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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
 
  Astroboletim #2123  
  12/07 a 15/07/2024  
     
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira
 

A Lua sobre a ponte
Local: Ponte romana - Tavira
19/07/2024, 21:00
26/07/2024, 21:00
16/08/2024, 21:00
21/08/2024, 21:00
13/09/2024, 21:00

(sem inscrição obrigatória)

Observação solar na ilha de Tavira
Local: perto dos restaurantes da ilha de Tavira
18/07/2024, 09:30 - Inscrição
22/08/2024, 09:30 - Inscrição
12/09/2024, 09:30 - Inscrição

Observação noturna do céu na praia do Barril
Local: acesso ao trilho para a praia do Barril
30/07/2024, 21:00 - Inscrição
24/08/2024, 21:00 - Inscrição

Observação solar na praia do Barril
Local: acesso ao trilho para a praia do Barril
25/07/2024, 09:30 - Inscrição
08/08/2024, 09:30 - Inscrição
10/09/2024, 09:30 - Inscrição

Observação noturna do céu de Tavira
Local: Forte do Rato
06/09/2024, 21:00 - Inscrição

 
 
Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva do Algarve
 

Astronomia na Senhora da Rocha
Local: imediações da Ermida da Senhora da Rocha
25/07/2024, 21:00 - Data esgotada - Lista de espera
25/07/2024, 22:00 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia junto ao Castelo de Paderne
Local: Castelo de Paderne
27/07/2024, 21:00 - Inscrição

Astronáufragos na Ria Formosa
31/07/2024, 20:15 - Inscrição

Astros do Moinho de Maré na Quinta de Marim
Local: Quinta de Marim, Olhão
08/08/2024, 20:30 - Data esgotada - Lista de espera

Do Sol à sustentabilidade - Ilha do Farol
Local: Ilha do Farol
14/08/2024, 09:45
(sem inscrição obrigatória)

Do Sol à sustentabilidade - Ilha da Culatra
Local: Ilha da Culatra
16/08/2024, 09:45
(sem inscrição obrigatória)

Astronomia na margem do Rio Arade em Messines
Local: parque de merendas do Rio Arade em São Bartolomeu de Messines
22/08/2024, 20:30 - Inscrição

Astronomia em Vale do Álamo
Local: Vale do Álamo - Benafim
23/08/2024 - Inscrição

Astros nos Salgados
Local: Estacionamento da Praia dos Salgados, junto ao acesso
26/08/2024 - Data esgotada - Lista de espera

Astronomia no Alto da Ameixeira
Local: Miradouro do Alto da Ameixeira
27/08/2024, 20:30 - Inscrição

 

Programa em atualização
Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 12/07: 194.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1988 era lançada a sonda soviética Phobos 2.

Após o envio de dados da sonda, esta perdeu-se em janeiro de 1989.
Em 1999, maior aproximação do cometa Tempel 2 pela Terra (0,654 UA).
Em 2000, o módulo de serviço Zvezda, o terceiro componente e centro funcional da porção russa da ISS, é lançado a bordo de um foguetão Proton.
Em 2001, o vaivém espacial Atlantis é lançado na missão STS-104, transportando o módulo Quest Joint Airlock para a ISS.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua, quase em Quarto Crescente, brilha para a direita de Espiga esta noite.

 

DIA 13/07: 195.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1969, lançamento da Luna 15, que colidiu com a Lua no dia 21 de julho do mesmo ano.

HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 23:49. A estrela brilhante logo à sua esquerda é Espiga, da constelação de Virgem.

 

DIA 14/07: 196.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1965, era realizado o primeiro voo rasante por Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4. Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa. No mesmo ano, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Em 2015, a primeira visita a Plutão e às suas luas.

New Horizons, uma missão da NASA lançada a 19 de janeiro de 2006, passa a 12.500 km de Plutão e a 28.800 km da sua lua Caronte.
HOJE, NO COSMOS:
A cauda de Escorpião está na sua melhor posição a sul pouco depois do anoitecer. Está a cerca de punho e meio à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda de Antares, e quase um punho à distância do braço esticado para baixo e para a direita do bico do "bule de chá" de Sagitário. Quão baixa a cena aparece ao observador depende de quão para norte ou sul vive: quanto mais para sul, mais alta estará.
Procure duas estrelas especialmente perto uma da outra na cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os Olhos do Gato. Estão ligeiramente inclinadas; o gato está a inclinar a sua cabeça para a direita. Lambda é mais brilhante que Upsilon; têm magnitudes 1,6 e 2,6. Ambas são supergigantes azul-esbranquiçadas, a 700 e 500 anos-luz de distância, respetivamente. Sim, a mais próxima é a mais ténue.
Uma linha que passa pelos Olhos do Gato aponta para oeste (direita), por quase um punho à distância do braço esticado até Mu Scorpii, um par muito mais íntimo conhecido como os Olhos do Gato Pequeno. Estas estão orientadas quase da mesma maneira que Lambda e Upsilon, mas estão separatdas por apenas 0,1º; use binóculos. Não são um verdadeiro binário: estão a 800 e 500 anos-luz de distância, respetivamente. E sim, a mais ténue é também a que está mais perto de nós.

 

DIA 15/07: 197.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1943, nascia Jocelyn Bell, astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares de rádio.

Em 1972, a Pioneer 10 torna-se o primeiro objeto feito pelo Homem a viajar pela cintura de asteroides.
Em 1975 eram lançadas as missões Apollo (18, número não oficial) e Soyuz 19 que viriam a efetuar o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no espaço. Foi a última missão de uma nave Apollo e da família de foguetões Saturn.
HOJE, NO COSMOS:
Cassiopeia já passou a sua posição mais baixa do ano quando vista logo após o anoitecer. Procure o seu padrão em forma de "W" inclinado razoavelmente baixo a norte-nordeste. Quanto mais para norte estiver o observador, mais alta estará. Cassiopeia vai subindo nas horas seguintes e nos meses seguintes.

 
 
   
Hubble encontra fortes indícios de um buraco negro de massa intermédia em Omega Centauri
 
Imagem que mostra a posição do buraco negro de massa intermédia em Omega Centauri.
A ser confirmado, à distância de 17.700 anos-luz, o candidato a buraco negro fica mais perto da Terra do que o buraco negro com 4,3 milhões massas solares no centro da Via Láctea, que fica a 26.000 anos-luz. Para além do Centro Galáctico, este seria também o único caso conhecido de um conjunto de estrelas estreitamente ligadas a um buraco negro massivo.
Crédito: ESA/Hubble e NASA, M. Häberle (Instituto Max Planck de Astronomia)
 

Uma equipa internacional de astrónomos utilizou mais de 500 imagens do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, que abrangem duas décadas, para detetar sete estrelas em movimento rápido na região mais interna de Omega Centauri, o maior e mais brilhante enxame globular do céu. Estas estrelas fornecem novas evidências convincentes da presença de um buraco negro de massa intermédia.

Os buracos negros de massa intermédia (BNMIs) são um "elo perdido" há muito procurado na evolução dos buracos negros. Apenas alguns outros candidatos a BNMI foram encontrados até à data. A maioria dos buracos negros conhecidos ou são extremamente massivos, como os buracos negros supermassivos que se encontram nos núcleos de grandes galáxias, ou são relativamente leves, com uma massa inferior a 100 vezes a do Sol. Os buracos negros são um dos ambientes mais extremos que os seres humanos conhecem e, por isso, são um campo de testes para as leis da física e para a nossa compreensão de como o Universo funciona. Se os BNMIs existem, quão comuns são? Será que um buraco negro supermassivo cresce a partir de um BNMI? Como é que os próprios BNMIs se formam? Serão os enxames estelares densos o seu lar preferido?

Omega Centauri é visível da Terra a olho nu e é um dos objetos celestes preferidos dos observadores de estrelas do hemisfério sul. Embora o enxame esteja a 17.700 anos-luz de distância, situando-se mesmo por cima do plano da Via Láctea, parece quase tão grande quanto a Lua cheia quando visto de uma zona rural escura. A classificação exata de Omega Centauri tem evoluído ao longo do tempo, à medida que a nossa capacidade de o estudar tem melhorado. Foi listado pela primeira vez no catálogo de Ptolomeu há quase dois mil anos como uma única estrela. Edmond Halley referiu-o como uma nebulosa em 1677, e na década de 1830 o astrónomo inglês John Herschel foi o primeiro a reconhecê-lo como um enxame globular.

Os enxames globulares são tipicamente constituídos por até um milhão de estrelas velhas fortemente ligadas entre si pela gravidade e encontram-se tanto na periferia como nas regiões centrais de muitas galáxias, incluindo a nossa. Omega Centauri tem várias características que o distinguem de outros enxames globulares: gira mais depressa do que um enxame globular normal e a sua forma é muito achatada. Além disso, Omega Centauri é cerca de 10 vezes mais massivo do que outros grandes enxames globulares, quase tão massivo como uma pequena galáxia.

Omega Centauri é constituído por cerca de 10 milhões de estrelas ligadas gravitacionalmente. Uma equipa internacional criou agora um enorme catálogo dos movimentos destas estrelas, medindo as velocidades de 1,4 milhões de estrelas através do estudo de mais de 500 imagens do enxame obtidas pelo Hubble. A maioria destas observações destinava-se a calibrar os instrumentos do Hubble e não a ser utilizada para fins científicos, mas acabou por se revelar uma base de dados ideal para os esforços de investigação da equipa. O extenso catálogo, que é o maior catálogo de movimentos para qualquer enxame de estrelas até à data, será disponibilizado abertamente (mais informações disponíveis aqui).

 
O enxame globular Omega Centauri.
Crédito: ESA/Hubble e NASA, M. Häberle (Instituto Max Planck de Astronomia)
 

"Descobrimos sete estrelas que não deveriam estar lá", explicou Maximilian Häberle, do Instituto Max Planck de Astronomia, na Alemanha, que liderou esta investigação. "Estão a mover-se tão depressa que deveriam escapar do enxame e nunca mais voltar. A explicação mais provável é que um objeto muito massivo está a puxar gravitacionalmente por estas estrelas e a mantê-las perto do centro. O único objeto que pode ser tão massivo é um buraco negro, com uma massa pelo menos 8200 vezes superior à do nosso Sol."

Vários estudos já tinham sugerido a presença de um BNMI em Omega Centauri. No entanto, outros estudos propuseram que a massa poderia ser contribuída por um aglomerado central de buracos negros de massa estelar, e sugeriram que a falta de estrelas em movimento rápido acima da velocidade de escape necessária tornava um BNMI menos provável em comparação.

"Esta descoberta é a evidência mais direta até agora de um BNMI em Omega Centauri," acrescentou Nadine Neumayer, líder da equipa, também do Instituto Max Planck de Astronomia, que iniciou o estudo com Anil Seth da Universidade do Utah nos Estados Unidos. "Isto é excitante porque há muito poucos buracos negros conhecidos com uma massa semelhante. O buraco negro em Omega Centauri pode ser o melhor exemplo de um BNMI na nossa vizinhança cósmica".

A ser confirmado, à distância de 17.700 anos-luz, o candidato a buraco negro fica mais perto da Terra do que o buraco negro com 4,3 milhões massas solares no centro da Via Láctea, que fica a 26.000 anos-luz. Para além do Centro Galáctico, este seria também o único caso conhecido de um conjunto de estrelas estreitamente ligadas a um buraco negro massivo.

A equipa científica espera agora caracterizar o buraco negro. Embora se pense que tenha pelo menos 8200 massas solares, a sua massa exata e a sua posição precisa não são totalmente conhecidas. A equipa pretende também estudar as órbitas das estrelas em rápido movimento, o que requer medições adicionais das respetivas velocidades de linha de visão. A equipa obteve tempo para utilizar o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA e fazer exatamente isso, e tem também outras propostas pendentes para utilizar outros observatórios.

Omega Centauri esteve também em destaque em dados recentemente divulgados pela missão Gaia da ESA, que contém mais de 500.000 estrelas. "Mesmo após 30 anos, o Telescópio Espacial Hubble, com os seus instrumentos de imagem, continua a ser uma das melhores ferramentas para a astrometria de alta precisão em campos estelares muito povoados, regiões onde o Hubble pode fornecer uma sensibilidade acrescida a partir das observações da missão Gaia da ESA", partilhou Mattia Libralato, membro da equipa do INAF (Istituto Nazionale di Astrofisica), e anteriormente da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy) para a Agência Espacial Europeia durante o período deste estudo. "Os nossos resultados demonstram a alta resolução e sensibilidade do Hubble, que nos estão a dar novos e excitantes conhecimentos científicos e darão um novo impulso ao tópico dos BNMIs em enxames globulares."

Os resultados foram publicados na revista Nature.

// ESA (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck de Astronomia (comunicado de imprensa)
// Universidade do Utah (comunicado de imprensa)
// Universidade de Queensland (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Hubble encontra fortes indícios de um buraco negro de massa intermédia em Omega Centauri (NASA Goddard via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
13/10/2023 - Novo lançamento de dados do Gaia revela lentes raras, o núcleo de um enxame e ciência imprevista
05/04/2008 - Suspeita-se que Omega Centauri tenha um buraco negro de massa-intermédia

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceNews
SpaceDaily
PHYSORG
ScienceAlert
Popular Science
Reuters
Forbes

Omega Centauri:
Wikipedia
Constellation Guide
SEDS

Enxames globulares:
CCVAlg - Astronomia
SEDS
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia
Buraco negro de massa estelar (Wikipedia)
Buraco negro de massa intermédia (Wikipedia)
Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST

 
   
LHS 1140 b: Webb mostra que é um exoplaneta potencialmente habitável
 
O exoplaneta temperado LHS 1140 b pode ser um mundo completamente coberto de gelo (esquerda), semelhante à lua Europa de Júpiter, ou pode ser um mundo de gelo com um oceano subestelar líquido e uma atmosfera nublada (centro). LHS 1140 b tem 1,7 vezes o tamanho do nosso planeta Terra (direita) e é o exoplaneta mais promissor, na zona habitável, já encontrado na busca por água líquida para lá do Sistema Solar.
Crédito: Benoit Gougeon, Universidade de Montréal
 

Quando o exoplaneta LHS 1140 b foi descoberto pela primeira vez, os astrónomos especularam que podia ser um mini-Neptuno: um planeta essencialmente gasoso, mas de tamanho muito pequeno em comparação com Neptuno. Mas depois de analisarem dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST) recolhidos em dezembro de 2023 - combinados com dados anteriores de outros telescópios espaciais como o Spitzer, o Hubble e o TESS - os cientistas chegaram a uma conclusão muito diferente.

Localizado a cerca de 48 anos-luz da Terra, na direção da constelação de Baleia, LHS 1140 b parece ser um dos exoplanetas mais promissores na zona habitável da sua estrela, com potencial para albergar uma atmosfera e até um oceano de água líquida. Os resultados desta descoberta dos astrónomos da Universidade de Montréal estão disponíveis no site ArXiv e serão publicados em breve na revista The Astrophysical Journal Letters.

Um exoplaneta na zona habitável

LHS 1140 b, um exoplaneta que orbita uma estrela anã vermelha de baixa massa com cerca de um-quinto do tamanho do Sol, cativou os cientistas por ser um dos exoplanetas mais próximos do nosso Sistema Solar que se encontra dentro da zona habitável da sua estrela. Os exoplanetas que se encontram nesta zona têm temperaturas que permitem a existência de água em estado líquido - sendo a água líquida um elemento crucial para a vida tal como a conhecemos na Terra.

No início deste ano, investigadores liderados por Charles Cadieux, estudante de doutoramento no iREx (Trottier Institute for Research on Exoplanets) da mesma instituição de ensino, supervisionado pelo professor René Doyon, relataram novas estimativas da massa e do raio para LHS 1140 b com uma precisão excecional, comparável à dos conhecidos planetas TRAPPIST-1: 1,7 vezes o tamanho da Terra e 5,6 vezes a sua massa.

Uma das questões críticas acerca de LHS 1140 b era se se tratava de um exoplaneta do tipo mini-Neptuno (um pequeno gigante gasoso com uma espessa atmosfera rica em hidrogénio) ou de uma super-Terra (um planeta rochoso maior que a Terra). Este último cenário incluía a possibilidade de um chamado "mundo Hiceano", com um oceano líquido global envolvido por uma atmosfera rica em hidrogénio, que exibiria um sinal atmosférico distinto que podia ser observado usando o poderoso Telescópio Webb.

Novos conhecimentos graças aos dados do Webb

Através de um processo extremamente competitivo, a equipa de astrónomos obteve um valioso "tempo discricionário do diretor" com o Webb no passado mês de dezembro, durante o qual foram observados dois trânsitos de LHS 1140 b com o instrumento NIRISS (Near-Infrared Imager and Slitless Spectrograph), construído no Canadá. Este programa é apenas o segundo dedicado ao estudo de exoplanetas nos quase dois anos de funcionamento do Webb, o que sublinha a importância e o potencial impacto destas descobertas.

A análise destas observações excluiu fortemente o cenário do mini-Neptuno, com evidências tentadoras que sugerem que o exoplaneta LHS 1140 b é uma super-Terra que pode até ter uma atmosfera rica em azoto. Se este resultado for confirmado, LHS 1140 b será o primeiro planeta temperado a mostrar evidências de uma atmosfera secundária, criada após a formação inicial do planeta.

As estimativas baseadas em todos os dados acumulados revelam que LHS 1140 b é menos denso do que o esperado para um planeta rochoso com uma composição semelhante à da Terra, sugerindo que 10 a 20 por cento da sua massa pode ser composta por água. Esta descoberta aponta para que LHS 1140 b seja um atraente mundo de água, provavelmente semelhante a uma bola de neve ou planeta de gelo com um potencial oceano líquido no ponto sub-estelar, a área da superfície do planeta que estaria sempre virada para a estrela hospedeira do sistema devido à rotação síncrona esperada do planeta (tal como a Lua da Terra).

"De todos os exoplanetas temperados atualmente conhecidos, LHS 1140 b poderá ser a nossa melhor aposta para um dia confirmar indiretamente a existência de água líquida à superfície de um mundo extraterrestre para lá do nosso Sistema Solar", disse Cadieux, autor principal do novo estudo. "Isto seria um marco importante na procura por exoplanetas potencialmente habitáveis".

Possível presença de uma atmosfera e de um oceano

Embora seja apenas um resultado provisório, a presença de uma atmosfera rica em azoto em LHS 1140 b sugere que o planeta reteve uma atmosfera substancial, criando condições que podem suportar água líquida. Esta descoberta favorece o cenário do mundo de água/bola de neve como o mais plausível.

Os modelos atuais indicam que, se LHS 1140 b tem uma atmosfera semelhante à da Terra, seria um planeta bola de neve com um vasto oceano em forma de "alvo" com cerca de 4000 quilómetros de diâmetro, equivalente a metade da área de superfície do Oceano Atlântico. A temperatura da superfície no centro deste oceano alienígena poderia até ser de uns confortáveis 20 graus Celsius.

A potencial atmosfera de LHS 1140 b e as condições favoráveis à existência de água líquida fazem dele um candidato excecional para futuros estudos de habitabilidade. Este planeta fornece uma oportunidade única para estudar um mundo que poderia suportar vida, dada a sua posição na zona habitável da sua estrela e a probabilidade de ter uma atmosfera capaz de reter calor e suportar um clima estável.

Vários anos de observação pela frente

A confirmação da presença e composição da atmosfera de LHS 1140 b e o discernimento entre os cenários de planeta bola de neve e de planeta oceânico em forma de alvo requerem mais observações. A equipa de investigação sublinhou a necessidade de medições adicionais de trânsitos e eclipses com o Telescópio Webb, concentrando-se num sinal específico que poderia revelar a presença de dióxido de carbono. Esta característica é crucial para compreender a composição atmosférica e detetar potenciais gases com efeito de estufa que possam indicar condições habitáveis no exoplaneta.

"A deteção de uma atmosfera semelhante à da Terra num planeta temperado é levar as capacidades do Webb ao limite - é possível; só precisamos de muito tempo de observação," disse Doyon, que é também o investigador principal do instrumento NIRISS. "O indício atual de uma atmosfera rica em azoto pede confirmação com mais dados. Precisamos de pelo menos mais um ano de observações para confirmar que LHS 1140 b tem uma atmosfera, e provavelmente mais dois ou três para detetar dióxido de carbono." De acordo com Doyon, o Telescópio Webb terá provavelmente de observar este sistema em todas as oportunidades possíveis durante vários anos para determinar se LHS 1140 b tem condições de habitabilidade à superfície.

Dada a visibilidade limitada de LHS 1140 b com o Webb - só é possível um máximo de oito visitas por ano - os astrónomos precisarão de vários anos de observações para detetar dióxido de carbono e confirmar a presença de água líquida na superfície do planeta.

// Universidade de Montréal (comunicado de imprensa)
// Universidade McMaster (comunicado de imprensa)
// Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
09/02/2024 - Que tipo de mundo é LHS 1140 b?
05/01/2024 - Alguns exoplanetas gelados podem ter oceanos habitáveis e géisers
21/04/2017 - Exoplaneta recentemente descoberto pode ser o melhor candidato para a procura de sinais de vida

Notícias relacionadas:
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily
Newsweek

LHS 1140 b:
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia

LHS 1140:
Simbad
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
   
As origens dos cometas escuros
 
Ilustração de um cometa a flutuar pelo espaço.
Crédito: Nicole Smith, ferramenta Midjourney
 

De acordo com um estudo da Universidade de Michigan, até 60% dos objetos próximos da Terra poderão ser cometas escuros, asteroides misteriosos que orbitam o Sol e que provavelmente contêm ou já contiveram gelo, podendo ter sido uma das vias de transporte de água para a Terra.

Segundo Aster Taylor, estudante de astronomia e principal autor do estudo, os resultados sugerem que os asteroides da cintura principal, uma região do Sistema Solar situada entre Marte e Júpiter que contém grande parte dos asteroides rochosos, têm gelo no subsolo, algo de que se suspeitava desde a década de 1980.

O estudo também mostra um potencial percurso para a entrega de gelo no Sistema Solar próximo da Terra, diz Taylor. A forma como a Terra obteve a sua água é uma questão de longa data.

"Não sabemos se estes cometas escuros trouxeram água para a Terra. Não podemos afirmar isso. Mas podemos dizer que ainda há um debate sobre como exatamente a água da Terra chegou até aqui", disse Taylor. "O trabalho que fizemos mostrou que este é outro caminho para trazer gelo de algures do resto do Sistema Solar para o ambiente da Terra".

A investigação sugere ainda que um dos grandes objetos pode vir dos cometas da família de Júpiter, cometas cujas órbitas os levam para perto do planeta Júpiter. Os resultados da equipa foram publicados na revista Icarus.

Os cometas escuros são um tanto ou quanto misteriosos porque combinam características de asteroides e cometas. Os asteroides são corpos rochosos sem gelo que orbitam mais perto do Sol, normalmente dentro daquilo a que se chama a linha de gelo. Isto significa que estão suficientemente perto do Sol para que qualquer gelo que o asteroide possa ter transportado tenha sido sublimado, transformado de gelo sólido diretamente em gás.

Os cometas são corpos gelados que apresentam uma cabeleira difusa, uma nuvem que frequentemente rodeia um cometa. O gelo sublimado transporta consigo poeira, criando a nuvem. Além disso, os cometas têm normalmente ligeiras acelerações impulsionadas não pela gravidade, mas pela sublimação do gelo, chamadas acelerações não gravitacionais.

O estudo examinou sete cometas escuros e estima que entre 0,5% e 60% de todos os objetos próximos da Terra possam ser cometas escuros, que não têm cabeleiras, mas têm acelerações não gravitacionais. Os investigadores sugerem também que estes cometas escuros provêm provavelmente da cintura de asteroides e, como estes cometas escuros têm acelerações não gravitacionais, os resultados do estudo sugerem que os asteroides da cintura de asteroides contêm gelo.

"Pensamos que estes objetos vieram da cintura de asteroides principal interna e/ou externa, e a implicação disso é que este é outro mecanismo para levar algum gelo para o Sistema Solar interior", disse Taylor. "Pode haver mais gelo na cintura principal interna do que pensávamos. Pode haver mais objetos como este por aí. Esta pode ser uma fração significativa da população mais próxima. Não sabemos realmente, mas temos muitas mais perguntas devido a estas descobertas".

Em trabalhos anteriores, uma equipa de investigadores, incluindo Taylor, identificou acelerações não gravitacionais num conjunto de objetos próximos da Terra, designando-os por "cometas escuros". Determinaram que as acelerações não gravitacionais dos cometas escuros são provavelmente o resultado de pequenas quantidades de gelo sublimado.

No trabalho atual, Taylor e os colegas queriam descobrir de onde vinham os cometas escuros.

"Os objetos próximos da Terra não permanecem muito tempo nas suas órbitas atuais porque o ambiente próximo da Terra é confuso", disseram. "Só permanecem no ambiente próximo da Terra durante cerca de 10 milhões de anos. Dado que o Sistema Solar é muito mais antigo do que isso, isso significa que os objetos próximos da Terra vêm de algum lado - que estamos constantemente a ser alimentados com objetos próximos da Terra a partir de outra fonte muito maior".

Para determinar a origem desta população de cometas escuros, Taylor e os seus coautores criaram modelos dinâmicos que atribuíram acelerações não gravitacionais a objetos de diferentes populações. Depois, modelaram o percurso que estes objetos seguiriam, dadas as acelerações não gravitacionais atribuídas, durante um período de 100.000 anos. Os investigadores observaram que muitos destes objetos acabaram onde hoje se encontram cometas escuros e descobriram que, de todas as potenciais fontes, a cintura principal de asteroides é o local de origem mais provável.

Um dos cometas escuros, chamado 2003 RM, que passa numa órbita elíptica perto da Terra, depois vai até Júpiter e volta a passar pela Terra, segue o mesmo caminho que seria esperado de um cometa da família de Júpiter, diz Taylor - ou seja, a sua posição é consistente com um cometa que foi impulsado para dentro.

Entretanto, o estudo conclui que o resto dos cometas escuros provavelmente vieram da banda interior da cintura de asteroides. Uma vez que os cometas escuros têm provavelmente gelo, isto mostra que o gelo está presente na cintura principal interna.

Depois, os investigadores aplicaram uma teoria previamente sugerida à sua população de cometas escuros para determinar porque é que os objetos são tão pequenos e giram tão rapidamente. Os cometas são estruturas rochosas unidas por gelo - imagine um cubo de gelo sujo, diz Taylor. Quando são impulsionados para dentro da linha de gelo do Sistema Solar, esse gelo começa a libertar gás. Isto provoca a aceleração do objeto, mas também pode fazer com que o objeto gire muito depressa - depressa o suficiente para que o objeto se parta.

"Estes pedaços também terão gelo sobre eles, pelo que também vão girar cada vez mais depressa até se partirem em mais pedaços", disse Taylor. "Podem continuar a fazer isto à medida que vão ficando cada vez mais pequenos. O que sugerimos é que a forma de obter estes objetos pequenos e de rotação rápida é pegar em alguns objetos maiores e parti-los em pedaços".

Quando isto acontece, os objetos continuam a perder o seu gelo, ficam ainda mais pequenos e giram ainda mais rapidamente.

Os investigadores pensam que, tendo em conta que o cometa escuro maior, 2003 RM, era provavelmente um objeto de maiores dimensões que foi expulso da cintura principal exterior, os outros seis objetos que estavam a examinar vieram provavelmente da cintura principal interior e foram formados por um objeto que tinha sido impulsionado para dentro e que depois se fragmentou.

// Universidade de Michigan (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Icarus)
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  Marte provavelmente teve um passado frio e gelado (via DRI)
A questão de saber se Marte alguma vez albergou vida tem cativado a imaginação dos cientistas e do público durante décadas. No centro da descoberta está o conhecimento do clima passado do vizinho da Terra: o planeta era quente e húmido, com mares e rios muito parecidos com os do nosso planeta? Ou era frígido e gelado e, por isso, potencialmente menos propenso a suportar a vida tal como a conhecemos? Um novo estudo encontra evidências que apoiam esta última hipótese, identificando semelhanças entre os solos encontrados em Marte e os da Terra Nova do Canadá, um clima subártico frio. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
Tripleto de Sagitário

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Andy Ermolli
 
Estas três brilhantes nebulosas são frequentemente objeto de destaque em "tours" telescópicas da constelação de Sagitário e dos campos estelares da Via Láctea central. De facto, o turista cósmico do século XVIII, Charles Messier, catalogou duas delas: M8, a grande nebulosa acima do centro, e a colorida M20 em baixo e à esquerda. A terceira região de emissão inclui NGC 6559, para a direita de M8 e separada da nebulosa maior por uma faixa de poeira escura. Todas as três são berçários estelares a cerca de 5 mil anos-luz de distância. Com mais de 100 anos-luz de diâmetro, a grande M8 é também conhecida como Nebulosa da Lagoa. A alcunha popular de M20 é Trífida. O hidrogénio gasoso brilhante cria o tom avermelhado das nebulosas de emissão. Em contraste impressionante, os tons azuis na Trífida são devidos a luz estelar refletida. A ampla paisagem estelar estende-se por quase 4 graus ou 8 Luas Cheias no céu.
 
   
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