidade de Maryland, em Baltimore County. "E, inversamente, quanto menor o tempo entre terminadores, mais forte é o próximo ciclo solar."
Esta correlação tem sido difícil de observar no passado pelos cientistas porque tradicionalmente mediam a duração de um ciclo de manchas solares de mínimo solar a mínimo solar, que é definido usando uma média em vez de um evento preciso. No novo estudo, os investigadores mediram de terminador a terminador, o que permite uma muito maior precisão.
Embora os eventos terminadores ocorram aproximadamente a cada 11 anos e assinalem o início e o fim do ciclo de manchas solares, o tempo entre os terminadores pode variar em anos. Por exemplo, o Ciclo Solar 4 começou com um terminador em 1786 e acabou com um terminador em 1801, 15 anos depois, um período sem precedentes. O ciclo seguinte, o 5, foi incrivelmente fraco, com um pico de amplitude de apenas 82 manchas solares. Esse ciclo seria conhecido como o início do Grande Mínimo "Dalton".
Da mesma forma, o Ciclo Solar 23 começou em 1998 e só terminou em 2011, 13 anos depois. O Ciclo Solar 24, que acabou há pouco tempo, foi também bastante fraco, mas também foi bastante curto - quase 10 anos de duração - e essa é a base para a previsão otimista do novo estudo de que o Ciclo Solar 25 será forte.
"Depois de identificarmos os terminadores nos registos históricos, o padrão torna-se óbvio," disse McIntosh. "Um Ciclo Solar 25 fraco, como a comunidade científica está a prever, seria um completo afastamento de tudo o que os dados nos mostraram até agora."
Cientistas obtêm informações sobre a atmosfera superaquecida do Sol
Um fenómeno detetado pela primeira vez no vento solar pode ajudar a resolver um antigo mistério sobre o Sol: por que razão a atmosfera solar é milhões de graus mais quente do que a superfície.
Imagens do IRIS (Interface Region Imaging Spectrograph) e do instrumento AIA (Atmospheric Imaging Assembly) da SDO (Solar Dynamic Orbiter) mostram evidências de que "loops" magnéticos baixos são aquecidos a milhões de Kelvin.
Investigadores da Universidade rice, da Universidade do Colorado em Boulder e do Centro de Voo Espacial Marshall da NASA afirmam que os iões mais pesados, como o silício, são aquecidos preferencialmente tanto pelo vento solar quanto na região de transição entre a cromosfera e a coroa solar.
Aí, "loops" de plasma magnetizado formam um arco contínuo, não muito diferente dos seus primos na coroa mais acima. São muito mais pequenos e difíceis de analisar, mas há muito que se pensa que abriguem o mecanismo conduzido magneticamente que liberta surtos energéticos na forma de nanoproeminências.
Imagem do Sol.
Crédito: NASA
O físico solar de Rice, Stephen Bradshaw, e colegas estavam entre os que suspeitavam disso, mas ninguém tinha evidências suficientes antes do IRIS.
O espectrómetro orbital foi construído especificamente para observar a região de transição. No estudo financiado pela NASA, publicado na Nature Astronomy, os investigadores descrevem "brilhos" nos "loops" de reconexão que contêm fortes assinaturas espectrais do oxigénio e, especialmente, dos mais pesados iões de silício.
A equipa de Bradshaw, o seu ex-aluno e autor principal Shah Mohammad Bahauddin, agora investigador do LASP (Laboratory for Atmospheric and Space Physics) da Universidade do Colorado, juntamente com a astrofísica Amy Winebarger da NASA, estudaram imagens do IRIS capazes de resolver detalhes destes "loops" de transição de região e detetaram zonas de plasma superquente. As imagens permitem a análise dos movimentos e das temperaturas dos iões dentro dos "loops" por meio da luz que emitem, lidos como linhas espectrais que servem como "impressões digitais" químicas.
"É nas linhas de emissão que toda a física é impressa," disse Bradshaw, professor associado de física e de astronomia. "A ideia era aprender como estas estruturas minúsculas são aquecidas e esperar dizer algo sobre como a própria coroa é aquecida. Este pode ser um mecanismo omnipresente que opera em toda a atmosfera solar."
As imagens revelaram espectros de zonas quentes onde as linhas foram alargadas por efeitos térmicos e pelo efeito Doppler, indicando não apenas os elementos envolvidos nas nanoproeminências, mas também as suas temperaturas e velocidades.
Nas regiões quentes, encontraram jatos de reconexão contendo iões de silício movidos na direção (desvio para o azul) do observador (IRIS) e para longe (desvio para o vermelho), a velocidades de até 100 km/s. Não foi detetado nenhum desvio Doppler para iões de oxigénio mais leves.
Os cientistas estudaram dois componentes do mecanismo: como a energia sai do campo magnético e depois como realmente aquece o plasma.
A região de transição tem apenas cerca de 5800 K, mas a convecção à superfície do Sol afeta os "loops", torcendo e trançando os finos fios magnéticos que os compõem e acrescentando energia aos campos magnéticos que, em última análise, aquecem o plasma, disse Bradshaw. "As observações do IRIS mostraram esse processo a ocorrer e estamos razoavelmente certos de que pelo menos uma resposta à primeira parte é por meio de reconexão magnética, da qual os jatos são uma assinatura chave," disse.
Imagens do Sol obtidas pelo IRIS mostram novos detalhes de como "loops" baixos de plasma são energizados e podem também revelar como a escaldante coroa é criada.
Crédito: Universidade Rice/NASA
Nesse processo, os campos magnéticos dos filamentos de plasma quebram-se e ligam-se novamente em locais entrançados em estados menos energéticos, libertando energia magnética armazenada. Onde isto ocorre, o plasma torna-se superaquecido.
Mas como o plasma é aquecido pela energia magnética libertada tem permanecido um quebra-cabeças até agora. "Olhámos para as regiões nestas pequenas estruturas em 'loop' onde a reconexão estava a ocorrer e medimos as linhas de emissão dos iões, principalmente silício e oxigénio," disse. "Descobrimos que as linhas espectrais dos iões de silício eram muito mais largas do que as do oxigénio."
Isto indicou aquecimento preferencial dos iões de silício. "Precisávamos de explicar isto," disse Bradshaw. "Nós observámos, pensámos e descobrimos que existe um processo cinético chamado de aquecimento de iões de ciclotrão que favorece o aquecimento de iões pesados em relação aos mais leves."
Ele disse que as ondas de iões de ciclotrão são geradas nos locais de reconexão. As ondas carregadas pelos iões mais pesados são mais suscetíveis a uma instabilidade que faz com que as ondas se "quebrem" e gerem turbulência, que espalha e energiza os iões. Isto amplia as suas linhas espectrais além do que seria de esperar apenas da temperatura local do plasma. No caso dos iões mais leves, pode haver energia suficiente para os aquecer. "Caso contrário, não excedem a velocidade crítica necessária para desencadear a instabilidade, que é superior para os iões mais leves," explicou.
"No vento solar, os iões mais pesados são significativamente mais quentes do que os iões mais leves," acrescentou Bradshaw. "Isto foi medido definitivamente. O nosso estudo mostra pela primeira vez que esta é também uma propriedade da região de transição e, portanto, pode persistir em toda a atmosfera devido ao mecanismo que identificámos, incluindo o aquecimento da coroa solar, principalmente porque o vento solar é uma manifestação da coroa a expandir-se para o espaço interplanetário."
A próxima questão, disse Bahauddin, é se esses fenómenos estão a acontecer na mesma proporção em todo o Sol. "A resposta é provavelmente não," disse. "De modo que a questão seguinte é: quanto é que contribuem para o problema do aquecimento coronal? Podem fornecer energia suficiente para a alta atmosfera para que possa manter uma coroa com milhões de graus?
"O que mostrámos para a região de transição foi uma solução para uma peça importante do quebra-cabeças, mas o quadro geral requer que mais peças caiam no lugar certo," disse Bahauddin. "Penso que o IRIS será capaz de nos dizer mais sobre as peças cromosféricas no futuro próximo. E isto vai ajudar-nos a construir uma teoria unificada e global da atmosfera do Sol."
Uma vista tridimensional da Via Láctea (via Instituto Max Planck)
Na nossa Via Láctea, existem cerca de 200 mil milhões de sóis, bem como grandes quantidades de gás, parte do qual serve como matéria-prima para o nascimento das estrelas. O gás acumula-se em aglomerados compactos mas também aparece como grandes nuvens moleculares. Os astrónomos usaram o telescópio sub-milimétrico Apex no Chile para observar profundamente o plano galáctico e medir o meio interestelar. Estudaram a distribuição do gás molecular frio na região interna da Via Láctea com uma precisão sem precedentes. Os investigadores catalogaram mais de 10.000 nuvens interestelares. Descobriram que atualmente apenas cerca de 10% delas contêm estrelas. O projeto cobre uma área de 84 graus quadrados no céu do hemisfério sul. Ler fonte
5 "jóias escondidas" a bordo do rover Perseverance (via NASA)
A mais de metade do caminho até Marte, o rover Perseverance da NASA não transporta só instrumentos científicos sofisticados e tubos para serem preenchidos com solo marciano para envio para a Terra. Transporta símbolos, lemas e objetos que variam de práticos a lúdicos - desde fragmentos de meteoritos a chips com os nomes de 10,9 milhões de pessoas. Ler fonte
Álbum de fotografias - Simeis 147: Remanescente de Supernova
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Georges Attard
É fácil perdermo-nos ao seguir os intrincados filamentos nesta imagem detalhada do ténue remanescente de supernova Simeis 147. Também catalogado como Sharpless 2-240, tem a alcunha popular de Nebulosa do Esparguete. Visto na direção da fronteira entre as constelações de Touro e Cocheiro, cobre quase 3 graus ou 6 Luas Cheias no céu. Isso corresponde a cerca de 150 anos-luz à distância estimada de 3000 anos-luz da nuvem estelar de detritos. Esta composição inclui dados de imagem obtidos através de filtros de banda estreia, onde a emissão avermelhada dos átomos de hidrogénio ionizado e os átomos duplamente ionizados do oxigénio, em tons de azul-verde, traçam o gás brilhante. O remanescente de supernova tem uma idade estimada em cerca de 40.000 anos, o que significa que a enorme explosão estelar atingiu a Terra há 40.000 anos. Mas o remanescente em expansão não é o único resultado da explosão. A catástrofe cósmica também deixou para trás uma estrela de neutrões ou pulsar, tudo o que resta do núcleo da estrela original.
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