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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2114  
  11/06 a 13/06/2024  
     
 
OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA
Data: 28 de junho de 2024
Hora: 10:00-12:00
No dia 28 de Junho, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve iremos realizar mais uma Sessão de Observação do Sol, desta vez no Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira pelas 10h00.
A sessão é gratuita. Apareça!
Local: Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528
geral@cvtavira.pt
 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 11/06: 163.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1723 nascia Johann Georg Palitzsch, astrónomo alemão que observaria em 1758 o regresso do cometa Halley, tal como previsto por Edmond Halley em 1705.

Em 1867, nascia Charles Fabry, físico francês que se especializou em ótica e interferometria. Em 1913, demonstrou que o ozono na atmosfera superior é responsável por filtrar a radiação ultravioleta do Sol. 
Em 2004, a sonda Cassini-Huygens faz a sua maior aproximação a Febe.
Em 2008, lançamento do Telescópio Espacial de Raios-Gama Fermi.
Em 2013, lançamento do Shenzhou 10, a quinta missão tripulada da China e a segunda e última até ao laboratório espacial Tiangong-1, com 3 taikonautas a bordo e duração de 15 dias.
HOJE, NO COSMOS:
Após o lusco-fusco, procure Régulo a poucos graus para a esquerda da Lua Crescente. Algieba, Gamma Leonis, encontra-se para cima do nosso satélite natural. É um bonito sistema duplo telescópico, com magnitudes 2,4 e 3,6, separação de 4,7 segundos de arco.

 

DIA 12/06: 164.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1843, nascia David Gill, astrónomo escocês, famoso pela sua medição de distâncias astronómicas. Redeterminou a distância ao Sol com um grau de precisão tão elevado que o valor foi usado em almanaques até 1968.
Em 1967 era lançada a Venera 4 que seria a primeira sonda a enviar dados da atmosfera de outro planeta (Vénus) para a Terra. 

Em 2004, um meteorito condrito de 1,3 kg atinge uma casa em Ellserslie, Nova Zelândia, provocando grandes danos mas nenhuns ferimentos.
HOJE, NO COSMOS:
Arcturo, de magnitude 0, brilha com um pálido tom amarelo-alaranjado bem por cima das nossas cabeças a sul por estas noites. A forma da sua constelação, Boieiro, é parecida à de um papagaio-de-papel ligeiramente torto com 23º de comprimento: cerca de dois punhos à distância do braço esticado.

 

DIA 13/06: 165.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1831 nascia James Clerk Maxwell, físico escocês que formulou uma série de equações que descrevem a eletricidade, magnetismo e ótica como manifestações do mesmo fenómeno, nomeadamente, o campo eletromagnético.
Em 1983 a sonda Pioneer 10 torna-se o primeiro artefacto humano a abandonar o sistema planetário solar, quando passa para lá da órbita de Neptuno (o planeta mais longínquo do Sol na altura).

Em 2010, a cápsula da sonda Hayabusa, contendo partículas do asteroide 25143 Itokawa, regressa à Terra.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, praticamente em Quarto Crescente, brilha na fronteira entre as constelações de Virgem e Leão, a dois punhos à distância do braço esticado para cima e para a esquerda de Régulo e a três para a direita de Espiga, as estrelas mais brilhantes das duas constelações.
Cerca de um punho à distância do braço esticado para cima do nosso satélite natural está Denébola, de segunda magnitude, a cauda de Leão. Denébola forma um triângulo equilátero praticamente perfeito com Espiga para a sua esquerda e a mais brilhante Arcturo para cima. Todos os lados do triângulo têm quase 35º de comprimento (35,3º, 35,1º e 32,8º).

 
 
   
Gaia: A última grande colisão da Via Láctea ocorreu há relativamente pouco tempo
 
Esta imagem visualiza a Via Láctea e o seu "halo" circundante de estrelas. A maioria das estrelas da Via Láctea encontra-se no disco (como o Sol, por exemplo), mas as estrelas de colisões passadas acabam no halo, uma grande "nuvem" de estrelas que se estende em todas as direções. Estas estrelas do halo foram realçadas nesta imagem, mas na realidade seriam muito fracas em comparação com o disco. Aqui, o halo parece confuso e "enrugado", um sinal de que a fusão ocorreu há relativamente pouco tempo.
A nova descoberta do Gaia revela que as "rugas" que vemos na Via Láctea foram provavelmente causadas por uma galáxia anã que colidiu há cerca de 2,7 mil milhões de anos - por outras palavras, uma grande parte da Via Láctea só se juntou a nós nos últimos milhares de milhões de anos.
As duas galáxias satélites mais proeminentes da nossa Via Láctea (a Grande e a Pequena Nuvem de Magalhães) são visíveis no canto inferior direito.
Crédito: estrelas do halo - ESA/Gaia/DPAC, T. Donlon et al. 2024; Via Láctea e Nuvens de Magalhães - Stefan Payne-Wardenaar
 

A nossa Galáxia colidiu com muitas outras desde o seu nascimento. O telescópio espacial Gaia da ESA revela agora que a mais recente destas colisões ocorreu milhares de milhões de anos mais tarde do que pensávamos.

A Via Láctea cresceu com o passar do tempo, à medida que outras galáxias se aproximaram, colidiram e foram despedaçadas e consumidas pela nossa Galáxia. Cada colisão provocou "rugas" que ainda hoje se propagam por diferentes famílias de estrelas, afetando a maneira como se movem e se comportam no espaço.

Um dos objetivos do Gaia é desvendar a história da nossa Galáxia através do estudo destas "rugas" - algo que está a fazer ao identificar as posições e movimentos de mais de 100.000 estrelas próximas, uma pequena fração dos cerca de dois mil milhões de fontes que observa.

"Nós ficamos com mais rugas à medida que envelhecemos, mas o nosso trabalho revela que o oposto é verdadeiro para a Via Láctea. É uma espécie de Benjamin Button cósmico, que fica com menos rugas com o tempo", diz Thomas Donlon do Instituto Politécnico Rensselaer e da Universidade do Alabama em Huntsville, EUA, principal autor do novo estudo do Gaia. "Observando a forma como estas 'rugas' se dissipam ao longo do tempo, podemos saber quando é que a Via Láctea sofreu a sua última grande colisão - e ao que parece isso teve lugar milhares de milhões de anos mais tarde do que pensávamos."

Estas "rugas" galácticas só foram descobertas pelo Gaia em 2018. Este estudo é o primeiro a determinar com exatidão o momento da colisão que originou as "rugas", comparando observações com simulações cosmológicas.

Movimentos estranhos

O halo da Via Láctea contém um grande grupo de estrelas com órbitas invulgares, muitas das quais se pensa terem sido adotadas pela nossa Galáxia durante um acontecimento a que os astrónomos chamam a "última grande fusão". Tal como o nome sugere, esta foi a última vez que a nossa Galáxia sofreu uma colisão significativa com outra galáxia - que se propõe ser uma galáxia anã massiva que inundou a Via Láctea com estrelas que passam muito perto do Centro Galáctico.

Os cientistas tinham datado esta fusão há 8-11 mil milhões de anos atrás, quando a Via Láctea estava na sua infância, e é conhecida como Gaia-Salsicha-Encélado (ou GSE). Mas os dados do Gaia - parte da terceira divulgação de dados do telescópio em 2022 - sugerem agora que outra fusão pode ter originado as estrelas com um movimento invulgar.

"Para que as 'rugas' das estrelas sejam tão claras como aparecem nos dados do Gaia, devem ter-se juntado a nós há menos de três mil milhões de anos - pelo menos cinco mil milhões de anos mais tarde do que se pensava anteriormente", acrescenta a coautora Heidi Jo Newberg, também do Instituto Politécnico Rensselaer. "Novas 'rugas' de estrelas formam-se sempre que as estrelas oscilam para trás e para a frente no centro da Via Láctea. Se elas se tivessem juntado a nós há oito mil milhões de anos, haveria tantas rugas mesmo ao lado umas das outras que já não as veríamos como características separadas".

A descoberta sugere que, em vez destas estrelas terem origem na antiga fusão GSE, devem ter vindo de um acontecimento mais recente, designado por Fusão Radial de Virgem, que teve lugar há menos de três mil milhões de anos.

 
Nesta imagem, o halo aparece suave e uniforme. Se a nossa Galáxia tiver este aspeto, isso indicaria que uma fusão ocorreu num passado remoto.
Crédito: estrelas do halo - ESA/Gaia/DPAC, T. Donlon et al. 2024; Via Láctea e Nuvens de Magalhães - Stefan Payne-Wardenaar
 

Reescrevendo a história

Há evidências de que a fusão GSE teve lugar num passado longínquo da história da Via Láctea. No entanto, trabalhos recentes têm questionado se uma fusão massiva antiga é de facto necessária para explicar as propriedades da Via Láctea tal como a vemos hoje, e se todas as estrelas originalmente associadas à GSE são provenientes do mesmo evento de fusão.

Em 2020, Thomas liderou o estudo que identificou "rugas" de estrelas na Via Láctea e comparou-as com simulações de diferentes fusões possíveis. "Podemos ver como as formas e o número de 'rugas' mudam ao longo do tempo utilizando estas fusões simuladas. Isto permite-nos identificar o momento exato em que a simulação corresponde melhor ao que vemos nos dados reais do Gaia sobre a Via Láctea atual - um método que também utilizámos neste novo estudo", diz Thomas. "Ao fazer isto, descobrimos que as 'rugas' foram provavelmente causadas pela colisão de uma galáxia anã com a Via Láctea há cerca de 2,7 mil milhões de anos. Chamámos a este evento a Fusão Radial de Virgem".

Desde então, Thomas e os seus colegas continuaram a explorar esta fusão, refinando lentamente a ideia de que muitas das estrelas e detritos estranhos que se movem no halo interior da Via Láctea foram entregues à nossa Galáxia por uma colisão galáctica muito mais recente do que a GSE. Esclareceram também que as estrelas originalmente associadas à GSE podem ter tido origem em múltiplas fusões, algumas antigas.

"A história da Via Láctea está, de momento, a ser constantemente reescrita, em grande parte graças aos novos dados do Gaia”, acrescenta Thomas. "A nossa imagem do passado da Via Láctea mudou radicalmente desde há uma década e penso que a nossa compreensão destas fusões continuará a mudar rapidamente.

"Este resultado - que uma grande parte da Via Láctea só se juntou a nós nos últimos milhares de milhões de anos - é uma grande mudança em relação ao que os astrónomos pensavam até agora. Muitos modelos e ideias populares sobre a forma como a Via Láctea cresce esperariam que uma recente colisão frontal com uma galáxia anã desta massa fosse muito rara."

É provável que a Fusão Radial de Virgem tenha trazido consigo uma família de outras pequenas galáxias anãs e enxames estelares, que se terão juntado à Via Láctea mais ou menos à mesma altura. Explorações futuras revelarão quais destes pequenos objetos, que se pensava estarem relacionados com uma antiga GSE, estão na realidade relacionados com a mais recente Fusão Radial de Virgem.

Uma colaboração incrível

Esta descoberta junta-se a uma série de resultados do Gaia que estão a reescrever a história do nosso lar cósmico. O telescópio espacial está numa posição única para explorar a miríade de estrelas nos nossos céus e, até à data, compilou um conjunto de dados inigualável sobre as posições, distâncias e movimentos de cerca de 1,5 mil milhões de estrelas.

"Gaia é uma missão extremamente produtiva que está a transformar a nossa visão do cosmos", diz Timo Prusti, cientista do projeto Gaia da ESA. "Resultados como este são possíveis graças ao incrível trabalho de equipa e à colaboração entre um grande número de cientistas e engenheiros de toda a Europa e não só."

"Esta descoberta melhora o que sabemos sobre os muitos acontecimentos complicados que moldaram a Via Láctea, ajudando-nos a compreender melhor como as galáxias se formam e são moldadas - a nossa Galáxia natal em particular."

// ESA (comunicado de imprensa)
// Instituto Politécnico Rensselaer (comunicado de imprensa)
// Universidade do Alabama em Huntsville (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Animação de uma galáxia anã a colidir com a Via Láctea (ESA Science Hub via YouTube)

 


Quer saber mais?

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS
Lista de correntes estelares da Via Láctea (Wikipedia)

Gaia-Salsicha-Encélado:
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

 
   
O Webb encontrou uma grande quantidade de moléculas de carbono em redor de uma estrela jovem
 
Esta é uma impressão artística de uma estrela jovem rodeada por um disco de gás e poeira. Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA para estudar o disco em torno de uma estrela jovem e de massa muito baixa, conhecida como ISO-ChaI 147. Os resultados revelam a química mais rica em hidrocarbonetos observada até à data num disco protoplanetário.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA para estudar o disco de gás e poeira em torno de uma estrela jovem de massa muito baixa. Os resultados revelam o maior número de moléculas contendo carbono observado até à data num disco deste tipo. Estas descobertas têm implicações na potencial composição de quaisquer planetas que se possam formar em torno desta estrela.

Os planetas rochosos têm maior probabilidade do que os gigantes gasosos de se formarem em torno de estrelas de baixa massa, o que os torna os planetas mais comuns em torno das estrelas mais comuns da nossa Galáxia. Pouco se sabe sobre a química desses mundos, que podem ser semelhantes ou muito diferentes da Terra. Ao estudar os discos a partir dos quais esses planetas se formam, os astrónomos esperam compreender melhor o processo de formação planetária e as composições dos planetas resultantes.

Os discos de formação planetária em torno de estrelas de massa muito baixa são difíceis de estudar porque são mais pequenos e mais ténues do que os discos em torno de estrelas de massa elevada. Um programa chamado MIRI (Mid-Infrared Instrument) Mid-INfrared Disk Survey (MINDS) tem como objetivo usar as capacidades únicas do Webb para construir uma ponte entre o inventário químico dos discos e as propriedades dos exoplanetas.

"O Webb tem melhor sensibilidade e resolução espetral do que os anteriores telescópios espaciais infravermelhos", explicou o autor principal, Aditya Arabhavi, da Universidade de Groninga, nos Países Baixos. "Estas observações não são possíveis a partir da Terra, porque as emissões do disco são bloqueadas pela nossa atmosfera."

Num novo estudo, esta equipa explorou a região em torno de uma estrela de massa muito baixa conhecida como ISO-ChaI 147, uma estrela com 1 a 2 milhões de anos com apenas 0,11 vezes a massa do Sol. O espetro revelado pelo MIRI do Webb mostra a química de hidrocarbonetos mais rica observada até à data num disco protoplanetário - um total de 13 moléculas diferentes de carbono. As descobertas da equipa incluem a primeira deteção de etano (C2H6) fora do nosso Sistema Solar, bem como de etileno (C2H4), propino (C3H4) e o radical metilo CH3.

"Estas moléculas já foram detetadas no nosso Sistema Solar, como em cometas como o 67P/Churyumov-Gerasimenko e o C/2014 Q2 (Lovejoy)", acrescentou Arabhavi. "O Webb permitiu-nos compreender que estas moléculas de hidrocarbonetos não são apenas diversas, mas também abundantes. É espantoso que possamos agora ver a dança destas moléculas nos berços planetários. É um ambiente de formação de planetas muito diferente daquele em que normalmente pensamos".

 
O espetro da estrela ISO-ChaI 147 revelado pelo MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Telescópio Espacial James Webb da NASA mostra a química mais rica em hidrocarbonetos observada até à data num disco protoplanetário, consistindo em 13 moléculas com carbono. Isto inclui a primeira deteção extrasolar de etano (C2H6). A equipa também detetou com sucesso o etileno (C2H4), o propino (C3H4) e o radical metilo CH3, pela primeira vez num disco protoplanetário.
Crédito: NASA, ESA, CSA, Ralf Crawford (STScI)
 

A equipa indica que estes resultados têm grandes implicações para a química do disco interior e para os planetas que aí se podem formar. Uma vez que o Webb revelou que o gás no disco é tão rico em carbono, é provável que reste pouco carbono nos materiais sólidos a partir dos quais se formariam os planetas. Como resultado, os planetas que aí se podem formar podem acabar por ser pobres em carbono (a própria Terra é considerada pobre em carbono).

"Isto é profundamente diferente da composição que vemos nos discos em torno de estrelas do tipo solar, onde dominam as moléculas que contêm oxigénio, como a água e o dióxido de carbono", acrescentou Inga Kamp, membro da equipa, também da Universidade de Groningen. "Este objeto estabelece que se trata de uma classe única de objetos".

"É incrível que consigamos detetar e quantificar a quantidade de moléculas que conhecemos bem na Terra, como o benzeno, num objeto que está a mais de 600 anos-luz de distância", acrescentou Agnés Perrin, membro da equipa, do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique), em França.

A seguir, a equipa científica pretende expandir o seu estudo a uma amostra maior de discos deste tipo em torno de estrelas de massa muito baixa, para desenvolver a sua compreensão de quão comuns ou exóticas são estas regiões de formação planetária terrestre ricas em carbono. "A expansão do nosso estudo também nos permitirá compreender melhor como estas moléculas se podem formar," explicou o membro da equipa e investigador principal do programa MINDS, Thomas Henning, do Instituto Max Planck de Astronomia na Alemanha. "Várias características nos dados do Webb também ainda não foram identificadas, pelo que é necessária mais espetroscopia para interpretar completamente as nossas observações."

Este trabalho também realça a necessidade crucial dos cientistas colaborarem entre disciplinas. A equipa salienta que estes resultados e os dados que os acompanham podem contribuir para outros campos, incluindo a física teórica, a química e a astroquímica, para interpretar os espetros e investigar novas características nesta gama de comprimentos de onda.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck de Astronomia (comunicado de imprensa)
// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// Universidade de Liège (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
Astronomy
SPACE.com
Science Daily
PHYSORG
Reuters

Disco protoplanetário:
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Simulações diminuem o entusiasmo em relação à água líquida em Marte
 
Esta imagem obtida pela sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) mostra camadas de gelo no polo sul de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona/JHU
 

Investigadores de Cornell forneceram uma explicação simples e compreensiva - se bem que menos dramática - para os reflexos brilhantes de radar inicialmente interpretados como água líquida sob a calote de gelo no polo sul de Marte.

As suas simulações mostram que pequenas variações nas camadas de água gelada - demasiado subtis para serem resolvidas pelos instrumentos de radar de penetração no solo - podem causar interferência construtiva entre as ondas de radar. Esta interferência pode produzir reflexões cuja intensidade e variabilidade coincidem com as observações efetuadas até à data - não só na área que se propõe ser água líquida, mas também nos chamados depósitos de camadas do polo sul.

As conclusões baseiam-se em simulações de 10.000 cenários de camadas e, para cada um, 1000 variações na espessura das camadas de gelo e no teor de poeira - mas nenhuma das condições invulgares ou materiais exóticos que seriam necessários para a existência de água líquida.

"Não posso dizer que seja impossível que exista água líquida 'lá em baixo', mas estamos a mostrar que há formas muito mais simples de obter a mesma observação sem ter de ir tão longe, usando mecanismos e materiais que já sabemos que existem", disse Daniel Lalich, investigador associado do CCAPS (Cornell Center for Astrophysics and Planetary Science), na Faculdade de Artes e Ciências. "Apenas através do acaso é possível criar o mesmo sinal observado no radar".

Lalich é o primeiro autor de um artigo científico publicado no dia 7 de junho na revista Science Advances. Os coautores são Alexander Hayes, professor no Departamento de Astronomia e diretor do CCAPS, e Valerio Poggiali, investigador associado do CCAPS.

Os exploradores robóticos forneceram evidências extensivas de que a água correu à superfície no passado de Marte, incluindo num antigo delta atualmente sob investigação pelo rover Perseverance da NASA. Com base num instrumento de radar que pode sondar abaixo da superfície para detetar água gelada e, potencialmente, aquíferos escondidos, os membros da equipa científica do orbitador Mars Express, liderada pela ESA, anunciaram em 2018 que tinham descoberto um lago enterrado abaixo da calote polar sul.

As implicações eram enormes: onde há água líquida, pode haver vida microbiana.

Mas ao passo que os mesmos reflexos brilhantes de radar indicariam provavelmente um lago subglacial na Terra, disse Lalich, as condições de temperatura e pressão em Marte são muito diferentes. Neste caso, a água líquida teria de ser uma salmoura espessa, ou exigiria minerais exóticos ou uma câmara de magma ativa por baixo da calote polar - nenhum dos quais foi detetado. Entretanto, as observações de outra nave espacial mostraram reflexos brilhantes distribuídos pelos depósitos em camadas, a profundidades variáveis e sem correlação com as condições da superfície. As condições que permitiriam a existência de água no local inicial, com cerca de 19 quilómetros de largura, não se aplicariam noutros locais, disse Lalich.

Utilizando modelos mais simples, Lalich mostrou anteriormente que os brilhantes sinais de radar poderiam ser criados na ausência de água líquida, mas disse que as suposições sobre camadas de dióxido de carbono gelado abaixo da calota de gelo provavelmente estavam incorretas.

A nova investigação conta uma história mais completa, disse, colmatando lacunas na hipótese da interferência do radar com modelos mais realistas. Os milhares de cenários de camadas gerados aleatoriamente basearam-se apenas nas condições conhecidas nos polos marcianos e variaram a composição e o espaçamento das camadas de gelo de formas que seriam de esperar ao longo de dezenas ou centenas de quilómetros.

Esses ligeiros ajustes produziram por vezes sinais subsuperficiais brilhantes, consistentes com observações em cada uma das três frequências utilizadas pelo instrumento de radar MARSIS da sonda Mars Express, uma parceria entre a NASA e a Agência Espacial Italiana. Provavelmente por uma razão simples, argumenta Lalich: ondas de radar ressaltando de camadas demasiado próximas para que o instrumento as possa resolver podem ser combinadas, amplificando os seus picos e quedas.

"Esta é a primeira vez que temos uma hipótese que explica toda a população de observações abaixo da calota de gelo, sem ter de introduzir nada de único ou estranho", disse Lalich. "Este resultado, em que obtemos reflexos brilhantes espalhados por todo o lado, é exatamente o que se esperaria de uma interferência de camada fina no radar".

Apesar de não excluir a possibilidade de uma futura deteção por instrumentos mais sensíveis, Lalich disse suspeitar que a história da água líquida e da potencial vida no Planeta Vermelho terminou há muito tempo.

"A ideia de que haveria água líquida, mesmo que um pouco perto da superfície, teria sido muito excitante", disse Lalich. "Apenas acho que não existe".

// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
04/10/2022 - Novas evidências de água líquida sob a calote polar sul de Marte
03/08/2021 - Argilas, não água, são a fonte provável dos "lagos" de Marte
29/06/2021 - Estudo examina mais de perto os sinais de água subterrânea em Marte
02/10/2020 - Mars Express descobre mais lagos subterrâneos em Marte
27/07/2018 - Mars Express deteta água líquida escondida sob o polo sul de Marte

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
Lagos subglaciares (Wikipedia)

Mars Express:
ESA 
Wikipedia

Rover Perseverance:
NASA
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  Webb revela colisão asteroidal em sistema estelar vizinho (via Universidade Johns Hopkins)
Os astrónomos captaram o que parece ser um instantâneo de uma colisão massiva de asteroides gigantes em Beta Pictoris, um sistema estelar vizinho conhecido pela sua idade precoce e pela sua tumultuosa atividade de formação planetária. As observações destacam os processos voláteis que moldam sistemas estelares como o nosso, fornecendo um vislumbre único das fases primordiais da formação dos planetas. Ler fonte
     
  Exoplaneta pequeno, frio e sulfuroso pode ajudar a escrever a receita da formação planetária (via Universidade de Wisconsin-Madison)
Uma surpreendente neblina amarela de dióxido de enxofre, na atmosfera de um exoplaneta "anão" gasoso a cerca de 96 anos-luz de distância do nosso Sistema Solar, faz do planeta um alvo privilegiado para os cientistas que tentam compreender a formação planetária. Os astrónomos descobriram o planeta GJ 3470 b em 2012, quando a sua sombra passou em frente da estrela hospedeira. GJ 3470 b está localizado na direção da constelação de Caranguejo e tem cerca de metade do tamanho de Neptuno, com uma massa 10 vezes superior à da Terra. Ler fonte
     
  Vulcões "gelados" descobertos nos trópicos de Marte (via ESA)
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Álbum de fotografias
NGC 4565: Galáxia de Lado

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Lóránd Fényes
 
A magnífica galáxia espiral NGC 4565, da perspetiva do planeta Terra, é vista de lado. Também conhecida como a Galáxia da Agulha devido ao seu perfil estreito, a brilhante NGC 4565 é uma paragem em muitos passeios telescópicos pelo céu do hemisfério norte, na ténue, mas "bem cuidada" constelação de Cabeleira de Berenice. Esta imagem nítida e colorida revela o núcleo central, com bojo, da galáxia, cortado por faixas de poeira escura que envolvem o fino plano galáctico de NGC 4565. A galáxia encontra-se a cerca de 40 milhões de anos-luz de distância e abrange cerca de 100.000 anos-luz. Facilmente observável com pequenos telescópios, os entusiastas do céu consideram NGC 4565 uma proeminente obra-prima celeste que Messier falhou em catalogar.
 
   
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