DIA 09/07: 191.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1911, nascia John Archibald Wheeler, físico teórico americano que popularizou o termo "buraco negro" e "buraco de minhoca".
Em 1979, a sonda Voyager 2 efetuava o seu "flyby" por Júpiter.
A descoberta de atividade vulcânica no satélite Io foi provavelmente a maior descoberta desta passagem. HOJE, NO COSMOS:
Antares e o resto da constelação de Escorpião estão o mais alto a sul logo após o cair da noite destes longos dias de julho. A cabeça da constelação de Escorpião é a fila quase vertical de três estrelas para cima e para a direita de Antares. A estrela de cima é Beta Scorpii ou Graffias, uma boa estrela dupla para telescópios.
A apenas 1º para baixo ou para baixo e para a esquerda (uma ponta de um dedo à distância do braço esticado) está o par largo Omega^1 e Omega^2 Scorpii, visível a olho nu, quase na vertical. Têm ambas magnitude 4. Os binóculos mostram a sua ligeira diferença de cor; são do tipo espectral B9 e G2.
Para cima e para a esquerda de Beta, a cerca de 1,6º, está Nu Scorpii (Jabbah), outro bom duplo telescópico. Ou melhor, triplo. Um alto poder de ampliação e um céu limpo e escuro revelam que o componente mais brilhante de Nu é ele próprio uma estrela dupla, com uma separação de 2 segundos de arco.
E mais: no mesmo campo binocular de Antares, ou quase lá, estão dois enxames globulares muito diferentes. M4 é grande e difuso e relativamente próximo. M80 é mais ténue e muito mais compacto, embora minúsculo; de facto, pode ser difícil distingui-lo com binóculos de uma estrela de magnitude 8. É um enxame maior e mais denso do que M4 mas está mais de quatro vezes mais longe.
DIA 10/07: 192.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1962 era lançado o Telstar, o primeiro satélite de comunicações a ser colocado em órbita. HOJE, NO COSMOS:
Julho é o mês de Escorpião: esta constelação brilha mais alto a sul após o anoitecer por estas noites. A sua estrela mais brilhante é a alaranjada Antares. Outras estrelas mais esbranquiçadas da secção superior de Escorpião estão perto de Antares e para cima e para a sua direita. O resto de Escorpião está para baixo e depois para a esquerda.
Três estrelas para a direita de Antares formam uma linha mais ou menos vertical: assinalam a cabeça de Escorpião. De cima para baixo, são Beta, Delta e a mais ténue Pi Scorpii.
Delta Sco, a do meio, é a mais brilhante das três. É uma variável irregular, uma subgigante azul com rápida rotação que liberta gás luminoso do seu equador. Também tem uma companheira mais pequena em órbita que parece desencadear atividade em intervalos de 10,5 anos. Assumida estável durante séculos, Delta duplicou inesperadamente de brilho em julho de 2000 e tem permanecido quase tão brilhante, com flutuações, durante os anos seguintes. Os astrónomos preveram que o sistema pudesse aumentar de atividade em 2022, quando a estrela companheira fizesse a sua terceira passagem pela primária desde 2000. Mas nada aconteceu. Ninguém sabe o que pode acontecer a seguir, nem quando.
DIA 11/07: 193.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Cálculos matemáticos sugerem que neste dia, em 1735, Plutão moveu-se para dentro da órbita de Neptuno pela última vez antes de 1979. Plutão esteve mais perto do Sol do que Neptuno entre 1979 e 1999.
Em 1801, o astrónomo francês Jean-Louis Pons faz a sua primeira descoberta cometária. Durante os 27 anos seguintes, descobre outros 36 cometas, mais do que qualquer outra pessoa na História.
Em 1962 o cosmonauta Micolaev fica em órbita quatro dias, um recorde naquela época. No mesmo ano, é feita a primeira transmissão transatlântica de televisão por satélite.
Em 1979, a Skylab regressa à Terra.
A área de detritos situa-se entre o Oceano Índico Sudeste e uma secção pouco povoada do oeste da Austrália.
Em 2012, astrónomos anunciam a descoberta de Estige, a quinta lua de Plutão. HOJE, NO COSMOS:
Com o passar do verão, Arcturo move-se para baixo a oeste. Arcturo forma a parte de baixo do "papagaio-de-papel" de Boieiro. Este "papagaio-de-papel" embora estreito, estende-se 23º para cima e para a direita de Arcturo, cerca de dois punhos à distância do braço esticado . O lado direito do "papagaio-de-papel" está amolgado, como se algum intruso celeste o tenha danificado. O "papagaio-de-papel" inclina-se na direção da Ursa Maior.
Tecnologia reutilizada para sondar novas regiões da atmosfera de Marte
Imagem que exemplifica uma ocultação mútua de rádio entre as duas naves espaciais em órbita de Marte.
Crédito: Colégio Imperial de Londres
Uma antena da sonda ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) ganhou uma nova vida, ajudando os investigadores a se debruçar na atmosfera marciana como nunca antes.
Reutilizando este equipamento, uma equipa mediu partes da atmosfera marciana que anteriormente eram impossíveis de sondar. Isto inclui áreas que podem bloquear os sinais de rádio se não forem devidamente consideradas - cruciais para futuras missões tripuladas a Marte.
Os resultados das primeiras 83 medições, analisadas por investigadores do Colégio Imperial de Londres e por colegas da ESA, foram publicados na revista Radio Science.
Para tal, a ExoMars TGO associou-se a outra nave espacial da ESA que orbita o Planeta Vermelho: a Mars Express. As duas naves mantêm uma ligação de rádio, de modo que quando uma passa por trás do planeta, as ondas de rádio atravessam as camadas mais profundas da atmosfera marciana.
Alterações na refratividade da atmosfera - a forma como esta dobra as ondas de rádio - provocam mudanças minúsculas, mas detetáveis, nas frequências de rádio recebidas pela nave espacial. Ao analisar esta mudança, os cientistas podem determinar a densidade da atmosfera inferior e a densidade de eletrões na ionosfera - uma camada superior carregada da atmosfera. A técnica chama-se ocultação mútua de rádio.
O autor principal do estudo, Jacob Parrott, estudante de doutoramento do Departamento de Física da instituição inglesa, afirmou: "Os sistemas da Mars Express e da ExoMars TGO não foram inicialmente concebidos para este efeito - as antenas de rádio que utilizámos foram concebidas para a comunicação entre orbitadores e rovers à superfície do planeta. Tivemos de as reprogramar durante o voo para realizar esta nova ciência.
"Esta técnica inovadora pode vir a ser um fator de mudança para futuras missões, provando que a ocultação mútua de rádio entre duas naves espaciais em órbita é uma forma económica de extrair mais valor científico do equipamento existente."
Trabalho de equipa de sonho
Anteriormente, a ocultação de rádio era efetuada utilizando a ligação de rádio de um orbitador marciano a grandes estações terrestres na Terra. O sinal de rádio do orbitador era monitorizado à medida que a nave espacial se "instalava" (era ocultada) atrás de Marte, o que significa que o sinal passava através das camadas da atmosfera do planeta.
A utilização de duas naves em órbita para efetuar esta medição é já uma forma comum de investigar a atmosfera terrestre: milhares de medições deste tipo ocorrem entre satélites de navegação global, sendo os dados que fornecem utilizados para monitorização atmosférica e previsão meteorológica.
No entanto, este método só tinha sido utilizado em Marte três vezes antes, pela NASA em 2007 como demonstração de hardware. A nova utilização pelas duas naves espaciais da ESA marca a primeira vez que esta técnica foi aplicada rotineiramente noutro planeta.
Agora que a sua viabilidade foi comprovada, os cientistas e engenheiros por detrás do trabalho estão a estudar a forma de expandir a utilização desta técnica em futuras missões a Marte.
O coautor do estudo, Dr. Colin Wilson, cientista do projeto ExoMars TGO e Mars Express da ESA, afirmou: "A ESA demonstrou agora a viabilidade desta técnica, que poderá ser transformadora para a ciência de Marte no futuro. Existem atualmente sete naves espaciais em órbita de Marte; à medida que o número de naves espaciais aumenta, como acontecerá nas próximas décadas, o número de oportunidades de ocultação de rádio aumenta rapidamente. Por conseguinte, esta técnica será uma ferramenta cada vez mais importante para estudar Marte".
Mais medições, mais conhecimentos
A ocultação entre naves espaciais permite efetuar mais medições e sondar novas regiões da atmosfera.
Dado que as medições convencionais de ocultação de rádio em Marte envolvem uma ligação de rádio a uma estação terrestre na Terra, o local de medição é fixo em relação ao lento movimento da Terra. Isto dificulta a captação de mudanças globais em Marte, uma vez que os investigadores estão frequentemente a olhar para os mesmos pontos. Para além disso, este método só pode recolher amostras perto do pôr e do nascer do Sol, devido à proximidade da Terra ao Sol, limitando a nossa visão da atmosfera de Marte.
Além disso, a rádio ocultação tradicional sofre de "estações de ocultação", em que as medições só são possíveis durante alguns meses por ano devido à órbita da nave espacial. Por exemplo, a Mars Express só pôde efetuar a ocultação rádio durante dois meses em 2022.
A ocultação mútua de rádio ultrapassa estes problemas, permitindo pela primeira vez aos investigadores explorar toda a profundidade da ionosfera de Marte ao meio-dia e à meia-noite.
JWST estuda uma espantosa fusão quasar-galáxia no Universo distante
Mapa das linhas de emissão do hidrogénio (a vermelho e azul) e oxigénio (a verde) no sistema PJ308-21, visto depois de ocultar artificialmente a luz do quasar central. As diferentes cores da galáxia hospedeira do quasar e das galáxias companheiras neste mapa revelam as propriedades físicas do gás no seu interior.
Crédito: Decarli/INAF/A&A 2024
Um grupo internacional de investigação liderado pelo INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), na Itália, e composto por 34 institutos de investigação e universidades de todo o mundo, utilizou o instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) a bordo do Telescópio Espacial James Webb (JWST) para testemunhar a interação dramática entre um quasar no interior do sistema PJ308-21 e duas massivas galáxias satélites no Universo distante. As observações, realizadas em setembro de 2022, revelaram detalhes sem precedentes e inspiradores, fornecendo novos conhecimentos sobre o crescimento das galáxias no início do Universo. Os resultados, apresentados durante a reunião de 2024 da Sociedade Astronómica Europeia (EAS) em Pádua (Itália), serão publicados em breve na revista Astronomy & Astrophysics.
As observações deste quasar (já descrito pelos mesmos autores num outro estudo publicado em maio passado), um dos primeiros estudados com o NIRSpec quando o Universo tinha menos de mil milhões de anos (desvio para o vermelho z=6,2342), revelaram dados de qualidade sensacional: o instrumento "captou" o espetro do quasar com uma incerteza inferior a 1% por pixel. A galáxia hospedeira de PJ308-21 apresenta uma elevada metalicidade e condições de fotoionização típicas de um núcleo galáctico ativo (NGA), enquanto uma das galáxias satélite apresenta uma baixa metalicidade (que se refere à abundância de elementos químicos mais pesados do que o hidrogénio e o hélio) e fotoionização induzida pela formação estelar; uma metalicidade mais elevada caracteriza a segunda galáxia satélite, que é parcialmente fotoionizada pelo quasar.
A descoberta permitiu aos astrónomos determinar a massa do buraco negro supermassivo no centro do sistema (cerca de 2 mil milhões de massas solares). Também confirmou que tanto o quasar como as galáxias circundantes são altamente evoluídos em termos de massa e enriquecimento de metais, e estão em constante crescimento. Este facto tem implicações profundas para a nossa compreensão da história cósmica e da evolução química das galáxias, realçando o impacto transformador desta investigação.
Roberto Decarli, investigador do INAF em Bolonha e primeiro autor do artigo científico, explica: "O nosso estudo revela que tanto os buracos negros no centro dos quasares de alto desvio para o vermelho como as galáxias que os acolhem sofrem um crescimento extremamente eficiente e tumultuoso já nos primeiros mil milhões de anos da história cósmica, auxiliados pelo rico ambiente galáctico em que estas fontes se formam". Os dados foram obtidos em setembro de 2022 como parte do Programa 1554, um dos nove projetos liderados por italianos do primeiro ciclo de observações do JWST. Decarli lidera este programa para observar a fusão entre a galáxia que acolhe o quasar (PJ308-21) e duas das suas galáxias satélite.
Mapa da emissão de oxigénio ionizado no sistema PJ308-21, observado com o Telescópio Espacial James Webb. Cada fotograma mostra uma gama de velocidades diferente. Na animação, vemos a complexa estrutura tridimensional do sistema e a "dança cósmica" das galáxias satélite em torno do quasar.
Crédito: Decarli/INAF/A&A 2024
As observações foram efetuadas no modo de espetroscopia de campo integral: para cada pixel de imagem, pode ser observado o espetro de toda a banda ótica, desviado para o infravermelho devido à expansão do Universo. Isto permite o estudo de vários rastreadores de gás (linhas de emissão) utilizando uma abordagem 3D. Graças a esta técnica, a equipa liderada pelo INAF detetou emissões espacialmente alargadas de diferentes elementos, que foram utilizadas para estudar as propriedades do meio interestelar ionizado, incluindo a fonte e a intensidade do campo de radiação fotoionizante, a metalicidade, o obscurecimento da poeira, a densidade e a temperatura dos eletrões e o ritmo de formação estelar. Além disso, os investigadores detetaram marginalmente a emissão de luz estelar associada a fontes companheiras.
Federica Loiacono, astrofísica, investigadora e pós-doutorada do INAF, comenta com entusiasmo os resultados: "Graças ao NIRSpec, pela primeira vez podemos estudar o sistema PJ308-21 na banda ótica, rica em preciosos dados de diagnóstico sobre as propriedades do gás próximo do buraco negro na galáxia que acolhe o quasar e nas galáxias circundantes. Podemos ver, por exemplo, a emissão de átomos de hidrogénio e compará-la com os elementos químicos produzidos pelas estrelas para determinar a riqueza em metais do gás das galáxias. A experiência na redução e na calibração destes dados, alguns dos primeiros recolhidos com o NIRSpec em modo de espetroscopia de campo integral, assegurou uma vantagem estratégica para a comunidade italiana na gestão de dados semelhantes de outros programas". Federica Loiacono é o contacto italiano para a redução de dados do NIRSpec no Centro de Apoio ao JWST do INAF.
E acrescenta: "Graças à sensibilidade do Telescópio Espacial James Webb no infravermelho próximo e médio, foi possível estudar o espetro do quasar e das galáxias companheiras com uma precisão sem precedentes no Universo distante. Só a excelente 'visão' fornecida pelo JWST, com as suas capacidades sem paralelo, pode garantir estas observações". O trabalho representou uma verdadeira "montanha russa emocional", continua Decarli, "com a necessidade de desenvolver soluções inovadoras para ultrapassar as dificuldades iniciais na redução de dados".
Este impacto transformador dos instrumentos a bordo do Telescópio Espacial James Webb sublinha o seu papel crucial no avanço da investigação astrofísica: "Até há um par de anos, os dados sobre o enriquecimento de metais (essenciais para compreender a evolução química das galáxias) estavam quase fora do nosso alcance, especialmente a estas distâncias. Agora podemos mapeá-los em pormenor com apenas algumas horas de observação, mesmo em galáxias observadas quando o Universo estava a dar os primeiros passos", conclui Decarli.
A missão NEOWISE pode estar a chegar ao fim, mas a sua herança perdurará
Observado pela missão WISE da NASA, esta imagem mostra todo o céu no infravermelho. As estrelas da Via Láctea atravessam o centro da imagem e são vistas predominantemente em ciano. O verde e o vermelho representam a poeira interestelar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA
Após mais de 14 anos de sucesso no espaço, a missão NEOWISE (Near-Earth Object Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA terminará a 31 de julho. Mas à medida que a missão se aproxima do fim, outra está a tomar forma, aproveitando a experiência adquirida com a NEOWISE: o NEO Surveyor (Near Earth Object Surveyor) da NASA, o primeiro telescópio espacial infravermelho construído especificamente para caçar objetos perigosos próximos da Terra. Com lançamento previsto para o final de 2027, é um passo importante na estratégia de defesa planetária da agência espacial norte-americana.
"Depois de ter desenvolvido novas técnicas para encontrar e caracterizar objetos próximos da Terra escondidos em grandes quantidades de dados do seu levantamento infravermelho, o NEOWISE tornou-se fundamental para nos ajudar a desenvolver e operar o telescópio espacial infravermelho de próxima geração da NASA. É uma missão precursora", disse Amy Mainzer, investigadora principal do NEOWISE e do NEO Surveyor na Universidade da Califórnia, em Los Angeles, EUA. "O NEO Surveyor irá procurar os asteroides e cometas mais difíceis de encontrar e que poderão causar danos significativos à Terra se não os encontrarmos primeiro."
Início do WISE
O fim da missão do NEOWISE está ligado ao Sol. De 11 em 11 anos, a nossa estrela passa por um ciclo de atividade crescente que atinge o seu pico durante um período chamado máximo solar. Os eventos explosivos, como as erupções solares e as ejeções de massa coronal, tornam-se mais frequentes e aquecem a atmosfera do nosso planeta, provocando a sua expansão. Os gases atmosféricos, por sua vez, aumentam a resistência dos satélites que orbitam a Terra, tornando-os mais lentos. Com o Sol a atingir os níveis máximos de atividade previstos, e sem um sistema de propulsão que permita ao NEOWISE manter-se em órbita, a nave espacial irá em breve descer demasiado para poder ser utilizada.
O telescópio infravermelho vai deixar de funcionar, tendo ultrapassado os objetivos científicos não de uma, mas de duas missões, começando como WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer).
Gerido pelo JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, o WISE foi lançado em dezembro de 2009 com uma missão de seis meses para analisar todo o céu no infravermelho. Em julho de 2010, o WISE tinha conseguido atingir este objetivo com uma sensibilidade muito superior à dos levantamentos anteriores, e a NASA prolongou a missão até 2011.
Durante esta fase, o WISE estudou galáxias distantes, cometas em fase de desgaseificação, estrelas anãs brancas em explosão e anãs castanhas. Identificou dezenas de milhões de buracos negros supermassivos que se alimentam ativamente. Também gerou dados sobre discos circunstelares - nuvens de gás, poeira e destroços que giram em torno de estrelas - que os cientistas cidadãos continuam a explorar através do projeto Disk Detetive.
Além disso, destacou-se na procura de asteroides da cintura principal, bem como de objetos próximos da Terra, e descobriu o primeiro asteroide troiano terrestre conhecido. Além disso, a missão forneceu um censo de objetos escuros e ténues próximos da Terra que são difíceis de detetar pelos telescópios terrestres, revelando que estes objetos constituem uma fração considerável da população de objetos próximos da Terra.
Herança infravermelha
Invisíveis a olho nu, os comprimentos de onda infravermelhos são emitidos por objetos quentes. Para evitar que o calor gerado pelo próprio WISE interferisse com as suas observações no infravermelho, a nave espacial dependia de um líquido de refrigeração criogénico. Quando o líquido de refrigeração se esgotou, o WISE já tinha mapeado o céu duas vezes e a NASA colocou a nave em hibernação em fevereiro de 2011.
Movendo-se contra o fundo estelar, os seis pontos vermelhos da composição indicam a localização de seis deteções sequenciais do primeiro objeto próximo da Terra descoberto pelo NEOWISE depois da nave espacial ter saído de hibernação em 2013: o asteroide 2013 YP139. A inserção mostra uma vista ampliada de uma das deteções.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Pouco depois, Mainzer e a sua equipa propuseram uma nova missão para a nave espacial: procurar, seguir e caracterizar objetos próximos da Terra que geram um forte sinal infravermelho devido ao seu aquecimento pelo Sol.
"Sem líquido de refrigeração, tínhamos de encontrar uma forma de arrefecer a nave espacial o suficiente para medir os sinais infravermelhos dos asteroides", disse Joseph Masiero, investigador principal adjunto do NEOWISE e cientista do IPAC, uma organização de investigação do Caltech em Pasadena, Califórnia. "Ao ordenar ao telescópio que olhasse para o espaço profundo durante vários meses, determinámos que irradiaria apenas calor suficiente para atingir temperaturas mais baixas que ainda nos permitiriam obter dados de alta qualidade." A NASA reativou a missão em 2013 no âmbito do Programa de Observação de Objetos Próximos da Terra, um precursor do atual programa de defesa planetária da agência espacial, com o novo nome NEOWISE.
Ao observar repetidamente o céu a partir de baixa órbita terrestre, o NEOWISE fez 1,45 milhões de medições infravermelhas de mais de 44.000 objetos do Sistema Solar até à data. Isto inclui mais de 3000 objetos próximos da Terra, 215 dos quais foram descobertos pelo telescópio espacial. Vinte e cinco deles são cometas, entre os quais o famoso cometa NEOWISE, que foi visível no céu noturno no verão de 2020.
O cometa NEOWISE foi descoberto pela sua missão homónima no dia 27 de março de 2020 e tornou-se um objeto celeste deslumbrante, visível, nesse ano, a partir do hemisfério norte durante várias semanas. Foi um dos 25 cometas descobertos pela missão.
Crédito:
SDL/Allison Bills
"A nave espacial superou todas as expetativas e forneceu grandes quantidades de dados que a comunidade científica utilizará nas próximas décadas", disse Joseph Hunt, gestor do projeto NEOWISE no JPL. "Os cientistas e engenheiros que trabalharam no WISE e no NEOWISE também construíram uma base de conhecimentos que ajudará a informar futuras missões de levantamentos infravermelhos."
O telescópio espacial continuará o seu estudo até 31 de julho. Depois, a 8 de agosto, os controladores da missão no JPL enviarão um comando que colocará o NEOWISE em hibernação pela última vez. Desde o seu lançamento, a órbita do NEOWISE tem vindo a aproximar-se da Terra. Prevê-se que o NEOWISE arda na atmosfera do nosso planeta algures entre o final de 2024 e o início de 2025.
Exoplaneta próximo tresanda a ovos podres (via Universidade Johns Hopkins)
A atmosfera de HD 189733 b, um gigante gasoso do tamanho de Júpiter, tem vestígios de sulfeto de hidrogénio, uma molécula que não só exala um cheiro desagradável, como também fornece aos cientistas novas pistas sobre a forma como o enxofre, um elemento constituinte dos planetas, pode influenciar o interior e as atmosferas de mundos gasosos para lá do Sistema Solar. Ler fonte
Álbum de fotografias NGC 7789: A Rosa de Caroline
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Massimo Di Fusco
Encontrado entre os ricos campos estelares da Via Láctea, o enxame estelar NGC 7789 situa-se a cerca de 8000 anos-luz de distância na direção da constelação de Cassiopeia. Descoberto no final do século XVIII pela astrónoma Caroline Lucretia Herschel, o enxame é também conhecido como a Rosa de Caroline. O seu aspeto visual através de pequenos telescópios, criado pelo complexo de estrelas e espaços vazios do enxame, sugere pétalas de rosa aninhadas. Com uma idade atualmente estimada em cerca de 1,6 mil milhões de anos, o enxame estelar aberto também mostra a sua idade. Todas as estrelas do enxame nasceram provavelmente ao mesmo tempo, mas as mais brilhantes e massivas esgotaram mais rapidamente o combustível hidrogénio nos seus núcleos. Estas evoluíram de estrelas de sequência principal como o Sol para as muitas estrelas gigantes vermelhas vistas com um tom amarelado nesta composição a cores. Usando a cor e o brilho medidos, os astrónomos podem modelar a massa e, consequentemente, a idade das estrelas do enxame que estão a começar a "sair" da sequência principal e a tornar-se gigantes vermelhas. Com mais de 50 anos-luz de diâmetro, a Rosa de Caroline estende-se por cerca de meio grau (o tamanho angular da Lua) perto do centro desta nítida imagem telescópica.
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