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  Astroboletim #1968  
  17/01 a 19/01/2023  
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 17 de janeiro de 2023
Hora: 18:30
Local: Forte do Rato
No próximo dia 17 de janeiro realiza-se a primeira sessão das Noites Astronómicas de 2023 e será possível a observação de constelações de inverno e planetas. A sessão gratuita decorre pelas 18h30 no Forte do Rato e a inscrição é obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes.
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 17/01: 17.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 2003, um foguetão Delta II transportando um satélite GP IIR-1 explode 13 segundos depois do lançamento deixando 250 toneladas de resíduos queimados na plataforma de lançamento. 
Em 2016, floresce a primeira flor a bordo da Estação Espacial Internacional.

HOJE, NO COSMOS:
A constelação de Cisne, cujo topo é a estrela Deneb, situa-se quase na vertical acima do horizonte a noroeste depois do anoitecer. Com o passar da noite mergulha no horizonte, como uma espada a ser "enfiada" no chão.

 

DIA 18/01: 18.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1896, H. L. Smith apresenta a primeira máquina capaz de gerar raios-X.
Em 1916, um meteorito condrito com 611 gramas atinge uma casa perto de Baxter em Stone County, no estado norte-americano do Missouri.
Em 2000, o meteorito do Lago Tagish colide com a Terra.

No mesmo ano, a NASA termina as tentativas de comunicar com a Mars Polar Lander. Foi perdida no dia 3 de dezembro de 1999, durante a fase de aterragem da missão.
HOJE, NO COSMOS:
Momentes antes do amanhecer, olhe para sudeste em busca da Lua, a 2 ou 3 graus para cima de Antares.
Consegue observar o nascer de Mercúrio, cerca de três punhos para baixo e para a esquerda do par acima mencionado? Binóculos podem ajudar.

 

DIA 19/01: 19.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1747 nascia Johann Bode, autor da Lei de Titius-Bode, uma progressão quase geométrica das distâncias dos planetas a partir do Sol.

Também determinou a órbita de Úrano e sugeriu o nome do planeta. 
Em 1851 nascia Jacobus Kapteyn, que estudou a distribuição e o movimento de meio milhão de estrelas e criou o primeiro modelo moderno do tamanho e estrutura da Via Láctea.
Em 2006, era lançada a sonda New Horizons, a primeira missão a Plutão. A maior aproximação ocorreu no dia 14 de julho de 2015, a 12.472 km da superfície.
HOJE, NO COSMOS:
Com a Lua fora do céu ao início da noite, será que a sua zona é escura o suficiente para ver a Via Láctea de inverno? Depois de jantar, corre verticalmente pelo zénite. Desde a brilhante constelação de Cão Maior baixa sudeste, passando entre Orionte e Gémeos, por Cocheiro e Perseu quase por cima das nossas cabeças, e descendo por Cassiopeia, Cefeu e Cisne no horizonte a noroeste.
Tire proveito destas noites escuras para explorar objetos telescópicos no céu, como por exemplo M31, M42 e o enxame duplo de Perseu.

 
     
 
CURIOSIDADES


A NASA lançou o Exoplanet Watch, um projeto de ciência cidadã que permite com que o público em geral aprenda mais sobre os exoplanetas e se envolva no processo de descoberta e caracterização.

 
 
   
JWST revela ligações entre galáxias próximas e distantes
 

Um trio de objetos fracos (nos círculos verdes), capturados na imagem profunda do enxame de galáxias SMACS 0723 obtida pelo Telescópio Espacial James Webb, exibem propriedades notavelmente semelhantes às raras e pequenas galáxias "ervilha" encontradas muito mais perto de nós. A massa do enxame faz dele uma lente gravitacional, que tanto amplia como distorce o aspeto das galáxias de fundo. Vemos estas primeiras ervilhas quando o Universo tinha cerca de 5% da sua idade atual de 13,8 mil milhões de anos. A ervilha mais distante, à esquerda, contém apenas 2% da abundância de oxigénio de uma galáxia como a nossa e pode ser a galáxia mais quimicamente primitiva já identificada.
Crédito: NASA, ESA, CSA e STScI

 

Uma nova análise de galáxias distantes observadas pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA mostra que são extremamente jovens e partilham algumas semelhanças notáveis com as "ervilhas", uma classe rara de galáxias pequenas no nosso quintal cósmico.

"Com impressões digitais químicas detalhadas destas primeiras galáxias, vemos que elas incluem o que poderá ser a galáxia mais primitiva identificada até agora. Ao mesmo tempo, podemos ligar estas galáxias desde a alvorada do Universo a galáxias semelhantes próximas, que podemos estudar com muito mais detalhe", disse James Rhoads, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, que apresentou os resultados no 241.º encontro da Sociedade Astronómica Americana em Seattle.

O artigo científico que descreve os resultados, liderado por Rhoads, foi publicado dia 3 de janeiro na revista The Astrophysical Journal Letters.

As galáxias ervilha foram descobertas e assim denominadas em 2009 por voluntários que participavam no Galaxy Zoo, um projeto onde cientistas cidadãos ajudam a classificar galáxias em imagens, começando com as do SDSS (Sloan Digital Sky Survey). As ervilhas destacaram-se como pontos pequenos, redondos e não resolvidos com uma tonalidade claramente verde, uma consequência tanto das cores atribuídas a diferentes filtros nas composições do levantamento como de uma propriedade das próprias galáxias.

As cores das galáxias ervilha são invulgares porque uma fração considerável da sua luz provém de nuvens brilhantes de gás. Os gases emitem luz em comprimentos de onda específicos - ao contrário das estrelas, que produzem um espectro contínuo de cor parecido a um arco-íris. As ervilhas são também bastante compactas, tipicamente com apenas cerca de 5000 anos-luz de diâmetro ou cerca de 5% do tamanho da nossa Via Láctea.

 

Uma galáxia "ervilha" fotografada pelo SDSS (Sloan Digital Sky Survey), juntamente com uma imagem infravermelha de uma ervilha primitiva capturada pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA. À esquerda está J122051+491255, uma ervilha a cerca de 170 milhões de anos-luz de distância, com cerca de 4000 anos-luz de diâmetro, um tamanho típico. À direita está uma ervilha primitiva conhecida como 04590, cuja luz levou 13,1 mil milhões de anos a chegar até nós. Compensando o efeito de lente gravitacional do enxame e a maior distância da galáxia, 04590 é ainda mais compacta, comparável às ervilhas mais pequenas que se encontram nas redondezas.
Crédito: SDSS e NASA, ESA, CSA e STScI

 

"As ervilhas podem ser pequenas, mas a sua atividade de formação estelar é invulgarmente intensa tendo em conta o seu tamanho, pelo que produzem luz ultravioleta brilhante", disse Keunho Kim, investigador pós-doutorado na Universidade de Cincinnati e membro da equipa de análise. "Graças às imagens ultravioletas das galáxias ervilha pelo Hubble e por investigações no solo sobre galáxias primitivas, é evidente que ambas partilham esta propriedade".

Em julho de 2022, a NASA e os seus parceiros na missão Webb lançaram a imagem infravermelha mais profunda e nítida do Universo distante até agora vista, capturando milhares de galáxias dentro e por detrás de um enxame conhecido como SMACS 0723. A massa do enxame faz dele uma lente gravitacional, que tanto amplia como distorce o aspeto das galáxias de fundo. Entre as galáxias mais fracas atrás do enxame encontrava-se um trio de objetos infravermelhos compactos que pareciam poder ser parentes distantes das ervilhas. A mais distante destas três galáxias foi ampliada cerca de 10 vezes, fornecendo uma ajuda significativa da natureza, já sem contar com as capacidades sem precedentes do novo telescópio.

O Webb fez mais do que observar o enxame - o seu instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) também capturou os espectros de galáxias selecionadas na área. Quando Rhoads e os seus colegas examinaram estas medições e as corrigiram para o comprimento de onda resultante da expansão do espaço, viram características emitidas pelo oxigénio, hidrogénio e néon alinhadas numa espantosa semelhança com as vistas em ervilhas próximas.

Além disso, os espectros do Webb tornaram possível medir pela primeira vez a quantidade de oxigénio nestas galáxias do amanhecer cósmico.

 
O NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do JWST captou as impressões digitais químicas de galáxias selecionadas por detrás de SMACS 0723, incluindo três objetos ténues e distantes. Quando corrigidos para os comprimentos de onda provocados pela expansão do espaço ao longo de milhares de milhões de anos, os espectros destas galáxias (vistos a vermelho) exibem características emitidas pelo oxigénio, hidrogénio e néon que mostram uma semelhança espantosa com as que são vistas nas chamadas galáxias "ervilha" encontradas nas proximidades (a verde). Além disso, as observações do Webb tornaram possível medir pela primeira vez a quantidade de oxigénio nestas galáxias do amanhecer cósmico. As linhas espectrais foram esticadas verticalmente a fim de clarificar estas relações.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Rhoads et al. 2023
 

À medida que as estrelas produzem energia, transmutam elementos mais leves como o hidrogénio e o hélio em elementos mais pesados. Quando as estrelas explodem ou perdem as suas camadas exteriores no fim das suas vidas, estes elementos mais pesados tornam-se incorporados no gás que forma as próximas gerações estelares, e o processo continua. Ao longo da história cósmica, as estrelas têm enriquecido o Universo de forma constante.

Duas das galáxias vistas pelo Webb contêm oxigénio a cerca de 20% do nível da nossa Via Láctea. Parecem-se com as típicas galáxias ervilha que, no entanto, constituem menos de 0,1% das galáxias vizinhas observadas pelo SDSS. A terceira galáxia estudada é ainda mais invulgar.

"Estamos a ver estes objetos como eram há 13,1 mil milhões de anos, quando o Universo tinha cerca de 5% da sua idade atual" disse a investigadora Sangeeta Malhotra, de Goddard. "E vemos que são galáxias jovens em todos os sentidos - cheias de estrelas jovens e gás incandescente que contém poucos elementos químicos reciclados de estrelas anteriores. De facto, uma delas contém apenas 2% do oxigénio de uma galáxia como a nossa e pode ser a galáxia mais quimicamente primitiva até agora identificada".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cincinnati (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
26/08/2022 - Cientistas sondam a energia escura, testando a gravidade
02/08/2022 - Telescópio James Webb revela galáxias muito distantes
12/07/2022 - A primeira ciência do Telescópio Espacial James Webb

Notícias relacionadas:
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Galáxias "ervilha":
Wikipedia

SMACS 0723:
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
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Blog do JWST (NASA)
Programas GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
Astrónomos encontram as estrelas mais distantes da nossa Galáxia a meio caminho de Andrómeda
 
Esta ilustração mostra os halos interno e externo da Via Láctea. O halo é uma nuvem esférica de estrelas que rodeia uma galáxia.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)
 

Os astrónomos descobriram mais de 200 estrelas variáveis distantes conhecidas como estrelas RR Lyrae no halo estelar da Via Láctea. A mais distante destas estrelas está a mais de um milhão de anos-luz da Terra, quase metade da distância à nossa galáxia vizinha, Andrómeda, que fica a cerca de 2,5 milhões de anos-luz.

As pulsações características e o brilho das estrelas RR Lyrae tornam-nas excelentes "velas padrão" para medir as distâncias galácticas. Estas novas observações permitiram aos investigadores traçar os limites exteriores do halo da Via Láctea.

"Este estudo está a redefinir o que constitui os limites exteriores da nossa Galáxia", disse Raja GuhaThakurta, professor de astronomia e astrofísica na Universidade da Califórnia em Santa Cruz. "A nossa Galáxia e Andrómeda são ambas tão grandes que quase não há espaço entre as duas galáxias".

GuhaThakurta explicou que o halo estelar da nossa Galáxia é muito maior do que o disco, que tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro. O nosso Sistema Solar reside num dos braços espirais do disco. No meio do disco está um bojo central e a rodeá-lo está o halo, que contém as estrelas mais antigas da Galáxia e que se estende por centenas de milhares de anos-luz em todas as direções.

"O halo é a parte mais difícil de estudar porque os limites exteriores estão tão distantes", disse GuhaThakurta. "As estrelas são muito esparsas em comparação com as altas densidades estelares do disco e do bojo, mas o halo é dominado por matéria escura e contém na realidade a maior parte da massa da Galáxia".

Yuting Feng, estudante de doutoramento que trabalha com GuhaThakurta na UCSC, liderou o novo estudo e apresentou os seus achados em duas conferências na reunião da Sociedade Astronómica Americana em Seattle, a 9 e 11 de janeiro.

Segundo Feng, estudos anteriores de modelagem tinham calculado que o halo estelar deveria estender-se até cerca de 300 quiloparsecs ou 1 milhão de anos-luz a partir do Centro Galáctico (os astrónomos medem distâncias galácticas em quiloparsecs; um quiloparsec é igual a 3260 anos-luz). A distância das 208 estrelas RR Lyrae detetadas por Feng e colegas varia entre cerca de 20 e 320 quiloparsecs.

"Conseguimos utilizar estas estrelas variáveis como rastreadores fiáveis para determinar as distâncias", disse Feng. "As nossas observações confirmam as estimativas teóricas do tamanho do halo, pelo que este é um resultado importante".

Os resultados baseiam-se em dados do NGVS (Next Generation Virgo Cluster Survey), um programa que utiliza o CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope) para estudar um enxame de galáxias bem para lá da Via Láctea. O levantamento não foi concebido para detetar estrelas RR Lyrae, pelo que os investigadores tiveram de as "desenterrar" do conjunto de dados. O Enxame de Virgem é um grande aglomerado de galáxias que inclui a galáxia elíptica gigante M87.

"Para obter uma exposição profunda de M87 e das galáxias à sua volta, o telescópio também capturou as estrelas em primeiro plano no mesmo campo, pelo que os dados que utilizámos são uma espécie de subproduto desse levantamento", explicou Feng.

De acordo com GuhaThakurta, a excelente qualidade dos dados do NGVS permitiu à equipa obter a caracterização mais fiável e precisa de estrelas RR Lyrae a estas distâncias. As estrelas RR Lyrae são estrelas antigas com propriedades físicas muito específicas que as fazem expandir-se e contrair-se num ciclo de repetição regular.

"A forma como o seu brilho varia parece um eletrocardiograma - são como batidas do coração da Galáxia - por isso o brilho sobe rapidamente e desce lentamente, e o ciclo repete-se perfeitamente com esta forma muito característica", disse GuhaThakurta. "Além disso, se medirmos o seu brilho médio, é o mesmo de estrela para estrela. Esta combinação é fantástica para estudar a estrutura da Galáxia".

O céu está repleto de estrelas, umas mais brilhantes que outras, mas uma estrela pode parecer brilhante porque é muito luminosa ou porque está muito perto, e pode ser difícil distinguir. Os astrónomos podem identificar uma estrela RR Lyrae a partir das suas pulsações características, depois usar o seu brilho observado para calcular a distância a que se encontra. Os procedimentos não são, no entanto, simples. Objetos mais distantes, tais como quasares, podem disfarçar-se de estrelas RR Lyrae.

"Só os astrónomos sabem como é doloroso obter rastreadores fiáveis destas distâncias", disse Feng. "Esta amostra robusta de distantes estrelas RR Lyrae dá-nos uma ferramenta muito poderosa para estudar o halo e testar os nossos modelos atuais do tamanho e massa da nossa Galáxia".

// Universidade da Califórnia em Santa Cruz (comunicado de imprensa)

 


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Variáveis RR Lyrae:
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Via Láctea:
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Centro Galáctico (Wikipedia)
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Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
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CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):
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NGVS (Nex Generation Virgo Cluster Survey):
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Sistema binário, composto por duas anãs ultrafrias, bate recordes

Astrofísicos da Universidade Northwestern e da Universidade da Califórnia em San Diego descobriram o sistema binário, composto por duas anãs ultrafrias, mais íntimo alguma vez observado.

As duas estrelas estão tão próximas uma da outra que completam uma órbita em menos de um dia. Por outras palavras, cada "ano" de cada estela dura apenas 20,5 horas.

O sistema recentemente descoberto, denominado LP 413-53AB, é composto por um par de anãs ultrafrias, uma classe de estrelas de massa muito baixa que são tão frias que emitem a sua luz principalmente no infravermelho, tornando-as completamente invisíveis ao olho humano. No entanto, são um dos tipos de estrelas mais comuns no Universo.

 

Os investigadores dizem que o estudo de sistemas estelares semelhantes pode fornecer mais informações sobre planetas potencialmente habitáveis para além da Terra. As anãs ultrafrias são muito mais fracas e mais ténues do que o Sol, pelo que qualquer mundo com água líquida à superfície - um ingrediente crucial para formar e sustentar vida - teria que estar muito próximo da estrela.
Crédito: NASA/JPL Caltech

 

Anteriormente, os astrónomos apenas tinham detetado três sistemas binários de curta duração compostos por anãs ultrafrias, todos eles relativamente jovens - com até 40 milhões de anos. LP 413-53AB tem uma idade estimada em milhares de milhões de anos - idade semelhante à do nosso Sol - mas um período orbital que é pelo menos três vezes mais curto do que todas as estrelas duplas anãs ultrafrias descobertas até agora.

"É excitante descobrir um sistema tão extremo", disse Chih-Chun "Dino" Hsu, astrofísico da Universidade Northwestern que liderou o estudo. "Em princípio, sabíamos que estes sistemas deviam existir, mas ainda não tínhamos identificado nenhum". Hsu apresentou esta investigação durante uma conferência de imprensa no 241.º Encontro da Sociedade Astronómica Americana em Seattle.

A equipa descobriu pela primeira vez o estranho sistema binário enquanto explorava dados de arquivo. Hsu desenvolveu um algoritmo que consegue modelar uma estrela com base nos seus dados espectrais. Ao analisar o espectro da luz emitida por uma estrela, os astrofísicos podem determinar a composição química, temperatura, gravidade e rotação da estrela. Esta análise também mostra o movimento da estrela à medida que esta se desloca em direção ao observador e à medida que se afasta, método conhecido como velocidade radial.

Ao examinar os dados espectrais de LP 413-53AB, Hsu notou algo de estranho. As primeiras observações captaram o sistema quando as estrelas estavam aproximadamente alinhadas e as suas linhas espectrais sobrepostas, levando Hsu a pensar que se tratava apenas de uma estrela. Mas à medida que as estrelas se moviam na sua órbita, as linhas espectrais deslocaram-se em direções opostas, dividindo-se em dados espectrais posteriores. Hsu percebeu que na realidade eram duas estrelas presas num binário incrivelmente íntimo.

Usando telescópios poderosos no Observatório W. M. Keck, Hsu decidiu observar o fenómeno por si próprio. A 13 de março de 2022, a equipa virou os telescópios em direção à constelação de Touro, onde o sistema binário está localizado, e observou-o durante duas horas. Fizeram novas observações em julho, outubro e dezembro.

 
O sistema LP 413-53AB em comparação com outros sistemas mais próximos, incluindo TRAPPIST-1 e alguns dos seus planetas, bem como o de Júpiter e das suas luas.
Crédito: Adam Burgasser/Universidade da Califórnia em San Diego
 

"Quando estávamos a fazer esta medição, pudemos ver as coisas a mudar ao longo de poucos minutos de observação", disse o professor Adam Burgasser, orientador de Hsu. "A maioria dos binários que seguimos têm períodos orbitais de anos. Por isso, obtém-se uma medição a cada poucos meses. Depois, ao fim de algum tempo, é possível montar o puzzle. Com este sistema, pudemos ver as linhas espectrais a afastarem-se em tempo real. É espantoso ver algo a acontecer no Universo numa escala de tempo humana". As observações confirmaram o que o modelo de Hsu previu. A distância entre as duas estrelas é de cerca de 1% da distância entre a Terra e o Sol.

A equipa especula que as estrelas ou migraram uma em direção à outra com o passar do tempo, ou podem ter-se juntado após a ejeção de um terceiro - agora perdido - membro estelar. São necessárias mais observações para testar estas ideias.

Hsu também disse que o estudo de sistemas estelares semelhantes pode fornecer mais informações sobre planetas potencialmente habitáveis para lá da Terra. As anãs ultrafrias são muito mais fracas e ténues do que o Sol, pelo que qualquer mundo com água líquida à superfície - um ingrediente crucial para formar e sustentar vida - teria que estar muito próximo da estrela. Contudo, para LP 413-53AB, a zona habitável é a mesma que a órbita estelar, tornando impossível a formação de planetas habitáveis neste sistema.

"Estas anãs ultrafrias são vizinhas do nosso Sol", disse Hsu. "Para identificar hospedeiros potencialmente habitáveis, é útil começar com as nossas vizinhas mais próximas. Mas caso este tipo de binário seja comum entre as anãs ultrafrias, podem haver poucos mundos habitáveis".

Para explorar completamente estes cenários, Hsu, Burgasser e colaboradores esperam localizar mais sistemas binários com anãs ultrafrias e assim criar uma amostra de dados completa. Novos dados observacionais poderiam ajudar a reforçar modelos teóricos para a formação e evolução de estrelas duplas. No entanto, até agora, a descoberta de estrelas binárias ultrafrias tem permanecido um feito raro.

"Estes sistemas são raros", disse Chris Theissen, coautor do estudo e ligado à Universidade da Califórnia em San Diego. "Mas não sabemos se são raros porque raramente existem ou porque simplesmente não os encontramos. É uma questão em aberto. Agora temos um ponto de dados sobre o qual podemos começar a construir. Estes dados já se encontravam no arquivo há muito tempo. A ferramenta de 'Dino' permitir-nos-á procurar mais binários como este".

// Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)

 


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Anãs ultrafrias:
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Estrelas binárias:
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Observatório W. M. Keck:
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Álbum de fotografias
Jovem Enxame Estelar NGC 346

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ciência - NASAESACSA, Olivia C. Jones (ATC do Reino Unido), Guido De Marchi (ESTEC), Margaret Meixner (USRA); processamento - Alyssa Pagan (STScI), Nolan Habel (USRA), Laura Lenkić (USRA), Laurie E. U. Chu (Ames da NASA)
 
O maior enxame estelar da Pequena Nuvem de Magalhães é NGC 346, embebido na maior região de formação estelar da nossa pequena galáxia satélite a cerca de 210.000 anos-luz de distância. Claro, as estrelas massivas de NGC 346 são de curta duração, mas muito energéticas. Os seus ventos e radiação esculpem as orlas da poeirenta nuvem molecular da região, desencadeando a formação de estrelas no seu interior. A região de formação estelar parece também conter uma grande população de estrelas jovens. Com apenas 3 a 5 milhões de anos e ainda não queimando hidrogénio nos seus núcleos, as estrelas infantis estão espalhadas pelo enxame embebido. Esta espetacular visão infravermelha de NGC 346 foi obtida pelo instrumento NIRCam do Telescópio Espacial James Webb. A emissão do hidrogénio atómico, ionizado pela radiação energética das estrelas massivas, bem como o hidrogénio molecular e a poeira na nuvem molecular de formação estelar, está detalhada em tons rosa e laranja. Esta imagem nítida, pelo Webb, da jovem região de formação estelar, abrange cerca de 240 anos-luz à distância da Pequena Nuvem de Magalhães.
 
   
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