MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, irá realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data: Data: 28 de abril de 2025 Hora: 10:00 - 12:00 Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe! Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 18/04: 108.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1955, falecia Albert Einstein.
Em 2000, uma equipa de cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica usa o Observatório de raios-X Chandra durante 7,5 horas para obter imagens do espectro de um buraco negro estelar na direção da constelação de Ursa Maior. HOJE, NO COSMOS:
Logo após o anoitecer, Orionte ainda está a sudoeste na sua orientação primaveril: inclinado para a direita, com a sua cintura na horizontal. A cintura aponta para a esquerda até Sirius e para a direita até Aldebarã e, mais longe, até às Plêiades. Para cima de Aldebarã encontra-se o brilhante planeta Júpiter.
DIA 19/04: 109.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1971, lançamento da Salyut 1, a primeira estação espacial.
Em 1975, lançamento do primeiro satélite da Índia, o Aryabhata.
Em 1966 nascia Brett J. Gladman, astrónomo canadiano, conhecido pelo seu trabalho na astronomia dinâmica do Sistema Solar. Estudou o transporte de meteoritos entre planetas, a entrega de meteoróides desde a cintura principal de asteroides e a possibilidade do transporte da vida via o mecanismo conhecido como panspérmia. Descobridor e codescobridor de muitos corpos astronómicos do Sistema Solar, asteroides, cometas da cintura de Kuiper e muitas luas dos planetas gigantes.
Em 2021, o helicóptero Ingenuity torna-se no primeiro veículo aéreo a voar noutro planeta. HOJE, NO COSMOS:
Assim que as estrelas começarem a aparecer, note que a "foice" de Leão está na vertical, alta a sul. A sua estrela mais abaixo é Régulo, a mais brilhante da constelação. A figura de Leão, propriamente dita, está a caminhar horizontalmente para oeste. A "foice" forma a sua pata dianteira, peito, juba e parte da sua cabeça. Para a esquerda, um longo triângulo retângulo forma a sua pata traseira e longa cauda.
DIA 20/04: 110.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1535, o fenómeno de parélio é observado por cima de Estocolmo e representado no quadro Vädersolstavlan.
Em 1865, o astrónomo Pietro Angelo Secchi demonstra o disco de Sechi, que mede a claridade da água, a bordo do iate do Papa Pio IX, o L'Imaculata Concezione.
Em 1972, a Apollo 16 aterra na Lua, uma das seis missões tripuladas à Lua com sucesso. John W. Young e Thomas K. Mattingly III alunaram numa área de nome Descartes. Este foi o primeiro estudo das terras altas, feito com várias câmaras e experiências. O "rover" lunar foi usado pela segunda vez. Os astronautas permaneceram 71 horas na superfície. Recolheram 95,8 kg de rochas lunares.
Em 2023, o foguetão Starship da SpaceX, o maior e mais poderoso foguetão alguma vez construído, é lançado pela primeira vez. Explode 4 minutos depois. HOJE, NO COSMOS:
Encontre Procyon bem alta para cima de Sirius a sudoeste logo após o cair da noite. Olhe para cima e para a esquerda de Procyon, cerca de 15º (mais ou menos punho e meio à distância do braço esticado) em busca da cabeça de Hidra, a enorme Serpente Marinha. A sua cabeça é um grupo de estrelas de terceira e quarta magnitudes com aproximadamente o tamanho do polegar à distância do braço esticado.
Cerca de punho e meio para baixo e para a esquerda da cabeça de Hidra brilha Alphard, o seu coração alaranjada de segunda magnitude. O resto da Hidra ziguezagueia (tenuamente) de Alphard até ao horizonte a sudeste.
DIA 21/04: 111.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1964, um satélite Transit-5bn falha a atingir órbita da Terra após lançamento. À medida que reentra na atmosfera, 0,95 kg de plutónio radioativo da sua fonte de alimentação SNAPRTG é largamente dispersado.
Em 1994, são anunciadas as primeiras descobertas de exoplanetas pelos astrónomos Alexander Wolszczan e Dale Frail. Descobriram dois planetas em órbita do pulsar PSR 1257+12.
Em 2002, uma erupção no Sol providencia uma excelente oportunidade para uma panóplia de instrumentos nas sondas SOHO, TRACE e RHESSI recolherem dados para comparação com o modelo Lin & Forbes de EMCs (ejeção de massa coronal). HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 02:36.
"Uma grande surpresa": astrónomos descobrem exoplaneta numa órbita perpendicular em torno de um par de anãs castanhas
Esta é uma ilustração da órbita invulgar que o exoplaneta 2M1510 (AB) b executa em torno das suas anãs castanhas hospedeiras. O planeta recém-descoberto apresenta uma órbita polar, ou seja, uma órbita que é perpendicular ao plano em que as duas anãs castanhas se deslocam.
Já tinham sido descobertos anteriormente planetas polares em torno de estrelas individuais, assim como discos polares de gás e poeira capazes de formar planetas em torno de estrelas binárias. Agora, graças ao VLT (Very Large Telescope) do ESO, temos pela primeira vez fortes indícios da existência de um tal planeta numa órbita polar em torno de duas anãs castanhas.
As duas anãs castanhas parecem uma única fonte no céu, no entanto os astrónomos sabem que se trata de um sistema binário, onde os dois objetos se eclipsam periodicamente um ao outro. Com o auxílio do espetrógrafo UVES montado no VLT, os investigadores mediram a velocidade orbital das anãs castanhas e notaram que as suas órbitas variam com o tempo. Depois de excluídas outras explicações, concluiu-se que a força gravitacional de um planeta numa órbita polar era a única forma de explicar o movimento observado das anãs castanhas.
Crédito: ESO/L. Calçada
Os astrónomos descobriram um planeta que orbita num ângulo de 90º em torno de um par de anãs castanhas. É a primeira vez que temos fortes indícios de um destes "planetas polares" a orbitar um par destes objetos peculiares. A descoberta surpreendente foi feita com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO.
Nos últimos anos, foram descobertos vários planetas a orbitar duas estrelas em simultâneo, tal e qual como Tatooine, um dos planetas fictícios da série de filmes de ficção científica Star Wars. Estes planetas ocupam normalmente órbitas que se alinham aproximadamente com o plano em que as suas estrelas hospedeiras orbitam em torno uma da outra. Tínhamos já, no entanto, indícios anteriores de que poderiam existir planetas em órbitas perpendiculares, ou polares, em torno de estrelas binárias: em teoria, estas órbitas são estáveis e foram detetados discos de formação planetária em órbitas polares em torno de pares de estrelas. No entanto, e até agora, não tínhamos evidências claras de que estes planetas polares existissem de facto.
"Estou verdadeiramente entusiasmado por estar envolvido na deteção de indícios credíveis que apontam para a existência desta configuração", diz Thomas Baycroft, estudante de doutoramento na Universidade de Birmingham, Reino Unido, que liderou o estudo publicado na revista da especialidade Science Advances.
O exoplaneta, denominado 2M1510 (AB) b, orbita um binário de anãs castanhas jovens — objetos maiores que planetas gigantes gasosos, mas demasiado pequenos para serem estrelas propriamente ditas. As duas anãs castanhas eclipsam-se uma à outra quando observadas a partir da Terra, constituíndo aquilo a que os astrónomos chamam um binário eclipsante. Este sistema é bastante raro: para além de ser apenas o segundo par de anãs castanhas eclipsantes conhecido até à data, descobrimos agora que acolhe também o primeiro exoplaneta jamais encontrado numa trajetória perpendicular à órbita das suas duas estrelas hospedeiras.
"Um planeta em órbita não só de um binário, mas de um binário de anãs castanhas, e numa órbita polar, é realmente algo incrível", diz o coautor Amaury Triaud, professor na Universidade de Birmingham.
Esta imagem, obtida no visível, mostra 2M1510 AB, um par de anãs castanhas em órbita uma da outra. As duas anãs castanhas, A e B, aparecem-nos como se de uma única fonte se tratassem, no entanto sabemos que são dois objetos que se eclipsam periodicamente um ao outro. Ao monitorizarem as suas órbitas, os astrónomos encontraram perturbações que só podem ser explicadas pela atração gravitacional de um exoplaneta que se desloca em torno das duas anãs castanhas numa órbita perpendicular. Este sistema contém uma terceira anã castanha, 2M1510 C, mas esta encontra-se demasiado longe para poder ser responsável por estas perturbações.
Crédito: Legado do Levantamento DESI/D. Lang (Instituto Perimeter)
A equipa encontrou este planeta quando refinava os parâmetros orbitais e físicos das duas anãs castanhas a partir de observações levadas a cabo com o instrumento UVES (Ultraviolet and Visual Echelle Spectrograph) montado no VLT do ESO, no Observatório de Paranal, no Chile. Este par de anãs castanhas, conhecido por 2M1510, foi detetado pela primeira vez em 2018 por Triaud e outros investigadores, que utilizaram o SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars), outra instalação do Paranal.
Os astrónomos observaram a trajetória orbital das duas estrelas de 2M1510 a ser empurrada e puxada de forma invulgar, o que os levou a inferir a existência de um exoplaneta com este estranho ângulo orbital. "Revimos todos os cenários possíveis e o único consistente com os dados obtidos corresponde à existência de um planeta numa órbita polar em torno deste binário", diz Baycroft (no novo estudo da Science Advances, 2M1510 ou 2M1510 AB são os nomes dados ao binário eclipsante das duas anãs castanhas, 2M1510 A e 2M1510 B. Sabemos que este sistema tem uma terceira estrela, orbitando a grande distância do par, a que os astrónomos chamam 2M1510 C. O estudo mostra que esta terceira estrela está demasiado longe para causar perturbações orbitais).
"Esta descoberta foi realmente inesperada, uma vez que as nossas observações não foram recolhidas para procurar um tal planeta ou configuração orbital. Como tal, foi de facto uma grande surpresa", conclui Triaud. "Penso que isto nos mostra, tanto a nós astrónomos como ao público em geral, o que é possível encontrar no Universo fascinante em que vivemos".
Observatório SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars): Página principal Wikipedia
Hubble investiga o local de nascimento de um magnetar
Esta é uma impressão artística de um magnetar, que é um tipo especial de estrela de neutrões. As estrelas de neutrões são alguns dos objetos mais extremos do Universo. Estas estrelas têm tipicamente mais do que a massa do Sol numa esfera de neutrões com cerca de 20 quilómetros de diâmetro. Sem surpresa, estes objetos exóticos podem apresentar vários comportamentos extremos, tais como surtos de raios X e raios gama, campos magnéticos intensos e rotação rápida. Os magnetares são um tipo específico de estrelas de neutrões que se distinguem pelos seus campos magnéticos excecionalmente fortes (que são significativamente mais fortes do que os das estrelas de neutrões típicas).
Investigadores, utilizando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, descobriram que o magnetar SGR 0501+4516 não nasceu numa supernova vizinha, como se pensava anteriormente. O local de nascimento deste objeto é agora desconhecido, e SGR 0501+4516 é o candidato mais provável, na nossa Galáxia, a um magnetar que não nasceu numa supernova. É um de apenas cerca de 30 magnetares conhecidos na Via Láctea.
Crédito: ESA
Os magnetares são remanescentes estelares ultradensos com campos magnéticos extremamente fortes. Investigadores, utilizando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, descobriram que o magnetar SGR 0501+4516 não nasceu numa supernova vizinha, como se pensava anteriormente. O local de nascimento deste objeto é agora desconhecido e SGR 0501+4516 é o candidato mais provável, na nossa Galáxia, a um magnetar que não nasceu numa supernova. Esta descoberta foi possível graças aos instrumentos sensíveis do Hubble, bem como às referências precisas da nave espacial Gaia da ESA.
Em 2008, o Observatório Swift da NASA detetou breves e intensos flashes de raios gama nos arredores da Via Láctea. A fonte, um objeto chamado SGR 0501+4516, é um dos cerca de 30 magnetares conhecidos na Via Láctea.
Um magnetar é um tipo especial de estrela de neutrões. As estrelas de neutrões são alguns dos objetos mais extremos do Universo. Estas estrelas têm tipicamente mais do que a massa do Sol numa esfera de neutrões com cerca de 20 quilómetros de diâmetro. Sem surpresa, estes objetos exóticos podem apresentar vários comportamentos extremos, tais como erupções de raios X e raios gama, campos magnéticos intensos e rotação rápida.
"Os magnetares são estrelas de neutrões - remanescentes de estrelas, compostos inteiramente por neutrões. São tão pesados e densos que os eletrões e os protões que constituem os átomos foram esmagados em neutrões. O que torna os magnetares únicos são os seus campos magnéticos extremos, milhares de milhões de vezes mais fortes do que os ímanes mais fortes que temos na Terra", disse Ashley Chrimes, principal autor do artigo científico sobre a descoberta, publicado na revista Astronomy & Astrophysics. Chrimes é bolseiro no ESTEC (European Space Research and Technology Centre), Países Baixos.
Pensa-se que a maioria das estrelas de neutrões nasce em supernovas de colapso do núcleo. Estas explosões cósmicas espetaculares ocorrem quando estrelas muito mais massivas do que o Sol ficam sem combustível para a fusão nuclear. As camadas exteriores da estrela caem para o interior e fazem ricochete no núcleo em colapso, numa explosão que pode ofuscar por instantes uma galáxia inteira.
Dado que os magnetares são eles próprios estrelas de neutrões, a explicação natural para a sua formação é que também eles nascem em supernovas. Este parecia ser o caso de SGR 0501+4516, que está localizado perto de um remanescente de supernova chamado HB9. A separação entre o magnetar e o centro do remanescente de supernova no céu é de apenas 80 minutos de arco, ou seja, um pouco mais largo do que o dedo mindinho quando visto à distância do braço esticado.
Mas um estudo de uma década com o Hubble lançou dúvidas sobre o local de nascimento do magnetar. Depois de observações iniciais com telescópios terrestres pouco depois da descoberta de SGR 0501+4516, os investigadores aproveitaram a sensibilidade requintada do Hubble e a sua orientação estável para detetar o ténue brilho infravermelho do magnetar em 2010, 2012 e 2020. Cada uma destas imagens foi alinhada com um quadro de referência definido pelas observações da nave espacial Gaia da ESA, que elaborou um mapa tridimensional extraordinariamente preciso de quase dois mil milhões de estrelas da Via Láctea. Este método revelou o movimento subtil do magnetar à medida que se deslocava no céu. Este trabalho demonstra, portanto, que o Hubble e o Gaia da ESA podem revelar mistérios nunca antes vistos quando unem forças.
"Todo este movimento que medimos é mais pequeno do que um único pixel de uma imagem do Hubble", disse o coinvestigador Joe Lyman da Universidade de Warwick, Reino Unido. "Ser capaz de efetuar tais medições de forma robusta é realmente um testemunho da estabilidade a longo prazo do Hubble".
Ao rastrear a posição do magnetar, a equipa foi capaz de medir o movimento aparente do objeto no céu. Tanto a velocidade como a direção do movimento de SGR 0501+4516 mostraram que o magnetar não podia estar associado ao remanescente de supernova vizinho. O rastreio da trajetória do magnetar ao longo de milhares de anos no passado mostrou que não havia outros remanescentes de supernovas ou enxames estelares massivos aos quais pudesse estar associado.
Se SGR 0501+4516 não nasceu no remanescente de supernova HB9, o magnetar deve ser muito mais antigo do que a sua idade documentada de 20.000 anos, ou deve ter sido formado de outra forma. Os magnetares podem também formar-se através da fusão de duas estrelas de neutrões de massa inferior ou através de um processo chamado colapso induzido por acreção. O colapso induzido por acreção requer um sistema estelar binário que contenha uma anã branca: o núcleo cristalizado de uma estrela morta semelhante ao Sol. Se a anã branca absorver gás da sua companheira, pode tornar-se demasiado massiva para se sustentar a si própria, levando a uma explosão - ou possivelmente à criação de um magnetar.
"Normalmente, este cenário leva à ignição de reações nucleares e à explosão da anã branca, sem deixar nada para trás. Mas foi teorizado que, sob certas condições, a anã branca pode colapsar e transformar-se numa estrela de neutrões. Pensamos que pode ter sido assim que nasceu SGR 0501", acrescentou Andrew Levan, da Universidade de Radboud, nos Países Baixos, e da Universidade de Warwick, no Reino Unido.
SGR 0501+4516 é atualmente o melhor candidato para um magnetar na nossa Galáxia que se pode ter formado através de uma fusão ou de um colapso induzido por acreção. Os magnetares que se formam através de colapso induzido por acreção podem explicar alguns dos misteriosos sinais cósmicos com a sigla FRB (inglês para "fast radio bursts"), que são breves, mas poderosas rajadas de ondas de rádio. Em particular, este cenário pode explicar a origem das FRBs que emergem de populações estelares demasiado antigas para terem recentemente dado origem a estrelas suficientemente massivas para explodirem como supernovas.
"As taxas de nascimento de magnetares e os cenários de formação estão entre as questões mais prementes da astrofísica de altas energias, com implicações para muitos dos eventos transientes mais poderosos do Universo, como as explosões de raios gama, as supernovas superluminosas e as rajadas rápidas de rádio", disse Nanda Rea do Instituto de Ciências Espaciais em Barcelona, Espanha.
A equipa de investigação tem outras observações do Hubble planeadas para estudar as origens de outros magnetares na Via Láctea, ajudando a compreender como estes objetos extremos são formados.
A missão Lucy está a preparar-se para analisar o próximo alvo da sua viagem épica de 6,4 mil milhões de quilómetros, 12 anos e 11 asteroides. No dia 20 de abril de 2025, a nave espacial Lucy da NASA passará pelo asteroide da cintura principal (52246) Donaldjohanson, um objeto peculiar e alongado com 3,9 quilómetros de largura. Esta passagem servirá de teste para o evento principal: a visita de asteroides troianos, nunca antes explorados no sistema de Júpiter.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA
A sonda espacial Lucy da NASA está a poucos dias e a apenas alguns milhões de quilómetros de distância do seu segundo encontro com um asteroide; desta vez, o pequeno asteroide da cintura principal Donaldjohanson.
Este evento representa um "ensaio geral" para a missão principal da Lucy na próxima década: a exploração de múltiplos asteroides troianos que partilham a órbita de Júpiter em torno do Sol. O primeiro encontro da Lucy com um asteroide - um "flyby" pelo pequeno asteroide da cintura principal, Dinkinesh, e do seu satélite, Selam, a 1 de novembro de 2023 - deu à equipa a oportunidade de testar os sistemas que serão utilizados na próxima passagem.
A maior aproximação da Lucy a Donaldjohanson ocorrerá às 18:51 (hora portuguesa) de 20 de abril, a uma distância de 960 km. Cerca de 30 minutos antes da maior aproximação, a Lucy orientar-se-á para seguir o asteroide, durante os quais a sua antena de alto ganho ficará virada para longe da Terra, suspendendo as comunicações. Guiada pelo seu sistema de rastreio, a Lucy girará autonomamente para manter os seus "olhos" fixos em Donaldjohanson. Ao fazê-lo, a Lucy irá efetuar uma sequência de observação mais complicada do que a utilizada em Dinkinesh. Os três instrumentos científicos - a sua câmara em escala de cinzentos L'LORRI (Long Range Reconnaissance Imager), a câmara a cores e o espetrómetro infravermelho, de nome L'Ralph, e o espetrómetro de infravermelhos longínquos, chamado L'TES (Thermal Emission Spectrometer) - realizarão sequências de observação muito semelhantes às que ocorrerão nos asteroides troianos.
No entanto, ao contrário do que aconteceu com Dinkinesh, a Lucy deixará de seguir Donaldjohanson 40 segundos antes da maior aproximação, para proteger os seus sensíveis instrumentos da intensa luz solar.
"Se estivéssemos sentados no asteroide a observar a aproximação da nave Lucy, teríamos de proteger os olhos, ao olhar para o Sol, enquanto esperávamos que a Lucy emergisse do brilho. Depois da Lucy passar pelo asteroide, as posições invertem-se, pelo que temos de proteger os instrumentos da mesma forma", disse o responsável pela fase de encontro, Michael Vincent, do SwRI (Southwest Research Institute) em Boulder, no estado norte-americano do Colorado. "Estes instrumentos foram concebidos para fotografar objetos iluminados por uma luz solar 25 vezes mais fraca do que na Terra, pelo que olhar para o Sol poderia danificar as nossas câmaras".
Felizmente, este é o único dos sete encontros da Lucy com asteroides com esta geometria desafiante. Durante os encontros com os troianos, tal como com Dinkinesh, a nave espacial poderá recolher dados na totalidade.
Após a maior aproximação, a sonda irá "inclinar-se", reorientando os seus painéis solares na direção do Sol. Cerca de uma hora depois, a nave espacial restabelecerá a comunicação com a Terra.
"Uma das coisas mais estranhas que temos de entender nestas missões ao espaço profundo é quão lenta a velocidade da luz realmente é", continuou Vincent. "A Lucy está a 12,5 minutos-luz de distância da Terra, o que significa que é preciso esse tempo para que qualquer sinal que enviemos chegue à nave espacial. Depois são precisos mais 12,5 minutos para recebermos a resposta da Lucy a dizer-nos que fomos ouvidos. Assim, quando comandarmos a reprodução de dados após a maior aproximação, serão precisos 25 minutos desde o momento em que pedimos para ver as imagens até que estas cheguem ao solo".
Uma vez confirmada a saúde da nave espacial, os engenheiros darão ordens à Lucy para transmitir os dados científicos do encontro para a Terra, um processo que demorará vários dias.
Donaldjohanson é um fragmento de uma colisão ocorrida há 150 milhões de anos, o que faz dele um dos mais jovens asteroides da cintura principal alguma vez visitados por uma nave espacial.
"Cada asteroide tem uma história diferente para contar e estas histórias entrelaçam-se para pintar a do nosso Sistema Solar", disse Tom Statler, cientista do programa da missão Lucy na sede da NASA em Washington. "O facto de cada novo asteroide que visitamos nos deixar boquiabertos significa que estamos apenas a começar a compreender a profundidade e a riqueza dessa história. As observações telescópicas estão a sugerir que Donaldjohanson tem uma história interessante, e eu espero ser surpreendido - outra vez".
O núcleo fundido de Marte pode explicar as peculiaridades magnéticas do planeta (via Universidade do Texas em Austin)
Tal como a Terra, Marte teve em tempos um forte campo magnético que protegeu a sua espessa atmosfera do vento solar. Mas agora só resta a sua "impressão digital" magnética. No entanto, o que há muito confunde os cientistas é a razão pela qual esta impressão aparece mais fortemente na metade sul do Planeta Vermelho. Um novo estudo pode ajudar a explicar a impressão unilateral. Apresenta evidências de que o campo magnético do planeta cobria apenas a sua metade sul. Ler fonte
Investigação decifra misteriosa atmosfera de exoplaneta "Pedra de Roseta" (via SwRI)
Um estudo realizado pelo SwRI (Southwest Research Institute) modelou a química de TOI-270 d, um exoplaneta com dimensões entre a Terra e Neptuno, encontrando evidências de que poderá ser um planeta rochoso gigante envolto numa atmosfera espessa e quente. TOI-270 d está a apenas 73 anos-luz da Terra e poderá servir como "Pedra de Roseta" para compreender toda uma classe de novos planetas. Ler fonte
Álbum de fotografias Nebulosa Planetária NGC 1514, pelo Webb
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