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  Astroboletim #1757  
  08/01 a 11/01/2021  
     
 
Efemérides

Dia 08/01: 8.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1587 nascia Johann(es) Fabricius, astrónomo alemão, descobridor das manchas solares (em 1610), independentemente de Galileu.
Em 1942 nascia Stephen Hawking, físico teórico, cosmólogo e autor.

Entre os seus importantes trabalhos científicos, destacamos os teoremas da singularidade gravitacional no contexto da relatividade geral, a previsão teórica que os buracos negros emitem radiação e a união da teoria geral da relatividade com a mecânica quântica.
Em 1973 era lançada a missão espacial soviética Luna 21
Em 1994, o cosmonauta russo Valeri Polyakov parte para a Mir a bordo da Soyuz TM-18. Permaneceria na estação espacial até 22 de março de 1995, completando um recorde de 437 dias no espaço.
Observações: Se o seu céu é moderadamente escuro, tente traçar a Via Láctea de inverno pelo céu. Ao início da noite, estende-se do horizonte a oeste-noroeste ao longo da cruz de Cisne, para cima e para a direita passando por Cefeu e por Cassiopeia alta a norte, depois para a direita e para baixo e para a direita através de Perseu e Cocheiro, descendo entre os pés de Gémeos e pela "moca" de Orionte, em direção ao horizonte a este-sudeste entre Procyon e Sirius.

Dia 09/01: 9.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1839, a Academia Francesa de Ciências anuncia o processo de fotografia por daguerreótipo. No mesmo dia, o astrónomo escocês Thomas Henderson é o primeiro a medir a distância até uma estrela (Alpha Centauri) que não o Sol usando paralaxe.

Em 1986, Stephen Synott (em imagens obtidas pela Voyager 2) descobre Cressida, uma lua de Úrano.
Em 1990, lançamento da missão STS-32 do vaivém Columbia.
Observações: Júpiter e especialmente o planeta Sautnro estão cada vez mais difíceis de avistar baixos ao lusco-fusco. Tente avistá-los usando binóculos. Porque agora são três! Mercúrio está a emergir passando por eles, subindo no céu para uma boa aparição mais tarde neste mês.
Júpiter é o mais fácil de encontrar: tem magnitude -1,9. Mercúrio, -0,9, e Saturno tem +0,6.
Pouco depois do pôr-do-Sol formam um triângulo com 3º de altura. Durante os próximos três dias, Mercúrio deslocar-se-á para cima e para a esquerda dos outros dois planetas. Amanhã, dia 10, formará um triângulo quase equilátero e mais íntimo com cerca de 2º de lado.

Dia 10/01: 10.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1936 nascia Robert Woodrow Wilson, astrónomo americano laureado com o prémio Nobel da Física em 1978. Juntamente com Arno Allan Penzias, descobriu em 1964 a radiação cósmica de fundo em microondas.
Em 1962, a NASA anuncia planos para construir o veículo de lançamento C-5.

Ficou mais conhecido pelo nome Saturno V, lançado em cada uma das missões Apollo. 
Em 1969, lançamento da Venera 6 (USSR). Alcançou Vénus a 17 de maio de 1969. Enviou dados até 11 km da superfície, antes de ser despedaçada pela pressão do planeta.
Observações: Estamos na época mais fria do ano, mas a Estrela de Verão, Vega, ainda se agarra ao céu noturno. Tente avistá-la baixa a noroeste durante e pouco tempo depois do cair da noite. Quanto mais para norte estiver o observador, mais alta estará. Mas se estiver a norte da latitude 51º (Londres), Vega é na realidade circumpolar.

Dia 11/01: 11.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787, William Herschel descobre Oberon e Titânia, os maiores satélites de Úrano.

Em 1996, missão STS-72 do vaivém Endeavour, no seu 10.º voo.
Observações: Nesta época do ano a pequena Ursa Menor apoia-se como que "pregada" a partir da Polar. A Ursa Maior, entretanto, sobe a norte-nordeste. A sua "pega" está baixa e a "frigideira" está para cima e para a direita.

 
 
   
Nova imagem da luz mais antiga do Universo fornece "twist" ao debate da idade do Universo

A partir do alto de uma montanha no deserto do Atacama, no Chile, os astrónomos do ACT (Atacama Cosmology Telescope) da NSF (National Science Foundation) observaram novamente a luz mais antiga do Universo. As suas mais recentes observações, juntamente com um pouco de geometria cósmica, sugerem que o Universo tem 13,77 mil milhões de anos, +/- 40 milhões de anos.

 
Parte de uma nova imagem da luz mais antiga do Universo, obtida pelo ACT (Atacama Cosmology Telescope). Esta secção cobre uma secção do céu com 50 vezes o diâmetro da Lua, representando uma região do espaço com 20 mil milhões de anos-luz de largura. A luz, emitida apenas 380.000 anos após o Big Bang, varia em polarização (representada aqui pelas cores mais avermelhadas ou azuladas). Os astrofísicos usaram o espaçamento entre estas variações para calcular uma nova estimativa da idade do Universo.
Crédito: Colaboração ACT
 

A nova estimativa coincide com a fornecida pelo modelo padrão do Universo e com as medições da mesma radiação obtidas pelo satélite Planck. Isto acrescenta um novo "twist" a um debate em andamento na comunidade astrofísica, diz Simone Aiola, autor principal de um dos novos artigos científicos sobre as descobertas publicados na revista Journal of Cosmology and Astroparticle Physics dia de 30 de dezembro de 2020.

Em 2019, uma equipa de investigação calculou, medindo os movimentos de galáxias, que o Universo é centenas de milhões de anos mais jovem do que a equipa do Planck havia previsto. Essa discrepância sugeriu que um novo modelo para o Universo podia ser necessário e gerou preocupações de que um dos conjuntos de medições podia estar incorreto.

"Agora chegámos a uma resposta em que o Planck e o ACT concordam," diz Aiola, investigador no Centro para Astrofísica Computacional do Instituto Flatiron. "Atesta ao facto de que estas medições difíceis são confiáveis."

A idade do Universo também revela quão rápido o cosmos está a expandir-se, um número quantificado pela constante de Hubble. As medições do ACT sugerem uma constante de Hubble de 67,6 quilómetros por segundo por megaparsec. Ou seja, um objeto a 1 megaparsec (cerca de 3,26 milhões de anos-luz) da Terra está a afastar-se de nós a 67,6 km/s devido à expansão do Universo. Este resultado concorda quase exatamente com a estimativa anterior de 67,4 km/s/Mpc da equipa do satélite Planck, mas é inferior aos 74 km/s/Mpc inferidos a partir das medições de galáxias.

"Eu não tinha uma preferência particular por nenhum valor específico - iria ser interessante de uma forma ou de outra," diz Steve Choi, investigador na Universidade de Cornell. "Determinámos um ritmo de expansão que está de acordo com a estimativa da equipa do satélite Planck. Isto dá-nos mais confiança nas medições da luz mais antiga do Universo."

Mas a discrepância entre as medições sugere que ou há algo em falta no nosso modelo cosmológico ou há algo errado com as medições, diz Michael Niemack, coautor dos artigos. Embora várias medições do Universo local nos deem uma constante de Hubble consistentemente mais alta, esta é a primeira vez que duas medições independentes da radiação cósmica de fundo em micro-ondas alcançam uma constante de Hubble consistentemente mais baixa (a radiação cósmica de fundo marca um momento 380.000 anos após o nascimento do Universo quando protões e eletrões se juntaram para formar os primeiros átomos. Antes disso, o cosmos era opaco à luz).

"A tensão crescente entre estas medições distantes vs. locais da constante de Hubble sugere que podemos estar à beira de uma nova descoberta na cosmologia que poderá mudar a nossa compreensão de como o Universo funciona. Também destaca a importância de melhorar as nossas medições da radiação cósmica de fundo em micro-ondas com o ACT bem como com o futuro Observatório Simons e com o projeto CCAT-prime que estamos agora a construir," diz Niemack, professor associado de física e astronomia.

Tal como o satélite Planck, o ACT analisa a radiação cósmica de fundo, o brilho remanescente do Big Bang.

Se os cientistas puderem estimar a distância que esta radiação viajou até chegar à Terra, podem calcular a idade do Universo. No entanto, falar é fácil. Determinar distâncias cósmicas é difícil. De modo que os cientistas medem o ângulo no céu entre dois objetos distantes, com a Terra e os dois objetos formando um triângulo cósmico. Se os cientistas também conhecerem a separação física entre esses objetos, podem usar a geometria do ensino secundário para estimar a distância dos objetos à Terra.

Variações subtis no brilho da radiação cósmica de fundo em micro-ondas fornecem pontos de ancoragem para formar os outros dois vértices do triângulo. Essas variações na temperatura e polarização resultaram de flutuações quânticas no Universo inicial, que foram amplificadas pela expansão do Universo em regiões de densidade variável (as manchas mais densas iriam formar enxames galácticos). Os cientistas têm uma compreensão forte o suficiente dos primeiros anos do Universo para saber que estas variações na radiação cósmica de fundo deveriam ser tipicamente espaçadas a cada mil milhões de anos em termos de temperatura e metade para polarização (para efeitos de escala, a nossa Via Láctea tem cerca de 200.000 anos-luz em diâmetro).

O ACT mediu as flutuações na radiação cósmica de fundo em micro-ondas numa resolução sem precedentes, observando mais detalhadamente a polarização da luz. "O satélite Planck mediu a mesma radiação, mas ao medir a sua polarização com maior fidelidade, a nova imagem do ACT revela mais dos padrões mais antigos alguma vez vistos," diz Suzanne Staggs, investigadora principal do ACT na Universidade de Princeton.

À medida que o ACT continua a fazer observações, os astrónomos terão uma imagem ainda mais clara da radiação cósmica de fundo e uma ideia mais exata de há quanto tempo o cosmos teve início. A equipa do ACT também examinará essas observações em busca de sinais de física que não se enquadra no modelo cosmológico padrão. Uma física tão estranha poderia resolver a discordância entre as previsões da idade e ritmo de expansão do Universo decorrentes das medições da radiação cósmica de fundo em micro-ondas e dos movimentos das galáxias.

// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics)
// Artigo científico #1 (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
// Artigo científico #3 (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics)
// Artigo científico #3 (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
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05/10/2012 - Spitzer providencia melhor medição até agora da expansão do universo
11/08/2006 - Chandra confirma constante de Hubble

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)

ACT (Atacama Cosmology Telescope):
Página principal (Universidade de Princeton)
Wikipedia

Observatório Planck:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Arquivo do Legado Planck (ESA)
Wikipedia

 
   
Os segredos por trás dos sismos solares podem esconder-se logo abaixo da superfície do Sol

Um segredo por trás do funcionamento dos sismos solares - atividade sísmica no Sol durante as erupções solares - pode estar escondido abaixo da superfície solar.

Estes eventos semelhantes a terremotos libertam energia acústica na forma de ondas que percorrem a superfície do Sol, como ondas num lago, nos minutos que se seguem a uma proeminência solar - um surto de luz, energia e material visto na atmosfera externa do Sol.

 
Animação de um sismo solar - ondas parecidas às dos sismos que percorrem a nossa estrela. A imagem da esquerda mostra a região ativa no visível e no ultravioleta extremo no dia 30 de julho de 2011. A imagem da direita mostra as ondulações na superfície do Sol até 42 minutos depois do início da proeminência, que está marcada pela descrição "IP" (inglês para "impulsive flare").
Crédito: NASA/SDO
 

Os cientistas há muito que suspeitam que os sismos solares são impulsionados por forças magnéticas ou pelo aquecimento da atmosfera externa, onde a proeminência ocorre. Pensa-se que estas ondas "mergulhem" pela superfície do Sol e até ao seu interior profundo. Mas novos resultados, usando dados da SDO (Solar Dynamics Observatory) da NASA, descobriram algo diferente.

Em julho de 2011, a missão SDO observou um sismo solar com ondulações invulgarmente agudas emanando de uma proeminência solar moderadamente forte. Os cientistas foram capazes de rastrear as ondas que provocaram as ondulações de volta à sua origem, usando uma técnica chamada holografia heliosísmica. Esta técnica, que usou o instrumento HMI (Helioseismic and Magnetic Imager) da SDO para medir como a superfície solar se movia, foi usada anteriormente para rastrear ondas acústicas de uma variedade de outras fontes no Sol.

Em vez das ondas viajando de cima para o Sol, os cientistas viram as ondulações à superfície, devido a um sismo solar, emergindo das profundezas da superfície solar logo após a ocorrência de uma erupção. Os resultados, publicados na revista The Astrophysical Journal Letters, descobriram que a fonte acústica estava cerca de 1100 km abaixo da superfície do Sol - não acima da superfície como se pensava anteriormente.

Os cientistas pensam que estas ondas foram impulsionadas por uma fonte submersa que, por sua vez, foi de alguma forma desencadeada pela explosão solar na atmosfera acima. As novas descobertas podem ajudar a explicar um antigo mistério sobre os sismos solares: porque é que algumas das suas características parecem notavelmente diferentes das erupções que as desencadeiam.

Os cientistas ainda não identificaram exatamente qual o mecanismo que provoca realmente os sismos, embora os resultados forneçam a pista de que as suas origens provavelmente se escondem sob a superfície. Os cientistas planeiam continuar à procura de um mecanismo observando outros sismos solares para ver se têm fontes similarmente submersas.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Saiba mais

Sol:
CCVAlg - Astronomia 
Wikipedia
Heliosismologia (Wikipedia)

SDO:
NASA
Wikipedia

 
   
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Álbum de fotografias - A Pequena Nuvem de Magalhães
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: José Mtanous
 
O que é a Pequena Nuvem de Magalhães? Uma galáxia. O navegador Fernão de Magalhães e a sua tripulação observaram o céu noturno desconhecido do Sul durante a sua primeira circunavegação do planeta Terra no início do século XVI. Como resultado, as duas maravilhas celestes facilmente visíveis para observadores do hemisfério sul são agora conhecidas como as Nuvens de Magalhães. Nos últimos 100 anos, as investigações mostraram que estas nuvens cósmicas são galáxias anãs irregulares, satélites da nossa Galáxia espiral maior, a Via Láctea. A Pequena Nuvem de Magalhães na verdade estende-se por 15.000 anos-luz ou mais e contém várias centenas de milhões de estrelas. A cerca de 210.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Tucano, está mais distante que outras galáxias satélites conhecidas da Via Láctea, incluindo a galáxia anã de Sagitário e a Grande Nuvem de Magalhães. Esta imagem nítida também inclui o enxame globular 47 Tucanae para a direita.
 
   
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