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  Astroboletim #2208  
  06/05 a 08/05/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 06/05: 126.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1872, nascia Willem de Sitter, matemático, físico e astrónomo holandês.
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Fez grandes contribuições para o campo da cosmologia física. Foi coautor, juntamente com Einstein, de um artigo onde explicavam que deveria existir grandes quantidades de matéria que não emitia luz, atualmente chamada matéria escura. É também famoso pela sua pesquisa sobre o planeta Júpiter.
HOJE, NO COSMOS:
Ao anoitecer, olhe alto a oeste para Pollux e Castor alinhadas quase horizontalmente (dependendo da latitude do observador) com o Planeta Marte para cima e para a sua esquerda. Estas duas estrelas, as cabeças dos Gémeos, formam o topo do enorme Arco da Primavera. Para baixo e para a sua esquerda, aviste Procyon, a extremidade esquerda do Arco. Para baixo e para a direita está a outra ponta, formada pela estrela Menkalinan (Beta Aurigae), de segunda magnitude, e depois a brilhante Capella. O Arco "afunda-se" a oeste com o passar da noite.

 

DIA 07/05: 127.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1975, era lançado o Observatório Espacial de raios-X, Explorer 53
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour descolava pela primeira vez (STS-49).
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Em 1997, a sonda Galileo fazia o seu quarto voo rasante por Ganimedes.
HOJE, NO COSMOS:
Conhece o asterismo do Diamante? Mede cerca de 50º de altura e abrange cinco constelações. Encontra-se atualmente na vertical a sudeste e a sul, depois das estrelas aparecerem. Comece com Espiga, a sua parte mais baixa. Para cima e para a esquerda está a brilhante Arcturo. Quase à mesma distância, para cima e para a direita de Arcturo (se se voltar para sul) está a mais ténue Cor Caroli, de terceira magnitude, quase por cima das nossas cabeças. À mesma distância, mas para baixo e para a direita, está Denébola, a ponta da cauda de Leão, com magnitude 2. E finalmente voltamos a Espiga. As três estrelas mais baixas, que são também as mais brilhantes, forma um triângulo equilátero quase perfeito. Talvez devêssemos chamar-lhes de "Triângulo da Primavera", em paralelo com o de verão e o de inverno?

 

DIA 08/05: XY.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1962, era lançado o primeiro foguetão Atlas Centaur.
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HOJE, NO COSMOS:
Neste mês de maio brilham, no céu noturno, três estrelas de magnitude zero: Arcturo a sudeste, Vega muito mais baixa a nordeste e Capella a noroeste. Parecem muito brilhantes porque cada uma é pelo menos 70 vezes mais luminosa do que o Sol e porque todas estão razoavelmente perto: 37, 25 e 42 anos-luz, respetivamente.
Espiga, de primeira magnitude, menos brilhante do que Arcturo, situa-se poucos graus para baixo e para a esquerda da Lua esta noite.

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Uma vasta nuvem molecular, há muito invisível, foi descoberta perto do Sistema Solar
 
Impressão de artista do aspeto que a nuvem molecular Eos teria no céu se fosse visível a olho nu.
Crédito: NatureLifePhoto/Flickr (horizonte da cidade de Nova Iorque), Burkhart et al., 2025
 

Uma equipa internacional de cientistas liderada por uma astrofísica da Universidade Rutgers - New Brunswick descobriu uma nuvem potencialmente formadora de estrelas que é uma das maiores estruturas individuais no céu e uma das mais próximas do Sol e da Terra alguma vez detetadas.

A vasta bola de hidrogénio, há muito invisível para os cientistas, foi revelada através da procura do seu principal constituinte - o hidrogénio molecular. Esta descoberta marca a primeira vez que uma nuvem molecular foi detetada com luz emitida no domínio do ultravioleta distante do espetro eletromagnético e abre caminho a novas explorações utilizando esta abordagem.

Os cientistas chamaram à nuvem molecular de hidrogénio "Eos", em homenagem à deusa da mitologia grega que personifica o amanhecer. A sua descoberta está descrita num estudo publicado na revista Nature Astronomy.

"Isto abre novas possibilidades para o estudo do Universo molecular", disse Blakesley Burkhart, professora associada do Departamento de Física e Astronomia da Escola de Artes e Ciências de Rutgers, que liderou a equipa e é uma das autoras do estudo. Burkhart é também investigadora no Centro de Astrofísica Computacional do Instituto Flatiron em Nova Iorque.

As nuvens moleculares são compostas por gás e poeira - sendo a molécula mais comum o hidrogénio, o bloco de construção fundamental das estrelas e dos planetas e essencial para a vida. Também contêm outras moléculas, como o monóxido de carbono. As nuvens moleculares são frequentemente detetadas através de métodos convencionais, como observações rádio e no infravermelho, que detetam facilmente a assinatura química do monóxido de carbono.

Para este trabalho, os cientistas utilizaram uma abordagem diferente.

"Esta é a primeira nuvem molecular de sempre descoberta através da procura direta da emissão ultravioleta distante do hidrogénio molecular", disse Burkhart. "Os dados mostram moléculas de hidrogénio brilhantes detetadas por fluorescência no ultravioleta distante. Esta nuvem está literalmente a brilhar no escuro".

Eos não representa qualquer perigo para a Terra e para o Sistema Solar. Devido à sua proximidade, a nuvem de gás representa uma oportunidade única para estudar as propriedades de uma estrutura no meio interestelar, disseram os cientistas.

O meio interestelar, constituído por gás e poeira que preenche o espaço entre as estrelas de uma galáxia, serve de matéria-prima para a formação de novas estrelas.

"Quando olhamos através dos nossos telescópios, vemos sistemas solares inteiros em formação, mas não sabemos em pormenor como isso acontece", disse Burkhart. "A nossa descoberta de Eos é excitante porque podemos agora medir diretamente como as nuvens moleculares se formam e dissociam, e como uma galáxia começa a transformar gás e poeira interestelar em estrelas e planetas".

A nuvem de gás em forma de crescente está localizada a cerca de 300 anos-luz da Terra. Situa-se no limite da Bolha Local, uma grande cavidade cheia de gás no espaço que engloba o Sistema Solar. Os cientistas estimam que Eos é vasta em projeção no céu, medindo cerca de 40 Luas em todo o céu, com uma massa cerca de 3400 vezes superior à do Sol. A equipa utilizou modelos para mostrar que se deverá evaporar daqui a 6 milhões de anos.

"A utilização da técnica de emissão de fluorescência no ultravioleta distante pode reescrever a nossa compreensão do meio interestelar, revelando nuvens ocultas em toda a Galáxia e mesmo até aos limites mais longínquos detetáveis do amanhecer cósmico", afirmou Thavisha Dharmawardena, bolseira Hubble da NASA na Universidade de Nova Iorque e primeira autora partilhada do estudo.

Eos foi revelada à equipa através de dados recolhidos por um espetrógrafo no ultravioleta distante chamado FIMS-SPEAR (acrónimo de "fluorescent imaging spectrograph") que funcionava como instrumento no satélite coreano STSAT-1. Um espetrógrafo no ultravioleta distante decompõe a luz ultravioleta distante emitida por um material nos seus comprimentos de onda componentes, tal como um prisma faz com a luz visível, criando um espetro que os cientistas podem analisar.

Os dados tinham acabado de ser divulgados publicamente em 2023 quando Burkhart se deparou com eles.

"Era como se estivesse à espera de ser explorada", disse ela.

As descobertas destacam a importância de técnicas de observação inovadoras para o avanço da compreensão do cosmos, disse Burkhart. A investigadora referiu que Eos é dominada por hidrogénio molecular gasoso, mas é maioritariamente "CO-escuro", o que significa que não contém muito material e não emite a assinatura característica detetada pelas abordagens convencionais. Isso explica como Eos escapou à identificação durante tanto tempo, disseram os investigadores.

"A história do cosmos é uma história do rearranjo dos átomos ao longo de milhares de milhões de anos", disse Burkhart. "O hidrogénio que se encontra atualmente na nuvem Eos existia na altura do Big Bang e acabou por cair na nossa Galáxia e coalescer nas proximidades do Sol. Portanto, tem sido uma longa viagem de 13,6 mil milhões de anos para estes átomos de hidrogénio".

A descoberta foi uma espécie de surpresa.

"Quando eu estava na faculdade, disseram-nos que não era fácil observar diretamente o hidrogénio molecular", disse Dharmawardena da Universidade de Nova Iorque. "É um pouco louco que possamos ver esta nuvem em dados que não pensávamos ver".

Eos também tem o nome de uma proposta de missão espacial da NASA que Burkhart e outros membros da equipa estão a apoiar. A missão tem como objetivo alargar a abordagem de deteção de hidrogénio molecular a grandes áreas da Galáxia, investigando as origens das estrelas através do estudo da evolução das nuvens moleculares.

A equipa está a pesquisar dados sobre nuvens de hidrogénio molecular próximas e distantes. Um estudo publicado como pré-impressão no site arXiv por Burkhart e outros, utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), relata a tentativa de encontrar o gás molecular mais distante de sempre.

"Usando o JWST, podemos ter encontrado as moléculas de hidrogénio mais distantes do Sol", disse Burkhart. "Assim, encontrámos tanto as mais próximas como as mais distantes utilizando a emissão no ultravioleta distante".

// Universidade de Rutgers (comunicado de imprensa)
// Observatório McDonald (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico sobre a descoberta do JWST (arXiv)
// Eos: descoberta da nuvem molecular de CO-escuro mais próxima do Sol (Universidade de Nova Iorque via YouTube)

 


Quer saber mais?

Nuvem molecular Eos:
Wikipedia

Nebulosa escura:
Wikipedia

STSat-1 (Science and Technology Satellite-1):
eoPortal
Wikipedia

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Chandra diagnostica a causa de uma fratura num "osso" galáctico
 
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Esta imagem mostra uma estrutura que se assemelha a um osso fraturado chamado G359.13142- 0.20005 (G359.13 para abreviar) perto do centro da nossa Galáxia. Os dados de raios X do Chandra e os dados de rádio do MeerKAT revelam que este "osso" foi atingido por uma estrela de neutrões, ou pulsar. Os astrónomos estimam que o pulsar que causou esta fratura estava a viajar entre 1,6 e 3,2 milhões de quilómetros por hora. Ver a imagem sem a inserção. Ver apenas a inserção.
Crédito: raios X - NASA/CXC/Universidade Northwestern/F. Yusef-Zadeh et al; rádio - NRF/SARAO/MeerKat; processamento - NASA/CXC/SAO/N. Wolk
 

Os astrónomos descobriram uma explicação provável para uma fratura num enorme "osso" cósmico na Via Láctea, utilizando o Observatório de raios X Chandra da NASA e radiotelescópios.

O "osso" parece ter sido atingido por uma estrela de neutrões, ou pulsar, que se move rapidamente e gira a grande velocidade. As estrelas de neutrões são as estrelas mais densas que se conhecem e formam-se a partir do colapso e explosão de estrelas massivas. Estas estrelas recebem frequentemente um poderoso "pontapé" destas explosões, que as afasta do local da explosão a grande velocidade.

Perto do centro da Galáxia encontram-se estruturas enormes que se assemelham a ossos ou cobras. Estas formações alongadas são vistas no rádio e estão enlaçadas por campos magnéticos que correm paralelamente a elas. As ondas de rádio são causadas por partículas energizadas que se movem em espiral ao longo dos campos magnéticos.

Esta nova imagem mostra um destes "ossos" cósmicos, chamado G359.13142-0.20005 (G359.13 para abreviar), com dados de raios X do Chandra (a azul) e dados de rádio da rede MeerKAT na África do Sul (a cinzento). Os investigadores também se referem a G359.13 como a Serpente.

A análise desta imagem revela a presença de uma quebra, ou fratura, no segmento contínuo de G359.13 visto na imagem. Os dados combinados de raios-X e rádio fornecem pistas para a causa desta fratura.

Os astrónomos descobriram agora uma fonte de raios X e de rádio no local da fratura, utilizando os dados do Chandra, do MeerKAT e do VLA (Very Large Array). O provável pulsar responsável por estes sinais de rádio e raios X está rotulado na imagem. Uma possível fonte extra de raios X localizada perto do pulsar pode vir de eletrões e positrões (os equivalentes antimatéria dos eletrões) que foram acelerados a altas energias.

Os investigadores pensam que o pulsar terá causado a fratura ao embater contra G359.13 a uma velocidade entre 1,6 e 3,2 milhões de quilómetros por hora. Esta colisão distorceu o campo magnético do "osso", fazendo com que o sinal de rádio também se deformasse.

Com cerca de 230 anos-luz de comprimento, G359.13 é uma das estruturas mais longas e brilhantes do seu género na Via Láctea. Para contextualizar, existem mais de 800 estrelas a essa distância da Terra. G359.13 está localizada a cerca de 26.000 anos-luz da Terra, perto do centro da Via Láctea.

O artigo científico que descreve estes resultados foi publicado na edição de maio de 2024 da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Filamentos no Centro Galáctico:
Wikipedia

Estrela de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Pulsar:
Wikipedia
Catálogo ATNF de Pulsares

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

MeerKAT:
SARAO
Wikipedia

VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):
Página principal
NRAO
Wikipedia

 
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Telescópio espacial SPHEREx começou a captar todo o céu
 
A missão SPHEREx da NASA está a observar todo o céu em 102 cores infravermelhas, ou comprimentos de onda de luz não visíveis ao olho humano. Esta imagem mostra uma secção do céu num comprimento de onda (3,29 micrómetros), revelando uma nuvem de poeira feita de uma molécula semelhante à fuligem ou ao fumo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Lançado a 11 de março, o observatório espacial SPHEREx da NASA passou as últimas seis semanas a ser submetido a verificações, calibrações e outras atividades para garantir que está a funcionar devidamente. Agora está a mapear todo o céu - e não apenas uma grande parte dele - para determinar as posições de centenas de milhões de galáxias em 3D e responder a algumas grandes questões sobre o Universo. No dia 1 de maio, a nave espacial iniciou as operações científicas regulares, que consistem em captar cerca de 3600 imagens por dia durante os próximos dois anos, com o objetivo de fornecer novos conhecimentos sobre as origens do Universo, as galáxias e os ingredientes para a vida na Via Láctea.

"Graças ao trabalho árduo das equipas da NASA, da indústria e do mundo académico que construíram esta missão, o SPHEREx está a funcionar tal como esperávamos e produzirá mapas do céu completo diferentes de todos os que já tivemos antes", disse Shawn Domagal-Goldman, diretor interino da Divisão de Astrofísica na sede da NASA em Washington, EUA. "Este novo observatório vem juntar-se ao conjunto de missões de pesquisa astrofísica baseadas no espaço que conduzem ao lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA. Juntamente com estas outras missões, o SPHEREx desempenhará um papel fundamental na resposta às grandes questões sobre o Universo que abordamos todos os dias na NASA".

A partir da sua posição em órbita da Terra, o SPHEREx olha para a escuridão, apontando para longe do planeta e do Sol. O observatório completará mais de 11.000 órbitas ao longo dos 25 meses de operações de pesquisa planeadas, dando a volta à Terra cerca de 14,5 vezes por dia. Orbita a Terra de norte a sul, passando sobre os polos, e todos os dias capta imagens ao longo de uma faixa circular do céu. À medida que os dias passam e o planeta se desloca em torno do Sol, o campo de visão do SPHEREx também se desloca, de modo que, ao fim de seis meses, o observatório terá olhado para o espaço em todas as direções.

Quando o SPHEREx tira uma fotografia do céu, a luz é enviada para seis detetores, cada um dos quais produz uma imagem única que capta diferentes comprimentos de onda da luz. A estes grupos de seis imagens chama-se uma exposição, e o SPHEREx efetua cerca de 600 exposições por dia. Quando termina uma exposição, todo o observatório muda de posição - os espelhos e os detetores não se movem como acontece com outros telescópios. Em vez de utilizar propulsores, o SPHEREx depende de um sistema de rodas de reação, que giram no interior da nave espacial para controlar a sua orientação.

Centenas de milhares de imagens do SPHEREx serão digitalmente combinadas para criar quatro mapas de todo o céu em dois anos. Ao mapear todo o céu, a missão fornecerá novos conhecimentos sobre o que aconteceu na primeira fração de segundo após o Big Bang. Nesse breve instante, um acontecimento chamado inflação cósmica fez com que o Universo se expandisse um quatrilião de vezes.

 
Esta imagem do SPHEREx da NASA mostra a mesma região do espaço que a anterior, mas num comprimento de onda infravermelho diferente (0,98 micrómetros) e a nuvem de poeira já não é visível. As moléculas que compõem a poeira - hidrocarbonetos aromáticos policíclicos - não irradiam luz nesta cor.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

"Vamos estudar o que aconteceu nas escalas mais pequenas dos primeiros momentos do Universo, observando o Universo moderno nas escalas maiores", disse Jim Fanson, gestor de projeto da missão no JPL da NASA, no sul da Califórnia. "Penso que há um arco poético nisso".

A inflação cósmica influenciou subtilmente a distribuição da matéria no Universo, e as pistas sobre como um tal acontecimento poderia ocorrer estão inscritas nas posições das galáxias em todo o Universo. Quando a inflação cósmica começou, o Universo era mais pequeno do que o tamanho de um átomo, mas as propriedades desse Universo primitivo foram esticadas e influenciam o que vemos hoje. Nenhum outro acontecimento ou processo conhecido envolve a quantidade de energia que teria sido necessária para impulsionar a inflação cósmica, pelo que o seu estudo constitui uma oportunidade única para compreender mais profundamente o funcionamento do nosso Universo.

"Alguns de nós têm vindo a trabalhar para este objetivo há 12 anos", disse Jamie Bock, o investigador principal da missão no Caltech e no JPL. "O desempenho do instrumento é tão bom quanto esperávamos. Isso significa que vamos poder fazer toda a ciência fantástica que planeámos e talvez até fazer algumas descobertas inesperadas".

Campo de cor

O observatório SPHEREx não será o primeiro a mapear todo o céu, mas será o primeiro a fazê-lo com tantas cores. Observa 102 comprimentos de onda, ou cores, de luz infravermelha, que não são detetáveis pelo olho humano. Através de uma técnica chamada espetroscopia, o telescópio separa a luz em comprimentos de onda - tal como um prisma cria um arco-íris a partir da luz solar - revelando todo o tipo de informação sobre fontes cósmicas.

Por exemplo, a espetroscopia pode ser utilizada para determinar a distância a uma galáxia longínqua, informação que pode ser usada para transformar um mapa 2D dessas galáxias num mapa 3D. A técnica também permitirá à missão medir o brilho coletivo de todas as galáxias que já existiram e ver como esse brilho se alterou ao longo do tempo cósmico.

E a espetroscopia pode revelar a composição dos objetos. Usando esta capacidade, a missão está a procurar água e outros ingredientes chave para a vida nestes sistemas da nossa Galáxia. Pensa-se que a água nos oceanos da Terra teve origem em moléculas de água gelada ligadas à poeira da nuvem interestelar onde o Sol se formou.

A missão SPHEREx fará mais de 9 milhões de observações de nuvens interestelares na Via Láctea, mapeando estes materiais em toda a Galáxia e ajudando os cientistas a compreender como diferentes condições podem afetar a química que produziu muitas das substâncias que hoje se encontram na Terra.

// NASA (comunicado de imprensa)
// SPHEREx "varre" o céu (JPLraw via YouTube)

 


Quer saber mais?

Cobertura da missão SPHEREx pelo CCVAlg - Astronomia:
04/02/2025 - Fique a conhecer o SPHEREx, o mais recente telescópio espacial da NASA
19/02/2019 - Selecionada nova missão para explorar as origens do Universo

SPHEREx (Spectro-Photometer for the History of the Universe, Epoch of Reionization and Ices Explorer):
JPL/NASA
Caltech
Wikipedia

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Inflação cósmica (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

 
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Também em destaque
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  Missão Roman da NASA partilha planos pormenorizados para varrer os céus (via NASA)
A equipa do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA partilhou no passado mês de abril os planos dos três principais levantamentos que a missão irá realizar após o lançamento. Estes programas de observação foram concebidos para investigar alguns dos mistérios mais profundos da astrofísica, permitindo simultaneamente uma exploração cósmica alargada que revolucionará a nossa compreensão do Universo. Ler fonte
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Álbum de fotografias
Jovem Enxame Estelar NGC 346

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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ciência - NASAESACSA, Olivia C. Jones (ATC do Reino Unido), Guido De Marchi (ESTEC), Margaret Meixner (USRA); processamento - Alyssa Pagan (STScI), Nolan Habel (USRA), Laura Lenkić (USRA), Laurie E. U. Chu (Centro Ames da NASA)
 
O enxame de estrelas jovens mais massivo da Pequena Nuvem de Magalhães é NGC 346, embebido na maior região de formação estelar da nossa pequena galáxia satélite, a cerca de 210.000 anos-luz de distância. Claro, as estrelas massivas de NGC 346 têm vida curta, mas são muito energéticas. Os seus ventos e radiação esculpem as orlas da nuvem molecular poeirenta da região, desencadeando a formação de estrelas no seu interior. A região de formação estelar também parece conter uma grande população de estrelas infantis. Com apenas 3 a 5 milhões de anos e ainda não queimando hidrogénio nos seus núcleos, as estrelas jovens estão espalhadas pelo enxame estelar incorporado. Esta espetacular imagem infravermelha de NGC 346 foi obtida pelo instrumento NIRcam do Telescópio Espacial James Webb. A emissão do hidrogénio atómico ionizado pela radiação energética das estrelas massivas, bem como do hidrogénio molecular e da poeira na nuvem molecular de formação estelar, é detalhada em tons rosa e laranja. A imagem detalhada da jovem região de formação estelar, pelo Webb, abrange 240 anos-luz à distância da Pequena Nuvem de Magalhães.
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