Noites Astronómicas em Tavira Data: 11 de novembro de 2022 Hora: 19:30
Nesta noite realiza-se uma sessão astronómica no Forte do Rato pelas 19h30. Teremos a oportunidade de observar as luas de Júpiter através de um telescópio. A inscrição é gratuita mas obrigatória e o número de participantes é limitado.
Participe! Local:Forte do Rato
INSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA (a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes). Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
Apresentação às Estrelas | Quando acaba este ano? Data: 7 de dezembro de 2022 Hora: 18:30-20:30
Por que é que não se chama ao mês 12 Dozembro? Esta e outras curiosidades anuais estarão em destaque na apresentação, que será seguida de observação noturna com telescópio se a meteorologia o permitir. Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido. Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 11/11: 315.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1572, Tycho Brahe observa uma nova no céu.
Isto é uma prova contra a teoria de Aristóteles que os céus são imutáveis.
Em 1875 nascia Vesto Slipher, astrónomo americano que, principalmente com os telescópios de 60" e 100" do Mt. Wilson, foi o primeiro a fotografar espectros de galáxias e a medir os seus desvios para o vermelho, o que levou à descoberta da expansão do Universo por Edwin Hubble.
Em 1966, lançamento da Gemini 12. Foi o 10.º e o último voo do Projeto Gemini. Demonstrou que os astronautas podiam trabalhar fora da nave espacial. Observações: A Lua nasce pelas 19:30, com Marte para cima e para a sua direita.
Saturno alcança a sua quadratura este, ou seja, está a 90º este do Sol. Portanto, durante uma semana ou duas, antes e depois desta posição, um telescópio mostra a sombra escura que o globo de Saturno provoca nos seus anéis, que está tão grande e proeminente quanto possível.
Dia 12/11: 316.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, é lançada a sonda Venera 2 (USSR), com objectivo Vénus.
Em 1980, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Saturno.
Em 1981, lançamento STS-2 do vaivém Columbia, marcando a primeira vez que um veículo tripulado é lançado para o espaço duas vezes.
Em 2014, o "lander" Philae, libertado pela sonda Rosetta da ESA, alcança a superfície do Cometa 67P/C-G. Observações: Aviste a brilhante Vega a oeste ao início da noite. A sua pequena constelação, Lira, estende-se para a sua esquerda.
Ainda mais para a esquerda, a cerca de um punho e meio à distância do braço esticado a partir de Vega, está a estrela Albireo, de magnitude 3, o bico de Cisne. É um dos melhores binários e mais coloridos para telescópios pequenos: amarelo e azul pálido.
Seguindo mais ou menos a mesma linha alcançará Tarazed, também de terceira magnitude, e logo a seguir, Altair, de magnitude 1.
Dia 13/11: 317.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1833, deu-se a Grande Chuva de Meteoros das Leónidas.
Durante as quatro horas que antecederam o nascer-do-dia, os detritos do cometa Tempel-Tuttle iluminaram o céu noturno, causando pânico a quem os observava.
Em 1999, a falha de um quarto giroscópio deixa em maus lençóis o Telescópio Espacial Hubble até que o encontro SM3A (missão STS-103 do vaivém espacial) o repara a 20 de dezembro de 1999.
Em 2015, WT1190F, um satélite temporário da Terra, impacta a sudeste do Sri Lanka. Observações: Por volta das 21 horas desta semana, o Grande Quadrado de Pégaso encontra-se nivelado, bem alto a sul. O seu lado direito (oeste) aponta bem para baixo até Fomalhaut. O seu lado este aponta menos diretamente Beta Ceti, e também um pouco menos para baixo.
Agora desça ainda mais: se tiver um horizonte desimpedido - e se não estiver muito para norte da latitude 40º - imagine um triângulo equilátero com Fomalhaut e Beta Ceti como os dois vértices de cima. Perto de onde o terceiro vértice estaria (um pouco para a direita desse ponto) está Alpha Phoenicis, ou Ankaa, na constelação de Fénix. A sua magnitude é 2,4, não muito brilhante mas o astro mais brilhante dessa área. Tem um tom amarelo-alaranjado; binóculos ajudam. Já alguma vez tinha visto a constelação da Fénix?
Dia 14/11: 318.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1930, nascimento de Edward Higgins White, o primeiro americano a passear no espaço durante a missão Gemini 4.
Em 1969, lançamento da Apollo 12 às 11:22 EST do Centro Espacial Kennedy. A segunda aterragem lunar teve lugar no Oceano das Tempestades, perto do local de aterragem da Surveyor 3.
Em 1971, programa Mariner: a Mariner 9 chega a Marte, tornando-se na primeira sonda a orbitar outro planeta.
Em 2003, os astrónomos Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz descobrem 9033 Sedna, um objeto trans-Neptuniano. Observações: Ao início da noite, Altair brilha a sudoeste. Aviste-a a três ou quatro punhos à distância do braço esticado para a esquerda da mais brilhante Vega. Altair é a única estrela brilhante nessa área. É o olho de Águia.
Logo para cima e para a direita de Altair está a Tarazed, de terceira magnitude. Daí, estende-se a ténue espinha dorsal de Águia, juntamente com a Via Láctea se tiver um céu suficientemente escuro.
Este arranjo faz lembrar outro pássaro do Triângulo de Verão, Cisne, cujo longo pescoço e espinha dorsal "voa" atualmente para cima e para a direita de Águia.
Imagens da supernova de uma supergigante vermelha revelam segredos de um Universo primitivo
Uma equipa internacional de investigação liderada pela Universidade de Minnesota mediu a dimensão de uma estrela que explodiu há mais de 11 mil milhões de anos. Imagens detalhadas mostram o arrefecimento da estrela em explosão e podem ajudar os cientistas a aprender mais sobre as estrelas e galáxias presentes no início do Universo.
O artigo científico foi publicado na revista Nature.
Como resultado de um fenómeno chamado lente gravitacional, três momentos diferentes numa distante explosão de supernova foram capturados num único instantâneo pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA. A luz da supernova, que se encontrava atrás do enxame de galáxias Abell 370, foi multiplicada pela imensa gravidade do enxame. Esta luz percorreu três percursos diferentes através da lente cósmica do enxame massivo. Os três percursos tinham três comprimentos diferentes, por isso quando a luz chegou ao Hubble (no mesmo dia em dezembro de 2010), a supernova apareceu em três fases diferentes da sua evolução.
O painel esquerdo mostra a porção de Abell 370 onde apareceram as múltiplas imagens da supernova. O painel A, uma composição de observações Hubble de 2011 a 2016, mostra as localizações da galáxia hospedeira com imagens múltiplas depois da supernova ter desaparecido. O painel B, uma imagem Hubble de dezembro de 2010, mostra as três imagens da galáxia hospedeira e da supernova em diferentes fases da sua evolução. O painel C, que subtrai a imagem no painel B da imagem no painel A, mostra três faces diferentes da supernova em evolução. Utilizando um processo de subtração de imagem semelhante para múltiplos filtros de dados, o painel D mostra as diferentes cores da supernova em três fases diferentes da sua evolução.
Crédito:
NASA, ESA, STScI, Wenlei Chen (UMN), Patrick Kelly (UMN), Hubble Frontier Fields (ver aqui versão não legendada)
"Este é o primeiro olhar detalhado sobre uma supernova numa fase muito precoce da evolução do Universo", disse Patrick Kelly, coautor do artigo e professor associado na Faculdade de Ciências e Engenharia. "É muito emocionante porque podemos aprender detalhes sobre uma estrela individual quando o Universo tinha menos de um-quinto da sua idade atual, e começar a compreender se as estrelas que existiam há milhares de milhões de anos são diferentes das que se encontram nas proximidades".
A supergigante vermelha em questão era cerca de 500 vezes maior do que o Sol, e está localizada cerca de 60 vezes mais longe do que qualquer outra supernova observada com este detalhe.
Usando dados do Telescópio Espacial Hubble e do LBT (Large Binocular Telescope), os investigadores foram capazes de identificar múltiplas imagens detalhadas da supergigante vermelha devido a um fenómeno chamado lente gravitacional, onde a massa, tal como a de uma galáxia, dobra a luz. Isto amplia a luz emitida pela estrela.
Através do fenómeno de lente gravitacional, o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA capturou três momentos diferentes na explosão de uma supernova muito distante - tudo numa só imagem! Neste caso, a imensa gravidade do enxame de galáxias Abell 370 atuou como uma lente cósmica, dobrando e ampliando a luz da supernova mais distante localizada atrás do enxame. A distorção também produziu múltiplas imagens da explosão ao longo de diferentes períodos de tempo que chegaram todos ao Hubble simultaneamente.
A caixa superior mostra uma porção de Abell 370. A inserção marca a área onde a supernova mais distante foi multiplicada pela lente. A imagem inferior é uma versão ampliada desta área com os percursos da luz marcados para as três imagens da supernova. O lado direito da imagem de baixo mostra a galáxia distante na qual a supernova explodiu. As linhas mostram como a luz viajou através da lente gravitacional, com algumas das luzes a percorrer percursos mais longos através de "vales" de espaço dobrado. A deformação produziu três imagens da explosão ao longo de diferentes períodos de tempo que chegaram todas ao Hubble simultaneamente.
Crédito: NASA, ESA, A. Pagan (STScI)
"A lente gravitacional funciona como uma lupa natural e multiplica o poder do Hubble por um factor de oito", disse Kelly. "As imagens que capturámos mostram como a supernova era em diferentes idades, separadas por vários dias. Vemos a supernova a arrefecer rapidamente, o que nos permite basicamente reconstruir o que aconteceu e estudar como a supernova arrefeceu nos seus primeiros dias com apenas um conjunto de imagens. Isto permite-nos ver uma repetição de uma supernova".
Os investigadores combinaram esta descoberta com outra das descobertas de uma supernova por Kelly, em 2014, para estimar quantas estrelas estavam a explodir quando o Universo tinha apenas uma pequena fração da sua idade atual. Descobriram que haviam provavelmente muito mais supernovas do que se pensava anteriormente.
"As supernovas de colapso do núcleo marcam a morte de estrelas massivas e de curta duração. O número de supernovas de colapso do núcleo que detetamos pode ser usado para compreender quantas estrelas massivas foram formadas em galáxias quando o Universo era muito mais jovem", disse Wenlei Chen, primeiro autor do artigo científico e investigador pós-doutorado da mesma Faculdade da Universidade de Minnesota.
Novo estudo encontrou os detritos planetários mais antigos da nossa Galáxia
Astrónomos, liderados pela Universidade de Warwick, identificaram a estrela mais antiga na nossa Galáxia que está a acretar detritos de planetesimais em órbita, um dos mais antigos sistemas planetários rochosos e gelados descobertos na Via Láctea. Os seus achados foram publicados na edição de 5 de novembro da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, que concluem que uma ténue anã branca localizada a 90 anos-luz da Terra, bem como os remanescentes do seu sistema planetário em órbita, têm mais de 10 mil milhões de anos.
O destino da maioria das estrelas, incluindo aquelas como o nosso Sol, é tornarem-se uma anã branca. Uma anã branca é uma estrela que queimou todo o seu combustível e libertou as suas camadas exteriores e está agora a sofrer um processo de encolhimento e arrefecimento. Durante este processo, quaisquer planetas em órbita serão perturbados e, em alguns casos, destruídos, restando os seus detritos que acretam para a superfície da anã branca.
Impressão de artista das antigas anãs brancas, WDJ2147-4035 e WDJ1922+0233, rodeadas por detritos planetários em órbita, que são acretados nas estrelas e poluem as suas atmosferas. WDJ2147-4035 é extremamente vermelha e escura, enquanto que WDJ1922+0233 é invulgarmente azul.
Crédito: Universidade de Warwick/Dr. Mark Garlick
Para este estudo, a equipa de astrónomos, liderada pela Universidade de Warwick, modelou duas anãs brancas invulgares que foram detetadas pelo observatório espacial Gaia da ESA. Ambas as estrelas estão poluídas por detritos planetários, tendo uma delas sido encontrada com um tom invulgarmente azul, enquanto a outra é a mais ténue e vermelha encontrada até à data na nossa vizinhança galáctica - a equipa submeteu ambas a uma análise mais aprofundada.
Usando dados espectroscópicos e fotométricos do Gaia, do DES (Dark Energy Survey) e do instrumento X-Shooter no ESO para determinar há quanto tempo está a arrefecer, os astrónomos descobriram que a estrela "vermelha" WDJ2147-4035 tem cerca de 10,7 mil milhões de anos, dos quais 10,2 mil milhões foram passados a arrefecer como uma anã branca.
A espectroscopia envolve a análise da luz estelar em diferentes comprimentos de onda, que pode detetar quando os elementos da atmosfera da estrela estão a absorver luz a cores diferentes e ajuda a determinar quais são esses elementos e em que quantidade. Ao analisar o espectro de WDJ2147-4035, a equipa encontrou a presença dos metais sódio, lítio, potássio e tentativamente carbono - fazendo desta a anã branca mais antiga, poluída por metais, descoberta até agora.
A segunda estrela "azul", WDJ1922+0233, é apenas ligeiramente mais nova que WDJ2147-4035 e foi poluída por detritos planetários de composição semelhante à da crosta continental da Terra. A equipa científica concluiu que a cor azul de WDJ1922+0233, apesar da sua fria temperatura superficial, é provocada pela sua invulgar atmosfera mista de hélio-hidrogénio.
Os detritos encontrados na atmosfera de hélio quase puro e de alta gravidade da estrela vermelha WDJ2147-4035 são de um antigo sistema planetário que sobreviveu à evolução da estrela em anã branca, levando os astrónomos a concluir que este é o mais antigo sistema planetário em torno de uma anã branca descoberta na Via Láctea.
A autora principal Abbigail Elms, estudante de doutoramento no Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: "Estas estrelas poluídas por metais mostram que a Terra não é única, existem por aí outros sistemas planetários com corpos semelhantes à Terra. 97% de todas as estrelas tornar-se-ão anãs brancas e são tão omnipresentes no Universo que são muito importantes de compreender, especialmente estas extremamente frias. Formadas a partir das estrelas mais antigas da nossa Galáxia, as anãs brancas frias fornecem informações sobre a formação e evolução dos sistemas planetários em torno das estrelas mais antigas da Via Láctea".
"Estamos a encontrar os remanescentes estelares mais antigos da Via Láctea que foram poluídos por planetas outrora semelhantes à Terra. É espantoso pensar que isto aconteceu à escala de dez mil milhões de anos e que esses planetas morreram muito antes mesmo da Terra ter sido formada".
Os astrónomos também podem utilizar os espectros da estrela para determinar a rapidez com que esses metais afundam no núcleo da estrela, o que lhes permite olhar para trás no tempo e determinar a abundância de cada um desses metais no corpo planetário original. Ao comparar dessas abundâncias com corpos astronómicos e material planetário encontrado no nosso próprio Sistema Solar, podemos adivinhar como teriam sido esses planetas antes da estrela morrer e se tornar uma anã branca - mas no caso de WDJ2147-4035, isso provou ser um desafio.
Abbigail explica: "A estrela vermelha WDJ2147-4035 é um mistério, uma vez que os detritos planetários que acretou são muito ricos em lítio e potássio, ao contrário de qualquer objeto conhecido no nosso próprio Sistema Solar. Esta é uma anã branca muito interessante, uma vez que a sua temperatura superficial ultrafria, os metais que a poluem, a sua idade, e o facto de ser magnética, a tornam extremamente rara.
O professor Pier-Emmanuel Tremblay do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: "Quando estas estrelas velhas se formaram, há mais de 10 mil milhões de anos, o Universo era menos rico em metais do que é agora, uma vez que os metais são formados em estrelas evoluídas e em explosões estelares gigantescas. As duas anãs brancas observadas proporcionam uma janela excitante para a formação planetária num ambiente pobre em metais e rico em gás que era diferente das condições quando o Sistema Solar foi formado".
Migração planetária precoce pode explicar exoplanetas em falta
Um novo modelo que explica a interação de forças que atuam sobre os planetas recém-nascidos pode explicar duas observações intrigantes que surgiram repetidamente entre os mais de 3800 sistemas planetários catalogados até à data.
Um puzzle conhecido como "vale-raio" refere-se à raridade de exoplanetas com um raio cerca de 1,8 vezes superior ao da Terra. O observatório Kepler da NASA observou planetas deste tamanho com cerca de 2-3 vezes menos frequência do que observou super-Terras com raios cerca de 1,4 vezes o da Terra e mini-Neptunos com raios cerca de 2,5 vezes o da Terra. O segundo mistério, conhecido como "ervilhas numa vagem", refere-se a planetas vizinhos de tamanho semelhante que foram encontrados em centenas de sistemas planetários. Estes incluem TRAPPIST-1 e Kepler-223, que também apresentam órbitas planetárias de harmonia quase musical.
Ilustração das variações entre os mais de 5000 exoplanetas conhecidos descobertos desde a década de 1990.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
"Creio que somos os primeiros a explicar o vale-raio usando um modelo de formação planetária e evolução dinâmica que, de forma autoconsistente, explica as múltiplas restrições das observações", disse André Izidoro, da Universidade Rice, autor de um estudo publicado esta semana na revista The Astrophysical Journal Letters. "Também somos capazes de mostrar que um modelo de formação planetária que incorpora impactos gigantescos é consistente com a característica 'ervilhas numa vagem' dos exoplanetas".
Izidoro, pós-doutorado do projeto CLEVER Planets (Cycles of Life-Essential Volatile Elements in Rocky Planets) da Universidade Rice, financiado pela NASA, e coautores utilizaram um supercomputador para simular os primeiros 50 milhões de anos de desenvolvimento de sistemas planetários utilizando um modelo de migração planetária. No modelo, discos protoplanetários de gás e poeira que dão origem a jovens planetas também interagem com eles, puxando-os para mais perto das suas estrelas-mãe e fechando-os em cadeias orbitais ressonantes. As cadeias são quebradas em apenas alguns milhões de anos, quando o desaparecimento do disco protoplanetário causa instabilidades que levam dois ou mais planetas a colidirem um com o outro.
Modelos de migração planetária têm sido utilizados para estudar sistemas planetários que mantiveram as suas cadeias orbitais ressonantes. Por exemplo, Izidoro e os colegas do CLEVER Planets usaram um modelo de migração em 2021 para calcular a quantidade máxima de perturbações a que o sistema de sete planetas TRAPPIST-1 poderia ter resistido durante o bombardeamento e ainda retido a sua estrutura orbital harmoniosa.
Gráfico que ilustra a escassez de exoplanetas com cerca de 1,8 vezes o tamanho da Terra que foram observados pelo telescópio espacial Kepler da NASA.
Crédito: A. Izidoro/Universidade Rice
No novo estudo, Izidoro associou-se aos investigadores Rajdeep Dasgupta e Andrea Isella do CLEVER Planets, ambos da Universidade rice, a Hilke Schlichting da Universidade da Califórnia, Los Angeles, e a Christian Zimmermann e Bertram Bitsch do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha.
"A migração de jovens planetas em direção às suas estrelas hospedeiras cria sobrelotação e resulta frequentemente em colisões cataclísmicas que roubam as atmosferas ricas em hidrogénio dos planetas", disse Izidoro. "Isso significa que impactos gigantescos, como o que formou a nossa Lua, são provavelmente um resultado genérico da formação planetária".
A investigação sugere que os planetas vêm em dois "sabores", super-Terras que são secas, rochosas e 50% maiores do que a Terra, e mini-Neptunos que são ricos em água gelada e cerca de 2,5 vezes maiores do que a Terra. Izidoro disse que novas observações parecem apoiar os resultados, que entram em conflito com a visão tradicional de que tanto as super-Terras como os mini-Neptunos são exclusivamente mundos secos e rochosos.
Com base nos seus resultados, os investigadores fizeram previsões que podem ser testadas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA. Sugerem, por exemplo, que uma fração de planetas com cerca do dobro do tamanho da Terra, tanto vão conservar a sua atmosfera primordial, rica em hidrogénio, como serão ricos em água.
Álbum de fotografias - A Nebulosa Assimétrica Que Rodeia a Estrela Wolf-Rayet 18
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Alex Woronow
Porque é que a nebulosa à volta da estrela WR-18 brilha mais de um lado? Também conhecida como NGC 3199, esta estrela ativa e a nebulosa que a rodeia encontram-se a cerca de 12.000 anos-luz de distância na direção da constelação náutica sul de Carina (Quilha). Esta imagem de céu profundo, em destaque, foi altamente processada para realçar os detalhes filamentosos do gás brilhante na nebulosa em forma de bolha. A nebulosa tem mais ou menos 75 anos-luz de diâmetro. Perto do centro da nebulosa encontra-se uma estrela Wolf-Rayet, WR-18, que é uma estrela massiva, quente e de curta duração que gera um vento estelar intenso e complexo. De facto, as estrelas Wolf-Rayet são conhecidas por criarem nebulosas com formas interessantes à medida que os seus poderosos ventos varrem o material interestelar circundante. Neste caso, pensou-se inicialmente que a brilhante orla direita indicava que uma onda de choque estava a ser produzida enquanto a estrela varria através de um meio uniforme, como um barco através da água. No entanto, medições e análises recentes mostraram que a estrela não está a mover-se rapidamente em direção à orla brilhante. Surgiu então a explicação mais provável de que o material que envolve a estrela não é uniforme, mas sim aglomerado e mais denso perto da orla brilhante.
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