APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Os planetas mais próximos Data: 12 de janeiro de 2023 Hora: 18:30-20:30
Que planeta fica mais próximo da Terra? Esta pergunta pode ter várias interpretações e, por isso, vamos dar várias respostas nesta sessão! E para cada uma vamos dizer onde no céu os podemos procurar!
Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido. Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 03/01: 3.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1888, é usado pela primeira vez o telescópio refrator do Observatório Lick, com 91 cm em diâmetro. Era o maior telescópio do mundo na altura.
Em 1986, Stephen Synott (da equipa da Voyager 2) descobria as luas de Úrano, Julieta e Pórcia.
Em 1999, lançamento da sonda Mars Polar Lander e da Deep Space 2.
Em 2000, "flyby" da sonda Galileu pela lua de Júpiter, Europa.
A sonda passou a uma altitude de 351 km.
Em 2019, o veículo chinês Chang'e 4 faz o primeiro pouso no lado oculto da Lua, implantando o rover lunar Yutu-2. HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha a apenas 2 ou 3 graus de Marte esta noite, enquanto Aldebarã está situada para baixo e para a direita. Embora pareçam perto um do outro, Marte está na realidade 250 vezes mais distante do que o nosso satélite natural. Fisicamente, Marte tem o dobro do diâmetro da Lua.
A chuva de meteoros das Quadrântidas deverá atingir hoje o seu pico, embora o luar interfira com as observações. Tem uma duração de apenas algumas horas e o pico está previsto ocorrer pelas 04:00 da noite de 3 para 4 de janeiro. O radiante localiza-se perto da fronteira entre Boieiro e Dragão.
DIA 04/01: 4.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1610, os dias entre 4 e 15 de janeiro foram possivelmente os mais importantes da história da Astronomia. Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.
Em 1958, o Sputnik 1 cai para a Terra a partir de órbita.
Em 1959, a Luna 1 torna-se na primeira sonda a chegar à vizinhança da Lua.
Em 2004, o rover Spirit da NASA aterra com sucesso em Marte. HOJE, NO COSMOS:
Esta noite a Lua brilha entre os chifres de Touro: Beta Tauri 2 ou 3 graus para cima e para a esquerda da Lua, e a mais ténue Zeta Tauri aproximadamente ao dobro da distância anterior, para baixo e para a direita do nosso satélite natural.
A Lua está também mais ou menos no ponto médio entre
Capella, para cima e para a sua esquerda, e Betelgeuse, para baixo e para a sua direita: a cerca de 20º (dois punhos à distância do braço esticado) de cada uma.
DIA 05/01: 5.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, lançamento da sonda soviética Venera 5.
Chega a Vénus no dia 16 de maio de 1969. Antes de se fragmentar na atmosfera, a cápsula foi suspensa por um pára-quedas durante 53 minutos enquanto recolhia dados da atmosfera venusiana. A sonda também transportava um medalhão com os símbolos da antiga União Soviética.
Em 2005, Éris, o mais massivo planeta anão conhecido do Sistema Solar, é descoberto pela equipa científica de Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz, usando imagens obtidas originalmente a 21 de outubro de 2003, no Observatório Palomar. HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Menor apoia-se na Polar por volta das 20:00, como se essa estrela fosse um prego na fria parede do céu a norte.
Sem contar com a Polar, a estrela mais brilhante da "frigideira" de Ursa Menor é Kochab. Kochab passa precisamente por baixo da Estrela Polar cerca de 20 minutos depois.
CURIOSIDADES
A Nebulosa Saturno (ou NGC 7009) é uma nebulosa planetária situada na direção da constelação de Aquário. Foi descoberta em 1782 por William Herschel e está situada a cerca de 5000 anos-luz da Terra.
Antigos lagos revelam uma história da água em Marte
Um vale de entrada de água (característica sinuosa à direita), um leque de sedimentos e os próprios sedimentos em camadas dentro de um paleolago recentemente identificado (à esquerda) na região Arabia Terra de Marte, visíveis nesta imagem obtida pela HiRISE a bordo da sonda MRO.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
O hemisfério norte de Marte está dividido em duas áreas amplamente distintas: as planícies mais para norte e as terras altas para sul. A região de Arabia Terra situa-se ao longo da transição entre estas duas regiões e pensa-se que contém algumas das rochas mais antigas do planeta, com mais de 3,7 mil milhões de anos.
Entre as crateras nas terras altas abundam vales e paleolagos, expondo evidências sedimentares e geomorfológicas de água líquida. No entanto, foram identificados em Arabia Terra relativamente poucos paleolagos. Dickeson et al. utilizaram imagens e dados dos instrumentos CTX (Context Camera) e HiRISE (High Resolution Imaging Science Experiment) da sonda Mars Reconnaissance Orbiter e do THEMIS (Thermal Emission Imaging System) da Mars Odyssey para estudar em detalhe uma área com cerca de 22.000 quilómetros quadrados de Arabia Terra. A partir destas imagens, a equipa criou mapas de alta resolução e modelos de elevação digitais para estudar a geomorfologia da área, o que lhes permitiu identificar a descrever sete novos paleolagos na região.
Os investigadores concentraram-se em características dos paleolagos como os níveis, as bacias de drenagem, leques e canais. Descobriram que as formas dos lagos eram irregulares em comparação com os lagos de forma circular encontrados nas crateras das terras altas. Havia evidências de fluxos superficiais de água que enchiam os lagos, bem como de canais que os drenavam, formando uma cadeia de lagos em cascata. A equipa também observou múltiplos níveis passados de água dentro de cada um dos paleolagos, indicando que os lagos persistiram durante longos períodos de tempo durante o Noachiano, em vez de se formarem e desaparecerem rapidamente.
Para manter o abastecimento e a drenagem dos lagos, a água líquida deve ter sido comum, com fluxos estáveis no sistema lacustre a partir da precipitação e de águas subterrâneas, concluíram os investigadores. O ambiente potencialmente habitável no passado distante de Marte, indicado por estes paleolagos, fornece um local ideal para futuros estudos astrobiológicos e paleoclimáticos.
Grãos de asteroides antigos fornecem informações da evolução do nosso Sistema Solar
A instalação de sincotrão do Reino Unido, Diamond Light Source, foi utilizada por uma grande colaboração internacional para estudar grãos recolhidos de um asteroide próximo da Terra e assim aprofundar a nossa compreensão da evolução do nosso Sistema Solar.
Investigadores da Universidade de Leicester trouxeram um fragmento do asteroide Ryugu para a linha de feixe I14 da Nanosonda do Diamond, onde uma técnica especial chamada XANES (X-ray Absorption Near Edge Spectroscopy) foi utilizada para mapear os estados químicos dos elementos dentro do material do asteroide, para examinar a sua composição em detalhe. A equipa também estudou os grãos de asteroides utilizando um microscópio eletrónico no ePSIC (electron Physical Science Imaging Centre).
Imagem obtida, no ePSIC, de minerais serpentinos e de óxido de Fe de Ryugu.
Crédito: ePSIC/Universidade de Leicester
Julia Parker é a principal cientista da linha de feixe I14. Ela disse: "a Nanosonda de raios-X permite aos cientistas examinar a estrutura química das suas amostras em escalas micrométricas a nanométricas, que é complementada pela resolução nanométrica a atómica do ePSIC. É muito estimulante poder contribuir para a compreensão destas amostras únicas e trabalhar com a equipa de Leicester para demonstrar como as técnicas na linha de feixe, e correlativamente no ePSIC, podem beneficiar futuras missões de envio de amostras".
Os dados recolhidos na instalação Diamond contribuíram para um estudo mais amplo das assinaturas do clima espacial no asteroide. As amostras pristinas de asteroides permitiram aos colaboradores explorar como o clima espacial pode alterar a composição física e química da superfície de asteroides carbonáceos como Ryugu.
Os investigadores descobriram que a superfície de Ryugu está desidratada e que é provável que o clima espacial seja responsável. Os resultados do estudo, publicados na revista Nature Astronomy, levaram os autores a concluir que os asteroides que parecem secos à superfície podem ser ainda ricos em água, o que potencialmente pode exigir uma revisão da nossa compreensão da abundância de tipos de asteroides e da história da formação da cintura de asteroides.
Ryugu é um asteroide próximo da Terra, com cerca de 900 metros em diâmetro, descoberto pela primeira vez em 1999 dentro da cintura de asteroides entre Marte e Júpiter. O seu nome vem do palácio submarino do Deus Dragão na mitologia japonesa. Em 2014, a agência espacial japonesa JAXA lançou o Hayabusa2, uma missão de envio de amostras, para se encontrar com o asteroide Ryugu e recolher amostras de material da sua superfície e subsuperfície. A sonda regressou à Terra em 2020, libertando uma cápsula contendo fragmentos preciosos do asteroide. Estas pequenas amostras foram distribuídas a laboratórios de todo o mundo para estudo científico, incluindo à Escola de Física e Astronomia e ao Space Park da Universidade de Leicester onde John Bridges, um dos autores do artigo, é professor de ciências planetárias.
O asteroide Ryugu, fotografado pela sonda Hayabusa2 no dia 26 de junho de 2018.
Crédito: Hayabusa2/JAXA
Bridges disse: "Esta missão única de recolher amostras dos blocos de construção mais primitivos e carbonáceos do Sistema Solar precisa da microscopia mais detalhada do mundo e é por isso que a JAXA e a equipa de Mineralogia queriam que analisássemos as amostras na linha de raios-X da nanosonda Diamond. Nós ajudámos a revelar a natureza do clima espacial neste asteroide com impactos de micrometeoritos e o vento solar criando minerais serpentinos desidratados, e uma redução associada de Fe3+ oxidado para Fe2+ mais reduzido".
"É importante acumular experiência no estudo de amostras trazidas de asteroides, como na missão Hayabusa2, porque em breve vão haver novas amostras de outros tipos de asteroides, da Lua e dentro dos próximos dez anos de Marte, enviadas para a Terra. A comunidade britânica poderá realizar algumas das análises críticas devido às nossas instalações do Diamond e dos microscópios eletrónicos no ePSIC".
Os blocos de construção de Ryugu são remanescentes de interações entre a água, minerais e substâncias orgânicas no início do Sistema Solar, antes da formação da Terra. A compreensão da composição dos asteroides pode ajudar a explicar como o Sistema Solar primitivo se desenvolveu e, subsequentemente, como a Terra se formou. Podem até ajudar a explicar como surgiu a vida na Terra, pois pensa-se que os asteroides forneceram grande parte da água do planeta, bem como compostos orgânicos como os aminoácidos, os blocos de construção fundamentais a partir dos quais toda a vida humana é construída. A informação que está a ser recolhida a partir destas pequenas amostras de asteroides irá ajudar-nos a compreender melhor a origem não só dos planetas e das estrelas, mas também da própria vida. Quer se trate de fragmentos de asteroides, pinturas antigas ou estruturas de vírus desconhecidos, no sincotrão, os cientistas podem estudar as suas amostras utilizando uma máquina que é 10.000 vezes mais potente do que um microscópio tradicional.
Afinal, a antiga atmosfera de Marte pode não ter tido muito oxigénio
"Selfie" do rover Curiosity.
Crédito: JPL/NASA
Quando, em 2014, os rovers da NASA encontraram óxidos de manganês nas crateras Gale e Endeavour em Marte, a descoberta levou alguns cientistas a sugerir que o Planeta Vermelho poderia ter tido, há milhares de milhões de anos atrás, mais oxigénio na sua atmosfera.
Os minerais provavelmente exigiam água abundante e condições fortemente oxidantes para se formarem, disseram os cientistas. Usando lições aprendidas com o registo geológico da Terra, os cientistas concluíram que a presença de óxidos de manganês indicava que Marte tinha, no seu passado, sofrido aumentos periódicos no oxigénio atmosférico - antes de descer aos níveis baixos de hoje.
Mas um novo estudo experimental da Universidade de Washington, em St. Louis, vem refutar essa opinião.
Os cientistas descobriram que em condições semelhantes às de Marte, os óxidos de manganês podem ser facilmente formados sem oxigénio atmosférico. Usando modelos cinéticos, os cientistas também mostraram que a oxidação do manganês não é possível na atmosfera rica em dióxido de carbono esperada no passado de Marte.
"A ligação entre os óxidos de manganês e o oxigénio sofre de uma série de problemas geoquímicos fundamentais", disse Jeffrey Catalano, professor de ciências da terra e planetárias e autor correspondente do estudo publicado a 22 de dezembro na revista Nature Geoscience.
O primeiro autor do estudo é Kaushik Mitra, agora pós-doutorado e associado de investigação na Universidade Stony Brook, que concluiu este trabalho como parte da sua investigação na Universidade de Washington.
Marte é um planeta rico em elementos do grupo dos halogénios, como cloro e bromo, em comparação com a Terra. "Os halogénios ocorrem em Marte em formas diferentes das da Terra, e em quantidades muito maiores, e deduzimos que seriam importantes para o destino do manganês", disse Catalano.
Catalano e Mitra realizaram experiências de laboratório utilizando clorato e bromato - formas dominantes destes elementos em Marte - para oxidar manganês em amostras de água que eles fabricaram para replicar fluidos da antiga superfície de Marte.
"Fomos inspirados pelas reações observadas durante a cloração da água potável", disse Catalano. "A compreensão dos outros planetas requer por vezes que apliquemos os conhecimentos adquiridos em campos de ciência e engenharia aparentemente não relacionados".
Os cientistas descobriram que os halogénios converteram o manganês dissolvido na água em minerais de óxido de manganês milhares a milhões de vezes mais depressa do que pelo oxigénio. Além disso, sob as condições fracamente ácidas que os cientistas acreditam terem existido à superfície passada de Marte, o bromato produz minerais de óxido de manganês mais rapidamente do que qualquer outro oxidante disponível. Sob muitas destas condições, o oxigénio é totalmente incapaz de formar óxidos de manganês.
"A oxidação não requer o envolvimento de oxigénio por definição", disse Mitra. "Anteriormente, propusemos oxidantes viáveis em Marte, para além do oxigénio ou através da foto-oxidação UV, que ajudam a explicar porque é que o Planeta Vermelho é vermelho. No caso do manganês, apenas não tínhamos uma alternativa viável ao oxigénio que pudesse explicar os óxidos de manganês até agora".
Os novos resultados alteram as interpretações fundacionais da habitabilidade passada de Marte, que é um importante motor da investigação em curso pela NASA e pela ESA.
Mas só porque provavelmente não havia oxigénio atmosférico no passado, não há razão particular para acreditar que não pudesse ter havido vida, disseram os cientistas.
"Há várias formas de vida, mesmo na Terra, que não necessitam de oxigénio para sobreviver", disse Mitra. "Não penso nisto como um 'revés' à habitabilidade - apenas que provavelmente não havia formas de vida baseadas no oxigénio".
Os extremófilos que podem sobreviver num ambiente rico em halogénios - como os organismos unicelulares que adoram sal e as bactérias que prosperam no Grande Lago Salgado e no Mar Morto na Terra - podem também dar-se bem em Marte.
"Precisamos de mais experiências realizadas nas diversas condições geoquímicas que sejam mais relevantes para planetas específicos como Marte, Vénus e 'mundos oceânicos' como Europa e Encélado, a fim de termos a compreensão correta e completa dos ambientes geoquímicos e geológicos nestes corpos planetários", disse Mitra. "Cada planeta é único por direito próprio e não podemos extrapolar as observações feitas num único planeta para compreender exatamente um planeta diferente".
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