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  Astroboletim #2153  
  25/10 a 28/10/2024  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 25/10: 299.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1671, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno, Jápeto.
Em 1877 nascia Henry Norris Russell, astrónomo americano que, juntamente com Ejnar Hertzsprung, desenvolveu o diagrama Hertzsprung-Russell em 1910. 
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter
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HOJE, NO COSMOS:
Vénus em conjunção com Antares, baixos a sudoeste ao lusco-fusco. Vénus é 100 vezes mais brilhante do que Antares; procure o pequeno ponto alaranjado 3º para baixo e para a esquerda do planeta. Uns binóculos ajudam a avistar a estrela por entre o brilho do crepúsculo.

 

DIA 26/10: 300.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1968, o cosmonauta soviético Georgy Beregovoy pilota a Soyuz 3 para o espaço, numa missão de quatro dias.
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HOJE, NO COSMOS:
Aviste a brilhante Altair, alta a sudoeste, pouco depois do anoitecer. A mais brilhante Vega está bem para a sua direita.
Por cima de Altair "escondem-se" duas pequenas constelações: Golfinho, a pouco mais de um punho à distância do braço esticado para cima e para a esquerda de Altair, e a mais ténue Seta, menos distante para cima e para a direita de Altair.

 

DIA 27/10: 301.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1961, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I
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Em 1973, o meteorito Cañon City, um condrito com 1,4 kg, atinge Fremont County, no estado norte-americano do Colorado. 
Em 1994, é inquestionavelmente identificado o primeiro objeto de massa subestelar, Gliese 229B.
Em 2005, é lançado o micro-satélite SSETI Express a partir do Cosmódromo de Plesetsk.
HOJE, NO COSMOS:
Começa o horário de inverno. Quando forem 02:00, atrase os seus relógios uma hora. Nos Açores, a mudança é feita às 01:00, passando para as 00:00.
Desenhe uma linha de Altair, a estrela mais brilhante muito alta a sudoeste após o cair da noite, para a direita até Vega, muito alta a oeste e ainda mais brilhante. Continue essa linha na mesma direção por cerca de metade da distância entre Altair e Vega, e alcança a cabeça de Dragão. A sua estrela mais brilhante é a alaranjada Eltanin, a ponta do nariz do Dragão, que aponta sempre para Vega.

 

DIA 28/10: 302.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1971 a Grã-Bretanha lança o Prospero, o seu primeiro satélite. 
Em 1974, lançamento da sonda Luna 23, missão soviética de recolha de amostras lunares. Mas o dispositivo de recolha falhou e nenhumas amostras foram enviadas.
Em 2009, a NASA lança com sucesso a sua missão Ares I-X, o único lançamento do cancelado programa Constellation
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Em 2014, um foguetão que transportava a missão Cygnus CRS Orb-3, de reabastecimento da ISS, explode segundos depois de descolar do Porto Espacial na Ilha Wallops, Virgínia.
HOJE, NO COSMOS:
Eis que chegámos ao final de outubro, e Deneb ainda brilha perto do zénite ao anoitecer. E a mais brilhante Vega não está muito longe, para oeste. E a terceira estrela do Triângulo de "Verão", Altair, permanece muito alta a sudoeste. Parecem estar mais ou menos por aqui há um par de meses! Porque é que "pararam"?
O que está a ver é o resultado do pôr-do-Sol e do anoitecer chegarem cada vez mais cedo durante o outono. O que significa que se sair à rua para observar as estrelas, pouco depois do anoitecer, estará a fazê-lo cada vez mais cedo, de acordo com os ponteiros do relógio. Isto contraria a viagem para oeste das constelações. Se se habituar a fazer as suas observações astronómicas sempre à mesma hora, as constelações teriam sempre o comportamento habitual.
Claro que este "efeito do Triângulo de Verão" aplica-se a toda a esfera celeste, não apenas ao Triângulo de Verão. Claro, como sempre no que respeita à mecânica celeste, o efeito oposto faz o avanço sazonal das constelações parecer "acelerar" na primavera. Os marcos primaveris de Virgem e Corvo vão mover-se para oeste semana após semana antes que nos apercebamos, graças à escuridão que vem mais tarde. Podemos chamar a este efeito de "efeito de Corvo".

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Físicos descobrem o primeiro buraco negro num sistema triplo
 
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Esta representação artística mostra o buraco negro central, V404 Cygni (ponto preto), no processo de consumir uma estrela próxima (corpo laranja à esquerda), enquanto uma segunda estrela (flash branco à direita) orbita a uma distância muito maior.
Crédito: Jorge Lugo
 

Muitos dos buracos negros detetados até à data parecem fazer parte de um par. Estes sistemas binários são constituídos por um buraco negro e um objeto secundário - como uma estrela, uma muito mais densa estrela de neutrões ou outro buraco negro - que giram à volta um do outro, atraídos pela gravidade do buraco negro para formar um par orbital íntimo.

Agora, uma descoberta surpreendente está a expandir a nossa imagem dos buracos negros, dos objetos que podem albergar e da maneira como se formam.

Num estudo publicado na revista Nature, físicos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e do Caltech (California Institute of Technology) afirmam ter observado pela primeira vez um sistema triplo que conta com a presença de um buraco negro. O novo sistema contém um buraco negro central que está a consumir uma pequena estrela e que completa uma órbita a cada 6,5 dias - uma configuração semelhante à maioria dos sistemas binários. Mas, surpreendentemente, uma segunda estrela parece estar também a orbitar o buraco negro, embora a uma distância muito maior. Os físicos estimam que esta companheira distante complete uma órbita em torno do buraco negro a cada 70.000 anos.

O facto de o buraco negro parecer ter influência gravitacional sobre um objeto tão distante está a levantar questões sobre as origens do próprio buraco negro. Pensa-se que os buracos negros se formam a partir da explosão violenta de uma estrela moribunda - um processo conhecido como supernova, através do qual uma estrela liberta uma enorme quantidade de energia e luz numa explosão final antes de colapsar para formar um buraco negro invisível.

No entanto, a descoberta da equipa sugere que, se o buraco negro recém-observado resultasse de uma supernova típica, a energia que teria libertado antes de entrar em colapso teria ejetado quaisquer objetos fracamente ligados na sua periferia. A segunda estrela, a mais externa, não deveria, portanto, estar ainda por perto.

Ao invés, a equipa suspeita que o buraco negro se formou através de um processo mais gentil de "colapso direto", no qual uma estrela simplesmente colapsa sobre si própria, formando um buraco negro sem um último dramático fulgor. Uma origem tão gentil dificilmente perturbaria quaisquer objetos distantes e fracamente ligados pela gravidade.

Como o novo sistema triplo inclui uma estrela muito distante, isto sugere que o buraco negro do sistema nasceu através de um colapso mais gentil e direto. E embora os astrónomos já observem há séculos supernovas mais violentas, a equipa afirma que o novo sistema triplo pode ser a primeira evidência de um buraco negro que se formou a partir deste processo mais moderado.

"Nós pensamos que a maior parte dos buracos negros se formam a partir de explosões estelares violentas, mas esta descoberta ajuda a pôr isso em causa", diz o autor do estudo Kevin Burdge, bolseiro do Departamento de Física do MIT. "Este sistema é muito interessante para a evolução dos buracos negros e também levanta a questão de saber se existem mais triplos por aí".

Movimento conjunto

A descoberta do buraco negro neste sistema triplo surgiu quase por acaso. Os físicos descobriram-no enquanto pesquisavam no Aladin Lite, um repositório de observações astronómicas, agregadas a partir de telescópios no espaço e em todo o mundo. Os astrónomos podem utilizar a ferramenta online para procurar imagens da mesma parte do céu, tiradas por diferentes telescópios que estão sintonizados para vários comprimentos de onda de energia e luz.

 
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a) Uma imagem de V404 Cygni e da sua companheira pelo Pan-STARRS, usando a interface Aladin, com V404 Cygni e a estrela mais distante marcados a vermelho e a separação de 1,43 segundos de arco indicada a azul. Descobriu-se que o sistema era triplo quando os astrónomos visualizaram a fonte no Aladin e inspecionaram a astrometria do Gaia na interface, encontrando uma concordância notável nos movimentos próprios medidos destas duas fontes;
b) Um gráfico das posições e vectores de movimento próprio de todas as estrelas no campo, com V404 Cygni e a sua estrela distante indicados a vermelho;
c): ampliação do binário interno de V404 Cygni.
Crédito: Burdge et al., 2024
 

A equipa tem vindo a procurar sinais de novos buracos negros na nossa Galáxia, a Via Láctea. Por curiosidade, Burdge analisou uma imagem de V404 Cygni - um buraco negro a cerca de 8000 anos-luz da Terra que foi um dos primeiros objetos a ser confirmado como buraco negro, em 1992. Desde então, V404 Cygni tornou-se um dos buracos negros mais estudados, tendo sido documentado em mais de 1300 artigos científicos. No entanto, nenhum desses estudos relatou o que Burdge e os seus colegas observaram.

Ao olhar para as imagens óticas de V404 Cygni, Burdge viu o que pareciam ser duas manchas de luz, surpreendentemente próximas uma da outra. A primeira mancha era o que outros determinaram ser o buraco negro e uma estrela interior, que orbitava muito perto. A estrela está tão próxima que está a "derramar" algum do seu material sobre o buraco negro, emitindo a luz que Burdge conseguiu ver. A segunda mancha de luz, no entanto, foi algo que os cientistas não investigaram rigorosamente, até agora. Burdge determinou que essa segunda luz vinha muito provavelmente de uma estrela muito distante.

"O facto de podermos ver duas estrelas separadas a esta distância significa que as estrelas têm de estar muito afastadas uma da outra", diz Burdge, que calculou que a estrela exterior está a 3500 UA do buraco negro (1 UA, ou unidade astronómica, é a distância entre a Terra e o Sol, cerca de 150 milhões de quilómetros). Por outras palavras, a estrela exterior está 3500 vezes mais longe do buraco negro do que a Terra está do Sol. Este valor é também igual a 100 vezes a distância entre Plutão e o Sol.

A questão que se colocou então foi a de saber se a estrela exterior estaria ligada ao buraco negro e à sua estrela interior. Para responder a esta questão, os investigadores recorreram ao Gaia, um satélite que, desde 2014, tem seguido com precisão os movimentos de muitas estrelas da nossa Galáxia. A equipa analisou os movimentos da estrela interior e da exterior ao longo dos últimos 10 anos de dados do Gaia e descobriu que as estrelas se moviam exatamente em conjunto, em comparação com outras estrelas vizinhas. A equipa calculou que a probabilidade deste tipo de movimento em conjunto é de cerca de uma em 10 milhões.

"É quase certo que não se trata de uma coincidência ou acidente", diz Burdge. "Estamos a ver duas estrelas que se estão a seguir uma à outra porque estão ligadas por este fraco cordão gravitacional. Por isso, este tem de ser um sistema triplo".

Puxando os cordelinhos

Como é que o sistema se pode ter formado? Se o buraco negro tivesse surgido de uma supernova típica, a explosão violenta teria ejetado a estrela exterior há muito tempo.

"Imagine que está a puxar um papagaio de papel e, em vez de um cordão forte, está a puxar com uma teia de aranha", diz Burdge. "Se puxarmos com demasiada força, a teia parte-se e perdemos o papagaio. A gravidade é como uma corda muito fraca e se fizermos algo de dramático ao binário interior, perdemos a estrela exterior".

Para realmente testar esta ideia, Burdge efetuou simulações para ver como um tal sistema triplo poderia ter evoluído e retido a estrela exterior.

No início de cada simulação, introduziu três estrelas (sendo a terceira o buraco negro, antes de se tornar um buraco negro). Em seguida, executou dezenas de milhares de simulações, cada uma com um cenário ligeiramente diferente de como a terceira estrela poderia ter-se tornado um buraco negro, afetando subsequentemente os movimentos das outras duas estrelas. Por exemplo, simulou uma supernova, variando a quantidade e a direção da energia que libertava. Simulou também cenários de colapso direto, em que a terceira estrela simplesmente colapsava sobre si própria para formar um buraco negro, sem emitir qualquer energia.

"A grande maioria das simulações mostra que a forma mais fácil de fazer este triplo funcionar é através de colapso direto", diz Burdge.

Para além de dar pistas sobre as origens do buraco negro, a estrela exterior também revelou a idade do sistema. Os físicos observaram que a estrela exterior está no processo de se tornar uma gigante vermelha - uma fase que ocorre no fim da vida de uma estrela. Com base nesta transição estelar, a equipa determinou que a estrela exterior tem cerca de 4 mil milhões de anos. Dado que as estrelas vizinhas nascem mais ou menos à mesma altura, a equipa conclui que o sistema triplo tem também 4 mil milhões de anos.

"Nunca tínhamos conseguido fazer isto antes para um buraco negro antigo", diz Burdge. "Agora sabemos que V404 Cygni faz parte de um sistema triplo, pode ter sido formado por colapso direto e há cerca de 4 mil milhões de anos, graças a esta descoberta".

// MIT (comunicado de imprensa)
// Caltech (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Buraco negro:
Wikipedia

V404 Cygni:
SIMBAD
Wikipedia

Aladin Lite:
Interface web

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
Catálogo DR3 do Gaia
Wikipedia

 
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Webb encontra as primeiras candidatas a anãs castanhas jovens fora da Via Láctea
 
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Imagem de NGC 602 obtida pelos instrumentos NIRCam (Near-InfraRed Camera) e MIRI (Mid-InfraRed Instrument) do Telescópio Espacial James Webb. Compare aqui com a imagem obtida pelo Telescópio Hubble em 2017.
Crédito: ESA/Webb, NASA e CSA, P. Zeidler, E. Sabbi, A. Nota, M. Zamani (ESA/Webb)
 

Uma equipa internacional de astrónomos utilizou o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para detetar a primeira população de candidatas a anãs castanhas fora da Via Láctea, no enxame estelar NGC 602.

Perto da periferia da Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite a cerca de 200.000 anos-luz da Terra, encontra-se o jovem enxame estelar NGC 602. O ambiente local deste enxame é um análogo próximo do que existia no Universo primitivo, com abundâncias muito baixas de elementos mais pesados do que o hidrogénio e o hélio. A existência de nuvens escuras de poeira densa e o facto de o enxame ser rico em gás ionizado também sugerem a presença de processos de formação estelar em curso. Juntamente com a sua região HII associada N90, que contém nuvens de hidrogénio atómico ionizado, este enxame constitui uma oportunidade valiosa para examinar cenários de formação estelar em condições dramaticamente diferentes das da vizinhança solar.

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo Peter Zeidler, Elena Sabbi, Elena Manjavacas e Antonella Nota, utilizou o Webb para observar NGC 602 e detetou candidatas às primeiras anãs castanhas jovens fora da nossa Via Láctea.

"Só com a incrível sensibilidade e resolução espacial no regime de comprimento de onda correto é possível detetar estes objetos a distâncias tão grandes", partilhou o autor principal Peter Zeidler do AURA/STScI (Association of Universities for Research in Astronomy/Space Telescope Science Institute) para a ESA. "Isto nunca foi possível antes e continuará a ser impossível a partir do solo num futuro próximo".

As anãs castanhas são as primas mais massivas dos planetas gigantes gasosos (tipicamente variam entre 13 e 75 massas de Júpiter, por vezes menos). Flutuam livremente, o que significa que não estão gravitacionalmente ligadas a uma estrela como os exoplanetas. No entanto, algumas delas partilham características com os exoplanetas, como a sua composição atmosférica e padrões de tempestade.

"Até agora, conhecíamos cerca de 3000 anãs castanhas, mas todas elas vivem dentro da nossa própria Galáxia", acrescentou Elena Manjavacas, membro da equipa AURA/STScI da ESA.

"Esta descoberta realça o poder de usar tanto o Hubble como o Webb para estudar enxames estelares jovens," explicou Antonella Nota, membro da equipa, diretora executiva do Instituto Internacional de Ciências Espaciais na Suíça e anterior Cientista do Projeto Webb para a ESA. "O Hubble mostrou que NGC 602 alberga estrelas muito jovens de baixa massa, mas só com o Webb podemos finalmente ver a extensão e o significado da formação de massa subestelar neste enxame. O Hubble e o Webb são uma dupla de telescópios incrivelmente poderosa!"

"Os nossos resultados encaixam muito bem na teoria de que a distribuição de massa de corpos abaixo do limite de combustão do hidrogénio é simplesmente uma continuação da distribuição estelar", partilhou Zeidler. "Parece que se formam da mesma maneira, apenas não acretam massa suficiente para se tornarem uma estrela de pleno direito".

Os dados da equipa incluem uma nova imagem de NGC 602 obtida pelo instrumento NIRCam (Near-InfraRed Camera) do Webb, que destaca as estrelas do enxame, os jovens objetos estelares e as cristas de gás e poeira circundantes, bem como o próprio gás e poeira, ao mesmo tempo que mostra a contaminação significativa por galáxias de fundo e outras estrelas na Pequena Nuvem de Magalhães. Estas observações foram efetuadas em abril de 2023.

"Ao estudar as jovens anãs castanhas pobres em metal recentemente descobertas em NGC 602, estamos mais perto de desvendar os segredos de como as estrelas e os planetas se formaram nas duras condições do Universo primitivo", acrescentou Elena Sabbi, membro da equipa do NOIRLab da NSF, da Universidade do Arizona e do STScI.

"Estes são os primeiros objetos subestelares fora da Via Láctea", acrescentou Manjavacas. "Temos de estar preparados para novas descobertas revolucionárias nestes novos objetos!"

// ESA (comunicado de imprensa)
// ESA/Webb (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Ampliando até NGC 602 (HubbleWebbESA via YouTube)

 


Quer saber mais?

Anãs castanhas:
Wikipedia
Andy Lloyd's Dark Star Theory

NGC 602:
Wikipedia

Pequena Nuvem de Magalhães:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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A brilhante estrela Betelgeuse tem provavelmente uma companheira
 
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Ilustração de Betelgeuse e da sua provável companheira Betelbuddy.
Crédito: Lucy Reading-Ikkanda/Fundação Simons
 

A décima estrela mais brilhante do céu noturno, Betelgeuse, pode afinal não estar à beira de explodir como uma supernova, de acordo com um novo estudo sobre o seu aumento e diminuição de brilho. Ao invés, uma investigação recente mostra que a pulsação observada da luz estelar é provavelmente causada por uma estrela companheira que orbita Betelgeuse.

Formalmente designada por Alpha Ori B, "Betelbuddy" (como lhe chama o astrofísico Jared Goldberg) atua como um "limpa-neves" quando orbita Betelgeuse, empurrando para fora do caminho poeiras que bloqueiam a luz e fazendo com que Betelgeuse pareça temporariamente mais brilhante. Goldberg e os seus colegas apresentam as suas simulações deste processo num artigo científico aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal.

"Excluímos todas as fontes intrínsecas de variabilidade que pudemos imaginar para explicar porque é que o aumento e a diminuição de brilho estavam a acontecer desta forma", diz Goldberg, o autor principal do estudo e investigador do Centro de Astrofísica Computacional do Instituto Flatiron, pertencente à Fundação Simons, com sede em Nova Iorque, EUA. "A única hipótese que parecia encaixar é que Betelgeuse tem uma companheira".

Goldberg é coautor deste estudo juntamente com Meridith Joyce da Universidade de Wyoming e László Molnár do Observatório Konkoly no Centro de Investigação HUN-REN para Astronomia e Ciências da Terra na Hungria.

Descobrindo "Betelbuddy"

Betelgeuse é uma estrela gigante vermelha com cerca de 100.000 vezes o brilho do nosso Sol e mais de 400 milhões de vezes o seu volume. A estrela está a aproximar-se do final da sua vida e, quando morrer, a explosão resultante será suficientemente brilhante para ser vista durante o dia e durante semanas.

 
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A posição da estrela Betelgeuse na constelação de Orionte.
Crédito: Lucy Reading-Ikkanda/Fundação Simons
 

Os astrónomos podem prever quando Betelgeuse vai morrer, "verificando o seu pulso". É uma estrela variável, o que significa que fica mais brilhante e mais fraca, pulsando como um batimento cardíaco. No caso de Betelgeuse, há dois batimentos cardíacos: um que pulsa numa escala de tempo um pouco superior a um ano e outro que pulsa numa escala de tempo de cerca de seis anos.

Um destes batimentos cardíacos é o modo fundamental de Betelgeuse, um padrão de aumento e diminuição de brilho que é intrínseco à própria estrela. Se o modo fundamental da estrela for o seu batimento cardíaco de longa escala, então Betelgeuse pode estar pronta para explodir mais cedo do que o esperado. No entanto, se o seu modo fundamental for o seu batimento cardíaco de curta escala, como sugerem vários estudos, então o seu batimento cardíaco mais longo é um fenómeno chamado período secundário longo. Nesse caso, este mais longo aumento e diminuição de brilho seria provocado por algo externo à estrela.

Os cientistas ainda não sabem ao certo o que causa os longos períodos secundários, mas uma das principais teorias é que surgem quando uma estrela tem uma companheira que a rodeia e atravessa a poeira cósmica que é produzida e expelida pela estrela. A poeira deslocada altera a quantidade de luz estelar que chega à Terra, mudando o brilho aparente da estrela.

Os investigadores exploraram a possibilidade de outros processos causarem o longo período secundário, tais como a agitação no interior da estrela ou alterações periódicas no seu poderoso campo magnético. Depois de combinarem dados de observações diretas de Betelgeuse com modelos computacionais avançados que simulam a atividade da estrela, a equipa concluiu que Betelbuddy é de longe a explicação mais provável.

"Nada mais encaixava", diz Goldberg. "Basicamente, se não há nenhuma Betelbuddy, isso significa que há algo muito mais estranho a acontecer - algo impossível de explicar com a física atual".

 
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Infográfico que descreve como Betelbuddy afeta o brilho aparente de Betelgeuse.
Crédito: Lucy Reading-Ikkanda/Fundação Simons
 

A equipa ainda não conseguiu determinar exatamente a natureza de Betelbuddy, mas presume que seja uma estrela com o dobro da massa do Sol.

"É difícil dizer o que a companheira realmente é, para além de fornecer a massa e as restrições orbitais", diz Joyce. "Uma estrela semelhante ao Sol é o tipo de companheira mais provável, mas isso não é de modo algum conclusivo".

"Uma hipótese mais exótica que me agrada pessoalmente, embora as opiniões dos meus coautores possam ser diferentes, é que a companheira seja uma estrela de neutrões - o núcleo de uma estrela que já se tornou supernova", diz ela. "No entanto, nesse caso, seria de esperar ver evidências disso através de observações em raios X, o que não aconteceu. Penso que deveríamos voltar a procurar".

Uma nova visão de uma velha estrela

A seguir, a equipa vai brincar aos paparazzi, tentando captar imagens de Betelbuddy com telescópios, uma vez que haverá uma potencial janela de visibilidade por volta de 6 de dezembro.

"Precisamos de confirmar que Betelbuddy existe realmente, uma vez que o nosso resultado se baseia na inferência e não na deteção direta", diz Molnár. "Por isso, estamos agora a trabalhar em propostas de observação".

Os investigadores referem que este estudo só foi possível graças à ciência de equipa.

"Sem cada um de nós a considerar este problema de ângulos muito diferentes - László como especialista em observações espaciais e análise de dados, Jared como alguém que estuda e simula estrelas massivas, e eu própria como modelador 1D - o trabalho não teria sido possível", diz Joyce. "Quero agradecer ao Centro Flatiron de Astrofísica Computacional, em particular, por ter criado um ambiente em que é possível reunir uma gama tão diversificada de cientistas".

A equipa também está entusiasmada por ter novas informações sobre um corpo celeste há muito estudado.

Betelgeuse "tem sido alvo de inúmeros estudos desde o início da astrofísica moderna", diz Molnár. "E, no entanto, ainda há espaço para fazer novas descobertas significativas: neste caso, uma estrela semelhante ao Sol escondida à vista de todos, no imenso brilho de uma supergigante vermelha. É isso que mais me entusiasma".

// Fundação Simons (comunicado de imprensa)
// Universidade de Wyoming (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

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Betelgeuse:
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Supergigante vermelha:
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exemplo   Cientistas descobrem moléculas que armazenam grande parte do carbono no espaço (via MIT)
Uma equipa liderada por investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) descobriu que uma nuvem interestelar distante contém uma abundância de pireno, um tipo de molécula grande que contém carbono, conhecida como hidrocarboneto aromático policíclico (HAP). A descoberta de pireno nesta nuvem distante, que é semelhante à coleção de poeira e gás que acabou por se tornar no nosso Sistema Solar, sugere que o pireno pode ter sido a fonte de grande parte do carbono no nosso Sistema Solar. Ler fonte
     
exemplo   Planetas rochosos em órbita de estrelas pequenas podem ter atmosferas estáveis necessárias para suportar vida (via Universidade de Washington)
Desde o seu lançamento no final de 2021, o Telescópio Espacial James Webb da NASA tem levantado a possibilidade de se detetarem sinais de vida em exoplanetas, ou planetas para lá do nosso Sistema Solar. Os principais candidatos nesta busca são planetas rochosos, e não gasosos, que orbitam estrelas de baixa massa chamadas anãs M - facilmente as estrelas mais comuns no Universo. Uma anã M próxima é TRAPPIST-1, uma estrela a cerca de 40 anos-luz de distância que alberga um sistema de planetas em órbita que está a ser intensamente analisado na procura de vida em planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol. Ler fonte
     
  Raios gama de mais alta energia observados no centro da Via Láctea (via Laboratório Nacional de Los Alamos)
No observatório HAWC (High-Altitude Water Cherenkov), a 13.000 pés acima do nível do mar, no vulcão Sierra Negra, no México, os investigadores estão a conseguir ver um mistério violento na nossa Galáxia, a Via Láctea. Uma equipa internacional de investigadores, coliderada pelo Laboratório Nacional de Los Alamos, observou raios gama de energia ultraalta a mais de 100 teraeletrões-volt, rastreando pela primeira vez a sua origem até ao Centro Galáctico. Ler fonte
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Álbum de fotografias
M16: Pilares da Criação

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESACSASTScI; processamento - Diego Pisano
 
Estes pilares escuros podem parecer destrutivos, mas estão a formar estrelas. Esta imagem da Nebulosa da Águia que capta os pilares combina exposições no visível, obtidas com o Telescópio Espacial Hubble, com imagens no infravermelho obtidas com o Telescópio Espacial James Webb, para destacar glóbulos gasosos em evaporação que emergem de pilares de hidrogénio molecular gasoso e de poeira. Os pilares gigantes têm anos-luz de comprimento e são tão densos que o gás interior se contrai gravitacionalmente para formar estrelas. Na extremidade de cada pilar, a intensa radiação de estrelas jovens e brilhantes faz com que o material de baixa densidade se evapore, deixando expostos os berçários estelares dos densos glóbulos gasosos em evaporação. A Nebulosa da Águia, associada ao enxame estelar aberto M16, encontra-se a cerca de 7000 anos-luz de distância.
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