OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA
Data: 16 de fevereiro de 2024 Hora: 10:00-13:00
Neste dia, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, iremos realizar a sessão de observação do Sol na ponte Romana em Tavira pelas 10:00.
A sessão é gratuita. Participe! Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12654, -7.650038
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
OBSERVAÇÃO DA LUA EM TAVIRA Data: 23 de fevereiro de 2024 Hora: 19:00-21:00
Neste dia, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve, iremos realizar a sessão de observação da Lua na ponte Romana em Tavira pelas 19h00.
A sessão é gratuita. Participe! Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12654, -7.650038
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 13/02: 44.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1633, Galileu Galilei chegava a Roma para ser julgado pela Inquisição.
Em 1852, nascia John Louis Emil Dreyer, astrónomo cuja principal contribuição foi o catálogo NGC em 1878.
Em 2004, o Centro de Astrofísica | Harvard-Smithsonian descobre o maior diamante conhecido do Universo, a anã branca BPM 37093. Os astrónomos dão-lhe o nome "Lucy" por causa da canção "Lucy in the Sky with Diamonds" dos Beatles.
Em 2012, a Agência Espacial Europeia (ESA) leva a cabo o primeiro lançamento do foguetão europeu Vega a partir de Kourou, na Guiana Francesa. HOJE, NO COSMOS:
Por volta das 21 horas, a Ursa Maior apoia-se na sua "pega" a nordeste. A noroeste, a Cassiopeia também se apoia na extremidade (o seu lado mais brilhante) quase à mesma altura. Entre elas está a Estrela Polar.
DIA 14/02: 45.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1898, nascia Fritz Zwicky, o primeiro a identificar as supernovas como uma classe separada de objetos e a sugerir a possibilidade das estrelas de neutrões; Zwicky também catalogou galáxias em enxames e desenhou motores a jato.
Em 1989, o primeiro de 24 satélites GPS é colocado em órbita.
Em 1990, as câmaras da Voyager 1 apontaram para o Sol e tiraram uma série de imagens da estrela e dos planetas, fazendo o primeiro "retrato" do nosso Sistema Solar visto de fora.
Em 2000, a sonda NEAR torna-se na primeira a orbitar um asteroide, 433 Eros. HOJE, NO COSMOS:
A Lua e Júpiter brilham separados por apenas 6º esta noite. São atualmente os dois objetos mais brilhantes do céu noturno. Observe-os a aproximarem-se um do outro à medida que descem a oeste.
DIA 15/02: 46.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1564 nascia Galileu Galilei, um dos astrónomos mais famosos de sempre, considerado o pai da astronomia observacional. Foi o primeiro a utilizar o telescópio para observar os céus, avistando as manchas solares e também os satélites de Júpiter.
Em 1996, no Centro Espacial Xichang na China, um foguetão Long March 3, que transportava um Intelsat 708, colide com uma vila rural depois da descolagem, matando inúmeras pessoas.
Em 1999, lançamento do IKONOS 2 (Athena 2).
Em 2013, um meteoro explode por cima da Rússia e a sua onda de choque acaba ferindo 1500 pessoas, estilhaçando vidros e agitando edifícios. Isto inesperadamente acontece apenas horas antes da mais próxima passagem esperada do maior e não relacionado asteroide 367943 Duende. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, as Plêiades e Aldebarã formam esta noite um grande triângulo achatado.
Telescópios mostram que o buraco negro da Via Láctea está pronto para um "pontapé"
Esta ilustração mostra uma secção transversal do buraco negro supermassivo e do material circundante no centro da nossa Galáxia. A esfera negra no centro representa o horizonte de eventos do buraco negro, o ponto de não retorno do qual nada, nem mesmo a luz, pode escapar. Olhando para o buraco negro a girar de lado, como se vê nesta ilustração, o espaço-tempo circundante tem a forma de uma bola de futebol americano. O material amarelo-alaranjado de cada lado representa o gás a girar em torno do buraco negro. Este material mergulha inevitavelmente na direção do buraco negro e atravessa o horizonte de eventos quando cai dentro da forma de bola de futebol americano. A área dentro da forma de bola de futebol americano, mas fora do horizonte de eventos é, portanto, representada como uma cavidade. As manchas azuis mostram jatos que se afastam dos polos do buraco negro em rotação.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
Segundo um novo estudo que utiliza dados do Observatório de Raios X Chandra da NASA e do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation), o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea está a girar tão depressa que está a deformar o espaço-tempo à sua volta, dando-lhe uma forma que pode parecer uma bola de futebol americano.
Os astrónomos chamam a este buraco negro gigante Sagitário A* (Sgr A*), que se encontra a cerca de 26.000 anos-luz de distância da Terra, no centro da nossa Galáxia.
Os buracos negros têm duas propriedades fundamentais: a sua massa e a sua rotação (a rapidez com que giram). A determinação de qualquer um destes dois valores diz muito aos cientistas sobre qualquer buraco negro e sobre o seu comportamento.
Uma equipa de investigadores aplicou um novo método que utiliza dados de raios X e rádio para determinar a velocidade de rotação de Sgr A* com base na forma como o material flui em direção ao buraco negro e se afasta dele. Descobriram que Sgr A* está a girar com uma velocidade angular - o número de rotações por segundo - que é cerca de 60% do valor máximo possível, um limite estabelecido pelo facto da matéria não poder viajar mais depressa do que a velocidade da luz.
No passado, diferentes astrónomos fizeram várias outras estimativas da velocidade de rotação de Sgr A* utilizando outras técnicas, com resultados que variaram entre não girar de todo e girar quase à velocidade máxima.
"O nosso trabalho pode ajudar a resolver a questão da velocidade de rotação do buraco negro supermassivo da nossa Galáxia", disse Ruth Daly, da Universidade do Estado da Pensilvânia, que é a principal autora do novo estudo. "Os nossos resultados indicam que Sgr A* está a girar muito depressa, o que só por si é interessante e tem muitas implicações".
Um buraco negro em rotação puxa o "espaço-tempo" (a combinação do tempo e das três dimensões do espaço) e a matéria próxima à sua volta enquanto gira. O espaço-tempo à volta do buraco negro em rotação é também esmagado. Olhando para um buraco negro de cima para baixo, ao longo de qualquer jato que produza, o espaço-tempo tem uma forma circular. No entanto, olhando para o buraco negro a girar de lado, o espaço-tempo tem a forma de uma bola de futebol americano. Quanto mais rápida a rotação, mais achatada é a bola.
A rotação de um buraco negro pode atuar como uma importante fonte de energia. Os buracos negros supermassivos em rotação podem produzir fluxos colimados, ou seja, feixes estreitos de matéria, como jatos, quando a sua energia rotacional é extraída, o que exige que exista pelo menos alguma matéria na vizinhança do buraco negro. Devido ao combustível limitado em torno de Sgr A*, este buraco negro tem estado relativamente calmo nos últimos milénios, com jatos relativamente fracos. Este trabalho, no entanto, mostra que isto pode mudar se a quantidade de matéria na vizinhança de Sgr A* aumentar.
Um novo estudo mostra que o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea (abreviação Sgr A*) está a girar muito depressa. Os cientistas descobriram que está a girar a 60% da velocidade máxima possível, um limite estabelecido pelo facto da matéria não poder viajar mais depressa do que a velocidade da luz. Esta imagem mostra Sgr A* em raios X pelo Chandra.
Crédito: NASA/CXC/Universidade do Wisconsin/Y.Bai, et al.
"Um buraco negro em rotação é como um foguetão na rampa de lançamento", disse Biny Sebastian, coautor da Universidade de Manitoba em Winnipeg, Canadá. "Quando o material se aproxima o suficiente, é como se alguém tivesse abastecido o foguetão e carregado no botão de lançamento."
Isto significa que, no futuro, se as propriedades da matéria e a intensidade do campo magnético próximo do buraco negro se alterarem, parte da enorme energia rotacional do buraco negro poderá impulsionar fluxos mais fortes. Esta fonte de matéria pode vir do gás ou dos remanescentes de uma estrela despedaçada pela gravidade do buraco negro, caso essa estrela se aproxime demasiado de Sgr A*.
"Os jatos alimentados e colimados pelo buraco negro central de uma galáxia podem afetar profundamente o fornecimento de gás a uma galáxia inteira, o que afeta a rapidez com que as estrelas se podem formar, e até se se podem formar de todo", disse a coautora Megan Donahue da Universidade Estatal de Michigan. "As 'bolhas de Fermi' observadas em raios X e raios gama em torno do buraco negro da nossa Via Láctea mostram que Sgr A* esteve provavelmente ativo no passado. A medição da rotação do nosso buraco negro é um teste importante deste cenário".
Para determinar a rotação de Sgr A*, os autores usaram um método teórico empírico, referido como "método do fluxo", que detalha a relação entre a rotação do buraco negro e a sua massa, as propriedades da matéria perto do buraco negro e as propriedades do fluxo. O fluxo colimado produz as ondas de rádio, enquanto o disco de gás que rodeia o buraco negro é responsável pela emissão de raios X. Usando este método, os investigadores combinaram os dados do Chandra e do VLA com uma estimativa independente da massa do buraco negro, obtida por outros telescópios, para restringir a rotação de Sgr A*.
"Temos uma visão especial de Sgr A* porque é o buraco negro supermassivo mais próximo de nós", disse a coautora Anan Lu da Universidade McGill em Montreal, Canadá. "Embora esteja calmo neste momento, o nosso trabalho mostra que, no futuro, dará um pontapé incrivelmente poderoso na matéria circundante. Isso pode acontecer daqui a mil ou um milhão de anos, ou pode acontecer ainda durante a nossa vida".
Ilustração de um campo magnético gerado por um buraco negro supermassivo no início do Universo, mostrando fluxos turbulentos de plasma que transformam nuvens de gás em estrelas.
Crédito: Roberto Molar Candanosa/Universidade Johns Hopkins
Os buracos negros não só existiram no início dos tempos, como também deram origem a novas estrelas e impulsionaram a formação galáctica, sugere uma nova análise de dados do Telescópio Espacial James Webb.
Esta descoberta vem alterar as teorias sobre a forma como os buracos negros moldam o cosmos, desafiando a ideia clássica de que se formaram após o aparecimento das primeiras estrelas e galáxias. Ao invés, os buracos negros podem ter acelerado drasticamente o nascimento de novas estrelas durante os primeiros 50 milhões de anos do Universo, um período fugaz dos seus 13,8 mil milhões de anos de história.
"Sabemos que estes buracos negros monstruosos existem no centro de galáxias próximas da nossa Via Láctea, mas a grande surpresa agora é que também estavam presentes no início do Universo e eram quase como blocos de construção ou sementes das primeiras galáxias", disse o autor principal, Joseph Silk, professor do Departamento de Física e Astronomia da Universidade Johns Hopkins e do Instituto de Astrofísica da Universidade Sorbonne, em Paris. "Eles realmente impulsionaram tudo, como amplificadores gigantescos de formação estelar, o que é uma reviravolta total do que pensávamos ser possível antes - tanto que isto pode abalar completamente a nossa compreensão de como as galáxias se formam".
O trabalho foi recentemente publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
As galáxias distantes do Universo primitivo, observadas através do telescópio Webb, parecem muito mais brilhantes do que os cientistas previram e revelam um número invulgarmente elevado de estrelas jovens e buracos negros supermassivos, afirmou Silk.
A sabedoria convencional sustenta que os buracos negros se formaram após o colapso de estrelas supermassivas e que as galáxias se formaram após as primeiras estrelas terem iluminado o escuro Universo primitivo. Mas a análise da equipa de Silk sugere que os buracos negros e as galáxias coexistiram e influenciaram o destino uns dos outros durante os primeiros 100 milhões de anos. Se toda a história do Universo fosse um calendário de 12 meses, esses anos seriam como os primeiros dias de janeiro, disse Silk.
"Estamos a argumentar que os fluxos dos buracos negros esmagaram nuvens de gás, transformando-as em estrelas e acelerando em muito o ritmo de formação estelar", disse Silk. "Caso contrário, é muito difícil compreender de onde vieram estas galáxias brilhantes, porque são tipicamente mais pequenas no Universo primitivo. Por que razão estariam a formar estrelas tão depressa?"
Os buracos negros são regiões no espaço onde a gravidade é tão forte que nada pode escapar à sua atração, nem mesmo a luz. Devido a esta força, geram campos magnéticos poderosos que provocam tempestades violentas, ejetando plasma turbulento e agindo, em última análise, como enormes aceleradores de partículas, disse Silk. Este processo, explicou, é provavelmente a razão pela qual os detetores do Webb avistaram mais buracos negros e galáxias brilhantes do que os cientistas previam.
"Não conseguimos ver estes ventos violentos ou jatos muito, muito longínquos, mas sabemos que devem estar presentes porque vemos muitos buracos negros no início do Universo", explicou Silk. "Estes ventos enormes provenientes dos buracos negros esmagam nuvens de gás próximas e transformam-nas em estrelas. Este é o elo que faltava para explicar porque é que estas primeiras galáxias são muito mais brilhantes do que esperávamos".
A equipa de Silk prevê que o Universo jovem teve duas fases. Durante a primeira fase, os fluxos altamente velozes dos buracos negros aceleraram a formação de estrelas, e depois, numa segunda fase, os fluxos abrandaram. Algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang, as nuvens de gás entraram em colapso devido a tempestades magnéticas dos buracos negros supermassivos, e nasceram novas estrelas a um ritmo muito superior ao observado milhares de milhões de anos mais tarde em galáxias normais, disse Silk. A criação de estrelas abrandou porque estes fluxos poderosos passaram para um estado de conservação de energia, acrescentou o autor, reduzindo o gás disponível para formar estrelas nas galáxias.
"Pensámos que, no início, as galáxias se formaram quando uma nuvem de gás gigante colapsava", explicou Silk. "A grande surpresa é que havia uma semente no meio dessa nuvem - um grande buraco negro - que ajudou a transformar rapidamente a parte interior dessa nuvem em estrelas a um ritmo muito superior ao que esperávamos. Por isso, as primeiras galáxias são incrivelmente brilhantes".
A equipa espera que as futuras observações do telescópio Webb, com contagens mais precisas de estrelas e buracos negros supermassivos no Universo primitivo, ajudem a confirmar os seus cálculos. Silk espera que estas observações também ajudem os cientistas a reunir mais pistas sobre a evolução do Universo.
"A grande questão é: quais foram os nossos primórdios? O Sol é uma estrela em 100 mil milhões na Via Láctea e há também um enorme buraco negro no meio. Qual é a ligação entre os dois?", disse. "Dentro de um ano teremos dados muito melhores e muitas das nossas perguntas começarão a ter resposta".
Representação artística de um exoplaneta cuja água gelada à superfície está a vaporizar e a formar uma atmosfera durante a sua aproximação à estrela central do sistema planetário. Este processo aumenta o raio planetário medido em comparação com o valor que o planeta teria no seu local de origem.
Crédito: Thomas Müller (Instituto Max Planck de Astronomia)
Astrónomos da Alemanha e da Suíça descobriram evidências de como surge a enigmática lacuna na distribuição do tamanho dos exoplanetas a cerca de dois raios terrestres. As suas simulações em computador demonstram que a migração dos chamados sub-Neptunos gelados, para as regiões interiores dos seus sistemas planetários, pode explicar este fenómeno. À medida que se aproximam da estrela central, a evaporação da água gelada forma uma atmosfera que faz com que os planetas pareçam maiores do que no seu estado gelado. Simultaneamente, os planetas rochosos mais pequenos perdem gradualmente uma parte do seu invólucro gasoso original, fazendo com que o seu raio medido diminua com o tempo.
Normalmente, os planetas em sistemas planetários evoluídos, como o Sistema Solar, seguem órbitas estáveis em torno da sua estrela central. No entanto, muitas indicações sugerem que alguns planetas podem afastar-se dos seus locais de nascimento durante a evolução inicial, migrando para o interior ou para o exterior. Esta migração planetária pode também explicar uma observação que intriga os investigadores há vários anos: o número relativamente baixo de exoplanetas com tamanhos que rondam o dobro do da Terra, conhecido como a lacuna ou "vale" do raio, entre outros termos. Em ambos os lados deste "vale", existem muitos exoplanetas mais pequenos e maiores.
"Há seis anos, uma reanálise dos dados do telescópio espacial Kepler revelou uma escassez de exoplanetas com tamanhos à volta de dois raios da Terra", explica Remo Burn, investigador exoplanetário no Instituto Max Planck de Astronomia, em Heidelberg. É o autor principal do artigo científico que relata os resultados descritos neste texto, agora publicado na revista Nature Astronomy.
Qual a origem do "vale" do raio?
"De facto, nós - tal como outros grupos de investigação - previmos, com base nos cálculos, mesmo antes desta observação, a existência dessa lacuna", explica o coautor Christoph Mordasini, membro do NCCR (National Centre of Competence in Research) PlanetS. Dirige a Divisão de Investigação Espacial e Ciências Planetárias da Universidade de Berna. Esta previsão teve origem durante o seu mandato como cientista no Instituto Max Planck de Astronomia, que há muitos anos investiga este domínio em conjunto com a Universidade de Berna.
O mecanismo mais frequentemente sugerido para explicar o aparecimento de uma tal lacuna do raio é que os planetas podem perder uma parte da sua atmosfera original devido à irradiação da estrela central - especialmente gases voláteis como o hidrogénio e o hélio. "No entanto, esta explicação ignora a influência da migração planetária", esclarece Burn. Foi estabelecido há cerca de 40 anos que, sob certas condições, os planetas podem mover-se para dentro e para fora dos sistemas planetários ao longo do tempo. A eficácia desta migração e a sua influência no desenvolvimento dos sistemas planetários tem impacto na formação da lacuna do raio.
Distribuição do tamanho dos exoplanetas observados e simulados com raios inferiores a cinco vezes o da Terra. O número de exoplanetas diminui entre 1,6 e 2,2, produzindo um "vale" pronunciado na distribuição. Em vez disso, há mais planetas presentes com tamanhos à volta de 1,4 e 2,4 raios da Terra. As últimas simulações, que pela primeira vez têm em conta propriedades realistas da água, indicam que os planetas gelados que migram para o interior dos sistemas planetários formam atmosferas espessas de vapor de água. Isto faz com que pareçam maiores do que seriam no seu local de origem. Isto produz o pico em cerca de 2,4 raios terrestres. Ao mesmo tempo, os planetas rochosos mais pequenos perdem parte do seu invólucro gasoso original ao longo do tempo, fazendo com que o seu raio medido diminua e contribuindo assim para a acumulação em cerca de 1,4 raios terrestres.
Crédito: R. Burn, Ch. Mordasini/Instituto Max Planck de Astronomia
Os enigmáticos sub-Neptunos
Dois tipos diferentes de exoplanetas habitam a gama de tamanhos que rodeiam a lacuna. Por um lado, temos os planetas rochosos, que podem ser mais massivos do que a Terra e são por isso chamados super-Terras. Por outro lado, os astrónomos estão a descobrir cada vez mais os chamados sub-Neptunos (ou mini-Neptunos) em sistemas planetários distantes, que são, em média, ligeiramente maiores do que as super-Terras.
"No entanto, não temos esta classe de exoplanetas no Sistema Solar", salienta Burn. "É por isso que, ainda hoje, não sabemos exatamente qual a sua estrutura e composição."
Ainda assim, os astrónomos concordam em geral que estes planetas possuem atmosferas significativamente mais extensas do que os planetas rochosos. Consequentemente, a compreensão da forma como as características destes sub-Neptunos contribuem para o "vale" do raio tem permanecido incerta. Poderá a diferença sugerir que estes dois tipos de mundos nascem de forma diferente?
Planetas gelados errantes
"Com base em simulações que já publicámos em 2020, os últimos resultados indicam e confirmam que a evolução dos sub-Neptunos após o seu nascimento contribui significativamente para a observada lacuna do raio", conclui Julia Venturini, da Universidade de Genebra, membro da colaboração PlanetS acima referida e que liderou o estudo de 2020.
Nas regiões geladas dos seus locais de nascimento, onde os planetas recebem menos radiação da estrela, os sub-Neptunos deveriam, de facto, ter tamanhos ausentes da distribuição observada. À medida que estes planetas presumivelmente gelados migram para mais perto da estrela, o gelo derrete, eventualmente formando uma espessa atmosfera de vapor de água.
Este processo resulta numa mudança nos raios dos planetas para valores maiores. Afinal de contas, as observações utilizadas para medir os raios planetários não conseguem distinguir se o tamanho determinado se deve apenas à parte sólida do planeta ou a uma densa atmosfera adicional.
Ao mesmo tempo, como já foi sugerido anteriormente, os planetas rochosos "encolhem" ao perderem a sua atmosfera. No geral, ambos os mecanismos produzem uma ausência de planetas com tamanhos à volta de dois raios terrestres.
Modelos físicos que simulam sistemas planetários
"A investigação teórica do grupo de Berna-Heidelberg já fez avançar significativamente, no passado, a nossa compreensão da formação e composição dos sistemas planetários", explica Thomas Henning, diretor do Instituto Max Planck de Astronomia. "O estudo atual é, portanto, o resultado de muitos anos de trabalho de preparação conjunta e de melhorias constantes dos modelos físicos."
Os resultados mais recentes derivam de cálculos de modelos físicos que traçam a formação e subsequente evolução dos planetas. Estes modelos englobam processos nos discos de gás e poeira que rodeiam as estrelas jovens e que dão origem a novos planetas. Estes modelos incluem o aparecimento de atmosferas, a mistura de diferentes gases e a migração radial.
"No centro deste estudo estão as propriedades da água a pressões e temperaturas que ocorrem no interior dos planetas e nas suas atmosferas", explica Burn. Compreender como a água se comporta numa vasta gama de pressões e temperaturas é crucial para as simulações. Só nos últimos anos é que este conhecimento tem sido de qualidade suficiente. É esta a componente que permite calcular de forma realista o comportamento dos sub-Neptunos, explicando assim a manifestação de atmosferas alargadas nas regiões mais quentes.
"É notável como, tal como neste caso, as propriedades físicas a nível molecular influenciam processos astronómicos de grande escala, como a formação de atmosferas planetárias", acrescenta Henning.
"Se alargássemos os nossos resultados a regiões mais frias, onde a água é líquida, isto poderia sugerir a existência de mundos aquáticos com oceanos profundos", diz Mordasini. "Tais planetas poderiam, potencialmente, albergar vida e seriam alvos relativamente simples para a procura de biomarcadores, graças ao seu tamanho."
Mais trabalho pela frente
No entanto, o trabalho atual é apenas um marco importante. Embora a distribuição simulada de tamanhos coincida de perto com a observada, e o "vale" do raio esteja no sítio certo, os pormenores ainda têm algumas inconsistências. Por exemplo, nos cálculos, demasiados planetas gelados acabam por ficar demasiado perto da estrela central. No entanto, os investigadores não veem esta circunstância como uma desvantagem e esperam aprender, desta forma, mais sobre a migração planetária.
Observações com telescópios como o James Webb ou o ELT (Extremely Large Telescope), este último ainda em construção, também podem ajudar. Estes telescópios seriam capazes de determinar a composição dos planetas em função do seu tamanho, permitindo assim testar as simulações aqui descritas.
Instituto SETI utiliza técnica de elipsoide para procurar sinais de civilizações distantes (via Instituto SETI)
Num artigo científico publicado na revista The Astronomical Journal, uma equipa de investigadores relatou um desenvolvimento empolgante para o campo da astrofísica e da procura de inteligência extraterrestre, utilizando observações da missão TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) para monitorizar o Elipsoide SETI, um método para identificar potenciais sinais de civilizações avançadas no cosmos. O Elipsoide SETI é uma abordagem estratégica para selecionar potenciais candidatas a tecnoassinaturas com base na hipótese de que as civilizações extraterrestres, ao observarem eventos galácticos significativos como a supernova 1987A, podem usar estas ocorrências como ponto focal para emitir sinais sincronizados e assim anunciar a sua presença. Ler fonte
Hubble rastreia enxames estelares do tipo "colar de pérolas" em colisões galácticas (via NASA)
Ao contrário do que se possa pensar, as colisões de galáxias não destroem as estrelas. De facto, as dinâmicas de choque desencadeiam novas gerações de estrelas e, presumivelmente, de planetas que as acompanham. Agora, o Telescópio Espacial Hubble localizou 12 galáxias em interação que têm longas caudas de gás, poeira e uma infinidade de estrelas. A nitidez e a sensibilidade do Hubble à luz ultravioleta revelaram 425 enxames de estrelas recém-nascidas ao longo destas caudas, que se assemelham a fios de luzes de Natal. Cada enxame contém cerca de 1 milhão de estrelas azuis recém-nascidas. Ler fonte
Astrofísicos desvendam o caso do enxofre "desaparecido" das nebulosas planetárias (via Universidade de Hong Kong)
Dois astrofísicos do Laboratório de Investigação Espacial da Universidade de Hong Kong resolveram finalmente um enigma astrofísico com 20 anos de existência, relacionado com as quantidades inferiores às esperadas do elemento enxofre encontradas nas nebulosas planetárias, em comparação com as expetativas e medições de outros elementos e outros tipos de objetos astrofísicos. Os níveis esperados de enxofre há muito que pareciam estar "em falta". No entanto, finalmente "apresentaram-se ao serviço" depois de se terem escondido à vista de todos, em resultado da utilização de dados altamente precisos e fiáveis. Ler fonte
Álbum de fotografias Quando as Rosas Não São Vermelhas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Tommy Lease (Sociedade Astronómica de Denver)
Claro, nem todas as rosas são vermelhas, mas podem ainda assim ser muito bonitas. Da mesma forma, a bela Nebulosa Roseta e outras regiões de formação estelar são muitas vezes vistas em imagens astronómicas com uma tonalidade predominantemente vermelha, em parte porque a emissão dominante na nebulosa é a dos átomos de hidrogénio. A linha de emissão ótica mais forte do hidrogénio, conhecida como H-alfa, encontra-se na região vermelha do espetro. Mas a beleza de uma nebulosa de emissão não precisa de ser apreciada apenas na luz vermelha. Outros átomos na nebulosa são também excitados pela luz energética das estrelas e produzem também linhas estreitas de emissão. Nesta ampliação da Nebulosa Roseta, as imagens de banda estreita são mapeadas em cores de banda larga para mostrar a emissão dos átomos de enxofre a vermelho, hidrogénio a verde e oxigénio a azul. De facto, o esquema de mapear estas linhas estreitas de emissão atómica para as cores mais amplas é adotado em muitas imagens de nebulosas de emissão pelo Hubble. Esta imagem abrange cerca de 50 anos-luz no centro da Nebulosa Roseta. A nebulosa encontra-se a cerca de 3000 anos-luz de distância, na direção da constelação de Unicórnio.
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