OBSERVAÇÃO DA LUA EM TAVIRA
Mais uma sessão de observação da Lua na Ponte Romana em Tavira e em parceria com o Centro Ciência Viva do Algarve. Data: 7 de abril de 2025 Hora: 20:30 - 22:30 Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A atividade é gratuita e a sua realização está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, irá realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data: Data: 28 de abril de 2025 Hora: 10:00 - 12:00 Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe! Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 04/04: 94.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1968, era lançada a Apollo 6.
Em 1983, o vaivém espacial Challenger fazia o seu voo inaugural no espaço (STS-6).
Em 1996, o cometa Hyakutake é observado pela NEAR. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, praticamente em Quarto Crescente, brilha para baixo de Castor, Pollux e Marte. À medida que a noite avança e o céu gira para oeste, o arranjo roda no sentido dos ponteiros do relógio.
DIA 05/04: 95.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito na Escócia, em Possil.
Em 1935 nascia Donald Lynden-Bell, astrofísico inglês conhecido pelas suas teorias de que as galáxias albergam buracos negros gigantes nos seus centros, e que estes buracos negros são a fonte principal de energia nos quasares.
Em 1979 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações diretas de Saturno e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer viaja na direção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios Gama Compton.
O objetivo desta missão era obter medições raios gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios gama. O Compton foi retirado de órbita e reentrou na atmosfera da Terra no dia 4 de junho do ano 2000.
Em 2009, a Coreia do Norte lança o seu polémico satélite Kwangmyŏngsŏng-2. Passou por cima do Japão, o que despoletou de imediato reações da ONU e de vários países.
Em 2010, o vaivém espacial Discovery é lançado na missão STS-131 para reabastecer a ISS. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 03:15.
Agora é a vez de Marte agrupar-se com a Lua. Estão separados por 2 graus.
DIA 06/04: 96.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1965, lançamento do Intelsat I, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas diretas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.
A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, a supernova do Tipo II foi designada SN 1993J, a décima supernova do ano. HOJE, NO COSMOS:
A Ursa Maior está alta a nordeste por estas noites, inclinando-se para a esquerda como se "derramasse" água. A sua "pega" e as duas estrelas da sua "frigideira", mais perto da "pega", formam mais ou menos um largo arco. Para a direita, perto do foco desse arco, brilha uma solitária estrela de terceira magnitude. É Cor Caroli, a estrela mais brilhante da constelação de Cães de Caça. É uma bonita estrela dupla telescópica, magnitudes 2,9 e 5,6, separação de 19 segundos de arco. São do tipo espetral B e G, respetivamente.
DIA 07/04: 97.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem o primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era ativado o Observatório de Raios Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objetivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação.
Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de fevereiro de 2002.
Em 2010, imagens obtidas pela sonda Cassini confirmam a existência de uma exosfera em redor da lua Dione. HOJE, NO COSMOS:
Também na constelação de Cães de Caça está uma das mais brilhantes estrelas de carbono, com um profundo tom avermelhado: Y Canum Venaticorum, também conhecida como La Superba, que varia entre magnitudes 4,6 e 5,9. Tem atualmente magnitude 5,3. As estrelas de carbono são tão vermelhas porque as observamos através de um "filtro" vermelho: uma atmosfera rica em moléculas de carbono diatómico, C2.
Webb explora o efeito de fortes campos magnéticos na formação estelar
A região de formação estelar Sagitário C, captada pelo Telescópio Espacial James Webb, fica a cerca de 200 anos-luz do buraco negro supermassivo central da Via Láctea, Sagitário A*. O índice espetral no canto inferior esquerdo mostra como a cor foi atribuída aos dados rádio para criar a imagem. No lado negativo, existe emissão não térmica, estimulada por eletrões que giram em torno de linhas de campo magnético. No lado positivo, a emissão térmica provém de plasma quente e ionizado. Para o Webb, a cor é atribuída através da deslocação do espetro infravermelho para cores no visível. Os comprimentos de onda infravermelhos mais curtos são mais azuis e os comprimentos de onda mais longos são mais vermelhos. Ver aqui a versão não rotulada.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, SARAO, Samuel Crowe (Universidade da Virgínia), John Bally (Universidade do Colorado em Boulder), Ruben Fedriani (IAA-CSIC), Ian Heywood (Universidade de Oxford)
Uma investigação de seguimento de uma imagem do berçário estelar Sagitário C, no coração da nossa Galáxia, a Via Láctea, obtida em 2023 pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA, revelou ejeções de protoestrelas ainda em formação e novas informações sobre o impacto de fortes campos magnéticos no gás interestelar e no ciclo de vida das estrelas.
"Uma grande questão na Zona Molecular Central da nossa Galáxia tem sido: se há aqui tanto gás denso e poeira cósmica, e sabemos que as estrelas se formam nessas nuvens, porque é que nascem tão poucas estrelas?" disse o astrofísico John Bally da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, um dos principais investigadores. "Agora, pela primeira vez, vemos diretamente que fortes campos magnéticos podem desempenhar um papel importante na supressão da formação estelar, mesmo em pequenas escalas".
O estudo detalhado das estrelas nesta região poeirenta e sobrelotada tem sido limitado, mas os instrumentos avançados do Webb, no infravermelho próximo, permitiram aos astrónomos ver através das nuvens para estudar estrelas jovens como nunca antes.
"O ambiente extremo do centro galáctico é um local fascinante para testar as teorias de formação estelar, e as capacidades infravermelhas do Telescópio Espacial James Webb da NASA proporcionam a oportunidade de aprofundar importantes observações anteriores por telescópios terrestres como o ALMA e o MeerKAT”, disse Samuel Crowe, outro investigador principal da investigação, estudante finalista na Universidade da Virgínia, também nos EUA.
Bally e Crowe lideraram, cada um, artigos científicos publicados na revista The Astrophysical Journal.
Usando o infravermelho para revelar estrelas em formação
No enxame mais brilhante de Sagitário C, os investigadores confirmaram a descoberta preliminar do ALMA (Atacama Large Millimeter Array) de que duas estrelas massivas se estão aí a formar. Juntamente com dados infravermelhos do Telescópio Espacial Spitzer da NASA e da missão SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), bem como do Observatório Espacial Herschel, utilizaram o Webb para determinar que cada uma das protoestrelas massivas tem já mais de 20 vezes a massa do Sol. O Webb também revelou os fluxos luminosos alimentados por cada protoestrela.
Mais difícil ainda é encontrar protoestrelas de baixa massa, ainda envoltas em casulos de poeira cósmica. Os investigadores compararam os dados do Webb com as observações anteriores do ALMA para identificar cinco candidatas prováveis a protoestrelas de baixa massa.
A equipa também identificou 88 características que parecem ser choques de gás hidrogénio, onde o material que é expelido em jatos de estrelas jovens impacta a nuvem de gás circundante. A análise destas características levou à descoberta de uma nova nuvem de formação estelar, distinta da nuvem principal de Sagitário C, que alberga pelo menos duas protoestrelas com os seus próprios jatos.
"Os fluxos de estrelas em formação em Sagitário C foram sugeridos em observações anteriores, mas esta é a primeira vez que os conseguimos confirmar no infravermelho. É muito excitante ver isto, porque ainda há muito que não sabemos sobre a formação estelar, especialmente na Zona Molecular Central, e é muito importante para o funcionamento do Universo", disse Crowe.
Campos magnéticos e formação estelar
A imagem de 2023 de Sagitário C, feita pelo Webb, mostrou dezenas de filamentos distintos numa região de plasma quente de hidrogénio que rodeia a principal nuvem de formação estelar. Uma nova análise feita por Bally e pela sua equipa levou-os a colocar a hipótese de os filamentos serem moldados por campos magnéticos, que também foram observados no passado pelos observatórios terrestres ALMA e MeerKAT.
"O movimento do gás que rodopia nas forças de maré extremas do buraco negro supermassivo da Via Láctea, Sagitário A*, pode esticar e amplificar os campos magnéticos circundantes. Esses campos, por sua vez, estão a moldar o plasma em Sagitário C", disse Bally.
Os investigadores pensam que as forças magnéticas no centro galáctico podem ser suficientemente fortes para impedir que o plasma se espalhe, confinando-o em vez disso nos filamentos concentrados vistos na imagem do Webb. Estes fortes campos magnéticos podem também resistir à gravidade que normalmente faria com que densas nuvens de gás e poeira colapsassem e formassem estrelas, explicando o ritmo de formação de estrelas de Sagitário C, que é inferior ao esperado.
"Esta é uma área excitante para investigação futura, uma vez que a influência dos fortes campos magnéticos, no centro da nossa Galáxia ou noutras galáxias, na ecologia estelar ainda não foi totalmente considerada", disse Crowe.
Estudo de 20 anos do Hubble sobre Úrano revela novas informações atmosféricas
As mudanças na atmosfera de Úrano ao longo do período de 20 anos de acompanhamento com o instrumento STIS do Hubble. Os investigadores observaram as estações do ano de Úrano, à medida que a região polar sul escurecia, entrando na sombra do inverno, ao passo que a região polar norte se iluminava com a aproximação do verão.
Crédito: NASA, ESA, Erich Karkoschka (Universidade do Arizona)
O planeta gigante gelado Úrano, que viaja à volta do Sol de lado, é um mundo estranho e misterioso. Agora, num estudo sem precedentes que se estende por duas décadas, investigadores que utilizam o Telescópio Espacial Hubble da NASA descobriram novas informações sobre a composição e dinâmica atmosférica do planeta. Isto só foi possível graças à alta resolução do Hubble, às suas capacidades espetrais e à sua longevidade.
Os resultados da equipa vão ajudar os astrónomos a melhor compreender como a atmosfera de Úrano funciona e como reage às mudanças da luz solar. Estas observações de longo prazo fornecem dados valiosos para a compreensão da dinâmica atmosférica deste distante gigante gelado, que pode servir como um representante para o estudo de exoplanetas de tamanho e composição semelhantes.
Quando a Voyager 2 passou por Úrano em 1986, tirou uma fotografia em grande plano do planeta. O que viu assemelhava-se a uma bola de bilhar azul-esverdeada com poucas características. Em comparação, o Hubble registou uma história de 20 anos de mudanças sazonais, de 2002 a 2022. Durante esse período, uma equipa liderada por Erich Karkoschka, da Universidade do Arizona, EUA, e Larry Sromovsky e Pat Fry, da Universidade de Wisconsin, EUA, utilizou o mesmo instrumento do Hubble, o STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph), para traçar um quadro preciso da estrutura atmosférica de Úrano.
A atmosfera de Úrano é constituída principalmente por hidrogénio e hélio, com uma pequena quantidade de metano e vestígios de água e amoníaco. O metano dá a Úrano a sua cor ciano, absorvendo os comprimentos de onda vermelhos da luz solar.
A equipa do Hubble observou Úrano quatro vezes no período de 20 anos: em 2002, 2012, 2015 e 2022. Descobriram que, ao contrário do que acontece nos gigantes gasosos Saturno e Júpiter, o metano não está uniformemente distribuído por Úrano. Em vez disso, está fortemente empobrecido perto dos polos. Este empobrecimento manteve-se relativamente constante ao longo das duas décadas. No entanto, a estrutura aerossol e da neblina mudou drasticamente, aumentando significativamente o brilho na região polar norte à medida que o planeta se aproxima do solstício de verão em 2030.
Úrano demora um pouco mais de 84 anos terrestres a completar uma única órbita em torno do Sol. Assim, ao longo de duas décadas, a equipa do Hubble só viu sobretudo a primavera setentrional, à medida que o Sol deixa de brilhar diretamente sobre o equador de Úrano para brilhar quase diretamente sobre o seu polo norte em 2030. As observações do Hubble sugerem padrões complexos de circulação atmosférica em Úrano durante este período. Os dados mais sensíveis à distribuição do metano indicam uma descida nas regiões polares e uma subida noutras regiões.
A equipa analisou os seus resultados de várias formas. As colunas da imagem mostram a mudança de Úrano durante os quatro anos em que o STIS observou Úrano ao longo do período de 20 anos. Durante esse período de tempo, os investigadores observaram as estações de Úrano, à medida que a região polar sul (à esquerda) escurecia ao entrar na sombra do inverno, ao passo que a região polar norte (à direita) aumentava de brilho à medida que começava a ser vista mais diretamente com o aproximar do verão.
A linha superior, no visível, mostra como a cor de Úrano aparece ao olho humano, mesmo através de um telescópio amador.
Na segunda linha, a imagem do planeta, a cores falsas, é constituída a partir de observações no visível e no infravermelho próximo. A cor e o brilho correspondem às quantidades de metano e de aerossóis. Ambas as quantidades não podiam ser distinguidas antes de o STIS do Hubble ter sido apontado pela primeira vez para Úrano em 2002. Geralmente, as áreas verdes indicam menos metano do que as áreas azuis, e as áreas vermelhas não mostram metano. As áreas vermelhas estão no limbo, onde a estratosfera de Úrano é quase completamente desprovida de metano.
As duas linhas inferiores mostram a estrutura de latitude dos aerossóis e do metano inferida a partir de 1000 comprimentos de onda (cores) diferentes, do visível ao infravermelho próximo. Na terceira linha, as áreas claras indicam condições mais nubladas, enquanto as áreas escuras representam condições mais limpas. Na quarta linha, as áreas claras indicam metano empobrecido, enquanto as áreas escuras mostram a quantidade total de metano.
Nas latitudes médias e baixas, os aerossóis e o empobrecimento de metano têm a sua própria estrutura latitudinal que, na sua maioria, não se alterou muito ao longo das duas décadas de observação. No entanto, nas regiões polares, os aerossóis e o empobrecimento de metano comportam-se de forma muito diferente.
Na terceira linha, os aerossóis perto do polo norte apresentam um aumento dramático, aparecendo muito escuros durante o início da primavera setentrional, tornando-se muito brilhantes nos últimos anos. Os aerossóis também parecem desaparecer no limbo esquerdo à medida que a radiação solar diminui. Esta é uma evidência de que a radiação solar altera a névoa de aerossóis na atmosfera de Úrano. Por outro lado, o empobrecimento de metano parece manter-se bastante elevado em ambas as regiões polares durante todo o período de observação.
Os astrónomos vão continuar a observar Úrano à medida que o planeta se aproxima do verão setentrional.
Três espetros obtidos pelo NIRSpec sobrepostos a uma imagem obtida pelo NIRCam, dois instrumentos a bordo do Telescópio Espacial James Webb. A galáxia recorde é mostrada no meio. Aparece a vermelho na imagem e o seu espetro diminui para a esquerda (comprimentos de onda curtos). Para comparação, os espetros em cima e em baixo, em azul e violeta, mostram galáxias típicas com formação estelar numa altura semelhante da história cósmica.
Crédio:
NASA/CSA/ESA, A. Weibel, P. A. Oesch (Universidade de Genebra), equipa RUBIES - A. de Graaff (Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg), G. Brammer (Instituto Niels Bohr), Arquivo DAWN do JWST
Durante muito tempo, os cientistas pensaram que, no Universo primitivo, apenas se observariam galáxias com formação estelar ativa. O Telescópio Espacial James Webb revela agora que as galáxias deixaram de formar estrelas mais cedo do que se esperava. Uma descoberta recente de uma equipa internacional, liderada por astrónomos da Universidade de Genebra (UNIGE), aprofunda a tensão entre os modelos teóricos da evolução cósmica e as observações reais. Entre centenas de espetros obtidos com o programa RUBIES do Webb, a equipa encontrou uma galáxia recorde que já tinha parado de formar estrelas durante uma época em que as galáxias estão normalmente a crescer muito rapidamente. Este estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal.
Nos primórdios do Universo, uma galáxia típica acreta gás do meio intergaláctico circundante e transforma esse gás em estrelas. Este processo aumenta a sua massa, levando a uma acreção de gás ainda mais eficiente e a uma formação estelar acelerada. No entanto, as galáxias não crescem indefinidamente, devido a um processo que os astrónomos designam por "extinção".
No Universo local, cerca de metade das galáxias observadas deixaram de formar estrelas - extinguiram-se e deixaram de crescer. Os astrónomos referem-se a elas como galáxias quiescentes, extintas ou "vermelhas e mortas". Aparecem vermelhas porque já não contêm estrelas azuis jovens e brilhantes - apenas restam estrelas vermelhas mais velhas e mais pequenas.
Uma fração particularmente elevada de galáxias quiescentes é encontrada entre as galáxias massivas, que são frequentemente observadas como tendo morfologias elípticas. Normalmente, a formação destas galáxias vermelhas e mortas demora muito tempo, porque têm de acumular um grande número de estrelas antes de o processo de formação estelar ser finalmente interrompido. O que realmente causa a extinção nas galáxias é ainda um grande enigma. "Encontrar os primeiros exemplos de galáxias massivas quiescentes (GMQs) no Universo primitivo é fundamental, uma vez que lança luz sobre os seus possíveis mecanismos de formação", afirma Pascal Oesch, professor associado do Departamento de Astronomia da Faculdade de Ciências da UNIGE e coautor do artigo científico. A procura de tais sistemas tem sido um objetivo importante dos astrónomos desde há anos.
Observações em desacordo com as expetativas teóricas
Com o avanço da tecnologia, em particular a espetroscopia no infravermelho próximo, os astrónomos confirmaram a existência de galáxias massivas quiescentes (GMQs) em épocas cósmicas cada vez mais precoces. A sua abundância inferida tem sido difícil de conciliar com os modelos teóricos de formação galáctica, que preveem que tais sistemas deveriam demorar mais tempo a formar-se. Com o Telescópio Espacial James Webb, esta tensão foi levada até um desvio para o vermelho de 5 (1,2 mil milhões de anos após o Big Bang), onde várias GMQs foram confirmadas nos últimos anos. O novo estudo liderado pela UNIGE revela que estas galáxias se formaram ainda mais cedo e mais rapidamente do que se pensava.
No Ciclo 2 do JWST, o levantamento RUBIES (Red Unknowns: Bright Infrared Extragalactic Survey), um dos maiores programas europeus de investigação extragalática que utiliza o instrumento NIRSpec, obteve observações espetroscópicas de vários milhares de galáxias, incluindo centenas de fontes recém-descobertas a partir de dados iniciais do JWST.
Uma galáxia "morta" recordista
Entre estes novos espetros, os cientistas identificaram a galáxia massiva quiescente mais distante encontrada até à data, com um desvio para o vermelho espetroscópico de 7,29, apenas ~700 milhões de anos após o Big Bang. O espetro do NIRSpec/PRISM revela uma população estelar surpreendentemente antiga num Universo tão jovem. A modelação detalhada do espetro e dos dados de imagem mostram que a galáxia formou uma massa de mais de 10 mil milhões (10^10) de sóis nos primeiros 600 milhões de anos após o Big Bang, antes de cessar rapidamente a formação estelar, confirmando assim a sua natureza quiescente.
"A descoberta desta galáxia, designada RUBIES-UDS-QG-z7, implica que as galáxias massivas quiescentes nos primeiros mil milhões de anos do Universo são mais de 100 vezes mais abundantes do que o previsto por qualquer modelo até à data", afirma Andrea Weibel, doutoranda do Departamento de Astronomia da Faculdade de Ciências da UNIGE e primeira autora do artigo científico. Isto, por sua vez, sugere que fatores-chave nos modelos teóricos (por exemplo, os efeitos dos ventos estelares e a força dos fluxos alimentados pela formação de estrelas e buracos negros massivos) podem ter de ser revistos. As galáxias morreram muito mais cedo do que estes modelos podem prever.
Perspetivas sobre os núcleos das galáxias gigantes
Finalmente, a pequena dimensão física de RUBIES-UDS-QG-z7, medida em apenas ~650 anos-luz, implica uma elevada densidade de massa estelar comparável às maiores densidades centrais observadas em galáxias quiescentes a desvios para o vermelho ligeiramente inferiores (z~2-5). Estas galáxias são suscetíveis de evoluir para os núcleos das galáxias elípticas mais antigas e mais massivas do Universo local. "A descoberta de RUBIES-UDS-QG-z7 fornece a primeira forte evidência de que os centros de algumas galáxias elípticas massivas próximas podem já ter existido desde as primeiras centenas de milhões de anos do Universo", conclui Anna de Graaff, investigadora principal do programa RUBIES, investigadora de pós-doutoramento no Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg e segunda autora do artigo científico.
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Xinran Li
Porque é que existem tantas estrelas azuis brilhantes? As estrelas nascem normalmente em enxames, e as mais brilhantes e massivas brilham tipicamente a azul. Estrelas menos brilhantes e não azuis, como o nosso Sol, também existem certamente neste enxame estelar M41, mas são mais difíceis de ver. São visíveis algumas brilhantes estrelas gigantes vermelhas de aspeto alaranjado. Os filamentos de luz vermelha são emitidos por gás hidrogénio difuso, uma cor que foi especificamente filtrada e melhorada nesta imagem. Daqui a cerca de cem milhões de anos, as estrelas azuis brilhantes terão explodido em supernovas e desaparecido, enquanto as trajetórias ligeiramente diferentes das estrelas mais fracas farão com que este pitoresco enxame aberto se disperse. Do mesmo modo, há milhares de milhões de anos, o nosso Sol nasceu provavelmente num enxame estelar como M41, mas há muito que se afastou das suas estrelas irmãs. A imagem em destaque foi captada durante quatro horas com o Chilescope T2 no Chile.
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