OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
Desta vez, temos mais uma sessão de observação do Sol na Ponte Romana em Tavira e em parceria com o Centro Ciência Viva do Algarve. Data: 23 de maio de 2025 Hora: 10:00 - 12:00 Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A atividade é gratuita e a sua realização está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 20/05: 140.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1498, Vasco da Gama chegava a Calicut (India) numa viagem de exploração equivalente na época às modernas odisseias espaciais.
Em 1964, descoberta da radiação cósmica de fundo em microondas, por Robert Woodrow Wilson e Arno Penzias.
Em 1990, o Telescópio Espacial Hubble envia as suas primeiras fotografias. No entanto, foi descoberta uma falha no espelho principal, o que reduziu a capacidade do telescópio em focar e durante três anos os astrónomos só obtiveram imagens desfocadas do Universo, apesar destas serem muito melhores do que as imagens obtidas a partir do solo. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 12:59.
DIA 21/05: 141.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 2010, a JAXA lança a sonda IKAROS de velas solares a bordo de um foguetão H-IIA, juntamente com a sonda Akatsuki.
A IKAROS passou por Vénus no final do mesmo ano. HOJE, NO COSMOS:
Ainda falta um mês para o início da nova estação e a última estrela do Triângulo de Verão só nasce por volta das 23:00. É Altair, o canto inferior direito do Triângulo. Observe o nascer da estrela a três ou quatro punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita de Vega.
A terceira estrela do Triângulo é Deneb, menos distante para baixo e para a esquerda de Vega.
DIA 22/05: 142.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1783, nascia William Sturgeon, físico inglês e inventor que fez os primeiros ímanes e inventou o primeiro motor elétrico inglês.
Em 1890, nascia Per Collinder, astrónomo sueco, conhecido pelo seu catálogo de enxames abertos, hoje em dia chamado Catálogo de Collinder.
Em 1969, o módulo lunar da Apollo 10 passava a 8,4 milhas náuticas (15,6 km) da superfície da Lua.
Em 1995, imagens captadas pelo Telescópio Espacial Hubble durante a travessia do plano dos anéis de Saturno levam à descoberta de uma nova lua. As travessias do plano dos anéis acontecem a cada 15 anos e historicamente têm dado aos astrónomos uma oportunidade para descobrir novos satélites que normalmente são ofuscados pelo brilho do sistema de anéis do planeta.
Em 2012, a SpaceX lança uma cápsula Dragon no topo de um foguetão Falcon 9, no primeiro voo comercial até à ISS. HOJE, NO COSMOS:
Nas duas horas que antencedem o nascer-do-Sol, observe o nascer da Lua a este, que conta com o planeta Saturno como companheiro para baixo e para sua esquerda.
Repita esta observação amanhã, mas uma hora antes do amanhecer, e verá que a Lua se moveu agora para a esquerda de Saturno, e agora com Vénus para baixo e para a sua esquerda.
Primeiras auroras observadas a partir da superfície de Marte
A primeira imagem, no visível, de auroras verdes em Marte (à esquerda), obtida pelo instrumento Mastcam-Z no rover Perseverance da NASA. À direita, uma imagem comparativa do céu noturno de Marte sem aurora, mas com a lua marciana Deimos. O céu noturno marciano, iluminado sobretudo pela maior e mais próxima lua de Marte, Fobos (fora da imagem), tem um tom castanho-avermelhado devido à poeira na atmosfera, pelo que, quando se adiciona a luz verde da aurora, o céu adquire um tom verde-amarelado, como se vê na imagem da esquerda.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS/SSI
No dia 15 de março de 2024, perto do pico do atual ciclo solar, o Sol produziu uma erupção e uma ejeção de massa coronal (EMC), uma explosão massiva de gás e energia magnética que transporta consigo grandes quantidades de partículas energéticas solares. Esta atividade solar deu origem a auroras espantosas em todo o Sistema Solar, incluindo em Marte, onde o rover Perseverance da NASA fez história ao detetá-las pela primeira vez a partir da superfície de outro planeta.
"Esta descoberta empolgante abre novas possibilidades para a investigação das auroras e confirma que estas poderão ser visíveis pelos futuros astronautas na superfície de Marte", afirmou Elise Knutsen, investigadora pós-doutorada na Universidade de Oslo, na Noruega, e principal autora de um artigo científico publicado na revista Science Advances, onde relatou esta deteção.
Escolhendo a aurora certa
Na Terra, as auroras formam-se quando as partículas solares interagem com o campo magnético global, canalizando-as para os polos onde colidem com os gases atmosféricos e emitem luz. A cor mais comum, verde, é causada por átomos de oxigénio excitados que emitem luz com um comprimento de onda de 557,7 nanómetros. Durante anos, os cientistas teorizaram que as auroras verdes também poderiam existir em Marte, mas sugeriram que seriam muito mais fracas e difíceis de captar do que as auroras verdes que vemos na Terra.
Devido ao facto de o Planeta Vermelho não ter um campo magnético global, Marte tem tipos diferentes de auroras das que temos na Terra. Uma delas são as auroras de partículas energéticas solares (PES), que a missão MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN) da NASA descobriu em 2014. Estas ocorrem quando partículas superenergéticas do Sol atingem a atmosfera marciana, provocando uma reação que faz com que a atmosfera brilhe em todo o céu noturno.
Embora a MAVEN tenha observado auroras PES no ultravioleta a partir de órbita, este fenómeno nunca tinha sido observado no visível a partir do solo. Uma vez que as PES ocorrem tipicamente durante as tempestades solares, que aumentam durante o máximo solar, Knutsen e a sua equipa decidiram captar imagens e espetros visíveis das auroras PES a partir da superfície de Marte, no pico do atual ciclo da nossa estrela.
Coordenando o momento perfeito para uma fotografia
Recorrendo a modelos, Knutsen e a sua equipa determinaram o ângulo ideal para que o espetrómetro SuperCam e a câmara Mastcam-Z do rover Perseverance pudessem observar com sucesso a aurora PES no visível. Com esta estratégia de observação implementada, tudo se resumiu ao momento e à compreensão das EMCs.
"O truque era escolher uma boa EMC, uma que acelerasse e injetasse muitas partículas carregadas na atmosfera de Marte", disse Knutsen.
Foi aí que entraram as equipas M2M (Moon to Mars) do Gabinete de Análise do Clima Espacial da NASA e CCMC (Community Coordinated Modeling Center), ambas localizadas no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. A equipa M2M fornece análises em tempo real das erupções solares ao CCMC para iniciar simulações de EMCs e determinar se estas podem ter impacto nas missões atuais da NASA. Quando as simulações sugerem potenciais impactos, a equipa envia um alerta.
Na Universidade da Califórnia, em Berkeley, a física espacial Christina Lee recebeu um alerta do gabinete M2M sobre a EMC de 15 de março de 2024. Lee, membro da equipa da missão MAVEN que trabalha com dados do clima espacial, determinou que havia uma tempestade solar notável a dirigir-se para o Planeta Vermelho, que poderia chegar dentro de alguns dias. Emitiu imediatamente uma notificação de alerta para as missões marcianas atualmente em funcionamento.
"Isto permite às equipas científicas do Perseverance e da MAVEN antecipar os impactos das EMCs interplanetárias e das PES associadas", disse Lee.
"Quando vimos a força desta", disse Knutsen, "estimámos que poderia desencadear uma aurora suficientemente brilhante para ser detetada pelos nossos instrumentos".
Poucos dias depois, a EMC impactou Marte, proporcionando um espetáculo de luzes para o rover capturar, mostrando que a aurora era quase uniforme em todo o céu, com emissão no exato comprimento de onda de 557,7 nm. Para confirmar a presença de PES durante a observação da aurora, a equipa recorreu ao instrumento SEP (Solar Energetic Particle) da MAVEN, que foi adicionalmente corroborada por dados da missão Mars Express da ESA. Os dados de ambas as missões confirmaram que a equipa do rover tinha conseguido vislumbrar o fenómeno no curto espaço de tempo disponível.
"Este foi um exemplo fantástico de coordenação entre missões. Todos trabalhámos rapidamente em conjunto para facilitar esta observação e estamos entusiasmados por termos finalmente conseguido uma espreitadela do que os astronautas poderão lá ver um dia", disse Shannon Curry, investigadora principal da MAVEN e investigadora do LASP (Laboratory for Atmospheric and Space Physics) da Universidade do Colorado em Boulder.
O futuro das auroras em Marte
Ao coordenar as observações do Perseverance com as medições do instrumento SEP da MAVEN, as equipas podem ajudar-se mutuamente a determinar que a emissão observada de 557,7 nm provém de partículas energéticas solares. Uma vez que esta é a mesma linha de emissão que a aurora verde na Terra, é provável que os futuros astronautas marcianos consigam ver este tipo de aurora.
"As observações, pelo Perseverance, da aurora no visível, confirmam uma nova forma de estudar estes fenómenos, que é complementar ao que podemos observar com os nossos orbitadores em Marte", disse Katie Stack Morgan, cientista do projeto Perseverance no JPL da NASA, no sul do estado da Califórnia. "É especialmente importante compreender melhor as auroras e as condições em torno de Marte que levam à sua formação, enquanto nos preparamos para enviar, em segurança, exploradores humanos para lá".
Missão Magellan revela possível atividade tectónica em Vénus
Uma nova investigação sugere que vastas características da superfície de Vénus, chamadas coroas, continuam a ser moldadas por processos tectónicos. As observações destas características feitas pela missão Magellan da NASA incluem, no sentido dos ponteiros do relógio a partir do canto superior esquerdo, as coroas de Artémis, de Quetzalpetlatl, de Bahet e de Fotla.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech
De acordo com uma nova investigação baseada em dados recolhidos há mais de 30 anos pela missão Magellan da NASA, vastas características quase circulares na superfície de Vénus podem revelar que o planeta tem tectónica em curso. Na Terra, a superfície do planeta é continuamente renovada pela constante deslocação e reciclagem de secções massivas da crosta, chamadas placas tectónicas, que flutuam sobre um interior viscoso. Vénus não tem placas tectónicas, mas a sua superfície continua a ser deformada por material fundido vindo do interior.
Procurando compreender melhor os processos subjacentes que conduzem a estas deformações, os investigadores estudaram um tipo de característica chamada coroa. Com dimensões que variam entre dezenas e centenas de quilómetros de diâmetro, pensa-se que uma coroa seja o local onde uma pluma de material quente e flutuante do manto do planeta se eleva, empurrando contra a litosfera acima (a litosfera inclui a crosta do planeta e a parte superior do seu manto). Estas estruturas são geralmente ovais, com um sistema concêntrico de fraturas à sua volta. Sabe-se da existência de centenas de coroas em Vénus.
Publicado na revista Science Advances, o novo estudo detalha sinais recém-descobertos de atividade na ou sob a superfície que dá forma a muitas das coroas de Vénus, características que podem também fornecer uma janela única para o passado da Terra. Os investigadores encontraram os indícios desta atividade tectónica nos dados da missão Magellan da NASA, que orbitou Vénus na década de 1990 e recolheu os dados mais detalhados sobre a gravidade e a topografia do planeta atualmente disponíveis.
"As coroas não se encontram na Terra hoje em dia; no entanto, podem ter existido quando o nosso planeta era jovem e antes das placas tectónicas terem sido estabelecidas", disse o autor principal do estudo, Gael Cascioli, investigador assistente da Universidade de Maryland, Baltimore County, e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA. "Ao combinar dados gravitacionais e topográficos, esta investigação forneceu uma nova e importante visão sobre os possíveis processos subsuperficiais que atualmente moldam a superfície de Vénus".
Esta ilustração da grande coroa de Quetzalpetlatl, localizada no hemisfério sul de Vénus, mostra vulcanismo ativo e uma zona de subducção, onde a crosta em primeiro plano mergulha no interior do planeta. Um novo estudo sugere que as coroas são locais de vários tipos de atividade tectónica.
Crédito:
NASA/JPL-Caltech/Peter Rubin
Como membros da futura missão VERITAS (Venus Emissivity, Radio science, InSAR, Topography, and Spectroscopy) da NASA, Cascioli e a sua equipa estão particularmente interessados nos dados de gravidade de alta resolução que a nave espacial irá fornecer. O coautor do estudo, Erwan Mazarico, também de Goddard, será o colíder da experiência de gravidade VERITAS quando a missão for lançada em 2031.
Coroas misteriosas
Gerida pelo JPL da NASA, no sul da Califórnia, a Magellan utilizou o seu sistema de radar para ver através da espessa atmosfera de Vénus e mapear a topografia das suas montanhas e planícies. Das características geológicas que a nave espacial cartografou, as coroas eram talvez as mais enigmáticas: não se sabia ao certo como se tinham formado. Nos anos que se seguiram, os cientistas encontraram muitas coroas em locais onde a litosfera do planeta é fina e o fluxo de calor é elevado.
"As coroas são abundantes em Vénus. São características muito grandes e as pessoas têm proposto diferentes teorias ao longo dos anos sobre como se formaram", disse a coautora Anna Gülcher, cientista planetária e da Terra da Universidade de Berna, na Suíça. "O mais excitante para o nosso estudo é que podemos agora dizer que existem muito provavelmente vários processos ativos em curso que levaram à sua formação. Acreditamos que estes mesmos processos podem ter ocorrido no início da história da Terra".
Os investigadores desenvolveram sofisticados modelos geodinâmicos em 3D que demonstram vários cenários de formação de coroas induzidas por plumas e compararam-nos com os dados combinados de gravidade e topografia da Magellan. Os dados de gravidade revelaram-se cruciais para ajudar os investigadores a detetar plumas menos densas, quentes e flutuantes sob a superfície - informação que não podia ser discernida apenas a partir dos dados de topografia. Das 75 coroas estudadas, 52 parecem ter material flutuante do manto por baixo delas, que provavelmente está a conduzir processos tectónicos.
Um processo chave é a subducção: na Terra, ocorre quando a orla de uma placa tectónica é empurrada para baixo da placa adjacente. A fricção entre as placas pode gerar sismos e, à medida que o material rochoso antigo mergulha no manto quente, a rocha derrete e é reciclada de volta à superfície através de fontes vulcânicas.
Estas ilustrações representam vários tipos de atividade tectónica que se pensa persistir sob as coroas de Vénus. Em cima, estão representados o gotejamento litosférico e a subducção; em baixo, dois cenários em que o material quente da pluma sobe e empurra a litosfera, potencialmente levando a vulcanismo acima dela.
Crédito: Anna Gülcher
Em Vénus, pensa-se que ocorre um tipo diferente de subducção em torno do perímetro de algumas coroas. Neste cenário, à medida que uma pluma flutuante de rocha quente no manto empurra para cima até à litosfera, o material da superfície sobe e espalha-se para fora, colidindo com o material da superfície circundante e empurrando esse material para baixo, para o manto.
Outro processo tectónico conhecido como gotejamento litosférico pode também estar presente, onde acumulações densas de material comparativamente frio se afundam da litosfera para o manto quente. Os investigadores também identificaram vários locais onde pode estar a ocorrer um terceiro processo: uma pluma de rocha derretida por baixo de uma parte mais espessa da litosfera pode, potencialmente, conduzir o vulcanismo por cima dela.
Decifrando Vénus
Este trabalho marca o mais recente caso em que os cientistas voltam aos dados da Magellan para descobrir que Vénus exibe processos geológicos que são mais semelhantes aos da Terra do que se pensava inicialmente. Recentemente, os investigadores foram capazes de detetar vulcões em erupção, incluindo vastos fluxos de lava que saíram de Maat Mons, Sif Mons e Eistla Regio em imagens de radar do orbitador.
Embora essas imagens forneçam evidências diretas da ação vulcânica, os autores do novo estudo necessitarão de uma resolução mais nítida para traçar um quadro completo dos processos tectónicos que levam à formação das coroas. "Os mapas gravitacionais de Vénus pela VERITAS aumentarão a resolução em pelo menos um fator de dois a quatro, dependendo da localização - um nível de detalhe que poderá revolucionar a nossa compreensão da geologia de Vénus e as implicações para a Terra primitiva", disse a coautora do estudo Suzanne Smrekar, cientista planetária do JPL e investigadora principal da VERITAS.
Gerida pelo JPL, a VERITAS utilizará um radar de abertura sintética para criar mapas globais em 3D e um espetrómetro no infravermelho próximo para descobrir de que é feita a superfície de Vénus. Usando o seu sistema de rastreio de rádio, a nave espacial também medirá o campo gravitacional do planeta para determinar a estrutura do interior de Vénus. Todos estes instrumentos ajudarão a identificar áreas de atividade na superfície.
Esta paisagem sombria de montanhas majestosas e planícies geladas estende-se em direção ao horizonte num mundo pequeno e distante. Foi captada a uma distância de cerca de 18.000 quilómetros quando a New Horizons olhou para trás, na direção de Plutão, 15 minutos após a maior aproximação da nave espacial, a 14 de julho de 2015. A cena dramática, de ângulo baixo e quase ao crepúsculo, segue as montanhas escarpadas formalmente conhecidas como Norgay Montes, em primeiro plano à esquerda, e Hillary Montes ao longo do horizonte, dando lugar à suave Sputnik Planum à direita. As camadas da ténue atmosfera de Plutão também são reveladas na vista em contraluz. Com uma aparência estranhamente familiar, o terreno frígido inclui provavelmente azoto e monóxido de carbono congelados, com montanhas de água gelada que se elevam até 3500 metros. É uma altura comparável à das majestosas montanhas do planeta Terra. A paisagem plutoniana tem 380 quilómetros de largura.
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