OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
Em março haverá um eclipse solar e nós estaremos na Ponte Romana em Tavira para o observar com toda a segurança. O eclipse solar também será observado em simultâneo em Faro, pelo Centro Ciência Viva do Algarve e em Lagos pelo Centro Ciência Viva de Lagos. A atividade é gratuita. Participe! Data: 29 de março de 2025 Hora: 10:00 - 12:00 Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
Esta atividade depende das condições atmosféricas Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
Iremos realizar uma sessão de observação do eclipse solar parcial em simultâneo com o Centro Ciência Viva de Tavira e com o Centro Ciência Viva de Lagos. A sessão é gratuita e não sujeita a marcação. Data: 29 de março de 2025 Hora: 09:30 - 11:30 Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas. Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 28/03: 87.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1802, Heinrich Wilhem Matthäus Olbers descobre 2 Pallas, o segundo asteroide conhecido.
Em 1993 é descoberto um remanescente de supernova na galáxia M81 (Ursa Maior), pelo astrónomo amador espanhol Francisco Garcia Diaz. HOJE, NO COSMOS:
Após o anoitecer, Sirius brilha a sul-sudoeste. Para baixo e para a esquerda de Sirius, a cerca de um punho à distância do braço esticado, está o triângulo (da direita para a esquerda) de Adhara, Wezen e Aludra. Formam a pata traseira, o rabo e a cauda de Cão Maior, respetivamente. Ou, alternativamente, a extremidade e "pega" do "cutelo".
Logo para a sua esquerda, formando um arco de estrelas de terceira e quarta magnitudes, estão as três estrelas superiores da constelação da Popa. Esta constelação fazia parte da antiga e maior constelação de Argo Navis, o navio de Jasão e os Argonautas, mas agora está dividida em três: Popa, Quilha e Vela. Este arco de estrelas são as únicas estrelas da antiga constelação de Argo Navis que conseguimos ver razovalmente bem a latitudes médias norte.
A apenas 1,5º para cima e para a direita do meio das três estrelas, os binóculos, numa noite escura, podem mostrar o enxame aberto M93 (sexta magnitude).
DIA 29/03: 88.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1807, Vesta, o asteroide mais brilhante e o único que por vezes pode ser visto a olho nu, é descoberto por Heinrich Wilhem Olbers.
Em 1941 nascia Joseph Hooton Taylor, Jr., astrofísico americano.
Foi laureado com o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta, em conjunto com Russell Alan Hulse, de um novo tipo de pulsar num sistema binário, que usou para demonstrar a existência da radiação gravitacional, prevista por Einstein.
Em 1974, a sonda Mariner 10 torna-se a primeira a passar por Mercúrio. HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 10:58.
Eclipse do Sol, parcial em Portugal - tem início às 09:35, o máximo ocorre às 10:29 e termina às 11:24. Não se esqueça de proteger os seus olhos e de usar equipamento apropriado como uns óculos de eclipse ou filtro solar.
DIA 30/03: 89.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1982, termina a missão STS-3, com a aterragem do Columbia no Novo México.
Em 2017, a SpaceX leva a cabo a sua primeira reutilização de um foguetão de classe orbital. HOJE, NO COSMOS:
Não se esqueça de mudar a hora do seu relógio. Em Portugal Continental e na Madeira adiantamos uma hora às 01:00, passando para as 02:00. Nos Açores a hora adianta 60 minutos às 00:00.
Nesta altura do ano, as duas estrelas mais brilhantes das duas constelações dos cães alinham-se verticalmente depois da hora de jantar. Olhe a sudoeste. A brilhante estrela Sirius, de Cão Maior, está em baixo, e Procyon, de Cão Menor, está bem para cima.
DIA 31/03: 90.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1966, lançamento da sonda soviética Luna 10, que mais tarde se torna na primeira a orbitar a Lua.
Em 1970, o Explorer 1 reentra na atmosfera da Terra (após 12 anos em órbita).
Em 2005, uma equipa liderada pelo astrónomo Michael E. Brown, no Observatório Palomar, descobre o planeta anãoMakemake.
Em 2016, o astronauta da NASA Scott Kelly e o cosmonauta Mikhail Kornienko regressam à Terra após uma missão de quase um ano na Estação Espacial Internacional. HOJE, NO COSMOS:
Os dois maiores enxames abertos do céu são as Híades, por trás de Aldebarã, e o Enxame Estelar de Cabeleira de Berenice, que está agora razoavelmente alto a este. O Enxame de Estrelas de Cabeleira de Berenice é mais ou menos do tamanho de uma bola de ping-pong à distância do braço esticado. É muito esparso e ténue.
Sabe como encontrá-lo? Um truque: olhe 40% do caminho entre Denébola, a estrela da cauda de Leão, e Alkaid, a extremidade da "pega" da "frigideira" da Ursa Maior.
Sob um céu escuro, a estrelas deste enxame formam uma espécie de um
V. Sob um céu mais poluído, preenche apenas o campo de visão de uns binóculos com mais estrelas do que o normal.
Webb vê galáxia no "nevoeiro misteriosamente limpo" do Universo primitivo
A galáxia incrivelmente distante GS-z13-1, observada apenas 330 milhões de anos após o Big Bang, foi inicialmente descoberta com imagens profundas do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. Agora, uma equipa internacional de astrónomos identificou definitivamente uma poderosa emissão de hidrogénio desta galáxia num período inesperadamente precoce da história do Universo, um sinal provável de que estamos a ver algumas das primeiras estrelas quentes da aurora do Universo.
Esta imagem mostra a localização da galáxia GS-z13-1 no campo GOODS-S, bem como a própria galáxia, obtida com o instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb no âmbito do programa JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey). Estes dados do NIRCam permitiram aos investigadores identificar GS-z13-1 como uma galáxia incrivelmente distante e estimar o seu desvio para o vermelho. A sensibilidade única do Webb ao infravermelho é necessária para observar galáxias a esta distância extrema, cuja luz foi desviada para comprimentos de onda infravermelhos durante a sua longa viagem através do cosmos.
Para confirmar o desvio para o vermelho da galáxia, a equipa recorreu ao instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb. Com novas observações que permitem uma espetroscopia avançada da luz emitida pela galáxia, a equipa não só confirmou o desvio para o vermelho de 13,0 de GS-z13-1, como também revelou a forte presença de um tipo de radiação ultravioleta chamada emissão Lyman-α. Este é um sinal revelador da presença de estrelas recém-formadas ou de um possível núcleo galáctico ativo na galáxia, mas muito mais cedo do que os astrónomos pensavam ser possível. O resultado tem grandes implicações para a nossa compreensão do Universo.
Crédito: ESA/Webb, NASA, STScI, CSA, Colaboração JADES, Brant Robertson (UC Santa Cruz), Ben Johnson (Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian), Sandro Tacchella (Cambridge), Phill Cargile (Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian), J. Witstok, P. Jakobsen, A. Pagan (STScI), M. Zamani (ESA/Webb)
Utilizando a sensibilidade única ao infravermelho do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, os investigadores podem examinar galáxias antigas para sondar os segredos do Universo primitivo. Agora, uma equipa internacional de astrónomos identificou emissões brilhantes de hidrogénio de uma galáxia num período inesperadamente precoce da história do Universo. A descoberta surpreendente desafia os investigadores a explicar como é que esta luz pode ter atravessado a espessa névoa de hidrogénio neutro que preenchia o espaço nessa altura.
Um dos principais objetivos científicos do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA tem sido o de ver mais longe do que nunca o passado distante do nosso Universo, quando as primeiras galáxias se estavam a formar após o Big Bang. Esta busca já produziu galáxias que bateram recordes, em programas de observação como o JADES (JWST Advanced Deep Extragalactic Survey). A extraordinária sensibilidade do Webb à luz infravermelha abre também novas vias de investigação sobre quando e como essas galáxias se formaram, e os seus efeitos no Universo na altura conhecida como aurora cósmica. Os investigadores que estudam uma dessas galáxias muito antigas fizeram agora uma descoberta no espetro da sua luz, que desafia a nossa compreensão estabelecida da história inicial do Universo.
O Webb descobriu a galáxia incrivelmente distante JADES-GS-z13-1, observada apenas 330 milhões de anos após o Big Bang, em imagens obtidas pelo instrumento NIRCam (Near-Infrared Camera) do Webb no âmbito do programa JADES. Os investigadores utilizaram o brilho da galáxia em diferentes filtros infravermelhos para estimar o seu desvio para o vermelho, que mede a distância de uma galáxia à Terra com base na forma como a sua luz foi esticada durante a sua viagem através do espaço em expansão.
As imagens do NIRCam produziram uma estimativa inicial de um desvio para o vermelho de 12,9. Procurando confirmar o seu desvio para o vermelho extremo, uma equipa internacional liderada por Joris Witstok da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, bem como pelo Cosmic Dawn Center e pela Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, observou a galáxia utilizando o instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb.
No espetro resultante, o desvio para o vermelho foi confirmado como sendo 13.0. Isto equivale a uma galáxia vista apenas 330 milhões de anos após o Big Bang, uma pequena fração da idade atual do Universo, que é de 13,8 mil milhões de anos. Mas também se destacou uma característica inesperada: um comprimento de onda de luz específico e nitidamente brilhante, identificado como a emissão Lyman-α irradiada por átomos de hidrogénio, uma emissão muito mais forte do que os astrónomos pensavam ser possível nesta fase inicial do desenvolvimento do Universo.
"O Universo primitivo estava banhado por uma espessa névoa de hidrogénio neutro", explicou Roberto Maiolino, membro da equipa da Universidade de Cambridge e da UCL (University College London). "A maior parte desta névoa foi levantada num processo chamado reionização, que se completou cerca de mil milhões de anos após o Big Bang. GS-z13-1 foi observada quando o Universo tinha apenas 330 milhões de anos e, no entanto, mostra uma assinatura surpreendentemente clara e reveladora da emissão Lyman-α, que só pode ser observada quando o nevoeiro circundante se dissipou completamente. Este resultado foi totalmente inesperado pelas teorias da formação inicial de galáxias e apanhou os astrónomos de surpresa".
O espetro de luz da galáxia distante JADES-GS-z13-1 é representado graficamente como uma linha da esquerda (comprimentos de onda mais baixos) para a direita (comprimentos de onda mais altos). A linha sobe onde um comprimento de onda no espetro é mais brilhante e desce onde é mais escuro. Uma linha vertical vermelha rotulada "Lyman-alpha emission z=13.05" marca um comprimento de onda no espetro onde há um pico notável de brilho.
Crédito: ESA/Webb, NASA, CSA, STScI, J. Olmsted (STScI), S. Carniani (Scuola Normale Superiore), P. Jakobsen
Antes e durante a época da reionização, o imenso nevoeiro de hidrogénio neutro que rodeava as galáxias bloqueava qualquer luz ultravioleta energética que estas emitissem, tal como o efeito de filtragem de um vidro colorido. Até que um número suficiente de estrelas se formou e foi capaz de ionizar o gás hidrogénio, nenhuma luz - incluindo a emissão de Lyman-α - poderia escapar destas novas galáxias e chegar à Terra. A confirmação da radiação Lyman-α desta galáxia tem, portanto, grandes implicações para a nossa compreensão do Universo primitivo. Kevin Hainline, membro da equipa, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, afirma: "Não deveríamos ter encontrado uma galáxia como esta, dada a nossa compreensão da forma como o Universo evoluiu. Podemos pensar no Universo primitivo como estando envolto num espesso nevoeiro que tornaria extremamente difícil encontrar até mesmo faróis poderosos espreitando através dele, mas aqui vemos o feixe de luz desta galáxia a perfurar o véu. Esta fascinante linha de emissão tem enormes ramificações sobre como e quando o Universo se reionizou".
A fonte da radiação Lyman-α desta galáxia ainda não é conhecida, mas pode incluir a primeira luz da primeira geração de estrelas a formar-se no Universo. Witstok explica: "A grande bolha de hidrogénio ionizado que rodeia esta galáxia pode ter sido criada por uma população peculiar de estrelas - muito mais massivas, mais quentes e mais luminosas do que as estrelas formadas em épocas posteriores, e possivelmente representativa da primeira geração de estrelas". Um poderoso núcleo galáctico ativo, impulsionado por um dos primeiros buracos negros supermassivos, é outra possibilidade identificada pela equipa.
Os novos resultados não poderiam ter sido obtidos sem a incrível sensibilidade ao infravermelho próximo do Webb, necessária não só para encontrar galáxias tão distantes, mas também para examinar os seus espetros ao pormenor. O antigo cientista do projeto NIRSpec, Peter Jakobsen, do Cosmic Dawn Center e da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, recorda: "Seguindo os passos do Telescópio Espacial Hubble, era evidente que o Webb seria capaz de encontrar galáxias cada vez mais distantes. No entanto, como demonstrado pelo caso de GS-z13-1, seria sempre uma surpresa o que poderia revelar sobre a natureza das estrelas nascentes e dos buracos negros que se formam no limiar do tempo cósmico".
A equipa planeia continuar as observações de GS-z13-1, com o objetivo de obter mais informações sobre a natureza desta galáxia e sobre a origem da sua forte radiação Lyman-α. O que quer que a galáxia esteja a esconder, irá certamente iluminar uma nova fronteira na cosmologia.
Rover Curiosity deteta as maiores moléculas orgânicas já encontradas em Marte
Este gráfico mostra as moléculas orgânicas de cadeia longa decano, undecano e dodecano. Estas são as maiores moléculas orgânicas descobertas em Marte até à data. Foram detetadas numa amostra de rocha perfurada chamada "Cumberland", que foi analisada pelo laboratório SAM (Sample Analysis at Mars) dentro da barriga do rover Curiosity da NASA. O rover, cuja selfie se encontra no lado direito da imagem, tem vindo a explorar a cratera Gale desde 2012. Uma imagem do furo de perfuração de Cumberland é ligeiramente visível no fundo das cadeias de moléculas.
Crédito: NASA/Dan Gallagher
Investigadores que analisaram rochas pulverizadas a bordo do rover Curiosity da NASA descobriram os maiores compostos orgânicos existentes no Planeta Vermelho até à data. A descoberta, publicada na passada segunda-feira na revista PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), sugere que a química prebiótica pode ter avançado mais em Marte do que o observado anteriormente.
Os cientistas analisaram uma amostra de rocha no minilaboratório SAM (Sample Analysis at Mars) do Curiosity e encontraram as moléculas decano, undecano e dodecano. Pensa-se que estas substâncias, com 10, 11 e 12 átomos de carbono, respetivamente, são os fragmentos de ácidos gordos que ficaram preservados na amostra. Os ácidos gordos estão entre as moléculas orgânicas que, na Terra, são os blocos químicos de construção da vida.
Os seres vivos produzem ácidos gordos para ajudar a formar as membranas celulares e desempenhar várias outras funções. Mas os ácidos gordos também podem ser produzidos sem vida, através de reações químicas desencadeadas por vários processos geológicos, incluindo a interação da água com minerais em fontes hidrotermais.
Embora não haja forma de confirmar a origem das moléculas identificadas, a sua descoberta é excitante para a equipa científica do Curiosity por várias razões.
Os cientistas do Curiosity já tinham descoberto moléculas orgânicas pequenas e simples em Marte, mas a descoberta destas substâncias maiores fornece a primeira evidência de que a química orgânica avançou para o tipo de complexidade necessária para a origem da vida em Marte.
O novo estudo também aumenta as hipóteses de que as grandes moléculas orgânicas que só podem ser produzidas na presença de vida, conhecidas como "bioassinaturas", possam estar preservadas em Marte, dissipando as preocupações de que tais compostos sejam destruídos após dezenas de milhões de anos de exposição a intensa radiação e oxidação.
Os cientistas dizem que esta descoberta é um bom presságio para os planos de trazer amostras de Marte para a Terra para análise com os instrumentos mais sofisticados disponíveis.
"O nosso estudo prova que, mesmo hoje, através da análise de amostras de Marte, podemos detetar assinaturas químicas de vida passada, se é que alguma vez existiu em Marte", disse Caroline Freissinet, a principal autora do estudo e investigadora no LATMOS (Laboratoire Atmosphères, Observations Spatiales) do CNRS (Centre national de la recherche scientifique) em Guyancourt, França.
O rover Curiosity da NASA perfurou este alvo rochoso, "Cumberland", durante o 279.º dia marciano, ou sol, da missão do rover em Marte (19 de maio de 2013) e recolheu uma amostra de material em pó do interior da rocha. O Curiosity usou a câmara MAHLI (Mars Hand Lens Imager) no braço do rover para captar esta vista do buraco em Cumberland no mesmo sol em que o buraco foi feito. O diâmetro do buraco é de cerca de 1,5 centímetros. A profundidade do buraco é de cerca de 6,6 centímetros.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
Em 2015, Freissinet coliderou uma equipa que, pela primeira vez, identificou de forma conclusiva moléculas orgânicas marcianas na mesma amostra que foi utilizada para o estudo atual. Apelidada de "Cumberland", a amostra foi analisada várias vezes com o SAM, utilizando diferentes técnicas.
O Curiosity perfurou a amostra Cumberland em maio de 2013 numa área da Cratera Gale chamada "Yellowknife Bay". Os cientistas ficaram tão intrigados com Yellowknife Bay, que parecia um antigo leito de lago, que enviaram o rover para lá antes de seguir na direção oposta para o seu destino principal, o Monte Sharp, que se ergue do fundo da cratera.
O desvio valeu a pena: Cumberland está repleto de pistas químicas fascinantes sobre o passado de 3,7 mil milhões de anos da Cratera Gale. Os cientistas descobriram anteriormente que a amostra é rica em minerais de argila, que se formam em água. Tem enxofre em abundância, o que pode ajudar a preservar as moléculas orgânicas. Cumberland também tem muitos nitratos, que na Terra são essenciais para a saúde de plantas e animais, e metano feito com um tipo de carbono que na Terra está associado a processos biológicos.
Talvez mais importante, os cientistas determinaram que Yellowknife Bay era, de facto, o local de um antigo lago, proporcionando um ambiente que podia concentrar moléculas orgânicas e preservá-las numa rocha sedimentar de grão fino chamada lamito.
"Há evidências de que a água líquida existiu na Cratera Gale durante milhões de anos e provavelmente durante muito mais tempo, o que significa que houve tempo suficiente para que a química de formação de vida ocorresse nestes ambientes de lago de cratera de impacto em Marte", disse Daniel Glavin, cientista sénior para a entrega de amostras no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, coautor do estudo.
A recente descoberta de substâncias orgânicas foi um efeito secundário de uma experiência não relacionada para sondar Cumberland em busca de sinais de aminoácidos, que são os blocos de construção das proteínas. Depois de aquecerem a amostra duas vezes no forno do SAM e de medirem a massa das moléculas libertadas, a equipa não encontrou indícios de aminoácidos. Mas notaram que a amostra libertava pequenas quantidades de decano, undecano e dodecano.
Dado que estes compostos podem ter-se desprendido de moléculas maiores durante o aquecimento, os cientistas trabalharam no sentido inverso para descobrir de que estruturas poderiam ter vindo. A hipótese que levantaram foi a de que estas moléculas eram remanescentes dos ácidos gordos ácido undecanóico, ácido dodecanóico e ácido tridecanóico, respetivamente.
Os cientistas testaram a sua previsão em laboratório, misturando ácido undecanóico numa argila semelhante à de Marte e realizando uma experiência semelhante à do SAM. Depois de aquecido, o ácido undecanóico libertou decano, como previsto. Os investigadores fizeram então referência a experiências já publicadas por outros cientistas para mostrar que o undecano poderia ter-se separado do ácido dodecanóico e o dodecano do ácido tridecanóico.
Os autores encontraram um intrigante pormenor adicional no seu estudo, relacionado com o número de átomos de carbono que constituem os pressupostos ácidos gordos da amostra. A espinha dorsal de cada ácido gordo é uma cadeia longa e reta de 11 a 13 carbonos, dependendo da molécula. Os processos não biológicos produzem normalmente ácidos gordos mais curtos, com menos de 12 carbonos.
É possível que a amostra de Cumberland tenha ácidos gordos de cadeia mais longa, dizem os cientistas, mas o SAM não está otimizado para detetar cadeias mais longas.
Os cientistas dizem que, em última análise, há um limite para o que se pode inferir a partir de instrumentos de "caça" de moléculas que podem ser enviados para Marte. "Estamos prontos para dar o próximo grande passo e trazer amostras de Marte para os nossos laboratórios para finalmente resolver o debate sobre a vida em Marte", disse Glavin.
Webb capta pela primeira vez as auroras de Neptuno
À esquerda, uma imagem melhorada de Neptuno obtida pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA. À direita, essa imagem é combinada com dados do Telescópio Espacial James Webb da NASA. As manchas cianas, que representam a atividade auroral, e as nuvens brancas são dados NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb, sobrepostos à imagem completa do planeta obtida pelo instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STSCI, Heidi Hammel (AURA), Henrik Melin (Universidade de Northumbria), Leigh Fletcher (Universidade de Leicester), Stefanie Milam (NASA-GSFC)
Pela primeira vez, o Telescópio Espacial James Webb da NASA captou uma brilhante atividade auroral em Neptuno. As auroras ocorrem quando partículas energéticas, muitas vezes provenientes do Sol, ficam presas no campo magnético de um planeta e eventualmente atingem a atmosfera superior. A energia libertada durante estas colisões cria o brilho característico.
No passado, os astrónomos viram indícios tentadores de atividade auroral em Neptuno, por exemplo, na passagem da Voyager 2 da NASA em 1989. No entanto, a obtenção de imagens e a confirmação das auroras em Neptuno há muito que escapavam aos astrónomos, apesar das deteções bem-sucedidas em Júpiter, Saturno e Úrano. Neptuno era a peça que faltava no puzzle quando se tratava de detetar auroras nos planetas gigantes do nosso Sistema Solar.
"Acontece que fotografar a atividade auroral em Neptuno só era possível com a sensibilidade do Webb ao infravermelho próximo", disse o autor principal Henrik Melin da Universidade de Northumbria, que conduziu a investigação enquanto esteve na Universidade de Leicester. "Foi espantoso não só ver as auroras, também fiquei chocado com o pormenor e a nitidez da assinatura".
Os dados foram obtidos em junho de 2023 utilizando o instrumento NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) do Webb. Para além da imagem do planeta, os astrónomos obtiveram um espetro para caracterizar a composição e medir a temperatura da atmosfera superior do planeta (a ionosfera). Pela primeira vez, encontraram uma linha de emissão extremamente proeminente que significa a presença do catião trihidrogénio (H3+), que pode ser criado nas auroras. Nas imagens de Neptuno pelo Webb, a aurora brilhante aparece como manchas representadas a ciano.
"O H3+ tem sido um sinal claro em todos os gigantes gasosos - Júpiter, Saturno e Úrano - de atividade auroral, e esperávamos ver o mesmo em Neptuno quando investigámos o planeta ao longo dos anos com as melhores instalações terrestres disponíveis", explicou Heidi Hammel, da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy), cientista interdisciplinar do Webb e líder do programa GTO (Guaranteed Time Observations) do Webb para objetos do Sistema Solar, no qual os dados foram obtidos. "Só com uma máquina como o Webb é que finalmente obtivemos essa confirmação".
A atividade auroral observada em Neptuno é também visivelmente diferente da que estamos habituados a ver aqui na Terra, ou mesmo em Júpiter ou Saturno. Em vez de estarem confinadas aos polos norte e sul do planeta, as auroras de Neptuno estão localizadas nas latitudes médias geográficas do planeta - pense na localização da América do Sul na Terra.
Isto deve-se à estranha natureza do campo magnético de Neptuno, originalmente descoberto pela Voyager 2 em 1989, que está inclinado 47 graus em relação ao eixo de rotação do planeta. Uma vez que a atividade auroral se baseia onde os campos magnéticos convergem para a atmosfera do planeta, as auroras de Neptuno estão longe dos seus polos de rotação.
A deteção pioneira das auroras de Neptuno vai ajudar-nos a compreender como o campo magnético de Neptuno interage com as partículas que fluem do Sol para os confins distantes do nosso Sistema Solar, uma janela totalmente nova na ciência atmosférica dos gigantes gelados.
A partir das observações do Webb, a equipa também mediu a temperatura do topo da atmosfera de Neptuno pela primeira vez desde o "flyby" da Voyager 2. Os resultados sugerem a razão pela qual as auroras de Neptuno permaneceram escondidas dos astrónomos durante tanto tempo.
"Fiquei espantado - a atmosfera superior de Neptuno arrefeceu várias centenas de graus", disse Melin. "De facto, a temperatura em 2023 era pouco mais de metade da de 1989".
Ao longo dos anos, os astrónomos têm previsto a intensidade das auroras de Neptuno com base na temperatura registada pela Voyager 2. Uma temperatura substancialmente mais fria resultaria em auroras muito mais fracas. Esta temperatura fria é provavelmente a razão pela qual as auroras de Neptuno não foram detetadas durante tanto tempo. O arrefecimento dramático também sugere que esta região da atmosfera pode sofrer grandes alterações, apesar de o planeta se situar 30 vezes mais longe do Sol do que a Terra.
Equipados com estas novas descobertas, os astrónomos esperam agora estudar Neptuno com o Webb durante um ciclo solar completo, um período de 11 anos de atividade impulsionado pelo campo magnético do Sol. Os resultados poderão fornecer informações sobre a origem do bizarro campo magnético de Neptuno e até explicar porque é que está tão inclinado.
"À medida que olhamos em frente e sonhamos com futuras missões a Úrano e Neptuno, sabemos agora como será importante ter instrumentos sintonizados nos comprimentos de onda da luz infravermelha para continuar a estudar as auroras", acrescentou Leigh Fletcher da Universidade de Leicester, coautor do artigo. "Este observatório abriu finalmente a janela para esta última ionosfera, anteriormente escondida, dos planetas gigantes".
Novo estudo de ondas atmosféricas em Marte reforça diferenças entre o planeta vermelho e a Terra (via Universidade de Lisboa)
Estudo inédito com participação de professores de ciências revela que Marte e Terra são mais diferentes do que se pensava anteriormente. Pedro Mota Machado e Francisco Brasil, investigadores de ciências, no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), são os primeiros autores deste estudo que condensa, pela primeira vez numa escala global, 20 anos de observações em Marte. Ler fonte
Álbum de fotografias Formação Estelar na Nebulosa Pacman
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Juan Montilla (AAE)
Podemos pensar que a Nebulosa Pacman está a comer estrelas, mas na verdade está a formá-las. No interior da nebulosa, as estrelas jovens e massivas de um enxame estão a alimentar o brilho nebular generalizado. As formas apelativas que aparecem nesta imagem em destaque de NGC 281 são colunas esculpidas de poeira e glóbulos de Bok densos vistos em silhueta, erodidos por ventos intensos e energéticos e pela radiação das estrelas quentes do enxame. Se sobreviverem o tempo suficiente, as estruturas poeirentas poderão também ser locais de futura formação estelar. NGC 281, que, devido à sua forma, se dá o nome brincalhão de Nebulosa Pacman, situa-se a cerca de 10.000 anos-luz de distância na direção da constelação de Cassiopeia. Esta composição detalhada foi obtida através de filtros de banda estreita em Espanha, em meados de 2024. Combina as emissões dos átomos de hidrogénio e oxigénio da nebulosa para sintetizar as cores vermelha, verde e azul. A cena estende-se por bem mais de 80 anos-luz à distância estimada de NGC 281.
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