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  Astroboletim #1911  
  01/07 a 04/07/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | O Verão que nos espera
Data: 14 de julho de 2022
Hora: 21:30-23:30
Local: Centro Ciência Viva do Algarve
Julho e agosto costumam vir com bom tempo; nesta sessão falaremos sobre alguns eventos astronómicos deste verão e como os observar. Após a apresentação, e se a meteorologia for favorável, iremos observar o céu com telescópio.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis.
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 01/07: 182.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2,2 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2,5 m chega ao Monte Wilson.

O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Em 2004, inserção orbital da Cassini-Huygens em Saturno.
Em 2013, descoberta da lua Hipocampo de Neptuno
Observações: No lado este do céu, o Triângulo de Verão domina após o anoitecer. A sua estrela de topo é Vega, a mais brilhante naquela zona do céu. Para baixo e para a esquerda, temos Deneb. Mais longe, mas desta vez para baixo e para a direita de Vega, encontramos Altair, com a ténue Tarazed logo acima. A Via Láctea (se tiver um céu suficientemente escuro) atravessa o Triângulo de Verão.
À medida que a noite avança e Altair fica mais alta no céu, olhe para a esquerda ou para baixo e para a esquerda, pouco mais de um punho à distância do braço esticado, em busca da pequena constelação de Golfinho.
Conseguiu descobri-la? Então tente agora a ainda mais pequena e fraca Sagitta, a Seta. Está para cima e para a esquerda de Altair, um pouco menos distante. A Seta aponta para baixo e para a esquerda, para lá da cabeça de Golfinho.

Dia 02/07: 183.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1967, os satélites de raios-gama Vela 3 e 4, lançados com a intenção de detetar explosões de bombas nucleares, tornam-se famosos pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objetivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.

O primeiro encontro ocorreu a 13 de março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Em 2013, a União Astronómica Internacional dá os nomes Cérbero e Estige à 4.ª e 5.ª luas de Plutão, respetivamente.
Observações: Ao lusco-fusco, olhe para oeste em busca da fina Lua Crescente. Olhe para a esquerda do nosso satélite natural à procura de Régulo e para cima da Lua em busca da mais ténue Algieba, Gamma Leonis. Binóculos ajudam a revelar a diferença de cores entre as duas estrelas. Algieba é estrela dupla, larga e apenas visual para binóculos, mas um sistema binário verdadeiro com 5 segundos de arco para telescópios.

Dia 03/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1969, ocorre a maior explosão na história dos foguetões quando o soviético Soyuz N-1 (5L) explode e subsequentemente destroi a sua plataforma de lançamento. Esta é também uma das maiores explosões artificiais não-nucleares da História da Humanidade.
Em 2006, o asteroide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.

Observações:
Para observadores casuais ou para aqueles sem um bom céu a norte, "Cassiopeia em julho" pode parecer tão errado quanto Natal em julho. Mas Cassiopeia já passou a posição mais baixa para o ano e está gradualmente a ganhar altitude em preparação para o próximo outono e inverno. Procure o seu "W" achatado baixo a norte-nordeste. E o "W" já não está nivelado.

Dia 04/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1054, foi detetada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses, árabes e possivelmente pelos povos indígenas do continente americano. Permaneceu visível durante meses, brilhante o suficiente para ser vista durante o dia. Deu origem ao remanescente de supernova chamado Nebulosa do Caranguejo, também conhecido por M1.
Em 1868 nascia Henrietta Swan Leavitt, astrónoma americana que examinou chapas fotográficas para medir e catalogar o brilho de estrelas.

Descobriu a relação entre a luminosidade e o período das estrelas variáveis Cefeidas. Foi a sua descoberta que permitiu aos astrónomos medirem a distância entre a Terra e as galáxias distantes. Após a sua morte, Edwin Hubble usou a relação do período-luminosidade das Cefeidas para determinar que a Via Láctea não era a única galáxia no Universo observável e que o Universo estava em expansão. 
Em 1997, a Pathfinder aterrava em Marte.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Em 2012, é anunciada no CERN a descoberta de partículas consistentes com o bosão de Higgs no LHC (Large Hadron Collider).
Observações: A Terra encontra-se hoje no afélio, a sua posição mais afastada do Sol. Estamos 1/30 mais longe do Sol do que no periélio de janeiro.

 
     
 
Curiosidades


Cientistas da NASA, na esperança de resolver um mistério fundamental sobre a atmosfera de Marte, decidiram pedir a ajuda do público.

Organizaram um projecto chamado "Cloudspotting on Mars" que convida todos a identificarem as nuvens marcianas utilizando a plataforma de ciência cidadã Zooniverse.

A informação pode ajudar os investigadores a descobrir porque é que a atmosfera do planeta é apenas 1% tão densa como a da Terra, apesar de amplas evidências sugerirem que o planeta costumava ter uma atmosfera muito mais espessa.

 
 
   
Rover Curiosity faz inventário de ingrediente-chave da vida

Utilizando dados do rover Curiosity da NASA, cientistas mediram pela primeira vez o carbono orgânico total - um componente chave nas moléculas da vida - nas rochas marcianas.

"O carbono orgânico total é uma das várias medições [ou índices] que nos ajudam a compreender quanto material está disponível como matéria-prima para a química pré-biótica e potencialmente biológica", disse Jennifer Stern do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. "Encontrámos pelo menos 200 a 273 partes por milhão de carbono orgânico. Isto é comparável ou mesmo superior à quantidade encontrada nas rochas em locais de muito pouca vida na Terra, tais como partes do Deserto do Atacama na América do Sul, e mais do que foi detetado nos meteoritos marcianos."

 
A partir de uma posição na depressão rasa "Yellowknife Bay", o rover Curiosity da NASA utilizou a sua Mastcam (câmara do lado direito do mastro) para obter as imagens combinadas neste panorama de diversidade geológica.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

O carbono orgânico é carbono ligado a um átomo de hidrogénio. É a base das moléculas orgânicas, que são criadas e utilizadas por todas as formas de vida conhecidas. No entanto, o carbono orgânico em Marte não prova a existência de vida porque também pode vir de fontes não vivas, tais como meteoritos e vulcões, ou ser formado no local por reações à superfície. O carbono orgânico já tinha sido encontrado anteriormente em Marte, mas as medições anteriores apenas produziram informação sobre determinados compostos, ou representavam medições que capturam apenas uma porção do carbono nas rochas. A nova medição indica a quantidade total de carbono orgânico nestas rochas.

Embora a superfície de Marte seja agora inóspita para a vida, existem evidências de que há milhares de milhões de anos o clima era mais semelhante ao da Terra, com uma atmosfera mais espessa e água líquida que fluía em rios e mares. Uma vez que a água líquida é necessária para a vida tal como a entendemos, os cientistas pensam que a vida marciana, se é que alguma vez evoluiu, poderia ter sido sustentada por ingredientes chave como o carbono orgânico, se presente em quantidades suficientes.

O Curiosity está a avançar no campo da astrobiologia ao investigar a habitabilidade de Marte, estudando o seu clima e geologia. O rover perfurou amostras de rochas lamacentas com 3,5 mil milhões de anos na formação denominada "Yellowknife Bay" da Cratera Gale, o local de um antigo lago marciano. Este lamito na Cratera Gale foi formado como sedimento muito fino (a partir do desgaste físico e químico das rochas vulcânicas) que assentou no fundo do lago e foi enterrado. O carbono orgânico fazia parte deste material e foi incorporado no lamito. Além de água líquida e carbono orgânico, a Cratera Gale tinha outras condições propícias à vida, tais como fontes de energia química, baixa acidez e outros elementos essenciais para a biologia, tais como oxigénio, azoto e enxofre. "Basicamente, este local teria oferecido um ambiente habitável para a vida, se é que alguma vez esteve presente", disse Stern, autora principal de um artigo sobre esta investigação publicado dia 27 de junho na revista PNAAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

 
O rover Curiosity utilizou a sua câmara de navegação esquerda para tirar esta foto da descida para uma depressão rasa chamada "Yellowknife Bay". Obteve a imagem no 125.º dia marciano, ou sol, da missão (12 de dezembro de 2012), logo após ter terminado a viagem desse sol.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Para fazer a medição, o Curiosity entregou a amostra ao seu instrumento SAM (Sample Analysis at Mars), onde um forno aqueceu a rocha em pó a temperaturas progressivamente mais elevadas. Esta experiência utilizou oxigénio e calor para converter o carbono orgânico em dióxido de carbono (CO2), cuja quantidade é medida para obter a quantidade de carbono orgânico nas rochas. A adição de oxigénio e calor permite que as moléculas de carbono se partam e reajam com o oxigénio para produzir CO2. Algum carbono está fixado em minerais, pelo que o forno aquece a amostra a temperaturas muito elevadas para decompor esses minerais e libertar o carbono para o converter em CO2. A experiência foi realizada em 2014, mas foram necessários anos de análise para compreender os dados e colocar os resultados no contexto de outras descobertas da missão na Cratera Gale. A experiência de recursos intensivos foi realizada apenas uma vez durante os 10 anos do Curiosity em Marte.

Este processo também permitiu com que o SAM medisse as proporções de isótopos de carbono, o que ajuda a compreender a fonte de carbono. Os isótopos são versões de um elemento com pesos (massas) ligeiramente diferentes, devido à presença de um ou mais neutrões extra no centro (núcleo) dos seus átomos. Por exemplo, o carbono-12 tem seis neutrões enquanto o mais pesado carbono-13 tem sete neutrões. Uma vez que os isótopos mais pesados tendem a reagir um pouco mais lentamente do que os isótopos mais leves, o carbono da vida é mais rico em carbono-12. "Neste caso, a composição isotópica só nos pode realmente dizer que parte do carbono total é carbono orgânico e que parte é carbono mineral", disse Stern. "Embora a biologia não possa ser completamente excluída, os isótopos também não podem ser realmente utilizados para suportar uma origem biológica para este carbono, porque o intervalo de variação sobrepõe-se ao carbono ígneo (vulcânico) e ao material orgânico meteorítico, que são muito provavelmente a fonte deste carbono orgânico."

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (PNAS)

 


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Observando a morte de uma rara estrela gigante

Uma equipa de astrónomos liderada pela Universidade do Arizona criou uma imagem tridimensional e detalhada de uma estrela hipergigante moribunda. A equipa, liderada pelos investigadores Ambesh Singh e Lucy Ziurys da Universidade do Arizona, traçou a distribuição, direções e velocidades de uma variedade de moléculas em torno de uma estrela hipergigante vermelha conhecida como VY Canis Majoris.

As suas descobertas, que apresentaram a 13 de junho no 240.ª Encontro da Sociedade Astronómica Americana em Pasadena, Califórnia, oferecem perspetivas a uma escala sem precedentes sobre os processos que acompanham a morta de estrelas gigantes. O trabalho foi feito com os colaboradores Robert Humphreys da Universidade de Minnesota e Anita Richards da Universidade de Manchester, no Reino Unido.

 
Impressão de artista da estrela hipergiante vermelha VY Canis Majoris. Localizada a cerca de 3.009 anos-luz da Terra, VY Canis Majoris é possivelmente a estrela mais massiva da Via Láctea.
Crédito: NASA/ESA/Hubble/R. Humphreys, Universidade de Minnesota / J. Olmsted, STScI
 

As estrelas supergigantes extremas, conhecidas também como hipergigantes, são muito raras, sendo que apenas algumas conhecidas existem na Via Láctea. Exemplos incluem Betelgeuse, a segunda estrela mais brilhante da constelação de Orionte, e NML Cygni, também conhecida como V1489 Cygni, na direção da constelação de Cisne. Ao contrário das estrelas com massas mais baixas - que são mais propensas a inchar quando entram na fase de gigante vermelha, mas geralmente mantêm uma forma esférica - as hipergigantes tendem a passar por substanciais eventos de perda de massa que formam estruturas complexas e altamente irregulares compostas por arcos, aglomerados e nós.

Localizada a cerca de 3009 anos-luz da Terra, VY Canis Majoris - ou VY CMa, para abreviar - é uma estrela variável pulsante na direção da constelação de Cão Maior. Abrangendo entre 10.000 e 15.000 unidades astronómicas (1 unidade astronómica, ou UA, é a distância média entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de quilómetros), VY CMa é possivelmente a estrela mais massiva da Via Láctea, de acordo com Ziurys.

"Pense nela como Betelgeuse em esteroides," disse Ziurys, Professor Regente no Departamento de Química e Bioquímica da Universidade do Arizona e do Observatório Steward. "É muito maior, muito mais massiva e sofre erupções gigantescas mais ou menos a cada 200 anos."

A equipa optou por estudar VY CMa porque é um dos melhores exemplos destes tipos de estrelas.

"Estamos particularmente interessados no que as estrelas hipergigantes fazem no final das suas vidas," disse Singh, no seu 4.º ano de doutoramento e membro do laboratório de Ziurys. "As pessoas costumavam pensar que estas estrelas massivas simplesmente evoluíam para supernovas, mas já não temos a certeza."

"Se assim fosse, deveríamos ver muitas mais explosões de supernova pelo céu," acrescentou Ziurys. "Pensamos agora que podem colapsar calmamente em buracos negros, mas não sabemos quais acabam assim as suas vidas, ou porque é que isso acontece e como."

Imagens anteriores de VY CMa com o Telescópio Espacial Hubble da NASA e espectroscopia mostraram a presença de arcos distintos e outros aglomerados e nós, muitos estendendo-se milhares de UA a partir da estrela central. Para descobrir mais detalhes dos processos pelos quais as estrelas hipergigantes terminam as suas vidas, a equipa começou a traçar certas moléculas em torno da hipergigante e a mapeá-las para imagens pré-existentes da poeira, obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble.

"Ninguém tem sido capaz de obter uma imagem completa desta estrela," disse Ziurys, explicando que a sua equipa se propôs a compreender os mecanismos através dos quais a massa da estrela é libertada, que parecem ser diferentes dos das estrelas mais pequenas que entram na sua fase gigante vermelha no final das suas vidas.

"Não se vê esta agradável e simétrica perda de massa, mas sim células de convecção que 'sopram' através da fotosfera da estrela como balas gigantes e ejetam massa em diferentes direções," disse Ziurys. "Estas são análogas aos arcos coronais vistos no Sol, mas mil milhões de vezes maiores."

A equipa usou o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile para rastrear uma variedade de moléculas em material ejetado a partir da superfície estelar. Enquanto algumas observações ainda estão em curso, foram obtidos mapas preliminares do óxido de enxofre, dióxido de enxofre, óxido de silício, óxido de fósforo e cloreto de sódio. A partir destes dados, o grupo construiu uma imagem da estrutura do fluxo global molecular de VY CMa em escalas que englobavam todo o material ejetado a partir da estrela.

"As moléculas traçam os arcos no invólucro, o que nos diz que as moléculas e a poeira estão bem misturadas," disse Singh. "O que é bom nas emissões de moléculas em comprimentos de onda de rádio é que nos fornecem informação da velocidade, em oposição à emissão de poeira, que é estática."

Ao mover as 48 antenas do ALMA para diferentes configurações, os investigadores conseguiram obter informações sobre as direções e velocidades das moléculas e mapeá-las através das diferentes regiões do invólucro da hipergigante com considerável detalhe, correlacionando-as mesmo com diferentes eventos de ejeção de massa ao longo do tempo.

O processamento dos dados exigiu algum "levantamento pesado" em termos de poder computacional, disse Singh.

"Até agora, já processámos quase um terabyte do ALMA e ainda recebemos dados que temos de analisar para obter a melhor resolução possível," disse. "Só a calibração e limpeza dos dados requer até 20.000 iterações, o que leva um dia ou dois para cada molécula."

"Com estas observações, podemos agora colocá-las em mapas no céu," disse Ziurys. "Até agora, apenas pequenas porções desta enorme estrutura tinham sido estudadas, mas não se consegue compreender a perda de massa e como estas grandes estrelas morrem, a menos que se olhe para toda a região. É por isso que queríamos criar uma imagem completa."

Com o financiamento da NSF (National Science Foundation), a equipa planeia publicar as suas conclusões numa série de artigos científicos.

// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
09/03/2021 - Hubble resolve o mistério do escurecimento de estrela monstruosa
27/11/2015 - Revelado segredo da perda de peso de estrela a envelhecer

VY Canis Majoris:
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Hipergigante:
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Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
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ALMA:
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ALMA (NAOJ)
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Estrela morta apanhada a despedaçar sistema planetário

O leito de morte de uma estrela perturbou tão violentamente o seu sistema planetário que a estrela morta deixada para trás, chamada anã branca, está a retirar detritos tanto do alcance interno como externo do sistema. Esta é a primeira vez que os astrónomos observam uma estrela anã branca a consumir tanto material rochoso-metálico como gelado, os ingredientes dos planetas.

Dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble e outros observatórios da NASA foram essenciais no diagnóstico deste caso de canibalismo cósmico. As descobertas ajudam a descrever a natureza violenta dos sistemas planetários evoluídos e podem dizer aos astrónomos mais sobre a composição dos sistemas recém-formados.

 
Esta ilustração mostra uma estrela anã branca a extrair os detritos de objetos despedaçados num sistema planetário. O Telescópio Espacial Hubble deteta a assinatura espectral dos detritos vaporizados que revelou uma combinação de material rochoso metálico e gelado, os ingredientes dos planetas. As descobertas ajudam a descrever a natureza violenta dos sistemas planetários evoluídos e a composição dos seus corpos desintegrados.
Crédito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)
 

Os resultados baseiam-se na análise do material capturado pela atmosfera da estrela anã branca próxima G238-44. Uma anã branca é o que resta de uma estrela como o nosso Sol, depois de ter libertado as suas camadas exteriores e deixado de queimar combustível através da fusão nuclear. "Nunca tínhamos visto ambos os tipos de objetos a acumular-se numa anã branca ao mesmo tempo," disse Ted Johnson, investigador principal e recente licenciado da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles). "Ao estudar estas anãs brancas, esperamos obter uma melhor compreensão dos sistemas planetários que ainda se encontram intactos."

As descobertas são também intrigantes porque pequenos objetos gelados são creditados por chocarem e "irrigarem" planetas secos e rochosos no nosso Sistema Solar. Pensa-se que, há milhares de milhões de anos atrás, cometas e asteroides entregaram água à Terra, criando as condições necessárias para a vida como a conhecemos. A composição dos corpos detetados a "choverem" para a anã branca implica que os reservatórios de gelo podem ser comuns entre os sistemas planetários, disse Johnson.

"A vida tal como a conhecemos requer um planeta rochoso coberto com uma variedade de elementos como carbono, azoto e oxigénio," disse Benjamin Zuckerman, professor da UCLA e coautor. "As abundâncias dos elementos que vemos nesta anã branca parecem exigir um corpo parente rochoso e um corpo parente volátil - o primeiro exemplo que encontramos entre os estudos de centenas de anãs brancas."

Derby de demolição

As teorias da evolução dos sistemas planetários descrevem a transição entre a fase de gigante vermelha e da anã branca como um processo caótico. A estrela perde rapidamente as suas camadas exteriores e as órbitas dos planetas mudam drasticamente. Pequenos objetos, como asteroides e planetas anões, podem aventurar-se demasiado perto de planetas gigantes e ser enviados a cair em direção à estrela. Este estudo confirma a verdadeira escala desta violenta fase caótica, mostrando que até 100 milhões de anos após o início da sua fase de anã branca, a estrela é capaz de capturar e consumir simultaneamente material das suas regiões semelhantes às nossas cinturas, a de asteroides e a de Kuiper.

A massa total estimada eventualmente devorada pela anã branca neste estudo pode não ser mais do que a massa de um asteroide ou pequena lua. Embora a presença de pelo menos dois objetos que a anã branca está a consumir não tenha sido medida diretamente, é provável que um seja rico em metais como um asteroide e o outro seja um corpo gelado semelhante ao que se encontra no limite do nosso Sistema Solar, na cintura de Kuiper.

Embora os astrónomos tenham catalogado mais de 5000 exoplanetas, o único planeta onde temos algum conhecimento direto da sua composição interior é a Terra. O canibalismo da anã branca proporciona uma oportunidade única de "desmontar" planetas e ver do que eram feitos quando se formaram pela primeira vez em torno da estrela.

A equipa mediu a presença de azoto, oxigénio, magnésio, silício e ferro, entre outros elementos. A deteção de ferro numa abundância muito elevada é evidência para núcleos metálicos de planetas terrestres, como a Terra, Vénus, Marte e Mercúrio. Uma abundância inesperadamente elevada de azoto levou-os a concluir a presença de corpos gelados. "O melhor ajuste para os nossos dados foi uma mistura de quase dois-para-um de material semelhante a Mercúrio e material cometário, que é feito de gelo e poeira," disse Johnson. "O ferro e o azoto gelado sugerem, cada um, condições de formação planetária extremamente diferentes. Não há nenhum objeto conhecido do Sistema Solar com tanto de ambos."

 
Este diagrama ilustrado do sistema planetário G238-44 traça a sua destruição. A minúscula estrela anã branca está no centro da ação. Um disco de acreção muito fraco é composto pelos pedaços de corpos estilhaçados que caem sobre a anã branca. Os restantes asteroides e corpos planetários constituem um reservatório de material em redor da estrela. Podem ainda existir no sistema planetas gigantes gasosos. Muito mais longe está uma cintura de corpos gelados, tais como cometas, que em última análise também alimentam a estrela morta.
Crédito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)
 

Morte de um sistema planetário

Quando uma estrela como o nosso Sol se expande para uma gigante vermelha inchada, no final da sua vida, começa a libertar massa soprando as suas camadas exteriores. Uma consequência disto pode ser a dispersão gravitacional de pequenos objetos como asteroides, cometas e luas por quaisquer planetas grandes restantes. Tal como um jogo de pinball, os objetos sobreviventes podem ser atirados para órbitas altamente excêntricas.

"Após a fase de gigante vermelha, a estrela anã branca que resta é compacta - não maior do que a Terra. Os planetas podem acabar por se aproximar demasiado da estrela e sentir poderosas forças de maré que os despedaçam, criando um disco gasoso e poeirento que acaba por cair sobre a superfície da anã branca", explicou Johnson.

Os investigadores estão a analisar o cenário final da evolução do Sol, daqui a 5 mil milhões de anos. A Terra poderá ser completamente vaporizada juntamente com os planetas interiores. Mas as órbitas de muitos dos asteroides na cintura principal serão gravemente perturbadas por Júpiter e acabarão por cair sobre a anã branca em que o Sol eventualmente se transformará.

Durante mais de dois anos, o grupo de investigação da UCLA, da Universidade da Califórnia em San Diego e da Universidade de Kiel na Alemanha, trabalhou para desvendar este mistério, analisando os elementos detetados na estrela anã branca catalogada como G238-44. A sua análise inclui dados do aposentado FUSE (Far Ultraviolet Spectroscopic Explorer) da NASA, do instrumento HIRES (High Resolution Echelle Spectrometer) montado no Observatório Keck no Hawaii e dos COS (Cosmic Origins Spectrograph) e STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) do Telescópio Espacial Hubble.

Os resultados da equipa foram apresentados numa conferência de imprensa da Sociedade Astronómica Americana no passado dia 15 de junho de 2022.

// NASA (comunicado de imprensa)
// UCLA (comunicado de imprensa)
// Estrela morta apanhada a despedaçar sistema planetário (NASA Goddard via YouTube)

 


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Álbum de fotografias - Mercúrio, pela BepiColombo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESAJAXABepiColomboMTM
 
Que parte da Lua é esta? Nenhuma - porque este é o planeta Mercúrio. A antiga superfície de Mercúrio é altamente craterada como a Lua da Terra. Mercúrio, embora apenas ligeiramente maior do que o nosso satélite natural, é muito mais denso e mais massivo do que qualquer lua do Sistema Solar porque é feito principalmente de ferro. Na verdade, a nossa Terra é o único planeta mais denso. Dado que Mercúrio gira exatamente três vezes por cada duas órbitas em torno do Sol, e tendo em conta que a órbita de Mercúrio é tão elíptica, os visitantes em Mercúrio podiam ver o Sol nascer, parar no céu, voltar para o horizonte nascente, parar outra vez e depois pôr-se rapidamente no outro lado do céu. Da Terra, a proximidade de Mercúrio ao Sol faz com que este seja visível apenas por um curto período de tempo logo após o pôr-do-Sol ou pouco antes do nascer-do-Sol. A imagem em destaque foi capturada a semana passada pela nave espacial BepiColombo da ESA e da JAXA, que passou por lá à medida que liberta energia e se prepara para orbitar o planeta mais interior a partir de 2025.
 
   
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