Solstício de verão chega ao Hemisfério Norte, e isto permite-nos verificar se o relógio e o GPS estão a funcionar bem!
O AstroClube tem por objetivo desenvolver uma componente didática mais importante que durante as observações das apresentações às estrelas, que são mais lúdicas.
Pretende-se que o AstroClube funcione como um "laboratório experimental" temático de astronomia. Assim, enquadram-se nesta filosofia uma cerca replicação do processo científico de descobertas na Astronomia, ou de exploração prática e "Hands-On" dos conceitos de astronomia.
Público-alvo: Jovens e Adultos | Preço: 30€ (5 sessões)
Data: 21 de junho de 2021 Hora: 13:00 horas
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA - seguir este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 11/06: 162.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.
Em 1867, nascia Charles Fabry, físico francês que se especializou em ótica e interferometria. Em 1913, demonstrou que o ozono na atmosfera superior é responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol.
Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe.
Em 2008, lançamento do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi.
Em 2013, lançamento do Shenzhou 10, a quinta missão tripulada da China e a segunda e última até ao laboratório espacial Tiangong-1, com 3 taikonautas a bordo e duração de 15 dias. Observações: Mercúrio em conjunção inferior, pelas 02:00.
Vénus e a uma finíssima Lua Crescente formam um par místico baixo a oeste-noroeste ao lusco-fusco. Estarão a 3º ou 4º entre si. A melhor altura para os observar será 40 a 50 minutos depois do pôr-do-Sol, antes que fiquem demasiado baixos.
Dia 12/06: 163.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1843, nascia David Gill, astrónomo escocês, famoso pela sua medição de distâncias astronómicas. Redeterminou a distância ao Sol com um grau de precisão tão elevado que o valor foi usado em almanaques até 1968.
Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra.
Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos. Observações: Repita a observação de Vénus e da Lua ontem, e note a diferença na sua posição.
A Ursa Maior situa-se alta a noroeste assim que as estrelas ficam visíveis. As Guias da Ursa Maior, atualmente as estrelas mais baixas do asterismo da "frigideira", apontam para baixo e para a direita para a Polar.
Por cima da Estrela Polar, muito idêntica, está Kochab, a extremidade da "frigideira" da Ursa Menor. Kochab situa-se precisamente para cima da Polar ao anoitecer ou um pouco mais tarde. Quão precisamente consegue cronometrar este evento? Quão depressa consegue discernir uma mudança, talvez usando como guia um poste ou a aresta de um prédio?
Dia 13/06: 164.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).
Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteroide 25143 Itokawa, regressa à Terra. Observações: Depois do anoitecer, procure, a sul-sudeste, a alaranjada Antares, a "Betelgeuse de verão" (ambas são estrelas supergigantes "vermelhas" de 1.ª magnitude). À volta e para cima e para a direita de Antares estão as outras estrelas da secção superior de Escorpião, mais brancas, formando o seu padrão distintivo. O resto da constelação estende-se para o horizonte.
A fila de três estrelas para cima e para a direita de Antares tradicionalmente assinalam a cabeça de Escorpião. Note a estrela do meio, Delta Scorpii. É obviamente mais brilhante do que as outras duas, certo? Durante muitos anos, talvez séculos, foi apenas um pouco mais brilhante do que a de cima, Beta Scorpii. Então, em julho de 2000, Delta quase que duplicou de brilho, mudando o aspeto da secção superior de Escorpião. E assim tem permanecido durante quase todos os anos desde então, com flutuações.
Dia 14/06: 165.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1627, nascia Johann Abraham Ihle, astrónomo amador alemão que descobriu o primeiro enxame globular, M22, no dia 26 de agosto de 1665, enquanto observava Saturno em Sagitário.
Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency).
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de outubro de 1967).
Em 1975, lançamento da Venera 10, uma sonda soviética com destino Vénus.
Chegou ao planeta no dia 25 de outubro de 1975. O módulo de aterragem transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana.
Em 2002, o asteroide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua.
Em 2015, a supernova ASASSN-15lh é vista por dois telescópios operados pelo ASASSN (All Sky Automated Survey for SuperNovae) e torna-se o caso mais extremo, até agora, de uma supernova superluminosa. Observações: Durante grande parte da primavera, a latitudes médias norte, a Via Láctea fica fora de vista. Mas observe agora a este. A rica extensão de Cefeu-Cisne-Águia da Via Láctea começa a nascer a este por estas noites, cada vez mais cedo e mais alta todas as semanas. Uma dica para observadores com poluição luminosa: encontra-se na horizontal para baixo de Vega, passa pelo Triângulo de Verão.
Cientistas descobrem novo exoplaneta com uma atmosfera ideal para estudo
Uma equipa internacional de colaboradores, incluindo cientistas do JPL da NASA e da Universidade do Novo México, descobriram um novo exoplaneta temperado, do tamanho de Neptuno, com um período orbital de 24 dias orbitando uma estrela anã M próxima. A descoberta recente fornece oportunidades empolgantes de pesquisa graças à atmosfera substancial do planeta, à pequena estrela que orbita e à velocidade a que o sistema se afasta da Terra.
Impressão de artista de TOI-1231 b, um planeta semelhante a Neptuno a cerca de 90 anos-luz da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
A investigação será publicada numa edição futura da revista The Astronomical Journal. O exoplaneta, TOI-1231 b, foi detetado usando dados fotométricos do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) e seguido por observações com o PFS (Planet Finder Spectrograph) no telescópio Magellan Clay do Observatório Las Campanas, Chile. O PFS é um instrumento sofisticado que deteta exoplanetas por meio da sua influência gravitacional sobre as suas estrelas hospedeiras. À medida que os planetas orbitam as suas estrelas-mãe, as velocidades estelares medidas variam periodicamente, revelando a presença planetária e informações sobre a sua massa e órbita.
A estratégia de observação adotada pelo TESS da NASA, que divide cada hemisfério em 13 sectores que são investigados durante aproximadamente 28 dias, está a produzir a pesquisa mais abrangente de todo o céu para planetas em trânsito. Esta abordagem já provou a sua capacidade de detetar planetas grandes e pequenos em torno de estrelas que vão desde aquelas semelhantes ao Sol até estrelas anãs M de baixa massa. As estrelas anãs M, também conhecidas como anãs vermelhas, são o tipo mais comum de estrela na Via Láctea, constituindo cerca de 70% de todas as estrelas da Galáxia.
As anãs M são mais pequenas, possuem uma fração da massa do Sol e têm baixa luminosidade. Dado que uma anã M é mais pequena, quando um planeta de um determinado tamanho transita a estrela, a quantidade de luz que é bloqueada é maior, tornando o trânsito mais facilmente detetável. Imagine um planeta parecido com a Terra passando em frente de uma estrela do tamanho do Sol: vai bloquear uma pequena parte da sua luz; mas se estiver a passar à frente de uma estrela muito menor, a proporção de luz bloqueada será maior. Em determinado sentido, isto cria uma sombra maior à superfície da estrela, tornando os planetas ao redor das anãs M mais fáceis de detetar e de estudar.
Embora permita a deteção de exoplanetas no céu, a estratégia do levantamento do TESS também produz tendências observacionais significativas com base no período orbital. Os exoplanetas devem transitar as suas estrelas hospedeiras pelo menos duas vezes dentro do intervalo de observação do TESS para serem detetados com o período correto pelo SPOC (Science Processing Operations Center) e pelo QLP (Quick Look Pipeline), que "vasculham" a cadência de dados do TESS de 2 e 30 minutos, respetivamente. Dado que 74% da cobertura total do céu pelo TESS é apenas observada durante 28 dias, a maioria dos exoplanetas detetados pelo TESS têm períodos inferiores a 14 dias. TOI-1231 b tem um período de 24 dias, o que, portanto, torna a sua descoberta ainda mais valiosa.
Jennifer Burt, cientista no JPL da NASA, autora principal do artigo científico, juntamente com os seus colaboradores, incluindo Diana Dragomir, professora assistente do Departamento de Física e Astronomia da Universidade do Novo México, mediram o raio e a massa do planeta.
"Trabalhando com um grupo de excelentes astrónomos espalhados pelo globo, fomos capazes de reunir os dados necessários para caracterizar a estrela hospedeira e medir o raio e a massa do planeta," disse Burt. "Esses valores, por sua vez, permitiram-nos calcular a densidade do planeta e teorizar sobre a sua composição. TOI-1231 b é muito semelhante em tamanho e densidade a Neptuno, de modo que achamos que tem uma atmosfera gasosa similarmente grande."
"Outra vantagem dos exoplanetas que orbitam anãs M é que podemos medir as suas massas com mais facilidade porque a proporção entre a massa do planeta e a massa da estrela é também maior. Quando a estrela é mais pequena e menos massiva, os métodos de deteção funcionam melhor porque o planeta de repente desempenha um papel maior, destacando-se mais facilmente em relação à estrela," explicou Dragomir. "Tal como a sombra projetada na estrela. Quanto menor a estrela, menos massiva é, maior o efeito do planeta que pode ser detetado."
"Embora TOI-1231 b esteja oito vezes mais perto da sua estrela do que a Terra está do Sol, a sua temperatura é parecida à da Terra, graças à estrela hospedeira que é mais fria e menos brilhante," diz Dragomir. "No entanto, o próprio planeta é realmente maior do que a Terra e um pouco mais pequeno que Neptuno - poderíamos chamá-lo de sub-Neptuno."
Burt e Dragomir, que na verdade iniciaram esta investigação enquanto bolsistas no Instituto Kavli do MIT, trabalharam com cientistas especializados em observar e caracterizar as atmosferas de planetas pequenos para descobrir quais as missões espaciais, atuais e futuras, que poderiam ser capazes de examinar as camadas exteriores de TOI-1231 b para informar as investigadoras exatamente quais os tipos de gases que estão presentes no planeta. Com uma temperatura de mais ou menos 330 K, TOI-1231 b é um dos exoplanetas pequenos e mais frios, acessíveis para estudos atmosféricos, descobertos até agora.
Investigações anteriores sugeriram que planetas tão frios podem ter nuvens no alto da sua atmosfera, o que torna difícil a determinação dos gases que o rodeiam. Mas novas observações de outro planeta pequeno e frio, chamado K2-18 b, quebraram esta tendência e mostraram evidências de água na sua atmosfera, surpreendendo muitos astrónomos.
"TOI-1231 b é um dos únicos outros planetas que conhecemos com tamanho e gama de temperaturas semelhantes, de modo que observações futuras deste novo planeta vão permitir determinar o quão comum (ou rara) é a formação de nuvens de água nestes mundos temperados", disse Burt.
Além disso, com o alto brilho no infravermelho próximo da estrela hospedeira, é um alvo excitante para futuros estudos com o Telescópio Espacial Hubble e com o Telescópio Espacial James Webb. O primeiro conjunto destas observações, liderado por um dos coautores do artigo, deverá ocorrer no final deste mês usando o Telescópio Espacial Hubble.
"A baixa densidade de TOI-1231 b indica que é cercado por uma atmosfera substancial, em vez de ser um planeta rochoso. Mas a composição e a extensão desta atmosfera são desconhecidas! disse Dragomir. "TOI-1231 b pode ter uma atmosfera de hidrogénio ou de hidrogénio-hélio, ou uma atmosfera mais densa de vapor de água. Cada uma delas apontaria para uma origem diferente, permitindo aos astrónomos entender se e como os planetas se formam de maneira diferente em torno de anãs M quando comparados com os planetas que orbitam o nosso Sol, por exemplo. As nossas próximas observações com o Hubble vão começar a responder a estas perguntas, e o James Webb promete uma análise ainda mais completa da atmosfera do planeta."
Outra forma de estudar a atmosfera do planeta é investigar se o gás está a ser soprado para longe, procurando evidências de átomos como hidrogénio e hélio em torno do planeta enquanto transita pela face da sua estrela-mãe. Geralmente, os átomos de hidrogénio são quase impossíveis de detetar porque a sua presença é mascarada pelo gás interestelar. Mas este sistema planeta-estrela fornece uma oportunidade única de aplicar este método devido à velocidade com que se afasta da Terra.
"Um dos resultados mais intrigantes das últimas duas décadas de ciência exoplanetária é que, até agora, nenhum dos novos sistemas planetários que descobrimos se parece com o nosso próprio Sistema Solar," disse Burt. "Mas estão repletos de planetas entre o tamanho da Terra e Neptuno em órbitas muito mais íntimas do que a de Mercúrio, de modo que não temos nenhum exemplo local para comparação. Este novo planeta que descobrimos ainda é estranho - mas está um passo mais perto de ser um pouco como os planetas na nossa vizinhança solar. Em comparação com a maioria dos planetas detetados até agora com o método de trânsito, que muitas vezes têm temperaturas escaldantes na casa das centenas ou milhares de graus, TOI-1231 b é positivamente frígido."
Para concluir, Dragomir reflete que "este planeta junta-se às fileiras de apenas dois ou três outros pequenos exoplanetas que serão examinados a cada chance que tivermos usando uma ampla gama de telescópios, durante anos a fio, de modo que fique atento a novos desenvolvimentos no que toca a TOI-1231 b!"
Cientistas identificam uma rara "hélice" magnética num sistema binário
De acordo com investigações que serão publicadas na revista The Astrophysical Journal, investigadores da Universidade de Notre Dame identificaram a primeira hélice magnética eclipsante num sistema estelar variável cataclísmico.
O sistema estelar, conhecido como J0240, é apenas o segundo do seu tipo já registado. Foi identificado em 2020 como uma variável cataclísmica invulgar - um sistema binário que consiste de uma estrela anã branca e uma estrela vermelha dadora de massa. Normalmente, a estrela anã branca compacta recolhe o gás doado e cresce em massa. No entanto, em J0240 a anã branca magnética e de rápida rotação rejeita a doação de gás e impulsiona-o para fora do sistema binário.
Uma ilustração de uma anã branca magnética e de rápida rotação a rejeitar gás doado numa variável cataclísmica conhecida como J0240.
Crédito: Dr. Mark Garlick
"É necessária uma anã em rápida rotação com um campo magnético forte para criar uma hélice," disse Peter Garnavich, professor de astrofísica e cosmologia física e chefe do Departamento de Física de Notre Dame, autor principal do estudo que apresentou evidências do sistema de hélice. "Normalmente, o gás que sai da estrela dadora vai pousar na anã branca. Isto é tão comum quanto areia numa praia. Mas numa hélice magnética, o gás é ejetado do binário num amplo padrão de espiral - como um aspersor que rega um quintal."
As anãs brancas são os remanescentes densos de estrelas de baixa massa como o nosso Sol, que os cientistas dizem que irá evoluir para uma anã branca daqui a aproximadamente cinco mil milhões de anos. No entanto, sem uma estrela companheira, o Sol nunca fará parte de um sistema variável cataclísmico.
A única outra variável cataclísmica semelhante a J0240 é AE Aquarii, um sistema estelar binário conhecido desde a década de 1950 e que se pensa ser também um sistema de hélice magnética. Por outro lado, observa-se que J0240 está perto do plano orbital binário, o que significa que o gás ejetado do sistema é visto em silhueta contra a luz estelar. Esta é a primeira evidência direta de que uma hélice magnética ejeta o gás doado pela estrela vermelha.
"O que é único neste sistema é que realmente podemos ver bolhas de gás conforme são ejetadas pela hélice," disse Garnavich. "Esse gás está a bloquear parte da luz de ambas as estrelas e podemos ver essa absorção diretamente nos nossos dados."
A equipa de Garnavich começou observações no LBT (Large Binocular Telescope) em Safford, no estado norte-americano do Arizona, onde os investigadores conseguiram registar a ocorrência de proeminências e eclipses que ilustravam a rápida rotação da anã branca, e a atração do campo magnético - que expele influxos gasosos que de outra forma seriam adicionados à estrela, criando assim uma espiral de gás que se expande para longe das duas estrelas.
"Quanto mais observávamos a estrela, mais empolgante ela parecia," disse Garnavich. A equipa recolheu observações em setembro, outubro e novembro de 2020. Os dados obtidos em setembro capturaram a primeira metade da órbita de J0240. Em outubro, a equipa capturou a segunda metade.
"As proeminências que vemos são miniexplosões que libertam gás a 1% da velocidade da luz," explicou.
As erupções desaparecem quando a companheira vermelha fica no caminho durante um eclipse. A partir do "timing" dos eclipses, a equipa foi capaz de identificar a localização das proeminências. "As erupções vêm de muito perto da companheira compacta, provavelmente da 'pancada' de gás que recebe ao aproximar-se do campo magnético que gira rapidamente," disse Garnavich.
Garnavich espera aprender muito mais com o binário J0240 a partir de observações futuras. Uma das grandes incógnitas é o período de rotação da anã branca, que a equipa não conseguiu determinar. "A energia da hélice vem da anã branca giratória, portanto, esperamos que a rotação diminua com o tempo. Quando acabar, a hélice irá parar e o sistema parecerá uma variável cataclísmica comum," disse Garnavich.
"A grande questão é exatamente como entramos neste estado," disse. "É uma fase muito curta em que temos uma anã branca magnética que gira tão depressa quanto é possível sem realmente se autodestruir. Uma rotação tão elevada, com um campo magnético forte - parece que não pode ser apenas coincidência."
Cartógrafos cósmicos mapeiam Universo próximo revelando a diversidade de galáxias formadoras de estrelas
Uma equipa de astrónomos, recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), concluiu o primeiro censo de nuvens moleculares no Universo próximo, revelando que, ao contrário da opinião científica anterior, nem todos estes berçários estelares têm o mesmo aspeto e comportamento. De facto, são tão diferentes quanto as pessoas, casas, bairros e regiões que constituem o nosso próprio mundo.
Usando o ALMA, cientistas concluíram um censo de quase 100 galáxias no Universo próximo, mostrando os seus comportamentos e aparências. Os cientistas compararam os dados ALMA com os do Telescópio Espacial Hubble. O levantamento concluiu que, ao contrário da opinião científica popular, os berçários estelares não têm todos os mesmo aspeto e comportamento. De facto, como visto aqui, são tão diferentes quanto as pessoas, casas, bairros e regiões que constituem o nosso próprio mundo.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/PHANGS, S. Dagnello (NRAO)
As estrelas são formadas por nuvens de poeira e gás chamadas nuvens moleculares, ou berçários estelares. Cada berçário estelar no Universo pode formar milhares ou até dezenas de milhares de novas estrelas durante a sua vida. Entre 2013 e 2019, astrónomos do projeto PHANGS (Physics at High Angular Resolution in Nearby GalaxieS) realizaram o primeiro levantamento sistemático de 100.000 berçários estelares em 90 galáxias no Universo próximo para obter uma melhor compreensão da sua relação com as galáxias onde vivem.
"Costumávamos pensar que todos os berçários estelares em todas as galáxias tinham mais ou menos o mesmo aspeto, mas este levantamento revelou que não é o caso, e os berçários estelares mudam de local para local," disse Adam Leroy, professor de astronomia na Universidade Estatal do Ohio, autor principal do artigo que apresenta o levantamento PHANGS pelo ALMA. "Esta é a primeira vez que tiramos imagens de ondas milimétricas de muitas galáxias próximas com a mesma nitidez e qualidade das imagens óticas. E enquanto as imagens óticas mostram a luz das estrelas, estas novas imagens inovadoras mostram-nos as nuvens moleculares que formam essas estrelas."
Os cientistas compararam estas mudanças com o modo como as pessoas, as casas, bairros e cidades exigem características semelhantes, mas mudam de região para região e de país para país.
"Para entender como as estrelas se formam, precisamos de ligar o nascimento de uma única estrela ao seu lugar no Universo. É como ligar uma pessoa à sua casa, vizinhança, cidade e região. Se uma galáxia representa uma cidade, então a vizinhança é o braço espiral, a casa a unidade de formação estelar, e as galáxias vizinhas as cidades próximas da região," disse Eva Schinnerer, astrónoma do Instituto Max Planck para Astronomia e investigadora principal da colaboração PHANGS. "Estas observações ensinaram-nos que a 'vizinhança' tem efeitos pequenos, mas pronunciados, sobre onde e quantas estrelas nascem."
Vista aqui como uma composição de dados do ALMA (a laranja/vermelho) e do Telescópio Espacial Hubble, NGC 4254 esteve entre as quase 100 galáxias incluídas no recente projeto PHANGS, um censo de galáxias no Universo próximo. O levantamento descobriu que os berçários estelares não têm todos os mesmo aspeto e comportamento, e que estas características dependem fortemente da localização dos berçários estelares. NGC 4254 é um exemplo de uma galáxia com morfologia do tipo M.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/PHANGS, S. Dagnello (NRAO)
Para melhor entender a formação estelar em diferentes tipos de galáxias, a equipa observou semelhanças e diferenças nas propriedades moleculares do gás e nos processos de formação estelar nos discos galácticos, barras estelares, braços espirais e centros de galáxias. Confirmaram que a localização, ou vizinhança, desempenha um papel crítico na formação das estrelas.
"Ao mapear diferentes tipos de galáxias e a diversidade de ambientes que existem dentro das galáxias, estamos a rastrear toda a gama de condições sob as quais nuvens de gás, formadoras de estrelas, vivem no Universo atual. Isto permite-nos medir o impacto que muitas variáveis diferentes têm na forma como a formação estelar ocorre," disse Guillermo Blanc, astrónomo do Instituto Carnegie para Ciência e coautor do artigo.
"O modo como as estrelas se formam, e como a sua galáxia afeta esse processo, são aspetos fundamentais da astrofísica," disse Joseph Pesce, do programa NRAO/ALMA para a NSF. "O projeto PHANGS utiliza o extraordinário poder de observação do observatório ALMA e forneceu uma visão notável da história da formação estelar de uma maneira nova e diferente."
Annie Hughes, astrónoma do IRAP (L’Institut de Recherche en Astrophysique et Planétologie), acrescentou que esta é a primeira vez que os cientistas têm um instantâneo do aspeto das nuvens de formação estelar ao longo de uma ampla gama de galáxias diferentes. "Descobrimos que as propriedades das nuvens de formação estelar dependem de onde estão localizadas: as nuvens nas densas regiões centrais das galáxias tendem a ser mais densas, mais massivas e mais turbulentas do que as nuvens que residem nos arredores tranquilos de uma galáxia. O ciclo de vida das nuvens também depende do seu ambiente. A rapidez com que uma nuvem forma estrelas e o processo que em última análise acaba por destrui-la parecem depender de onde esta nuvem mora."
NGC 4535 é uma galáxia no Universo próximo que contém uma morfologia em espiral e uma barra estelar. Foi catalogada juntamente com quase 100 galáxias durante um censo recente pelo projeto PHANGS. O censo revelou que, ao contrário da teoria científica mais aceite, os berçários estelares não têm todos os mesmo aspeto e comportamento. De facto, podem ser muito diferentes. NGC 4535 é aqui vista como uma composição de dados do ALMA (laranja/vermelho) e do Telescópio Espacial Hubble.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/PHANGS, S. Dagnello (NRAO)
Esta não é a primeira vez que o ALMA observa berçários estelares noutras galáxias, mas quase todos os estudos anteriores focaram-se em galáxias individuais ou em parte de uma. Durante um período de cinco anos, o PHANGS montou uma visão completa da população de galáxias próximas. "O projeto PHANGS é uma nova forma de cartografia cósmica que nos permite ver a diversidade das galáxias sob uma nova luz, literalmente. Estamos finalmente a ver a diversidade do gás formador de estrelas em muitas galáxias e somos capazes de entender como muda ao longo do tempo. Era impossível fazer estes mapas detalhadas antes do ALMA," disse Erik Rosolowsky, professor associado de física da Universidade de Alberta e coautor da investigação. "Este novo atlas contém 90 dos melhores mapas já feitos, que revelam onde a próxima geração de estrelas se formará."
Para a equipa, o novo atlas não significa o fim da viagem. Embora o levantamento tenha respondido a perguntas sobre o quê e onde, levantou outras. "Esta é a primeira vez que temos uma visão clara da população de berçários estelares em todo o Universo próximo. Nesse sentido, é um grande passo para entender de onde viemos," disse Leroy. "Embora agora saibamos que os berçários estelares variam de um lugar para outro, ainda não sabemos porquê ou como estas variações afetam as estrelas e os planetas formados. Estas são perguntas que esperamos responder num futuro próximo."
Dez artigos que relatam os resultados do levantamento PHANGS foram apresentados esta semana na 238.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana.
Estudo mostra o efeito inesperado dos buracos negros para lá das suas próprias galáxias (via IAC)
No coração de quase todas as galáxias com massa suficiente existe um buraco negro cujo campo gravitacional, embora muito intenso, afeta apenas uma pequena região em torno do centro da galáxia. Mesmo que estes objetos sejam milhares de milhões de vezes mais pequenos que as suas galáxias hospedeiras, a nossa visão atual é que o Universo só pode ser compreendido se a evolução das galáxias for regulada pela atividade destes buracos negros, porque sem eles as propriedades observadas das galáxias não podem ser explicadas. Ler fonte
Rover Perseverance começa a sua primeira campanha científica (via NASA)
No passado dia 1 de junho, o rover Perseverance da NASA deu início à sua fase científica da missão, ao deixar o local de aterragem denominado "Octavia E. Butler". Até recentemente, o rover estava a testar os seus sistemas, também chamada fase de comissionamento, e a suportar o mês de testes de voo do helicóptero Ingenuity. Durante as próximas semanas, a equipa da missão vai levar o rover a um mirante panorâmico baixo, de onde poderá investigar algumas das características geológicas mais antigas da Cratera Jezero, e ligar as capacidades finais dos sistemas de autonavegação e de amostragem do veículo. Ler fonte
Moléculas orgânicas fornecem pistas sobre estrelas moribundas e arredores da Via Láctea (via Universidade do Arizona)
Investigadores observaram, com resolução espacial e detalhe sem precedentes, moléculas orgânicas em nebulosas planetárias, o resultado da morte de estrelas. Para tal, utilizaram o ALMA para observar emissões, no rádio, de cianeto de hidrogénio, do ião formil e monóxido de carbono em cinco nebulosas planetárias: M2-48, M1-7, M3-28, K3-45 e K3-58. Ler fonte
A sonda Juno completou o seu primeiro "flyby" pela lua de Júpiter, Ganimedes, no passado dia 7 de junho. As duas imagens, uma obtida pelo instrumento JunoCam e a outra pela câmara estelar SRU (Stellar Reference Unit) - mostram a superfície em detalhe notável, incluindo crateras, terreno brilhante e escuro claramente distinto e longas características estruturais possivelmente relacionadas com falhas tectónicas. Espera-se que o encontro da sonda movida a energia solar com a lua joviana forneça mais informações sobre a sua composição, ionosfera, magnetosfera e concha gelada, bem como medições do ambiente de radiação que vão beneficiar missões futuras ao sistema joviano.
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