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  Astroboletim #1991  
  07/04 a 10/04/2023  
     
 

APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Olá, planeta Mercúrio!

Data: 13 de abril de 2023
Hora: 20:30-22:30
Não é todos os dias que vemos alguns planetas, e Mercúrio é talvez o que se mostra menos tempo acima do horizonte. Que segredos quererá ele esconder de nós? Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto:
 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)

Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido.
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 

NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna

Data: 26 de abril de 2023
Hora: 21:00
Local: Forte do Rato
Nesta noite realiza-se a sessão de observação de estrelas e Lua no Forte do Rato. Será também feito um reconhecimento das constelações. A sessão é gratuita.
Participe!
Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes
Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 07/04: 97.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem o primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione.
HOJE, NO COSMOS:
Mercúrio é observável ao final do lusco-fusco, para baixo e um pouco para a direita de Vénus, muito perto do horizonte a oeste.
Assim que o céu fique suficientemente escuro, aviste as Plêiades para cima de Vénus.

 

DIA 08/04: 98.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.

A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3,5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objetivos primários e secundários foram atingidos.
Em 1993, lançamento da missão STS-56 do vaivém Discovery.
Em 2008, Yi So-Yeon torna-se a primeira coreana e a segunda mulher asiática a ir ao espaço.
HOJE, NO COSMOS:
Castor e Pollux brilham juntas altas a oeste-sudoeste após o cair da noite. Pollux, à esquerda, é ligeiramente a mais brilhante das duas "estrelas gémeas".
Desenhe uma linha de Castor e que passa por Pollux, seguindo-a para a esquerda por aproximadamente 26º (cerca de dois punhos e meio à distância do braço esticado) e chega à ténue cabeça da Hidra. Sob um céu escuro, a cabeça da Hidra é subtil mas distintiva, com mais ou menos o tamanho do polegar à distância do braço esticado. Uns binóculos mostram as suas estrelas facilmente através da poluição luminosa.
Continue a mesma linha por punho e meio e chega a Alphard, o coração alaranjado de segunda magnitude da Hidra. Outra forma de encontrar a cabeça da Hidra: fica quase a meio entre Procyon e Régulo.

 

DIA 09/04: 99.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1959, a NASA anuncia a seleção dos primeiros sete astronautas dos Estados Unidos, a quem a comunicação social rapidamente apelida de "Mercury Seven".

Em 1994, lançamento da missão STS-59 do vaivém Endeavour.
HOJE, NO COSMOS:
Vega, a brilhante "Estrela de Verão", nasce tarde a nordeste por estas noites. Para onde deve exatamente olhar? Aviste a Ursa Maior quase por cima das nossas cabeças a nordeste. Procure Mizar na "curva" da "pega da frigideira". Se conseguir ver a ténue companheira de Mizar, Alcor (binóculos ajudam), siga uma linha que começa em Mizar e passa por Alcor, até ao horizonte. É aí que Vega vai aparecer.

 

DIA 10/04: 100.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 837, maior aproximação do Cometa Halley à Terra, cerca de 0,0342 UA (5,1 milhões de quilómetros).
Em 1981, primeira tentativa de lançamento da missão STS-1 (a primeira missão de um vaivém espacial). Este falhou no último momento quando os computadores "crasharam". Os astronautas Crippen e Young finalmente levantaram voo a 12 de abril. À volta de 100 milhões de pessoas viram este evento.
Em 2013, o orçamento para a NASA de 2014 inclui um plano para capturar roboticamente um asteroide próximo da Terra e redirecioná-lo para uma órbita estável no sistema Terra-Lua, que os astronautas possam visitar e estudar (mais tarde cancelada).
Em 2019, cientistas do projeto EHT (Event Horizon Telescope) anunciam a primeira imagem de sempre de um buraco negro, localizado no centro da galáxia M87.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua é visível baixa a sudeste por volta das 01:30, intimamente acompanhada pela estrela alaranjada Antares. Antes do amanhecer, estão razovalmente altas a sul.

 
 
   
Hubble encontra, inesperadamente, um quasar duplo no Universo distante

O Universo primitivo era um lugar exuberante onde as galáxias frequentemente esbarravam umas nas outras e frequentemente se fundiam. Utilizando o Telescópio Espacial Hubble da NASA e outros observatórios espaciais e terrestres, os astrónomos fizeram uma descoberta inesperada e rara: um par de quasares gravitacionalmente ligados, ambos "ardendo" dentro de duas galáxias em fusão. Existiram quando o Universo tinha apenas 3 mil milhões de anos.

Os resultados de um novo estudo liderado por investigadores da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e da Universidade Johns Hopkins foram publicados na revista Nature.

 
Esta ilustração mostra dois quasares brilhantes que residem nos núcleos de duas galáxias que estão no caótico processo de fusão. Este "jogo da corda" gravitacional entre as duas galáxias despoleta imensa formação estelar. Os quasares são faróis brilhantes de luz intensa provenientes dos centros de galáxias distantes. São alimentados por buracos negros supermassivos que se alimentam vorazmente de matéria em queda. Este frenesim de alimentação desencadeia uma torrente de radiação que pode superar a luz coletiva de milhares de milhões de estrelas na galáxia hospedeira. Os buracos negros e as suas galáxias fundem-se em algumas dezenas de milhões de anos, formando um buraco negro ainda mais massivo.
Crédito: NASA, ESA, Joseph Olmsted (STScI)
 

Os quasares são objetos brilhantes alimentados por buracos negros supermassivos e vorazes que expelem quantidades enormes de energia enquanto se alimentam de gás, poeira e qualquer outra coisa dentro do seu alcance gravitacional.

"Não vemos muitos quasares duplos nesta fase inicial do Universo e é por isso que esta descoberta é tão excitante", disse o estudante Yu-Ching Chen da Universidade de Illinois, autor principal do estudo.

Há cada vez mais evidências de que as grandes galáxias são construídas através de fusões. Os sistemas mais pequenos juntam-se para formar sistemas e estruturas cada vez maiores. Durante esse processo, formaram-se pares de buracos negros dentro das galáxias em fusão. "O conhecimento da população progenitora dos buracos negros eventualmente vai acabar por nos dizer mais sobre o aparecimento dos buracos negros supermassivos no Universo inicial e quão frequentes essas fusões podem ser", disse Chen.

"Estamos a começar a desvendar esta ponta do iceberg da população dos primeiros quasares binários" disse o coautor Xin Liu, professor de astronomia na mesma instituição de ensino. "Esta é a particularidade deste estudo. Diz-nos que esta população existe e agora temos um método para identificar quasares duplos que estão separados por menos do que o tamanho de uma única galáxia".

Esta foi uma procura parecida à de uma agulha num palheiro que exigiu o poder combinado do Telescópio Espacial Hubble da NASA e do Observatório W. M. Keck no Hawaii. O observatório espacial Gaia da ESA ajudou na descoberta original do quasar duplo.

"A sensibilidade e resolução do Hubble forneceu imagens que nos permitem descartar outras possibilidades para o que o estamos a ver", disse Chen. O Hubble mostra inequivocamente que se trata de facto de um par genuíno de buracos negros supermassivos, em vez de duas imagens do mesmo quasar criadas pelos efeitos óticos de uma lente gravitacional em primeiro plano. E o Hubble mostra uma característica de maré da fusão das duas galáxias, onde a gravidade distorce a forma das galáxias, formando duas caudas de estrelas.

No entanto, a nítida resolução do Hubble, por si só, não é suficientemente boa para procurar estes faróis de luz dupla, disseram os investigadores. A equipa alistou o Gaia, um satélite lançado em 2013, para identificar potenciais candidatos a quasar duplo. O Gaia mede as posições, distâncias e movimentos de objetos celestes próximos de forma muito precisa. Os quasares aparecem como objetos individuais nos dados do Gaia porque estão tão próximos uns dos outros. No entanto, os seus instrumentos conseguem capturar um movimento subtil e inesperado que imita uma mudança aparente na posição de alguns dos quasares que observa.

 
Uma imagem obtida pelo Telescópio Espacial Hubble de um par de quasares que existia quando o Universo tinha apenas 3 mil milhões de anos. Estão embutidos dentro de um par de galáxias em colisão. Os quasares estão separados por menos do que o tamanho de uma única galáxia. Os quasares são alimentados por buracos negros vorazes e supermassivos que expelem quantidades enormes de energia enquanto se alimentam de gás, poeira e qualquer outra coisa dentro do seu alcance gravitacional. Os buracos negros vão acabar por se fundir.
Crédito: NASA, ESA, Yu-Ching Chen (UIUC), Hsiang-Chih Hwang (IAS), Nadia Zakamska (JHU), Yue Shen (UIUC)
 

A equipa disse que, na realidade, os quasares não se estão a mover pelo espaço de forma mensurável. Ao invés, o movimento subtil pode ser evidência de flutuações aleatórias de luz, uma vez que cada membro do par de quasares varia em brilho e em escalas de tempo de dias a meses, dependendo do "horário de alimentação" do buraco negro. Este brilho alternado entre o par de quasares é semelhante a ver um sinal de travessia de uma linha férrea à distância. Como as luzes de ambos os lados do sinal estacionário piscam alternadamente, o sinal dá a ilusão de se mover.

Outro desafio é que, dado que a gravidade distorce o espaço, uma galáxia em primeiro plano poderia dividir a imagem de um quasar distante em dois, criando a ilusão de que se trata de um binário. O telescópio Keck foi utilizado para garantir que não havia uma galáxia a servir como lente gravitacional entre a Terra e o quasar duplo suspeito.

Uma vez que o Hubble observa o passado distante, este quasar duplo já não existe. Ao longo dos 10 mil milhões de anos que se seguiram, as suas galáxias hospedeiras provavelmente fundiram-se numa galáxia elíptica gigante, como as que hoje se veem no Universo local. E os quasares fundiram-se para formar um único buraco negro supermassivo e gigantesco no seu centro. M87, uma galáxia elíptica gigante nossa vizinha, tem um buraco negro supermassivo com 6,5 mil milhões de vezes a massa do nosso Sol. Talvez este buraco negro tenha sido criado a partir de uma ou mais fusões galácticas ao longo dos últimos milhares de milhões de anos.

O futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, com a mesma acuidade visual que o Hubble, é ideal para caçar quasares binários. O Hubble tem sido utilizado para registar cuidadosamente dados de alvos individuais. Mas a visão infravermelha e de grande angular do Roman é 200 vezes maior do que a do Hubble. "Muitos quasares podem ser sistemas binários. O telescópio Roman pode fazer enormes avanços nesta área de investigação", conclui Liu.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Universidade de Illinois em Urbana-Champaign (comunicado de imprensa)
// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Observatório Gemini (comunicado de imprensa)
// Universidade Carnegie Mellon (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

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Quasar:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
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NGAs (Núcleos Galácticos Ativos):
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Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
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SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Gaia:
ESA
ESA - 2
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Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
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Observatório W. M. Keck:
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RST ([Nancy Grace] Roman Space Telescope, anteriormente WFIRST):
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A gravidade curva a luz para revelar um dos maiores buracos negros jamais encontrados
 
Impressão de artista de um buraco negro que mostra como o campo gravitacional curva a luz mais distante.
Crédito: FECYT, IAC
 

Uma equipa de astrónomos, liderada pelo Dr. James Nightingale do Departamento de Física da Universidade de Durham, descobriu um dos maiores buracos negros jamais encontrados, tirando partido de um fenómeno chamado lente gravitacional.

A gravidade curva a luz

As lentes gravitacionais - onde uma galáxia em primeiro plano curva a luz de um objeto mais distante e a amplia - e as simulações de supercomputador nas instalações DiRAC (Distributed Research Utilising Advanced Computing) HPC (High Performance Computing) permitiram à equipa examinar de perto como a luz é "dobrada" por um buraco negro no interior de uma galáxia a centenas de milhões de anos-luz da Terra.

A equipa simulou luz que viajava pelo Universo centenas de milhares de vezes, com cada simulação a incluir um buraco negro de massa diferente, mudando a viagem da luz à Terra.

30 mil milhões de vezes a massa do nosso Sol

Quando os investigadores incluíram um buraco negro ultramassivo numa das suas simulações, o percurso tomado pela luz da galáxia distante, até chegar à Terra, coincidiu com o percurso visto em imagens reais captadas pelo Telescópio Espacial Hubble.

O que a equipa encontrou foi um buraco negro ultramassivo, um objeto com mais de 30 mil milhões de vezes a massa do nosso Sol, na galáxia em primeiro plano - uma escala raramente vista pelos astrónomos.

Este é o primeiro buraco negro encontrado usando lentes gravitacionais e as descobertas foram publicadas na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

 
Imagem, pelo instrumento MUSE do VLT, da galáxia Abell 1201 BCG, mostrando claramente a galáxia que sofre efeito de lente gravitacional.
Crédito: Smith et al., MNRAS, 2017
 

Olhando para trás no tempo cósmico

A maioria dos maiores buracos negros que conhecemos estão num estado ativo, onde a matéria que é puxada para perto do buraco negro aquece e liberta energia sob a forma de luz, raios-X e outros tipos de radiação.

A lente gravitacional torna possível o estudo de buracos negros inativos, algo atualmente não possível em galáxias distantes. Esta abordagem poderia permitir aos astrónomos descobrir muitos mais buracos negros inativos e ultramassivos do que se pensava anteriormente e investigar como ficaram tão grandes.

A história desta descoberta em particular começou em 2004 quando o astrónomo da Universidade de Durham, o professor Alastair Edge, notou um arco gigante de uma lente gravitacional ao rever imagens de um levantamento de galáxias.

Avançando rapidamente 19 anos com a ajuda de algumas imagens de altíssima resolução pelo Telescópio Hubble da NASA e das instalações do supercomputador DiRAC COSMA8 da Universidade de Durham, o Dr. Nightingale e a sua equipa puderam revisitá-lo e explorá-lo mais a fundo.

Explorando os mistérios dos buracos negros

A equipa espera que este seja o primeiro passo para permitir uma exploração mais profunda dos mistérios dos buracos negros e que os futuros grandes telescópios ajudem os astrónomos a estudar buracos negros ainda mais distantes para aprenderem mais sobre o seu tamanho e escala.

// Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
// Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// A gravidade curva a luz para revelar um dos maiores buracos negros jamais encontrado (DurhamUniversity via YouTube)

 


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Abell 1201:
Simbad
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Buraco negro supermassivo:
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Lentes gravitacionais:
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Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

DiRAC (Distributed Research Utilising Advanced Computing):
Página principal
Universidade de Durham
COSMA8 (Universidade de Durham)

 
   
Uma nova medição pode mudar a nossa compreensão do Universo

O Universo está a expandir-se - mas a que velocidade exatamente? A resposta parece depender se estimamos o ritmo cósmico - referido como constante de Hubble (ou H0) - com base no eco do Big Bang (a radiação cósmica de fundo em micro-ondas) ou se medimos diretamente com base nas estrelas e galáxias de hoje. Este problema, conhecido como a tensão de Hubble, tem intrigado astrofísicos e cosmólogos de todo o mundo.

 
Imagem, obtida pelo Hubble, de uma variável cefeida de nome RS Puppis.
Crédito: NASA, ESA e Equipa do Legado Hubble (STScI/AURA)-Hubble/Colaboração Europeia; reconhecimento - H. Bond (STScI e Universidade Estatal da Pensilvânia)
 

Um estudo realizado pelo grupo de investigação SCD (Standard Candles and Distances), liderado por Richard Anderson do Instituto de Física da EPFL (École polytechnique fédérale de Lausanne), acrescenta uma nova peça ao puzzle. A sua investigação, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, alcançou a calibração mais precisa, até à data, das estrelas cefeidas - um tipo de estrela variável cuja luminosidade flutua durante um período definido - para medições de distância com base em dados recolhidos pela missão Gaia da ESA. Esta nova calibração amplifica ainda mais a tensão de Hubble.

A constante de Hubble (H0) tem o nome do astrofísico que, juntamente com Georges Lemaître, descobriu o fenómeno no final da década de 1920. É medida em quilómetros por segundo por megaparsec (km/s/Mpc), onde 1 Mpc corresponde a cerca de 3,26 milhões de anos-luz.

A melhor medição direta de H0 usa uma "escada de distâncias cósmicas", cujo primeiro degrau é definido pela calibração absoluta do brilho das cefeidas, agora recalibrada pelo estudo da EPFL. Por sua vez, as cefeidas calibram o próximo degrau da escada, onde as supernovas - poderosas explosões de estrelas no final das suas vidas - rastreiam a expansão do próprio espaço. Esta escada de distâncias, medida pela equipa SH0ES (Supernova H0 for the Equation of State), liderada por Adam Riess, vencedor do Prémio Nobel da Física em 2011, coloca H0 em 73,0 ± 1.0 km/s/Mpc.

Primeira radiação após o Big Bang

A constante de Hubble também pode ser determinada pela radiação cósmica de fundo em micro-ondas - que é a radiação de micro-ondas, omnipresente e remanescente, do Big Bang há mais de 13 mil milhões de anos. No entanto, este método de medição "precoce do Universo" tem de assumir a compreensão física mais detalhada de como o Universo evolui, tornando-o dependente de modelos. O satélite Planck da ESA forneceu os dados mais completos desta radiação de fundo em micro-ondas e, de acordo com este método, H0 corresponde a 67,4 ± 0,5 km/s/Mpc.

A tensão de Hubble refere-se a esta discrepância de 5,6 km/s/Mpc, dependendo se é utilizado o método da radiação cósmica de fundo (Universo primitivo) ou o método de escada de distâncias cósmicas (Universo moderno). A implicação, desde que as medições efetuadas em ambos os métodos estejam corretas, é que há algo de errado na compreensão das leis físicas básicas que governam o Universo. Naturalmente, esta grande questão sublinha o quanto é essencial que os métodos dos astrofísicos sejam fiáveis.

 
A escada de distâncias cósmicas.
Crédito: NASA, ESA, A. Feild (STScI) e A. Reiss (STScI/JHU)
 

O novo estudo da EPFL é muito importante porque reforça o primeiro degrau da escada de distâncias cósmicas, melhorando a calibração das cefeidas como rastreadores de distância. De facto, a nova calibração permite-nos medir distâncias astronómicas até ± 0.9% e isto fornece um forte apoio à medição do Universo moderno. Adicionalmente, os resultados da EPFL, em colaboração com a equipa SH0ES, ajudou a refinar a medição da constante de Hubble, resultando numa maior precisão e num aumento da significância da tensão de Hubble.

"O nosso estudo confirma o ritmo de expansão de 73 km/s/Mpc mas, mais importante, também fornece as calibrações mais precisas e fiáveis, até à data, das cefeidas como ferramentas para medir distâncias", diz Anderson. "Desenvolvemos um método que procurou cefeidas pertencentes a enxames de estrelas, compostos por várias centenas de milhares de estrelas, testando se as estrelas se movem juntas pela Via Láctea. Graças a este truque, pudemos tirar partido do melhor conhecimento das medições de paralaxe do Gaia, beneficiando simultaneamente do ganho de precisão proporcionado pelas muitas estrelas dos enxames. Isto permitiu-nos levar a precisão da paralaxe do Gaia ao seu limite e fornece a base mais firme sobre a qual a escada de distâncias cósmicas se pode apoiar".

Repensando conceitos básicos

Porque é que uma diferença de apenas alguns km/s/Mpc importa, dada a vasta escala do Universo? "Esta discrepância tem um enorme significado", diz Anderson. "Suponhamos que queríamos construir um túnel escavando em dois lados opostos de uma montanha. Assumindo que compreendemos corretamente o tipo de rocha e se os nossos cálculos estiverem corretos, então os dois buracos que estamos a escavar vão encontrar-se no centro. Mas, se isso não acontecer, isso significa que cometemos um erro - ou os cálculos estão errados ou estamos errados quanto ao tipo de rocha. É isso que está a acontecer com a constante de Hubble. Quanto mais confirmarmos que os nossos cálculos estão corretos, mais podemos concluir que a discrepância significa que a nossa compreensão do Universo está errada, que o Universo não é exatamente como pensávamos que era".

A discrepância tem muitas outras implicações. Põe em causa os próprios fundamentos, como a natureza exata da energia escura, o continuum espaço-tempo e a gravidade. "Significa que temos de repensar os conceitos básicos que formam a base da nossa compreensão geral da física", diz Anderson.

O estudo do seu grupo de investigação também dá um importante contributo noutras áreas. "Tendo em conta que as nossas medições são tão precisas, dão-nos uma visão da geometria da Via Láctea", diz Mauricio Cruz Reyes, estudante de doutoramento no grupo de investigação de Anderson e autor principal do estudo. "A calibração altamente precisa que desenvolvemos permitir-nos-á determinar melhor o tamanho e a forma da Via Láctea como uma galáxia de disco plano e a sua distância a outras galáxias, por exemplo. O nosso trabalho também confirmou a fiabilidade dos dados do Gaia, comparando-os com os obtidos a partir de outros telescópios".

// EPFL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Determinando a constante de Hubble (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)

Cefeidas:
Wikipedia
SEDS

Paralaxe:
Wikipedia
Paralaxe estelar (Wikipedia)

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

 
   
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  Afinal o Sol é mesmo uma estrela normal (via Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço)
Recorrendo a dados dos satélites Kepler (NASA), Gaia (ESA) e SOHO (NASA/ESA), uma equipa liderada pela investigadora do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, Ângela Santos, parece ter posto um fim à ideia de que o Sol não seria uma estrela normal, do "tipo solar". Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias
Olympus Mons: O Maior Vulcão do Sistema Solar

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESADLRFU BerlimMars Express; Processamento - Andrea Luck
 
O maior vulcão do nosso Sistema Solar encontra-se em Marte. Embora três vezes mais alto do que o Monte Evereste da Terra, Olympus Mons não será difícil de escalar para os humanos devido às encostas muito pouco íngremes do vulcão e à baixa gravidade de Marte. Cobrindo uma área maior do que toda a cadeia de vulcões do Hawaii, as encostas de Olympus Mons normalmente sobem apenas alguns graus de cada vez. Olympus Mons é um imenso vulcão em escudo, construído há muito tempo por lava fluída. Uma crosta de superfície relativamente estática permitiu a sua acumulação ao longo do tempo. Pensa-se que a sua última erupção tenha sido há cerca de 25 milhões de anos. A imagem em destaque foi obtida pela nave espacial robótica Mars Express da ESA, atualmente em órbita do Planeta Vermelho.
 
   
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