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Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2116  
  18/06 a 20/06/2024  
     
 
OBSERVAÇÃO DO SOL EM TAVIRA
Data: 28 de junho de 2024
Hora: 10:00-12:00
No dia 28 de Junho, em conjunto com o Centro Ciência Viva do Algarve iremos realizar mais uma Sessão de Observação do Sol, desta vez no Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira pelas 10h00.
A sessão é gratuita. Apareça!
Local: Local de Embarque perto do Mercado da Ribeira em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528
geral@cvtavira.pt
 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 18/06: 170.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1178, 5 monges da Cantuária assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno.

Acredita-se que as atuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.
Em 1799, nascia William Lassell, astrónomo inglês que descobriu Tritão, a maior lua de Neptuno, apenas 17 dias depois da descoberta do próprio planeta por Johann Gottfried Galle. Em 1848, codescobriu independentemente Hiperião, lua de Saturno. Em 1851, descobriu Ariel e Umbriel, luas de Úrano. 
Em 1926, nascia Allan Rex Sandage, astrónomo americano, conhecido por determinar o primeiro valor razoavelmente preciso da constante de Hubble e da idade do Universo. É também o descobridor do primeiro quasar
Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço. 
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat.
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.
HOJE, NO COSMOS:
Vega é a estrela mais brilhante alta a este depois do anoitecer. Logo para baixo e para a sua esquerda está Epsilon Lyrae, a Dupla-Dupla. Epsilon forma um canto de um triângulo quase equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, praticamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado.
Uns binóculos resolvem Epsilon facilmente. E um telescópio de quatro polegadas com 100x de ampliação ou mais deverá resolver cada uma das componentes de Epsilon.
Zeta Lyrae é também uma estrela dupla binocular; muito mais difícil, mas facilmente observável em qualquer telescópio.
Delta Lyrae, por baixo de Zeta, é um par muito mais largo e fácil, laranja e azul.

 

DIA 19/06: 171.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes  "mediu" a circumferência da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (atualmente Assuão).

Em 1963, Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço, regressa à Terra após 3 dias em órbita a bordo da Vostok 6
Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha entre as estrelas da parte superior de Escorpião. A alaranjada Antares está cerca de 7 graus para a esquerda ou para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural.

 

DIA 20/06: 172.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1944, o foguetão V-2 torna-se no primeiro objeto artificial a atravessar o limite do espaço, a Linha de Kármán, com o lançamento V-177.
Em 1976, o módulo de aterragem da Viking 1 pousava em Marte.

Em 1990, era descoberto o asteroide Eureka.
HOJE, NO COSMOS:
Feliz solstício! O verão começa pelas 21:51. É quando o Sol está mais para norte no ano (no céu da Terra) e começa a sua viagem de seis meses para sul. Começa o inverno no hemisfério sul.
Para nós, no hemisfério norte, é o dia mais longo do ano.
É também o dia (para latitudes norte) em que o Sol do meio-dia passa o mais perto do zénite, quando a sombra se torna a mais pequena possível no local onde o observador se encontra. Isto ocorre ao meio-dia solar aparente, provavelmente não o mesmo que o meio-dia horário.
Se tiver um horizonte desimpedido a oeste-noroeste, marque cuidadosamente o ponto onde o Sol se põe. Daqui a alguns dias poderá detetar que o Sol começou novamente a pôr-se um pouco para sul (esquerda) desse ponto.

 
 
   
São gémeas! Astrónomos descobrem discos e jatos paralelos que irrompem de um par de estrelas jovens
 
Esta ilustração mostra duas estrelas jovens perto do fim da sua formação. À volta das estrelas há discos de gás e poeira remanescentes, a partir dos quais se podem formar planetas. Jatos de gás irrompem dos polos norte e sul das estrelas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian
 

A maior parte do Universo é invisível ao olho humano. Os blocos de construção das estrelas só são revelados em comprimentos de onda para lá do espetro visível. Recentemente, os astrónomos utilizaram dois telescópios muito diferentes e poderosos para descobrir discos gémeos e jatos paralelos gémeos que irrompiam de estrelas jovens num sistema estelar múltiplo. Esta descoberta foi inesperada e sem precedentes, dada a idade, tamanho e composição química das estrelas, discos e jatos. A sua localização numa parte conhecida e bem estudada do Universo acrescenta à emoção.

Para esta investigação foram combinados o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Telescópio Espacial James Webb da NASA (JWST).

O ALMA e o MIRI do JWST observam partes muito diferentes do espetro eletromagnético. A sua utilização conjunta permitiu aos astrónomos descobrir estas gémeas, escondidas nos comprimentos de onda rádio e infravermelho no sistema estelar WL20, localizado no complexo de nuvens moleculares de Rho Ophiuchi, a mais de 400 anos-luz de distância do Sistema Solar.

 
Os astrónomos não acreditaram na sua sorte quando as observações em múltiplos comprimentos de onda de rádio e infravermelho do ALMA e do JWST revelaram discos e jatos gémeos irrompendo de um par de jovens estrelas binárias no sistema múltiplo WL20.
Crédito: NSF dos EUA/NSF do NRAO/B. Saxton; NASA/JPL-Caltech/Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian
 

"O que descobrimos é absolutamente selvagem", partilha a astrónoma Mary Barsony. "Há muito tempo que conhecemos o sistema estelar WL20. Mas o que nos chamou a atenção foi o facto de uma das estrelas do sistema parecer muito mais jovem do que as restantes. Usando o MIRI e o ALMA em conjunto, vimos de facto que esta UMA estrela eram DUAS estrelas mesmo ao lado uma da outra. Um disco rodeava cada uma destas estrelas, e cada disco emitia jatos paralelos ao outro."

O ALMA detetou os discos, enquanto o MIRI encontrou os jatos. O coautor Valentin J.M. Le Gouellec da NASA-ARC recolheu e reduziu os dados de arquivo do ALMA para revelar a composição dos discos. Ao mesmo tempo, Lukasz Tychoniec do Observatório de Leiden forneceu imagens de alta resolução que mostram o tamanho massivo dos discos, aproximadamente 100 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Outro coautor, Martijn L. van Gelder, forneceu recursos para processar os dados recolhidos pelo MIRI, revelando a composição química dos jatos.

Barsony acrescenta: "Por isso, se não fosse o MIRI, nem sequer saberíamos que estes jatos existem, o que é espantoso". As observações de alta resolução, pelo ALMA, dos discos que rodeiam as duas estrelas recém-observadas, revelaram a estrutura dos discos, como explica Barsony: "Alguém que olhasse para estes dados do ALMA sem saber que existiam jatos gémeos pensaria 'oh, é um grande disco visto de lado com um buraco central, em vez de dois discos vistos de lado e dois jatos. Isto é notável".

 
Estas formas com cores vivas representam dados astronómicos recolhidos pelo telescópio ALMA e pelo JWST da NASA. À esquerda, uma composição sobrepõe dados do ALMA e do JWST, revelando os discos e os jatos paralelos emitidos pelo par de estrelas binárias em WL20. A decomposição dos dados separados do ALMA e do JWST, representando várias composições químicas, pode ser vista à direita.
Crédito: NSF dos EUA/NSF do NRAO/ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/NASA/JPL/JWST/B. Saxton.
 

Outra coisa notável acerca desta descoberta é o facto de quase nem ter tido a oportunidade de acontecer. Michael Ressler, cientista do JPL, explica: "Grande parte da investigação sobre protoestrelas binárias centra-se em algumas regiões de formação estelar próximas. Foi-me concedido algum tempo de observação com o JWST e decidi dividi-lo em alguns pequenos projetos. Para um projeto, decidi estudar estrelas binárias na região de formação estelar de Perseu. No entanto, há praticamente 30 anos que estudo WL20, que se situa na região de rho Ophiuchus, quase na parte oposta do céu, e pensei: 'porque não incluí-la? Nunca mais vou ter outra oportunidade, mesmo que não se enquadre bem com os outros projetos'. Tivemos um acidente muito feliz com o que encontrámos; os resultados são espantosos".

Ao combinar dados de vários comprimentos de onda do ALMA e do JWST, estas novas descobertas lançam luz sobre os complexos processos envolvidos na formação de sistemas estelares múltiplos. Os astrónomos planeiam utilizar as futuras capacidades melhoradas do ALMA para continuar a desvendar os mistérios que envolvem o nascimento de estrelas e sistemas planetários.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)

 


Quer saber mais?

Disco protoplanetário:
Wikipedia

Complexo de nuvens moleculares de Rho Ophiuchi:
Wikipedia

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
TESS observa diretamente, pela primeira vez, o mais pequeno de um par de buracos negros
 
Os buracos negros em órbita um do outro. Ambos os buracos negros têm jatos associados: o maior com uma cor avermelhada e o mais pequeno com um jato de cor amarelada. Normalmente, apenas pode ser visto o jato avermelhado, mas durante o período de 12 horas de dia 12 de novembro de 2021, o jato mais pequeno dominou e deu um sinal direto do buraco negro mais pequeno, tendo sido observado pela primeira vez.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (IPAC) & M. Mugrauer (Instituto Astrofísicao da Universidade de Jena)
 

Vários grupos de investigação internacionais já confirmaram a teoria de que existem dois buracos negros no centro da distante galáxia OJ 287, sugerida pela primeira vez por astrónomos da Universidade de Turku, na Finlândia. Um novo estudo mostra que observações de satélite, efetuadas em 2021, revelaram pela primeira vez o buraco negro mais pequeno do par.

Em 2021, o caçador de exoplanetas da NASA foi apontado para a galáxia OJ 287 para ajudar os astrónomos a confirmar a teoria inicialmente proposta por investigadores da Universidade de Turku, na Finlândia, de dois buracos negros no centro da galáxia.

O TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) foi concebido para descobrir milhares de exoplanetas em órbita das estrelas anãs mais brilhantes do céu. O TESS está a encontrar planetas que vão desde pequenos mundos rochosos a planetas gigantes, mostrando a diversidade de planetas na nossa Galáxia. Até agora, encontrou 410 exoplanetas confirmados ou "novos mundos" em torno de outras estrelas que não o Sol.

Em 2021, o TESS passou várias semanas a estudar outro tipo de sistema, uma galáxia distante chamada OJ 287. Os investigadores encontraram evidências indiretas de que um buraco negro muito massivo, em OJ 287, está a orbitar um buraco negro gigante 100 vezes maior.

Para verificar a existência do buraco negro mais pequeno, o TESS monitorizou o brilho do buraco negro primário e o jato a ele associado. A observação direta do buraco negro mais pequeno, a orbitar o maior, é muito difícil, mas a sua presença foi revelada aos investigadores por uma súbita explosão de brilho. Este tipo de evento nunca tinha sido observado em OJ 287, mas o investigador Pauli Pihajoki, da Universidade de Turku, na Finlândia, previu o acontecimento na sua tese de doutoramento já em 2014. De acordo com a sua dissertação, o próximo surto deveria ter lugar no final de 2021 e, na altura, vários satélites e telescópios estavam focados no objeto.

 
A explosão observada aparece como um forte aumento na curva de luz das observações de satélite, mostrando como um objeto de outra forma consistentemente fraco brilha repentina e acentuadamente. No canto superior, a erupção observada é mostrada com mais pormenor. A quantidade de luz emitida na explosão é equivalente ao brilho de cerca de 100 galáxias.
Crédito: Kishore et al., 2024
 

O satélite TESS detetou a esperada erupção no dia 12 de novembro de 2021, às 2 horas da manhã (GMT), e as observações foram recentemente publicadas num estudo de Shubham Kishore, Alok Gupta (ARIES, ou Aryabhatta Research Institute of Observational Sciences, na Índia) e Paul Wiita (TCNJ, ou The College of New Jersey, nos EUA). O evento durou apenas 12 horas. Esta curta duração mostra que é muito difícil encontrar uma explosão de grande brilho, a menos que o seu momento seja conhecido com antecedência. Neste caso, a teoria dos investigadores de Turku provou estar correta e o TESS foi direcionado para OJ 287 no momento certo. A descoberta foi também confirmada pelo telescópio Swift da NASA, que também estava apontado para o mesmo alvo.

Além disso, uma grande colaboração internacional liderada por Staszek Zola da Universidade Jaguelónica em Cracóvia, Polónia, detetou o mesmo evento utilizando telescópios em diferentes partes da Terra, de modo a que fosse sempre noite, pelo menos numa das localizações dos telescópios, durante toda a duração do dia. Adicionalmente, um grupo da Universidade de Boston, nos EUA, liderado por Svetlana Jorstad e outros observadores, confirmou a descoberta estudando a polarização da luz antes e depois da erupção.

Num novo estudo que combina todas as observações anteriores, o professor Mauri Valtonen e a sua equipa de investigação da Universidade de Turku mostraram que a explosão de luz de 12 horas veio do buraco negro mais pequeno em órbita e dos seus arredores.

A rápida explosão de brilho ocorre quando o buraco negro mais pequeno "engole" uma grande fatia do disco de acreção que rodeia o buraco negro maior, transformando-o num jato de gás. O jato do buraco negro mais pequeno é então mais brilhante do que o do buraco negro maior durante cerca de doze horas. Isto torna a cor de OJ 287 menos avermelhada, ou amarela, em vez do vermelho normal. Após a explosão, a cor vermelha regressa. A cor amarela indica que, durante o período de 12 horas, estamos a ver a luz do buraco negro mais pequeno. Os mesmos resultados podem ser inferidos a partir de outras características da luz emitida por OJ287 durante o mesmo período de tempo.

"Portanto, podemos agora dizer que 'vimos' um buraco negro em órbita pela primeira vez, da mesma forma que podemos dizer que o TESS viu planetas em órbita de outras estrelas. E tal como acontece com os planetas, é extremamente difícil obter uma imagem direta do buraco negro mais pequeno. De facto, devido à grande distância de OJ 287, que é de cerca de quatro mil milhões de anos-luz, levará provavelmente muito tempo até que os nossos métodos de observação se tenham desenvolvido o suficiente para captar uma imagem até do buraco negro maior", diz o professor Valtonen.

"No entanto, o buraco negro mais pequeno poderá em breve revelar a sua existência de outras formas, uma vez que se espera que emita ondas gravitacionais nano-Hertz. As ondas gravitacionais de OJ 287 devem ser detetáveis nos próximos anos por PTAs (pulsar timing arrays)", diz A. Gopakumar do TIFR (Tata Institute of Fundamental Research), na Índia.

// Universidade de Turku (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Artigo científico por Kishore et al. (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico por Kishore et al. (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
09/06/2023 - Primeira deteção do buraco negro supermassivo secundário num sistema binário bem conhecido
28/02/2023 - A dança de buracos negros supermassivos
01/05/2020 - Sptizer revela o "timing" preciso de uma dança de dois buracos negros
26/06/2018 - Decifrada a pedra de Roseta dos núcleos galácticos ativos

OJ 287:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

PTA (pulsar timing array):
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

 
   
Linhagens galácticas: muito enxames estelares próximos têm origem em apenas três "famílias"
 
Imagem ótica do enxame estelar Alpha Persei. Este enxame é um dos primeiros formados na família Alpha Persei e é o homónimo da família.
Crédito: ESO/STScI Digitized Sky Survey II
 

Uma equipa internacional de astrónomos liderada pela Universidade de Viena decifrou a história da formação de jovens enxames de estrelas, alguns dos quais podemos ver a olho nu à noite. A equipa, liderada por Cameren Swiggum e João Alves da Universidade de Viena e Robert Benjamin da Universidade de Wisconsin-Whitewater, relata que a maioria dos enxames estelares jovens próximos pertencem apenas a três famílias, que têm origem em regiões de formação estelar muito massivas. Esta investigação também fornece novos conhecimentos sobre os efeitos das supernovas (explosões violentas no fim da vida de estrelas muito massivas) na formação de estruturas gigantes de gás em galáxias como a nossa Via Láctea. Os resultados foram publicados na revista Nature.

"Os enxames estelares jovens são excelentes para explorar a história e a estrutura da Via Láctea. Ao estudar os seus movimentos no passado e, consequentemente, a sua origem, obtemos também importantes informações sobre a formação e evolução da nossa Galáxia", afirma João Alves da Universidade de Viena, coautor do estudo. Utilizando dados precisos da missão Gaia da ESA e observações espetroscópicas, a equipa rastreou as origens de 155 enxames estelares jovens num raio de cerca de 3500 anos-luz em torno do Sol. A sua análise mostra que estes enxames estelares podem ser divididos em três famílias com origens e condições de formação comuns. "Isto indica que os enxames estelares jovens têm origem em apenas três regiões de formação estelar muito ativas e massivas", diz Alves. Estas três famílias de estrelas têm o nome dos seus enxames estelares mais proeminentes: Collinder 135 (Cr135), Messier 6 (M6) e Alpha Persei (α Per).

"Estas descobertas fornecem uma compreensão mais clara de como os enxames estelares jovens na nossa vizinhança galáctica estão interligados, tal como os membros de uma família ou 'linhagens'", diz o autor principal Cameren Swiggum, estudante de doutoramento na Universidade de Viena. "Ao examinar os movimentos 3D e as posições passadas destes enxames de estrelas, podemos identificar as suas origens comuns e localizar as regiões da nossa Galáxia onde se formaram as primeiras estrelas destes respetivos enxames de estrelas, até há cerca de 40 milhões de anos."

 
Posições dos enxames, a cujas famílias foram atribuídas as três cores diferentes, e respetivas imagens óticas dos objetos mais notáveis de cada uma. A imagem de fundo é o mapa Planck 853 GHz que rastreia a emissão de poeira. Dado que os enxames da família alpha Persei estão, em média, mais próximos do Sol do que os das outras duas famílias, as suas posições estão mais espalhadas pelo céu.
Crédito: Swiggum et al, 2024
 

Estas explosões massivas provavelmente também criaram a nossa "Bolha Local"

O estudo concluiu que devem ter ocorrido mais de 200 explosões de supernova no seio destas três famílias de enxames estelares, libertando enormes quantidades de energia para o seu meio envolvente. Os autores concluíram que esta energia teve provavelmente um impacto significativo na distribuição do gás na Via Láctea local. "Isto poderia explicar a formação de uma superbolha, uma bolha gigante de gás e poeira com um diâmetro de 3000 anos-luz em torno da família Cr135", explica Swiggum. O nosso Sistema Solar também está inserido numa bolha deste tipo, a chamada Bolha Local, que está cheia de gás muito fino e quente. "A Bolha Local está provavelmente também ligada à história de uma das três famílias de enxames estelares", acrescenta Swiggum. "E é provável que tenha deixado vestígios na Terra, como sugerem as medições de isótopos de ferro (60Fe) na crosta terrestre."

"Podemos praticamente transformar o céu numa máquina do tempo que nos permite traçar a história da nossa Galáxia natal", diz João Alves. "Ao decifrar a genealogia dos enxames estelares, ficamos também a saber mais sobre a nossa própria ascendência galáctica." No futuro, a equipa de João Alves planeia investigar com mais precisão se e como o nosso Sistema Solar interagiu com a matéria interestelar na nossa Galáxia natal, a Via Láctea.

// Universidade de Viena (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Famílias de jovens enxames estelares (Cameren Swiggum via YouTube)

 


Quer saber mais?

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
ScienceDaily
Universe Today
PHYSORG

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Bolha Local:
Wikipedia

Enxame estelar:
Wikipedia

Collinder 135:
Wikipedia

Messier 6:
SEDS
Wikipedia

Alpha Persei:
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

 
   
Também em destaque
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Álbum de fotografias
RCW 85

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Martin Pugh
 
Do catálogo astronómico de 1960 por Rodgers, Campbell e Whiteoak, a região de emissão RCW 85 brilha nos céus noturnos do hemisfério sul entre as estrelas brilhantes Alpha e Beta Centauri. A cerca de 5000 anos-luz de distância, a nuvem interestelar de hidrogénio gasoso e poeira é ténue. Mas estruturas detalhadas ao longo das bem definidas fronteiras de RCW 85 podem ser traçadas nesta vista cósmica composta por 28 horas de exposições de banda larga e estreita. Sugerindo formas dramáticas noutros berçários estelares, onde nuvens natais de gás e poeira são esculpidas por ventos energéticos e radiação de estrelas recém-nascidas, esta nebulosa foi tentadoramente chamada de Torre do Diabo. Esta paisagem telescópica abrange cerca de 100 anos-luz à distância estimada de RCW 85.
 
   
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