Apresentação às Estrelas | O Verão que nos espera Data: 14 de julho de 2022 Hora: 21:30-23:30 Local:Centro Ciência Viva do Algarve
Julho e agosto costumam vir com bom tempo; nesta sessão falaremos sobre alguns eventos astronómicos deste verão e como os observar. Após a apresentação, e se a meteorologia for favorável, iremos observar o céu com telescópio. Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis. Pré-inscrição:siga este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 21/06: 172.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1863, nascia Max Wolf, astrónomo alemão e pioneiro no campo da astrofotografia.
Em 2003, quase 20 anos depois da sua viagem ao espaço, Sally Ride entra para o Corredor da Fama dos Astronautas, tornando-se na primeira mulher a ser honrada por esta instituição.
Em 2004, o SpaceShipOne torna-se no primeiro avião espacial privado a voar no espaço.
Em 2006, as recém-descobertas luas de Plutão são oficialmente denominadas Nix e Hydra. Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 04:11.
Feliz dia do solstício! O verão começa pelas 10:14. É quando o Sol está mais para norte no ano (no céu da Terra) e começa a sua viagem de seis meses para sul. Começa o inverno no hemisfério sul.
Para nós, no hemisfério norte, é o dia mais longo do ano.
É também o dia (para latitudes norte)
em que o Sol do meio-dia passa o mais perto do zénite, quando a sombra se torna a mais pequena possível no local onde o observador se encontra. Isto ocorre ao meio-dia solar aparente, provavelmente não o mesmo que o meio-dia horário.
Se tiver um horizonte desimpedido a oeste-noroeste, marque cuidadosamente o ponto onde o Sol se põe. Daqui a alguns dias poderá detetar que o Sol começou novamente a pôr-se um pouco para sul (esquerda) desse ponto.
Dia 22/06: 173.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, a Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma, força Galileu a retirar a sua visão que o Sol, não a Terra, era o centro do Universo.
Em 1675 era fundado o Observatório Real de Greenwich
Em 1978 James Christy, do Observatório Naval dos Estados Unidos em Flagstaff, Arizona, descobre o satélite de Plutão, Caronte. Plutão foi também descoberto em Flagstaff (no Observatório Lowell) em 1930. Observações: Antes do amanhecer, procure Marte para a esquerda da Lua. Marte ainda está distante, parecendo um pequeno ponto através de um telescópio, com 7 segundos de arco de diâmetro. Mas seja paciente. Vai crescer até 17 segundos de arco na sua oposição no início do próximo mês de dezembro.
Dia 23/06: 174.º dia do calendário gregoriano. Observações:Esta é a altura do ano em que a pequena Ursa Menor, depois do anoitecer, flutua para cima da Estrela Polar - como um balão, atado a um fio, que escapou de uma festa de verão. No entanto, através da poluição luminosa, tudo o que provavelmente conseguirá observar da Ursa Menor, será a Polar e Kochab, a ponta da "tampa da frigideira". O resto das suas estrelas são ténues, com 3.ª a 5.ª magnitudes.
Curiosidades
Um pulsar é uma estrela de neutrões que emite pulsos de sinal no rádio. Estas estrelas não são visíveis nas frequências que são observadas pelo olho humano embora possam estar associadas a nuvens de gás resultantes da supernova que lhes deu origem, como é o caso da Nebulosa do Caranguejo (M1). Este pulsar foi o primeiro a ser descoberto por Jocelyn Bell, em 1968.
Astrónomos encontram evidências do mais poderoso pulsar em galáxia distante
Astrónomos que analisavam dados do VLASS (VLA Sky Survey) descobriram uma das estrelas de neutrões mais jovens conhecidas - o remanescente superdenso de uma estrela massiva que explodiu como uma supernova. Imagens do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) indicam que a emissão brilhante de rádio alimentada pelo campo magnético do pulsar giratório só recentemente surgiu por detrás de uma densa concha de detritos da explosão de supernova.
O objeto, chamado VT 1137-0337, encontra-se numa galáxia anã a 395 milhões de anos-luz da Terra. Apareceu pela primeira vez numa imagem VLASS feita em janeiro de 2018. Não apareceu numa imagem da mesma região feita pelo levantamento FIRST do VLA em 1998. Continuou a aparecer em observações VLASS posteriores em 2018, 2019, 2020 e 2022.
À medida que a concha de detritos da explosão de supernova se expande ao longo de algumas décadas, torna-se menos densa e acaba por se tornar suficientemente fina para que as ondas de rádio do interior possam escapar. Isto permitiu observações do VLASS (VLA Sky Survey) para detetar emissões de rádio brilhantes criadas à medida que o poderoso campo magnético da estrela de neutrões que gira rapidamente varre o espaço circundante, acelerando as partículas carregadas. Este fenómeno é chamado uma nebulosa de vento pulsar.
Crédito: Melissa Weiss, NRAO/AUI/NSF
"O que mais provavelmente estamos a ver é uma nebulosa de vento pulsar", disse Dillon Dong, estudante no Caltech que vai começar uma bolsa de pós-doutoramento no NRAO (National Radio Astronomy Observatory) no final deste ano. Uma nebulosa de vento pulsar é criada quando o poderoso campo magnético de uma estrela de neutrões em rápida rotação acelera as partículas carregadas em redor até quase à velocidade da luz.
"Com base nas suas características, este é um pulsar muito jovem - possivelmente tão jovem quanto apenas 14 anos, mas não com mais de 60 a 80 anos," disse Gregg Hallinan, orientador de doutoramento de Dong no Caltech.
Os cientistas relataram as suas descobertas na reunião da Sociedade Astronómica Americana em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia.
Dong e Hallinan descobriram o objeto em dados do VLASS, um projeto do NRAO que começou em 2017 para pesquisar todo o céu visível a partir do VLA - cerca de 80% do céu. Ao longo de um período de sete anos, o VLASS está a realizar um scan completo do céu três vezes, sendo um dos objetivos o de encontrar objetos transitórios. Os astrónomos encontraram VT 1137-0337 na primeira varredura VLASS de 2018.
Comparando esta análise VLASS com dados de um levantamento anterior do VLA, chamado FIRST, revelou 20 objetos transientes particularmente luminosos que poderiam estar associados a galáxias conhecidas.
"Este destacou-se porque a sua galáxia está a passar por um surto de formação estelar e também por causa das características da sua emissão de rádio," disse Dong. A galáxia, chamada SDSS J113706.18-033737.1, é uma galáxia anã contendo cerca de 100 milhões de vezes a massa do Sol.
Ao estudar as características de VT 1137-0337, os astrónomos consideraram várias explicações possíveis, incluindo uma supernova, um GRB ("gamma ray burst", em português explosão de raios-gama) ou um evento de rutura de maré em que uma estrela é triturada por um buraco negro supermassivo. Eles concluíram que a melhor explicação é uma nebulosa de vento pulsar.
Em cima à esquerda: uma estrela azul gigante, muito mais massiva do que o nosso Sol, consumiu, através da fusão nuclear no seu centro, todo o seu hidrogénio, hélio e elementos mais pesados até ao ferro. Tem agora um pequeno núcleo de ferro (ponto vermelho) no seu centro. Ao contrário das fases iniciais de fusão, a fusão de átomos de ferro absorve, em vez de libertar, energia. A energia libertada pela fusão, que aguentou a estrela contra o seu próprio peso, desapareceu, e a estrela irá rapidamente colapsar, provocando uma explosão de supernova.
Em cima à direita: o colapso começou, produzindo uma estrela de neutrões superdensa com um forte campo magnético no seu centro (inserção). A estrela de neutrões, embora contenha cerca de 1,5 vezes a massa do Sol, tem apenas o tamanho de Manhattan, em Nova Iorque.
Em baixo, à esquerda: A explosão de supernova ejetou uma concha de destroços em rápido movimento para fora, para o espaço interestelar. Nesta fase, a concha de detritos é suficientemente densa para escondir de vista quaisquer ondas de rádio vindas da região da estrela de neutrões.
Em baixo à direita: À medida que a concha de destroços da explosão se expande ao longo de algumas décadas, torna-se menos densa e acaba por se tornar suficientemente fina para que as ondas de rádio do interior possam escapar. Isto permitiu observações do VLASS (VLA Sky Survey) para detetar emissões de rádio brilhantes criadas à medida que o poderoso campo magnético da estrela de neutrões, que gira rapidamente, varre o espaço circundante, acelerando as partículas carregadas. Este fenómeno é chamado nebulosa de vento pulsar.
Crédito: Melissa Weiss, NRAO/AUI/NSF (versão não legendada)
Neste cenário, uma estrela muito mais massiva do que o Sol explodiu como supernova, deixando para trás uma estrela de neutrões. A maior parte da massa da estrela original foi expelida para fora como uma concha de destroços. A estrela de neutrões gira rapidamente e à medida que o seu poderoso campo magnético varre o espaço circundante, acelera as partículas carregadas, provocando uma forte emissão de rádio.
Inicialmente, a emissão de rádio foi bloqueada pela concha de detritos da explosão. À medida que esse invólucro se expandia, tornou-se progressivamente menos denso até que eventualmente as ondas de rádio da nebulosa de vento pulsar puderam passar através dele.
"Isto aconteceu entre a observação FIRST em 1998 e a observação VLASS em 2018," disse Hallinan.
Provavelmente o exemplo mais famoso de uma nebulosa de vento pulsar é a Nebulosa do Caranguejo (M1) na direção da constelação de Touro, o resultado de uma supernova que brilhou intensamente no ano 1054. M1 é facilmente visível hoje em dia através de telescópios pequenos.
"O objeto que encontrámos parece ser aproximadamente 10.000 vezes mais energético do que a Nebulosa do Caranguejo, com um campo magnético mais forte," disse Dong. "É provável que seja um 'super Caranguejo' emergente", acrescentou.
Imagens VLA da localização de VT 1137-0337 em 1998, à esquerda, e 2018, à direita. O objeto tornou-se visível para o VLA algures entre estas duas datas.
Crédito: Dong & Hallinan, NRAO/AUI/NSF
Apesar de Dong e Hallinan considerarem VT 1137-0337 como sendo muito provavelmente uma nebulosa de vento pulsar, também é possível que o seu campo magnético seja suficientemente forte para que a estrela de neutrões se qualifique como um magnetar - uma classe de objetos super-magnéticos. Os magnetares são um dos principais candidatos à origem dos misteriosos FRBs (Fast Radio Bursts), agora sob intenso estudo.
"Nesse caso, este seria o primeiro magnetar apanhado no ato de aparecer e isso, também, é extremamente excitante," disse Dong.
De facto, verificou-se que alguns FRBs foram associados a fontes de rádio persistentes, cuja natureza também é um mistério. Têm fortes semelhanças, nas suas propriedades, com VT 1137-0337, mas não mostraram evidências de uma forte variabilidade.
"A nossa descoberta de uma fonte muito semelhante a 'ligar-se' sugere que as fontes de rádio associadas aos FRBs também podem ser nebulosas luminosas de vento pulsar", disse Dong.
Os astrónomos planeiam fazer observações adicionais para aprender mais sobre o objeto e para monitorizar o seu comportamento ao longo do tempo.
Astrónomos descobrem um sistema multiplanetário próximo
Astrónomos de várias instituições descobriram um novo sistema multiplanetário na nossa vizinhança solar situado a apenas 10 parsecs, ou cerca de 33 anos-luz, da Terra, tornando-o um dos sistemas multiplanetários conhecidos mais próximos do nosso.
No coração do sistema encontra-se uma pequena e fria estrela anã M, chamada HD 260655, e os astrónomos descobriram que alberga pelo menos dois planetas terrestres do tamanho da Terra. Os mundos rochosos provavelmente não são habitáveis, pois as suas órbitas são relativamente íntimas, expondo os planetas a temperaturas demasiado elevadas para sustentar água líquida à superfície.
No entanto, os cientistas estão entusiasmados com este sistema porque a proximidade e o brilho da sua estrela vão dar-lhes uma visão mais detalhada das propriedades dos planetas e dos sinais de qualquer atmosfera que possam conter.
Ilustração dos dois recém-descobertos exoplanetas rochosos que podem ser ideais para observações atmosféricas de acompanhamento.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
"Ambos os planetas neste sistema são, cada um, considerados dos melhores alvos para estudo atmosférico devido ao brilho da sua estrela," diz Michelle Kunimoto, pós-doutorada do Instituto Kavli para Astrofísica e Investigação Espacial do MIT e uma das principais cientistas da descoberta. "Será que existe uma atmosfera rica e volátil em torno destes planetas? E será que existem sinais de espécies à base de água ou de carbono? Estes planetas são testes fantásticos para estas explorações."
O poder dos dados
O novo sistema planetário foi inicialmente detetado pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, uma missão liderada pelo MIT que foi concebida para observar as estrelas mais próximas e brilhantes e detetar quedas periódicas na luz, quedas estas que poderiam assinalar a passagem de um planeta.
Em outubro de 2021, Kunimoto, membro da equipa científica do TESS no MIT, estava a monitorizar os dados que estavam a ser transmitidos pelo TESS quando reparou num par de mergulhos periódicos na luz estelar, ou trânsitos, na estrela HD 260655.
Ela correu as deteções através do "pipeline" de inspeção científica da missão e os sinais foram logo classificados como dois objetos de interesse TESS, ou TOI (TESS Objects of Interest) - objetos assinalados como potenciais planetas. Os mesmos sinais também foram encontrados independentemente pelo SPOC (Science Processing Operations Center), o "pipeline" oficial da busca exoplanetária do TESS, com sede no Centro Espacial Ames da NASA. Os cientistas normalmente fazem observações de acompanhamento, com outros telescópios, para confirmar que os objetos são de facto planetas.
O processo de classificação e posterior confirmação de novos planetas pode muitas vezes demorar vários anos. Para HD 260655, esse processo foi encurtado significativamente com a ajuda de dados de arquivo.
Logo após Kunimoto ter identificado os dois potenciais planetas em torno de HD 260655, Avi Shporer, também do MIT, procurou ver se a estrela tinha sido observada anteriormente por outros telescópios. Por sorte, HD 260655 estava listada num levantamento de estrelas realizado pelo HIRES (High Resolution Echelle Spectrometer), um instrumento que opera como parte do Observatório Keck no Hawaii. O HIRES tinha vindo a monitorizar a estrela, juntamente com uma série de outras estrelas, desde 1998, e os investigadores puderam ter acesso aos dados do levantamento disponíveis ao público.
HD 260655 também estava listada como parte de outro levantamento independente pelo CARMENES, um instrumento que funciona como parte do Observatório de Calar Alto na Espanha. Como estes dados eram privados, a equipa contactou membros tanto do HIRES como do CARMENES com o objetivo de combinar o poder dos seus dados.
"Estas negociações são por vezes bastante delicadas," observa Shporer. "Felizmente, as equipas concordaram em trabalhar em conjunto. Esta interação humana é quase tão importante na obtenção de dados [como as observações propriamente ditas]."
Atração planetária
No final, este esforço colaborativo confirmou rapidamente a presença de dois planetas em torno de HD 260655 em cerca de seis meses.
Para confirmar que os sinais do TESS eram, de facto, de dois planetas em órbita, os investigadores examinaram os dados da estrela tanto do HIRES como do CARMENES. Ambos os levantamentos medem a oscilação gravitacional de uma estrela, também conhecida como velocidade radial.
"Cada planeta em órbita de uma estrela vai exercer um pequeno puxão gravitacional na sua estrela," explica Kunimoto. "O que procuramos é qualquer movimento ligeiro dessa estrela que possa indicar que um objeto de massa planetária está a puxá-la."
A partir dos dois conjuntos de dados de arquivo, os investigadores encontraram sinais estatisticamente significativos de que os sinais detetados pelo TESS eram, de facto, dois planetas em órbita.
"Foi aí que soubemos que tínhamos encontrado algo muito excitante," diz Shporer.
A equipa analisou então mais de perto os dados do TESS para determinar as propriedades de ambos os planetas, incluindo os períodos orbitais e tamanhos. Determinaram que o planeta interior, apelidado HD 260655b, orbita a estrela a cada 2,8 dias e é cerca de 1,2 vezes maior que a Terra. O segundo planeta exterior, HD 260655c, completa uma órbita a cada 5,7 dias e tem 1,5 vezes o tamanho da Terra.
A partir dos dados de velocidade radial do HIRES e do CARMENES, os cientistas conseguiram calcular a massa dos planetas, que está diretamente relacionada com a amplitude pela qual cada planeta "puxa" a estrela. Descobriram que o planeta interior tem cerca do dobro da massa da Terra, enquanto que o planeta exterior tem cerca de três massas terrestres. A partir do seu tamanho e massa, a equipa estimou a densidade de cada planeta. O planeta interior, mais pequeno, é ligeiramente mais denso do que a Terra, enquanto que o planeta exterior, maior, é um pouco menos denso. Ambos os exoplanetas, com base na sua densidade, são provavelmente terrestres, ou rochosos em termos de composição.
Os investigadores também estimam, com base nas suas órbitas curtas, que a superfície do planeta interior tem uma temperatura de cerca de 710 K, enquanto o planeta exterior ronda os 560 K.
"Consideramos essa gama de temperaturas fora da zona habitável, demasiado quente para que exista água líquida à superfície," disse Kunimoto.
"Mas podem existir mais planetas no sistema," acrescenta Shporer. "Há muitos sistemas multiplanetários que albergam cinco ou seis planetas, especialmente em torno de estrelas pequenas como esta. Esperamos encontrar mais, e um deles poderá estar na zona habitável. É um pensamento otimista."
Novas imagens, utilizando dados de telescópios aposentados, revelam características ocultas
Novas imagens utilizando dados de missões da ESA e da NASA mostram a poeira que preenche o espaço entre as estrelas em quatro das galáxias mais próximas da nossa própria Via Láctea. Mais do que impressionantes, as fotos são também um tesouro científico, dando uma ideia de como a densidade das nuvens de poeira pode variar drasticamente dentro de uma galáxia.
Com uma consistência semelhante à do fumo, a poeira é criada por estrelas moribundas e é um dos materiais que formam novas estrelas. As nuvens de poeira observadas pelos telescópios espaciais são constantemente moldadas pela explosão de estrelas, ventos estelares e pelos efeitos da gravidade. Quase metade de toda a luz das estrelas no Universo é absorvida pela poeira. Muitos dos elementos químicos pesados essenciais à formação de planetas como a Terra estão presos em grãos de poeira no espaço interestelar. Assim, a compreensão da poeira é uma parte essencial da compreensão do nosso Universo.
A Grande Nuvem de Magalhães é um satélite da Via Láctea, contendo cerca de 30 mil milhões de estrelas. Vista aqui no infravermelho distante e no rádio, a poeira fria e quente da Grande Nuvem de Magalhães é mostrada a verde e azul, respetivamente, com o gás hidrogénio a vermelho.
Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/CSIRO/C. Clark (STScI)
As novas observações foram possíveis através do trabalho do Observatório Espacial Herschel da ESA, que operou de 2009 a 2013. O JPL da NASA, no sul da Califórnia, EUA, contribuiu com peças-chave de dois instrumentos na nave espacial. Os instrumentos superfrios do Herschel foram capazes de detetar o brilho térmico da poeira, que é emitido como luz infravermelha distante, uma gama de comprimentos de onda mais longos do que o que os olhos humanos conseguem detetar.
As imagens da poeira interestelar, pelo Herschel, fornecem vistas de alta resolução de detalhes finos nestas nuvens, revelando intricadas subestruturas. Mas a forma como o telescópio espacial foi concebido significava que muitas vezes não conseguia detetar a luz de nuvens mais espalhadas e difusas, especialmente nas regiões exteriores das galáxias, onde o gás e a poeira se tornam esparsos e, portanto, mais ténues.
A Galáxia de Andrómeda, ou M31, é mostrada aqui no infravermelho e no rádio. Algum do gás hidrogénio (vermelho) que traça a orla do disco de Andrómeda foi puxado do espaço intergaláctico e algum foi arrancado das galáxias que se fundiram com Andrómeda no passado.
Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/GBT/WSRT/IRAM/C. Clark (STScI)
Para algumas galáxias próximas, isso significava que o Herschel perdia até 30% de toda a luz emitida pela poeira. Com uma lacuna tão significativa, os astrónomos esforçavam-se por utilizar os dados do Herschel para compreender como a poeira e o gás se comportavam nestes ambientes. Para preencher os mapas de poeira do Herschel, as novas imagens combinam dados de três outras missões: o aposentado Observatório Planck da ESA, juntamente com duas missões da NASA igualmente reformadas, o IRAS (Infrared Astronomical Satellite) e o COBE (Cosmic Background Explorer).
As imagens mostram a Galáxia de Andrómeda, também conhecida como M31; a galáxia do Triângulo, ou M33; e a Grande e Pequena Nuvem de Magalhães - galáxias anãs que orbitam a Via Láctea que não têm a estrutura espiral das galáxias de Andrómeda e do Triângulo. Todas as quatro estão a menos de 3 milhões de anos-luz da Terra.
A Pequena Nuvem de Magalhães é um satélite da Via Láctea, contendo cerca de 3 mil milhões de estrelas. Esta imagem no infravermelho distante e no rádio mostra a poeira fria (verde) e quente (azul), bem como o gás hidrogênio (vermelho).
Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/CSIRO/NANTEN2/C. Clark (STScI)
Nas imagens, o vermelho indica o gás hidrogénio, o elemento mais comum no Universo. Estes dados foram recolhidos utilizando múltiplos radiotelescópios localizados em todo o globo. A imagem da Grande Nuvem de Magalhães mostra uma cauda vermelha a sair em baixo e à esquerda, que foi provavelmente criada quando colidiu com a Pequena Nuvem de Magalhães há cerca de 100 milhões de anos. As bolhas de espaço vazio indicam regiões onde as estrelas se formaram recentemente, porque ventos intensos das estrelas recém-nascidas sopram a poeira e o gás circundantes. A luz verde à volta das orlas dessas bolhas indica a presença de poeira fria que se acumulou como resultado destes ventos. A poeira mais quente, vista a azul, indica onde as estrelas estão a formar-se ou outros processos que aqueceram a poeira.
Muitos elementos pesados na natureza - incluindo carbono, oxigénio e ferro - podem ficar presos a grãos de poeira e a presença de elementos diferentes muda a forma como a poeira absorve a luz das estrelas. Isto, por sua vez, afeta a visão que os astrónomos têm de eventos como a formação estelar.
A galáxia do Triângulo, ou M33, é mostrada aqui em comprimentos de onda de luz infravermelha distante e no rádio. Algum do gás hidrogénio (vermelho) que traça a orla do disco do Triângulo foi puxado do espaço intergaláctico e algum foi arrancado das galáxias que se fundiram com M33 no passado.
Crédito: ESA/NASA/JPL-Caltech/GBT/VLA/IRAM/C. Clark (STScI)
Nas nuvens mais densas de poeira, quase todos os elementos pesados podem ficar presos em grãos de poeira, o que aumenta a relação poeira-gás. Mas em regiões menos densas, a radiação destrutiva das estrelas recém-nascidas ou as ondas de choque da explosão de estrelas esmaga os grãos de poeira e devolve alguns desses elementos pesados trancados de volta ao gás, alterando mais uma vez a proporção. Os cientistas que estudam o espaço interestelar e a formação estelar querem compreender melhor este ciclo contínuo. As imagens do Herschel mostram que a relação poeira-gás pode variar dentro de uma única galáxia até um factor de 20, muito mais do que anteriormente estimado.
"Estas imagens melhoradas do Herschel mostram-nos que os 'ecossistemas' de poeira nestas galáxias são muito são muito dinâmicos," disse Christopher Clark, astrónomo do STScI (Space Telescope Science Institute) em Maryland, que liderou o trabalho de criação das novas imagens.
Astrónomos ligam 64 telescópios para observar a estrutura do Universo (via Universidade de Manchester)
Uma equipa internacional de astrónomos combinou pela primeira vez a potência de 64 antenas de radiotelescópios para detetar as fracas assinaturas do gás hidrogénio neutro através de escalas cosmológicas. A proeza foi conseguida utilizando o MeerKAT na África do Sul, um precursor do maior observatório de rádio do mundo, o SKAO, que irá sondar o Universo com detalhes sem precedentes. Ler fonte
NOIRLab observa discos poeirentos (via NOIRLab)
Este mosaico de discos empoeirados e rodopiantes ilustra uma amostra de imagens capturadas pelo Observatório Gemini, um Programa do NOIRLab da NSF, como parte de um levantamento sem precedentes de 44 jovens estrelas massivas. Uma equipa internacional utilizou o Gemini South no Chile para investigar a formação planetária e descobriu um potencial jovem planeta da massa de Júpiter e confirmou a existência de duas anãs castanhas. Ler fonte
Álbum de fotografias - A Nebulosa Gamma Cygni
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Min Xie, Chen Wu, Yizhou Zhang e Benchu Tang
A estrela supergigante Gamma Cygni fica no centro da Cruz do Norte. Perto do plano da nossa Galáxia, a Via Láctea, esse famoso asterismo voa alto nos céus noturnos de verão na direção da constelação de Cisne. Conhecida pelo nome Sadr, a estrela brilhante também está logo abaixo do centro nesta paisagem telescópica, com cores mapeadas tanto em banda larga como em banda estreita. O campo de visão abrange quase 3 graus (6 Luas Cheias) no céu e inclui a nebulosa de emissão IC 1318 e o enxame aberto NGC 6910. Preenchendo a parte superior da imagem e tendo a forma de duas brilhantes asas cósmicas divididas por uma longa faixa de poeira escura, o nome popular de IC 1318 é compreensivelmente a Nebulosa da Borboleta. Para a direita de Gamma Cygni estão as estrelas jovens, ainda intimamente agrupadas, de NGC 6910. A distância até Gamma Cygni é de cerca de 560 parsecs, ou 1800 anos-luz. As estimativas para IC 1318 e NGC 6910 variam entre 2000 e 5000 anos-luz.
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