APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Por baixo das nuvens de Vénus! Data: 11 de maio de 2023 Hora: 20:30-22:30
Nesta atividade observaremos o céu a olho nu, falaremos um pouco sobre o planeta Vénus e voltaremos depois à observação do céu recorrendo ao telescópio, sem Lua no céu.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito. Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido. Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 05/05: 125.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1961, Alan Shepard torna-se o primeiro norte-americano no espaço, a bordo da nave Freedom 7.
O seu voo sub-orbital dura 15 minutos. HOJE, NO COSMOS:
Lua Cheia, pelas 18:34.
Procure a Lua a nascer a este-sudeste cerca de 20 minutos após o pôr-do-Sol. Depois do cair da noite, brilha no centro da ténue constelação de Balança, bem para baixo de Arcturo e para baixo e para a esquerda de Espiga.
Mais tarde, observe Delta Scorpii (Dschubba) a nascer cerca de um punho à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural, e depois Antares
para baixo e para a esquerda de Delta Scorpii.
DIA 06/05: 126.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1872, nascia Willem de Sitter, matemático, físico e astrónomo holandês.
Fez grandes contribuições para o campo da cosmologia física. Foi coautor, juntamente com Einstein, de um artigo onde explicavam que deveria existir grandes quantidades de matéria que não emitia luz, atualmente chamada matéria escura. É também famoso pela sua pesquisa sobre o planeta Júpiter. HOJE, NO COSMOS:
Vénus permanece praticamente à mesma altura que tem estado ao lusco-fusco, a oeste, há já algumas semanas, mas as pontas dos chifres de Touro (Beta e Zeta Tauri) "deslizam" para mais perto do horizonte a cada dia que passa.
Pico da chuva de meteoros das Eta Aquáridas.
Pobre visibilidade devido à posição do radiante no céu, à hora do pico, e também devido à presença da Lua, cujo luar interfere com as observações.
DIA 07/05: 127.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1975, era lançado o Observatório Espacial de raios-X, Explorer 53.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour descolava pela primeira vez (STS-49).
Em 1997, a sonda Galileo fazia o seu quarto voo rasante por Ganimedes. HOJE, NO COSMOS:
Já passou praticamente uma semana desde o início de maio, mas
Sirius ainda brilha baixa a oeste-sudoeste ao final do lusco-fusco. Põe-se pouco tempo depois. Durante quanto mais tempo conseguiremos ver Sirius? Por outras palavras, quando será o seu "pôr heliacal", a partir da posição do observador? Quanto mais para sul estiver, mais tarde na estação será.
DIA 08/05: 128.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1962, era lançado o primeiro foguetão Atlas Centauro. HOJE, NO COSMOS:
O verão ainda está a cerca de sete semanas de distância, mas o Triângulo de Verão já está a fazer a sua aparição a este, estrela após estrela. A primeira a surgir é Vega. Já é visível baixa a nordeste ao lusco-fusco. A seguinte é Deneb, para baixo e para a esquerda de Vega, a cerca de dois ou três punhos à distância do braço esticado. Deneb aparece cerca de uma hora depois de Vega.
A terceira é Altair, que nasce bem para baixo e para a direita das duas estrelas anteriores perto da meia-noite.
Descoberta uma estrela a devorar um planeta: possível antevisão do destino final da Terra
Impressão de artista de uma estrela a devorar um dos seus planetas.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/M. Garlick/M. Zamani
Os astrónomos que utilizam o telescópio Gemini South no Chile, operado pelo NOIRLab da NSF (National Science Foundation), observaram a primeira evidência de uma estrela moribunda, semelhante ao Sol, a engolir um exoplaneta. A "arma fumegante" deste acontecimento foi vista num surto longo e de baixa energia da estrela - a assinatura reveladora de um planeta a deslizar ao longo da superfície de uma estrela. Este processo nunca antes visto pode anunciar o destino final da Terra, quando o nosso próprio Sol se aproximar do fim da sua vida, dentro de cerca de cinco mil milhões de anos.
Ao estudar inúmeras estrelas em várias fases da sua evolução, os astrónomos têm conseguido compreender o ciclo de vida das estrelas e a forma como estas interagem com os sistemas planetários que as rodeiam à medida que envelhecem. Esta investigação confirma que, quando uma estrela semelhante ao Sol se aproxima do fim da sua vida, expande-se entre 100 e 1000 vezes o seu tamanho original, acabando por engolir os planetas interiores do sistema. Estima-se que tais eventos ocorram apenas algumas vezes por ano em toda a Via Láctea. Embora observações anteriores tenham confirmado a ocorrência de "engolfamentos planetários", os astrónomos nunca tinham apanhado um em flagrante, até agora.
Com o poder do GSAOI (Gemini South Adaptive Optics Imager) no Gemini South, uma metade do Observatório Internacional Gemini, operado pelo NOIRLab da NSF, os astrónomos observaram a primeira evidência direta de uma estrela moribunda a expandir-se para engolir um dos seus planetas. A evidência deste evento foi encontrada num surto "longo e de baixa energia" de uma estrela na Via Láctea a cerca de 13.000 anos-luz de distância. Este evento, o devorar de um planeta por uma estrela inchada, pressagia provavelmente o destino final de Mercúrio, de Vénus e da Terra quando o nosso Sol começar a sua morte agonizante daqui a cerca de cinco mil milhões de anos.
"Estas observações fornecem uma nova perspetiva para encontrar e estudar os milhares de milhões de estrelas da nossa Via Láctea que já consumiram os seus planetas", diz Ryan Lau, astrónomo do NOIRLab e coautor deste estudo, publicado na revista Nature.
Durante a maior parte da sua vida, uma estrela do tipo do Sol funde hidrogénio em hélio no seu núcleo quente e denso, o que lhe permite fazer frente ao peso esmagador das suas camadas exteriores. Quando o hidrogénio no núcleo se esgota, a estrela começa a fundir hélio em carbono e a fusão do hidrogénio migra para as camadas exteriores da estrela, provocando a sua expansão e transformando a estrela semelhante ao Sol numa gigante vermelha.
No entanto, tal transformação é uma má notícia para qualquer planeta interior no sistema. Quando a superfície da estrela se expande para engolir um dos seus planetas, a sua interação desencadeia um surto espetacular de energia e matéria. Este processo também travaria a velocidade orbital do planeta, fazendo-o mergulhar na estrela.
Infográfico de uma estrela a devorar um planeta.
Crédito: Observatório Internacional Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/P. Marenfeld
Os primeiros indícios deste evento foram descobertos em imagens óticas do ZTF (Zwicky Transient Facility). A cobertura infravermelha de arquivo pelo NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA, que é capaz de perscrutar ambientes poeirentos em busca de explosões e outros eventos transientes, confirmou então o evento de engolfamento, denominado ZTF SLRN-2020. "A reanálise personalizada, pela nossa equipa, de mapas infravermelhos de todo o céu obtidos pelo NEOWISE, exemplifica o vasto potencial de descoberta de conjuntos de dados nos arquivos dos levantamentos", disse Aaron Meisner, astrónomo do NOIRLab e outro coautor do artigo científico.
A distinção entre um surto de engolfamento planetário e outros tipos de atividades violentas, como proeminências ou ejeções de massa coronal, é difícil e requer observações de alta resolução para identificar a localização de um surto e medições a longo prazo do seu brilho sem contaminação de estrelas próximas.
O Gemini South forneceu estes dados essenciais graças às suas capacidades de óticas adaptativas.
"O Gemini South continua a expandir a nossa compreensão do Universo e estas novas observações apoiam as previsões para o futuro do nosso próprio planeta", disse Martin Still, diretor do programa do Observatório Gemini da NSF. "Esta descoberta é um exemplo maravilhoso dos feitos que podemos realizar quando combinamos operações de telescópios de classe mundial e colaboração científica de ponta".
"Com estes novos e revolucionários levantamentos óticos e infravermelhos, estamos agora a testemunhar a ocorrência de tais eventos em tempo real na nossa própria Via Láctea - uma antevisão do nosso futuro quase certo como planeta", disse Kishalay De, astrónomo no MIT (Massachusetts Institute of Technology) e autor principal do artigo científico.
O surto de engolfamento durou cerca de 100 dias e as características da sua curva de luz, bem como o material ejetado, deram aos astrónomos uma ideia da massa da estrela e do planeta consumido. O material ejetado consistia em cerca de 33 massas terrestres de hidrogénio e cerca de 0,33 massas terrestres de poeira. "É mais material de formação estelar e planetária a ser reciclado, ou 'arrotado', para o meio interestelar graças ao facto de a estrela ter comido o planeta", disse Lau. A partir desta análise, a equipa estimou que a estrela progenitora tem cerca de 0,8-1,5 vezes a massa do nosso Sol e que o planeta engolido tem 1-10 vezes a massa de Júpiter.
Agora que as assinaturas de um engolfamento planetário foram identificadas pela primeira vez, os astrónomos dispõem de melhores métricas que podem utilizar para procurar eventos semelhantes noutras partes do cosmos. Isto será especialmente importante quando o Observatório Vera C. Rubin entrar em funcionamento em 2025. Por exemplo, os efeitos observados da poluição química na estrela remanescente, quando observados noutros locais, podem indicar que ocorreu um engolfamento. A interpretação deste evento também fornece evidências de um elo em falta na nossa compreensão da evolução e do destino final dos sistemas planetários, incluindo o nosso.
"Penso que há algo de notável nestes resultados que nos diz mais sobre a brevidade da nossa existência", diz Lau. "Depois de milhares de milhões de anos no nosso Sistema Solar, a fase final da Terra irá provavelmente terminar num flash que dura apenas alguns meses".
Astrónomos descobrem nuvens de gás distantes com restos das primeiras estrelas
Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os investigadores descobriram pela primeira vez as impressões digitais deixadas pela explosão das primeiras estrelas do Universo. Os cientistas detetaram três nuvens de gás distantes, cuja composição química corresponde à que se espera das primeiras explosões estelares. Estes resultados ajudam-nos a compreender melhor a natureza das primeiras estrelas que se formaram após o Big Bang.
Esta imagem artística mostra uma nuvem de gás distante que contém diferentes elementos químicos, ilustrados aqui por representações esquemáticas dos vários átomos.
Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos detetaram três nuvens de gás distantes, cuja composição química corresponde à que se espera das explosões das primeiras estrelas que apareceram no Universo. Estas estrelas primordiais podem ser estudadas de forma indireta ao analisar os elementos químicos que dispersaram no seu meio envolvente após a sua morte sob a forma de explosões de supernova. As três nuvens distantes detetadas neste estudo são ricas em carbono, oxigénio e magnésio, mas pobres em ferro: exatamente a assinatura que se espera das explosões das primeiras estrelas.
Crédito: ESO/L. Calçada, M. Kornmesser
"Conseguimos, pela primeira vez, identificar os vestígios químicos das explosões das primeiras estrelas em nuvens de gás muito distantes", afirma Andrea Saccardi, estudante de doutoramento no Observatório de Paris - PSL, que liderou este estudo durante a sua tese de mestrado na Universidade de Florença.
Os investigadores pensam que as primeiras estrelas que se formaram no Universo eram muito diferentes das que vemos atualmente. Quando surgiram, há 13,5 mil milhões de anos, estas estrelas continham apenas hidrogénio e hélio, os elementos químicos mais simples que existem na natureza. Estas estrelas primordiais, que se pensa que eram dezenas ou centenas de vezes mais massivas do que o nosso Sol, morreram rapidamente em poderosas explosões de supernova, enriquecendo pela primeira vez o gás circundante com elementos mais pesados. Gerações posteriores de estrelas formaram-se a partir desse gás enriquecido e, por sua vez, ejetaram também elementos mais pesados para o meio interestelar na altura da sua morte. Mas se as primeiras estrelas já desapareceram há muito tempo, como é que os investigadores podem saber mais sobre elas? "As estrelas primordiais podem ser estudadas de forma indireta através da deteção dos elementos químicos que dispersaram no seu meio após a sua morte", diz Stefania Salvadori, Professora Associada da Universidade de Florença e coautora do estudo publicado na revista da especialidade The Astrophysical Journal.
Utilizando dados obtidos com o VLT do ESO, no Chile, a equipa encontrou três nuvens de gás muito distantes, observadas quando o Universo tinha apenas 10-15% da sua idade atual, com uma impressão digital química que corresponde ao que esperamos das explosões das primeiras estrelas. Dependendo da massa destas estrelas primitivas e da energia das suas explosões, estas primeiras supernovas libertaram diferentes elementos químicos, como o carbono, o oxigénio e o magnésio, que estão presentes nas camadas exteriores das estrelas. Mas algumas destas explosões não foram suficientemente energéticas para expelir elementos mais pesados, como o ferro, que se encontra apenas nos núcleos das estrelas. Uma vez que a presença de ferro nas nuvens de gás resultantes tornaria difícil ter a certeza de que o material era verdadeiramente pristino, a equipa procurou apenas nuvens de gás distantes pobres em ferro, mas ricas noutros elementos, os restos das explosões de mais baixa energia. E foi exatamente isso que encontrou: três nuvens distantes no Universo primitivo com muito pouco ferro, mas imenso carbono e outros elementos — a impressão digital das explosões das primeiras estrelas.
Observa-se igualmente esta composição química peculiar em muitas estrelas velhas da nossa própria Galáxia, as quais são consideradas estrelas de segunda geração, isto é, estrelas que se formaram diretamente a partir das "cinzas" das primeiras. Este novo estudo encontrou essas cinzas no Universo primordial, acrescentando assim mais uma peça a este "puzzle". "A nossa descoberta abre novos caminhos no estudo indireto da natureza das primeiras estrelas, complementando plenamente os estudos de estrelas da nossa Galáxia", explica Salvadori.
Este diagrama ilustra a maneira como os astrónomos analisam a composição química de nuvens de gás distantes utilizando a luz de um objeto de fundo como um quasar.
Quando a luz do quasar passa através da nuvem de gás, os elementos químicos aí existentes absorvem cores, ou comprimentos de onda, deixando riscas escuras no espectro do quasar. Cada elemento deixa um conjunto diferente de riscas, por isso, ao estudar o espectro, os astrónomos conseguem determinar a composição química da nuvem de gás interveniente.
Crédito: ESO/L. Calçada
Para detetar e estudar estas nuvens de gás distantes, a equipa utilizou os chamados quasares - fontes muito brilhantes alimentadas por buracos negros supermassivos existentes nos centros de galáxias distantes. À medida que viaja pelo Universo, a luz de um quasar passa por nuvens de gás, ficando assim marcada pelos diferentes elementos químicos da nuvem que atravessa.
De maneira a encontrar estas marcas químicas, a equipa analisou dados de vários quasares observados com o instrumento X-shooter, montado no VLT do ESO. O X-shooter separa a luz numa gama extremamente vasta de comprimentos de onda, ou cores, o que o torna um instrumento único para identificar muitos elementos químicos diferentes nestas nuvens distantes.
Este estudo abre novas perspetivas para a próxima geração de telescópios e instrumentos, como o futuro ELT (Extremely Large Telescope) do ESO e o seu espectrógrafo de alta resolução ANDES (ArmazoNes high Dispersion Echelle Spectrograph). "Com o ANDES montado no ELT, poderemos estudar com extremo detalhe muitas destas nuvens raras de gás, conseguindo finalmente desvendar a natureza misteriosa das estrelas primordiais", conclui Valentina D'Odorico, investigadora no Instituto Nacional de Astrofísica, em Itália, e coautora deste estudo.
Webb encontra vapor de água, mas de um planeta rochoso ou da sua estrela?
Esta ilustração representa o exoplaneta rochoso GJ 486 b, que orbita uma estrela anã vermelha a apenas 26 anos-luz de distância, na direção da constelação de Virgem. Ao observar o trânsito de GJ 486 b em frente da sua estrela, os astrónomos procuraram sinais de uma atmosfera. Detetaram indícios de vapor de água. No entanto, eles alertam que, embora isso possa ser um sinal de uma atmosfera planetária, a água pode estar na própria estrela - especificamente, em manchas estelares frias - e não no planeta.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
As anãs vermelhas são as estrelas mais comuns no Universo, o que significa que é mais provável encontrar exoplanetas rochosos em órbita de estrelas deste tipo. As estrelas anãs vermelhas são frias, pelo que um planeta tem de a "abraçar" numa órbita apertada para se manter suficientemente quente para, potencialmente, albergar água líquida (o que significa que se encontra na zona habitável). Estas estrelas são também ativas, particularmente quando são jovens, libertando radiação ultravioleta e raios-X que podem destruir atmosferas planetárias. Consequentemente, uma questão importante em aberto na astronomia é saber se um planeta rochoso poderia manter, ou restabelecer, uma atmosfera num ambiente tão hostil.
Para ajudar a responder a esta questão, os astrónomos utilizaram o Telescópio Espacial James Webb da NASA para estudar um exoplaneta rochoso conhecido como GJ 486 b. Está demasiado perto da sua estrela para estar dentro da zona habitável, com uma temperatura à superfície de cerca de 430 graus Celsius. E, no entanto, as suas observações usando o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb mostram indícios de vapor de água. Se o vapor de água estiver associado ao planeta, isso indicaria que este tem uma atmosfera, apesar da sua temperatura escaldante e da proximidade à estrela. O vapor de água já foi observado em exoplanetas gasosos, mas até à data não foi definitivamente detetada qualquer atmosfera em torno de um exoplaneta rochoso. No entanto, a equipa adverte que o vapor de água pode estar na própria estrela - especificamente, em manchas estelares frias - e não no planeta.
"Vemos um sinal e é quase certo que se deve à água. Mas ainda não podemos dizer se essa água faz parte da atmosfera do planeta, o que significa que o planeta tem uma atmosfera, ou se estamos apenas a ver uma assinatura da água vinda da estrela", disse Sarah Moran da Universidade do Arizona em Tucson, autora principal do estudo.
"O vapor de água numa atmosfera de um planeta quente e rochoso representaria um grande avanço para a ciência exoplanetária. Mas temos de ter cuidado e certificarmo-nos de que a estrela não é a culpada", acrescentou Kevin Stevenson do JHUAPL (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory), investigador principal do programa.
GJ 486 b é cerca de 30% maior do que a Terra e três vezes mais massivo, o que significa que é um mundo rochoso com uma gravidade mais forte do que a do nosso planeta. Orbita uma estrela anã vermelha em pouco menos de 1,5 dias terrestres. Espera-se que sofra acoplamento de maré, com um lado diurno permanente e um lado noturno permanente.
GJ 486 b transita a sua estrela, passando à sua frente a partir do nosso ponto de vista. Se tiver uma atmosfera, quando transita, a luz estelar filtra-se através desses gases, imprimindo impressões digitais na luz que permitem aos astrónomos descodificar a sua composição através de uma técnica chamada espectroscopia de transmissão.
A equipa observou dois trânsitos, cada um com a duração de cerca de uma hora. Depois utilizaram três métodos diferentes para analisar os dados resultantes. Os resultados dos três métodos são consistentes, na medida em que mostram um espectro praticamente plano, com um aumento intrigante nos comprimentos de onda infravermelhos mais curtos. A equipa correu modelos informáticos considerando uma série de moléculas diferentes e concluiu que a fonte mais provável do sinal era o vapor de água.
Este gráfico mostra o espectro de transmissão obtido pelas observações do Webb do exoplaneta rochoso GJ 486 b. A análise da equipa científica mostra indícios de vapor de água; no entanto, os modelos de computador mostram que o sinal pode ser de uma atmosfera planetária rica em água (indicada pela linha azul) ou de manchas estelares da estrela anã vermelha hospedeira (indicada pela linha amarela). Os dois modelos divergem visivelmente nos comprimentos de onda infravermelhos mais curtos, indicando que serão necessárias observações adicionais com outros instrumentos do Webb para determinar a origem do sinal da água.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Joseph Olmsted (STScI)
Embora o vapor de água possa indicar, potencialmente, a presença de uma atmosfera em GJ 486 b, uma explicação igualmente plausível é vapor de água na estrela. Surpreendentemente, mesmo no nosso próprio Sol, o vapor de água pode por vezes existir nas manchas solares, porque estas manchas solares são muito frias em comparação com a superfície estelar circundante. A estrela-mãe de GJ 486 b é muito mais fria do que o Sol, pelo que ainda mais vapor de água se concentraria nas suas manchas estelares. Como resultado, poderia criar um sinal que imitasse uma atmosfera planetária.
"Não observámos indícios de que o planeta tenha atravessado quaisquer manchas estelares durante os trânsitos. Mas isso não significa que não existam manchas estelares noutros locais na estrela. E esse é exatamente o cenário físico que imprimiria este sinal de água nos dados e poderia acabar por se assemelhar a uma atmosfera planetária", explicou Ryan MacDonald da Universidade de Michigan em Ann Arbor, um dos coautores do estudo.
Seria de esperar que uma atmosfera de vapor de água sofresse uma erosão gradual devido ao aquecimento e irradiação. Consequentemente, a existir uma atmosfera, é provável que tenha de ser constantemente reabastecida por vulcões que ejetam vapor do interior do planeta. Se a água estiver, de facto, na atmosfera do planeta, são necessárias observações adicionais para determinar a quantidade de água presente.
Futuras observações com o JWST poderão lançar mais luz sobre este sistema. Um programa vindouro irá usar o MIRI (Mid-Infrared Instrument) para observar o lado diurno do planeta. Se o planeta não tiver atmosfera, ou se tiver apenas uma fina atmosfera, então espera-se que a parte mais quente do lado diurno esteja diretamente debaixo da estrela. No entanto, se o ponto mais quente estiver deslocado, isso indicaria uma atmosfera que pode fazer circular o calor.
Em última análise, serão necessárias observações a comprimentos de onda infravermelhos mais curtos por outro instrumento do Webb, o NIRISS (Near-Infrared Imager and Slitless Spectrograph), para diferenciar entre a atmosfera planetária e os cenários de manchas estelares.
"É a junção de vários instrumentos que vai realmente determinar se este planeta tem ou não uma atmosfera", disse Stevenson.
O estudo foi aceite para publicação na revista The Astrphysical Journal Letters.
Cientistas usam o poder da IA para melhorar os estudos planetários (via Universidade de Aberdeen)
Uma nova técnica de deteção de crateras planetárias, que permitirá aos cientistas cartografar com precisão as superfícies dos planetas utilizando diferentes tipos de dados, foi descrita como um "factor de mudança" que poderá ser utilizado em futuras missões espaciais. Uma equipa de investigadores da Universidade de Aberdeen desenvolveu um novo algoritmo universal de deteção de crateras utilizando o SAM (Segment Anything Model) de IA da META. Lançado no início deste mês, é um novo modelo de inteligência artificial que pode "cortar" automaticamente qualquer objcto em qualquer imagem. Ler fonte
Buracos negros de massa intermédia comem estrelas como "crianças trapalhonas" (via Universidade Northwestern)
Se existirem, os buracos negros de massa intermédia provavelmente devoram estrelas fugitivas como uma criança trapalhona - dando umas dentadas e depois atirando o que resta por toda a galáxia -, segundo um novo estudo realizado pela Universidade Northwestern. Recorrendo a novas simulações computorizadas em 3D, os astrofísicos modelaram buracos negros de várias massas e depois atiraram estrelas (mais ou menos do tamanho do nosso Sol) contra eles para ver o que poderia acontecer. Ler fonte
Álbum de fotografias Centauro A: Uma Ilha Peculiar de Estrelas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Marco Lorenzi, Angus Lau e Tommy Tse
As galáxias são fascinantes. Nas galáxias, só a gravidade mantém juntas coleções massivas de estrelas, poeira, gás interestelar, remanescentes estelares e matéria escura. Na imagem está NGC 5128, mais conhecida por Centauro A. Cen A é a quinta galáxia mais brilhante do céu e está localizada a uma distância de cerca de 12 milhões de anos-luz da Terra. O aspeto deformado de Cen A é o resultado de uma fusão entre uma galáxia elíptica e uma galáxia espiral. O seu núcleo galáctico ativo alberga um buraco negro supermassivo que é cerca de 55 milhões de vezes mais massivo do que o nosso Sol. Este buraco negro central ejeta um jato veloz visível tanto no rádio como em raios-X. Os filamentos do jato são visíveis a vermelho no canto superior esquerdo. Novas observações do EHT (Event Horizon Telescope) revelaram um aumento no brilho do jato apenas nas suas extremidades - mas por razões que são atualmente desconhecidas e que é um tópico ativo de investigação.
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