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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2085  
  01/03 a 04/03/2024  
     
 
MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO - OBSERVAÇÃO DO SOL
Data: 8 de março de 2024
Hora: 09:00-11:00
A manhã de 8 de março vai ser astronómica! Em conjunto com o Centro Ciência Viva Tavira iremos realizar esta sessão de observação do Sol pelas 09:00, no Jardim Manuel Bivar, em Faro.
A sessão é gratuita. Participe!
Local: Jardim Manuel Bívar, Faro
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 01/03: 61.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1870, nascia E. M. Antoniadi, astrónomo grego que ficou conhecido pelas suas observações de Marte. Foi o primeiro a apoiar a noção de canais marcianos, mas mais tarde chegou à conclusão de que eram apenas uma ilusão ótica.
Em 1927, nascimento de George Abell, que catalogou 2712 enxames galáticos e determinou os números relativos de galáxias com vários brilhos intrínsecos. Morreu em 1983.
Em 1966, a sonda soviética Venera 3 colide com o planeta Vénus, tornando-se na primeira a "aterrar" na superfície de outro planeta.
Em 1980, a sonda Voyager 1 confirma a existência de Jano, uma lua de Saturno. 
Em 1982, a soviética Venera 13 envia as primeiras fotografias a cores de Vénus (a Venera 14 seguiu-a 4 dias depois).

Foi lançada a 30 de outubro de 1981 e a Venera 14 a 4 de novembro de 1981.
Em 2002, lançamento da missão STS-109, com objetivo de fazer a manutenção do Telescópio Espacial Hubble. No mesmo ano, o satélite ambiental Envisat alcança com sucesso uma órbita de 800 km por cima da Terra no seu 11.º lançamento, transportando a carga mais pesada até à data, 8500 quilogramas.
HOJE, NO COSMOS:
Sirius brilha alta a sul à hora de jantar. Usando binóculos ou um telescópio com baixa ampliação, desça 4º a partir de Sirius. É mais ou menos um campo de visão de uns típicos binóculos. Consegue ver a pequena "nuvem" difusa? É o enxame aberto M41, a cerca de 2300 anos-luz de distância. A sua magnitude é de 4,5. Sirius, em comparação, fica a apenas 8,6 anos-luz - e é 400 vezes mais brilhante.

 

DIA 02/03: 62.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1972, é lançada a sonda americana Pioneer 10. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteroides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).

Torna-se também na primeira sonda a navegar para lá da órbita dos planetas do Sistema Solar exterior. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1978, o astronauta checo Vladimir Remek torna-se no primeiro não-russo ou não-americano a ir ao espaço, a bordo da Soyuz 28.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileo indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa crosta de gelo.
HOJE, NO COSMOS:
Fevereiro foi o mês em que Orionte se destacou o mais alto a sul ao início da noite. Agora, a chegada de março empurra Orionte para oeste e traz o seu cão, Cão Maior, com Sirius no peito, para o meridiano.
Sirius não é apenas a estrela mais brilhante do nosso céu noturno, é também a estrela mais próxima visível a olho nu, a 8,6 anos-luz, para quem vive a latitudes médias norte. Isto torna Sirius o objeto visível a olho nu mais próximo depois de Saturno (ou talvez depois de Úrano se o seu céu for suficientemente escuro).
Alpha Centauri é na realidade a estrela mais próxima visível a olho nu do céu noturno, a 4,3 anos-luz, mas temos que estar mais para sul para a poder observar. E, no céu a norte, três ténues anãs vermelhas estão mais perto do que Sirius, mas essas requerem binóculos ou um telescópio.

 

DIA 03/03: 63.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1915, é fundada a NACA, antecessora da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger.
Em 1968, nascia Brian Cox, físico inglês, conhecido por apresentar vários programas televisivos de ciência. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objetivo de testar o módulo lunar.
Em 2005, graças a observações do VLT do ESO e do XMM-Newton da ESA, astrónomos anunciam a descoberta da estrutura mais distante e mais massiva do Universo até à data. É um remoto enxame galáctico com milhares de vezes a massa da Via Láctea e está a mais de 9 mil milhões de anos-luz de distância.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, praticamente em Quarto Minguante, nasce pelas 01:25 (atinge essa fase às 15:23). Brilha muito perto da estrela Antares, da constelação de Escorpião.

 

DIA 04/03: 64.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.
Em 1881, nascia Richard Chace Tolman, físico americano, uma autoridade em mecânica estatística. 

Fez importantes contribuições para a cosmologia teórica nos anos após a descoberta da relatividade geral por Einstein. 
Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, as primeiras imagens de sempre do seu núcleo. 
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita. 
Em 1999, voo rasante do asteroide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2004, a Rosetta completa o seu primeiro "flyby" pela Terra. 
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida.
HOJE, NO COSMOS:
Olhe para este após o lusco-fusco para ver que a constelação de Leão já está a subir no céu. A sua estrela mais brilhante é Régulo. A "foice" de Leão (com punho e meio, à distância do braço esticado, de altura) estende-se para cima e para a sua esquerda.

 
 
   
Webb descobre que as galáxias anãs reionizaram o Universo
 
Os astrónomos estimam que 50.000 fontes de luz no infravermelho próximo estão representadas nesta imagem do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. A sua luz percorreu distâncias variáveis para alcançar os detetores do telescópio, representando a imensidão do espaço numa única imagem.
Crédito: NASA, ESA, CSA, I. Labbe (Universidade de Swinburne) e R. Bezanson (Universidade de Pittsburgh); processamento de imagem - Alyssa Pagan (STScI)
 

Utilizando as capacidades sem precedentes do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, uma equipa internacional de cientistas obteve as primeiras observações espetroscópicas das galáxias mais ténues durante os primeiros mil milhões de anos do Universo. Estas descobertas ajudam a responder a uma questão de longa data dos astrónomos: que fontes causaram a reionização do Universo?

Ainda há muito por compreender sobre o período, no início da história do Universo, conhecido como a era da reionização. Foi um período de escuridão sem estrelas ou galáxias, preenchido por uma densa névoa de hidrogénio gasoso, até que as primeiras estrelas ionizaram o gás à sua volta e a luz começou a viajar. Os astrónomos passaram décadas a tentar identificar as fontes que emitiam radiação suficientemente poderosa para dissipar gradualmente este nevoeiro de hidrogénio que cobria o Universo primitivo.

O programa UNCOVER (Ultradeep NIRSpec and NIRCam ObserVations before the Epoch of Reionization) consiste em observações espetroscópicas e de imagem do enxame Abell 2744. Uma equipa internacional de astrónomos utilizou a lente gravitacional deste alvo, também conhecido como Enxame de Pandora, para investigar as fontes do período de reionização do Universo. As lentes gravitacionais ampliam e distorcem o aspeto de galáxias ainda mais distantes, pelo que têm um aspeto muito diferente das que se encontram em primeiro plano.

A "lente" deste enxame massivo de galáxias deforma o tecido do próprio espaço de tal modo que a luz de galáxias distantes, que passa através do espaço deformado, também assume um aspeto deformado. O efeito de ampliação permitiu à equipa estudar fontes muito distantes de luz para lá de Abell 2744, revelando oito galáxias extremamente ténues que, de outra forma, seriam indetetáveis, até para o Webb.

A equipa descobriu que estas galáxias ténues são produtoras de imensa luz ultravioleta, a níveis quatro vezes superiores ao que se supunha anteriormente. Isto significa que a maior parte dos fotões que reionizaram o Universo provém provavelmente destas galáxias anãs.

"Esta descoberta revela o papel crucial desempenhado pelas galáxias ultrafracas na evolução inicial do Universo", disse Iryna Chemerynska, membro da equipa, do Instituto de Astrofísica de Paris, França. "Produzem fotões ionizantes que transformam o hidrogénio neutro em plasma ionizado durante a reionização cósmica. Isto realça a importância de compreender o papel das galáxias de baixa massa na história do Universo".

"Estas potências cósmicas emitem coletivamente energia mais do que suficiente para fazer o trabalho", acrescentou o líder da equipa, Hakim Atek, também do Instituto de Astrofísica de Paris e autor principal do artigo científico que descreve este resultado. "Apesar do seu tamanho minúsculo, estas galáxias de baixa massa são produtoras prolíficas de radiação energética, e a sua abundância durante este período é tão substancial que a sua influência coletiva pode transformar todo o estado do Universo."

Para chegar a esta conclusão, a equipa começou por combinar dados extremamente sensíveis de imagem do Webb com imagens de Abell 2744 obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para selecionar galáxias candidatas extremamente ténues na época da reionização.

Seguiu-se então espetroscopia com o instrumento NIRSpec (Near-InfraRed Spectrograph) do Webb. O componente MSA (Multi-Shutter Assembly) deste instrumento foi utilizado para captar vários espetros destas galáxias ténues. Esta é a primeira vez que os cientistas estimam de forma fiável a frequência das galáxias ténues. Os resultados confirmam que são o tipo de galáxias mais abundante durante a época da reionização. É também a primeira vez que se mede o poder de ionização destas galáxias, o que permite aos astrónomos determinar que estão a produzir radiação energética suficiente para ionizar o Universo primitivo.

"A incrível sensibilidade do NIRSpec, combinada com a ampliação gravitacional proporcionada pelo enxame Abell 2744, permitiu-nos identificar e estudar em pormenor estas galáxias dos primeiros mil milhões de anos do Universo, apesar de serem mais de 100 vezes mais fracas do que a nossa Via Láctea", continuou Hakim.

Num próximo programa de observação do Webb, denominado GLIMPSE, os cientistas obterão as observações mais sensíveis alguma vez efetuadas do céu. Ao apontar para outro enxame galáctico, chamado Abell S1063, serão identificadas galáxias ainda mais fracas durante a época da reionização. Isto permitirá aos cientistas verificar se as galáxias anãs do estudo atual são típicas da distribuição galáctica a larga escala. Uma vez que estes novos resultados se baseiam em observações obtidas num único campo, a equipa salienta que as propriedades ionizantes das galáxias fracas podem ser diferentes se estas residirem em regiões mais densas.

Por conseguinte, observações adicionais num campo diferente fornecerão novos conhecimentos e ajudarão a verificar estas conclusões. As observações do programa GLIMPSE também ajudarão os astrónomos a investigar o período conhecido como "amanhecer cósmico", quando o Universo tinha apenas alguns milhões de anos, para melhorar a nossa compreensão do aparecimento das primeiras galáxias.

Estes resultados foram publicados na revista Nature.

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// Universidade do Estado da Pensilvânia (comunicado de imprensa)
// Universidade de Swinburne (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
17/02/2023 - Webb descobre novos detalhes no Enxame de Pandora
22/11/2022 - Telescópio Webb revela o nascimento de galáxias, como o Universo se tornou transparente

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
Universe Today
PHYSORG
UPI

Enxame de Pandora (Abell 2744):
Wikipedia

Lentes gravitacionais:
Wikipedia

Universo:
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Lei de Hubble (Wikipedia)
Determinando a constante de Hubble (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
"Escada" de distâncias cósmicas (Wikipedia)
Reionização (Wikipedia)

Programa UNCOVER:
GitHub

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Programas DD-ERS do Webb (STScI)
Ciclo 2 GO do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST

 
   
Cicatriz de metais encontrada em estrela canibal
 
Esta imagem artística mostra a anã branca magnética WD 0816-310, onde os astrónomos encontraram um género de cicatriz na sua superfície resultante da "ingestão" de restos planetários.
Quando se aproximam da anã branca, objetos como planetas ou asteroides desfazem-se, formando um disco de restos em torno da estrela morta. Parte deste material pode ser "devorado" pela anã branca, deixando traços de certos elementos químicos na sua superfície.
Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos descobriram que a assinatura destes elementos químicos varia periodicamente com a rotação da estrela, do mesmo modo que o campo magnético. Isto significa que os campos magnéticos guiaram estes elementos em queda na estrela, concentrando-os nos polos magnéticos e dando origem à cicatriz que aqui vemos.
Crédito: ESO/L. Calçada
 

Quando uma estrela como o Sol chega ao final da sua vida, pode "ingerir" planetas e asteroides do seu meio circundante e que nasceram com ela. Agora, com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, os investigadores encontraram pela primeira vez uma assinatura única deste processo: uma espécie de cicatriz na superfície de uma estrela anã branca. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.

"É bem sabido que algumas anãs brancas, remanescentes de estrelas como o nosso Sol que arrefecem lentamente, estão a canibalizar pedaços dos seus sistemas planetários. Agora descobrimos que o campo magnético da estrela desempenha um papel fundamental neste processo, resultando numa espécie de cicatriz na superfície da anã branca", disse Stefano Bagnulo, astrónomo do Observatório & Planetário de Armagh, na Irlanda do Norte, Reino Unido, principal autor do estudo.

A "cicatriz" que a equipa observou trata-se de uma concentração de metais bem marcada na superfície da anã branca WD 0816-310, o remanescente do tamanho da Terra de uma estrela semelhante (apenas um pouco maior) ao nosso Sol. "Demonstrámos que estes metais são originários de um fragmento planetário tão grande ou talvez até maior do que Vesta, o qual tem cerca de 500 km de diâmetro e é o segundo maior asteroide do Sistema Solar", explicou Jay Farihi, professor da University College London, Reino Unido, coautor do estudo.

As observações forneceram também pistas sobre a forma como a estrela obteve esta cicatriz metálica. A equipa notou que a intensidade da deteção de metais mudava à medida que a estrela rodava, o que sugere que os metais se concentram numa área específica da anã branca, em vez de se espalharem por toda a sua superfície. Os investigadores descobriram também que estas mudanças estão sincronizadas com as mudanças no campo magnético da anã branca, indicando que esta cicatriz de metais está localizada num dos seus polos magnéticos. Todas estas pistas em conjunto parecem indicar que o campo magnético canalizou metais para a estrela, criando esta marca.

"Surpreendentemente, o material não se encontra uniformemente distribuído na superfície da estrela, como previsto pela teoria. Em vez disso, esta cicatriz é uma mancha concentrada de material planetário, mantido neste sítio pelo mesmo campo magnético que guiou os fragmentos em queda", disse o coautor John Landstreet, professor da Universidade de Western Ontario, Canadá, também afiliado ao Observatório & Planetário de Armagh. "Nunca tínhamos observado até agora nada deste género".

Para chegar a estas conclusões, a equipa utilizou o instrumento FORS2 montado no VLT, que permitiu aos cientistas detetar esta cicatriz metálica e relacioná-la com o campo magnético da estrela. "O ESO tem uma combinação única de capacidades necessárias para observar objetos ténues, como é o caso das anãs brancas, e medir campos magnéticos estelares com bastante sensibilidade”, disse Bagnulo. No seu estudo, a equipa utilizou igualmente dados de arquivo do instrumento X-shooter do VLT para confirmar os resultados.

Tirando partido de observações como estas, os astrónomos conseguem determinar a composição da maioria dos exoplanetas — planetas que orbitam outras estrelas fora do Sistema Solar. Este estudo único mostra igualmente como os sistemas planetários podem permanecer dinamicamente ativos, mesmo depois de "mortos".

// ESO (comunicado de imprensa)
// UCL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Cicatriz de metais encontrada em estrela canibal | ESOcast Light (ESO via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
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SPACE.com
ScienceDaily
COSMOS
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science alert
CNN
Reuters
Newsweek
SAPO

Anãs brancas:
Wikipedia
NASA

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia
FORS2 (ESO)
X-shooter (ESO)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Será que encontrámos uma descendente direta das primeiras estrelas?
 
A estrela J1010+2358.
Crédito: Populär Astronomi
 

A estrela J1010+2358 pode descender de apenas uma das primeiras estrelas, o que a tornaria uma poderosa sonda da elusiva primeira geração de estrelas. No entanto, uma nova investigação descobriu que as suas propriedades são consistentes com uma série de ancestrais estelares.

Em busca da primeira geração de estrelas

As primeiras estrelas do Universo surgiram em nuvens de gás puro contendo apenas hidrogénio, hélio e uma pequena quantidade de lítio. Este conjunto simples de ingredientes químicos provavelmente permitiu com que a primeira geração de estrelas atingisse massas enormes, embora a distribuição exata das suas massas seja desconhecida. Estas estrelas primitivas criaram novos elementos nos seus núcleos e espalharam-nos pelo Universo em grandes nuvens de gás enriquecido com metais.

Embora as estrelas massivas desta primeira geração tenham desaparecido há muito da Via Láctea, as suas descendentes podem ainda vaguear pela Galáxia. Encontrar estas descendentes - especialmente aquelas em que podemos rastrear o seu material até um único membro da primeira geração - seria uma forma poderosa de estudar as primeiras estrelas do Universo. Recentemente, investigadores afirmaram ter encontrado uma dessas estrelas, de nome J1010+2358.

A ausência geral de metais (elementos mais pesados que o hélio, na linguagem dos astrónomos) e o curioso padrão de abundância química da estrela sugerem que esta foi criada a partir do gás deixado por uma estrela com 260 massas estelares; J1010+2358 é especialmente pobre em elementos com números atómicos ímpares, como o sódio, em comparação com os elementos com números atómicos pares. Agora, uma equipa liderada por Ioanna Koutsouridou (Universidade de Florença) investigou se J1010+2358 é realmente a descendente de um único e massivo membro da primeira geração de estrelas.

Um estudo de genealogia estelar

A equipa de Koutsouridou examinou se J1010+2358 contém material herdado de uma única estrela com 260 vezes a massa do Sol, ou se contém material de várias estrelas. Usando modelos de abundância química, a equipa descobriu que J1010+2358 pode, de facto, descender de uma estrela com 260 massas solares - mas também pode ter tido outras progenitoras estelares. Na verdade, sem ser possível medir vários elementos químicos críticos no espetro de J1010+2358, só é possível dizer que o antepassado estelar teorizado contribuiu com pelo menos 10% dos metais de J1010+2358.

Embora J1010+2358 possa ter mais do que uma progenitora estelar, as suas propriedades podem ainda assim ajudar os investigadores a sondar a geração de estrelas que a precedeu. Usando modelos de como o enriquecimento químico da Via Láctea evoluiu ao longo do tempo, Koutsouridou e colaboradores usaram a não deteção de estrelas enriquecidas por apenas um antepassado estelar para determinar as massas das primeiras estrelas. A força da restrição depende da quantidade de material de J1010+2358 que veio do seu antepassado com 260 massas solares; só se mais de 70% dos metais da estrela vierem de um único antepassado é que o seu padrão de abundância química pode restringir a possível distribuição de massa das primeiras estrelas.

A caça às descendentes das primeiras estrelas prossegue: os levantamentos de alta resolução continuam a descobrir estrelas com apenas um antepassado estelar de primeira geração, e observações futuras poderão preencher as medições de abundância elementar em falta no espetro de J1010+2358 e assim clarificar a sua árvore genealógica.

// AAS Nova (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


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LAMOST J1010+2358:
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Metalicidade:
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LAMOST:
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Também em destaque
  Astrónomos revelam uma nova ligação entre a água e a formação planetária (via Universidade de Manchester)
Os investigadores descobriram vapor de água no disco em torno de uma estrela jovem, exatamente onde se podem estar a formar planetas. A água é um ingrediente chave para a vida na Terra e pensa-se que também desempenha um papel significativo na formação planetária. No entanto, até agora, os astrónomos nunca tinham conseguido mapear a forma como a água se distribui num disco estável e frio - o tipo de disco que fornece as condições mais favoráveis para a formação de planetas em torno de estrelas. Pela primeira vez, os astrónomos pesaram a quantidade de vapor de água em torno de uma típica estrela formadora de planetas. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias
Na Direção de M106

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Kyunghoon Lim
 
A grande, brilhante e bela espiral Messier 106 domina esta vista cósmica. O campo telescópico com quase dois graus de largura olha na direção da "bem treinada" constelação de Cães de Caça, perto da "pega" da Ursa Maior. Também conhecida como NGC 4258, M106 tem cerca de 80.000 anos-luz de diâmetro e está a 23,5 milhões de anos-luz de distância, sendo o maior membro do grupo de galáxias Canes II. Para uma galáxia muito distante, a distância a M106 é até bem conhecida, em parte porque pode ser medida diretamente através do rastreio do seu notável maser, ou emissão laser de micro-ondas). Muito rara, mas de ocorrência natural, a emissão do maser é produzida por moléculas de água em nuvens moleculares que orbitam o seu núcleo galáctico ativo. NGC 4217 é outra galáxia espiral proeminente na cena, vista quase de lado, em baixo e para a direita de M106. A distância a NGC 4217 é muito menos conhecida, estimada em cerca de 60 milhões de anos-luz. As estrelas brilhantes e "pontiagudas" estão em primeiro plano, bem dentro da nossa galáxia, a Via Láctea.
 
   
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