DIA 10/10: 283.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1731 nascia Henry Cavendish, cientista britânico famoso pela sua descoberta do hidrogénio e pela sua medição da densidade da Terra.
Em 1846, Tritão, a maior lua de Neptuno, é descoberta pelo astrónomo inglês William Lassell.
Em 1960, a sonda soviética Mars 1960A falha a atingir órbita terrestre.
Em 1967 entra em ação o Tratado Espacial, assinado a 27 de janeiro desse ano por mais de sessenta nações. HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante alta a oeste por estas noites. Vire-se para oeste e olhe bem para cima. Para a direita de Vega, ou para baixo e para a direita de Vega, a cerca de 14º (quase punho e meio à distância do braço esticado), procure Eltanin, o nariz da constelação de Dragão. O resto da sua cabeça está um pouco mais para trás. A cabeça de Dragão cabe mais ou menos no campo de visão de uns binóculos. As estrelas principais da constelação de Vega - Lira - têm magnitudes 3 ou 4 e estendem-se para a esquerda de Vega a metade da distância até Eltanin. Mais longe, na mesma direção, vemos que o padrão de Lira aponta para Altair.
DIA 11/10: 284.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1758, nascia Heinrich Wilhelm Matthias Olbers, astrónomo e físico alemão, descobridor de Pallas e Vesta.
Em 1958, lançamento da sonda Pioneer 1 (a sonda cai para a Terra e é destruída).
Em 1968, lançamento da Apollo 7, a primeira missão tripulada do programa Apollo.
Em 1984, a astronauta Kathryn D. Sullivan, da missão STS-41G, torna-se na primeira mulher a fazer um passeio espacial.
Em 2000, lançamento da missão STS-92 do vaivém Discovery, a centésima do programa dos vaivéns espaciais.
Em 2018, a Soyuz MS-10, que lançava uma tripulação para a ISS, sofre problemas durante a ida. A tripulação aterra em segurança. HOJE, NO COSMOS:
Antes do amanhecer, a Lua brilha para baixo e para a esquerda de Vénus e Régulo.
Esta é a altura do ano em que, depois do cair da noite, o "W" de Cassiopeia está de lado no céu a nordeste - e quando, para a sua esquerda a norte, a pequena constelação de Ursa Menor se estende para a esquerda da Estrela Polar.
DIA 12/10: 285.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1964, lançamento do Voskhod 1, a primeira missão com uma tripulação de várias pessoas e o primeiro voo sem fatos espaciais.
Em 1994, destruição da Magalhães na atmosfera de Vénus. Em 2005, segundo voo espacial da China. O Shenzhou 6 transportou dois astronautas durante cinco dias em órbita. HOJE, NO COSMOS:
Depois do anoitecer, aviste o "W" de Cassiopeia alto a nordeste. Está quase de lado. O terceiro segmento do "W", contando de cima, aponta para baixo. Estenda esse segmento duas vezes nessa direção e chega ao Enxame Duplo de Perseu. Este par combinado de pequenas manchas difusas é muito ténue a olho nu sob um céu escuro (use a visão periférica) e é visível de quase qualquer lado através de uns binóculos.
Hubble encontra uma explosão bizarra num local inesperado
Este é um conceito artístico de uma das explosões mais brilhantes alguma vez observadas no espaço. Designada por LFBOT (Luminous Fast Blue Optical Transient), brilha intensamente em luz azul e evolui rapidamente, atingindo o pico de brilho e desvanecendo novamente numa questão de dias, ao contrário das supernovas que demoram semanas ou meses a desvanecer. Desde 2018, apenas uma mão-cheia de LFBOTs anteriores foram descobertos. E todos ocorreram no interior de galáxias, onde estão a nascer estrelas. Mas esta ilustração mostra que o Hubble descobriu que o flash LFBOT visto em 2023 aconteceu entre galáxias. Este facto só vem agravar o mistério do que são estes eventos transientes. Como os astrónomos não conhecem o processo subjacente aos LFBOTs, a explosão aqui mostrada é puramente conjetura, baseada num fenómeno transiente conhecido.
Crédito:
NASA, ESA, NOIRLab da NSF, Mark Garlick, Mahdi Zamani
Uma explosão muito rara e estranha de luz extraordinariamente brilhante no Universo acaba de se tornar ainda mais estranha - graças à visão aguçada do Telescópio Espacial Hubble da NASA.
O fenómeno, denominado LFBOT (Luminous Fast Blue Optical Transient), surgiu onde não se esperava que surgisse, muito longe de qualquer galáxia hospedeira. Só o Hubble conseguiu localizar o fenómeno. E os resultados estão a deixar os astrónomos ainda mais confusos. Para começar, não sabem o que são os LFBOTs. Os resultados do Hubble sugerem que sabem ainda menos, ao excluir algumas teorias possíveis.
Os LFBOTs estão entre os eventos mais brilhantes de luz visível conhecidos no Universo, surgindo inesperadamente como os flashes de uma câmara. Desde a primeira descoberta em 2018, apenas foram encontrados alguns, um evento localizado a cerca de 200 milhões de anos-luz de distância que foi apelidado de "A Vaca". Atualmente, os LFBOTs são detetados uma vez por ano.
Após a sua deteção inicial, o último LFBOT foi observado por vários telescópios em todo o espetro eletromagnético, desde os raios X às ondas de rádio. Designado AT2023fhn e apelidado de "o Finch", o evento transitório mostrou todas as características de um LFBOT. Brilhava intensamente em luz azul e evoluía rapidamente, atingindo o pico de brilho e desvanecendo-se numa questão de dias, ao contrário das supernovas, que demoram semanas ou meses a desvanecer.
Mas, ao contrário de qualquer outro LFBOT visto anteriormente, o Hubble descobriu que o Finch está localizado entre duas galáxias vizinhas - a cerca de 50.000 anos-luz de uma galáxia espiral próxima e a cerca de 15.000 anos-luz de uma galáxia mais pequena.
"As observações do Hubble foram de facto cruciais. Fizeram-nos perceber que esta era uma galáxia invulgar comparada com outras semelhantes, porque sem os dados do Hubble não teríamos sabido", disse Ashley Chrimes, autor principal do artigo Hubble que relata a descoberta numa próxima edição da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. É também bolseiro de investigação na ESA, anteriormente da Universidade de Radboud, Nijmegen, Países Baixos.
Embora se tenha assumido que estas explosões espantosas são um tipo raro de supernova chamado supernovas de colapso do núcleo, as estrelas gigantescas que se transformam em supernovas têm uma vida curta para os padrões estelares. Por conseguinte, as estrelas progenitoras massivas não têm tempo de viajar muito longe do seu local de nascimento - um enxame de estrelas recém-nascidas - antes de explodirem. Todos os anteriores LFBOTs foram encontrados nos braços espirais de galáxias onde o nascimento de estrelas está a decorrer, mas o Finch não se encontra em nenhuma galáxia.
Uma imagem do Telescópio Espacial Hubble de um LFBOT (Luminous Fast Blue Optical Transient) designado AT2023fhn, indicado pelas linhas. Brilha intensamente em luz azul e evolui rapidamente, atingindo o pico de brilho e desvanecendo-se novamente numa questão de dias, ao contrário das supernovas que demoram semanas ou meses a desvanecer. Desde 2018, apenas uma mão-cheia de LFBOTs anteriores foram descobertos. A surpresa é o facto de este último transiente, observado em 2023, se encontrar a uma grande distância da galáxia espiral barrada à direita e da galáxia anã no canto superior esquerdo. Só o Hubble conseguiu localizar a sua posição. E os resultados estão a deixar os astrónomos ainda mais confusos porque todos os anteriores LFBOTs foram encontrados em regiões de formação estelar nos braços espirais das galáxias. Não se sabe ao certo que evento astronómico poderia desencadear uma tal explosão fora de uma galáxia. Crédito: NASA, ESA, STScI, A. Chrimes (Universidade de Radboud)
"Quanto mais aprendemos sobre os LFBOTs, mais eles nos surpreendem", disse Chrimes. "Mostrámos agora que os LFBOTs podem ocorrer muito longe do centro da galáxia mais próxima, e a localização do Finch não é a que esperamos para qualquer tipo de supernova."
A ZTF (Zwicky Transient Facility) - uma câmara terrestre de angular extremamente grande que varre todo o céu do norte de dois em dois dias - alertou pela primeira vez os astrónomos para o Finch no dia 10 de abril de 2023. Assim que foi avistado, os investigadores desencadearam um programa pré-planeado de observações que tinha estado em standby, pronto para rapidamente voltar a sua atenção para qualquer potencial candidato a LFBOT que surgisse.
Medições espetroscópicas efetuadas com o telescópio Gemini South, no Chile, revelaram que o Finch tem uma temperatura escaldante de 20.000º C. O Gemini também ajudou a determinar a sua distância da Terra para que a sua luminosidade pudesse ser calculada. Juntamente com dados de outros observatórios, incluindo o Observatório de raios X Chandra da NASA e os radiotelescópios do VLA (Very Large Array) da NSF (National Science Foundation), estas descobertas confirmaram que a explosão era de facto um LFBOT.
Os LFBOTs podem ser o resultado de estrelas a serem despedaçadas por um buraco negro de massa intermédia (entre 100 e 1000 massas solares). A alta resolução e a sensibilidade infravermelha do Telescópio Espacial James Webb da NASA poderão eventualmente ser usadas para descobrir que o Finch explodiu no interior de um enxame globular no halo exterior de uma das duas galáxias vizinhas. Um enxame globular é o local mais provável onde um buraco negro de massa intermédia pode ser encontrado.
Para explicar a localização invulgar do Finch, os investigadores estão a considerar a possibilidade de a explosão ser o resultado de uma colisão de duas estrelas de neutrões, viajando para longe da sua galáxia hospedeira, que têm estado a espiralar uma em direção à outra durante milhares de milhões de anos. Tais colisões produzem uma quilonova - uma explosão 1000 vezes mais poderosa do que uma nova normal. No entanto, uma teoria muito especulativa é a de que se uma das estrelas de neutrões for altamente magnetizada - um magnetar - poderá amplificar ainda mais o poder da explosão, para 100 vezes o brilho de uma supernova normal.
"A descoberta coloca muito mais perguntas do que respostas", disse Chrimes. "É necessário mais trabalho para descobrir qual das muitas explicações possíveis é a correta."
Uma vez que os eventos astronómicos transientes podem surgir em qualquer lugar e a qualquer momento, e são relativamente fugazes em termos astronómicos, os investigadores dependem de levantamentos de campo largo que podem monitorizar continuamente grandes áreas do céu para os detetar e alertar outros observatórios como o Hubble para fazer observações de acompanhamento.
Segundo os investigadores, é necessária uma amostra maior para se chegar a uma melhor compreensão do fenómeno. Os próximos telescópios de observação de todo o céu, como o Observatório Vera C. Rubin, poderão ser capazes de detetar mais, dependendo da astrofísica subjacente.
O início da formação de planetas, revelado por observações do ALMA
Imagem de alta resolução, pelo ALMA, do disco protoplanetário que rodeia DG Taurus num comprimento de onda de 1,3 mm. O aspeto suave, sem estruturas em forma de anel, indica uma fase pouco anterior à formação planetária.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Ohashi, et al.
Uma equipa internacional de investigação aproveitou o poder do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para iluminar os primórdios da formação planetária. Liderada pelo Professor Assistente de Projeto Satoshi Ohashi do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), a equipa centrou o seu estudo numa protoestrela denominada DG Taurus (DG Tau), que apresentava um disco protoplanetário liso e sem defeitos, revelando as condições imediatamente anteriores à formação dos planetas.
Os cientistas pensam que os planetas emergem da poeira interestelar e do gás no disco circundante de uma protoestrela. No entanto, o início deste processo de transformação tem permanecido enigmático. Apesar de muitos discos observados com o ALMA apresentarem estruturas em forma de anel - sugerindo a presença de planetas - encontrar um disco imaculado sem tais assinaturas tem sido uma tarefa difícil.
O painel superior mostra os mapas de intensidade das ondas de rádio do disco de DG Tau em três comprimentos de onda: 0,87 mm, 1,3 mm e 3,1 mm. A acompanhar estes mapas estão os mapas de intensidade de polarização para os comprimentos de onda de 0,87 mm e 3,1 mm, mostrando as ondas de rádio dispersas pela poeira. O painel inferior apresenta a simulação óptima, alinhada com os resultados observados. Esta visão multifacetada fornece uma compreensão mais profunda dos processos que ocorrem no disco.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Ohashi, et al.
As observações de DG Tau, uma protoestrela relativamente jovem, forneceram um avanço. Usando o ALMA, discerniram um disco uniformemente liso, desprovido dos padrões de anéis característicos frequentemente encontrados em protoestrelas mais antigas. Esta observação reforça a ideia de que DG Tau pode estar à beira da formação de um planeta. Decifrar as origens de planetas semelhantes à Terra é fundamental para compreender os primórdios da vida.
Alargando a sua investigação, a equipa observou o disco em diferentes comprimentos de onda, obtendo informações sobre o tamanho e a distribuição da poeira. As descobertas sugerem, de forma intrigante, que as regiões exteriores do disco são o potencial ponto de partida para a formação planetária, desafiando as ideias anteriores de que o disco interior era o ponto de partida primário. Em particular, o plano médio do disco exibia um elevado rácio poeira-gás, sugerindo que o disco está pronto para a formação de planetas.
"O ALMA conseguiu até agora captar uma grande variedade de estruturas de disco e revelou a existência de planetas. Por outro lado, para responder à questão 'Como é que a formação de planetas começa?', é importante observar um disco liso sem sinais de formação de planetas. Pensamos que este estudo é muito importante porque revela as condições iniciais para a formação planetária", comentou o Professor Satoshi Ohashi sobre o significado das observações.
Relâmpagos em Vénus? Um estudo sugere que talvez não
Vénus poderá ser um lugar (ligeiramente) mais gentil do que alguns cientistas pensam.
Numa nova investigação, físicos espaciais da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, entraram num debate surpreendentemente longo na ciência do Sistema Solar: Será que existem relâmpagos no segundo planeta a contar do Sol?
Os resultados da equipa acrescentam novas e fortes evidências que sugerem que, não, provavelmente não se veriam relâmpagos nas nuvens espessas e ácidas de Vénus - ou, pelo menos, não com muita frequência.
Imagem de Vénus compilada usando dados da sonda Mariner 4 em 1974.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
"Há cerca de 40 anos que se discute a existência de relâmpagos em Vénus", disse Harriet George, autora principal do novo estudo e investigadora de pós-doutoramento no LASP (Laboratory for Atmospheric and Space Physics). "Esperamos que, com os nossos novos dados disponíveis, possamos ajudar a reconciliar esse debate".
Ela e a sua equipa publicaram as suas conclusões no dia 29 de setembro na revista Geophysical Research Letters.
A investigação mergulha profundamente num dos corpos mais misteriosos e inóspitos do Sistema Solar. Vénus tem aproximadamente o mesmo tamanho que a Terra, mas a sua atmosfera densa e rica em dióxido de carbono levou a um efeito de estufa descontrolado. Qualquer pessoa que estivesse no solo enfrentaria temperaturas abrasadoras de 480º C e pressões atmosféricas esmagadoras. Nunca nenhuma nave espacial sobreviveu mais do que algumas horas à superfície do planeta.
Para explorar este mundo extremo, os investigadores recorreram a uma ferramenta científica que não foi de todo concebida para estudar Vénus: A Parker Solar Probe da NASA, que foi lançada em 2018 como parte de uma missão de sete anos para investigar a física da coroa solar, ou atmosfera mais externa, e o vento solar. A Parker Solar Probe foi concebida, construída e é atualmente operada pelo JHUAPL (Johns Hopkins University Applied Physics Laboratory), que lidera a missão para a NASA.
Em fevereiro de 2021, a sonda espacial passou à volta de Vénus a uma distância de cerca de 2400 quilómetros. No processo, os seus instrumentos captaram dúzias daquilo a que os cientistas chamam "ondas whistler" - pulsos de energia que, pelo menos na Terra, podem ser desencadeados por relâmpagos. Os dados da equipa mostraram que as ondas whistler de Vénus podem não ter origem nos relâmpagos, mas sim em perturbações nos fracos campos magnéticos que envolvem o planeta.
Os resultados concordam com um estudo de 2021 que não conseguiu detetar ondas de rádio geradas por relâmpagos provenientes de Vénus. A investigação foi liderada por Marc Pulupa, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
David Malaspina, coautor do novo estudo, disse que os resultados mostram o pouco que os humanos sabem sobre um dos nossos vizinhos mais próximos.
"É muito raro que novos instrumentos científicos cheguem a Vénus", disse Malaspina, professor assistente do LASP e do Departamento de Ciências Astrofísicas e Planetárias da mesma universidade. "Não temos muitas oportunidades de fazer este tipo de investigação interessante".
Noites escuras e tempestuosas
Grande parte do debate em torno de Vénus e dos relâmpagos remonta a 1978, quando uma nave espacial da NASA chamada Pioneer Venus entrou em órbita do gémeo mais quente e mais furioso da Terra. Quase imediatamente, a nave espacial começou a captar os sinais de ondas whistler a centenas de quilómetros acima da superfície do planeta.
Para muitos cientistas, estes sinais faziam lembrar um fenómeno familiar da Terra: os relâmpagos.
George explicou que, na Terra, as ondas whistler são frequentemente - mas nem sempre - criadas por relâmpagos. Os relâmpagos, disse ela, podem agitar eletrões na atmosfera do planeta, que depois lançam ondas que espiralam para o espaço. Estas ondas criam tons de assobio que os primeiros operadores de rádio na Terra podiam ouvir usando auscultadores, daí o nome "whistler".
Se as ondas whistler de Vénus tiverem uma origem semelhante, então o planeta poderá ser um monstro de relâmpagos, com cerca de sete vezes mais relâmpagos do que a Terra. Os cientistas também detetaram relâmpagos em Saturno e Júpiter.
"Alguns cientistas viram essas assinaturas e disseram: 'Isso pode ser um relâmpago'", disse George. "Outros disseram: 'Na verdade, pode ser outra coisa'. Desde então, há décadas que se anda para trás e para a frente sobre o assunto".
Impressão de artista da Parker Solar Probe a passar por Vénus.
Crédito: NASA/JHUAPL/Steven Gribben
Um encontro com Vénus
A Parker Solar Probe pode fornecer aos cientistas a oportunidade de resolver definitivamente o debate.
George disse que a nave espacial passará por Vénus sete vezes durante a sua missão, utilizando estes "flybys" para se aproximar cada vez mais do Sol. Em 2021, durante a sua quarta manobra do género, a sonda aproximou-se bastante do planeta - passando pela sombra projetada por trás de Vénus, um local privilegiado para procurar ondas whistler.
Para encontrar esses sinais, George, Malaspina e os seus colegas usaram a Experiência FIELDS da Parker Solar Probe, um conjunto de sensores de campo elétrico e magnético que saem da nave espacial como antenas (uma equipa da CU Boulder e do LASP concebeu e construiu o Digital Fields Board, que analisa os sinais dos sensores FIELDS).
No entanto, quando os investigadores analisaram um conjunto dessas ondas whistler, notaram algo surpreendente: as ondas whistler de Vénus estavam a ir na direção errada. Pareciam estar a mover-se para baixo, em direção ao planeta, e não para o espaço, como seria de esperar de uma tempestade de relâmpagos.
"Estavam a dirigir-se para trás, ao contrário do que toda a gente tinha imaginado nos últimos 40 anos", disse Malaspina.
O que está a causar estas ondas whistler para trás não é claro. George e Malaspina suspeitam que possam surgir de um fenómeno chamado reconexão magnética - em que as linhas de campo magnético que rodeiam Vénus se separam e voltam a juntar-se com resultados explosivos.
Para já, os investigadores dizem que precisam de analisar mais ondas whistler para excluir completamente a causa dos relâmpagos. Terão a próxima oportunidade em novembro de 2024, quando a Parker Solar Probe fizer a sua última passagem por Vénus, descendo a menos de 400 quilómetros acima da superfície - roçando o topo da atmosfera "pastosa" do planeta, disse Malaspina.
"A Parker Solar Probe é uma nave espacial muito capaz. Para onde quer que vá, encontra algo novo".
Cristas de gás interestelar incandescente e nuvens de poeira escura habitam as turbulentas profundezas cósmicas da Nebulosa da Lagoa. Também conhecida como M8, a brilhante região de formação estelar está a cerca de 5000 anos-luz de distância. É uma paragem popular nas visitas telescópicas à constelação de Sagitário, em direção ao centro da nossa Galáxia, a Via Láctea. Dominada pela emissão vermelha reveladora de átomos de hidrogénio ionizados que se recombinam com eletrões despojados, esta vista telescópica profunda das zonas centrais da Lagoa abrange cerca de 40 anos-luz. A forma brilhante de ampulheta perto do centro da imagem é gás ionizado e esculpido por radiação energética e ventos estelares extremos de uma estrela jovem e massiva.
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