OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
No próximo dia 20 de fevereiro, junte-se ao Centro Ciência Viva de Tavira e ao Centro Ciência Viva do Algarve para mais uma observação do Sol! A atividade é gratuita. Participe! Data: 20 de fevereiro de 2025 Hora: 10:00 - 12:00 Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 07/02: 38.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta. Sai de dentro da órbita de Neptuno no dia 11 de fevereiro de 1999.
Em 1984, durante a missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se na atmosfera sobre a Argentina.
Em 1999, lançamento da sonda Stardust da NASA. Foi a primeira missão a recolher amostras de poeira cometária (Wild 2) e poeira cósmica.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.
Em 2016, a Coreia do Norte lança o satélite Kwangmyŏngsŏng-4 para o espaço. HOJE, NO COSMOS:
A constelação de Orionte está alta a sudeste após o anoitecer. Para a sua esquerda encontra-se a constelação de Gémeos, "encabeçada" por Castor e Pollux no seu lado esquerdo. A figura dos gémeos ainda se encontra de lado.
Bem para baixo das suas pernas está a brilhante estrela Procyon. Quatro graus acima de Procyon está a estrela de terceira magnitude, Gomeisa, Beta Canis Minoris, a única outra estrela facilmente visível a olho nu de Cão Menor. Procyon marca a parte traseira do animal, Beta CMi a parte de trás do seu pescoço, as duas estrelas mais ténues logo acima perfazem o topo da sua cabeça e o nariz. Essas duas últimas têm apenas 4.ª e 5.ª magnitudes, respetivamente. Os binóculos ajudam a observá-las através da poluição luminosa.
DIA 08/02: 39.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1969, o meteorito Allende cai perto de Pueblito de Allende, Chihuahua, México.
Em 1974, após 84 dias no espaço, a última tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1992, a sonda espacialUlysses usa a gravidade de Júpiter para poder explorar os polos do Sol. HOJE, NO COSMOS:
A Lua brilha por cima de Marte, de Pollux e de Castor ao cair da noite. Com o passar da noite a paisagem astronómica gira no sentido dos ponteiros do relógio. Pelas 23 horas Marte está para a esquerda do nosso satélite natural.
DIA 09/02: 40.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1913, é visível ao longo da costa este do continente americano um grupo de meteoros, levando os astrónomos a concluir que a fonte foi um satélite natural da Terra, pequeno e de curta vida.
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 volta à Terra após ter colocado homens na Lua pela 3ª vez.
Em 1975, a Soyuz 17 regressa à Terra.
Em 1986 regressava o cometa Halley.
Em 1995, os astronautas do vaivém espacial, na missão STS-63, Bernard A. Harris, Jr. e Michael Foale tornam-se no primeiro africano-americano e primeiro inglês, respetivamente, a fazer passeios espaciais. HOJE, NO COSMOS:
Esta noite a brilhante Lua brilha entre Marte, Pollux e Castor. Pelas 20 horas, o nosso satélite natural está a menos de 1º do Planeta Vermelho (da perspetiva do céu da Terra).
DIA 10/02: 41.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1974, "flyby" da Mars 4 por Marte. Falha a inserção orbital.
Em 2009, os satélites de comunicação Iridium 33 e Kosmos-2251 colidem em órbita, resultando na destruição de ambos. HOJE, NO COSMOS:
Já comparou atentamente as cores de Betelgeuse e de Aldebarã? Consegue detetar qualquer diferença entre as suas cores? Aldebarã é uma estrela do tipo espectral K5 III, muitas vezes chamada uma gigante "laranja", enquanto Betelgeuse, do tipo espetral M1-M2 Ia, é normalmente chamada uma supergigante "vermelha". As suas temperaturas são, efetivamente, um pouco diferentes: 3900 K e 3600 K, respetivamente, uma diferença de 8%.
Mas é complicado! Betelgeuse é mais brilhante e, para o olho humano, as cores dos objetos brilhantes parecem, falsamente, estar dessaturadas: mais pálidas (brancas) do que realmente são. Podemos "ler" melhor as cores das estrelas brilhantes desfocando-as um pouco, para espalhar a sua luz numa área maior da retina.
Estrelas oscilantes revelam companheiros ocultos nos dados do Gaia
Impressão de artista do exoplaneta Gaia-4b em torno da sua estrela-mãe.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC/M. Marcussen
Uma nova investigação, publicada no passado dia 4 de fevereiro, utiliza dados recolhidos pela nave espacial Gaia da ESA para confirmar a existência de dois misteriosos objetos celestes. Gaia-4b é um exoplaneta "super-Júpiter" e Gaia-5b uma anã castanha. Estes objetos massivos orbitam, inesperadamente, estrelas de baixa massa.
Gaia-4b é um planeta que orbita a estrela Gaia-4, anteriormente pouco notável, a cerca de 244 anos-luz de distância. Gaia-5b orbita a estrela Gaia-5, a cerca de 134 anos-luz de distância da Terra. Estes dois objetos recém-descobertos estão perto, na nossa própria vizinhança da Via Láctea. A sua existência desafia as teorias atuais da formação planetária e a missão do Gaia irá fornecer dados valiosos para ajudar a compreender estes objetos intrigantes.
"Gaia-4b é cerca de doze vezes mais massivo do que Júpiter. Com um período orbital de 570 dias, é um planeta gigante gasoso relativamente frio," explica Guðmundur Stefánsson da Universidade de Amesterdão, Países Baixos, primeiro autor do novo estudo.
"Com uma massa de cerca de 21 Júpiteres, Gaia-5b é uma anã castanha, mais massiva do que um planeta, mas demasiado leve para sustentar fusão nuclear e ser uma estrela", acrescenta Guðmundur.
De oscilações a novos mundos
Desde o seu lançamento em 2013, a nave espacial Gaia da ESA tem vindo a construir o maior e mais preciso mapa tridimensional da nossa Galáxia. Girando lentamente, percorreu o céu com dois telescópios óticos, determinando repetidamente as posições de dois mil milhões de objetos com uma precisão sem precedentes, até ao final das suas observações científicas no passado dia 15 de janeiro. Uma vez que o Gaia rastreou com precisão o movimento das estrelas - uma técnica conhecida como astrometria - espera-se que sejam descobertos milhares de novos objetos nos seus dados.
A astrometria é o método que deteta o movimento de uma estrela através de medições precisas da sua posição no céu. Esta técnica também pode ser utilizada para identificar planetas em torno de uma estrela, medindo pequenas alterações na posição da estrela à medida que esta oscila em torno do centro de massa do sistema planetário.
A missão Gaia da ESA, através do seu estudo sem precedentes da posição, brilho e movimento de mais de mil milhões de estrelas, está a gerar um grande conjunto de dados a partir dos quais serão encontrados exoplanetas, quer através de alterações observadas na posição de uma estrela no céu devido a planetas que orbitam à sua volta, quer através de uma diminuição do seu brilho quando um planeta transita pela sua face.
Crédito: ESA
Um planeta em órbita de uma estrela cria um pequeno "puxão" gravitacional que faz com que a estrela "oscile" em torno do seu centro de massa e se desloque num movimento de saca-rolhas pelo céu. Os objetos mais fáceis de descobrir usando a astrometria são enormes e estão em órbitas distantes em torno da sua estrela-mãe. Anteriormente, a existência de algumas anãs castanhas massivas foi confirmada por outros telescópios que observaram o seu brilho ténue ao lado de estrelas brilhantes para as quais o Gaia tinha detetado essa oscilação.
Isto contrasta com o método de trânsito, que deteta planetas quando passam em frente da sua estrela e é mais provável que encontre planetas numa órbita próxima. E embora a deteção de uma oscilação sugira que uma estrela pode ter um planeta, há outras causas potenciais (como sistemas estelares binários), pelo que as descobertas astrométricas têm de ser confirmadas por outros métodos.
"O Gaia estava a analisar repetidamente estas estrelas, construindo uma imagem cada vez mais detalhada ao longo do tempo", diz Guðmundur. "Em 2022, o Gaia DR3 (Data Release 3) incluiu uma lista de estrelas que parecem estar a mover-se como se fossem puxadas por um exoplaneta. Utilizando dados espetroscópicos terrestres e a técnica de velocidade radial para investigar estas estrelas, confirmámos o nosso primeiro planeta e a nossa primeira anã castanha".
A combinação de dados astrométricos e de velocidade radial permite aos astrónomos encontrar todos os detalhes orbitais e a massa do objeto em órbita, fornecendo uma oportunidade única para criar visualizações tridimensionais.
"Cerca de 75% das estrelas da Via Láctea são estrelas de baixa massa, com massas entre cerca de 10% e 60-65% da massa do Sol. Por serem tão numerosas, são também as nossas estrelas vizinhas mais próximas", explica Guðmundur. "Sabe-se que os planetas massivos em torno de estrelas de baixa massa são relativamente raros, mas quando ocorrem, causam uma oscilação maior e, portanto, uma assinatura astrométrica mais forte que é mais fácil de detetar".
Impressão de artista da anã branca Gaia-5b em torno da sua estrela-mãe.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC/M. Marcussen
Um tesouro para os caçadores de planetas
Ao passo que um exoplaneta anterior foi encontrado pelas missões Gaia e Hipparcos em conjunto, a presença de Gaia-4b foi revelada apenas pelos dados do Gaia.
Quando o próximo lote de dados do Gaia for lançado em 2026, este vai conter 5,5 anos de dados da missão que poderão revelar centenas - se não milhares - de planetas e anãs castanhas em torno de estrelas próximas. Isso dar-nos-á mais informações sobre como estes objetos diferentes se formam e o Gaia está a abrir caminho para uma nova era de descobertas astrométricas, levando a uma compreensão mais profunda dos diversos sistemas planetários que povoam a nossa Galáxia.
Matthew Standing, investigador da ESA, é especialista em exoplanetas. "Esta descoberta é uma excitante ponta do iceberg para as descobertas de exoplanetas que podemos esperar do Gaia no futuro", explica. "A descoberta de Gaia-4b é um avanço importante na utilização da astrometria Gaia para a deteção de exoplanetas, complementando os outros métodos de deteção de exoplanetas utilizados pelo Cheops da ESA e pela futura missão Plato".
"O Gaia já tinha visto os sinais reveladores de exoplanetas conhecidos, mas desta vez revelou um mundo extrassolar completamente novo", diz Johannes Sahlmann, cientista do projeto Gaia na ESA. "A descoberta de Gaia-4b mostra como as medições detalhadas do Gaia complementam as técnicas estabelecidas de descoberta exoplanetária e fornecem novas oportunidades para a investigação de exoplanetas. O quarto lançamento de dados do Gaia será um tesouro para os caçadores de planetas".
PLATO (PLAnetary Transits and Oscillations of stars): ESA Wikipedia
Ceres: os blocos de construção da vida vieram do espaço
A superfície do planeta anão Ceres. Os locais com material orgânico são vistos nas caixas vermelhas. A grande maioria dos locais encontra-se perto da cratera Ernutet, no hemisfério norte.
Crédito: Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar
O material orgânico encontrado em algumas áreas da superfície do planeta anão Ceres é provavelmente de origem exógena. Asteroides impactantes da cintura externa podem tê-lo trazido consigo. Na revista AGU Advances, um grupo de investigadores liderado pelo Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar, na Alemanha, apresenta a análise mais completa até à data deste misterioso material e do seu contexto geológico. Para o efeito, a equipa utilizou, pela primeira vez, inteligência artificial para analisar dados da nave espacial Dawn da NASA. De acordo com o estudo, o criovolcanismo único do planeta anão, em que a salmoura sobe do interior do corpo para a superfície, não é responsável pelos depósitos orgânicos descobertos até à data. Estas novas descobertas ajudam a compreender onde e como poderiam ter surgido condições habitáveis no Sistema Solar.
As moléculas orgânicas fazem parte do inventário necessário de mundos propícios à vida. Na Terra, os compostos de carbono, hidrogénio e - em quantidades menores - outros elementos formam os blocos básicos de construção de toda a vida. Nos últimos anos, os investigadores encontraram essas moléculas a grandes distâncias do Sol: em objetos transneptunianos, cometas e asteroides longínquos. Pensa-se que estes corpos são, em grande parte, remanescentes inalterados dos primeiros tempos do Sistema Solar. Os blocos de construção da vida podem, portanto, ter feito parte da sua "configuração básica" desde o início e, possivelmente, só chegaram ao Sistema Solar interior mais tarde.
Para o estudo atual, os investigadores procuraram depósitos de material orgânico anteriormente desconhecidos no planeta anão Ceres. Com a sua localização no meio da cintura de asteroides, entre as órbitas de Marte e Júpiter, o corpo não é claramente nativo do Sistema Solar interior nem do exterior. De acordo com estudos anteriores, esta localização poderia mesmo ser o seu local de nascimento. Os cientistas estão, por isso, interessados na origem dos componentes orgânicos de Ceres. Terão tido origem local, na cintura de asteroides? Ou terão chegado mais tarde?
À procura de material orgânico remotamente
Já tinham sido encontradas evidências de depósitos de material orgânico durante as primeiras fases da missão Dawn. A nave espacial chegou a Ceres em março de 2015 e acompanhou-o durante cerca de três anos e meio. Durante esse tempo, o sistema de câmaras científicas e o espetrómetro a bordo analisaram toda a superfície do planeta anão. Os dados da câmara permitem detetar possíveis manchas de material orgânico: o brilho da luz refletida nestas zonas aumenta consideravelmente com o aumento do comprimento de onda. O espetrómetro divide a luz em muitos mais comprimentos de onda do que a câmara e pode assim provar ou refutar a presença de material orgânico. Infelizmente, os dados remotos não são suficientes para identificar, sem margem para dúvidas, tipos individuais de moléculas. No entanto, é certo que os depósitos descobertos consistem de substâncias orgânicas que têm uma estrutura semelhante a uma cadeia. Os investigadores designam estas moléculas por hidrocarbonetos alifáticos.
Ampliação dos depósitos de material orgânico (a vermelho) perto da cratera Ernutet.
Crédito: Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar
Os autores do estudo atual utilizaram agora a inteligência artificial para vasculhar toda a superfície do planeta anão em busca de vestígios de moléculas orgânicas alifáticas. "Os locais de tais moléculas orgânicas são de facto raros em Ceres e desprovidos de quaisquer assinaturas criovulcânicas", diz o primeiro autor Ranjan Sarkar do MPS, resumindo os resultados. A grande maioria dos depósitos pode ser encontrada ao longo da orla ou perto da grande cratera Ernutet, no hemisfério norte do planeta anão. Apenas três estão localizados a uma distância maior. Duas manchas não eram conhecidas anteriormente. Um olhar mais atento às estruturas geológicas nos locais onde se encontra o material orgânico permite tirar mais conclusões. "Em nenhum dos depósitos encontramos evidências de atividade vulcânica ou tectónica atual ou passada: não há fossas, desfiladeiros, cúpulas vulcânicas ou fendas. Além disso, não existem crateras de impacto profundas nas proximidades", afirma Martin Hoffmann, do Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar.
Impactos de vizinhos distantes
Durante a missão Dawn, Ceres revelou-se um mundo extraordinário e criovulcânico. Sob a sua superfície, esconde-se uma salmoura aquosa que, nalguns locais, tem estado a infiltrar-se na superfície até há pouco tempo. "É claro que a primeira hipótese é que o criovulcanismo único de Ceres tenha transportado o material orgânico do interior do corpo para a superfície", diz Andreas Nathues do Instituto Max Planck para a Investigação do Sistema Solar, chefe da equipa da câmara. "Mas os nossos resultados mostram o contrário", acrescenta. Nos locais de atividade criovulcânica, não há evidências de matéria orgânica. E onde foram detetados compostos orgânicos de forma fiável, não há evidências de atividade profunda ou superficial.
Os investigadores defendem, portanto, que o impacto de um ou mais asteroides da cintura externa introduziu a matéria orgânica. As simulações em computador mostram que estes corpos estão entre os que mais frequentemente colidiram com Ceres. Uma vez que os vizinhos não muito distantes não ganham muita velocidade, é gerado pouco calor aquando do impacto. Os compostos orgânicos conseguem sobreviver a estas temperaturas.
"Infelizmente, a Dawn não consegue detetar todos os tipos de compostos orgânicos", salienta Andreas Nathues. É muito provável que os blocos de construção da vida também se tenham formado no oceano subterrâneo de Ceres e talvez até tenham chegado à superfície - ou ainda estejam a fazê-lo. "No entanto, os depósitos orgânicos que foram detetados de forma fiável pela Dawn até agora provavelmente não são originários do próprio Ceres", explica. Nathues conclui dizendo que seria necessário um futuro modulo de aterragem para detetar material orgânico do interior de Ceres.
InSight descobre que os sismos provocados por meteoroides em Marte "vão mais fundo" do que se pensava
Captada pela câmara HiRISE da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, no dia 4 de março de 2021, esta cratera de impacto foi encontrada em Cerberus Fossae, uma região sismicamente ativa do Planeta Vermelho. Os cientistas fizeram corresponder o seu aparecimento na superfície a um sismo detetado pelo módulo de aterragem InSight da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
Os meteoroides que colidem com Marte produzem sinais sísmicos que podem alcançar uma profundidade maior do que se pensava anteriormente. Esta é a conclusão de um par de novos artigos científicos que comparam dados de sismos marcianos recolhidos pelo módulo InSight da NASA com crateras de impacto detetadas pela MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da mesma agência espacial.
Os artigos científicos, publicados na passada segunda-feira, dia 3 de fevereiro, na revista Geophysical Research Letters, destacam como os cientistas continuam a aprender com o InSight, que a NASA aposentou em 2022 após uma missão prolongada bem-sucedida. O InSight instalou o primeiro sismómetro em Marte, detetando mais de 1300 sismos, que são produzidos por tremores no interior do planeta (causados por rochas que quebram sob calor e pressão) e por rochas espaciais que atingem a superfície.
Ao observar a forma como as ondas sísmicas desses sismos se alteram à medida que viajam através da crosta, do manto e do núcleo do planeta, os cientistas obtêm um vislumbre do interior de Marte, bem como uma melhor compreensão da forma como todos os mundos rochosos se formam, incluindo a Terra e a sua Lua.
No passado, os investigadores já tinham captado imagens de novas crateras de impacto e encontrado dados sísmicos que coincidiam com a data e o local de formação das crateras. Mas os dois novos estudos representam a primeira vez que um novo impacto foi correlacionado com sismos detetados em Cerberus Fossae, uma região de Marte especialmente propensa a sismos e que fica a 1640 quilómetros do InSight.
A cratera de impacto tem 21,5 metros de diâmetro e está muito mais longe do InSight do que os cientistas esperavam, com base na energia sísmica do evento. A crosta marciana tem propriedades únicas que se pensa amortecerem as ondas sísmicas produzidas por impactos, e a análise dos investigadores do impacto em Cerberus Fossae levou-os a concluir que as ondas que produziu seguiram um caminho mais direto através do manto do planeta.
A equipa do InSight terá agora de reavaliar os seus modelos da composição e estrutura do interior de Marte para explicar como é que os sinais sísmicos gerados por impactos podem chegar tão profundamente.
"Costumávamos pensar que a energia detetada na grande maioria dos eventos sísmicos estava presa na crosta marciana", disse Constantinos Charalambous, membro da equipa InSight do Imperial College de Londres. "Esta descoberta mostra um caminho mais profundo e mais rápido - chamemos-lhe uma autoestrada sísmica - através do manto, permitindo que os sismos cheguem a regiões mais distantes do planeta".
Uma câmara no braço robótico do módulo InSight da NASA captou a instalação de um escudo térmico e de vento a 2 de fevereiro de 2019. O escudo cobriu o sismómetro do InSight, que captou dados de mais de 1300 sismos marcianos durante os quatro anos da missão.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Detetando crateras em Marte com a MRO
Um algoritmo de aprendizagem de máquina desenvolvido no JPL da NASA, no sul da Califórnia, para detetar impactos de meteoroides em Marte, desempenhou um papel fundamental na descoberta da nova cratera em Cerberus Fossae. Numa questão de horas, a ferramenta de inteligência artificial consegue analisar dezenas de milhares de imagens a preto e branco captadas pela CTX (Context Camera) da MRO, detetando as zonas de explosão em redor das crateras. A ferramenta seleciona imagens candidatas para serem examinadas por cientistas experientes em dizer quais as colorações subtis em Marte que merecem imagens mais detalhadas por parte da câmara HiRISE (High-Resolution Imaging Science Experiment) da MRO.
"Se fosse feito manualmente, seriam anos de trabalho", disse Valentin Bickel, membro da equipa InSight da Universidade de Berna, na Suíça. "Usando esta ferramenta, passámos de dezenas de milhares de imagens para apenas uma mão cheia numa questão de dias. Não é tão bom como um humano, mas é super-rápido".
Bickel e os seus colegas procuraram crateras num raio de cerca de 3000 quilómetros da localização do InSight, na esperança de encontrar algumas que se tivessem formado enquanto o sismómetro da sonda estava a registar dados. Comparando imagens antes e depois da CTX ao longo de um certo período de tempo, encontraram 123 crateras novas para cruzar com os dados do InSight; 49 dessas crateras eram potenciais correspondências com sismos detetados pelo sismómetro do módulo de aterragem. Charalambous e outros sismólogos filtraram ainda mais esse conjunto para identificar a cratera de impacto de Cerberus Fossae, com quase 22 metros.
Decifrar mais, mais depressa
Quanto mais os cientistas estudam os dados do InSight, melhor conseguem distinguir os sinais originários do interior do planeta dos causados por impactos de meteoroides. O impacto encontrado em Cerberus Fossae vai ajudá-los a aperfeiçoar ainda mais a forma como distinguem estes sinais.
"Pensávamos que Cerberus Fossae produzisse muitos sinais sísmicos de alta frequência associados a sismos gerados internamente, mas isto sugere que alguma da atividade não tem origem aí e pode ser causada por impactos", disse Charalambous.
As descobertas também destacam a forma como os investigadores estão a aproveitar a IA para melhorar a ciência planetária, fazendo melhor uso de todos os dados recolhidos pelas missões da NASA e da ESA. Para além de estudar as crateras marcianas, Bickel utilizou a IA para procurar deslizamentos de terras, diabos de poeira e características escuras sazonais que aparecem em encostas íngremes. As ferramentas de IA também têm sido utilizadas para encontrar crateras e deslizamentos de terras na nossa Lua.
"Agora temos tantas imagens da Lua e de Marte que a luta é para processar e analisar os dados", disse Bickel. "Chegámos finalmente à era dos grandes dados da ciência planetária".
Gemini North junta-se ao LOFAR para revelar o maior jato de rádio jamais visto no Universo primitivo (via NOIRLab)
Utilizando o telescópio Gemini North, uma metade do Observatório Internacional Gemini, os astrónomos caracterizaram o maior jato de rádio do início do Universo. Historicamente, estes grandes jatos de rádio têm permanecido esquivos no Universo distante. Com estas observações, os astrónomos têm novos e valiosos conhecimentos sobre o momento em que os primeiros jatos se formaram no Universo e o seu impacto na evolução das galáxias. Ler fonte
Webb investiga um disco dinâmico e poeirento (via ESA)
Esta nova imagem, obtida pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, apresenta HH 30 com um pormenor sem precedentes. Este alvo é um disco protoplanetário visto de lado que está rodeado por jatos e um vento de disco, e está localizado na nuvem escura LDN 1551 na Nuvem Molecular de Touro. Ler fonte
Álbum de fotografias Estrela Wolf-Rayet 124: Máquina de Vento Estelar
Algumas estrelas explodem em câmara lenta. As estrelas Wolf-Rayet, raras e massivas, são tão tumultuosas e quentes que se desintegram lentamente diante dos nossos telescópios. Bolhas de gás quente, cada uma com tipicamente mais de 30 vezes a massa da Terra, estão a ser expelidas por violentos ventos estelares. A estrela Wolf-Rayet 124, visível perto do centro da imagem em destaque, abrange seis anos-luz de diâmetro e cria assim a nebulosa circundante conhecida como M1-67. Os detalhes de porque é que esta estrela se tem fragmentado lentamente ao longo dos últimos 20.000 anos permanece um tópico de investigação. WR 124 situa-se a 15.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Flecha (ou Seta). O destino de uma dada estrela Wolf-Rayet provavelmente depende de quão massiva é, mas pensa-se que muitas terminem as suas vidas com explosões espetaculares, como supernovas ou explosões de raios gama.
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