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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1979  
  24/02 a 27/02/2023  
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 3 de março de 2023
Hora: 19:00
Local: Forte do Rato
No próximo dia 3 de março, realiza-se mais uma sessão das Noites Astronómicas em Tavira e será possível observar diferentes constelações e planetas presentes nesta noite. Teremos também a oportunidade de observar a Lua. A sessão gratuita decorre pelas 19:00 no Forte do Rato. Participe!
Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Os Equinócios

Data: 9 de março de 2023
Hora: 18:30-19:30
Em março chega até nós a Primavera, e o momento que a anuncia é o equinócio. Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade. A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 24/02: 55.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1967, nascia Brian Schmidt, astrónomo e astrofísico australiano que em 2011 partilhou com Saul Perlmutter e Adam Riess o Prémio Nobel da Física por fornecer evidências da aceleração da expansão do Universo.
Em 1968 foi descoberto o primeiro pulsar, por Jocelyn Bell Burnell, numa pesquisa no rádio. Hewish e Ryle, codiretores do projeto, receberam o prémio Nobel da Física em 1974 por conjugar as observações com um modelo duma estrela de neutrões em rotação. 
Em 1969 era lançada a sonda americana Mariner 6. A 31 de julho de 1969, passou a 3330 km de Marte e enviou de volta 74 imagens.
Em 1979, lançamento do satélite Solwind P78-1.
Em 1996 foi lançada a sonda POLAR para estudar a região dos polos da Terra, uma região ativa do geoespaço.
Em 2011, voo final do vaivém Discovery, na sua missão STS-133.

HOJE, NO COSMOS:
Nesta altura do ano, após a hora de jantar, cinco constelações carnívoras estão alinhadas desde o nordeste até sul. Estão representadas todas em perfil, com os seus narizes apontados para cima e os seus pés (se é que os têm) para a direita: Ursa Maior a nordeste, Leão a este, Hidra, a Serpente do Mar, a sudeste, Cão Menor um pouco mais alta a sul-sudeste, e Cão Maior a sul.

 

DIA 25/02: 56.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 2007, a sonda Rosetta passa por Marte.

HOJE, NO COSMOS:
Ainda faltam algumas semanas para a primavera, mas Arcturo, a Estrela da Primavera, sobe acima do horizonte a este-nordeste pelas 22 horas, dependendo da localização do observador.
Para vê-la nascer, encontre a Ursa Maior assim que as estrelas apareçam; está a nordeste. Siga a curva da sua "pega" para baixo e para a direita por pouco mais que o tamanho da "frigideira". Vai ter ao sítio no horizonte onde observar.
A atmosfera mantém a estrela ténue quando nascer. Mas, uma hora depois, Arcturo domina o céu a este.

 

DIA 26/02: 57.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1880 nascia Kenneth Edgeworth, astrónomo irlandês conhecido por propôr a existência de um disco de corpos gelados para lá da órbita de Neptuno na década de 1940, como Gerard Kuiper publicaria dez anos depois.
Em 1966, lançamento do AS-201, do programa Apollo, o primeiro voo do foguetão Saturno IB.

HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha para a esquerda das Plêiades. A estrela brilhante mais para a esquerda é Aldebarã e o ponto brilhante para cima desta "linha" é o planeta Marte.

 

DIA 27/02: 58.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1897, nascia Bernard Lyot, inventor do coronógrafo.

HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 08:06.
Esta noite, observe novamente a Lua. Repare que se deslocou para mais perto do planeta Marte.

 
 
   
Chandra descobre buracos negros gigantes em rotas de colisão
 
Foram encontradas evidências de dois pares de buracos negros supermassivos em galáxias anãs em rotas de colisão com Chandra. Os dois pares são vistos em raios-X pelo Chandra e no visível pelo telescópio CFHT. A fusão à esquerda encontra-se numa fase tardia e foi-lhe atribuído o nome único de Mirabilis. A outra fusão está na fase inicial e as duas galáxias anãs chamam-se Elstir (em baixo) e Vinteuil (em cima). Os astrónomos pensam que as galáxias anãs - aquelas cerca de 20 vezes menos massivas do que a Via Láctea - crescem através de fusões com outras. Este é um processo importante para o crescimento das galáxias no início do Universo e esta descoberta fornece exemplos para os cientistas estudarem em maior detalhe.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Universidade do Alabama/M. Micic et al.; ótico - Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA
 

Os astrónomos descobriram as primeiras evidências de buracos negros gigantes em galáxias anãs em rotas de colisão. Este resultado do Observatório de raios-X Chandra da NASA tem ramificações importantes para compreender como a primeira vaga de buracos negros e galáxias cresceram no Universo primitivo.

As colisões entre pares de galáxias anãs identificadas num novo estudo puxaram gás para os buracos negros gigantes que cada uma contém, provocando o seu crescimento. Eventualmente, a provável colisão dos buracos negros irá levá-los a fundir-se em buracos negros muito maiores. Os pares de galáxias fundir-se-ão também numa só.

Os cientistas pensam que o Universo teve imensas galáxias pequenas, conhecidas como "galáxias anãs", várias centenas de milhões de anos após o Big Bang. A maior parte fundiu-se com outras no Universo primitivo, de volume mais pequeno e apinhado, pondo em movimento a construção de galáxias cada vez maiores, agora vistas no Universo próximo.

Por definição, as galáxias anãs contêm estrelas com uma massa total inferior a cerca de 3 mil milhões de vezes a do Sol, em comparação com a massa total de cerca de 60 mil milhões de sóis estimada para a Via Láctea.

As primeiras galáxias anãs são impossíveis de observar com a tecnologia atual porque são extremamente fracas a distâncias tão grandes. Os astrónomos foram capazes de observar duas no processo de fusão a distâncias muito menores da Terra, mas sem sinais de buracos negros em ambas as galáxias.

"Os astrónomos encontraram muitos exemplos de buracos negros em rotas de colisão em galáxias grandes que estão relativamente perto", disse Marko Micic da Universidade do Alabama em Tuscaloosa, EUA, que liderou o estudo. "Mas as buscas por buracos negros em galáxias anãs são muito mais desafiantes e até agora tinham falhado".

O novo estudo superou estes desafios implementando um levantamento sistemático de observações de raios-X pelo Chandra e comparando-as com dados infravermelhos do WISE (Wide Infrared Survey Explorer) da NASA e dados óticos do CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope).

O Chandra foi especialmente valioso para este estudo porque o material que envolve os buracos negros pode ser aquecido a milhões de graus, produzindo grandes quantidades de raios-X. A equipa procurou pares de fontes de raios-X brilhantes em galáxias anãs em colisão como evidências de dois buracos negros, e descobriu dois exemplos.

"Identificámos os primeiros dois pares diferentes de buracos negros em galáxias anãs em rotas de colisão", disse a coautora Olivia Holmes, também da Universidade do Alabama em Tuscaloosa. "Utilizando estes sistemas como análogos para os do Universo primitivo, podemos aprofundar questões sobre as primeiras galáxias, os seus buracos negros e a formação estelar que as colisões provocaram".

Um par encontra-se no enxame de galáxias Abell 133, localizado a 760 milhões de anos-luz da Terra. O outro está no enxame galáctico Abell 1758S, a mais ou menos 3,2 mil milhões de anos-luz. Ambos os pares mostram estruturas que são sinais característicos de colisões galácticas.

O par em Abell 133 parece estar nas fases finais de uma fusão entre as duas galáxias anãs e mostra uma longa cauda provocada pelos efeitos de maré da colisão. Os autores do novo estudo apelidaram-no de "Mirabilis" em honra a uma espécie ameaçada de beija-flor conhecida por ter caudas excecionalmente longas. Foi escolhido apenas um nome porque a fusão das duas galáxias, numa só, está quase completa.

Em Abell 1758S, os investigadores apelidaram as galáxias anãs de "Elstir" e "Vinteuil", em honra aos artistas fictícios do romance "Em Busca do Tempo Perdido" de Marcel Proust. Os investigadores pensam que estas duas foram apanhadas nas fases iniciais de uma fusão, fazendo com que uma ponte de estrelas e gás ligasse as duas galáxias em colisão.

Os detalhes da fusão de buracos negros e galáxias anãs podem fornecer uma visão do próprio passado da Via Láctea. Os cientistas pensam que quase todas as galáxias começaram como anãs ou outros tipos de galáxias pequenas e cresceram ao longo de milhares de milhões de anos através de fusões.

"A maioria das galáxias anãs e dos buracos negros no início do Universo já devem ter crescido muito mais, graças a repetidas fusões", disse a coautora Brenna Wells, também da Universidade do Alabama em Tuscaloosa. "Em alguns aspetos, as galáxias anãs são os nossos antepassados galácticos, que evoluíram ao longo de milhares de milhões de anos para produzir grandes galáxias como a nossa própria Via Láctea".

"As observações de acompanhamento destes dois sistemas permitir-nos-ão estudar processos que são cruciais para a compreensão das galáxias e dos seus buracos negros enquanto 'crianças'," disse o coautor Jimmy Irwin, também da mesma instituição de ensino.

O artigo científico que descreve estes resultados está a ser publicado na edição mais recente da revista The Astrophysical Journal e uma pré-impressão encontra-se disponível.

// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Chandra descobre buracos negros gigantes em rotas de colisão (Observatório de raios-X Chandra via YouTube)

 


Quer saber mais?

Galáxias anãs:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Abell 133:
Simbad

Abell 1758S:
Simbad

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
NEOWISE (NASA)
U. Berkeley

CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):
Página oficial
Wikipedia

 
   
O "canto do cisne" de uma nuvem que se aproxima do buraco negro supermassivo da Via Láctea

Duas décadas de monitorização pelo Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii, revelam uma nuvem peculiar a ser rasgada à medida que acelera em direção ao buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia, a Via Láctea.

Chamada X7, os astrónomos da GCOI (Galactic Center Orbits Initiative) da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles) e do Observatório Keck têm vindo a acompanhar desde 2002 a evolução deste filamento de gás empoeirado; imagens de alta resolução angular, no infravermelho próximo, capturadas com o poderoso sistema de óticas adaptativas do Observatório Keck, mostram que X7 se tornou tão alongada que agora tem um comprimento equivalente a 3000 vezes a distância que separa a Terra do Sol (ou 3000 UA - unidades astronómicas).

 
Imagem obtida pelo Observatório Keck, no verão de 2021, que mostra as estruturas de gás e poeira no Centro Galáctico, incluindo objetos G e X7.
Crédito: A. Ciurlo et al./GCOI da UCLA/Observatório W. M. Keck
 

O estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.

"Esta é uma oportunidade única de observar, em alta resolução, os efeitos das forças de maré do buraco negro, dando-nos uma visão da física do ambiente extremo no Centro Galáctico", disse Anna Ciurlo, investigadora da UCLA e autora principal do estudo.

As forças de maré esticam um objeto que se aproxima de um buraco negro; o lado do objeto mais perto do buraco negro é puxado com muito mais força do que o lado mais distante.

"É emocionante ver mudanças significativas na forma e dinâmica de X7 em tão grande detalhe numa escala de tempo relativamente curta à medida que as forças gravitacionais do buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea influenciam este objeto", disse o coautor Randy Campbell, líder das operações científicas no Observatório Keck.

X7 tem uma massa de cerca de 50 Terras e está num percurso orbital em torno do buraco negro da nossa Galáxia, de nome Sagitário A* (ou Sgr A*), que demora 170 anos a completar.

"Prevemos que as fortes forças de maré exercidas pelo buraco negro Galáctico vão acabar por rasgar X7 antes mesmo de completar uma órbita", disse o coautor Mark Morris, professor de física e astronomia na UCLA.

Com base na sua trajetória, a equipa estima que X7 fará a sua maior aproximação a Sgr A* por volta do ano 2036, então dissipando-se completamente pouco tempo depois. O gás e a poeira que constituem X7 eventualmente serão arrastados para Sgr A* e poderão mais tarde causar alguns "fogos-de-artifício" à medida que aquecem e espiralam para o buraco negro.

Estes achados são a primeira estimativa do percurso orbital ligeiramente excêntrico e a análise mais robusta até à data das notáveis mudanças na sua aparência, forma e comportamento. Para observar X7, a equipa utilizou o espectrógrafo OSIRIS (OH-Suppressing Infrared Imaging Spectrograph) do Observatório Keck e a câmara NIRC2 (Near-Infrared Camera, de segunda geração), em combinação com os sistemas de ótica adaptativa dos telescópios Keck I e Keck II.

 
Imagens capturadas pelo Observatório Keck que mostram a evolução de X7 entre 2002 e 2021.
Crédito: A. Ciurlo et al./GCOI da UCLA/Observatório W. M. Keck
 

X7 mostra algumas das mesmas propriedades observacionais que os outros estranhos objetos empoeirados em órbita de Sgr A* chamados objetos G, que se parecem com gás, mas que se comportam como estrelas. No entanto, a forma e a estrutura da velocidade de X7 transformaram-se de forma mais dramática em comparação com os objetos G. O gás esticado e o filamento de poeira movimentam-se rapidamente, chegando a atingir velocidades que rondam os 780 km/s. Devido à massa extremamente elevada do buraco negro, tudo na sua vizinhança se move muito mais depressa do que o que normalmente vemos em qualquer outro lugar da nossa Galáxia.

Embora a origem de X7 ainda seja um mistério à espera de ser desvendado e confirmado, a equipa de investigação tem algumas pistas sobre a sua possível formação.

"Uma possibilidade é que o gás e a poeira de X7 foram ejetados no momento em que duas estrelas se fundiram", disse Ciurlo. "Neste processo, a estrela fundida é escondida dentro de uma concha de gás e poeira, o que pode encaixar na descrição dos objetos G. E o gás ejetado talvez tenha produzido objetos semelhantes a X7".

A equipa de investigação vai continuar a monitorizar as mudanças dramáticas de X7 com o Observatório Keck à medida que a poderosa gravidade do buraco negro a destrói.

"É um privilégio poder estudar o ambiente extremo no centro da nossa Galáxia", disse Campbell. "Este estudo só pode ser feito utilizando as soberbas capacidades do Keck e realizado no venerado Maunakea, com honra e respeito por este local especial".

// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// O "canto do cisne" de X7 (Observatório Keck via vimeo)

 


Quer saber mais?

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia

 
   
Planeta "proibido" em órbita de estrela pequena desafia teorias da formação de gigantes de gás

Uma equipa de astrónomos liderada por Shubham Kanodia do Instituto Carnegie descobriu um sistema planetário invulgar no qual um planeta gigante de gás orbita uma pequena estrela anã vermelha chamada TOI-5205. As suas descobertas, publicadas na revista The Astronomical Journal, desafiam ideias há muito defendidas sobre a formação planetária.

Mais pequenas e mais frias do que o nosso Sol, as anãs M são as estrelas mais comuns na nossa Galáxia, a Via Láctea. Devido ao seu pequeno tamanho, estas estrelas tendem a ter cerca de metade da temperatura do Sol e a ser muito mais avermelhadas. Têm luminosidades muito baixas, mas vidas extremamente longas. Embora as anãs vermelhas hospedem mais planetas, em média, do que outros tipos de estrelas mais massivas, as suas histórias de formação fazem delas candidatas improváveis a hospedar gigantes gasosos.

 
Ilustração de um gigante de gás em órbita de uma pequena estrela anã vermelha chamada TOI-5205.
Crédito: Katherine Cain, Instituto Carnegie para Ciência
 

O recém-descoberto planeta - TOI-5205b - foi identificado pela primeira vez como potencial candidato pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA. A equipa de Kanodia confirmou então a sua natureza planetária e caracterizou-o utilizando uma variedade de instrumentos e instalações terrestres.

"A estrela anfitriã, TOI-5205, tem apenas cerca de quatro vezes o tamanho de Júpiter, no entanto conseguiu de alguma forma formar um planeta do tamanho de Júpiter, o que é bastante surpreendente!" exclamou Kanodia, especialista no estudo destas estrelas, que compreendem quase três-quartos da nossa Galáxia, mas que não podem ser vistas a olho nu.

Já foram descobertos alguns planetas gigantes em órbita de estrelas anãs M mais velhas. Mas até agora não tinha sido encontrado nenhum num sistema planetário de uma anã M de baixa massa como TOI-5205. Para compreender a comparação de tamanho, um planeta semelhante a Júpiter a orbitar uma estrela semelhante ao Sol pode ser comparado a uma ervilha em torno de uma toranja; para TOI-5205b, dado que a estrela hospedeira é muito mais pequena, é mais semelhante a uma ervilha em torno de um limão. De facto, quando TOI-5205b atravessa em frente da sua hospedeira, bloqueia cerca de sete por cento da sua luz - um dos maiores trânsitos exoplanetários conhecidos.

 
Um planeta semelhante a Júpiter a orbitar uma estrela semelhante ao Sol pode ser comparado a uma ervilha em torno de uma toranja; para TOI-5205b, dado que a estrela hospedeira é muito mais pequena, é mais semelhante a uma ervilha em torno de um limão.
Crédito: Katherine Cain, Instituto Carnegie para Ciência
 

Os planetas nascem no disco giratório de gás e poeira que envolve as estrelas jovens. A teoria de formação de planetas gasosos mais frequentemente usada requer cerca de 10 massas terrestres deste material rochoso para acumular e formar um enorme núcleo, após o qual varre rapidamente grandes quantidades de gás das regiões vizinhas do disco para formar o planeta gigante que vemos hoje.

O período de tempo em que isto acontece é crucial.

"A existência de TOI-5205b estica o que sabemos sobre os discos em que estes planetas nascem", explicou Kanodia. "Ao início, se não houver material rochoso suficiente no disco para formar o núcleo inicial, então não se pode formar um planeta gigante gasoso. E, no final, se o disco se evaporar antes da formação do núcleo massivo, então não se pode formar um planeta gigante gasoso. E ainda assim TOI-5205b formou-se apesar destas limitações. Com base na nossa compreensão atual da formação planetária, TOI-5205b não deveria existir; é um planeta 'proibido'".

A equipa demonstrou que a grande profundidade do trânsito planetário o torna extremamente propício a futuras observações com o recentemente lançado JWST, que poderá lançar luz sobre a sua atmosfera e fornecer algumas pistas adicionais sobre o mistério da sua formação.

A investigação de acompanhamento foi realizada utilizando o HPF (Habitable-zone Planet Finder; Texas, EUA) e o LRS2 (Low Resolution Spectrograph; Texas, EUA) no Telescópio Hobby Eberly de 10m, a câmara ARCTIC no APO de 3,5 m (Apache Point Observatory; Novo México, EUA), o NESSI (NN-Explore Exoplanet Stellar Speckle Imager; Arizona EUA) no telescópio WIYN de 3,5 m, o RBO de 0,6 m (Red Buttes Observatory; Wyoming, EUA) e o TMMT de 0,3 m (Three Hundred Millimeter Telescope; Chile).

// Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
// Blog do HPF ("post" por Kanodia)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
ScienceDaily
PHYSORG

TOI-5205b:
ipac/NASA
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

Observatório McDonald:
Página oficial
Wikipedia
Telescópio Hobby-Eberly (Observatório McDonald)
Telescópio Hobby-Eberly (Wikipedia)
HPF (Habitable-zone Planet Finder)

APO (Apache Point Observatory):
Página principal
Wikipedia

Observatório Nacional de Kitt Peak:
Página oficial
Wikipedia
Telescópio WIYN de 3,5 metros (página principal)
Telescópio WIYN de 3,5 metros (Wikipedia)
NESSI (Telescópio WIYN)

RBO (Red Buttes Observatory):
Universidade do Wyoming
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Descoberta de galáxias massivas precoces desafia compreensão do Universo (via Universidade Estatal da Pensilvânia)
Seis enormes galáxias descobertas no Universo primitivo estão a alterar o que os cientistas entendiam anteriormente sobre as origens das galáxias no Universo. "Estes objetos são muito mais massivos do que se esperava", disse Joel Leja, professor assistente de astronomia e astrofísica, que modelou a luz destas galáxias. "Esperávamos encontrar apenas pequenas galáxias bebé, jovens, neste momento, mas descobrimos galáxias tão maduras como as nossas no que antes se entendia ser o amanhecer do Universo". Ler fonte
     
  Estudo explica como uma das luas de Saturno ejeta partículas dos oceanos subterrâneos (via Universidade da Califórnia em Los Angeles)
Encélado, a sexta maior das luas de Saturno, é conhecida por pulverizar minúsculas partículas de sílica gelada - tantas que as partículas são um componente chave do segundo anel mais exterior em torno de Saturno. Os cientistas não sabem como isso acontece ou quanto tempo o processo leva. Um estudo mostra que o aquecimento por maré no núcleo de Encélado cria correntes que transportam sílica, que é provavelmente libertada por aberturas hidrotermais profundas ao longo de apenas alguns meses. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
O Nosso Cada Vez Mais Ativo Sol

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mehmet Ergün
 
O nosso Sol está a tornar-se num lugar movimentado. Há apenas dois anos, o Sol estava a emergir de um mínimo solar tão silencioso que se passavam meses sem sequer uma única mancha solar. Em contraste, já este ano e bem antes do previsto, o nosso Sol está invulgarmente ativo, aproximando-se dos níveis de atividade solar observados há uma década atrás durante o último máximo solar. O nosso Sol, cada vez mais ativo, foi capturado há duas semanas com inúmeras características interessantes. A imagem foi obtida através de uma única cor da luz chamada hidrogénio-alfa, invertida e atribuída cores falsas. As espículas cobrem grande parte da face do Sol. O maior brilho nas bordas do Sol é provocado pelo aumento da absorção de gás solar relativamente fresco e chamado escurecimento do limbo. Logo para lá do disco do Sol, sobressaem várias proeminências cintilantes, ao passo que aquelas que se vêm na face do Sol são conhecidas como filamentos e mostram-se como estrias de luz. As regiões ativas emaranhadas magneticamente são simultaneamente escuras e claras e contêm manchas solares menos quentes. À medida que o campo magnético do nosso Sol desenvolve o máximo solar nos próximos anos, desconhece-se se a alta atividade do Sol continuará a aumentar.
 
   
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