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  Astroboletim #1944  
  25/10 a 27/10/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Cometa do Ano Novo
Data: 10 de novembro de 2022
Hora: 18:30-20:30
Esta noite falaremos sobre cometas, para chamar a atenção para o "C/2022 E3 (ZTF)", que estará no céu antes do nascer-do-Sol, entre dezembro e janeiro especialmente. Após esta breve apresentação, e se a meteorologia o permitir, faremos observação noturna com telescópio.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 25/10: 298.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1671, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno, Jápeto.
Em 1877 nascia Henry Norris Russell, astrónomo americano que, juntamente com Ejnar Hertzsprung, desenvolveu o diagrama Hertzsprung-Russell em 1910. 
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: Lua Nova, pelas 11:49.
Vem aí o "Halloween" e, assim sendo, Arcturo, a estrela que brilha baixa a oeste-noroeste ao anoitecer, está a tomar o seu lugar como o "Fantasma dos Sóis de Verão". O que é que isto significa? Ao longo de vários dias que rodeiam 25 de outubro, todos os anos, Arcturo ocupa um lugar muito especial acima do horizonte. Marca com grande precisão o local onde o Sol esteve à mesma hora, durante os quentes meses de junho e julho - em plena luz do dia, claro. Assim, com o aproximar do "Halloween", podemos ver Arcturo como o frio fantasma do Sol de verão.

Dia 26/10: 299.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1968, o cosmonauta soviético Georgy Beregovoy pilota a Soyuz 3 para o espaço, numa missão de quatro dias.

Observações: Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste por estas noites. Vire-se para oeste e olhe bem para cima. Para a direita de Vega, ou para baixo e para a direita de Vega, a cerca de 14º (quase punho e meio à distância do braço esticado), procure Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. O resto da sua cabeça está um pouco mais para trás. A cabeça de Dragão cabe mais ou menos no campo de visão de uns binóculos. As estrelas principais da constelação de Vega - Lira - têm magnitudes 3 ou 4 e estendem-se para a esquerda de Vega a metade da distância até Eltanin.

Dia 27/10: 300.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1961, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I

Em 1973, o meteorito Cañon City, um condrito com 1,4 kg, atinge Fremont County, no estado norte-americano do Colorado. 
Em 1994, é inquestionavelmente identificado o primeiro objeto de massa subestelar, Gliese 229B.
Em 2005, é lançado o micro-satélite SSETI Express a partir do Cosmódromo de Plesetsk.
Observações: Júpiter brilha a sudeste após o anoitecer. Por baixo, a quase dois punhos à distância do braço esticado, está Diphda (Beta Ceti), de segunda magnitude. A quase meio do caminho entre os dois astros está a mais ténue Iota Ceti, de magnitude 3,5.
A dois ou três punhos à distância do braço esticado para a direita de Diphda está a estrela mais brilhante de Peixe Austral, Fomalhaut.

 
 
   
Webb descobre um denso nó cósmico no Universo primitivo

Os astrónomos que olham para o início do Universo fizeram uma descoberta surpreendente utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. As capacidades espectroscópicas do Webb, combinadas com a sua sensibilidade infravermelha, revelaram um enxame de galáxias massivas em processo de formação à volta de um quasar extremamente vermelho. O resultado vai expandir a nossa compreensão de como as galáxias no início do Universo se fundiram na teia cósmica que vemos hoje.

O quasar em questão, SDSS J165202.64+172852.3, é um quasar "extremamente vermelho" que existe nos primórdios do Universo, há 11,5 mil milhões de anos. Os quasares são um tipo raro e incrivelmente luminoso de núcleo galáctico ativo. Este quasar é um dos mais poderosos núcleos galácticos ativos conhecidos que foi visto a uma distância tão extrema. Os astrónomos tinham especulado que a emissão extrema do quasar poderia causar um "vento galáctico", empurrando gás livre para fora da sua galáxia hospedeira e possivelmente influenciando em muito a sua futura formação estelar.

 

O quasar SDSS J165202.64+172852.3 é aqui visto numa imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA no visível e no infravermelho próximo à esquerda. As imagens no centro e à direita mostram as novas observações do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA em vários comprimentos de onda para demonstrar a distribuição do gás à volta do objeto.
O quasar é um quasar "extremamente vermelho" que existe no Universo muito antigo, há 11,5 mil milhões de anos atrás.
A imagem no centro é composta por quatro imagens de banda estreita feitas a partir do modo de espectroscopia de campo integral do instrumento NIRSpec do Webb. Todas as quatro imagens de banda estreita mostram emissões extremamente desviadas para o vermelho a partir do oxigénio duplamente ionizado que tem uma linha de emissão de cerca de 500nm no visível; antes de ser desviada para o infravermelho.
Os painéis da direita apresentam as quatro imagens de banda estreita separadamente. Cada cor ilustra a velocidade relativa do oxigénio gasoso ionizado em todo o enxame. Quanto mais avermelhada a cor, mais rápido o gás se afasta da nossa linha de visão com o quasar, enquanto que quanto mais azulada a cor, mais rápido se afasta do quasar na nossa direção. A cor verde indica que o gás está estável na nossa linha de visão em comparação com o quasar.
Os painéis azuis e amarelos revelam o fluxo bi-cónico do quasar, com o painel laranja mostrando o gás a afastar-se mais rapidamente de nós, que se estende para a parte inferior direita, bem como destacando uma galáxia companheira na parte superior esquerda do quadro.
Crédito: ESA/Webb, NASA & CSA, D. Wylezalek, A. Vayner & equipa Q3D, N. Zakamska

 

Um núcleo galáctico ativo é uma região compacta no centro de uma galáxia que emite radiação eletromagnética suficiente para brilhar mais do que todas as estrelas da galáxia. Os núcleos galácticos ativos, incluindo os quasares, são alimentados por gás que cai num buraco negro supermassivo no centro da sua galáxia. Normalmente emitem grandes quantidades de luz em todos os comprimentos de onda, mas este núcleo galáctico é um membro de uma classe invulgarmente vermelha. Para além da sua cor vermelha intrínseca, a luz da galáxia foi desviada ainda mais para o vermelho devido à sua grande distância. Isto fez com que o Webb, tendo uma sensibilidade inigualável em comprimentos de onda infravermelhos, fosse perfeitamente adequado para examinar a galáxia em detalhe.

Para investigar o movimento do gás, da poeira e do material estelar na galáxia, a equipa utilizou o NIRSpec (Near Infrared Spectrograph) do telescópio. Este poderoso instrumento pode simultaneamente reunir espectros em todo o campo de visão do telescópio, em vez de apenas um ponto de cada vez - uma técnica conhecida como espectroscopia de campo integral. Isto permitiu-lhes examinar simultaneamente o quasar, a sua galáxia e o ambiente mais amplo.

A espectroscopia foi fundamental para compreender o movimento dos vários fluxos e ventos que rodeavam o quasar. Os movimentos destes gases afetam a luz que emitem e refletem, fazendo com que esta seja desviada para o vermelho ou desviada para o azul em proporção à sua velocidade e direção. A equipa foi capaz de ver e caracterizar este movimento ao rastrear o oxigénio ionizado nos espectros do NIRSpec. As observações de campo integral foram especialmente úteis, com a equipa a tirar o máximo partido da capacidade de recolher espectros de uma vasta área em redor do próprio quasar.

Estudos anteriores realizados, entre outros, pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e pelo NIFS (Near-Infrared Integral Field Spectrometer) montado no telescópio Gemini North, chamaram a atenção para os poderosos fluxos do quasar e os astrónomos tinham especulado que a sua galáxia hospedeira poderia estar a fundir-se com algum parceiro invisível. Mas a equipa não estava à espera que os dados NIRSpec do Webb indicassem claramente que não estavam apenas a olhar para uma galáxia, mas para pelo menos mais três a girar à sua volta. Graças aos espectros de campo integral, os movimentos de todo este material circundante puderam ser mapeados, resultando na conclusão de que SDSS J165202.64+172852.3 fazia, de facto, parte de um nó denso de formação galáctica.

"Existem poucos protoenxames galácticos conhecidos nesta fase inicial. É difícil encontrá-los e muito poucos tiveram tempo para se formar desde o Big Bang", disse a astrónoma Dominika Wylezalek da Universidade de Heidelberg na Alemanha, que liderou o estudo deste quasar. "Isto pode eventualmente ajudar-nos a compreender como as galáxias evoluem em ambientes densos... é um resultado excitante".

 

O quasar SDSS J165202.64+172852.3 é aqui visto graças ao Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para demonstrar a distribuição de gás em torno do objeto.
O quasar é um quasar "extremamente vermelho" que existe no Universo muito antigo, há 11,5 mil milhões de anos atrás.
Esta imagem é composta por quatro exposições de banda estreita feitas a partir do modo de espectroscopia de campo integral do instrumento NIRSpec do Webb.
Cada cor ilustra a velocidade relativa do oxigénio gasoso ionizado em todo o enxame. Quanto mais avermelhada a cor, mais rápido o gás se afasta da nossa linha de visão com o quasar, enquanto quanto mais azulada a cor, mais rápido se afasta do quasar na nossa direção. A cor verde indica que o gás está estável na nossa linha de luz, em comparação com o quasar.
Crédito: ESA/Webb, NASA & CSA, D. Wylezalek, A. Vayner & equipa Q3D

 

Usando as observações de campo integral do NIRSpec, a equipa foi capaz de confirmar três companheiras galácticas deste quasar e mostrar como estão ligadas. Os dados de arquivo do Hubble sugerem que podem haver ainda mais. As imagens do WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble tinham mostrado material alargado em redor do quasar e da sua galáxia, levando à sua seleção para este estudo sobre o fluxo e os efeitos na sua galáxia hospedeira. Agora, a equipa suspeita que pode estar a olhar para o núcleo de todo um enxame de galáxias - só agora revelado pelas imagens nítidas do Webb.

"O nosso primeiro olhar para os dados revelou rapidamente sinais claros de grandes interações entre as galáxias vizinhas", partilhou o membro da equipa Andrey Vayner da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, EUA. "A sensibilidade do instrumento NIRSpec foi imediatamente visível e ficou claro, para mim, que estamos numa nova era de espectroscopia de infravermelho".

As três galáxias confirmadas orbitam-se umas às outras a velocidades incrivelmente elevadas, uma indicação de que está presente uma grande quantidade de massa. Quando combinadas com a proximidade a que se encontram na região em redor deste quasar, a equipa pensa que isto marca uma das áreas de formação galáctica mais densa conhecidas no início do Universo. "Mesmo um nó denso de matéria escura não é suficiente para o explicar", diz Wylezalek. "Pensamos que podemos estar a ver uma região onde dois halos massivos de matéria escura se estão a fundir".

O estudo realizado pela equipa de Wylezalek faz parte das investigações do Webb sobre o Universo primitivo. Com a sua capacidade sem precedentes de olhar para trás no tempo, o telescópio já está a ser utilizado para investigar como as primeiras galáxias foram formadas e evoluíram e como os buracos negros se formaram e influenciaram a estrutura do Universo. A equipa está a planear observações de acompanhamento deste inesperado protoenxame galáctico e espera usá-las para compreender como os enxames densos e caóticos de galáxias, como este, se formam, e como são afetados pelo buraco negro ativo e supermassivo no seu coração.

O seu objetivo é voltar primeiro à questão dos ventos galácticos e do feedback dos quasares. Há muito que se suspeita que os quasares são os responsáveis pela redução da formação estelar nas suas galáxias hospedeiras através deste mecanismo de feedback, mas é difícil encontrar evidências firmes para ligar os dois. As presentes observações são apenas as primeiras de um conjunto que irá estudar três quasares com o Webb, cada um em momentos diferentes no passado do Universo.

"Separar a luz incrivelmente brilhante de um quasar distante da hospedeira muito mais fraca e das suas companheiras é quase impossível a partir do solo. Descobrir os detalhes dos ventos galácticos que podem produzir feedback é ainda mais desafiante", partilhou o membro da equipa David Rupke da Rhodes College em Memphis, EUA. "Agora, com o Webb, já podemos ver que isso está a mudar".

Esta investigação foi concluída como parte dos programas ERS (Early Release Science) do Webb. Estas observações estão a ter lugar durante os primeiros cinco meses de operações científicas do Webb. As observações Webb que produziram este resultado foram obtidas pelo programa #1335 do ERS.

// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
// Rhodes College (comunicado de imprensa)
// Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Descoberta pode reduzir drasticamente a procura por "criaturas espaciais"

Um planeta semelhante à Terra, em órbita de uma anã M - o tipo mais comum de estrela no Universo - parece não ter qualquer atmosfera. Esta descoberta poderá provocar uma grande mudança na procura por vida noutros planetas.

Dado que as anãs M são tão ubíquas, esta descoberta significa que um grande número de planetas que orbitam estas estrelas podem também carecer de atmosferas e, portanto, é pouco provável que abriguem vida.

O trabalho que levou às revelações sobre o planeta sem atmosfera, chamado GJ 1252b, foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.

 
Explosões violentas de gás incandesnte, por jovens estrelas anãs vermelhas, podem tornar as condições inabitáveis em planetas. Nesta interpretação de artista, uma anã vermelha jovem e ativa (direita) está a despojar a atmosfera de um planeta em órbita (esquerda).
Crédito: NASA, ESA e D. Player (STScI)
 

Este planeta orbita a sua estrela duas vezes no decurso de um único dia na Terra. É ligeiramente maior do que a Terra e está muito mais próximo da sua estrela do que a Terra está do Sol, tornando GJ 1252b intensamente quente, bem como inóspito.

"A pressão da radiação da estrela é imensa, o suficiente para soprar para longe a atmosfera de um planeta", disse Michelle Hill, astrofísica da Universidade da Califórnia, Riverside, e coautora do estudo.

A Terra também perde alguma da sua atmosfera com o tempo devido ao Sol, mas as emissões vulcânicas e outros processos cíclicos do carbono tornam a perda quase impercetível ao ajudar a repor o que se perde. No entanto, numa maior proximidade com uma estrela, um planeta pode não conseguir continuar a repor a quantidade que se perde.

No nosso Sistema Solar, este é o destino de Mercúrio. Mercúrio tem uma atmosfera, mas é extremamente fina, constituída por átomos arrancados da sua superfície pelo Sol. O calor extremo do planeta faz com que estes átomos escapem para o espaço.

Para determinarem que GJ 1252 b não tinha atmosfera, os astrónomos mediram a radiação infravermelha do planeta à medida que a sua luz era obscurecida durante um eclipse secundário. Este tipo de eclipse ocorre quando um planeta passa atrás de uma estrela e a luz do planeta, bem como a luz refletida da sua estrela, é bloqueada.

 
Ilustração da atmosfera de um planeta a ser dilacerada por uma estrela próxima.
Crédito: NASA
 

A radiação revelou que as abrasadoras temperaturas diurnas do planeta atingem 1228º C - quente o suficiente para derreter o ouro, prata e cobre. O calor, juntamente com a suposta baixa pressão superficial, levou os investigadores a pensar que não há atmosfera.

Mesmo com uma enorme quantidade de dióxido de carbono, que aprisiona o calor, os investigadores concluíram que GJ 1252b mesmo assim não seria capaz de suster uma atmosfera.

"O planeta poderia ter 700 vezes mais carbono do que a Terra tem, e ainda assim não teria uma atmosfera. Inicialmente, iria acumular-se, mas depois 'afunilar-se' e desaparecer", disse Stephen Kane, astrofísico da mesma instituição de ensino e coautor do estudo.

As estrelas anãs M tendem a ter mais surtos e mais atividade do que o Sol, reduzindo ainda mais a probabilidade de que os planetas que as rodeiam intimamente possam agarrar as suas atmosferas.

 
As anãs vermelhas tendem a ser ativas magneticamente e têm erupções intensas que despojam ao longo do tempo a atmosfera de um planeta próximo, tornando a superfície inóspita.
Crédito: NASA/ESA/STScI/G. Bacon
 

"É possível que as condições neste planeta sejam um mau sinal para os planetas ainda mais longe deste tipo de estrela", disse Hill. "Isto é algo que vamos aprender com o Telescópio Espacial James Webb, que vai observar planetas como este".

A investigação foi liderada por Ian Crossfield da Universidade do Kansas. Incluiu cientistas da UC Riverside bem como do JPL da NASA, do Caltech, da Universidade de Maryland, do Instituto Carnegie para Ciência, do Instituto Max Planck para Astronomia, da Universidade McGill, da Universidade do Novo México e da Universidade de Montréal.

Existem 5000 estrelas no "bairro solar" da Terra, a maioria delas anãs M. Mesmo que os planetas que as orbitam possam ser totalmente descartados, ainda existem cerca de 1000 estrelas semelhantes ao Sol com condições que permitem a habitabilidade exoplanetária.

"Se um planeta estiver suficientemente longe de uma anã M, pode potencialmente reter uma atmosfera. Ainda não podemos concluir que todos os planetas rochosos em torno destas estrelas vão ser reduzidos ao destino de Mercúrio", disse Hill. "Continuo otimista".

// UC Riverside (comunicado de imprensa)
// NASA (Exoplanet Exploration)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


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Telescópio Espacial Spitzer:
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TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
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Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

 
   
Um mundo "marshmallow" em órbita de uma fria anã vermelha

Usando o Telescópio WIYN de 3,5 metros no Observatório Nacional de Kitt Peak, no estado norte-americano do Arizona, os astrónomos observaram um planeta invulgar semelhante a Júpiter em torno de uma fria estrela anã vermelha. Localizado a aproximadamente 580 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Cocheiro, este planeta, identificado como TOI-3757 b, é o planeta com a menor densidade jamais detetado em torno de uma anã vermelha e estima-se que tenha uma densidade média semelhante à de um marshmallow.

As estrelas anãs vermelhas são os membros mais pequenos e ténues das chamadas estrelas de sequência principal - estrelas que convertem hidrogénio em hélio nos seus núcleos a um ritmo constante. Embora "frias" em comparação com estrelas como o nosso Sol, as estrelas anãs vermelhas podem ser extremamente ativas e sofrer erupções poderosas capazes de despojar um planeta da sua atmosfera, tornando este sistema estelar num local aparentemente inóspito para formar um planeta tão delicado.

 

Um exoplaneta gigante gasoso [direita] com a densidade de um marshmallow foi detetado em órbita em torno de uma fria estrela anã vermelha [esquerda] pelo instrumento de velocidade radial NEID financiado pela NASA no Telescópio WIYN de 3,5 metros situado no Observatório Nacional de Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF. O planeta, chamado TOI-3757 b, é o planeta gigante gasoso mais "fofo" jamais descoberto em torno deste tipo de estrela.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva/Spaceengine/M. Zamani

 

"Os planetas gigantes que orbitam anãs vermelhas têm, tradicionalmente, sido considerados difíceis de formar", diz Shubham Kanodia, investigador do Laboratório da Terra e dos Planetas, do Instituto Carnegie para Ciência e autor principal de um artigo científico publicado na revista The Astronomical Journal. "Até agora, isto só foi analisado com pequenas amostras de levantamentos Doppler, que tipicamente encontram planetas gigantes mais longe destas estrelas anãs vermelhas. Até agora não tivemos uma amostra suficientemente grande para encontrar planetas próximos de uma forma robusta".

Ainda existem mistérios inexplicados acerca de TOI-3757 b, sendo o maior a forma como um planeta gigante gasoso se pode formar em torno de uma estrela anã vermelha, e especialmente um planeta de tão baixa densidade. A equipa de Kanodia, no entanto, pensa que pode ter uma solução para esse mistério.

Propõem que a densidade extrabaixa de TOI-3757 b pode ser o resultado de dois factores. O primeiro está relacionado com o núcleo rochoso do planeta; pensa-se que os gigantes de gás começam como núcleos rochosos massivos com cerca de dez vezes a massa da Terra, altura em que rapidamente puxam grandes quantidades de gás vizinho para formar os gigantes de gás que vemos hoje. A estrela hospedeira de TOI-3757 b tem uma menor abundância de elementos pesados em comparação com outras anãs-M que albergam gigantes gasosos, e isto pode ter resultado na formação mais lenta do núcleo rochoso, atrasando o início da acreção de gás e afetando assim a densidade global do planeta.

O segundo factor pode ser a órbita do planeta, que se pensa ser, hesitantemente, ligeiramente elíptica. Há momentos em que se aproxima mais da sua estrela do que em outros, resultando num substancial excesso de aquecimento que pode provocar o inchaço da atmosfera do planeta.

O planeta foi inicialmente avistado pelo satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. A equipa de Kanodia fez então observações de acompanhamento utilizando instrumentos terrestres, incluindo o NEID e o NESSI (NN-EXPLORE Exoplanet Stellar Speckle Imager), ambos acoplados no Telescópio WIYN de 3,5 metros; o HPF (Habitable-zone Planet Finder) no Telescópio Hobby-Eberly; e o RBO (Red Buttes Observatory) no estado norte-americano do Wyoming.

O TESS analisou o trânsito deste exoplaneta TOI-3757 b em frente da sua estrela, o que permitiu aos astrónomos calcular o diâmetro do planeta em cerca de 150.000 quilómetros, ou ligeiramente maior do que o de Júpiter. O planeta completa uma órbita em torno da sua estrela hospedeira em apenas 3,5 dias, 25 vezes menos do que o planeta mais próximo do Sol, Mercúrio, que leva cerca de 88 dias para o fazer.

Os astrónomos utilizaram então o NEID e o HPF para medir o movimento aparente da estrela ao longo da nossa linha de visão, também conhecido como a sua velocidade radial. Estas medições forneceram a massa do planeta, que foi calculada como sendo cerca de um-quarto da de Júpiter, ou cerca de 85 vezes a massa da Terra. Sabendo o tamanho e a massa permitiu à equipa de Kanodia calcular a densidade média de TOI-3757 b, 0,27 gramas por centímetro cúbico, o que a tornaria inferior a metade da densidade de Saturno (o planeta com a densidade mais baixa do Sistema Solar), cerca de um-quarto da densidade da água (o que significa que flutuaria se colocado numa banheira gigante cheia de água) ou, de facto, com a densidade semelhante à de um marshmallow.

"Potenciais observações futuras da atmosfera deste planeta, usando o novo Telescópio Espacial James Webb da NASA, podem ajudar a esclarecer a sua natureza inchada", diz Jessica Libby-Roberts, investigadora pós-doutorada na Universidade Estatal da Pensilvânia e segunda autora do artigo científico.

"A descoberta de mais sistemas deste tipo, com planetas gigantes - que em tempos foram teorizados ser extremamente raros em torno de anãs vermelhas - faz parte do nosso objetivo de compreender com os planetas se formam", diz Kanodia.

A descoberta destaca a importância do NEID na sua capacidade de confirmar alguns dos candidatos exoplanetários atualmente a serem descobertos pela missão TESS da NASA, fornecendo alvos importantes para o novo Telescópio Espacial James Webb dar seguimento e começar a caracterizar as suas atmosferas. Isto, por sua vez, irá informar os astrónomos da composição dos planetas e de como se formaram e, para mundos rochosos potencialmente habitáveis, se poderão ser capazes de suportar vida.

// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Cosmoview ep. 55: Um mundo "marshmallow" em órbita de uma fria anã vermelha (NOIRLab via YouTube)

 


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Álbum de fotografias - NGC 1499: A Nebulosa Califórnia
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Stephen Kennedy
 
À deriva pelo braço de Orionte da nossa Galáxia espiral, a Via Láctea, esta nuvem cósmica, por acaso, ecoa o contorno do estado norte-americano da Califórnia. O nosso próprio Sol também se encontra dentro do braço de Orionte da Via Láctea, a apenas cerca de 1500 anos-luz da Nebulosa Califórnia. Também conhecida como NGC 1499, a nebulosa de emissão tem cerca de 100 anos-luz de comprimento. A Nebulosa Califórnia tem um brilho avermelhado característico dos átomos de hidrogénio recombinados com eletrões há muito perdidos. Os eletrões foram removidos, ionizados pela luz estelar energética. Muito provavelmente fornecendo a luz estelar energética que ioniza grande parte do gás nebular, a estrela brilhante e quente Xi Persei, logo à direita da nebulosa. Um alvo popular para os astrofotógrafos, esta imagem de céu profundo revela a brilhante nebulosa, poeira obscurante e estrelas ao longo de um campo de visão com 3 graus de diâmetro. A Nebulosa Califórnia situa-se na direção da constelação de Perseu, não muito longe das Plêiades.
 
   
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