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  Astroboletim #1969  
  20/01 a 23/01/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 20/01: 20.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.

De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do eletromagnetismo clássico, que ele referia como "eletrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente elétrica, o ampere, tem o seu nome. 
Em 1930, nascia Buzz Aldrin, astronauta americano e a segunda pessoa a pisar a Lua
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Em 2016, investigadores do Caltech encontram evidências de um nono planeta a mover-se no que chamam de "órbita altamente alongada e bizarra" no Sistema Solar exterior.
HOJE, NO COSMOS:
Sirius brilha a sudeste, por baixo de Orionte, depois da hora de jantar. Por volta das 21 horas, dependendo da sua localização, Sirius brilha precisamente para baixo de Betelgeuse, o ombro do Caçador. Quão precisamente consegue determinar a hora deste evento, talvez usando o lado de um prédio? Das duas, Sirius lidera ao início da noite. Betelgeuse lidera mais tarde.
Continue a linha de Betelgeuse até Sirius, e passa pelas costas de Cão Maior até à estrela que assinala a sua traseira: Delta Canis Majoris, ou Wezen.

 

DIA 21/01: 21.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1908, nascia Bengt Strömgren, astrónomo e astrofísico dinamarquês, famoso por desenvolver a teorias das nebulosas difusas (regiões H II) como as nebulosa Trífida e de Orionte.
Em 1960, a nave MercuryLittle Joe 1B, levantava voo a partir de Wallops Island, com Miss Sam, uma fêmea de macaco a bordo.

Em 2004, a NASA "perdia" contato com o rover Spirit, um problema de gestão de memória "flash" que viria a ser resolvido remotamente a partir da Terra a 6 de fevereiro.
Em 2018, o Electron da Rocket Lab torna-se o primeiro foguetão a alcançar órbita terrestre usando um motor alimentado a eletricidade e lança três CubeSats.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 20:53.

 

DIA 22/01: 22.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1968, a Apollo 5 levantava voo transportando o primeiro módulo lunar para o espaço.

Em 1992, Roberta Bondar tornava-se a primeira mulher canadiana no espaço a bordo da STS-42.
Em 1998, o vaivém espacial Endeavour é lançado na missão STS-89 para atracar com a estação espacial russa Mir.
HOJE, NO COSMOS:
Vénus e Saturno alcançam a sua conjunção, separados por cerca de meio-grau baixo a oeste-sudoeste. Use binóculos ao lusco-fusco.

 

DIA 23/01: 23.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1840 nascia Ernst Abbe, físico e optometrista alemão que, juntamente com Otto Schott e Carl Zeiss, lançou as bases da ótica moderna. Abbe também desenvolveu instrumentos óticos, e foi coproprietário da Carl Zeiss AG, fabricante alemã de telescópios, planetários e outros sistemas ópticos.
Em 1999, astrónomos lutam contra o tempo para obter as primeiras imagens óticas de uma das mais podersosas explosões do Universo - GRB 990123, uma explosão de raios-gama. Uma típica explosão de raios-gama é um milhão de vezes mais brilhante do que uma supernova normal. 
Em 2003 tinham lugar as últimas comunicações com a Pioneer 10.

HOJE, NO COSMOS:
Repita a observação de ontem e verifique que os planetas já estão um pouco mais afastados entre si. Hoje temos uma finíssima Lua Crescente para a sua esquerda. É boa altura para astrofotografia.
A estrela de magnitude zero, Capella, bem alta no céu, e a igualmente brilhante estrela Rigel no pé de Orionte, têm quase a mesma ascensão reta. Isto significa que atravessam o meridiano do céu do observador quase exatamente à mesma hora: por volta das 22 horas, dependendo de quão para este ou este vive. Assim sendo, sempre que Capella passa na sua posição mais alta, Rigel assinala sempre o sul verdadeiro, e vice-versa.

 
 
   
Hubble descobre um buraco negro esfomeado a "transformar uma estrela num donut"
 

Esta sequência de ilustrações mostra como um buraco negro pode devorar uma estrela que passa por perto: 1. Uma estrela normal passa perto de um buraco negro supermassivo no centro de uma galáxia; 2. Os gases exteriores da estrela são puxados para o campo gravitacional do buraco negro. 3. A estrela é triturada à medida que as forças das marés a esticam. 4. Os remanescentes estelares são puxados para um anel em forma de donut à volta do buraco negro, e acabarão por cair no buraco negro, libertando uma tremenda quantidade de luz e radiação altamente energética.
Crédito: NASA, ESA, Leah Hustak (STScI)

 

Os buracos negros são coletores, não caçadores. Ficam à espera que uma infeliz estrela passe lá por perto. Quando a estrela se aproxima o suficiente, a "garra" gravitacional do buraco negro rasga-a violentamente e devora os seus gases de forma descuidada, ao mesmo tempo que emite radiação intensa.

Os astrónomos utilizaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para registar, em detalhe, os momentos finais de uma estrela à medida que é devorada por um buraco negro.

Estes são denominados "eventos de perturbação de marés". Mas o termo não explica eficazmente a complexa e crua violência de um encontro com um buraco negro. Há um equilíbrio entre a gravidade do buraco negro, que puxa material estelar, e a radiação que sopra material para longe. Por outras palavras, os buracos negros são comilões atribulados. Os astrónomos estão a usar o Hubble para descobrir os detalhes do que acontece quando uma estrela errática mergulha no abismo gravitacional.

O Hubble não consegue fotografar detalhadamente o caos do evento de perturbação de marés AT2022dsb, uma vez que a estrela dilacerada está a quase 300 milhões de anos-luz de distância, no centro da galáxia ESO 583-G004. Mas os astrónomos utilizaram a poderosa sensibilidade ultravioleta do Hubble para estudar a luz da estrela triturada, que inclui hidrogénio, carbono e muito mais. A espectroscopia fornece pistas forenses para o homicídio cometido pelo buraco negro.

Já foram detetados cerca de 100 eventos de perturbação de marés em torno de buracos negros por astrónomos que recorreram a vários telescópios. A NASA relatou recentemente que vários dos seus observatórios espaciais de alta energia avistaram outro evento de perturbação de marés no dia 1 de março de 2021, e isso aconteceu noutra galáxia. Ao contrário das observações do Hubble, os dados foram recolhidos em raios-X a partir de uma coroa extremamente quente em torno de buraco negro que se formou depois da estrela já ter sido destruída.

"Contudo, ainda existem poucos eventos de marés observados no ultravioleta, dado o tempo de observação. Isto é realmente lamentável porque há muita informação que se pode obter dos espectros ultravioletas", disse Emily Engelthaler do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian em Cambridge, no estado norte-americano de Massachusetts. "Estamos entusiasmados porque podemos obter estes detalhes do que os escombros estão a fazer. O evento de perturbação de marés pode dizer-nos muito sobre um buraco negro". As mudanças no estado da estrela condenada têm lugar num espaço de tempo de dias ou meses.

Para qualquer galáxia com um buraco negro supermassivo quiescente no centro, estima-se que a "trituração" estelar ocorra apenas algumas vezes a cada 100.000 anos.

Este evento de alimentação estelar, apelidado AT2022dsb, foi avistado pela primeira vez no dia 1 de março de 2022 pelo ASAS-SN (All-Sky Automated Survey for Supernovae), uma rede de telescópios terrestres que varre o céu extragaláctico aproximadamente uma vez por semana em busca de eventos violentos, variáveis e transitórios que moldam o nosso Universo. Esta colisão energética ocorreu suficientemente perto da Terra para os astrónomos do Hubble realizarem espectroscopia ultravioleta durante um período de tempo superior ao normal.

"Tipicamente, estes eventos são difíceis de observar. Obtém-se talvez algumas observações no início da perturbação, quando é realmente brilhante. O nosso programa é diferente na medida em que está concebido para observar alguns eventos de perturbação de marés durante um ano para ver o que acontece", disse Peter Maksym do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian. "Vimos isto suficientemente cedo para o podermos observar nestas fases muito intensas de acreção pelo buraco negro. Vimos o ritmo de acreção cair à medida que se transformava num 'gotejamento'".

Os dados espectroscópicos do Hubble foram interpretados como provenientes de uma área de gás muito brilhante e quente, em forma de donut, que já foi a estrela em questão. Esta área, conhecida como toro, é do tamanho do Sistema Solar e gira em torno de um buraco negro no meio.

"Estamos a examinar algures na borda daquele donut. Estamos a ver um vento estelar do buraco negro a varrer a superfície e que está a ser projetado na nossa direção a velocidades equivalentes a 3% da velocidade da luz", disse Maksym. "Ainda estamos a tentar perceber o evento. A estrela é destruída e ficamos com este material que viaja em direção ao buraco negro. E temos modelos onde pensamos saber o que se está a passar, e depois temos o que realmente vemos. Este é um lugar excitante para os cientistas: mesmo na interseção entre o conhecido e o desconhecido".

Os resultados foram apresentados durante o 241.º encontro da Sociedade Astronómica Americana em Seattle, Washington, EUA.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Hubble descobre um buraco negro esfomeado a "transformar uma estrela num donut" (NASA Goddard via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
euronews

AT2022dsb:
TNS

Evento de perturbação de marés:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Levantamento ASAS-SN:
Universidade Estatal do Ohio
Universidade Estatal do Ohio #2
Wikipedia

 
   
Astrónomos detetam buracos negros "enterrados" com o Observatório Chandra

Recorrendo ao Observatório de raios-X Chandra da NASA, os astrónomos encontraram centenas de buracos negros anteriormente escondidos, ou "enterrados". Este resultado fornece um censo mais preciso dos buracos negros no Universo.

Os buracos negros neste novo estudo são da variedade supermassiva, variedade esta que contém milhões ou mesmo milhares de milhões de vezes a massa do Sol. Embora os astrónomos pensem que quase todas as grandes galáxias abrigam buracos negros gigantes nos seus centros, apenas alguns dos buracos negros estão a puxar ativamente material que produz radiação, e alguns estão "enterrados" debaixo de poeira e gás.

 
Um levantamento revelou centenas de buracos negros anteriormente não identificados utilizando dados do CSC (Chandra Source Catalog) e do SDSS (Sloan Digitized Sky Survey). Os investigadores compararam os dados de raios-X e óticos de uma classe de objetos conhecidos como "XBONGs" (X-ray bright, optically normal galaxies) para revelar cerca de 400 buracos negros supermassivos. Estas imagens mostram os XBONGs em raios-X pelo Chandra e no visível pelo SDSS.
Crédito: raios-x - NASA/CXC/SAO/D. Kim et al.; ótico/infravermelho - Legacy Surveys/D. Lang (Instituto Perimeter)
 

Ao combinar dados do CSC (Chandra Source Catalog) - um repositório público que inclui centenas de milhares de fontes de raios-X detetadas pelo observatório durante os seus primeiros 15 anos - e dados óticos do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), uma equipa de astrónomos foi capaz de identificar centenas de buracos negros que anteriormente estavam escondidos. Encontram-se em galáxias não previamente identificadas como contendo quasares, objetos extremamente brilhantes com buracos negros supermassivos de crescimento rápido.

"Os astrónomos já identificaram enormes números de buracos negros, mas muitos outros permanecem esquivos", disse Dong-Woo Kim do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian, que liderou o estudo. "A nossa investigação descobriu uma população em falta e ajudou-nos a compreender como se estão a comportar".

Há cerca de 40 anos que os cientistas conhecem galáxias que parecem normais no visível - com luz estelar e gás, mas não com as assinaturas óticas distintivas de um quasar - mas que brilham intensamente em raios-X. Referem-se a estes objetos como "XBONGs" (X-ray bright optically normal galaxies).

A análise sistemática do catálogo do Chandra e a comparação com os dados óticos do SDSS permitiu com que os investigadores identificassem 817 candidatos a XBONG, mais de dez vezes o número conhecido antes do Chandra estar em funcionamento. As imagens nítidas do Chandra, que correspondem à qualidade das do SDSS, e a grande quantidade de dados do CSC tornaram possível a deteção destes muitos candidatos a XBONG. Estudos posteriores revelaram que cerca de metade destes XBONGs representam uma população de buracos negros anteriormente escondidos.

"Estes resultados mostram como é poderoso comparar dados no visível e em raios-X", disse a coautora Amanda Malnati, estudante do Smith College em Northampton, no estado norte-americano de Massachusetts. "O CSC é um tesouro cada vez maior que ajudará os astrónomos a fazer descobertas durante anos".

Os raios-X são particularmente úteis para procurar buracos negros de crescimento rápido porque o material que os rodeia é sobreaquecido a milhões de graus e brilha fortemente em comprimentos de onda de raios-X. Um casulo espesso de gás e poeira em torno de um buraco negro bloqueará a maior parte ou toda a luz em comprimentos de onda óticos. Os raios-X, contudo, passam através do casulo muito mais facilmente para assim serem detetados pelo Chandra.

Depois de estudar a quantidade de raios-X detetados em diferentes energias para cada fonte, a equipa concluiu que cerca de metade dos candidatos a XBONG envolvem fontes de raios-X que estão "enterradas" sob gás espesso porque foram detetadas quantidades relativamente pequenas de raios-X de baixa energia. Tais raios-X são bloqueados mais facilmente por camadas de gás circundante do que raios-X mais energéticos.

Estas fontes de raios-X são tão brilhantes que quase todos devem ser de material em redor de buracos negros de crescimento rápido. Dados do WISE (Wide-Field Infrared Survey Explorer) da NASA fornecem evidências adicionais de que cerca de metade dos XBONGs são buracos negros supermassivos "enterrados" e em crescimento. Em termos de distância à Terra, estes buracos negros variam entre 550 e 7,8 mil milhões de anos-luz.

"Não é todos os dias que se pode dizer que se descobriu um buraco negro", disse a coautora Alyssa Cassity, estudante da Universidade da Colúmbia Britânica, "por isso é muito excitante perceber que descobrimos centenas deles".

A explicação para os XBONGs que não estão "enterrados" debaixo de gás espesso é menos clara. Cerca de 100 das fontes podem não ser pontos únicos de fontes de raios-X, mas ao invés aparecerem dispersos. Algumas destas podem ser galáxias em grupos ou enxames galácticos não identificados, que são conhecidos por conterem grandes quantidades de gás quente, emissor de raios-X. Não mais do que cerca de 20% dos XBONGs podem ser categorizados desta forma. Os restantes 30% podem conter alguns buracos negros supermassivos localizados em galáxias onde os sinais óticos [dos buracos negros supermassivos] são diluídos pela luz relativamente brilhante das estrelas. Os cientistas precisam de investigações adicionais para determinar a verdadeira natureza destes XBONGs.

Dong-Woo Kim apresentou estes resultados no 241.º encontro da Sociedade Astronómica Americana em Seattle, Washington.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Olhar rápido: Astrónomos detetam buracos negros "enterrados" com o Observatório Chandra (Observatório de raios-X Chandra via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
PHYSORG
UPI

XBONG (X-ray bright optical normal galaxy):
Astro.vaporia.com

Quasar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia
CSC (Chandra/Harvard)

SDSS:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Levantamento gigantesco da Via Láctea revela milhares de milhões de objetos
 

Os astrónomos divulgaram um levantamento gigantesco do plano galáctico da Via Láctea. O novo conjunto de dados contém uns espantosos 3,32 mil milhões de objectos celestes - sem dúvida o maior catálogo até agora. Os dados para este levantamento sem precedentes foram obtidos com a DECam (Dark Energy Camera) do Departamento de Energia dos EUA no Observatório Interamericano Cerro Tololo da NSF, no Chile, um Programa do NOIRLab. Ao clicar nesta imagem (que é apenas uma amostra da área fotografada) poderá ver o mosaico do levantamento reproduzido numa resolução de 4000 pixéis (muito abaixo da resolução original).
Crédito: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA; processamento da imagem - M. Zamani & D. de Martin (NOIRLab da NSF)

 

A Via Láctea contém centenas de milhares de milhões de estrelas, regiões cintilantes de formação estelar e nuvens escuras de poeira e gás. A observação e classificação destes objetos para estudo é uma tarefa hercúlea, mas um conjunto de dados astronómicos recentemente lançado conhecido como DECaPS2 (Dark Energy Camera Plane Survey 2) revela um número assombroso destes objetos com detalhes sem precedentes. O levantamento DECaPS2, que levou dois anos a completar e produziu mais de 10 terabytes de dados a partir de 21.400 exposições individuais, identificou aproximadamente 3,32 mil milhões de objetos - sem dúvida o maior catálogo deste tipo compilado até à data. Os astrónomos e o público podem explorar o conjunto de dados livremente.

Esta coleção sem precedentes foi capturada pelo instrumento DECam (Dark Energy Camera) acoplado ao telescópio Víctor M. Blanco de 4 metros no CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory), um programa do NOIRLab da NSF (National Science Foundation). O CTIO é uma constelação de telescópios internacionais situados no topo do Cerro Tololo, no Chile, a uma altitude de 2200 metros. A altitude a que o CTIO se situa dá aos astrónomos uma vista incomparável do céu do hemisfério sul, o que permitiu à DECam capturar o Plano Galáctico sul com tanto detalhe.

O DECaPS2 é um levantamento do plano da Via Láctea visto do hemisfério sul, obtido em comprimentos de onda óticos e no infravermelho próximo. O primeiro conjunto de dados DECaPS foi divulgado em 2017 e, com a adição do novo conjunto de dados, o levantamento cobre agora 6,5% do céu noturno e estende-se por uns espantosos 130 graus de comprimento. Embora possa parecer modesto, isto equivale a 13.000 vezes a área angular da Lua Cheia.

O conjunto de dados DECaPS2 está disponível para toda a comunidade científica e é alojado pelo Astro Data Lab do NOIRLab, que faz parte do seu centro de dados científicos. O acesso interativo às imagens, com panorâmica/zoom dentro de um "browser" da web, está disponível através do Legacy Survey Viewer, do World Wide Telescope e do Aladin.

 

Os astrónomos divulgaram um levantamento gigantesco do plano galáctico da Via Láctea. O novo conjunto de dados contém uns espantosos 3,32 mil milhões de objectos celestes - sem dúvida o maior catálogo até agora. Para referência, uma imagem de baixa resolução dos dados do DECaPS2 está sobreposta a uma imagem que mostra o céu inteiro. A inserção é meramente uma pequena parte dos dados do DECaPS2.
Crédito: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA/E. Slawik; processamento da imagem: M. Zamani & D. de Martin (NOIRLab da NSF)

 

A maioria das estrelas e da poeira na Via Láctea está localizada no seu disco - a banda brilhante que se estende através deste mosaico -, onde se encontram os seus braços espirais. Embora esta profusão de estrelas e poeira faça belas imagens, também torna o Plano Galáctico um desafio de observar. As gavinhas escuras de poeira, vistas a passar pelas imagens, absorvem a luz das estrelas e apagam completamente as estrelas mais fracas, e a luz das nebulosas difusas interfere com quaisquer tentativas de medir o brilho de objetos individuais. Outro desafio surge do número gigantesco de estrelas, que podem sobrepor-se nas imagens e dificultar a distinção de estrelas individuais das suas vizinhas.

Apesar dos desafios, os astrónomos mergulharam no Plano Galáctico para obterem uma melhor compreensão da nossa Via Láctea. Observando no infravermelho próximo, foram capazes de espreitar para lá de grande parte da poeira absorvente. Os investigadores também utilizaram uma abordagem inovadora de processamento de dados, o que lhes permitiu prever melhor o fundo por trás de cada estrela. Isto ajudou a mitigar os efeitos das nebulosas e dos campos estelares apinhados em imagens astronómicas tão grandes, assegurando que o catálogo final de dados processados é mais preciso.

"Uma das principais razões para o sucesso do DECaPS2 é que simplesmente apontámos para uma região com uma densidade extraordinariamente elevada de estrelas e tivemos cuidado ao identificar fontes que aparecem quase umas sobre as outras", disse Andrew Saydjari, da Universidade de Harvard, investigador do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian e autor principal do artigo científico. "Estes passos permitiram-nos produzir o maior catálogo de sempre a partir de uma única câmara, em termos do número de objetos observados".

 
Esta imagem, que está repleta de estrelas e nuvens escuras de poeira, é uma pequena amostra do levantamento completo da Via Láctea pelo DECaPS2 (Dark Energy Camera Plane Survey). O novo conjunto de dados contém uns espantosos 3,32 mil milhões
Crédito: DECaPS2/DOE/FNAL/DECam/CTIO/NOIRLab/NSF/AURA; processamento da imagem - M. Zamani & D. de Martin (NOIRLab da NSF)
 

"Quando combinado com imagens do Pan-STARRS 1, o DECaPS2 completa uma vista panorâmica de 360 graus do disco da Via Láctea e, adicionalmente, alcança estrelas muito mais fracas", disse Edward Schlafly, investigador no STScI (Space Telescope Science Institute) e coautor do artigo que descreve o DECaPS2, publicado na revista The Astrophysical Journal Supplement. "Com este novo levantamento, podemos mapear a estrutura tridimensional das estrelas e da poeira da Via Láctea com um detalhe sem precedentes".

"Desde o meu trabalho no SDSS (Sloan Digital Sky Survey), há duas décadas, que tenho procurado uma forma de fazer melhores medições em fundos complexos", disse Douglas Finkbeiner, professor no Centro para Astrofísica, coautor do artigo e investigador principal por detrás do projeto. "Este trabalho conseguiu isso e muito mais!"

"Este é um grande feito técnico. Imagine uma fotografia de grupo de mais de três mil milhões de pessoas e cada indivíduo é reconhecível!", diz Debra Fischer, diretora da divisão de Ciências Astronómicas da NSF. "Os astrónomos vão estar a debruçar-se sobre este retrato detalhado de mais de três mil milhões de estrelas da Via Láctea durante décadas. Este é um exemplo fantástico do que as parcerias entre agências federais podem alcançar".

A DECam foi originalmente construída para levar a cabo o DES (Dark Energy Survey), realizado pelo Departamento de Energia dos EUA e pela NSF entre 2013 e 2016.

// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Supplement)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Levantamento gigantesco da Via Láctea revela milhares de milhões de objetos (NOIRLabAstro via YouTube)
// Acesso interativo ao DECaPS2 (via Legacy Survey Viewer)

 


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ScienceDaily
Forbes

DECaPS2 (Dark Energy Camera Plane Survey 2):
Página principal
Acesso interativo ao DECaPS2 (via Legacy Survey Viewer)

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

CTIO (Cerro Tololo Inter-American Observatory):
NOIRLab
Wikipedia
Telescópio Víctor M. Blanco (Wikipedia)
DECam (NOIRLab)

SDSS:
Página oficial
Wikipedia

 
   
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Álbum de fotografias
Nuvens Inesperadas na Direção da Galáxia de Andrómeda

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Yann Sainty & Marcel Drechsler
 
Porque é que existem arcos emissores de oxigénio perto da direção da Galáxia de Andrómeda? Ninguém tem a certeza. Os arcos de gás, vistos a azul, foram descobertos e confirmados pela primeira vez por astrónomos amadores apenas no ano passado. As duas principais hipóteses para a origem dos arcos são que estão realmente perto de Andrómeda (M31), ou que são filamentos de gás na nossa própria Via Láctea vistos perto de M31 apenas por coincidência. A acrescentar ao mistério, os arcos não foram vistos em imagens profundas e anteriores de Andrómeda tiradas principalmente na luz emitida pelo hidrogénio, e outras galáxias mais distantes não foram geralmente notadas como mostrando estruturas semelhantes emissoras de oxigénio. Amadores dedicados fizeram esta descoberta, utilizando telescópios comerciais, porque, em parte, os telescópios profissionais investigam geralmente zonas angularmente pequenas do céu noturno, enquanto que estes arcos abrangem várias vezes o tamanho angular da Lua Cheia. Observações futuras - tanto na luz emitida pelo oxigénio como por outros elementos - certamente se seguirão.
 
   
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