Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1951  
  18/11 a 21/11/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Quando acaba este ano?
Data: 7 de dezembro de 2022
Hora: 18:30-20:30
Por que é que não se chama ao mês 12 Dozembro? Esta e outras curiosidades anuais estarão em destaque na apresentação, que será seguida de observação noturna com telescópio se a meteorologia o permitir.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 18/11: 322.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1923, nascia Alan Shepard, o primeiro americano no espaço.
Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).

Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de testes. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direção a Marte.
Observações: Orionte sobe completamente acima do horizonte a este pelas 21 horas, dependendo de quão para este ou oeste vive no fuso horário. Para cima e para a esquerda de Orionte brilha o esplêndido planeta Marte. Seguindo na mesma direção, alcança depois a estrela Capella.
Para cima de Orionte estão Aldebarã e, ainda mais alto, o pequeno enxame aberto das Plêiades, do tamanho do polegar à distância do braço esticado.

Dia 19/11: 323.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1711, nascia Mikhail Lomonosov, cientista russo, conhecido por ser a primeira pessoa a teorizar a existência de uma atmosfera em Vénus.
Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua. Os astronautas Pete Conrad e Alan Bean pisam solo lunar no Oceano das Tempestades.
Em 1999, a China lança a missão Shenzhou 1, não tripulada, para órbita.

Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.
Observações: Sempre que Fomalhaut estiver no meridiano a sul (atualmente pelas 19:30), as primeiras estrelas de Orionte estão prestes a nascer a este caso o observador viva a latitudes médias norte. E a esta altura as estrelas-guia da Ursa Maior estão na vertical a norte, apontando diretamente para baixo até à Polar.

Dia 20/11: 324.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1889 nasce Edwin Hubble, astrónomo americano.

Foi o primeiro a identificar cefeidas em M31, provando a natureza extragaláctica das nebulosas espirais (galáxias). Apoiando-se sobre o trabalho de Carl Wirtz, e com os desvios de SlipherHubble estabelece a relação distância-velocidade das galáxias (Lei de Hubble) que demonstra a expansão do Universo.
Em 1984, é fundado o Instituto SETI.
Em 1998, é lançado o primeiro módulo da Estação Espacial Internacional (ISS), o Zarya.
Observações: Aproveite a noite para observar os planetas Saturno, Júpiter e Marte que, à hora de jantar, estão a sudoeste, sul e este-nordeste, respetivamente.

Dia 21/11: 325.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1905, é publicado o artigo de Einstein que revela a relação entre a energia e a massa. Isto leva à fórmula da equivalência massa-energia, E=mc^2.

Em 1998, estudantes do Liceu Northfield Mount Hermon descobrem Kuiper 72.
Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Maior situa-se na horizontal, baixa a norte-noroeste após o anoitecer. Quão baixa? Quando mais para sul estiver o observador, mais baixa estará. Vista a perto dos 40º N (Coimbra ou Figueira da Foz, por exemplo), até as suas estrelas mais baixas brilham quase a dez graus do horizonte. Mas a 26º N (já em África), toda a Ursa Maior desaparece de vista abaixo do horizonte a norte.

 
 
   
Programa Artemis: Lançamento do SLS; nave espacial Orion a caminho da Lua

Após um lançamento bem-sucedido do SLS (Space Launch System) da NASA, o foguetão mais poderoso do mundo, a nave espacial Orion da agência está a caminho da Lua como parte do programa Artemis. Sem tripulação, o SLS descolou no seu primeiro teste de voo às 06:47 (hora portuguesa) da manhã de quarta-feira passada a partir da plataforma de lançamento 39B do Centro de Voo Espacial Kennedy da NASA no estado norte-americano da Flórida.

O lançamento é a primeira etapa de uma missão na qual a Orion vai viajar aproximadamente 64.000 quilómetros para lá da Lua e regressar à Terra ao longo de 25,5 dias. Conhecida como Artemis I, a missão é uma parte crítica da abordagem de exploração da Lua e de Marte pela NASA. É um teste importante para a agência antes de transportar astronautas na missão Artemis II.

 
O foguetão SLS (Space Launch System) da NASA, transportando a nave espacial Orion, foi lançado no teste de voo Artemis I, quarta-feira, 16 de novembro de 2022, a partir da plataforma de lançamento 39B do Centro Espacial Kennedy da NASA, na Flórida. A missão Artemis I da NASA é o primeiro teste de voo integrado dos sistemas de exploração de espaço profundo da agência: a nave espacial Orion, o foguetão SLS e os sistemas terrestres.
Crédito: NASA/Bill Ingalls
 

"Que visão incrível ver o foguetão SLS da NASA e a nave Orion lançarem juntos pela primeira vez. Este teste de voo não tripulado vai empurrar a Orion até aos limites dos rigores do espaço profundo, ajudando-nos a preparar para a exploração humana da Lua e, em última instância, de Marte", disse o Administrador da NASA, Bill Nelson.

Depois de atingir a sua órbita inicial, a Orion abriu os seus painéis solares e os engenheiros começaram a fazer testes dos sistemas da nave espacial. Após cerca de 1,5 horas de voo, o estágio superior do foguetão disparou com sucesso aproximadamente 18 minutos para dar à Orion o grande impulso necessário para a enviar para fora da órbita da Terra e em direção à Lua.

A Orion separou-se do seu estágio superior e dirige-se para a Lua graças ao módulo de serviço, que é o propulsor central fornecido pela ESA através de uma colaboração internacional.

"Foi preciso muito para chegar até aqui, mas a Orion está agora a caminho da Lua", disse Jim Free, administrador adjunto associado da NASA. "Este lançamento bem-sucedido significa que a NASA e os nossos parceiros estão num percurso para explorar mais longe no espaço do que nunca, em benefício da humanidade".

Nas horas seguintes, uma série de 10 pequenas investigações científicas e demonstrações tecnológicas, denominadas CubeSats, foram lançados a partir de um anel que ligava o estágio superior do foguetão à nave. Cada CubeSat tem a sua própria missão com o potencial de preencher lacunas no nosso conhecimento do Sistema Solar ou demonstrar tecnologias que possam beneficiar o desenvolvimento de futuras missões para explorar a Lua e para lá dela.

O módulo de serviço Orion também realizou o primeiro de uma série de queimas de combustível para manter a nave na rota para a Lua. Nos dias que se seguem, os controladores da missão no Centro Espacial Johnson da NASA em Houston vão realizar testes adicionais e correções de rota, conforme necessário. A Orion deverá passar pela Lua no dia 21 de novembro, realizando uma aproximação próxima da superfície lunar a caminho de uma órbita retrógrada distante, uma órbita altamente estável milhares de quilómetros para lá da Lua.

"O foguetão SLS forneceu a potência e o desempenho para enviar a Orion a caminho da Lua", disse Mike Sarafin, gestor da missão Artemis I. "Com a realização do primeiro grande marco da missão, a Orion vai agora embarcar na fase seguinte para testar os seus sistemas e preparar-se para missões futuras com tripulação".

 
O lançamento do SLS com a nave espacial Orion no topo.
Crédito: NASA/Joel Kowsky
 

O foguetão SLS e a nave espacial Orion chegaram à rampa de lançamento 39B do Centro Kennedy no dia 4 de novembro, onde aguentaram a passagem do furacão Nicole. Após a tempestade, as equipas realizaram avaliações exaustivas do foguetão, da nave espacial e dos sistemas terrestres associados e confirmaram que não houve impactos significativos devido às condições meteorológicas severas.

Os engenheiros já tinham colocado o foguetão novamente no edifício VAB (Vehicle Assembly Building) dia 26 de setembro antes do furacão Ian e depois de cancelarem duas tentativas de lançamento, uma no dia 29 de agosto devido a um sensor de temperatura defeituoso, e a outra a 4 de setembro devido a uma fuga de hidrogénio líquido numa interface entre o foguetão e o lançador móvel. Antes de regressar ao VAB, as equipas repararam com sucesso a fuga e demonstraram procedimentos atualizados de tancagem. Enquanto estava no VAB, as equipas efetuaram manutenção normal para reparar pequenos danos na espuma e na cortiça do sistema de proteção térmica e recarregaram ou substituíram baterias em todo o sistema.

A Artemis I é apoiada por milhares de pessoas em todo o mundo, desde empreiteiros que construíram a Orion e o SLS, às infraestruturas terrestres necessárias para o seu lançamento, a parceiros internacionais e universitários, a pequenas empresas fornecedoras de subsistemas e componentes.

Através das missões Artemis, a NASA vai aterrar a primeira mulher e a primeira pessoa de cor na superfície da Lua, preparando o caminho para uma presença lunar a longo prazo e servindo de pedra angular para uma viagem humana a Marte.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// Lançamento da Artemis I (ESA via YouTube)
// Artemis I - perspetiva do módulo de serviço europeu (ESA via YouTube)
// Transmissão oficial do evento pela NASA (NASA via YouTube)

 


Saiba mais

Cobertura do Programa Artemis pelo CCVAlg - Astronomia:
23/08/2022 - NASA identifica regiões candidatas para o regresso dos humanos à Lua

Notícias relacionadas:
SPACE.com
Astronomy
Sky & Telescope
Universe Today
New Scientist
COSMOS
PHYSORG
Reuters
CNN
sky news
The Wired
engadget
Gizmodo
Ars Technica
The Verge
SAPO
TSF
RTP Notícias
SIC Notícias
CNN Portugal
Expresso
Público
Diário de Notícias
Jornal de Notícias
Observador
Pplware
ZAP.aeiou

Programa Artemis:
NASA
Wikipedia
Artemis I (NASA)
Artemis I (Wikipedia)
Artemis II (NASA)
Artemis II (Wikipedia)
Artemis III (NASA)
Artemis III (Wikipedia)
Sistema de Aterragem Humana Starship (Wikipedia)
Facebook
Twitter
Instagram

Lua:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
   
Webb observa "ampulheta" incandescente e o nascer de uma nova estrela

O Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA revelou as características outrora escondidas da protoestrela dentro da nuvem escura L1527 com o seu instrumento NIRCam (Near Infrared Camera), fornecendo uma visão da formação de uma nova estrela. Estas nuvens abrasadoras dentro da região de formação estelar de Touro só são visíveis no infravermelho, tornando-as num alvo ideal para o Webb.

A protoestrela propriamente dita está escondida dentro do "pescoço" desta forma de ampulheta. O disco protoplanetário, visto de lado, é a linha escura que atravessa o meio do pescoço. A luz da protoestrela "vaza" para cima e para baixo deste disco, iluminando cavidades dentro do gás e poeira circundantes.

 
A protoestrela L1527, vista nesta imagem pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, está embebida numa nuvem de material que está a alimentar o seu crescimento. O material ejetado da estrela limpou as cavidades acima e abaixo dela, cujos limites brilham laranja e azul nesta imagem infravermelha. A região central superior exibe formas semelhantes a bolhas devido a "arrotos" estelares, ou ejeções esporádicas. O Webb também deteta filamentos feitos de hidrogénio molecular que foi chocado por ejeções estelares passadas. Intrigantemente, as bordas das cavidades no canto superior esquerdo e inferior direito aparecem direitos, enquanto os limites no canto superior direito e inferior esquerdo são curvados. A região na parte inferior direita aparece azul, pois há menos poeira entre ela e o Webb do que as regiões cor-de-laranja mais acima.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI, J. DePasquale (STScI)
 

As características mais prevalentes da região, as nuvens azuis e alaranjadas, contornam cavidades criadas à medida que o material que se afasta da protoestrela colide com a matéria em redor. As cores são devidas a camadas de poeira entre o Webb e as nuvens. As áreas azuis são onde a poeira é mais fina. Quanto mais espessa for a camada de poeira, menos luz azul é capaz de escapar, criando bolsas de cor laranja.

O Webb também revela filamentos de hidrogénio molecular que foram chocados à medida que a protoestrela ejeta o material para longe. Os choques e a turbulência inibem a formação de novas estrelas, que de outra forma existiriam por toda a nuvem. Como resultado, a protoestrela domina o espaço, roubando grande parte do material para si própria.

Apesar do caos que L1527 está a causar, tem apenas cerca de 100.000 anos - um corpo relativamente jovem. Dada a sua idade e o seu brilho no infravermelho distante, L1527 é considerada uma protoestrela de classe 0, a fase mais precoce da formação estelar. Protoestrelas como esta, que ainda se encontram envoltas numa nuvem escura de poeira e gás, têm um longo caminho a percorrer antes de se tornarem estrelas de pleno direito. L1527 ainda não gera a sua própria energia através da fusão nuclear de hidrogénio, uma característica essencial das estrelas. A sua forma, embora maioritariamente esférica, é também instável, assumindo a configuração de um pequeno, quente e inchado "tufo" de gás algures entre 20% e 40% a massa do nosso Sol.

À medida que uma protoestrela continua a acretar massa, o seu núcleo comprime-se gradualmente e aproxima-se da fusão nuclear estável. A imagem revela que L1527 está a fazer exatamente isso. A nuvem molecular circundante é constituída por poeira densa e gás que estão a ser arrastados para o centro, onde a protoestrela reside. À medida que o material cai para dentro, espirala em torno do centro. Isto cria um disco denso de material, que alimenta o material para a protoestrela. À medida que ganha mais massa e se comprime cada vez mais, a temperatura do seu núcleo sobe, acabando por atingir o limite que dá início à fusão nuclear.

O disco, visto na imagem como uma banda escura em frente do centro brilhante, tem aproximadamente o tamanho do nosso Sistema Solar. Dada a densidade, não é invulgar que tanto deste material se aglomere - o início dos planetas. Em última análise, esta vista de L1527 fornece uma janela do aspeto do nosso Sol e do Sistema Solar na sua infância.

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// Space Sparks ep. 8: Webb observa "ampulheta" incandescente e o nascer de uma nova estrela (HubbleWebbESA via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
SPACE.com
New Scientist
PHYSORG
CNN
UPI
Ars Technica
Gizmodo

Formação estelar:
Wikipedia

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

Nuvem molecular de Touro:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Estudo de anãs brancas "poluídas" descobre que as estrelas e os planetas crescem ao mesmo tempo

Uma equipa de astrónomos descobriu que a formação planetária no nosso jovem Sistema Solar começou muito mais cedo do que se pensava anteriormente, com os blocos de construção dos planetas a crescerem ao mesmo tempo que a sua estrela-mãe.

Um estudo de algumas das estrelas mais antigas do Universo sugere que os blocos de construção de planetas como Júpiter e Saturno começaram a formar-se enquanto uma estrela jovem está a crescer. Pensava-se que os planetas só se formassem quando uma estrela atinge a sua dimensão final, mas novos resultados, publicados na revista Nature Astronomy, sugerem que as estrelas e os planetas "crescem" juntos.

 
Uma equipa de astrónomos descobriu que a formação planetária no nosso jovem Sistema Solar começou muito mais cedo do que se pensava anteriormente, com os blocos de construção dos planetas a crescerem ao mesmo tempo que a sua estrela-mãe.
Crédito: Amanda Smith
 

A investigação, liderada pela Universidade de Cambridge, muda a nossa compreensão de como os sistemas planetários, incluindo o nosso próprio Sistema Solar, se formaram, potencialmente resolvendo um grande puzzle da astronomia.

"Temos uma boa ideia de como os planetas se formam, mas uma questão pendente que temos tido é quando eles se formam: a formação planetária começa cedo, quando a estrela-mãe ainda está a crescer, ou milhões de anos mais tarde?" disse a Dra. Amy Bonsor do Instituto de Astronomia de Cambridge, a primeira autora do estudo.

Para tentar responder a esta pergunta, Bonsor e colegas estudaram as atmosferas das estrelas anãs brancas - os antigos e ténues remanescentes de estrelas como o nosso Sol - para investigar os blocos de construção da formação planetária. O estudo envolveu também investigadores da Universidade de Oxford, da Universidade de Munique, da Universidade de Groninga e do Instituto Max Planck para Investigação do Sistema Solar em Gotinga.

"Algumas anãs brancas são laboratórios espantosos, porque as suas atmosferas finas são quase como cemitérios celestes", disse Bonsor.

Normalmente, os interiores dos planetas estão fora do alcance dos telescópios. Mas uma classe especial de anãs brancas - conhecidas como sistemas "poluídos" - têm elementos pesados como o magnésio, ferro e cálcio nas suas atmosferas normalmente limpas.

Estes elementos devem ter vindo de pequenos corpos como asteroides deixados para trás pela formação planetária, que chocaram contra as anãs brancas e arderam nas suas atmosferas. Como resultado, as observações espectroscópicas de anãs brancas poluídas podem sondar os interiores desses asteroides dilacerados, dando aos astrónomos mais informações das condições em que se formaram.

Pensa-se que a formação planetária comece num disco protoplanetário - feito principalmente de hidrogénio, hélio e pequenas partículas de gelo e poeira - em órbita de uma estrela jovem. De acordo com a teoria atual sobre como os planetas se formam, as partículas de poeira colam-se umas às outras, acabando por formar corpos sólidos cada vez maiores. Alguns destes corpos maiores vão continuar a acretar material, tornando-se planetas, e alguns permanecem como asteroides, como os que colidiram com as anãs brancas no estudo atual.

Os investigadores analisaram observações espectroscópicas a partir das atmosferas de 200 anãs brancas poluídas em galáxias próximas. De acordo com a sua análise, a mistura de elementos observada nas atmosferas destas anãs brancas só pode ser explicada se muitos dos asteroides originais tivessem derretido, o que fez com que o ferro pesado se afundasse para o núcleo enquanto os elementos mais leves flutuavam à superfície. Este processo, conhecido como diferenciação, foi o que levou a Terra a ter um núcleo rico em ferro.

"A causa do derretimento só pode ser atribuída a elementos radioativos de vida muito curta, que existiram nas fases iniciais do sistema planetário, mas que se decompõem em apenas um milhão de anos", disse Bonsor. "Por outras palavras, se estes asteroides foram derretidos por algo que só existe durante muito pouco tempo, no início do sistema planetário, então o processo de formação planetária deve começar muito rapidamente".

O estudo sugere que é provável que o quadro de formação precoce esteja correto, o que significa que Júpiter e Saturno tiveram muito tempo para crescer até aos seus tamanhos atuais.

"O nosso estudo complementa um consenso crescente no campo de que a formação planetária começou cedo, com os primeiros corpos a formarem-se em simultâneo com a estrela", disse Bonsor. "As análises das anãs brancas poluídas dizem-nos que este processo de fusão radioativa é um mecanismo potencialmente ubíquo que afeta a formação de todos os exoplanetas".

"Isto é apenas o começo - de cada vez que encontramos uma nova anã branca, podemos reunir mais evidências e aprender mais sobre como os planetas se formam. Podemos traçar elementos como o níquel e o crómio e dizer quão grande deve ter sido um asteroide quando estes formaram o seu núcleo de ferro. É espantoso que sejamos capazes de sondar processos como este em sistemas exoplanetários".

// Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

Anãs brancas:
Wikipedia

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

 
   
Álbum de fotografias - Nebulosa da Caverna do Lobo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Gianni Lacroce
 
A misteriosa nebulosa de reflexão azul encontrada em catálogos como VdB 152 ou Ced 201 é realmente muito fraca. Está situada na ponta da longa nebulosa escura Barnard 175, num complexo empoeirado que também é chamado de Caverna do Lobo. No centro desta imagem telescópica de céu profundo, as aparições cósmicas estão a quase 1400 anos-luz de distância ao longo da Via Láctea, na direção da constelação do hemisfério norte de Cefeu. A poeira interestelar na região bloqueia a luz das estrelas de fundo e dispersa a luz da estrela brilhante incorporada, dando à nebulosa a sua característica cor azul. Embora as estrelas se formem em nuvens moleculares, esta estrela parece ter entrado acidentalmente na área, pois a velocidade a que viaja pelo espaço é muito diferente da velocidade da nuvem. Na parte de baixo da imagem está a nebulosa planetária Dengel-Hartl 5, enquanto o gás vermelho brilhante de um antigo remanescente de supernova é também visível ao longo do lado direito da imagem.
 
   
Arquivo | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
 
       
       
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231 | Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2022 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt