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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2005  
  26/05 a 29/05/2023  
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 26/05: 146.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1951, nascia Sally Ride, a primeira mulher americana no espaço.
Em 1969, a Apollo 10 regressa à Terra após oito dias, durante os quais foram testados todos os componentes necessários para a primeira aterragem lunar.

HOJE, NO COSMOS:
A Lua, praticamente em Quarto Crescente, brilha esta noite perto da "foice" de Leão. Está quase entre as duas estrelas mais brilhantes da "foice": Régulo, para a esquerda do nosso satélite natural, e a mais ténue Gamma Leonis, ou Algieba, para a direita.

 

DIA 27/05: 147.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1999, lançamento da missão STS-96 do vaivém Discovery.

HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 16:22.
Esta noite a Lua brilha por baixo da secção do meio de Leão, quase entre Régulo, para baixo e para a direita do nosso satélite natural, e Beta Leonis ou Denébola, para cima e para a esquerda, a ponta da cauda de Leão.

 

DIA 28/05: 148.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 585 AC, ocorre um eclipse solar, como previsto pelo filósofo e cientista grego Tales de Mileto, durante o qual Aliates II enfrenta Cyaxares na Batalha de Halys ou Batalha do Eclipse, o que leva a uma trégua. Esta é uma das datas mais importantes, a partir da qual outras datas podem ser calculadas. No entanto, vários especialistas disputam esta previsão, dado o conhecimento astronómico disponível na altura.
Em 1879, nascia Milutin Milankovitch, astrónomo, matemático, climatólogo, geofísico, engenheiro civil e doutor de tecnologia sérvio, que fez duas importantes contribuições para a Ciência. A primeira é a caracterização dos climas de todos os planetas do Sistema Solar e a segunda é a explicação dos ciclos climáticos da Terra a longo termo, provocados pela posição do nosso planeta em relação ao Sol, agora conhecidos como Ciclos de Milankovitch
Em 1912, nascia Ruby Payne-Scott, australiana, a primeira radioastronónoma. 
Em 1959, lançamento dos dois macacos Able & Baker. Passaram 16 minutos a viajar a uma altitude de 480 km. 
Em 1971 era lançada a Mars 3 (USSR).

A 2 de dezembro do mesmo ano, alcançou Marte mas o "lander" enviou apenas 20 segundos de dados.
Em 1998, o asteroide 1998 KY26 era descoberto por Tom Gehrels. Usando observações por radar, a velocidade de rotação deste asteroide foi estimada em 10,7 minutos!
Em 2002, a Mars Odyssey descobre sinais de imensos depósitos de gelo no planeta Marte.
HOJE, NO COSMOS:
Capella põe-se a noroeste depois do anoitecer por estas noites (dependendo da latitude do observador). Isso deixa Vega e Arcturo como as estrelas mais brilhantes no céu noturno. Vega brilha a este-nordeste. Arcturo está muito alta a sul.
A um-terço do caminho entre Arcturo e Vega, procure o semicírculo de Coroa Boreal e a sua estrela Alphecca, de magnitude 2, a única moderadamente brilhante.
A dois-terços entre Arcturo e Vega está a constelação de Hércules, agora quase nivelada. Use binóculos ou um telescópio para observar a sua fronteira superior. A um-terço do percurso da fronteira esquerda, para a direita, está M13, de sexta magnitude, um dos dois grandes enxames globulares de Hércules. Um telescópio com 4 ou 6 polegadas começa a resolver parte do seu aspeto difuso. Localizado a 22.000 anos-luz de distância, bem acima do plano da Via Láctea, M13 contém várias centenas de milhares de estrelas num enxame com aproximadamente 140 anos-luz de diâmetro.

 

DIA 29/05: 149.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1794, nascia Johann Heinrich von Mädler, astrónomo alemão.

Produziu os primeiros mapas verdadeiros de Marte, fez determinações preliminares do período de rotação de Marte com apenas poucos segundos de erro e produziu o primeiro mapa exato da Lua.
Em 1919, um eclipse solar total foi observado por dois diferentes grupos de astrónomos (Arthur Eddington e Andrew Crommelin), tentando confirmar a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, medindo se o Sol distorcia as posições aparentes das estrelas das Híades.
Em 1929, nascia Peter Higgs, físico teórico britânico, famoso pelo seu mecanismo Higgs, que prevê a existência do bosão de Higgs
Em 1974 era lançada a Luna 22 (USSR).
Em 1999, o vaivém Discovery completa a sua primeira atracagem com a Estação Espacial Internacional.
HOJE, NO COSMOS:
Cassiopeia geralmente significa "Frio!" A última metade do outono e o inverno são as épocas em que esta famosa constelação se situa bem alta (vista a partir de latitudes médias norte). Mas ainda pode ser observada mesmo até nas últimas noites amenas da primavera, mas baixa. Ao anoitecer, procure-a perto do horizonte a norte: um W largo e na horizontal. Quanto mais para norte o observador estiver, mais alta parecerá.

 
 
   
Hubble caça buracos negros de massa intermédia "perto de casa"
 
Uma imagem, pelo Telescópio Espacial Hubble, do enxame globular Messier 4. O enxame é uma densa coleção de várias centenas de milhares de estrelas. Os astrónomos suspeitam que um buraco negro de massa intermédia, com uma massa até 800 vezes superior à do nosso Sol, está à espreita, sem ser visto, no seu núcleo.
Crédito: ESA/Hubble, NASA
 

Os astrónomos que utilizam o Telescópio Espacial Hubble da NASA descobriram o que dizem ser algumas das melhores evidências da presença de uma classe rara de buracos negros de "dimensão intermédia" que pode estar à espreita no coração do enxame globular mais próximo da Terra, localizado a 6000 anos-luz de distância.

Como intensos buracos gravitacionais no tecido do espaço, praticamente todos os buracos negros parecem existir em dois tamanhos: pequenos e enormes. Estima-se que a nossa Galáxia tenha 100 milhões de buracos negros pequenos (várias vezes a massa do nosso Sol) formados a partir da explosão de estrelas. O Universo em geral está inundado de buracos negros supermassivos, com uma massa milhões ou milhares de milhões de vezes superior à do nosso Sol e que se encontram no centro das galáxias.

Os buracos negros de massa intermédia são um elo perdido e há muito procurado, com uma massa algures entre 100 e 100.000 massas solares. Mas como é que se formam, onde se encontram e porque é que parecem ser tão raros?

Os astrónomos identificaram outros possíveis buracos negros de massa intermédia através de uma variedade de técnicas de observação. Dois dos melhores candidatos - 3XMM J215022.4−055108, que o Hubble ajudou a descobrir em 2020, e HLX-1, identificado em 2009 - residem em densos enxames de estrelas na periferia de outras galáxias. Cada um destes possíveis buracos negros tem a massa de dezenas de milhares de sóis e pode ter estado, em tempos, no centro de galáxias anãs. O observatório de raios-X Chandra da NASA também ajudou a fazer muitas descobertas de possíveis buracos negros de massa intermédia, incluindo uma grande amostra em 2018.

Olhando mais perto de casa, foram detetados vários candidatos a buracos negros de massa intermédia em enxames globulares densos que orbitam a nossa Galáxia, a Via Láctea. Por exemplo, em 2008, os astrónomos do Hubble anunciaram a presença suspeita de um buraco negro de massa intermédia no enxame globular Omega Centauri. Por uma série de razões, incluindo a necessidade de mais dados, estes e outros achados de buracos negros de massa intermédia continuam a ser inconclusivos e não excluem teorias alternativas.

As capacidades únicas do Hubble foram agora utilizadas no núcleo do enxame globular Messier 4 (M4), para caçar buracos negros com maior precisão do que em levantamentos anteriores. "Não se pode fazer este tipo de ciência sem o Hubble", disse Eduardo Vitral do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, autor principal de um artigo científico a ser publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A equipa de Vitral detetou um possível buraco negro de massa intermédia com cerca de 800 massas solares. O objeto suspeito não pode ser observado, mas a sua massa é calculada através do estudo do movimento das estrelas apanhadas no seu campo gravitacional, como abelhas à volta de uma colmeia. A medição do seu movimento requer tempo e muita precisão. É aqui que o Hubble consegue fazer o que nenhum outro telescópio atual consegue. Os astrónomos analisaram 12 anos de observações de M4 pelo Hubble e resolveram estrelas individuais.

A sua equipa estima que o buraco negro de massa intermédia em M4 poderá ter até uma massa 800 vezes superior à do nosso Sol. Os dados do Hubble tendem a excluir teorias alternativas para este objeto, tais como um enxame central compacto de remanescentes estelares não observados, como estrelas de neutrões, ou buracos negros mais pequenos a girar à volta uns dos outros.

"Estamos confiantes de que temos uma região muito pequena com muita massa concentrada. É cerca de três vezes mais pequena do que a massa escura mais densa que já tínhamos encontrado noutros enxames globulares", disse Vitral. "A região é mais compacta do que aquilo que conseguimos reproduzir com simulações numéricas quando temos em conta um conjunto de buracos negros, estrelas de neutrões e anãs brancas segregadas no centro do enxame. Não são capazes de formar uma concentração de massa tão compacta".

Um grupo de objetos tão unidos seria dinamicamente instável. Se o objeto não for um único buraco negro de massa intermédia, seriam necessários cerca de 40 buracos negros mais pequenos, amontoados num espaço com apenas um-décimo de um ano-luz de diâmetro, para produzir os movimentos estelares observados. As consequências seriam a sua fusão e/ou ejeção, num jogo de pinball interestelar.

"Medimos os movimentos das estrelas e as suas posições, e aplicamos modelos físicos que tentam reproduzir esses movimentos. O resultado é a medição de uma extensão de massa escura no centro do enxame", disse Vitral. "Quanto mais perto da massa central, mais aleatoriamente as estrelas se movem. E quanto maior a massa central, mais rápidas são estas velocidades estelares".

Dado que os buracos negros de massa intermédia nos enxames globulares têm sido tão esquivos, Vitral adverte: "Embora não possamos afirmar completamente que se trata de um ponto central de gravidade, podemos mostrar que é muito pequeno. É demasiado pequeno para podermos explicar que não se trata de um único buraco negro. Em alternativa, pode haver um mecanismo estelar que simplesmente não conhecemos, pelo menos no âmbito da física atual".

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Hubble caça buracos negros de massa intermédia "perto de casa" (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

Buracos negros:
Wikipedia
Buraco negro de massa intermédia (Wikipedia)
Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)
Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

Messier 4:
SEDS
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

 
   
Cientistas fazem a primeira observação de um ciclone polar em Úrano
 
Os cientistas da NASA utilizaram observações de micro-ondas para detetar o primeiro ciclone polar em Úrano, visto aqui como um ponto de cor clara à direita do centro em cada imagem do planeta. As imagens utilizam as bandas de comprimento de onda K, Ka e Q, a partir da esquerda. Para destacar as características do ciclone, foi usado um mapa de cores diferente para cada uma delas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/VLA
 

Pela primeira vez, os cientistas da NASA têm fortes indícios da existência de um ciclone polar em Úrano. Ao examinarem as ondas de rádio emitidas pelo gigante gelado, detetaram o fenómeno no polo norte do planeta. As descobertas confirmam uma verdade geral sobre todos os planetas com atmosferas substanciais no nosso Sistema Solar: quer os planetas sejam compostos principalmente por rocha ou gás, as suas atmosferas mostram sinais de um vórtice rodopiante nos polos.

Há muito que os cientistas sabem que o polo sul de Úrano tem uma característica rodopiante. As imagens da Voyager 2 da NASA, do topo das nuvens de metano, mostraram que os ventos no centro polar giravam mais depressa do que no resto do polo. As medições infravermelhas da Voyager não observaram alterações de temperatura, mas as novas descobertas, publicadas na revista Geophysical Research Letters, sim.

Utilizando as enormes antenas do VLA (Very Large Array), no estado norte-americano do Novo México, os investigadores espreitaram por baixo das nuvens do gigante gelado, determinando que o ar que circula no polo norte parece ser mais quente e mais seco - as características de um ciclone forte. Recolhidas em 2015, 2021 e 2022, as observações são as mais profundas da atmosfera de Úrano.

"Estas observações dizem-nos muito mais sobre a história de Úrano. É um mundo muito mais dinâmico do que se poderia pensar", disse o autor principal Alex Akins do JPL da NASA no sul da Califórnia. "Não é apenas uma simples bola azul de gás. Há muita coisa a acontecer debaixo do capô".

Úrano está a mostrar-se mais hoje em dia, graças à posição do planeta na sua órbita. É uma longa viagem à volta do Sol para este planeta exterior, que demora 84 anos a dar uma volta completa, e nas últimas décadas os polos não estavam apontados para a Terra. Desde 2015, os cientistas têm tido uma melhor visão e têm sido capazes de olhar mais profundamente para a atmosfera polar.

 
Esta imagem de Úrano foi obtida pela sonda Voyager 2 da NASA em 1986.
Crédito: NASA/JPL
 

Ingredientes para um ciclone

O ciclone de Úrano, de forma compacta e com ar quente e seco no seu núcleo, é muito semelhante aos observados pela Cassini da NASA em Saturno. Com as novas descobertas, foram agora identificados ciclones (que giram na mesma direção da rotação do planeta) ou anticiclones (que giram na direção oposta) nos polos de todos os planetas do nosso Sistema Solar, à exceção de Mercúrio, que não tem uma atmosfera substancial.

Mas, ao contrário dos furacões na Terra, os ciclones em Úrano e em Saturno não se formam sobre a água (nenhum dos dois parece ter água líquida) e não andam à deriva; ficam bloqueados nos polos. Os investigadores vão estar atentos para ver como este recém-descoberto ciclone em Úrano evolui nos próximos anos.

"Será que o núcleo quente que observámos representa a mesma circulação de alta velocidade vista pela Voyager?", perguntou Akins. "Ou existem ciclones empilhados na atmosfera de Úrano? O facto de ainda estarmos a descobrir coisas tão simples sobre o funcionamento da atmosfera de Úrano deixa-me realmente entusiasmado para descobrir mais sobre planeta misterioso".

O Levantamento Decenal de Ciência Planetária e Astrobiologia das Academias Nacionais de Ciência dos EUA deu prioridade à exploração de Úrano. Em preparação para essa missão, os cientistas planetários estão concentrados em reforçar os seus conhecimentos sobre o sistema do misterioso gigante gelado.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Geophysical Research Letters)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
SPACE.com
PHYSORG
Universe Today

Úrano:
CCVAlg - Astronomia
NASA
Wikipedia

VLA:
Página oficial
NRAO
Wikipedia

Voyager 2:
NASA
Wikipedia

 
   
Investigação "resolve" o mistério das espantosas mudanças de cor de Júpiter

Académicos da Universidade de Leeds pensam que poderão ter encontrado a resposta a um mistério de longa data por detrás das famosas bandas de Júpiter.

As imagens do planeta são caracterizadas por bandas coloridas, bem como pela famosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter, mas estas bandas são frequentemente vistas a mover-se e a mudar - algo que os cientistas não conseguiram explicar até agora.

 
Imagens, obtidas por um telescópio terrestre infravermelho, mostrando Júpiter a 5 micrómetros. É possível observar a notável mudança entre maio de 2001 e dezembro de 2011 na Cintura Equatorial Norte (destacada nas linhas tracejadas a azul).
Crédito: Arrate Antuñano/NASA/IRTF/NSFCam/SpeX
 

Agora, graças a uma nova descoberta - possível graças à missão Juno da NASA, que fornece novas e incríveis informações sobre o campo magnético de Júpiter - a Dra. Kumiko Hori e o professor Chris Jones, da Escola de Matemática dessa instituição de ensino, pensam ter encontrado a resposta.

O professor Jones disse: "Se olharmos para Júpiter através de um telescópio, vemos as riscas, que contornam o equador ao longo de linhas de latitude. Há cinturas escuras e claras e, se olharmos com um pouco mais de atenção, podemos ver nuvens a deslocarem-se levadas por ventos extraordinariamente fortes de leste para oeste. Perto do equador, o vento sopra para leste, mas quando se muda um pouco de latitude, para norte ou para sul, vai para oeste. E depois, se nos afastarmos um pouco mais, volta a soprar para leste. Este padrão alternado de ventos de leste e oeste é bastante diferente do clima da Terra".

"A cada quatro ou cinco anos, as coisas mudam. As cores das bandas podem mudar e, por vezes, vemos turbulências globais, quando todo o padrão meteorológico fica ligeiramente louco durante algum tempo, e tem sido um mistério saber porque é que isso acontece".

Os cientistas já sabem que a mudança de aspeto de Júpiter está de alguma forma ligada a variações infravermelhas a cerca de 50 km abaixo da superfície do gigante gasoso, e esta nova investigação mostrou que estas variações podem, por sua vez, ser causadas por ondas produzidas pelo campo magnético do planeta, nas profundezas do seu interior.

Utilizando dados recolhidos pela missão Juno da NASA a Júpiter, que orbita o planeta desde 2016, a equipa de investigação conseguiu monitorizar e calcular alterações no seu campo magnético.

O professor Jones acrescentou: "É possível obter movimentos ondulatórios num campo magnético planetário, que se designam por oscilações de torção. O mais interessante é que, quando calculámos os períodos destas oscilações de torção, elas correspondem aos períodos que se veem na radiação infravermelha em Júpiter".

 
A sonda Juno chegou a Júpiter em julho de 2016, após uma viagem de quase cinco anos desde Cabo Canaveral no estado norte-americano da Flórida.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A espantosa longevidade da Juno, no ambiente de radiação severa de Júpiter, fez com que a sonda permanecesse em órbita durante muito mais tempo do que o inicialmente planeado. Isto levou a que os investigadores de Leeds obtivessem dados sobre o campo magnético durante um período muito mais longo, o que é muito mais útil para o seu trabalho.

Ao observarem o campo magnético ao longo de vários anos, puderam seguir as suas ondas e oscilações e conseguiram mesmo seguir uma mancha específica do campo magnético em Júpiter, chamada de Grande Mancha Azul. Esta mancha tem estado a mover-se para leste, mas os dados mais recentes mostram que o movimento está a abrandar - levando a equipa da Juno a acreditar que se trata do início de uma oscilação, com o movimento a abrandar antes de inverter e começar a ir para oeste.

O trabalho foi liderado pela Dra. Hori, que trabalhou com o professor Jones em Leeds antes de se mudar para um novo posto na Universidade de Kobe no Japão, juntamente com o professor Steve Tobias em Leeds, com o professor Leigh Fletcher da Universidade de Leicester e com a Dra. Arrate Antuñano da Universidade do País Basco na Espanha.

O trabalho permitiu-lhes explicar o mistério de longa data da mudança das bandas e riscas de Júpiter e preencher o elo que faltava entre as duas maiores áreas do estudo de Júpiter - os cientistas interessados no clima do planeta e no que acontece à superfície e os que trabalham no interior profundo.

A Dra. Hori afirmou: "Continuam a existir incertezas e questões, em particular como é que a oscilação de torção produz exatamente a variação infravermelha observada, que provavelmente reflete a dinâmica complexa e as reações das nuvens/aerossóis. Estas questões necessitam de mais investigação. No entanto, espero que o nosso trabalho possa também abrir uma janela para sondar o interior profundo e oculto de Júpiter, tal como a sismologia faz para a Terra e a heliosismologia faz para o Sol".

Para o professor Jones, a descoberta é o culminar de uma paixão de toda uma vida por Júpiter. Disse: "Estou incrivelmente satisfeito por a NASA ter finalmente conseguido ver o campo magnético de Júpiter em pormenor. Há muito tempo que estudo Júpiter e comecei a interessar-me pelo que se encontra abaixo da superfície de Júpiter quando era criança - tem sido uma progressão de 60 anos".

// Universidade de Leeds (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia
Atmosfera de Júpiter (Wikipedia)
Magnetosfera de Júpiter (Wikipedia)

Missão Juno:
NASA
SwRI
Twitter
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  LIGO pronto para explorar os segredos do Universo (via Caltech)
A colaboração LVK (LIGO-Virgo-KAGRA) deu início a uma nova série de observações com instrumentos atualizados e outras melhorias para impulsionar a procura de ondas gravitacionais, ou ondulações no espaço-tempo, geradas pela colisão de buracos negros e outros eventos cósmicos extremos. A colaboração LVK é constituída por cientistas de todo o mundo que utilizam uma rede de observatórios de ondas gravitacionais - o LIGO, nos Estados Unidos, o Virgo, na Europa, e o KAGRA, no Japão. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Redemoinhos de Júpiter, pela Juno

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; Processamento e LicençaKevin M. Gill
 
As grandes tempestades são diferentes em Júpiter. Na Terra, os enormes furacões e os ciclones colossais centram-se em regiões de baixa pressão, mas em Júpiter as maiores são as tempestades de alta pressão e os anticiclones. Na Terra, as grandes tempestades podem durar semanas, mas em Júpiter podem durar anos. Na Terra, as grandes tempestades podem ser tão grandes como um país, mas em Júpiter, as grandes tempestades podem ser tão grandes como o planeta Terra. Ambos os tipos de tempestades são conhecidos por exibirem relâmpagos. A imagem em destaque, das nuvens de Júpiter, foi composta a partir de imagens e dados captados pela nave espacial robótica Juno quando se aproximou do planeta gigante em agosto de 2020. Uma oval branca rodopiante é visível nas proximidades, enquanto numerosos redemoinhos de nuvens mais pequenas se estendem à distância. Em Júpiter, as nuvens mais claras estão normalmente mais altas do que as nuvens escuras. Apesar das suas diferenças, o estudo das nuvens de tempestades no distante Júpiter fornece informações sobre tempestades e outros padrões climáticos na Terra.
 
   
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