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  Astroboletim #2149  
  11/10 a 14/10/2024  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 11/10: 285.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1758, nascia Heinrich Wilhelm Matthias Olbers, astrónomo e físico alemão, descobridor de Pallas e Vesta.
Em 1958, lançamento da sonda Pioneer 1 (a sonda cai para a Terra e é destruída).
Em 1968, lançamento da Apollo 7, a primeira missão tripulada do programa Apollo.
Em 1984, a astronauta Kathryn D. Sullivan, da missão STS-41G, torna-se na primeira mulher a fazer um passeio espacial.
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Em 2000, lançamento da missão STS-92 do vaivém Discovery, a centésima do programa dos vaivéns espaciais.
Em 2018, a Soyuz MS-10, que lançava uma tripulação para a ISS, sofre problemas durante a ida. A tripulação aterra em segurança.
HOJE, NO COSMOS:
O cometa Tsuchinshan-ATLAS (C/2003 A3) passou o periélio no dia 27 de setembro a 0,39 UA do Sol. Agora, emerge para o hemisfério norte e pode ser avistado baixo ao lusco-fusco. Escolha um local com um horizonte desimpedido a oeste e, cerca de 30 minutos após o pôr-do-Sol, examine o céu cerca de 5º acima do horizonte.
Amanhã estará cerca de 4º mais alto, será um pouco mais fácil. Continuará a ficar um pouco mais alto nos dias seguintes, embora vá perdendo brilho.

 

DIA 12/10: 286.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1964, lançamento do Voskhod 1, a primeira missão com uma tripulação de várias pessoas e o primeiro voo sem fatos espaciais. 
Em 1994, destruição da Magalhães na atmosfera de Vénus
imagem Em 2005, segundo voo espacial da China. O Shenzhou 6 transportou dois astronautas durante cinco dias em órbita.
HOJE, NO COSMOS:
O cometa Tsuchinshan-ATLAS (C/2003 A3) está agora a cerca de 8º acima do horizonte a oeste cerca de meia-hora após o pôr-do-Sol. Não se esqueça de trazer uns binóculos.

 

DIA 13/10: 287.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1773, Charles Messier descobria a Galáxia do Rodamoinho (M51).
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Em 1884, Greenwich, em Londres, Inglaterra, é estabelecida como o meridiano de longitude para a Hora Universal
Em 1892 (noite de 13 para 14), Edward Emerson Barnard descobre D/1892 T1, o primeiro cometa descoberto por meios fotográficos. 
Em 1933, criação da Sociedade Interplanetária Britânica.
HOJE, NO COSMOS:
Agora que estamos praticamente a meio de outubro, Deneb substituiu Vega como a estrela brilhante mais perto do zénite após o cair da noite para observadores a latitudes médias norte. E, assim sendo, Capricórnio substituiu Sagitário como a constelação zodiacal baixa a sul.
Vega, entretanto, ainda é a estrela mais brilhante alta a oeste. Menos alta a sudoeste, procure Altair, que também é menos brilhante.
Logo para cima e para a direita de Altair, a um dedo à distância do braço esticado, está a alaranjada Tarazed. Para baixo de Tarazed e Altair encontra-se a constelação de Águia.

 

DIA 14/10: 288.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra. 
Em 1968 tem lugar a primeira transmissão televisiva em direto de uma nave espacial, a Apollo 7.
Em 2012, Felix Baumgartner salta da estratosfera e quebra o recorde de maior queda livre, a uma altitude de 39.068 metros. É também a primeira pessoa a quebrar a barreira do som sem recurso a um veículo.
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HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que, pouco depois do cair da noite, a constelação em forma de W, Cassiopeia, apoia-se verticalmente a nordeste - e quando, para a sua esquerda a norte, a pequena e ténue constelação de Ursa Menor estende-se diretamente para a esquerda da Polar.

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Buraco negro destrói uma estrela e "vai atrás" de outra
 
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Raios X: NASA/CXC/Queen's University de Belfast/M. Nicholl et al.; ótico/IR: PanSTARRS, NSF/Legacy Survey/SDSS; ilustração - Soheb Mandhai/The Astro Phoenix; processamento de imagem - NASA/CXC/SAO/N. Wolk
 

O Observatório de Raios X Chandra da NASA, e outros telescópios, identificaram um buraco negro supermassivo que despedaçou uma estrela e está agora a usar esses destroços estelares para esmagar ou outra estrela ou um buraco negro mais pequeno. Esta investigação ajuda a ligar dois mistérios cósmicos e fornece informações sobre o ambiente em torno de alguns dos maiores tipos de buracos negros.

Esta ilustração artística mostra um disco de material (vermelho, laranja e amarelo) que foi criado depois de um buraco negro supermassivo (à direita) ter despedaçado uma estrela através de intensas forças de maré. Ao longo de alguns anos, este disco expandiu-se até se cruzar com outro objeto - ou uma estrela ou um pequeno buraco negro - que também está em órbita à volta do buraco negro gigante. Cada vez que este objeto embate no disco, emite um surto de raios X detetado pelo Chandra. A inserção mostra os dados do Chandra (a roxo) e uma imagem ótica da fonte pelo Pan-STARRS (a vermelho, verde e azul).

Em 2019, um telescópio ótico no estado norte-americano da Califórnia observou uma explosão de luz que os astrónomos classificaram mais tarde como um "evento de perturbação de marés" (com a sigla inglesa "TDEs", "tidal disruption events"). Trata-se de casos em que os buracos negros destroem estrelas, se se aproximarem demasiado, através das suas poderosas forças de maré. Os astrónomos deram a este TDE o nome de AT2019qiz.

Entretanto, os cientistas estavam também a seguir casos de outro tipo de fenómenos cósmicos observados ocasionalmente em todo o Universo. Tratavam-se de breves e regulares explosões de raios X que ocorriam perto de buracos negros supermassivos. Os astrónomos chamaram a estes eventos "erupções quase periódicas" (com a sigla inglesa "QPEs", "quasi-periodic eruptions").

Este último estudo dá aos cientistas evidências de que os TDEs e as QPEs estão provavelmente ligados. Os investigadores pensam que as QPEs surgem quando um objeto se esmaga no disco deixado para trás após o TDE. Embora possam existir outras explicações, os autores do estudo propõem que esta é a fonte de pelo menos algumas QPEs.

Em 2023, os astrónomos usaram o Chandra e o Hubble para estudar simultaneamente os detritos deixados para trás após o fim da perturbação de marés. Os dados do Chandra foram obtidos durante três observações diferentes, cada uma separada por cerca de 4 a 5 horas. A exposição total de cerca de 14 horas de tempo, pelo Chandra, revelou apenas um sinal fraco na primeira e na última observação, mas um sinal muito forte na observação do meio.

A partir daí, os investigadores usaram o NICER (Neutron Star Interior Composition Explorer) da NASA para observar frequentemente AT2019qiz em busca de explosões repetidas de raios X. Os dados do NICER mostraram que AT2019qiz entra em erupção aproximadamente a cada 48 horas. Observações do Observatório Neil Gehrels Swift da NASA e do telescópio AstroSat da Índia cimentaram a descoberta.

Os dados ultravioletas do Hubble, obtidos ao mesmo tempo que as observações do Chandra, permitiram aos cientistas determinar o tamanho do disco à volta do buraco negro supermassivo. Descobriram que o disco se tinha tornado suficientemente grande para que, se algum objeto estivesse a orbitar o buraco negro e demorasse cerca de uma semana ou menos a completar uma órbita, colidisse com o disco e causasse erupções.

Este resultado tem implicações na procura por mais erupções quase periódicas associadas a perturbações de marés. A descoberta de mais destas erupções permitiria aos astrónomos medir a prevalência e as distâncias de objetos em órbitas próximas de buracos negros supermassivos. Alguns deles podem ser excelentes alvos para os futuros observatórios de ondas gravitacionais que estão planeados.

O artigo que descreve estes resultados aparece na edição de 9 de outubro de 2024 da revista Nature.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Buraco negro destrói uma estrela e "vai atrás" de outra (Chandra via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
13/10/2020 - Morte por esparguetificação: telescópios do ESO observam os últimos momentos de uma estrela a ser devorada por um buraco negro

AT2019qiz:
Transient Name Server
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia
Evento de perturbação de marés ou TDE - "Tidal disruption event" (Wikipedia)

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

NICER (Neutron Star Interior Composition ExploreR):
NASA
Wikipedia

Observatório Neil Gehrels Swift:
NASA
Wikipedia

AstroSat:
ISRO
Wikipedia

 
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Encontrada a mais distante galáxia com disco giratório
 
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Esta imagem mostra a galáxia REBELS-25 observada pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), sobreposta a uma imagem infravermelha de outras estrelas e galáxias. A imagem infravermelha foi obtida pelo VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy) do ESO. Num estudo recente, os investigadores encontraram evidências de que REBELS-25 é uma galáxia de disco com forte rotação que estamos a observar apenas 700 milhões de anos após o Big Bang, o que faz desta galáxia semelhante à Via Láctea a mais distante e mais antiga conhecida até à data.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/L. Rowland et al./ESO/J. Dunlop et al.; reconhecimento - CASU, CALET
 

Os investigadores descobriram a galáxia mais distante parecida à Via Láctea alguma vez observada. Denominada REBELS-25, esta galáxia de disco parece tão ordenada como as galáxias atuais, no entanto, estamos a observá-la quando o Universo tinha apenas 700 milhões de anos. Este facto é tão mais surpreendente quanto, de acordo com a nossa compreensão atual da formação galáctica, se esperava que estas primeiras galáxias do Universo primordial se apresentassem bastante caóticas. A estrutura e rotação de REBELS-25 foram observadas com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro.

As galáxias que observamos no Universo atual percorreram um longo caminho desde os objetos aglomerados e caóticos que os astrónomos observam tipicamente no Universo primordial. "De acordo com o que sabemos sobre a formação galáctica no Universo, esperávamos que a maioria das galáxias primitivas fossem pequenas e se parecessem um pouco como destroços de comboios", afirma Jacqueline Hodge, astrónoma da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e coautora deste estudo.

Estas galáxias primitivas fundem-se umas com as outras, evoluindo posteriormente para formas mais suaves a um ritmo muito lento. As teorias atuais sugerem que, para que uma galáxia se apresente tão ordenada como a nossa Via Láctea — um disco em rotação com estruturas organizadas como braços em espiral — deverá ter evoluído durante milhares de milhões de anos. Contudo, a deteção de REBELS-25 desafia esta escala de tempo.

Neste estudo, aceite para publicação na revista da especialidade Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os astrónomos descobriram que REBELS-25 é a mais distante galáxia de disco com forte rotação jamais descoberta. A luz que nos chega desta galáxia foi emitida quando o Universo tinha apenas 700 milhões de anos — uns meros 5% da sua idade atual (13,8 mil milhões) — o que faz com que a rotação ordenada de REBELS-25 seja deveras inesperada. "Observar uma galáxia tão parecida com a nossa Via Láctea, fortemente dominada pela rotação, desafia a nossa compreensão da rapidez com que as galáxias do Universo primordial evoluem para as galáxias ordenadas que vemos no cosmos atual", diz Lucie Rowland, estudante de doutoramento na Universidade de Leiden e primeira autora do estudo.

 
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Esta imagem da galáxia REBELS-25 foi obtida pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma infraestrutura internacional da qual o ESO é um parceiro. O painel da esquerda mostra como o gás frio está distribuído na galáxia e apresenta indícios de uma estrutura em barra alongada no seu centro. O painel da direita mostra o movimento do gás frio na galáxia. O azul corresponde a gás que se aproxima da Terra enquanto o vermelho corresponde a gás que se afasta da Terra, com a tonalidade mais escura a representar um movimento mais rápido. Neste caso, a divisão vermelho-azul da imagem mostra claramente que o objeto está a rodar, o que faz de REBELS-25 a mais distante galáxia de disco giratório descoberta até hoje.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/L. Rowland et al.
 

REBELS-25 foi inicialmente detetada pela mesma equipa em observações anteriores também realizadas com o ALMA, que está localizado no deserto chileno do Atacama. Na altura foi uma descoberta excitante, que mostrava indícios de rotação, no entanto a resolução dos dados não era suficientemente alta para termos a certeza. Para discernir corretamente a estrutura e o movimento da galáxia, a equipa realizou observações de seguimento, também com o ALMA, com uma resolução mais elevada, conseguindo assim confirmar a sua natureza recorde. "O ALMA é o único telescópio existente com a sensibilidade e a resolução necessárias para atingir este objetivo", afirma Renske Smit, investigadora da Universidade John Moores de Liverpool, no Reino Unido, e também coautora do estudo.

Surpreendentemente, os dados também sugerem características mais desenvolvidas, semelhantes às da Via Láctea, como uma barra central alongada e até braços em espiral, embora sejam necessárias mais observações para confirmar este facto. "Encontrar evidências adicionais de estruturas mais evoluídas seria uma descoberta fantástica, já que estaríamos de facto na presença da galáxia mais distante com tais estruturas observada até à data", conclui Lucie Rowland.

Observações futuras de REBELS-25, juntamente com mais descobertas de outras galáxias primordiais com rotação, poderão transformar a nossa compreensão da formação das primeiras galáxias e da evolução do Universo como um todo.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Universidade John Moores de Liverpool (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// A mais distante galáxia com disco giratório até agora (ESO via YouTube)

 


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Notícias relacionadas:
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ScienceDaily
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Evolução galáctica:
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ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
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ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
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Dúzias de estrelas massivas lançadas do jovem enxame estelar R136
 
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Impressão artística do enxame estelar R136 com estrelas em fuga.
Crédito: Danielle Futselaar, Telescópio Espacial James Webb/NIRCam - NASA, ESA, CSA e STScI
 

Astrónomos utilizaram dados do Telescópio Espacial Gaia da ESA para descobrir 55 estrelas velozes lançadas do jovem enxame estelar R136 na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da Via Láctea. Este facto aumenta dez vezes o número de "estrelas em fuga" conhecidas nesta região. A equipa de astrónomos da Universidade de Amesterdão, da Universidade de Leiden e da Universidade de Radboud (Países Baixos), entre outras, publicou os resultados esta semana na revista Nature.

Quando os enxames estelares se formam, as estrelas recém-nascidas movem-se de forma cruzada e quase que roçam entre si, o que pode resultar na ejeção de estrelas para fora do jovem enxame. Os astrónomos, liderados pelo estudante de doutoramento da Universidade de Amesterdão, Mitchel Stoop, descobriram que o jovem enxame R136 ejetou praticamente um-terço das suas estrelas mais massivas nos últimos milhões de anos, a velocidades superiores a 100.000 km/h. Essas estrelas viajaram até 1000 anos-luz do seu local de nascimento antes de explodirem como supernovas no final da sua vida, produzindo uma estrela de neutrões ou um buraco negro.

Mas Stoop e os seus colegas fizeram outra descoberta surpreendente: não houve um único período em que as estrelas foram dinamicamente ejetadas, mas sim dois. Stoop explica: "O primeiro episódio ocorreu há 1,8 milhões de anos, quando o enxame se formou. O segundo episódio ocorreu há apenas 200.000 anos e tinha características muito diferentes. Por exemplo, as estrelas em fuga deste segundo episódio movem-se mais lentamente e não são disparadas em direções aleatórias como no primeiro episódio, mas numa direção preferencial".

"Pensamos que o segundo episódio de expulsão estelar se deveu à interação de R136 com outro enxame próximo (que só foi descoberto em 2012). O segundo episódio pode prever que os dois enxames se vão misturar e fundir num futuro próximo", diz o coautor Alex de Koter (Universidade de Amesterdão).

As estrelas massivas eventualmente explodem como supernovas. Durante a sua vida, são extremamente brilhantes - até mais de um milhão de vezes mais brilhantes do que o Sol - e emitem principalmente luz ultravioleta que ioniza o gás hidrogénio circundante. Vivem apenas durante um curto período de tempo (milhões de anos) e normalmente ainda explodem na região de formação estelar em que nasceram. Esta região de formação estelar é constituída por nuvens de gás e poeira que amortecem o efeito que as estrelas massivas têm no seu meio envolvente.

Esta é a primeira vez que se encontra um número tão grande (55) de estrelas de alta velocidade originárias de um único enxame. R136 é um enxame muito especial, com centenas de milhares de estrelas, incluindo as estrelas mais massivas conhecidas (até 300 vezes a massa do Sol). Faz parte - e é a "prima-dona" - da maior região de formação estelar que conhecemos num raio de cinco milhões de anos-luz.

"Agora que descobrimos que um-terço das estrelas massivas são ejetadas das suas regiões natais no início das suas vidas - e que exercem a sua influência para além dessas regiões - o impacto das estrelas massivas na estrutura e evolução das galáxias é provavelmente muito maior do que se pensava anteriormente. É até possível que as estrelas fugitivas formadas no início do Universo tenham dado um contributo importante para a chamada reionização do Universo causada pela luz ultravioleta", diz o coautor Lex Kaper (Universidade de Amesterdão).

Os astrónomos utilizaram dados do telescópio Gaia da ESA, que mede as posições, distâncias e velocidades de mais de mil milhões de estrelas. O Gaia está localizado muito para além da Lua, a uma distância de 1,5 milhões de quilómetros da Terra. O principal objetivo da equipa era testar os limites das capacidades do Gaia. R136 está localizado na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia irmã da Via Láctea, a uma distância de 160.000 anos-luz. É uma distância muito grande para as medições do Gaia.

"R136 só 'agora' acabou de se formar (isto é, há apenas 1,8 milhões de anos) e, por isso, as estrelas em fuga não podem ainda estar tão longe que se torne impossível identificá-las. Se conseguirmos encontrar muitas dessas estrelas, podemos fazer afirmações estatísticas fiáveis. Isto funcionou para além das expetativas e estamos tremendamente satisfeitos com os resultados. Descobrir algo novo é sempre uma emoção para um cientista”, conclui De Koter.

// NOVA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

R136:
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Estrelas em fuga:
Wikipedia

Grande Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
FPR do Gaia (ESA)
FPR do Gaia (arquivo)
FPR do Gaia (artigos)
FPR do Gaia (histórias)
Catálogo DR3 do Gaia
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Também em destaque
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exemplo   Hubble observa a Grande Mancha Vermelha de Júpiter a comportar-se como uma bola de stress (via NASA)
Há pelo menos 150 anos que os astrónomos observam a lendária Grande Mancha Vermelha (GMV) de Júpiter, um anticiclone suficientemente grande para engolir a Terra. Mas há sempre novas surpresas - especialmente quando o Telescópio Espacial Hubble da NASA a observa de perto. As novas observações da famosa tempestade vermelha, recolhidas durante 90 dias entre dezembro de 2023 e março de 2024, revelam que a GMV não é tão estável como poderia parecer. Os dados recentes mostram a GMV a agitar-se como uma gelatina. As imagens combinadas do Hubble permitiram aos astrónomos montar um filme em time-lapse do comportamento agitado da GMV. Ler fonte
     
exemplo   Hubble e New Horizons unem forças para observar Úrano ao mesmo tempo (via NASA)
Recentemente, o Telescópio Espacial Hubble da NASA e a nave espacial New Horizons apontaram ao mesmo tempo para Úrano, permitindo aos cientistas fazer uma comparação direta do planeta a partir de dois pontos de vista muito diferentes. Os resultados informam os planos futuros para estudar planetas semelhantes à volta de outras estrelas. Os astrónomos usaram Úrano como um substituto para planetas semelhantes para lá do nosso Sistema Solar, conhecidos como exoplanetas, comparando imagens de alta resolução do Hubble com a vista mais distante da New Horizons. Esta perspetiva combinada ajudará os cientistas a saberem mais sobre o que esperar quando se obtêm imagens de planetas à volta de outras estrelas com futuros telescópios. Ler fonte
     
  Investigadores utilizam um novo método para encontrar atmosferas em planetas distantes (via Universidade de Chicago)
Um estudo demonstrou uma nova forma de determinar se exoplanetas distantes têm uma atmosfera - e mostrou que era mais simples e mais eficiente do que os métodos anteriores. A nova técnica, quando aplicada a mais planetas, tem o potencial de nos ajudar a aprender mais sobre os padrões de formação da atmosfera. A abordagem utiliza a diferença de temperatura entre um exoplaneta medido no seu ponto mais quente e a temperatura calculada de quão quente poderia teoricamente ser. Uma vez que as atmosferas dispersam o calor por toda a superfície dos planetas, reduzem a temperatura do lado mais quente do planeta (que está diretamente virado para a estrela). Os cientistas colocaram a hipótese de que, se a temperatura real de um exoplaneta não é tão quente como teoricamente poderia ser, então podemos presumir que tem uma atmosfera a desempenhar esta função. Ler fonte
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Álbum de fotografias
As Longas Caudas do Cometa Tsuchinshan-ATLAS

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jose Santivañez Mueras
 
Um cometa brilhante está a mover-se para o céu noturno. O cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) tornou-se mais brilhante e, embora seja agora visível a olho nu, está ainda tão próximo do Sol que se torna difícil de ver. Na imagem, o cometa Tsuchinshan-ATLAS foi captado pouco antes do nascer-do-Sol, a partir de uma montanha dos Andes, no Peru. Enfrentando o tempo frio, este "poleiro" invulgarmente alto deu ao astrofotógrafo um horizonte oriental tão baixo que o cometa era óbvio no céu antes do amanhecer. Na imagem em destaque é visível não só uma cauda de poeira bem longa que se estende por muitos graus, mas também uma cauda iónica azul. Este mês, à medida que o cometa se afasta do Sol e passa a Terra, os observadores noturnos deverão poder ver a enorme bola de gelo sujo a oeste, logo após o pôr-do-Sol.
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