OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA Data: 28 de junho de 2024 Hora: 10:00-12:00
No dia 28 de Junho, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve iremos realizar mais uma Sessão de Observação do Sol, desta vez no Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira pelas 10h00.
A sessão é gratuita. Apareça! Local: Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528
geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 14/06: 166.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1627, nascia Johann Abraham Ihle, astrónomo amador alemão que descobriu o primeiro enxame globular, M22, no dia 26 de agosto de 1665, enquanto observava Saturno em Sagitário.
Em 1949, Albert II, um macaco-rhesus, viaja a bordo de um foguetão V2, até uma altitude de 134 km, tornando-se por isso no primeiro macaco no espaço.
Em 1962, a ESRO (European Space Research Organisation) é fundada em Paris - mais tarde tornando-se na ESA (European Space Agency).
Em 1967 era lançada a Mariner 5 (EUA): missão de voo rasante por Vénus (3.900 km a 19 de outubro de 1967).
Em 1975, lançamento da Venera 10, uma sonda soviética com destino Vénus.
Chegou ao planeta no dia 25 de outubro de 1975. O módulo de aterragem transmitiu imagens a preto e branco da superfície venusiana.
Em 2002, o asteroide 2002 MN falha a Terra por 121.000 km, aproximadamente um-terço da distância entre a Terra e a Lua.
Em 2015, a supernova ASASSN-15lh é vista por dois telescópios operados pelo ASASSN (All Sky Automated Survey for SuperNovae) e torna-se o caso mais extremo, até agora, de uma supernova superluminosa. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 06:18.
Nestes últimos dias antes do início do verão (o solstício ocorre dia 20), o Triângulo de Verão finalmente encontra-se a este após o anoitecer. A sua estrela de topo é Vega. Deneb é a estrela mais brilhante para baixo e para a esquerda de Vega, a cerca de dois ou três punhos à distância do braço esticado. Procure Altair para baixo e para a esquerda de Vega. Altair tem um brilho entre o de Vega e o de Deneb.
DIA 15/06: 167.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 763 AC, os assírios registam um eclipse solar que é mais tarde usado para corrigir a cronologia da história da Mesopotâmia.
Em 2000, cientistas descobrem açúcar no espaço.
A descoberta da molécula de açúcar, glicoaldeído, numa nuvem gigante de gás e poeira perto do centro da nossa Via Láctea, foi feita por cientistas usando o telescópio de 12 metros de Kitt Peak, no Arizona. HOJE, NO COSMOS:
A Lua situa-se esta noite entre as estrelas Espiga (para a esquerda) e a mais ténue Porrima (ou Gamma Virginis, para a direita e um pouco para cima). Gamma Vir é uma bonita estrela dupla telescópica, de brilho igual e separação de 3,4 segundos de arco este ano; está a aumentar lentamente. O par está orientado quase norte-sul.
DIA 16/06: 168.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1888, nascia Alexander Friedmann, físico e matemático soviético, conhecido pela sua teoria da expansão do Universo, regida por um conjunto de equações por ele desenvolvidas, agora conhecidas como as equações de Friedmann.
Em 1911, um meteorito rochoso com 772 g atinge a Terra perto de Kilbourn, no estado norte-americano do Wisconsin, danificando um celeiro.
Em 1963, Valentina Tereshkova torna-se na primeira mulher a ir ao espaço, a bordo da nave soviética Vostok 6.
O seu voo solitário é ainda único. Vinte anos mais tarde, no dia 18, Sally Ride torna-se na primeira americana em órbita, a bordo do vaivém espacial.
Em 1999, maior aproximação do asteroide 1685 Toro pela Terra (0,757 UA).
Em 2012, a China lança com sucesso a nave Shenzhou 9, que transporta três astronautas - incluindo a primeira astronauta chinesa, Liu Yang - até ao módulo orbital Tiangong-1. No mesmo dia, o avião robótico espacial dos EUA, Boeing X-37B, regressa à Terra após uma missão orbital secreta de 469 dias. HOJE, NO COSMOS:
Esta noite, a Lua encontra-se muito perto da estrela Espiga, na direção da constelação de Virgem.
DIA 17/06: 169.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1909, A. Kopff descobria o asteroide Hagar (682).
Em 1970, a tripulação da Soyuz 9, ao fim de 17 dias, quebra o anterior recorde (com cinco anos) de mais tempo passado no espaço.
Em 1985, lançamento da missão STS-51-G.
A bordo seguia o sultão Salman Al Saud da Arábia Saudita, o primeiro árabe, muçulmano e primeiro membro de uma família real no espaço. HOJE, NO COSMOS:
Ao final do lusco-fuso, procure a estrela Capella muito baixa a norte-noroeste, já fora da sua estação invernal. Quanto mais para norte estiver o observador, mais baixa estará. Poderá precisar de binóculos.
Telescópio James Webb abre uma nova janela para a ciência das supernovas
O campo JADES utiliza observações efetuadas pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA como parte do programa JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey). Uma equipa de astrónomos que estuda os dados do JADES identificou cerca de 80 objetos (assinalados a verde) que mudaram de brilho ao longo do tempo. A maioria destes objetos, conhecidos como transientes, são o resultado da explosão de estrelas ou supernovas. Antes deste estudo, apenas um punhado de supernovas tinha sido encontrado acima de um desvio para o vermelho de 2, o que corresponde a quando o Universo tinha apenas 3,3 mil milhões de anos - apenas 25% da sua idade atual. A amostra JADES contém muitas supernovas que explodiram ainda mais longe no passado, quando o Universo tinha menos de 2 mil milhões de anos. Inclui a mais longínqua alguma vez confirmada espetroscopicamente, com um desvio para o vermelho de 3,6. A sua estrela progenitora explodiu quando o Universo tinha apenas 1,8 mil milhões de anos. Clique aqui para ver uma versão maior não assinalada e aqui para ver uma versão maior assinalada.
Crédito:
NASA, ESA, CSA, STScI, Colaboração JADES
Ao perscrutar profundamente o cosmos, o Telescópio Espacial James Webb da NASA está a dar aos cientistas o seu primeiro vislumbre detalhado de supernovas numa época em que o nosso Universo tinha apenas uma pequena fração da sua idade atual. Uma equipa recorreu a dados do Webb para identificar 10 vezes mais supernovas no Universo primitivo do que as conhecidas anteriormente. Algumas das recém-descobertas estrelas explosivas são os exemplos mais distantes do seu tipo, incluindo os utilizados para medir o ritmo de expansão do Universo.
"O Webb é uma máquina a descobrir supernovas", disse Christa DeCoursey, estudante de terceiro ano na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA, e do Observatório Steward. "O grande número de deteções e as grandes distâncias destas supernovas são os dois resultados mais excitantes do nosso estudo."
DeCoursey apresentou estes resultados numa conferência de imprensa na 244.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana em Madison, no estado norte-americano do Wisconsin.
'Uma máquina a descobrir supernovas'
Para fazer estas descobertas, a equipa analisou dados de imagem obtidos como parte do programa JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey). O Webb é ideal para encontrar supernovas extremamente distantes porque a sua luz é esticada para comprimentos de onda mais longos - um fenómeno conhecido como desvio para o vermelho.
Antes do lançamento do Webb, apenas uma mão-cheia de supernovas havia sido encontrada acima de um desvio para o vermelho de 2, o que corresponde a quando o Universo tinha apenas 3,3 mil milhões de anos - apenas 25% da sua idade atual. A amostra JADES contém muitas supernovas que explodiram ainda mais longe no passado, quando o Universo tinha menos de 2 mil milhões de anos.
Anteriormente, os investigadores usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA para ver as supernovas de quando o Universo estava na fase de "jovem adulto". Com o JADES, os cientistas estão a ver as supernovas quando o Universo estava na sua "adolescência" ou "pré-adolescência". No futuro, esperam olhar ainda mais para trás, para a fase de "criança" ou "bebé" do Universo.
Para descobrir as supernovas, a equipa comparou várias imagens tiradas com um intervalo de um ano e procurou fontes que desaparecessem ou aparecessem nessas imagens. Estes objetos que variam no brilho observado ao longo do tempo são chamados transientes, e as supernovas são um tipo de transiente. No total, a equipa que procurava transientes na amostra do levantamento JADES descobriu cerca de 80 supernovas num pedaço de céu com a espessura de um grão de arroz mantido à distância do braço esticado.
"Esta é realmente a nossa primeira amostra do aspeto do Universo com um elevado desvio para o vermelho no que toca à ciência de transientes", disse o colega de equipa Justin Pierel, bolseiro da NASA no STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. "Estamos a tentar identificar se as supernovas distantes são fundamentalmente diferentes ou muito parecidas com o que vemos no Universo próximo."
Pierel e outros investigadores do STScI forneceram análises especializadas para determinar quais os transientes que eram de facto supernovas e quais não eram, porque regularmente são muito semelhantes.
A equipa identificou uma série de supernovas de elevado desvio para o vermelho, incluindo a mais distante alguma vez confirmada espetroscopicamente, com um desvio para o vermelho de 3,6. A sua estrela progenitora explodiu quando o Universo tinha apenas 1,8 mil milhões de anos. Trata-se de uma chamada supernova de colapso de núcleo, a explosão de uma estrela massiva.
Este mosaico mostra três dos cerca de 80 transientes, ou objetos de brilho variável, identificados nos dados do programa JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey). A maioria dos transientes são o resultado da explosão de estrelas ou supernovas. Comparando imagens obtidas em 2022 e 2023, os astrónomos puderam localizar supernovas que explodiram recentemente (como os exemplos mostrados nas duas primeiras colunas), ou supernovas que já tinham explodido e cuja luz estava a desaparecer (terceira coluna). A idade de cada supernova pode ser determinada a partir do seu desvio para o vermelho (designado por 'z'). A luz da supernova mais distante, com um desvio para o vermelho de 3,8, teve origem quando o Universo tinha apenas 1,7 mil milhões de anos. Um desvio para o vermelho de 2,845 corresponde a um período de 2,3 mil milhões de anos após o Big Bang. O exemplo mais próximo, com um desvio para o vermelho de 0,655, mostra uma luz que deixou a sua galáxia há cerca de 6 mil milhões de anos, quando o Universo tinha pouco mais de metade da sua idade atual.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STSCI, C. DeCoursey (Universidade do Arizona), Colaboração JADES
Descobrindo distantes supernovas de Tipo Ia
De particular interesse para os astrofísicos são as supernovas de Tipo Ia. Estas estrelas em explosão são tão previsivelmente brilhantes que são utilizadas para medir distâncias cósmicas longínquas e ajudam os cientistas a calcular o ritmo de expansão do Universo. A equipa identificou pelo menos uma supernova de Tipo Ia com um desvio para o vermelho de 2,9. A luz desta explosão começou a viajar até nós há 11,5 mil milhões de anos, quando o Universo tinha apenas 2,3 mil milhões de anos. O anterior recorde de distância para uma supernova de Tipo Ia, confirmada espetroscopicamente, tinha um desvio para o vermelho de 1,95, quando o Universo tinha 3,4 mil milhões de anos.
Os cientistas estão ansiosos por analisar as supernovas de Tipo Ia a elevados desvios para o vermelho, para ver se todas têm o mesmo brilho intrínseco, independentemente da distância. Isto é extremamente importante, porque se o seu brilho variar com o desvio para o vermelho, então não serão marcadores fiáveis para medir o ritmo de expansão do Universo.
Pierel analisou esta supernova de Tipo Ia encontrada no "redshift" 2,9 para determinar se o seu brilho intrínseco era diferente do esperado. Embora este seja apenas o primeiro objeto tão distante deste tipo, os resultados não indicam qualquer evidência de que o brilho de Tipo Ia muda com o desvio para o vermelho. São necessários mais dados, mas, por agora, as teorias baseadas em supernovas de Tipo Ia sobre o ritmo de expansão do Universo e o seu destino final permanecem intactas. Pierel também apresentou os seus resultados na 244.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana.
Olhando para o futuro
O Universo primitivo era um lugar muito diferente, com ambientes extremos. Os cientistas esperam ver supernovas antigas que provêm de estrelas que contêm muito menos elementos químicos pesados do que estrelas como o nosso Sol. A comparação destas supernovas com as do Universo local ajudará os astrofísicos a compreender a formação estelar e os mecanismos de explosão de supernovas nestes primeiros tempos.
"Estamos essencialmente a abrir uma nova janela para o Universo transiente", disse Matthew Siebert, bolseiro do STScI, que está a liderar a análise espetroscópica das supernovas da amostra do levantamento JADES. "Historicamente, sempre que o fizemos, encontrámos coisas extremamente excitantes - coisas que não esperávamos".
"Como o Webb é tão sensível, está a encontrar supernovas e outros transientes em quase todos os locais para onde aponta", disse Eiichi Egami, membro da equipa JADES, professor investigador da Universidade do Arizona em Tucson. "Este é o primeiro passo significativo em direção a levantamentos mais extensos de supernovas com o Webb".
Hubble encontra surpresas em torno de uma estrela que entrou em erupção há 40 anos
Esta ilustração mostra o sistema HM Sagittae (HM Sge), onde uma estrela anã branca está a retirar material da sua companheira gigante vermelha. Isto forma um disco quente em torno da anã, que pode imprevisivelmente sofrer uma explosão termonuclear espontânea à medida que o fluxo de hidrogénio da gigante vermelha se torna mais denso e atinge um ponto de rutura. Estes "fogos de artifício" entre estrelas companheiras são fascinantes para os astrónomos, pois permitem melhor compreender a física e a dinâmica da evolução estelar em sistemas binários.
Crédito:
NASA, ESA, Leah Hustak (STScI)
Os astrónomos utilizaram novos dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA e do SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), já reformado, bem como dados de arquivo de outras missões, para revisitar um dos mais estranhos sistemas estelares binários da nossa Galáxia - 40 anos depois de ter entrado em cena como uma nova brilhante e duradoura. Uma nova é uma estrela que aumenta subitamente o seu brilho de forma tremenda e depois desvanece para a sua anterior obscuridade, normalmente em poucos meses ou anos.
Entre abril e setembro de 1975, o sistema binário HM Sagittae (HM Sge) tornou-se 250 vezes mais brilhante. Ainda mais invulgar é o facto de não se ter desvanecido rapidamente, como acontece normalmente com as novas, mas ter mantido a sua luminosidade durante décadas. Recentemente, observações mostram que o sistema ficou mais quente, mas paradoxalmente desvaneceu-se um pouco.
HM Sge é um tipo particular de estrela simbiótica em que uma anã branca e uma estrela companheira gigante, inchada e produtora de poeira, estão numa órbita excêntrica uma em torno da outra, e a anã branca ingere o gás que flui da estrela gigante. Esse gás forma um disco quente e abrasador à volta da anã branca, que pode, de forma imprevisível, sofrer uma explosão termonuclear espontânea à medida que o fluxo de hidrogénio da gigante se torna mais denso à superfície estelar até atingir um ponto de rutura. Estes "fogos de artifício" entre estrelas companheiras fascinam os astrónomos, pois permitem melhor compreender a física e a dinâmica da evolução estelar em sistemas binários.
"Em 1975, HM Sge deixou de ser uma estrela desinteressante para se tornar algo que todos os astrónomos da área científica estavam a observar e, a certa altura, essa onda de atividade abrandou", disse Ravi Sankrit do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, EUA. Em 2021, Steven Goldman do STScI, Sankrit e colaboradores usaram instrumentos no Hubble e no SOFIA para ver o que tinha mudado em HM Sge nos últimos 30 anos em comprimentos de onda de luz desde o infravermelho até ao ultravioleta.
Uma imagem do Telescópio Espacial Hubble da estrela simbiótica HM Sagittae. Localizada a 3400 anos-luz de distância na direção da constelação de Seta, é constituída por uma gigante vermelha e uma anã branca companheira. As estrelas estão demasiado próximas uma da outra para serem resolvidas pelo Hubble. O material "escorre" da gigante vermelha e cai sobre a anã, tornando-a extremamente brilhante. Este sistema explodiu pela primeira vez como uma nova em 1975. A nebulosidade vermelha é evidência do vento estelar. A nebulosa tem cerca de um-quarto de ano-luz de diâmetro.
Crédito:
NASA, ESA, Ravi Sankrit (STScI), Steven Goldman (STScI); processamento da imagem - Joseph DePasquale (STScI)
Os dados ultravioleta de 2021, pelo Hubble, mostraram uma forte linha de emissão de magnésio altamente ionizado que não estava presente nos espetros publicados anteriormente em 1990. A sua presença mostra que a temperatura estimada da anã branca e do disco de acreção aumentou de menos de 220.000º C em 1989 para mais de 250.000º C agora. A linha de magnésio altamente ionizado é uma das muitas observadas no espetro UV que, analisadas em conjunto, revelarão a energia do sistema e como este mudou nas últimas três décadas.
"Quando vi pela primeira vez os novos dados", disse Sankrit, "pensei: 'Uau, isto é o que a espetroscopia UV do Hubble pode fazer!' - É espetacular, mesmo espetacular".
Com os dados do telescópio aéreo SOFIA da NASA, aposentado em 2022, a equipa conseguiu detetar a água, o gás e a poeira que circulam dentro e à volta do sistema. Os dados espetrais infravermelhos mostram que a estrela gigante, que produz grandes quantidades de poeira, voltou ao seu comportamento normal apenas alguns anos após a explosão, mas também que diminui de brilho nos últimos anos, o que é outro enigma a ser explicado.
Com o SOFIA, os astrónomos puderam ver a água a mover-se a cerca de 29 quilómetros por segundo, o que suspeitam ser a velocidade de rotação do disco de acreção em torno da anã branca. A ponte de gás que liga a estrela gigante à anã branca deve ter atualmente uma extensão de cerca de 3,2 mil milhões de quilómetros.
A equipa também tem trabalhado com a AAVSO (American Association of Variable Star Observers), para colaborar com astrónomos amadores de todo o mundo que ajudam a manter os olhos telescópicos em HM Sge; a sua monitorização contínua revela mudanças que não foram vistas desde a sua explosão há 40 anos.
"Estrelas simbióticas como HM Sge são raras na nossa Galáxia, e testemunhar uma explosão do tipo nova é ainda mais raro. Este acontecimento único é um tesouro para os astrofísicos que se estende durante décadas", disse Goldman.
SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy): NASA Wikipedia
O Sistema Solar pode ter passado por uma densa nuvem interestelar há 2 milhões de anos, alterando o clima da Terra
Durante um breve período de tempo, há milhões de anos, a Terra pode ter sido mergulhada para fora do escudo protetor de plasma do Sol, de nome heliosfera, que é aqui representado como a bolha cinzenta escura sobre o pano de fundo do espaço interestelar. De acordo com uma nova investigação, isto pode ter exposto a Terra a elevados níveis de radiação e influenciado o clima.
Crédito: Opher, et al., Nature Astronomy
Há cerca de dois milhões de anos, a Terra era um lugar muito diferente, com os nossos primeiros antepassados humanos a viverem ao lado de tigres dentes-de-sabre, mastodontes e enormes roedores. E talvez tivessem tido frio: A Terra atravessava um período intensamente frígido, a sucederem-se várias eras glaciares até há cerca de 12.000 anos. Os cientistas teorizam que as eras glaciares ocorrem por várias razões, incluindo a inclinação e rotação do planeta, a alteração das placas tectónicas, as erupções vulcânicas e os níveis de dióxido de carbono na atmosfera. Mas e se mudanças drásticas como estas não forem apenas resultado do ambiente da Terra, mas também da localização do Sol na Galáxia?
Num novo artigo científico publicado na revista Nature Astronomy, investigadores liderados pela Universidade de Boston encontraram evidências de que, há cerca de dois milhões de anos, o Sistema Solar encontrou uma nuvem interestelar tão densa que poderia ter interferido com o vento solar. Os cientistas pensam que a localização do Sol no espaço pode moldar a história da Terra mais do que se pensava.
Todo o nosso Sistema Solar está envolto num escudo protetor de plasma que emana do Sol, conhecido como heliosfera. É feito de um fluxo constante de partículas carregadas, chamado vento solar, que se estende para lá de Plutão, envolvendo os planetas naquilo a que a NASA chama uma "bolha gigante". Protege-nos da radiação e dos raios galácticos que podem alterar o ADN, e os cientistas pensam que é parte da razão pela qual a vida evoluiu na Terra do modo como o fez. De acordo com este estudo mais recente, a nuvem fria comprimiu a heliosfera de tal forma que colocou brevemente a Terra e os outros planetas do Sistema Solar fora da sua influência.
"Este trabalho é o primeiro a mostrar quantitativamente que houve um encontro entre o Sol e algo para lá do Sistema Solar que teria afetado o clima da Terra", afirma Merav Opher, física espacial da Universidade de Boston, especialista na heliosfera e principal autora do estudo.
Os seus modelos moldaram literalmente a nossa compreensão científica da heliosfera e da forma como a bolha é estruturada pelo vento solar que empurra o meio interestelar - o espaço na nossa Galáxia entre as estrelas e para além da heliosfera. A sua teoria é que a heliosfera tem a forma de um croissant inchado, uma ideia que abalou a comunidade da física espacial. Agora, está a lançar uma nova luz sobre a forma como a heliosfera e o local onde o Sol se move no espaço podem afetar a química atmosférica da Terra.
"As estrelas movem-se, e agora este artigo científico mostra não só que se movem, mas que encontram mudanças drásticas", diz Opher, professora de astronomia da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Boston e membro do Centro de Física Espacial da mesma instituição de ensino. Trabalhou neste estudo durante uma bolsa de um ano no Instituto Radcliffe em Harvard.
Opher e os seus colaboradores essencialmente recuaram no tempo, utilizando modelos informáticos sofisticados para visualizar a posição do Sol há dois milhões de anos - e, com ele, a heliosfera e o resto do Sistema Solar. Também mapearam o percurso da Corrente Local de Nuvens Frias, um sistema de nuvens grandes, densas e muito frias, feitas principalmente de átomos de hidrogénio. As suas simulações mostraram que uma das nuvens frias perto do fim dessa corrente, denominada Lince Local, poderia ter colidido com a heliosfera.
Caso isso tenha acontecido, diz Opher, a Terra teria ficado totalmente exposta ao meio interestelar, onde o gás e a poeira se misturam com os elementos atómicos que sobraram das estrelas que explodiram, incluindo o ferro e o plutónio. Normalmente, a heliosfera filtra a maior parte destas partículas radioativas. Mas sem proteção, podem facilmente chegar à Terra. De acordo com o artigo, isto alinha-se com evidências geológicas que mostram um aumento dos isótopos 60Fe (ferro 60) e 244Pu (plutónio 244) nos oceanos, na neve da Antártida e nos núcleos de gelo - e na Lua - do mesmo período. O momento também coincide com registos de temperatura que indicam um período de arrefecimento.
"Só raramente a nossa vizinhança cósmica para além do Sistema Solar afeta a vida na Terra", diz Avi Loeb, diretor do Instituto de Teoria e Computação da Universidade de Harvard e coautor do artigo. "É excitante descobrir que a nossa passagem por nuvens densas, há alguns milhões de anos, pode ter exposto a Terra a um fluxo muito maior de raios cósmicos e átomos de hidrogénio. Os nossos resultados abrem uma nova janela para a relação entre a evolução da vida na Terra e a nossa vizinhança cósmica".
A pressão externa da Nuvem Fria Local de Lince poderia ter bloqueado continuamente a heliosfera durante algumas centenas de anos a um milhão de anos, diz Opher - dependendo do tamanho da nuvem. "Mas assim que a Terra se afastou da nuvem fria, a heliosfera envolveu todos os planetas, incluindo a Terra", diz. E é assim que as coisas são atualmente.
É impossível saber o efeito exato que a nuvem fria teve na Terra - por exemplo, se poderá ter provocado uma idade do gelo. Mas há algumas outras nuvens frias no meio interestelar que o Sol provavelmente encontrou nos milhares de milhões de anos desde que nasceu, diz Opher. E é provável que tropece em mais algumas daqui a cerca de um milhão de anos.
Opher e os seus colaboradores estão agora a trabalhar para descobrir onde o Sol estava há sete milhões de anos e ainda mais atrás. A localização do Sol milhões de anos no passado, bem como do sistema de nuvens frias, é possível com os dados recolhidos pela missão Gaia da ESA, que está a construir o maior mapa 3D da Galáxia e a fornecer uma visão sem precedentes da velocidade a que as estrelas se movem.
"Esta nuvem esteve, de facto, envolvida no nosso passado e, se atravessámos algo tão massivo, estivemos expostos ao meio interestelar", diz Opher. O efeito de se cruzar com tanto hidrogénio e material radioativo não é claro, pelo que Opher e a sua equipa no Centro de Ciência SHIELD (Solar wind with Hydrogen Ion Exchange and Large-scale Dynamics) da Universidade de Boston, financiado pela NASA, estão agora a explorar o efeito que poderia ter tido na radiação da Terra, bem como na atmosfera e no clima.
"Isto é apenas o começo", diz Opher. A investigadora espera que este trabalho abra a porta a uma exploração muito maior da forma como o Sistema Solar foi influenciado por forças exteriores num passado profundo.
Perseverance atravessa um antigo rio para atingir objetivo científico (via NASA)
Depois de ter feito um desvio através de um campo de dunas para evitar pedregulhos que podem danificar as suas rodas, o rover Perseverance da NASA chegou à sua mais recente área de interesse científico no passado dia 9 de junho. A mudança de rota não só encurtou o tempo estimado de viagem para chegar a essa área - apelidada de "Bright Angel" - em várias semanas, como também deu à equipa científica a oportunidade de encontrar características geológicas interessantes num antigo canal fluvial. Ler fonte
Chandra verifica a habitabilidade dos exoplanetas (via Chandra/Harvard)
As observações de raios X de estrelas próximas estão a ajudar os astrónomos a identificar os melhores alvos para procurar exoplanetas com condições adequadas à vida. Esses planetas poderão ser observados diretamente em levantamentos com uma futura geração de telescópios. A radiação nociva de uma estrela, sob a forma de raios X e raios UV, pode danificar ou mesmo destruir a atmosfera de um planeta. Os investigadores utilizaram o Observatório de raios X Chandra da NASA e o XMM-Newton da ESA para observar 57 exoplanetas. Ler fonte
ALMA revela novos conhecimentos sobre a formação de planetas em sistemas binários (via Observatório ALMA)
Na 244.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, os investigadores revelaram resultados inovadores de um programa pioneiro de alta resolução angular que lança uma nova luz sobre a formação de planetas em discos circunstelares em torno de estrelas duplas jovens. Aproveitando as capacidades sem paralelo do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile e do telescópio Keck II de 10 metros no Hawaii, o estudo fornece uma compreensão transformadora das condições que alimentam ou inibem a formação de planetas. Ler fonte
Investigador mostra, pela primeira vez, que a gravidade pode existir sem massa, mitigando a necessidade da hipotética matéria escura (via Universidade do Alabama em Huntsville)
A matéria escura é uma forma hipotética de matéria que está implícita em efeitos gravitacionais que não podem ser explicados pela relatividade geral, a não ser que exista mais matéria no Universo do que aquela que se pode ver. Continua praticamente tão misteriosa como há quase um século, quando foi sugerida pela primeira vez pelo astrónomo holandês Jan Oort, em 1932, para explicar a chamada "massa em falta", necessária para que coisas como as galáxias se aglomerem. Agora, o Dr. Richard Lieu, da Universidade do Alabama em Huntsville, publicou um artigo na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society que mostra, pela primeira vez, como a gravidade pode existir sem massa, fornecendo uma teoria alternativa que poderia potencialmente atenuar a necessidade da matéria escura. Ler fonte
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