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  Astroboletim #2189  
  28/02 a 03/03/2025  
     
 
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OBSERVAÇÃO DO CÉU NOTURNO EM TAVIRA
No próximo dia 28 de fevereiro, junte-se ao Centro Ciência Viva de Tavira e ao Centro Ciência Viva do Algarve para observar o alinhamento planetário. A atividade é gratuita. Participe!
Data: 28 de fevereiro de 2025
Hora: 18:00 - 20:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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NOITES ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, vai realizar uma observação da Lua. A atividade é gratuita. Participe!
Data: 6 de março de 2025
Hora: 19:00 - 21:00
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 28/02: 59.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1959, lançamento do Discoverer 1, um satélite espião americano que é o primeiro objeto tentar a atingir órbita polar, não conseguindo atingir tal órbita.
Em 1997, o GRB 970228, um flash altamente luminoso de raios-gama, atinge a Terra durante 80 segundos, fornecendo evidências de que as explosões de raios gama ocorrem dentro da Via Láctea.
Em 2007, a sonda New Horizons, com destino Plutão, passa por Júpiter.
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HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 00:45.
Ao lusco-fusco, cerca de 20 ou 30 minutos após o pôr-do-Sol, procure Mercúrio 16º para baixo de Vénus (cerca de punho e meio à distância do braço esticado) e, ainda mais baixa, uma finíssima Lua Crescente. Saturno é tão fraco e está tão baixo que provavelmente nem com binóculos é observável.

 

DIA 01/03: 60.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1870, nascia E. M. Antoniadi, astrónomo grego que ficou conhecido pelas suas observações de Marte. Foi o primeiro a apoiar a noção de canais marcianos, mas mais tarde chegou à conclusão de que eram apenas uma ilusão ótica.
Em 1927, nascimento de George Abell, que catalogou 2712 enxames galáticos e determinou os números relativos de galáxias com vários brilhos intrínsecos. Morreu em 1983.
Em 1966, a sonda soviética Venera 3 colide com o planeta Vénus, tornando-se na primeira a "aterrar" na superfície de outro planeta.
Em 1980, a sonda Voyager 1 confirma a existência de Jano, uma lua de Saturno. 
Em 1982, a soviética Venera 13 envia as primeiras fotografias a cores de Vénus (a Venera 14 seguiu-a 4 dias depois).
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Foi lançada a 30 de outubro de 1981 e a Venera 14 a 4 de novembro de 1981.
Em 2002, lançamento da missão STS-109, com objetivo de fazer a manutenção do Telescópio Espacial Hubble. No mesmo ano, o satélite ambiental Envisat alcança com sucesso uma órbita de 800 km por cima da Terra no seu 11.º lançamento, transportando a carga mais pesada até à data, 8500 quilogramas.
HOJE, NO COSMOS:
Agora a Lua Crescente, um pouco mais espessa e mais alta, situa-se para baixo e para a esquerda de Vénus. Estes dois objetos estão separados por 6 ou 7 graus.
Procure, a este e depois do anoitecer, a constelação de Leão a subir no céu quase de primavera. A sua estrela mais brilhante é Régulo. A "foice" de Leão, com cerca de punho e meio de comprimento, estende-se para cima e para a esquerda. Parece-se com um ponto de interrogação ao contrário. A traseira e a cauda de Leão estão mais ou menos um punho à distância do braço esticado para baixo e para a esquerda da "foice".

 

DIA 02/03: 61.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1972, é lançada a sonda americana Pioneer 10. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteroides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).
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Torna-se também na primeira sonda a navegar para lá da órbita dos planetas do Sistema Solar exterior. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1978, o astronauta checo Vladimir Remek torna-se no primeiro não-russo ou não-americano a ir ao espaço, a bordo da Soyuz 28.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileo indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa crosta de gelo.
HOJE, NO COSMOS:
Fevereiro foi o mês em que Orionte ficou o mais alto a sul ao início da noite. Agora março empurra o Caçador para oeste e dá destaque ao seu cão, Cão Maior com Sirius no seu peito.
Sirius não só é a estrela mais brilhante no nosso céu, após o Sol, como também é a estrela mais próxima visível a olho nu depois do Sol, a 8,6 anos-luz, para quem vive no hemisfério norte.
Alpha Centauri é na realidade a estrela mais próxima visível a olho nu, a 4,3 anos-luz, mas temos que estar no hemisfério sul para a observar. E, no céu do norte, três ténues anãs vermelhas estão mais próximas do que Sirius, mas requerem binóculos ou um telescópio.

 

DIA 03/03: 62.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1915, é fundada a NACA, antecessora da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.
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Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger.
Em 1968, nascia Brian Cox, físico inglês, conhecido por apresentar vários programas televisivos de ciência. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objetivo de testar o módulo lunar.
Em 2005, graças a observações do VLT do ESO e do XMM-Newton da ESA, astrónomos anunciam a descoberta da estrutura mais distante e mais massiva do Universo até à data. É um remoto enxame galáctico com milhares de vezes a massa da Via Láctea e está a mais de 9 mil milhões de anos-luz de distância.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua Crescente encontra-se para a esquerda da constelação de Carneiro. À hora de jantar, procure as duas estrelas mais brilhantes da constelação, Hamal e Sheratan, para a esquerda e um pouco para cima do nosso satélite natural. Estão alinhadas quase verticalmente, separadas por cerca de dois dedos à distância do braço esticado. Têm magnitudes 2,0 e 2,6. Hamal, a mais brilhante, é a que está mais em cima. Já agora, será que consegue observar Mesarthim, de magnitude 3,8, apenas um pouco para baixo e para a esquerda de Sheratan?

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A viagem galáctica do nosso Sistema Solar
 
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Representação artística da Via Láctea, com a posição do Sistema Solar representada pela seta branca.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ESO/R. Hurt
 

Uma equipa de investigação internacional liderada pela Universidade de Viena descobriu que o Sistema Solar atravessou o complexo de formação estelar de Orionte, um componente da estrutura galáctica da Onda Radcliffe, há cerca de 14 milhões de anos. Esta viagem através de uma região densa do espaço pode ter comprimido a heliosfera, a bolha protetora que envolve o nosso Sistema Solar, e aumentado o influxo de poeira interestelar, influenciando potencialmente o clima da Terra e deixando vestígios nos registos geológicos. As descobertas, publicadas na revista Astronomy & Astrophysics, fornecem uma fascinante ligação interdisciplinar entre a astrofísica, a paleoclimatologia e a geologia.

A viagem do Sistema Solar em torno do centro da Via Láctea leva-o a atravessar diferentes ambientes galácticos. "Imaginem-no como um navio a navegar em condições diferentes no mar", explica Efrem Maconi, autor principal e estudante de doutoramento na Universidade de Viena. "O nosso Sol encontrou uma região de maior densidade de gás quando passou pela Onda Radcliffe na constelação de Orionte".

Utilizando dados da missão Gaia da ESA e observações espetroscópicas, a equipa identificou a passagem do Sistema Solar pela Onda Radcliffe na região de Orionte há cerca de 14 milhões de anos. "Esta descoberta baseia-se no nosso trabalho anterior de identificação da Onda Radcliffe", afirma João Alves, professor de astrofísica na Universidade de Viena e coautor do estudo. A Onda Radcliffe é uma vasta e fina estrutura de regiões de formação estelar interligadas, incluindo o famoso complexo de Orionte, que o Sol atravessou, tal como estabelecido neste estudo.

"Passámos pela região de Orionte quando enxames estelares bem conhecidos como NGC 1977, NGC 1980 e NGC 1981 se estavam a formar", nota Alves. "Esta região é facilmente visível no céu de inverno no hemisfério norte e de verão no hemisfério sul. Procurem a constelação de Orionte e a Nebulosa de Orionte (Messier 42) - o nosso Sistema Solar veio dessa direção!"

O aumento da poeira resultante deste encontro galáctico pode ter tido vários efeitos. Pode ter penetrado na atmosfera da Terra, deixando potencialmente vestígios de elementos radioativos das supernovas nos registos geológicos. "Embora a tecnologia atual não seja suficientemente sensível para detetar estes vestígios, futuros detetores poderão fazê-lo", sugere Alves.

 
A Onda Radcliffe. As nuvens que compõem esta estrutura estão destacadas a vermelho e sobrepostas a uma ilustração artística da Via Láctea. A localização do Sol é destacada pelo ponto amarelo.
Crédito: Worldwide Telescope, cortesia de Alyssa A. Goodman/Universidade de Harvard
 

A investigação da equipa indica que a passagem do Sistema Solar pela região de Orionte ocorreu há aproximadamente 18,2-11,5 milhões de anos atrás, sendo o momento mais provável há 14,8-12,4 milhões de anos atrás. Este período de tempo alinha-se bem com a Transição Climática do Mioceno Médio, uma mudança significativa de um clima variável quente para um clima mais frio, levando ao estabelecimento de um protótipo à escala continental da configuração da camada de gelo da Antártida. Embora o estudo levante a possibilidade de uma ligação entre a travessia passada do Sistema Solar através da sua vizinhança galáctica e o clima da Terra através da poeira interestelar, os autores sublinham que uma ligação causal requer mais investigação.

Não comparável às atuais alterações climáticas provocadas pelo homem

"Embora os processos subjacentes responsáveis pela Transição Climática do Mioceno Médio não estejam totalmente identificados, as reconstruções disponíveis sugerem que uma diminuição a longo prazo da concentração atmosférica de dióxido de carbono, gás de efeito de estufa, é a explicação mais provável, embora existam grandes incertezas. No entanto, o nosso estudo salienta que a poeira interestelar relacionada com a travessia pela Onda Radcliffe pode ter tido impacto no clima da Terra e desempenhado um papel potencial durante esta transição climática. Para alterar o clima da Terra, a quantidade de poeira extraterrestre na Terra teria de ser muito maior do que os dados até agora sugerem", diz Maconi. "A investigação futura irá explorar o significado desta contribuição. É crucial notar que esta transição climática passada e as alterações climáticas atuais não são comparáveis, uma vez que a Transição Climática do Mioceno Médio se desenrolou em escalas temporais de várias centenas de milhares de anos. Em contraste, a atual evolução do aquecimento global está a ocorrer a um ritmo sem precedentes, ao longo de décadas ou séculos, devido à atividade humana".

Este estudo é importante porque acrescenta uma pequena peça do puzzle à história recente do Sistema Solar, ajudando a colocá-lo no contexto da Via Láctea. "Somos habitantes da Via Láctea", diz Alves, "A Missão Gaia da Agência Espacial Europeia deu-nos os meios para rastrear o nosso percurso recente no mar interestelar da Via Láctea, permitindo aos astrónomos comparar notas com geólogos e paleoclimatologistas. É muito emocionante". No futuro, a equipa liderada por João Alves planeia estudar com mais detalhe o ambiente galáctico que o Sol encontrou enquanto navegava pela nossa Galáxia.

// Universidade de Viena (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Visualização 3D da órbita do Sol e de outros objetos nos últimos 30 milhões de anos

 


Quer saber mais?

Onda Radcliffe:
"Surfe" a Onda Radcliffe (Harvard via Google sites)
Mapa 3D interativo (Cosmic Data Stories e Worldwide Telescope)
Wikipedia

Nuvem molecular de Orionte:
SEDS
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Gaia:
ESA
Página da ESA para a comunidade científica
Arquivo de dados do Gaia (ESA)
Wikipedia

 
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Observações ajudam a excluir quase por completo o impacto do asteroide 2024 YR4
 
Esta imagem do asteroide 2024 YR4, obtida pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO, mostra a trajetória deste objeto no céu noturno em janeiro de 2025, observada em comprimentos de onda infravermelhos com o instrumento HAWK-I. Estas primeiras observações contribuíram para aumentar a probabilidade de um impacto deste asteroide com o nosso planeta no dia 22 de Dezembro de 2032 para mais de 1%. No entanto, graças a dados mais recentes, a probabilidade de impacto baixou agora para quase zero.
Crédito: ESO/O. Hainaut
 

Novas observações do asteroide 2024 YR4, levadas a cabo com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e com outras infraestruturas do mundo inteiro excluíram quase por completo a possibilidade de um impacto deste asteroide com o nosso planeta. 2024 YR4 tem sido monitorizado de perto nos últimos meses, uma vez que a sua probabilidade de colidir com a Terra em 2032 aumentou para cerca de 3%, o que corresponde à maior probabilidade de impacto alguma vez calculada para um asteroide de grandes dimensões. Após estas últimas observações e até alguma histeria mediática, a probabilidade de impacto desceu para quase zero.

O asteroide 2024 YR4, que se estima ter cerca de 40 a 90 metros de diâmetro, foi descoberto no final de dezembro do ano passado numa órbita que o poderia fazer colidir com a Terra a 22 de dezembro de 2032. Devido ao seu tamanho e probabilidade de impacto, o asteroide subiu rapidamente para o topo da lista de risco da Agência Espacial Europeia (ESA), um catálogo de todas as rochas espaciais que têm qualquer hipótese de impactar com a Terra.

Em meados de janeiro, e com o auxílio do VLT do ESO, os astrónomos observaram 2024 YR4 e obtiveram dados cruciais para calcular com maior precisão a sua órbita. Em combinação com dados de outros observatórios, as medições muito precisas do VLT melhoraram o nosso conhecimento da órbita do asteroide, levando a uma probabilidade de impacto superior a 1% — um limiar fundamental para desencadear a mitigação de desastres. Foram feitas mais observações e a Rede Internacional de Alerta de Asteroides emitiu uma notificação de potencial impacto do asteroide, alertando os grupos de defesa planetária, incluindo o Grupo Consultivo de Planeamento de Missões Espaciais, para o possível impacto.

 
Esta imagem mostra a órbita do asteroide 2024 YR24 representada a vermelho e aproximando-se imenso da Terra no dia 22 de Dezembro de 2032. Graças a dados recentes, incluindo os obtidos pelo VLT do ESO, foi possível calcular que as hipóteses de impacto com o nosso planeta são mínimas. Os tamanhos dos planetas não estão representados à escala, tendo sido aumentado para melhorar a sua visibilidade.
Crédito: ESA
 

Com vários telescópios em todo o mundo a observar o asteroide e os astrónomos a modelar a sua órbita, a probabilidade de impacto subiu para cerca de 3% no dia 18 de fevereiro, a maior probabilidade de impacto alguma vez registada para um asteroide com mais de 30 metros. No entanto, logo no dia seguinte, novas observações efetuadas com o VLT do ESO reduziram o risco de impacto para metade.

Esta subida e descida da probabilidade de impacto do asteroide segue um padrão que é esperado e compreendido. Para saberem onde estará o asteroide em 2032, os astrónomos extrapolam a partir da pequena parte da órbita medida até agora. Olivier Hainaut, astrónomo do ESO, faz uma analogia: "Devido às incertezas, a órbita do asteroide é como o feixe de uma lanterna: cada vez mais largo e mais difuso à distância. À medida que observamos mais, o feixe torna-se mais nítido e mais estreito. A Terra estava a ficar mais iluminada por este feixe: a probabilidade de impacto aumentava".

As novas observações do VLT, juntamente com dados de outros observatórios, permitiram aos astrónomos restringir a órbita o suficiente para excluir a possibilidade de um impacto com a Terra em 2032. "O feixe mais estreito está agora a afastar-se da Terra", diz Hainaut. Quando esta notícia foi escrita, a probabilidade de impacto comunicada pelo Centro de Coordenação de Objetos Próximos da Terra da ESA é de cerca de 0,002% e o asteroide já não está no topo da lista de risco da ESA.

À medida que 2024 YR4 se afasta da Terra, torna-se cada vez mais ténue e difícil de observar com todos os telescópios, exceto os maiores. O VLT do ESO tem sido fundamental nas observações deste asteroide, devido ao tamanho do seu espelho e à sua grande sensibilidade, bem como ao excelente céu escuro do Observatório de Paranal do ESO no Chile, onde o telescópio está localizado. Isto torna-o ideal para seguir objetos ténues como 2024 YR4 e outros asteroides potencialmente perigosos.

// ESO (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// Evolução do risco de colisão do asteroide 2024 YR4 (ESO via YouTube)
// O asteroide 2024 YR4 observado pelo VLT (ESO via YouTube)

 


Quer saber mais?

Asteroide 2024 YR4:
NASA
ESA
Wikipedia

Objeto próximo da Terra:
Wikipedia
Lista de risco (ESA)

Asteroides:
The Nine Planets
Wikipedia

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia

 
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Novo estudo sobre a razão pela qual Marte é vermelho revela um passado potencialmente habitável
 
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Mosaico do hemisfério Valles Marineris de Marte, uma vista semelhante à que se veria a partir de uma nave espacial. O mosaico completo é composto por 102 imagens do orbitador Viking. O centro da cena mostra todo o sistema de Valles Marineris, com mais de 2000 quilómetros de comprimento e até 8 quilómetros de profundidade, estendendo-se desde Noctis Labyrinthus, o sistema arqueado a oeste, até ao terreno caótico a leste. Muitos canais fluviais antigos e enormes começam no terreno caótico a partir dos desfiladeiros do centro-norte e correm para norte. Os três vulcões Tharsis (pontos vermelhos escuros), cada um com cerca de 25 quilómetros de altura, são visíveis a oeste. A sul de Valles Marineris existe um terreno muito antigo coberto por muitas crateras de impacto.
Crédito: NASA
 

Um novo estudo internacional, parcialmente financiado pela NASA, sobre a forma como Marte adquiriu a sua icónica cor vermelha, vem reforçar as evidências de que Marte teve um clima fresco, mas húmido e potencialmente habitável no seu passado.

A atmosfera atual de Marte é demasiado fria e rarefeita para suportar água líquida, um ingrediente essencial para a vida, à sua superfície durante longos períodos. No entanto, várias missões internacionais e da NASA encontraram evidências de que a água era abundante na superfície marciana há milhares de milhões de anos atrás, durante uma era mais clemente, tais como características que se assemelham a rios e lagos secos, e minerais que só se formam na presença de água líquida.

A acrescentar a estas evidências, os resultados de um estudo publicado a 25 de fevereiro na revista Nature Communications sugerem que o mineral de ferro ferrihidrite, rico em água, pode ser o principal responsável pela poeira avermelhada de Marte. A poeira marciana é conhecida por ser uma mistura de diferentes minerais, incluindo óxidos de ferro, e este novo estudo sugere que um desses óxidos de ferro, ferrihidrite, é a razão da cor do planeta.

A descoberta fornece uma pista fascinante sobre o passado mais húmido e potencialmente mais habitável de Marte, porque a ferrihidrite forma-se na presença de água fria e a temperaturas mais baixas do que outros minerais anteriormente considerados, como a hematite. Isto sugere que Marte pode ter tido um ambiente capaz de sustentar água líquida antes de ter passado de um ambiente húmido para um ambiente seco há milhares de milhões de anos.

"A questão fundamental de saber porque é que Marte é vermelho tem sido considerada há centenas, se não milhares de anos", disse o autor principal Adam Valantinas, pós-doutorado da Universidade Brown, Providence, estado norte-americano de Rhode Island, que começou o trabalho como estudante de doutoramento na Universidade de Berna, na Suíça. "A partir da nossa análise, pensamos que a ferrihidrite está em todo o lado na poeira e provavelmente também nas formações rochosas. Não somos os primeiros a considerar a ferrihidrite como a razão pela qual Marte é vermelho, mas podemos agora testar melhor esta hipótese usando dados observacionais e novos métodos laboratoriais para essencialmente fazer poeira marciana no laboratório".

 
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Amostra de laboratório com poeira marciana simulada. A cor ocre é característica da ferrihidrite, rica em ferro, um mineral que fornece informações cruciais sobre a antiga atividade da água e as condições ambientais em Marte. A mistura de pó fino consiste em ferrihidrite e basalto moído com partículas com menos de um micrómetro de tamanho (1/100 do diâmetro de um cabelo humano) (escala da amostra: 1 polegada de diâmetro).
Crédito: Adam Valantinas
 

"Estas novas descobertas apontam para um passado potencialmente habitável para Marte e realçam o valor da investigação coordenada entre a NASA e os seus parceiros internacionais na exploração de questões fundamentais sobre o nosso Sistema Solar e sobre o futuro da exploração espacial", disse Geronimo Villanueva, Diretor Associado para a Ciência Estratégica da Divisão de Exploração do Sistema Solar no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, e coautor deste estudo.

Os investigadores analisaram dados de várias missões a Marte, combinando observações orbitais de instrumentos da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, da Mars Express e da TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA, com medições ao nível do solo de rovers da NASA como o Curiosity, o Sojourner e o Opportunity. Os instrumentos dos orbitadores e dos rovers forneceram dados espetrais pormenorizados da superfície poeirenta do planeta. Estas descobertas foram depois comparadas com experiências de laboratório, onde a equipa testou a forma como a luz interage com partículas de ferrihidrite e outros minerais em condições marcianas simuladas.

"O que queremos compreender é o antigo clima marciano, os processos químicos em Marte - não apenas antigos - mas também atuais", disse Valantinas. "Depois há a questão da habitabilidade: será que alguma vez existiu vida? Para compreender isso, é necessário compreender as condições que estavam presentes durante o período de formação deste mineral. O que sabemos com este estudo é que as evidências apontam para a formação de ferrihidrite e, para que isso aconteça, devem ter existido condições em que o oxigénio do ar ou de outras fontes e a água possam ter reagido com o ferro. Essas condições eram muito diferentes do ambiente seco e frio dos dias de hoje. À medida que os ventos marcianos espalhavam esta poeira por todo o lado, criaram o icónico aspeto vermelho do planeta".

Se o modelo de formação proposto pela equipa está correto, poderá ser definitivamente testado depois das amostras de Marte serem entregues à Terra para análise.

"O estudo é realmente uma oportunidade para abrir portas", disse Jack Mustard da Universidade Brown, autor sénior do estudo. "Dá-nos uma melhor oportunidade de aplicar princípios de formação de minerais e condições para recuar no tempo. O que é ainda mais importante é o envio das amostras de Marte que estão a ser recolhidas neste momento pelo rover Perseverance. Quando as recebermos, poderemos verificar se isto está correto".

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade Brown (comunicado de imprensa)
// Universidade de Berna (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Communications)

 


Quer saber mais?

Marte:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
The Nine Planets

Ferrihidrite:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Antigas praias testemunham a existência de um oceano no passado de Marte (via Universidade da Califórnia em Berkeley)
Atualmente, Marte é um planeta frio, seco e poeirento, com a sua única água óbvia encerrada em calotes polares geladas. Mas há milhares de milhões de anos, parece ter tido praias de areia banhadas por ondas ao longo da costa de um vasto oceano. A evidência da existência de praias em Marte vem de um rover chinês, chamado Zhurong, que aterrou no planeta em 2021. Durante a sua curta vida, detetou indícios de depósitos subterrâneos de praias numa área que se pensa ter sido outrora o local de um antigo mar, reforçando a ideia de que o planeta teve, há muito tempo, grandes massas de água. Ler fonte
     
  Europa Clipper usa Marte para "ir mais longe" (via NASA)
No dia 1 de março, a Europa Clipper da NASA passará a apenas 884 quilómetros da superfície de Marte para aquilo a que se chama uma assistência gravitacional - uma manobra destinada a curvar a trajetória da nave espacial e a posicioná-la para uma etapa crítica da sua longa viagem até ao sistema de Júpiter. O "flyby" fornece uma oportunidade extra para os cientistas da missão, que irão testar o seu instrumento de radar e o gerador de imagens térmicas. Ler fonte
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Álbum de fotografias
Anel de Einstein Rodeia Centro de Galáxia Próxima

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESANASAConsórcio Euclid; Processamento - J.-C. Cuillandre, G. Anselmi, T. Li
 
Consegue ver o anel? Se olharmos com muita atenção para o centro da galáxia NGC 6505, um anel torna-se evidente. É a gravidade de NGC 6505, a galáxia elíptica próxima (z=0,042) que se pode ver facilmente, que está a ampliar e a distorcer a imagem de uma galáxia distante num círculo completo. Para criar um anel de Einstein completo, tem de haver um alinhamento perfeito entre o centro da galáxia próxima e parte da galáxia de fundo. A análise deste anel e das múltiplas imagens da galáxia de fundo ajudam a determinar a massa e a fração de matéria escura no centro de NGC 6505, bem como a descobrir detalhes nunca antes vistos na galáxia distorcida. A imagem em destaque foi captada pelo telescópio Euclid da ESA, em órbita terrestre, em 2023, e divulgada no início do mês passado.
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