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  Astroboletim #2186  
  18/02 a 20/02/2025  
     
 
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OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
No próximo dia 20 de fevereiro, junte-se ao Centro Ciência Viva de Tavira e ao Centro Ciência Viva do Algarve para mais uma observação do Sol! A atividade é gratuita. Participe!
Data: 20 de fevereiro de 2025
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 18/02: 49.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1930, enquanto estudava fotografias tiradas em janeiro, Clyde Tombaugh descobre Plutão.
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Na altura foi designado como o nono planeta do Sistema Solar e o mais afastado. Desde aí, descobrimos também quão "não parecido com um planeta" realmente é. Finalmente, em 2006 deixa de ser planeta principal para passar a ser classificado como planeta anão.
Em 1977, voo inaugural do vaivém espacial Enterprise a partir do topo de um Boeing 747.
Em 2003, o cometa C/2002 V1 (NEAT) atinge o periélio, visto pela SOHO.
Em 2021, o rover Perseverance, construído para explorar a cratera Jezero em Marte, aterra com sucesso no Planeta Vermelho.
HOJE, NO COSMOS:
Já alguma vez observou uma anã vermelha? Estas são as estrelas mais comuns da Galáxia, mas são tão intrinsecamente ténues que nem uma é visível a olho nu, nem mesmo a partir dos locais mais escuros. Uma das anãs vermelhas mais próximas e mais brilhantes fica apenas a 3º para oeste de Procyon, bem posicionada nestas noites de inverno. A Estrela de Luyten, também conhecida como GJ 273, tem magnitude visual 9,9 e está ao alcance de pequenos telescópios. Para a encontrar, tem que recorrer a um mapa do céu juntamente com um telescópio e ter especialmente alguma experiência em saltar de estrela para estrela até chegar ao alvo que pretende.
Este objeto está a apenas 12,3 anos-luz de distância, pelo que também tem um movimento próprio muito elevado; viaja 3,7 segundos de arco por ano. Isto significa que o seu movimento pode ser detetado em apenas 3 anos.

 

DIA 19/02: 50.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1473, nascia Nicolau Copérnico, conhecido como o fundador da Astronomia Moderna.
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No ano de 1530, completa e anuncia ao mundo o seu grande trabalho "De Revolutionibus", que explica que a Terra gira sobre o seu próprio eixo uma vez por dia e viaja à volta do Sol anualmente.
Em 1924, Edwin Hubble escreve a Harlow Shapley: "Estará interessado em saber que encontrei uma variável Cefeida na Nebulosa de Andrómeda" (a atualmente conhecida "Galáxia de Andrómeda"). 
Em 2002, a sonda Mars Odyssey começava a mapear a superfície de Marte.
HOJE, NO COSMOS:
Agora que a Lua nasce tarde, aproveite estas noites para observar telescopicamente alguns objetos de céu profundo, como por exemplo M42 (Nebulosa de Orionte), M45 (Plêiades), M44 (enxame do Presépio) ou o enxame duplo de Perseu (NGC 869 e NGC 884).

 

DIA 20/02: 51.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1962, o astronauta John Glenn, a bordo da nave Friendship 7, orbita a Terra 3 vezes em 4 horas e 55 minutos, no âmbito do programa Mercury.
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Em 1965, a sonda Ranger 8 despenha-se sobre a Lua após uma missão bem-sucedida a fotografar locais para a alunagem das missões Apollo.
Em 1986, a União Soviética lança a estação espacial Mir. Permanecendo em órbita durante 15 anos, é tripulada durante 10.
Em 2013, é descoberto o exoplaneta mais pequeno até à data, Kepler-37b, com um raio pouco maior que o da Lua.
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 17:33.
Após o anoitecer, o "W" de Cassiopeia brilha alto a noroeste, apoiado quase de lado. Perto do zénite temos a estrela Capella.
A estrela mais brilhante entre Cassiopeia e Capella (e um pouco para a esquerda) é Alpha Persei (Mirfak), de magnitude 1,8. Está para baixo e para a direita do enxame de Alpha Persei: um grupo grande, solto e alongado de estrelas mais fracas do tamanho do polegar à distância do braço esticado. Pelo menos uma dúzia são de magnitude 6 ou mais brilhantes, brilhantes o suficiente para binóculos.
Mirfak, uma supergigante esbranquiçada, é membro verdadeira do grupo. O enxame e a estrela Mirfak ficam a cerca de 560 anos-luz de distância.

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Webb obtém um quadro geral de como o enxame da Fénix forma estrelas
 
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Dados espetroscópicos recolhidos pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA sobrepostos a uma imagem do enxame da Fénix que combina dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA, do Observatório de raios X Chandra e do radiotelescópio VLA (Very Large Array). A poderosa sensibilidade do Webb no infravermelho médio detetou o gás em arrefecimento que conduz a um ritmo furioso de formação estelar neste massivo enxame galáctico.
Crédito: NASA, CXC, NRAO, ESA, M. McDonald (MIT), M. Reefe (MIT), J. Olmsted (STScI)
 

Investigadores, utilizando o Telescópio Espacial James Webb da NASA, resolveram finalmente o mistério de como um enorme enxame de galáxias está a formar estrelas a um ritmo tão elevado. A confirmação do Webb baseia-se em mais de uma década de estudos efetuados com o Observatório de raios X Chandra e com o Telescópio Espacial Hubble, bem como com vários observatórios terrestres.

O enxame da Fénix, um grupo de galáxias unidas pela gravidade a 5,8 mil milhões de anos-luz da Terra, tem sido alvo do interesse dos astrónomos devido a algumas propriedades únicas. Em particular, algumas que são surpreendentes: uma suspeita de arrefecimento extremo do gás e um ritmo furioso de formação estelar, apesar de um buraco negro supermassivo com cerca de 10 mil milhões de massa solar no seu núcleo. Noutros enxames galácticos observados, o buraco negro supermassivo central liberta partículas energéticas e radiação que impedem o gás de arrefecer o suficiente para formar estrelas. Os investigadores têm estudado os fluxos de gás no interior deste enxame para tentar perceber como é que ele está a levar a uma formação estelar tão extrema.

"Podemos comparar os nossos estudos anteriores do enxame da Fénix, que encontraram diferentes taxas de arrefecimento a diferentes temperaturas, a uma pista de esqui", disse Michael McDonald do MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge, investigador principal do programa. "O enxame da Fénix tem o maior reservatório de gás quente e em arrefecimento de qualquer enxame de galáxias - análogo a ter o teleférico mais movimentado, levando o maior número de esquiadores ao topo da montanha. No entanto, nem todos esses esquiadores estavam a descer a montanha, o que significa que nem todo o gás estava a arrefecer até baixas temperaturas. Se houvesse uma pista de esqui onde houvessem muitas mais pessoas a sair do teleférico no topo do que a chegar ao fundo, isso seria um problema!"

Até à data, no enxame da Fénix, os números não estavam a bater certo e os investigadores estavam a perder uma parte do processo. O Webb encontrou agora esses proverbiais esquiadores no meio da montanha, na medida em que rastreou e mapeou o gás em arrefecimento que faltava e que acabará por alimentar a formação estelar. Mais importante ainda, este gás quente intermédio foi encontrado no interior de cavidades que traçam o gás muito quente, com uns escaldantes 10 milhões de graus Celsius, e o gás já arrefecido, com cerca de 10.000º C.

 
Esta imagem do enxame da Fénix combina dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA, do Observatório de raios X Chandra e do radiotelescópio VLA (Very Large Array). Os raios X do Chandra mostram gás extremamente quente a roxo. Os dados óticos do Hubble mostram galáxias a amarelo e filamentos de gás mais frio, onde se estão a formar estrelas, a azul claro. Os jatos gerados por surtos, representados a vermelho, são vistos em ondas rádio pelo radiotelescópio VLA.
Crédito: NASA, CXC, NRAO, ESA, M. McDonald (MIT)
 

A equipa estudou o núcleo do enxame com mais detalhe do que nunca, com o MIRI (Medium-Resolution Spectrometer on Webb’s Mid-Infrared Instrument) do Webb. Esta ferramenta permite aos investigadores obter dados espetroscópicos bidimensionais de uma região do céu, durante um conjunto de observações.

"Estudos anteriores apenas mediram gás nos extremos frio e quente da distribuição de temperatura no centro do enxame", acrescentou McDonald. "Estávamos limitados - não era possível detetar o gás 'morno' que procurávamos. Com o Webb, pudemos fazer isto pela primeira vez".

Uma peculiaridade da natureza

A capacidade do Webb para detetar esta temperatura específica de gás em arrefecimento, cerca de 300.000º C, deve-se em parte às suas capacidades instrumentais. No entanto, os investigadores também estão a receber uma pequena ajuda da natureza.

Esta particularidade envolve dois átomos ionizados muito diferentes, o néon e o oxigénio, criados em ambientes semelhantes. A estas temperaturas, a emissão do oxigénio é 100 vezes mais brilhante, mas só é visível no ultravioleta. Embora o néon seja muito mais ténue, brilha no infravermelho, o que permitiu aos investigadores tirar partido dos instrumentos avançados do Webb.

"Nos comprimentos de onda do infravermelho médio detetados pelo Webb, a assinatura do néon VI era absolutamente estrondosa", explicou Michael Reefe, também do MIT, autor principal do artigo científico publicado na Nature. "Apesar desta emissão ser normalmente mais difícil de detetar, a sensibilidade do Webb no infravermelho médio corta todo o ruído".

A equipa espera agora empregar esta técnica para estudar enxames galácticos mais típicos. Embora o enxame da Fénix seja, em muitos aspetos, único, esta prova de conceito é um passo importante para aprender como outros enxames de galáxias formam estrelas.

// NASA (comunicado de imprensa)
// MIT (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Enxame da Fénix:
Wikipedia

Enxames de galáxias:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Formação estelar:
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Nova publicação de dados sobre supernovas Tipo Ia pode ser fundamental para o estudo da história do Universo
 
Posição das 3628 supernovas Tipo Ia em galáxias distantes observadas com o ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observatório Palomar, no estado americano da Califórnia. O telescópio de 1,2 metros percorreu o céu do hemisfério norte, não bloqueado pela nossa Via Láctea, (região escura) durante três anos para recolher estes dados. As inserções mostram um exemplo de uma supernova Tipo Ia em particular, descoberta pela ZTF, indicando a evolução desde imediatamente antes da explosão, e os dois meses seguintes.
Crédito: Mickael Rigault
 

Um novo conjunto de dados de supernovas Tipo Ia, divulgado a semana passada, poderá mudar a forma como os cosmólogos medem a história da expansão do Universo.

O Dr. Mathew Smith e o Dr. Georgios Dimitriadis, da Universidade de Lancaster, são ambos membros do ZTF (Zwicky Transient Facility), um levantamento astronómico de campo largo que utiliza uma nova câmara acoplada ao Telescópio Samuel Oschin no Observatório Palomar, no estado americano da Califórnia.

As supernovas Tipo Ia são explosões dramáticas de estrelas anãs brancas no fim das suas vidas. Os cosmólogos utilizam-nas para sondar distâncias no Universo, comparando os seus fluxos, uma vez que os objetos mais distantes parecem mais fracos.

O grupo de trabalho científico do ZTF publicou vinte e um artigos científicos que estudam estas 3628 supernovas Tipo Ia numa edição especial da revista Astronomy & Astrophysics.

O astrofísico de Lancaster, Dr. Mathew Smith, colíder do lançamento SN Ia DR2 do ZTF, afirmou: "Este lançamento fornece um conjunto de dados revolucionário para a cosmologia das supernovas. Abre a porta a novas descobertas tanto sobre a expansão do Universo como sobre a física fundamental das supernovas".

Esta é a primeira vez que os astrofísicos têm acesso a um conjunto de dados tão grande e homogéneo. As supernovas Tipo Ia são raras, ocorrendo aproximadamente uma vez em cada mil anos numa galáxia típica, mas a profundidade e a estratégia de observação do ZTF permitem aos investigadores detetar quase quatro por noite. Em apenas dois anos e meio, o ZTF duplicou para quase três mil o número de supernovas Tipo Ia disponíveis para cosmologia, obtidas nos últimos 30 anos.

O chefe do grupo de trabalho de cosmologia do ZTF, Dr. Mickael Rigault, do Institut des deux Infinis de Lyon (CNRS/Universidade Claude Bernard), afirmou: "Nos últimos cinco anos, um grupo de trinta peritos de todo o mundo recolheu, compilou, reuniu e analisou estes dados. Estamos agora a divulgá-los a toda a comunidade. Esta amostra é tão única em termos de dimensão e homogeneidade, que esperamos que tenha um impacto significativo no campo da cosmologia das supernovas e que leve a muitas novas descobertas, para além dos resultados que já publicámos".

A câmara ZTF, instalada no telescópio Schmidt de 48 polegadas do Observatório Palomar, percorre todas as noites todo o céu setentrional em três bandas óticas, atingindo uma magnitude de 20,5 - um milhão de vezes mais fraca do que as estrelas mais ténues visíveis a olho nu. Esta sensibilidade permite ao ZTF detetar quase todas as supernovas num raio de 1,5 mil milhões de anos-luz da Terra.

A professora Kate Maguire, do Trinity College Dublin, coautora do estudo, afirmou: "Graças à capacidade única do ZTF para varrer o céu rápida e profundamente, captámos várias supernovas nos dias - ou mesmo horas - seguintes à sua explosão, fornecendo novas restrições sobre a forma como terminam as suas vidas".

A aceleração da expansão do Universo, galardoada com o Prémio Nobel em 2011, foi descoberta no final da década de 1990 com recurso a cerca de uma centena destas supernovas. Desde então, os cosmólogos investigam a razão desta aceleração causada pela energia escura que desempenha o papel de uma força antigravitacional em todo o Universo.

O professor Ariel Goobar, coautor do estudo, Diretor do Centro Oskar Klein em Estocolmo, uma das instituições fundadoras do ZTF, e também membro da equipa que descobriu a expansão acelerada do Universo em 1998, afirmou: "Em última análise, o objetivo é responder a uma das maiores questões do nosso tempo no domínio da física e da cosmologia, nomeadamente, de que é feita a maior parte do Universo? Para isso, precisamos dos dados das supernovas ZTF".

Um dos principais resultados destes estudos é o facto das supernovas Tipo Ia variarem intrinsecamente em função do seu ambiente hospedeiro, mais do que se esperava anteriormente, e o mecanismo de correção assumido até agora tem de ser revisto. Isto poderá alterar a forma como medimos a história da expansão do Universo e poderá ter consequências importantes para o atual desvio observado no modelo padrão da cosmologia.

O Dr. Rigault afirmou: "Com este grande e homogéneo conjunto de dados, podemos explorar as supernovas Tipo Ia com um nível de precisão e exatidão sem precedentes. Este é um passo crucial para aperfeiçoar a utilização das supernovas Tipo Ia na cosmologia e avaliar se os atuais desvios na cosmologia se devem a uma nova física fundamental ou a um problema desconhecido na forma como derivamos as distâncias".

// Universidade de Lancaster (comunicado de imprensa)
// CNRS (comunicado de imprensa)
// Universidade de Estocolmo (comunicado de imprensa)
// Trinity College Dublin (comunicado de imprensa)
// Artigos científicos (edição especial da Astronomy & Astrophysics)

 


Quer saber mais?

Data Release 2 de SN Ia do ZTF:
Página principal
Artigos científicos

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)

ZTF (Zwicky Transient Facility):
Caltech
ipac
Wikipedia

Observatório Palomar:
Página principal
Wikipedia

 
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Será que a evolução planetária favorece a vida inteligente? Estudo argumenta que podemos não estar assim tão sós
 
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Um novo modelo põe em causa a teoria dos "passos difíceis", defendida há décadas, de que a vida inteligente foi um acontecimento incrivelmente improvável e sugere que talvez não tenha sido assim tão difícil ou improvável. A equipa de investigadores afirmou que a nova interpretação da origem da humanidade aumenta a probabilidade de vida inteligente noutros locais do Universo.
Crédito: NASA
 

De acordo com um novo modelo de como a vida inteligente se desenvolveu na Terra, a humanidade pode não ser extraordinária, mas sim o resultado evolucionário natural do nosso planeta e provavelmente de outros.

O modelo, que contraria a teoria dos "passos difíceis", defendida há décadas, segundo a qual a vida inteligente foi um acontecimento incrivelmente improvável, sugere que talvez não tenha sido assim tão difícil ou improvável. Uma equipa de investigadores da Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA, que liderou o trabalho, afirma que a nova interpretação da origem da humanidade aumenta a probabilidade de haver vida inteligente noutras partes do Universo.

"Esta é uma mudança significativa na forma como pensamos acerca da história da vida", disse Jennifer Macalady, professora de geociências na Universidade do Estado da Pensilvânia e coautora do artigo científico, que foi publicado dia 14 de fevereiro na revista Science Advances. "Sugere que a evolução da vida complexa pode ter menos a ver com sorte e mais com a interação entre a vida e o seu ambiente, abrindo novas e excitantes vias de investigação na nossa busca para compreender as nossas origens e o nosso lugar no Universo".

Inicialmente desenvolvido pelo físico teórico Brandon Carter em 1983, o modelo dos "passos difíceis" defende que a nossa origem evolutiva é altamente improvável devido ao tempo que os seres humanos demoraram a evoluir na Terra relativamente ao tempo de vida total do Sol - e, por conseguinte, a probabilidade de existirem seres semelhantes aos humanos para além da Terra é extremamente baixa.

No novo estudo, uma equipa de investigadores, que incluía astrofísicos e geobiólogos, argumentou que o ambiente da Terra era inicialmente inóspito para muitas formas de vida e que os principais passos evolutivos só se tornaram possíveis quando o ambiente global atingiu um estado "permissivo".

Por exemplo, a vida animal complexa requer um certo nível de oxigénio na atmosfera, pelo que a oxigenação da atmosfera terrestre através de micróbios e bactérias fotossintetizantes foi um passo evolucionário natural para o planeta, que criou uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de formas de vida mais recentes, explicou Dan Mills, investigador pós-doutorado na Universidade de Munique e principal autor do artigo científico.

"Estamos a argumentar que a vida inteligente pode não necessitar de uma série de golpes de sorte para existir", disse Mills, que trabalhou no laboratório de astrobiologia de Macalady na Universidade do Estado da Pensilvânia como investigador universitário. "Os seres humanos não evoluíram 'cedo' ou 'tarde' na história da Terra, mas 'a tempo', quando as condições estavam reunidas. Talvez seja apenas uma questão de tempo, e talvez outros planetas consigam atingir estas condições mais rapidamente do que a Terra, enquanto outros planetas podem demorar ainda mais tempo".

A previsão central da teoria dos "passos difíceis" afirma que existem muito poucas, ou nenhumas, outras civilizações em todo o Universo, porque passos como a origem da vida, o desenvolvimento de células complexas e o aparecimento da inteligência humana são improváveis, com base na interpretação de Carter de que o tempo de vida total do Sol é de 10 mil milhões de anos e a idade da Terra de cerca de 5 mil milhões de anos.

No novo estudo, os investigadores propuseram que o momento das origens humanas pode ser explicado pela abertura sequencial de "janelas de habitabilidade" ao longo da história da Terra, impulsionadas por alterações na disponibilidade de nutrientes, na temperatura da superfície do mar, nos níveis de salinidade dos oceanos e na quantidade de oxigénio na atmosfera. Tendo em conta todos estes fatores, a Terra só recentemente se tornou hospitaleira para a humanidade - é simplesmente o resultado natural destas condições em ação.

"Estamos a pensar que, em vez de basearmos as nossas previsões no tempo de vida do Sol, devemos usar uma escala de tempo geológica, porque é esse o tempo que a atmosfera e a geografia demoram a mudar", disse Jason Wright, professor de astronomia e astrofísica na Universidade do Estado da Pensilvânia e coautor do artigo científico. "Estas são escalas de tempo normais na Terra. Se a vida evolui com o planeta, então evoluirá numa escala de tempo planetária a um ritmo planetário".

Wright explicou que parte da razão pela qual o modelo dos "passos difíceis" prevaleceu durante tanto tempo se deve ao facto de ter tido origem na sua própria disciplina, a astrofísica, que é o campo padrão utilizado para compreender a formação de planetas e sistemas celestes. O artigo da equipa é uma colaboração entre físicos e geobiólogos, cada um aprendendo com as áreas do outro para desenvolver uma imagem com nuances de como a vida evolui num planeta como a Terra.

"Este artigo científico é o ato mais generoso de trabalho interdisciplinar", disse Macalady, que também dirige o Centro de Investigação Astrobiológica da Universidade do Estado da Pensilvânia. "Os nossos campos estavam muito afastados e pusemo-los na mesma página para responder à questão de saber como chegámos aqui e se estamos sozinhos. Havia um abismo e nós construímos uma ponte".

Os investigadores disseram que tencionam testar o seu modelo alternativo, incluindo questionar o estatuto único dos propostos "passos difíceis" evolutivos. Os projetos de investigação recomendados estão descritos no documento e incluem trabalhos como a procura de bioassinaturas nas atmosferas de planetas para lá do nosso Sistema Solar, como a presença de oxigénio. A equipa também propôs testar os requisitos dos "passos difíceis" propostos para determinar o quão difíceis são realmente, estudando formas de vida uni e multicelulares em condições ambientais específicas, tais como níveis mais baixos de oxigénio e de temperatura.

Para além dos projetos propostos, a equipa sugeriu que a comunidade de investigadores investigasse se as inovações - como a origem da vida, a fotossíntese, as células eucarióticas, a multicelularidade animal e o Homo sapiens - são acontecimentos verdadeiramente singulares na história da Terra. Poderão inovações semelhantes ter evoluído de forma independente no passado, mas as evidências de que ocorreram perderam-se devido à extinção ou a outros fatores?

"Esta nova perspetiva sugere que o aparecimento de vida inteligente pode não ser, afinal, um tiro no escuro", disse Wright. "Em vez de uma série de acontecimentos improváveis, a evolução pode ser mais um processo previsível, que se desenrola à medida que as condições globais o permitem. A nossa estrutura aplica-se não só à Terra, mas também a outros planetas, aumentando a possibilidade de existir vida semelhante à nossa noutros locais".

// Universidade do Estado da Pensilvânia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Quer saber mais?

Cronologia da evolução da vida:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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  Astrónomos avaliam a habitabilidade dos exoplanetas que orbitam anãs brancas (via Universidade da Califórnia em Irvine)
Num artigo científico publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal, uma equipa de investigação partilha os resultados de um estudo que compara os climas de exoplanetas em duas estrelas diferentes. Uma é uma anã branca hipotética que já passou por grande parte do seu ciclo de vida e está num caminho lento para a morte estelar. O outro objeto é Kepler-62, uma estrela de "sequência principal" numa fase de evolução semelhante à do nosso Sol. Ler fonte
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Álbum de fotografias
Reflexões em VdB 31

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Roberto Marinoni
 
Situada na direção da constelação de Cocheiro, a bela e azul VdB 31 é o 31.º objeto do catálogo de nebulosas de reflexão de Sidney van den Bergh, de 1966. Partilha a paisagem com as nuvens escuras B26, B27 e B28, registadas no catálogo de Edward E. Barnard de 1919. Todas estas nebulosas são nuvens de poeira interestelar. As nebulosas escuras de Barnard bloqueiam a luz das estrelas de fundo. No caso de VdB 31, a poeira reflete preferencialmente a luz azulada da estrela quente e variável AB Aurigae. A exploração dos arredores de AB Aurigae com o Telescópio Espacial Hubble revelou que a estrela jovem, com vários milhões de anos, está rodeada por um disco achatado de poeira, com evidências de um sistema planetário em formação. AB Aurigae está a cerca de 470 anos-luz de distância. A essa distância, a tela cósmica estende-se por cerca de oito anos-luz.
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