Apresentação às Estrelas | Cometa do Ano Novo Data: 10 de novembro de 2022 Hora: 18:30-20:30
Esta noite falaremos sobre cometas, para chamar a atenção para o "C/2022 E3 (ZTF)", que estará no céu antes do nascer-do-Sol, entre dezembro e janeiro especialmente. Após esta breve apresentação, e se a meteorologia o permitir, faremos observação noturna com telescópio. Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt) Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 14/10: 287.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra.
Em 1968 tem lugar a primeira transmissão televisiva em direto de uma nave espacial, a Apollo 7.
Em 2012, Felix Baumgartner salta da estratosfera e quebra o recorde de maior queda livre, a uma altitude de 39.068 metros. É também a primeira pessoa a quebrar a barreira do som sem recurso a um veículo. Observações: Assim que a Lua nascer a este, depois das 22 horas, observe que para baixo do nosso satélite natural está o brilhante planeta Marte. Quanto mais tarde, mais alto estarão.
Dia 15/10: 288.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o papa Gregório XIII implementava o calendário gregoriano. O dia 4 de outubro deste ano é seguido diretamente pelo 15 de outubro.
Em 1608 nascia Evangelista Torricelli, físico italiano famoso por ter inventado o barómetro.
Em 1829 nascia Asaph Hall, astrónomo americano famoso por ter descoberto as luas de Marte, Fobos e Deimos.
Determinou também as órbitas de satélites de outros planetas e de estrelas duplas, a rotação de Saturno e a massa de Marte.
Em 1997, era lançada a sonda Cassini para Saturno a partir de Cabo Canaveral.
Em 2001, a sonda Galileu da NASA passa a 181 km da lua de Júpiter, Io.
Em 2003, a China lança a Shenzhou 5, a sua primeira missão espacial tripulada. Observações: Agora que chegámos a meio de outubro, Deneb substituiu Vega como a estrela brilhante mais perto do zénite após o cair da noite para observadores a latitudes médias norte. E, assim sendo, Capricórnio substituiu Sagitário como a constelação zodiacal baixa a sul.
Vega, entretanto, ainda é a estrela mais brilhante alta a oeste. Menos alta a sudoeste, procure Altair, que também é menos brilhante.
Logo para cima e para a direita de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, está a alaranjada Tarazed. Para baixo de Tarazed e Altair encontra-se a constelação de Águia.
Dia 16/10: 289.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2012, é descoberto o exoplanetaAlpha Centauri Bb.
Em outubro de 2015, astrónomos publicaram um artigo científico que refuta a existência do planeta. Isto levou o autor principal do artigo original a voltar atrás no anúncio. Observações: Aproveite a noite para observar os planetas Júpiter e Saturno. O primeiro brilha a sudeste, para baixo do Grande Quadrado de Pégaso. Saturno está a sul, menos brilhante, na direção da constelação de Capricórnio.
Dia 17/10: 290.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604, o astrónomo Johannes Kepler observa uma supernova na constelação de Ofíuco. Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 18:15.
Esta é a altura do ano em que, pouco depois do cair da noite, a constelação em forma de W, Cassiopeia, apoia-se verticalmente a nordeste - e quando, para a sua esquerda a norte, a pequena e ténue constelação de Ursa Menor estende-se diretamente para a esquerda da Polar.
NASA confirma que o impacto da missão DART mudou o movimento do asteroide Dimorphos pelo espaço
A análise dos dados obtidos nas últimas duas semanas pela equipa de investigação DART (Double Asteroid Redirection Test) da NASA mostra que o impacto cinético da nave espacial com o seu asteroide alvo, Dimorphos, alterou com sucesso a sua órbita. Isto assinala a primeira vez que a humanidade altera propositadamente o movimento de um objeto celeste e a primeira demonstração em escala real da tecnologia de desvio de asteroides.
"Todos nós temos a responsabilidade de proteger o nosso planeta. Afinal de contas, é o único que temos", disse o Administrador da NASA, Bill Nelson. "Esta missão mostra que a NASA está a tentar estar pronta para o que quer que o Universo nos atire. A NASA provou que estamos a falar a sério como defensores do planeta. Este é um momento decisivo para a defesa planetária e para toda a humanidade, demonstrando o empenho da excecional equipa da NASA e dos seus parceiros de todo o mundo".
O satélite LICIACube da Agência Espacial Italiana obteve esta imagem imediatamente antes da maior sua aproximação do asteroide Dimorphos, após a nave espacial DART (Double Asteroid Redirection Test) ter propositadamente colidido a 26 de setembro de 2022. Didymos, Dimorphos e a pluma que sai de Dimorphos após o impacto da DART são claramente visíveis.
Créditos: Agência Espacial Italiana/NASA
Antes do impacto da DART, Dimorphos demorava 11 horas e 55 minutos a orbitar o seu companheiro maior, o asteroide Didymos. "Desde a colisão intencional da DART com Dimorphos a 26 de setembro, os astrónomos têm usado telescópios na Terra para medir o quanto esse período mudou. Agora, a equipa de investigação confirmou que o impacto da nave alterou a órbita de Dimorphos em torno de Didymos em 32 minutos, encurtando a órbita de 11 horas e 55 minutos para 11 horas e 23 minutos. Esta medição tem uma margem de incerteza de aproximadamente mais ou menos 2 minutos.
Antes do seu encontro, a NASA tinha definido uma alteração mínima bem-sucedida do período orbital de Dimorphos como uma mudança de 73 segundos ou mais. Estes dados iniciais mostram que a DART ultrapassou este valor mínimo de referência em mais de 25 vezes.
"Este resultado é um passo importante para compreender o efeito total do impacto da DART com o seu asteroide alvo", disse Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA na sede da NASA em Washington. "À medida que novos dados chegam a cada dia, os astrónomos poderão avaliar melhor se, e como, uma missão como a DART poderá ser usada no futuro para ajudar a proteger a Terra de uma colisão com um asteroide, caso possamos descobrir um a vir na nossa direção".
Este gráfico fornece uma visão dos dados que a equipa DART utilizou para determinar a órbita de Dimorphos após o impacto - especificamente, pequenas reduções no brilho devido aos eclipses de Didymos e Dimorphos. As novas observações mostram que os eclipses de Dimorphos ocorrem em momentos diferentes (setas amarelas) do que se o período permanecesse inalterado (setas cinzentas). A linha temporal superior mostra as observações que a equipa DART utilizou para determinar o novo período orbital de Dimorphos, com dois conjuntos desses dados (de 29 de setembro de 2022 e 4 de outubro de 2022) mostrados em detalhe. Os decréscimos observados no brilho relativo de cada conjunto de dados de cada noite correspondem a eclipses de Dimorphos de um novo período orbital de 11 horas e 23 minutos - demonstrando que o tempo do eclipse difere do período pré-impacto de 11 horas e 55 minutos.
Crédito: NASA/JHUAPL/Instituto Astronómico da Academia de Ciências da Chéquia/Observatório Lowell/JPL/Observatório de Las Cumbres/Observatório de Las Campanas/Telescópio dinamarquês de 1,54 m do ESO/Universidade de Edimburgo/The Open University/Universidade Católica de la Santísima Concepción/ Observatório Nacional de Seoul/Universidade de Antofagasta/Universidade de Hamburgo/Universidade do Norte do Arizona
A equipa de investigação ainda está a obter dados com observatórios terrestres em todo o mundo - bem como com as instalações de radar Goldstone no JPL da NASA, na Califórnia, e com o Observatório Green Bank da NSF no estado norte-americano da Virgínia Ocidental. Estão a atualizar a medição do período com observações frequentes para melhorar a sua precisão.
O foco está agora a deslocar-se para a medição da eficiência da transferência de momento da colisão a 22.530 km/h da DART com o seu alvo. Isto inclui uma análise mais aprofundada do material ejetado - as muitas toneladas de rocha asteroidal deslocadas e lançadas para o espaço pelo impacto. O recuo desta explosão de destroços aumentou substancialmente o empurrão da DART contra Dimorphos - um pouco como um jato de ar que sai do balão e o envia na direção oposta.
Para compreender com sucesso o efeito do recuo dos detritos, são necessárias mais informações sobre as propriedades físicas do asteroide, tais como as características da sua superfície e quão forte ou fraca é. Estas questões ainda estão a ser investigadas.
O círculo verde mostra a localização do asteroide Dimorphos, que orbita o asteroide maior, Didymos, visto aqui como a linha brilhante que atravessa o meio das imagens. O círculo azul mostra onde Dimorphos teria estado se a sua órbita não tivesse sido alterada devido à missão DART da NASA que propositadamente impactou o asteroide mais pequeno no dia 26 de setembro de 2022. As imagens mostram o sistema de asteroide binário Didymos e Dimorphos obtidas a partir de instalações de radar Goldstone do JPL da NASA na Califórnia e do Observatório Green Bank da NSF no estado norte-americano da Virgínia Ocidental. Vistas à esquerda estão as observações de 4 de outubro de 2022, observações de Goldstone; à direita são combinadas as observações de Goldstone e Green Bank de 9 de outubro de 2022.
Crédito: NASA/JHUAPL/JPL/Radar Planetário Goldstone do JPL da NASA/Observatório Green Bank da NSF
"A DART deu-nos alguns dados fascinantes sobre as propriedades dos asteroides e a eficácia de um impactor cinético como tecnologia de defesa planetária", disse Nancy Chabot, líder da coordenação DART no JHUAPL (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory) em Laurel, no estado norte-americano de Maryland. "A equipa da DART continua a trabalhar com este rico conjunto de dados para compreender plenamente este primeiro teste de defesa planetária de deflexão de um asteroide".
Para esta análise, os astrónomos vão continuar a estudar as imagens de Dimorphos a partir da aproximação terminal da DART e do LICIACube (Light Italian CubeSat for Imaging of Asteroids), fornecido pela Agência Espacial Italiana, para aproximar a massa e a forma do asteroide. Daqui a cerca de quatro anos, o projeto Hera da ESA também tem planos para realizar levantamentos detalhados de Dimorphos e Didymos, com particular incidência na cratera deixada pela colisão da nave espacial DART e na medição precisa da massa de Dimorphos.
Uma nova imagem pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA revela uma notável visão cósmica: pelo menos 17 anéis concêntricos de poeira emanando de um par de estrelas. Localizadas a pouco mais de 5000 anos-luz da Terra, as estrelas são coletivamente conhecidas como Wolf-Rayet 140.
Cada anel foi criado quando as duas estrelas se aproximaram e os seus ventos estelares (fluxos de gás que sopram para o espaço) se encontraram, comprimindo o gás e formando poeira. As órbitas das estrelas aproximam-nas cerca de uma vez em cada oito anos; tal como o crescimento dos anéis num tronco de uma árvore, os anéis de poeira assinalam a passagem do tempo.
As duas estrelas em Wolf-Rayet 140 produzem conchas de poeira de oito em oito anos que parecem anéis, como se vê nesta imagem do Telescópio Espacial Webb da NASA. Cada anel foi criado quando as estrleas se aproximaram e os seus ventos estelares colidiram, comprimindo o gás e formando poeira.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, JPL-Caltech
"Estamos a olhar para mais de um século de produção de poeira neste sistema", disse Ryan Lau, astrónomo do NOIRLab da NSF (National Science Foundation) e autor principal de um novo estudo sobre o sistema, publicado na revista Nature Astronomy. "A imagem também ilustra o quão sensível é este telescópio. Antes, só podíamos ver dois anéis de poeira, utilizando telescópios terrestres. Agora vemos pelo menos 17".
Para além da sensibilidade geral do Webb, o seu instrumento MIRI (Mid-Infrared Instrument) está unicamente qualificado para estudar os anéis de poeira - ou aquilo a que Lau e os seus colegas chamam conchas, porque são mais espessos e largos do que aparecem na imagem. Os instrumentos científicos do Webb detetam luz infravermelha, uma gama de comprimentos de onda invisíveis ao olho humano. O MIRI deteta os comprimentos de onda infravermelhos mais longos, o que significa que pode frequentemente ver objetos mais frios - incluindo os anéis de poeira - do que os outros instrumentos do Webb. O espectrómetro do MIRI também revelou a composição da poeira, formada principalmente a partir de material ejetado por um tipo de estrela conhecida como estrela Wolf-Rayet.
O MIRI foi desenvolvido através de uma parceria entre a NASA e a ESA. O JPL no sul da Califórnia liderou o esforço para a NASA, e um consórcio multinacional de institutos astronómicos europeus contribuiu para a ESA.
Uma estrela Wolf-Rayet é uma estrela de classe O, nascida com pelo menos 25 vezes mais massa do que o nosso Sol, que está perto do fim da sua vida, quando provavelmente irá colapsar e formar um buraco negro. Mais quente agora que durante a sua juventude, uma estrela Wolf-Rayet gera ventos poderosos que empurram enormes quantidades de gás para o espaço. A estrela Wolf-Rayet neste par particular pode ter vertido mais de metade da sua massa original através deste processo.
Formando poeira ao vento
A transformação de gás em poeira é um pouco como transformar farinha em pão: requer condições e ingredientes específicos. O elemento mais comum encontrado nas estrelas, o hidrogénio, não pode formar poeira por si só. Mas dado que as estrelas Wolf-Rayet libertam tanta massa, também ejetam elementos mais complexos tipicamente encontrados no interior de uma estrela, incluindo carbono. Os elementos pesados, no vento, arrefecem enquanto viajam pelo espaço e são depois comprimidos onde os ventos de ambas as estrelas se encontram, como quando duas mãos amassam a massa.
Alguns outros sistemas Wolf-Rayet formam poeira, mas nenhum é conhecido por fazer anéis como Wolf-Rayet 140. O padrão único dos anéis forma-se porque a órbita da estrela Wolf-Rayet em WR 140 é alongada, não circular. Só quando as estrelas se aproximam - mais ou menos à mesma distância entre a Terra e o Sol - e os seus ventos colidem está o gás sob pressão suficiente para formar poeira. Com órbitas circulares, os binários Wolf-Rayet podem produzir poeira continuamente.
Esta ilustração mostra o tamanho relativo do Sol, no canto superior esquerdo, em comparação com as duas estrelas do sistema conhecido como Wolf-Rayet 140. A estrela de classe O tem cerca de 30 vezes a massa do Sol, enquanto a sua companheira tem cerca de 10 vezes a massa do Sol.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Lau e coautores pensam que os ventos de WR 140 também varreram para longe a área circundante de material residual com o qual podiam colidir, o que pode ser a razão pela qual os anéis permanecem tão imaculados em vez de estarem manchados ou de se dispersarem. É provável que existam ainda mais anéis que se tenham tornado demasiado fracos e dispersos, que nem mesmo o Webb os consegue ver nos dados.
As estrelas Wolf-Rayet podem parecer exóticas em comparação com o nosso Sol, mas podem ter desempenhado um papel na formação estelar e planetária. Quando uma estrela Wolf-Rayet "limpa" uma área, o material varrido pode acumular-se na periferia e tornar-se denso o suficiente para a formação de novas estrelas. Há algumas evidências de que o Sol se formou num tal cenário.
Utilizando dados do modo de Espectroscopia de Resolução Média do MIRI, o novo estudo fornece as melhores evidências, até agora, de que as estrelas Wolf-Rayet produzem moléculas de poeira ricas em carbono. Além disso, a preservação das conchas de poeira indica que esta poeira pode sobreviver no ambiente hostil entre estrelas, passando a fornecer material para futuras estrelas e planetas.
O senão é que, embora os astrónomos estimem que deveriam haver pelo menos alguns milhares de estrelas Wolf-Rayet na nossa Galáxia, apenas cerca de 600 foram encontradas até à data.
"Embora as estrelas Wolf-Rayet sejam raras na nossa Galáxia porque têm vida curta no que toca às estrelas, é possível que tenham produzido muita poeira ao longo da história da Via Láctea antes de explodirem e/ou formarem buracos negros", disse Patrick Morris, astrofísico do Caltech em Pasadena, Califórnia, e coautor do novo estudo. "Penso que com o novo telescópio espacial da NASA vamos aprender muito mais sobre como estas estrelas moldam o material entre estrelas e como despoletam a formação de novas estrelas nas galáxias".
Em outubro de 2018, uma pequena estrela foi desfeita em pedaços quando vagueou demasiado perto de um buraco negro numa galáxia situada a 665 milhões de anos-luz da Terra. Embora possa parecer excitante, o evento não foi uma surpresa para os astrónomos que ocasionalmente testemunham estes eventos violentos enquanto observam o céu noturno.
Mas quase três anos após o massacre, o mesmo buraco negro voltou a iluminar os céus - e não engoliu nada de novo, dizem os cientistas.
Impressão de artista do evento de perturbação de marés, onde um buraco negro supermassivo esparguetifica e devora uma estrela. Parte do material não é consumido pelo buraco negro e é atirado de volta para o espaço.
Crédito: DESY, Laboratório de Comunicação Científica
"Isto apanhou-nos completamente de surpresa - nunca ninguém tinha visto nada assim", diz Yvette Cendes, associada de investigação do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian e autora principal de um novo estudo que analisa o fenómeno.
A equipa conclui que o buraco negro está agora a ejetar material viajando a metade da velocidade da luz, mas não sabe por que razão o fluxo foi atrasado por vários anos. Os resultados, descritos esta semana na revista The Astrophysical Journal, podem ajudar os cientistas a compreender melhor o comportamento alimentar dos buracos negros, que Cendes compara a "arrotar" após uma refeição.
A equipa detetou a invulgar explosão ao mesmo tempo que revisitava eventos de perturbação de marés - quando estrelas invasoras são "esparguetificadas" por buracos negros - que ocorreram ao longo dos últimos anos.
Dados de rádio do VLA (Very Large Array) no estado norte-americano do Novo México mostraram que o buraco negro tinha sido misteriosamente reanimado em junho de 2021. Cendes e a equipa apressaram-se a examinar o evento mais de perto.
"Candidatámo-nos a Tempo Discricionário de Diretor em vários telescópios, que é quando se encontra algo tão inesperado que não podemos esperar pelo ciclo normal de propostas para o observar", explica Cendes. "Todas as candidaturas foram imediatamente aceites".
A equipa recolheu observações do evento de perturbação de marés, chamado AT2018hyz, em vários comprimentos de onda utilizando o VLA, o observatório ALMA no Chile, o MeerKAT na África do Sul, o ATCA (Australian Telescope Compact Array) na Austrália e o Observatório de raios-X Chandra e o Observatório Neil Gehrels Swift, estes dois últimos situados no espaço.
As observações rádio do evento de perturbação de marés revelaram-se as mais marcantes.
"Temos vindo a estudar os eventos de perturbação de marés há mais de uma década, e descobrimos por vezes que eles brilham no rádio enquanto vomitam material e enquanto a estrela é consumida pela primeira vez pelo buraco negro", diz Edo Berger, professor de astronomia na Universidade de Harvard e no Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian, coautor do novo estudo. "Mas em AT2018hyz houve silêncio radiofónico durante os primeiros três anos e agora está dramaticamente iluminado para se tornar um dos eventos de perturbação de marés mais luminosos no rádio alguma vez observados".
Sebastian Gomez, pós-doutorado no STScI (Space Telescope Science Institute) e coautor do novo artigo científico, diz que AT2018hyz era "banal" em 2018 quando o estudou pela primeira vez usando telescópios óticos, incluindo o telescópio de 1,2 m no Observatório Fred Lawrence Whipple, no estado norte-americano do Arizona.
Gomez, que na altura estava a trabalhar na sua dissertação de doutoramento com Berger, usou modelos teóricos para calcular que a estrela rasgada pelo buraco negro tinha apenas um-décimo da massa do nosso Sol.
"Monitorizámos AT2018hyz no visível durante vários meses até que desvaneceu, e depois pusemo-lo de lado", diz Gomez.
Os eventos de perturbação de marés são bem conhecidos por emitirem luz quando ocorrem. À medida que uma estrela se aproxima de um buraco negro, as forças gravitacionais começam a esticar, ou a esparguetificar, a estrela. Eventualmente, o material alongado espalha-se em torno do buraco negro e aquece, criando um clarão que os astrónomos podem detetar a milhões de anos-luz de distância.
Alguns materiais esparguetificados são ocasionalmente atirados para o espaço. Os astrónomos dizem que os buracos negros são glutões que causam muita bagunça - nem tudo o que tentam consumir lhes chega à boca.
Mas a emissão, conhecida como fluxo, normalmente desenvolve-se rapidamente após a ocorrência de um evento de perturbação de maré - não anos mais tarde. "É como se este buraco negro tivesse começado abruptamente a arrotar um monte de material da estrela que comeu há anos atrás", explica Cendes.
Neste caso, os "arrotos" são retumbantes.
O fluxo de material viaja tão depressa quanto 50% da velocidade da luz. Para comparação, a maioria dos eventos de perturbação de marés tem um fluxo que viaja a 10% da velocidade da luz, diz Cendes.
"Esta é a primeira vez que testemunhamos um atraso tão grande entre a alimentação e o fluxo de saída", diz Berger. "O próximo passo é explorar se isto realmente acontece com mais regularidade e simplesmente não temos estado a olhar para os eventos de perturbação de maré suficientemente tarde na sua evolução".
O elemento mais pesado detetado até à data na atmosfera de um exoplaneta (via ESO)
Com o auxílio do VLT do ESO, os astrónomos descobriram o elemento mais pesado alguma vez encontrado na atmosfera de um exoplaneta — bário. Os investigadores ficaram surpreendidos ao descobrir bário na atmosfera superior de dois exoplanetas, WASP-76b e WASP-121b, gigantes gasosos ultra-quentes que orbitam estrelas fora do nosso Sistema Solar. Esta descoberta inesperada levanta questões sobre a composição destas atmosferas exóticas. Ler fonte
JWST revela novas surpresas sobre as moléculas orgânicas perto dos buracos negros (via Universidade de Oxford)
Uma investigação liderada pela Universidade de Oxford é a primeira do seu género a estudar pequenas moléculas de poeira na região nuclear de galáxias ativas utilizando observações iniciais do Telescópio Espacial James Webb (JWST). O estudo é o primeiro trabalho liderado pelo Reino Unido a utilizar dados espectroscópicos do MIRI do JWST e aborda um dos maiores desafios da astrofísica moderna: compreender como as galáxias se formam e evoluem. Ler fonte
Álbum de fotografias - Ou4: A Nebulosa da Lula
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tommy Lease
Uma misteriosa nuvem cósmica em forma de lula, esta nebulosa é muito ténue, mas também muito grande no céu do planeta Terra. Na imagem, composta por 30 horas de dados de banda estreita, abrange quase três Luas Cheias na direção da constelação de Cefeu. Descoberta em 2011 pelo astrofotógrafo francês Nicolas Outters, a forma bipolar da Nebulosa da Lula distingue-se aqui pela emissão azul-esverdeada de átomos de oxigénio duplamente ionizados. Embora aparentemente rodeada pela avermelhada região de emissão de hidrogénio Sh2-129, a verdadeira distância e natureza da Nebulosa da Lula tem sido difícil de determinar. Ainda assim, uma investigação mais recente sugere que Ou4 encontra-se realmente dentro de Sh2-129, a cerca de 2300 anos-luz de distância. Consistente com esse cenário, a lula cósmica representaria um fluxo espetacular de material conduzido por um sistema triplo de estrelas quentes e massivas, catalogadas como HR8119, vistas perto do centro da nebulosa. Se assim for, esta lula verdadeiramente gigante terá fisicamente mais de 50 anos-luz de comprimento.
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